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terça-feira, 30 de abril de 2019

NOTRE DAME — I - Plinio Maria Solimeo


27 de abril de 2019
Plinio Maria Solimeo


O mundo assistiu estupefato no dia 15 pp. aos vídeos do trágico incêndio do mais icônico edifício do mundo, a catedral de Notre Dame de Paris.

“Como ocorreu essa catástrofe?” É a pergunta que se impõe quando se trata de um monumento como Notre Dame. E ela se impõe porque esse incêndio se produziu em meio a uma onda de ataques vandálicos cristianofóbicos contra igrejas na França.

Apenas um mês antes, em 17 de março, por exemplo, havia ardido a histórica igreja de SaintSulpice, uma das mais importante de Paris, construída em 1646, num criminoso ataque presumivelmente de um ou vários anticatólicos. Além dela, em apenas uma semana, 12 outras igrejas foram queimadas ou profanadas, com imagens da Santíssima Virgem destroçadas, e de Jesus Cristo decapitados. 

A par disso, a descristianização da “Filha Primogênita da Igreja” é das mais elevadas no mundo, onde infelizmente as blasfêmias mais soezes estão na ordem do dia em meios de comunicação, e não se poupando mais nem a Nosso Senhor Jesus Cristo e à sua Mãe Santíssima.

Foi nesse contexto que ocorreu o incêndio em Notre Dame, catedral histórica que não é somente símbolo de Paris nem sequer da França, mas de toda a cristandade. Foi por isso que a notícia de seu incêndio percorreu o mundo e provocou consternação em todas as pessoas bem formadas.

A construção dessa emblemática joia do gótico medieval foi iniciada no ano de 1160 pelo bispo Maurício de Sully, demorando 100 anos para ser praticamente completada. Durante os séculos seguintes foram sendo acrescentados aperfeiçoamentos, até chegar a dar-lhe a feição atual.

Entre suas paredes ocorreram fatos importantes da vida religiosa da cidade de Paris e da França. Mas ela também enfrentou profanações, como por exemplo durante o período da Revolução Francesa, quando foi satanicamente dessacralizada com muitas de suas imagens danificadas ou destruídas.

Depois de voltar ao culto durante a Restauração, Notre Dame continuou a marcar a vida de Paris, tornando-se um dos monumentos mais visitados do mundo, com cerca de 12 a 13 milhões de visitantes por ano.

Esse cântico de louvor à Santíssima Virgem em pedra e cristal continha em seu seio imensos e inapreciáveis tesouros. Mas sobretudo conservava entre em suas paredes históricas o Rei dos Reis e o Senhor dos Senhores no Santíssimo Sacramento do altar e a relíquia da Coroa de Espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Voltarei ao tema brevemente.


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segunda-feira, 29 de abril de 2019

MEU COMPORTAMENTO É CORRETO? - Antonio Nunes de Souza


Uma pergunta que sempre nos fazemos e, seguramente, todos acham que estão completamente certos!

Essa é uma reação automática de todas pessoas, pois, obviamente, sempre seguem os seus pensamentos, sem analisar, que todos os nossos atos são decorrentes da nossa educação doméstica, cultural, costumes e exemplos familiares!

Não é raro você agir de uma forma grosseira e malcriada, quando não é atendido no que deseja. Mas, deveria imediatamente refletir, analisar, voltar os pensamentos para trás e perceber que, nem sempre, temos o direito de agir com arrogância e falta de humildade. Lembre-se, se não foi atendido, a outra pessoa também deve ter as suas razões para que desta feita, não favoreça o seu pedido, ou favor!

Que tal se lembrar que já foi agraciado muitas vezes, sem que fosse obrigação da outra pessoa?

Que ela sempre está querendo lhe beneficiar por lhe ter bastante amizade e consideração?

Infelizmente, a grande maioria das pessoas, são “queixos duros” e teimosas, e não entendem que uma ação desagradável, desencadeia uma reação mais desagradável ainda. Pois o outro percebe que está sendo injustiçado sem nenhuma razão!

Devemos ser mais tolerantes, deixar as arrogância de lado, saber dar a “César o que é de César”, ou seja não querer tirar os direitos alheios, simplesmente porque acham que suas maneiras ou manias estão mais do que certas. Não existe manias, existem modos e esse devem ser cautelosos!

Assim sendo, nunca se dê razões sem pensar, querendo tirar as razões dos outros. Uma vez que, deve-se ver o momento certo para solicitar, como também uma maneira sutil e educada!

É bastante perigoso, e podem esses grandes e pequenos exemplos, romperem boas e futuras amizades que, simplesmente, poderia ser evitado através de pequenos detalhes e compreensão!


Antonio Nunes de Souza, escritor 
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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POESIA ROMÂNTICA: SEGUNDA GERAÇÃO


ULTRARROMANTISMO

            Por influência do poeta inglês Byron e de outros poetas e filósofos, o mundo das artes e das ideias foi invadido pelo pessimismo, pelo tédio, pela ideia da morte. Na Europa, o suicídio matava quase tanto quanto a tuberculose – o “mal do século”. Por este motivo, o pessimismo, a mórbida obsessão pela morte também recebeu o nome de “mal do século”. É a fase do ultrarromantismo. 
Observe:


Se eu morresse amanhã!


Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! Que céu azul! Que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

AZEVEDO, Álvares de – em ANTOLOGIA
ESCOLAR BRASILEIRA, de Marques Rebelo –
MEC, RJ 1967.
............

ÁLVARES DE AZEVEDO

            Manuel Antonio Álvares de Azevedo nasceu em 1831 e, antes de completar 21 anos, morreu de tuberculose.
           
            Adolescente dilacerado por seus conflitos íntimos, representa a experiência humana e literária mais dramática do nosso Romantismo. Sua obra poética gira em torno de morte, do amor impotente do tédio. Ensaiou também a prosa com os contos de “NOITE NA TAVERNA”, onde mostra sofrer forte influência de Byron, romântico inglês, e de Musset, romântico francês. São contos de uma imaginação exaltada e perversa, povoada de bêbados, prostitutas, jogadores e viciados, a viverem uma noite na taverna, não como figuras reais, e sim, como figuras de um opressivo pesadelo.

            Em “Lira dos Vinte Anos”, o problema da morte se apresenta com frequência. O poeta antevê sua própria morte e diante dela experimenta uma dupla emoção – a emoção de perder as coisas queridas e a emoção de ganhar uma tranquilidade que a existência não lhe proporciona.


(NOVO HORIZONTE – Português Vol. II Literatura – Linguagem – Redação.
Izaías Branco da Silva & Braz Ogleari)

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IGREJAS EUROPEIAS SÃO ALVO DE VANDALISMO POR PARTE DE INIMIGOS DO CRISTIANISMO



Wilson Gabriel da Silva


         Na Alemanha serpenteia uma guerra traiçoeira contra tudo o que simboliza o Cristianismo: ataques às cruzes, estátuas, igrejas e até cemitérios, de acordo com relato de PI-News, daquele país. Em março passado foram atacadas quatro igrejas. A informação foi divulgada pelo boletim do Instituto Gatestone em meados de abril, em matéria assinada por Raymond Ibrahim.

         De acordo com essa fonte, a mídia e as autoridades ofuscam a identidade dos vândalos. Em algumas ocasiões fica claro que os depredadores são muçulmanos, cuja identidade e intenções são geralmente ofuscadas por eufemismos que ocultam suas verdadeiras intenções anticristãs. Assim, nunca se diz maometanos, mas migrantes ou imigrantes. E quando não há como esconder a procedência dos autores dos ataques, apresentam-nos como pobres débeis mentais… Em sentido contrário, quem associa o ódio anticristão com o fanatismo muçulmano é acusado de racista:

         “Dificilmente alguém escreve ou fala a respeito do crescimento de ataques contra os símbolos cristãos”, lê-se na fonte citada. Há um silêncio eloquente na França e na Alemanha a respeito do escândalo dos ataques a templos sagrados e da origem dos seus autores. […] Nem uma só palavra, nem sequer a mais leve insinuação que possa levar à suspeita dos migrantes… Não são os autores dos ataques que são vítimas do ostracismo, mas aqueles que ousam associar a dessacralização dos símbolos cristãos com as importações dos imigrantes. Eles são acusados de rancor, de linguagem odienta e racismo” (cf. PI News, 24-3-2019).

         Curiosamente essa inversão de valores e de princípios não é observada apenas em um país de maioria protestante como a Alemanha, mas, poderia dizer-se, sobretudo nos países católicos, com base na teologia ecumênica do Concílio Vaticano II. É triste…  


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SOBRE O GENERAL MOURÃO Por Eglê S Machado

 27.04.2019
Há dias, amigos do filho do Presidente Bolsonaro, e até o próprio filho, estão agindo de acordo com o que a esquerda deseja.

Desde o mês de janeiro vejo na Internet a conversa de que a esquerda estuda um meio de derrubar o Presidente Bolsonaro. Porém irão primeiro “dar um jeito de afastar o general Mourão”, para depois tratarem do impeachment do presidente.

Sabem que, ficando Mourão, as coisas não mudarão a favor deles. Aquele Olavo de Carvalho, que dizem ser o ‘guru’ age, na verdade, como um inimigo. Poderá conseguir até abalar o afeto do filho com o pai presidente.

Dizem até que o deputado Marco Feliciano entrou com o pedido de impeachment do vice-presidente, Mourão, aconselhado pelo Olavo de Carvalho. Como não foi aceito seu ‘desejo’, e diante da reação silenciosa dos generais e da indignação da maioria de pessoas sensatas, o infeliz deputado passou a dizer que o seu pedido de impeachment foi apenas um “tiro de alerta”.

Em uma entrevista à Carta Capital, a filha do Olavo de Carvalho revelou algumas “situações bizarras” do pai. Clique no link e veja a entrevista: https://www.revistaforum.com.br/em-entrevista-a-carta-capital-filha-de-olavo-de-carvalho-revela-que-o-pai-foi-adepto-da-poligamia/

O general Paulo Chagas se manifestou a favor de Mourão dizendo: “O General Mourão não chegaria aonde chegou na carreira militar se não fosse leal aos seus superiores e dedicado ao serviço da Pátria.  Intrigas e meias verdades não fazem parte do cardápio de atitudes de um Soldado como Hamilton Mourão”.

O General Paulo Chagas tuitou também: “O Bolsonaro tem um monte de inimigos, tantos que há alguns que nem sabem que o são e o quanto o prejudicam agindo como amigos e dizendo que o amam...”

Alegrou-me profundamente outra mensagem do General Paulo Chagas, no Twitter:

  
"Os problemas a serem enfrentados pelo Governo Bolsonaro são graves e urgentes demais para que se fique a especular as entrelinhas do que diz o Vice, General Mourão. Quem o faz, sabendo ou não, está servindo à oposição. Para quem quer encontrar pelo em ovo, eu adianto, é perda de tempo!”

Dá para perceber que as mídias e os ‘esquerdopatas’ estão mancomunados. Quem virá ocupar a presidência, se tudo correr conforme tramam? Quem é o primeiro da lista na falta de um vice-presidente?

E o filho do presidente, caindo direitinho na trama.

O que muita gente não está entendendo é que o General Mourão é um vice atuante, não um “vice decorativo”. Diferente dos anteriores, ele age, e expressa seu pensamento livremente sem que com isso esteja contra nosso Presidente Bolsonaro. Quem gostaria que ele agisse diferente, certamente não se põe de acordo com o Presidente Jair Bolsonaro, que desde a campanha eleitoral sempre afirmou seu desejo de mudar o jeito de fazer política, “a nova política”.

Hamilton Mourão é um destemido General do Exército Brasileiro, homem íntegro e leal à Pátria Amada Brasil. Não seria agora que iria praticar uma ignomínia.

E o insolente deputado Marco Feliciano não tem o direito de se valendo da imunidade parlamentar, tentar denegrir a imagem de um filho impoluto do Brasil, o General Mourão.

Que em 2022, eleitores se recordem do primeiro ato do seu parlamentar e lhe mostrem que a Câmara Federal tem que ser um lugar de respeito, muito respeito.

Tem muito Bolsonariano que, sem perceber (ou de propósito mesmo), está ajudando aos inimigos do presidente...

 “Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá.”
(Mateus 12:25)

Que Deus tenha misericórdia do Brasil...

Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL
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domingo, 28 de abril de 2019

FOGO NA CASA DE DEUS! – Paulo Roberto Campos


28 de abril de 2019
Paulo Roberto Campos

Neste dia 28 de abril, festividade de São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716) — grande missionário francês, o doutor marial por excelência que explicitou magnificamente a doutrina sobre a Sagrada Escravidão a Nossa Senhora —, rezando a “Oração Abrasada” de repente fui assaltado pela lembrança do fogo devorador de Notre Dame de Paris.

E, na mesma oração composta por São Luís Grignion (no trecho que abaixo transcrevo) é impossível não nos recordarmos de um outro “incêndio”, denominado “auto-demolição”, que vem se alastrando dentro da Santa Igreja: “a fumaça de Satanás no templo de Deus”… E, novamente, ser assaltado pela imagem do incêndio que atingiu o coração da Cristandade.

Ainda não se tem certeza se o incêndio em Notre Dame foi acidental ou criminoso, mas alguns líderes muçulmanos comemoram a desfiguração de Notre Dame. Por exemplo, os jihadistas do “Estado Islâmico” celebraram o incêndio da Catedral. O portal Site (que monitora atividades extremistas na internet) publicou que eles “se divertiram” com a tragédia e a classificaram como sendo “um golpe no coração dos líderes cruzados”. (Cfr. “VEJA”, 24-4-19).

Aqui seguem os trechos da parte final da “Oração abrasada”, que se encontra nas últimas páginas do célebre e extraordinário “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”:

E nós, grande Deus! embora haja tanta glória e tanto lucro, tanta doçura e vantagem em servir-vos, quase ninguém tomará vosso partido? Quase nenhum soldado se alistará em vossas fileiras? Quase nenhum São Miguel clamará, no meio de seus irmãos, cheio de zelo pela vossa glória: Quis ut Deus?

Ah! permiti que brade por toda parte: Fogo! fogo! fogo! socorro! socorro! socorro! Fogo na casa de Deus! fogo nas almas! fogo até no santuário! Socorro, que assassinam nosso irmão! socorro, que degolam nossos filhos! socorro, que apunhalam nosso bom Pai!

Si quis est Domini, iungatur mihi. Venham todos os bons sacerdotes que estão espalhados pelo mundo cristão, os que estão atualmente na peleja, e os que se retiraram do combate para se embrenharem pelos desertos e ermos, venham todos esses bons sacerdotes e se unam a nós. Vis unita fit fortior, para que formemos, sob o estandarte da cruz, um exército em boa ordem de batalha e bem disciplinado, para de concerto atacar os inimigos de Deus que já tocaram a rebate: Sonuerunt, frenduerunt, fremuerunt, multiplicati sunt. Dirumpamus vincula eorum et projiciamus a nobis jugum ipsorum. Qui habitat in caelis irridebit eos. Exsurgat Deus, et dissipentur inimici ejus. Exsurge, Domine, quare abdormis? Exsurge.

Erguei-vos, Senhor: por que pareceis dormir? Erguei-vos em todo o vosso poder, em toda a vossa misericórdia e justiça, para formar-vos uma companhia seleta de guardas que velem a vossa casa, defendam vossa glória e salvem tantas almas que custam todo o vosso sangue, para que só haja um aprisco e um pastor, e que todos vos rendam glória em vosso santo templo: Et in templo ejus omnes dicent gloriam. Amém.



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PALAVRA DA SALVAÇÃO (128)


2ºdomingo da Páscoa – 28/04/2019



Evangelho (João 20: 19-31)

- O Senhor esteja com você.
- E com o seu espírito.
- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + de acordo com São João. 
Glória a você, Senhor.

Na noite daquele dia, sendo a primeira da semana fechada por medo dos judeus, as portas do lugar onde estavam os discípulos, Jesus apareceu no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco.  Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram felizes em ver o Senhor.
 Jesus disse novamente: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, eu também te mando".
 Depois de dizer isso, ele soprou sobre eles e disse: "Receber o Espírito Santo.  A quem perdoais os pecados, eles são perdoados; a quem você os retém, eles são retidos. ”  Tomé, um dos Doze, chamado de Gêmeo, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos disseram-lhe: "Nós vimos o Senhor".
 Mas ele respondeu: "Sim. Eu vejo em suas mãos a impressão das unhas, e colocar o dedo na marca dos pregos, e coloquei minha mão no seu lado, I vai não acredito". Oito dias depois, eles foram novamente seus discípulos dentro e Tomé com eles. Jesus se apresentou no meio das portas fechadas e disse: "A paz esteja convosco".  Então ele disse a Tomé: "Põe o dedo aqui e olha para as minhas mãos; traz a tua mão e põe-na ao meu lado, e não sejas incrédulo, mas crente.  Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu.
 Disse-lhe Jesus: Porque me vistes e creste. Bem-aventurados os que não viram e creram. "
 Jesus realizou muitos outros sinais na presença dos discípulos que não estão escritos neste livro.
 Estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Palavra de Salvação.
Glória a você, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo a acompanhe a reflexão do Frei Alvaci Mendes da Luz:

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Experiência de Ressurreição: tocar as chagas da humanidade


Hendrick Jansz ter Brugghen (1622)

“...mostrou-lhes as mãos e o lado” (Jo 20,20)

Os relatos das Aparições nos advertem de que não se trata de uma crônica de acontecimentos. O que João quer nos comunicar são vivências internas dos discípulos reunidos; o que ele quer nos transmitir está mais além daquilo que entra pelos sentidos ou podemos imaginar.

Destacamos algumas das expressões do relato de João para formular a fé no Crucificado/Ressuscitado. 

O relato deste domingo se revela como uma catequese muito rica em conteúdo. Por uma parte, vincula a ressurreição com a paz, o dom do Espírito, o perdão, a fé, a missão...  Por outra, parece querer responder aos cristãos da “segunda geração”, que já não haviam conhecido o Jesus histórico, nem haviam participado daquela primeira experiência “fundante”. É a eles, representados na figura de Tomé, que lhes é dito:

           “Bem-aventurados aqueles que creram sem terem visto!”

São muitos os que se sentem escandalizados com o Evangelho deste 2º. Dom. de Páscoa. Não é possível que Jesus Ressuscitado conserve as chagas no seu corpo! Pode-se tocá-lo como se tocam as feridas sangrentas de um torturado, as mãos frias de um moribundo, os pés feridos de um imigrante?

Frente aos riscos de um falso espiritualismo que quer esquecer-se da “carne”, frente a todas as tentativas de entender a Páscoa como pura mudança de consciência, o Evangelho de João quis ressaltar a corporalidade do Cristo Ressuscitado e o faz desta forma, ou seja, dando um destaque especial às chagas das mãos e do lado aberto; o mesmo corpo do amor vivido e da entrega, o corpo ferido com cravos e lança, se converte assim em um sinal visível de Ressurreição, sinal que continua presente na realidade das pessoas.

A morte de Jesus não foi um acidente de percurso, não é algo que se esquece, sinal de sua condição humana; o Senhor ressuscitado continua sendo Aquele que leva em suas mãos e em seu lado as feridas de sua entrega, os sinais de seu amor crucificado em favor da humanidade. O Senhor ressuscitado continua sendo Aquele que sofre em todos os que sofrem no mundo. Como cristãos, professamos: “o Ressuscitado é o Crucificado”; por isso é necessário “tocar suas feridas”, ali onde Ele sofre naqueles que sofrem. Portanto, contemplar o Ressuscitado chagado impulsiona a continuar encontrando o mesmo Jesus nas chagas de todos os sofredores da história.

É surpreendente que o evangelho de João tenha conservado o registro da experiência de Madalena; mas, mais surpreendente ainda é o fato de que tenha recolhido a experiência de Tomé, para assim revelar-nos que a Páscoa significa tocar com mais força, de um modo mais profundo, as chagas de Jesus ressuscitado.

Maria Madalena havia “tocado em Jesus” no horto pascal, porque o amava e pela alegria de saber que Ele estava vivo. Mas, depois teve que deixar de tocá-lo fisicamente (“não me toques”), a fim de tocá-lo e conhecê-lo de um modo diferente, levando a mensagem da Vida de Jesus aos discípulos, fechados numa casa. Ela que o tocou com amor, foi a primeira das ressuscitadas com Jesus no jardim de Vida da Páscoa.

À diferença de Madalena, Tomé precisou aprender a ativar os sentidos: olhar, escutar, tocar...; precisou   descer do pedestal dos seus dogmas, das ideias separadas, para retomar a experiência concreta do amor de Jesus, que é a vida entregue pelos outros, amor chagado. Não basta crer em Jesus, separado de sua vida de compromisso em favor da vida; para crer nele é preciso querer tocar suas chagas, que são as chagas do mundo ferido por falta de amor.

Tomé começou sendo o apóstolo de uma espiritualidade sem compromisso social, sem entrega profética, sem solidariedade com os pobres e excluídos. Não era um apóstolo “cristão” de Jesus crucificado, mas um praticante da religião desencarnada que alguns, ainda hoje, continuam defendendo. 

“Tocar” em Jesus, colocar o dedo em suas chagas e a mão no seu lado aberto, é descobrir a ferida sangrenta da história humana, vinculando assim a ressurreição com a dor dos homens e mulheres oprimidos(as), torturados, enfermos, assassinados... Jesus Ressuscitado continua levando em suas mãos e em seu peito a ferida da história, não só as chagas dos cravos e o corte da lança em seu próprio corpo, mas a chaga dos enfermos e expulsos, dos famintos e oprimidos e a infinidade de pessoas que continuam sofrendo ao nosso lado. 

O Ressuscitado se faz reconhecível, é o mesmo Jesus, é o crucificado, é seu corpo chagado. Trata-se de crer no Crucificado. Suas feridas são inseparáveis da morte e da entrega a uma causa: o Reino. Não é a passagem a uma condição superior à do ser humano, mas a mesma condição humana levada a seu cume, assumindo sua história anterior. As chagas, sinal de seu amor extremo, evidenciam que é o mesmo que morreu na cruz. Já não há lugar para o medo da morte. Ninguém poderá tirar de Jesus a verdadeira Vida, nem tirá-la dos seus discípulos. A permanência dos sinais de sua morte indica a permanência de amor; elas são as cicatrizes de um compromisso com a vida. Além disso, elas garantem a identificação do Ressuscitado com o Jesus Crucificado. 

Concluindo, podemos dizer que a experiência de Tomé, que é também a nossa, tem um valor importante para nós, seguidores(as) do Ressuscitado. Hoje, ressuscitado, Jesus continua expondo-se, deixando-se tocar sem resistências, mostrando suas feridas, permitindo que, como Tomé, “coloquemos o dedo na ferida”. Quê paradoxo! Os sinais da Ressurreição se encontram aí onde antes se encontravam os sinais de dor e morte. Só quando assumimos esta realidade, poderemos testemunhar, como os primeiros discípulos, que o “Crucificado ressuscitou!”. 

São estas suas feridas e chagas nas mãos e no lado aberto os sinais que o Ressuscitado nos mostra para que possamos reconhecer as cicatrizes que também nós carregamos em nossos corpos. São estes os sinais que Ele nos mostra para que possamos pôr também nossas mãos nas feridas que continuam abertas em nosso mundo, nas mãos e lados de tantas irmãs e irmãos, de tantos povos, de nós mesmos. O Ressuscitado continua carregando todas as chagas e convida-nos a tocá-las, a acariciá-las, a acolhê-las, a reconciliar-nos com aquelas que ainda não foram integradas e pacificadas, a empenhar-nos na transformação daquelas que são fruto da injustiça e do mal.

Páscoa é tocar e acompanhar Jesus nos chagados da vida. Páscoa é também (ao mesmo tempo) sentir nas mãos e nos dedos, no coração e no olhar, o abraço de amor de todas as pessoas. Não há Páscoa de Jesus sem corpo-a-corpo de intimidade e proximidade, de homens e mulheres, de crianças e idosos, nos diversos tipos de encontro e comunhão, não para possuir mas para compartilhar, não para impor-se, mas para juntos abrir caminhos sempre novos de respeito e admiração. Assim nos toca Jesus, assim se deixa tocar por nós.

Texto bíblico:  Jo 20,19-31 

Na oração: Trazemos gravadas em nossa geografia corporal infinitas pequenas mortes e feridas; às vezes tão pequenas que não deixam cicatrizes visíveis, mas estão aí, cravadas em nosso corpo. 

Contemplando as chagas do Ressuscitado, seremos capazes de reconhecer que fomos criados para ressuscitar, com as nossas feridas integradas, pacificadas, iluminadas...; nossa sensibilidade será ativada o suficiente para poder reconhecer esses mesmos sinais de dor em outros corpos e rostos.

- “Fazer memória” das cicatrizes na sua história corporal, unindo-as às “feridas do Ressuscitado”.

Isso já é ressurreição, plenitude do mistério da comunhão através dos gestos, da proximidade, do abraço...

A cada abraço sentido, uma ressurreição também vivida! 

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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sábado, 27 de abril de 2019

VIDA LONGA AO LIVRO – Vitor Tavares*


O Dia Mundial do Livro, é a ocasião perfeita para fazermos uma reflexão sobre a sua importância, sobre os desafios do setor, e também para celebrarmos as conquistas.

Antes de qualquer coisa, precisamos ter claro que o livro é um objeto de democratização e cidadania. Por isso, é fundamental que a leitura seja encarada com seriedade e responsabilidade.

O livro e a leitura se tornam fortes e permanentes em um ambiente economicamente saudável, de segurança jurídica e de liberdade de pensamento. Por isso, devemos aproveitar o momento para rever modelos, pensar em alternativas e fortalecer toda cadeia produtiva e criativa do livro.

Todos os setores da economia vivem um momento de transformação. Neste cenário, a atualização de modelos de negócios, em especial do livro, é urgente. O fato é que os diversos produtos da indústria criativa disputam o tempo das pessoas. Na última edição da pesquisa Retratos da Leitura (2016), o hábito da leitura fica em 10º lugar quando o assunto é o que gosta de fazer no tempo livre, atrás de assistir TV, ouvir música, acessar a Internet, entre outros.

O livro é, em sua essência, um objeto de várias possibilidades, ele pode chegar ao leitor em diversos formatos: no tradicional formato impresso, já tão querido e aceito pelos leitores; no formato digital, que facilita a portabilidade, ou em audiolivro, que permite o acesso ao conteúdo do livro durante outras atividades. As possibilidades estão aí, mas é necessário entender o desejo do leitor e oferecer o livro da forma esperada.

O momento é instigante: ao passo que devemos superar obstáculos, o terreno é fértil para criar novas oportunidades. Rever modelos tradicionais que temos praticado há muito tempo, repensar a consignação, ampliar os canais de distribuição, incentivar a criação de novos pontos de vendas e atualizar a experiência de compra nas livrarias é tarefa fundamental agora.

A situação pela qual o setor livreiro passa me faz lembrar uma antiga campanha das padarias de São Paulo: "Pão se compra na padaria". Claro que o comportamento do consumidor não é estabelecido por uma simples frase, acontece que juntamente com a frase quebraram-se vários paradigmas. A padaria passou a ser um local de convivência, com mais possibilidades e mais atenta às necessidades de seus clientes. Todo o varejo, em seus diversos segmentos tem buscado uma fórmula parecida, na qual o ponto de venda não fique restrito à venda do produto, mas se torne um ponto de contato com as pessoas, com atendimento ágil e qualificado, transformando-se em um amplificador de vendas. Para isso, é importante que o relacionamento entre loja e público se dê de forma rápida e sem ruídos. Na experiência da loja, seja ela virtual ou presencial é que o cliente se tornará sua melhor propaganda ou seu pesadelo.

Temos uma grande missão: tornar o mercado forte e exigir do poder público a priorização da educação e a formação de leitores para quem sabe, no futuro, possamos ter um país que ofereça oportunidades para todos, repleto de profissionais preparados para o seu desenvolvimento.

Que o livro, instrumento para transformação de pessoas, nos inspire a transformar o mercado.

*VITOR TAVARES é o presidente da Câmara Brasileira do Livro

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sexta-feira, 26 de abril de 2019

UMA ORAÇÃO AO ETERNO QUE MORA NOS CORAÇÕES – Wagner Borges



Que você encontre o amor mais lindo dentro do seu próprio coração. Que você veja seus filhos como presentes do Eterno. Que você ainda se encante com as coisas mais simples da vida. Que você não se iluda com as luzes temporárias do mundo. Que você saiba tirar sábias lições de vida dos reveses.

Que você perdoe, mesmo que ninguém entenda. Que você veja cada dia como uma benção de luz e recomeço... Que nada possa afastá-lo de seus melhores propósitos. Que você escute música e se sinta agradecido. Que você não se esqueça de seus pais e honre-os com sua atenção. Que você seja justo, sem jamais perder seu coração e sua canção. Que você não se apegue ao passado; há tanta coisa para aprender...

 Que você não se esqueça de quem lhe ajudou; gratidão é sabedoria. Que você conserve seus amigos verdadeiros; eles são joias de sua vida. Que você segure seus filhos no colo, como o Eterno segura as estrelas. Que você veja seu parceiro (a) como um presente da vida. Que você chore, se for preciso, mas que suas lágrimas sejam lindas. Que você ria, principalmente de si mesmo; alegria é fundamental! Que você não tenha ódio em seu coração, pois isso empobrecerá sua canção. Que você supere suas provas, com coragem e inteligência.

Que você abra seu coração para o amor, como a flor se abre para o sol. Que você beije alguém amado como os raios solares beijam as flores. Que você faça amor com luz nos olhos e gratidão pelo presente. Que você não prenda quem quer ir embora.  Amor não é gaiola! Que você se atreva ser você mesmo, mas, sem arrogância! Que você jamais se esqueça de que há um Poder Maior em todas as coisas. Que você ore, em espírito e verdade, sem medo de se abrir para o Céu. Que você converse com o Eterno, de coração a coração, sem dramas.

Que você olhe para a lua cheia, extasiado, como uma criança. Que você sinta o cheiro do café e se sinta cada vez mais vivo. Que você tome um chá de olhos fechados e pense em algo bom. Que você se recicle, se areje, para não criar teias de aranha em sua vida. Que você tenha a idade que seu espírito lhe disser, sem medo de rugas. Que você não envelheça sem amadurecer; jamais deixe de rir de uma piada!

Que você sempre trate bem a sua criança interior; criança é vida! Que você sempre desconfie quando a música não o encantar mais. Que você perceba o perigo de ser tomado pela irritação descabida. Que você não perca tempo com fofocas e nem se exaspere com tolices. Que você saiba valorizar pessoas de energia limpa e toques legais. Que você se atreva a andar com um sol na cara e um grande amor no peito. Que você não se engane com as aparências; há muita gente boa neste mundo. Que você não olhe raça, religião, sexo ou cultura; veja o Eterno em cada ser.

Que você jamais ache que perdeu algo ou alguém; o Todo está em tudo! Que você veja luz nessas linhas; a mesma luz que está em seu coração. Que você escute alguma canção querida e se sinta muito bem. Que você seja feliz, mesmo que ninguém entenda. Então, que sua luz silenciosa siga... para abrir outras flores por esse mundão de Deus, como deve ser.




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A UM AMIGO JAPONÊS - Marco Lucchesi



 Minha história secreta com o país do sol nascente

Os meus cumprimentos nesse princípio de outono, sob uma luz intensa e nítida, que é como devem começar as cartas nipônicas, marcadas pela estação do ano.

Minha relação com o Japão começou na meninice, com um manual de conversação e uma pequena gramática. Se a pronuncia me faltava, a memória de uma trintena de kanjis abria-me as portas para os desenhos da língua. Ainda jovem, capturava em ondas curtas a Radio Tokyo Internacional. Sucedeu-se depois a incurável paixão da síntese, despertada pelos haicais e as tankas, tesouros de toda a poesia. As páginas de Lafcadio Hearn e Fosco Maraini chegaram tardias; ao contrário da ópera de Puccini, do teatro No e Kabuki, das considerações da filosofia zen, essas que invocam imagens de alto impacto, entre Kurosawa e Hokusai.

Preparei um número especial da revista Poesia Sempre dedicada ao Japão, enquanto me perdia nas páginas irredutíveis de Mishima, e Tanikawa, Yoshimasu e Tanizaki. Meu japonês é apenas rudimentar, intermitente, com idas bissextas a Kenneth Henshall, espécie de botânica para memorizar kanjis.

Passei do plano das ideias ao real, quando fui convidado a proferir palestra nos cem anos da cátedra de português na Tokyo University of Foreign Studies. Guardo paisagens duradouras e uma visita memorável à casa do poeta Tanikawa Shuntaro, que me dedicou um livro e um chá, cujo sabor não se perdeu, em companhia da professora Donatella Natili, o meu Virgílio nas bandas do sol nascente. Tratamos do Brasil, quando o poeta esteve, aqui no Rio, na década de sessenta. Magro, mal se alimenta. Vive apenas de meditação. Disse-lhe de minha viagem à Índia. E umas flores imensas, uma chuva botticelliana de flores em milhares de santuários. Leite e manteiga. Falamos de Shiva, de Prajna. Esteve no Rio, carnaval dos anos de 1960.

Não falei da Butterfly, de Puccini, nem da Íris, de Mascagni. Um Japão sequestrado pelo Ocidente. Um sequestro musical sublime. E ao deixar a sua casa, em verso de seu livro Coca Cola Lesson: “Um menino chegou de manhã para aprender palavras”.

Essa é uma parte, caro amigo, da minha secreta história com o Japão.

Comunità Italiana, 24/04/2019

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Marco Lucchesi - Sétimo ocupante da cadeira nº 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila, foi recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha. Foi eleito Presidente da ABL para o exercício de 2018.

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quinta-feira, 25 de abril de 2019

NICODEMOS SENA LANÇA LIVRO DE POEMA POLÍTICO QUE UNE ARTE E COMBATE

Nicodemos Sena Lança 
Livro de Poema Político 
Que Une Arte e Combate


Ficcionista e editor da LetraSelvagem, o escritor Nicodemos Sena surpreende com mais uma atitude de seu talento literário, dessa vez faz sua estreia como poeta.  Ladrões nos Celeiros: Avante, Companheiros! é o longo poema,  de 72 páginas,  que o autor paraense lança na linhagem para a crítica de Um Navio Negreiro, de Castro Alves, ou dos poemas políticos de Bertolt Brecht e Maiakovski.

O livro foi lançado  em  25 de março deste ano,  a partir das 19h00, na Livraria Zaccara, Rua Cardoso de Almeida, 1356 - Perdizes - São Paulo-SP , e, na abertura do evento,
 o jornalista, historiador e escritor Leandro Carlos Esteves, autor do prefácio, falou  sobre o tema:
“Ética e estética: o papel da arte em face da injustiça social”. Trechos do livro foram dramatizados pela atriz Denise Andere.

A OBRA:

“Ladrões nos Celeiros: Avante, Companheiros!” foi escrita entre dezembro de 2017 e maio de 2018, sob o impacto da condenação e prisão do líder proletário Luiz Inácio Lula da Silva. Na linhagem de um “Navio Negreiro”(Castro Alves) ou dos “poemas políticos” de Beltolt Brecht e Vladimir Maiakovski.

Nesse longo poema de 72 páginas, obra de arte e de combate, Nicodemos Sena expõe as vísceras de um sistema político-social em franca decomposição, e reconstrói a esperança na sociedade por vir, libertada do medo, da intolerância e da fome.
 
O AUTOR:


Nicodemos Sena nasceu no município de Santarém do Pará, em 08.07.1958, e passou a infância entre índios e caboclos do Rio Maró, região de fronteira entre os estados do Pará e Amazonas (Amazônia brasileira).
Formado em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) e em direito pela Universidade de São Paulo (USP). Fez sua estreia literária em 1999, com o romance “A Espera do Nunca Mais - Uma Saga Amazônica” (Prêmio Lima Barreto-Brasil 500 Anos, da União Brasileira de Escritores, RJ).

Em São Paulo, escreveu o jornalista, professor e crítico Oscar D’Ambrosio:

A Espera do Nunca Mais desafia e devora o leitor desde o início. Feito sucuriju, abre sua bocarra e obriga a penetrar num universo denso. Não adianta resistir. Uma vez dentro da boca deste livro-serpente, o destino é conhecer os seus interstícios plenos de um fazer artístico solidamente urdido, elaborado com mãos de mestre.” (“Uma extensa e densa aula de Amazônia”. JORNAL DA TARDE, Caderno de Sábado, São Paulo, SP, 20.05.2000)
No Rio de Janeiro escreveu o escritor e crítico Antonio Olinto, da Academia Brasileira de Letras:
“Eis um romance que invade a literatura brasileira com a força de um fenômeno da natureza.

Trata-se de uma saga amazônica chamada A Espera do Nunca Mais. Seu autor, Nicodemos Sena, tem o domínio da narrativa de ação e o talento de criar gente. Seus personagens representam a Amazônia com sua largueza e sua mistura, caboclo e floresta unidos num ecossistema geográfico-humano que retrata a nossa mais desconhecidamente forte região em que o Brasil se firma e se revela. É romance que deve ser lido. Nele, realidade e lenda se juntam com naturalidade. As palavras formam um estilo ínsito à grandeza das paisagens que descreve.” (JORNAL DE LETRAS n.29, 2000, RJ).

É, ainda, autor dos romances: “A Noite é dos Pássaros” (Prêmio Lúcio Cardoso, da Academia Mineira de Letras, e Menção Honrosa no Prêmio José Lins do Rego, da União Brasileira de Escritores, 2004, RJ); “A Mulher, o Homem e o Cão” (2009), incluído entre as “78 DICAS” do Guia da FOLHA, suplemento cultural do jornal “Folha de São Paulo” (29.05.2009), e “Choro por ti, Belterra!” (2017).

Nicodemos Sena é nome reconhecido dentro e fora da Amazônia, tornando-se verbete na “Enciclopédia de Literatura Brasileira”, direção de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (edição conjunta da Global Editora, Fundação Biblioteca Nacional, DNL, Academia Brasileira de Letras, 2ª edição, 2001). Carlos Nejar, da Academia Brasileira de Letras, incluiu Nicodemos Sena em sua “História da Literatura Brasileira - da Carta de Caminha aos Contemporâneos”, entre os “grandes nomes na ficção surgidos no Brasil após a década de 1970” (Cap. 35, pág. 900, Fundação Biblioteca Nacional, RJ). É um dos 81 escritores analisados pela professora Nelly Novaes Coelho, titular de Literatura da Universidade de São Paulo (USP), no livro “Escritores Brasileiros do Século XX - Um Testamento Crítico” (2013).

Pelo estilo vigoroso e temática inspirada na vida das populações marginalizadas da Amazônia (indígenas e caboclos), Nicodemos Sena já foi comparado a grandes ficcionistas brasileiros, como Graciliano Ramos, João Ubaldo Ribeiro, Mário de Andrade e Érico Veríssimo, e a importantes ficcionistas latino-americanos, como o paraguaio Augusto Roa Bastos (“Eu, o Supremo”) e o peruano José María Arguedas (“Os Rios Profundos”).

Como diretor da União Brasileira de Escritores (UBE/SP) participa, em 2011, da organização do Congresso Brasileiro de Escritores realizado em Ribeirão Preto (SP).

“Esse amor, essa generosidade, essa crença no futuro e na cultura é pouco encontrável, salvo entre os que têm a fala da terra, a memória misteriosa da selva, o espírito das fábulas e ousam povoar coletivamente os sonhos.” (Carlos Nejar, da Academia Brasileira de Letras, “A Tribuna”, Vitória, ES)

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Título: “Ladrões nos Celeiros: Avante, Companheiros!”
Autor: Nicodemos Sena
Editora: LETRASELVAGEM
Nº pág: 80
1ª edição
Ano: 2018
Preço: R$30,00
Contato: (12) 3426-3773
(12)992033836 (whatsapp)

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QUESTÃO DE DNA - Merval Pereira



A disputa aberta de poder em que o vice-presidente Hamilton Mourão está envolvido, não por acaso, não tem paralelos históricos pela violência das palavras empregadas por Olavo de Carvalho e seus pupilos, entre eles Huguinho, Zezinho e Luisinho, como passaram a ser conhecidos no meio político os filhos de Bolsonaro, que ele denomina carinhosamente como 01, 02 e 03, como se recrutas fossem. 

São os seus recrutas, “sangue do meu sangue”, e nada também acontece ali por acaso. Bolsonaro fala através de seu filho Carlos, o 02, especialista nas mídias sociais a quem Bolsonaro atribui grande parte de sua vitória. Quando Bolsonaro estava internado, depois da tentativa de assassinato que sofreu ainda na campanha eleitoral, Carlos já evidenciou o que achava de Mourão.

Tuitou afirmando que a morte do pai interessava não apenas aos inimigos declarados, mas a quem está por perto, principalmente após a posse. De lá para cá a disputa só fez escalar, inclusive porque Mourão assumiu o papel de moderador de um governo que vive de intrigas e embates permanentes como estilo de fazer política.

A paranoia familiar é alimentada pela história, pois nada menos que oito presidentes foram substituídos por seus vices desde o início da República, por motivos variados, desde a morte do titular até o afastamento por impeachment.

Desde o primeiro presidente, Deodoro da Fonseca, cujo vice Floriano Peixoto assumiu com sua renúncia e, em vez de convocar eleições, governou sob estado de sítio, até Temer, que, recusando o papel de “vice decorativo”, comandou uma conspirata política para assumir o lugar de Dilma, quando esta se enfraqueceu pelo fracasso econômico e se expôs ao cometer crimes de responsabilidade fiscal, a escolha dos vices sempre foi problemática.

Uma disputa aberta como a atual, mas não tão pouco sutil, aconteceu quando o general Figueiredo teve que viajar para a Clínica Cleveland para colocar pontes de safena. O político mineiro Aureliano Chaves assumiu o governo e fez o mesmo contraponto de Mourão em relação a Bolsonaro. Chegava cedo ao Palácio do Planalto, e saía altas horas da noite, a salientar a fama de preguiçoso de Figueiredo. O entorno do ditador não escondia a irritação, e acusava Aureliano de deixar a luz acessa no gabinete presidencial para dar a impressão de que trabalhava.

A eleição presidencial deste ano teve uma característica especial: o protagonismo de candidatos a vice. Os dois primeiros colocados nas pesquisas ficaram fora da campanha, um definitivamente, outro temporariamente. Lula por estar condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro, tornando-se inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Bolsonaro por ter sofrido um atentado a faca que quase o matou.

Muitos consideravam alguns candidatos a vice melhores que os titulares, como era o caso de Mourão, que já chamava a atenção por declarações polêmicas, mas com a fala mansa e o jeito de quem desejava a pacificação política.

Admitiu intervenção militar mesmo fora da Constituição, falou até em autogolpe. Curioso é que sua escolha foi comemorada por Eduardo Bolsonaro, o 03, que disse que foi bom ter escolhido um candidato “faca na caveira” - referindo-se ao símbolo do Bope - para não valer a pena pensar em impeachment.

No discurso pouco antes de ir para a reserva, que lhe valeu uma advertência do comandante do Exército, general Villas Bôas, que ele chama de VB, seu amigo de infância, disse sobre o governo petista: “Os Poderes terão que buscar uma solução. Se não conseguirem, chegará a hora que nós teremos que impor uma solução”.

De lá para cá, Mourão vem afinando o tom, se aproximando do pensamento médio do cidadão de classe média, condenando a censura à imprensa, por exemplo,  ou avaliando que a saída do ex-deputado Jean Wyllys era ruim para a democracia, com bom-senso e sem a visão tosca do grupo bolsonarista comandado por Olavo de Carvalho, que chamou Mourão de “moleque analfabeto” ao ser definido pelo vice como “astrólogo”.

Perguntado recentemente sobre as razões dessa mudança, Mourão disse que se devia à compreensão do papel institucional do cargo para o qual foi eleito. Estar na vice-presidência pelo voto, aliás, foi citado por ele como uma diferença fundamental com os militares do período ditatorial.

Que, aliás ele não renega, dizendo que era um momento de guerra. E também, assim como Bolsonaro, considera o torturador Brilhante Ulstra “um herói”, embora tenha se abstido de falar no assunto ultimamente.

                                                            O Globo, 25/04/2019


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Merval Pereira – Oitavo ocupante da cadeira nº 31 da ABL, eleito em 2 de junho de 2011, na sucessão de Moacyr Scliar, falecido em 27 de fevereiro de 2011, foi recebido em 23 de setembro de 2011, pelo Acadêmico Eduardo Portella.

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quarta-feira, 24 de abril de 2019

COMPUNÇÃO - Péricles Capanema


24 de abril de 2019

Péricles Capanema

Era pouco antes das sete da noite, segunda-feira pacata de abril, e de repente em Paris o fogo, parecendo vomitado do inferno, estralejou violento no madeirame da catedral de Notre-Dame de Paris. Subia, ardia, baixava, lambia e devorava o que encontrava, diante de espectadores aterrados. O mundo, estarrecido e aturdido, julgava ter diante dos olhos o que não podia acontecer. Continuou por horas o espetáculo dantesco.

Pouco a pouco, na capital francesa, depois do choque inicial, pairou o silêncio, a dor, aqui e ali magotes rezavam e entoavam cânticos. Houve também silêncio, dor, desnorteamento, orações no mundo inteiro. Perplexidade. Por fim, cintilou uma nota de alívio. As duas torres estavam salvas. Aos poucos, foi sendo divulgado que muita coisa não tinha sido consumida pelas labaredas. Acidente? Atentado? Por enquanto é prematuro concluir.

Perdoem o chavão, tentei ouvir o silêncio, explicitar o imponderável. Pus atenção nas reações do povo de Paris e do mundo inteiro. De forma particular, nos magotes em torno da catedral crucificada pelas chamas. Havia um denominador comum, a compunção, muito relevante na multidão que rezava e cantava hinos religiosos.

Não pretendo aqui repetir o que outros já comentaram com talento, em especial, valor simbólico, perda, prognósticos. Foco em outro ponto, tem relação próxima com a compunção que, esperançado, observei surpreso.

Imaginei situações diversas, comparações, sempre admitindo a origem acidental do incêndio. Tudo muda, existindo mão criminosa. Se o fogo tomasse a catedral da Milão, também joia da arquitetura gótica, que reações desencadearia entre os milaneses? Na Itália? No mundo? E se o incêndio fosse na catedral de Colônia? Em Chartres? Em Reims? Catedral de Sevilha? Basílica de São Marcos? Na própria catedral de São Pedro? Como reagiriam os nacionais? Como reagiria o mundo?

Ampliei a figuração. Fogo na abadia de Westminster? No Kremlin? Na estátua da Liberdade? No Taj Mahal? Na Esfinge ou nas pirâmides? De que forma reagiria o mundo?

Lembrei-me do horror mundial quando o Estado Islâmico — no caso, de forma criminosa estruiu dezenas de sítios arqueológicos no Iraque e na Síria.

Entre nós, se o fogo acabasse com o Cristo Redentor? A imagem da Aparecida?

Existe, parece-me certo, em muitos aspectos, traços mais fortes, uma comoção maior, por ter sido Notre-Dame de Paris. Tem relação com o templo, extraordinária expressão da alma medieval, com a ordem temporal cristã, com a França. E com seus reflexos na cultura ocidental.

Por associação, lembrei-me de discurso pronunciado pelo cardeal Eugênio Pacelli, futuro Pio XII, na ocasião legado pontifício, na catedral de Notre-Dame de Paris — 13 de julho de 1937. Foi leitura minha anos atrás, na ocasião fiquei impressionado.

Recolhi alguns pequenos extratos: “Como exprimir, meus irmãos, tudo o que evoca no meu espírito, na minha alma, igual na alma e no espírito de todo católico, até direi, em toda alma reta e em todo espírito culto, o nome de Notre-Dame de Paris! Porque aqui é a própria alma da França, a alma da filha primogênita da Igreja”.

O Purpurado diz que ali ecoam as vozes de Clóvis, de santa Clotilde, de Carlos Magno, sobretudo a voz de São Luís IX. Ele parece escutá-las. E se pergunta a causa de tanto simbolismo em Notre-Dame. O futuro Pio XII pôs de lado raça e determinismos como causas: “É inútil invocar fatalismo ou determinismo racial. À França de hoje que lhe pergunta, a França de outrora responderá dando a tal herança seu nome verdadeiro: vocação”.

Vocação, chamado providencial, realidade superior, imponderável por vários lados, evocada de forma incomparável por Notre-Dame de Paris. Na compunção pela agressão ao símbolo, ainda que de forma germinativa, havia abertura para o simbolizado, a vocação da França.

O impulso extraordinário para reconstruir a catedral, expresso em doações gigantescas (família Pinault, grupo LVMH, família Arnault, família Bettencourt-Meyers, grupo L’Oréal, Apple, para citar alguns grandes doadores) é sintoma do horror que causou na opinião francesa e mundial a devastação do incêndio. Tem importância ímpar.

Traz, porém, no bojo uma ameaça: tornar fashion, prestigioso, o movimento pela reconstrução. Com isso, facilmente poderá sair do foco a compunção. Iria minguando, chegaria até ao esquecimento. Semente de restauração, a compunção vale mais que qualquer riqueza.


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