Total de visualizações de página

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

BISPO DA DIOCESE DE ITABUNA ESCLARECE POLÊMICA SOBRE TRANSFERÊNCIAS DOS PADRES

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
O bispo diocesano Dom Carlos Alberto dos Santos, pastor maior da Diocese de Itabuna, concedeu uma entrevista com exclusividade ao repórter do Portal Católico de Notícias, explicando um dos assuntos mais comentados da semana: as transferências dos padres anunciadas no dia 18/12. Na oportunidade, Dom Carlos esclarece todas as dúvidas enviadas ao Portal pelos internautas católicos, paroquianos e população em geral. Confira abaixo a entrevista na íntegra!

Portal Católico: Fale um pouco sobre as transferências dos padres. Eles estavam sabendo dessas mudanças?

Dom Carlos: As transferências são necessárias conforme as orientações que a Igreja nos dá, no mínimo de 6 em 6 anos. Havendo a necessidade, pode acontecer antes ou mesmo depois. Mas a norma, a regra geral, conforme o Direito Canônico, são 6 anos. Aqui, portanto, já tendo gente fazendo 14 anos, já era de se desconfiar, que uma vez, chegando o bispo (já que o anterior não tinha feito), certamente isso iria acontecer. Eu já tinha dito, desde o mês de maio, que cada um se preparasse porque realmente nós pudéssemos fazer isso acontecer. Portanto, todos os padres já estavam sabendo, e de tal forma que, diante de toda necessidade, nós anunciamos essas transferências, para que no próximo ano, a partir do dia 5 de janeiro, possamos já começar a fazer as posses, que já estão marcadas.

Portal Católico: Algum padre que foi transferido está doente? Há algum problema diante dessa situação.

Dom Carlos: Um padre que está doente pediu para ir pra outra Diocese, para fazer uma experiência, tratar da saúde e ficar mais perto da família. Esta foi a palavra que ele colocou em sua carta, por escrito, para mim. Teve um outro caso, que não era tão grave, portanto não tinha motivo para ser transferido para outra Diocese. De forma que, ninguém foi transferido aqui à força, nem para lugares que não tenha como chegar a um médico ou a um hospital. Imaginemos que as pessoas que moram no final de linha da nossa Diocese, que não têm carro, moram no interior, chegam até a paróquia… um padre que tem o carro da paróquia, que tem a possibilidade de alguém que possa trazer, também tem condições de chegar, então este não é motivo para não ser transferido.

Portal Católico: A Igreja Católica tem suas leis reconhecidas no Direito Canônico. Fale um pouco sobre essas normas.

Dom Carlos: O Direito Canônico é o que rege, orienta, conduz, indica caminhos para nós vivermos em nossa Igreja com orientações, metas e orientações de como devemos desenvolver. O Direito Canônico é para aqueles que vivem na Igreja Católica. Nós temos pessoas qualificadas para fazerem as coisas que a Igreja deixou através de Jesus e que possam ser continuadas e cada vez mais amparadas, vivendo na cultura, na sua época, do jeito que Jesus realmente necessita.

Portal Católico: O que é o Ano Sabático? Dois padres solicitaram. Quem foram eles?

Dom Carlos: O Ano Sabático se tira de 10 em 10 anos. É um tempo de parada, de escuta da voz de Deus e tem o único objetivo: estudar para que possa revisar a sua vida, silenciar, ouvir a voz de Deus, rezar mais um tempo, revigorar as forças para depois retornar ao trabalho, continuando a obra da evangelização. Nesse, sentido. Nada mais, nada menos.

Portal Católico: Dois padres solicitaram o Ano Sabático. E quais os trâmites para o retorno à Diocese de Itabuna.

Dom Carlos: Pediram licença por 1 ano. Então com 1 ano eles têm que voltar. E vão voltar para algum lugar, contanto que a Diocese fique sabendo onde estão. Nenhum padre pode ficar vacante, sem local apropriado. Ao sair, ele terá que deixar endereço, número de telefone, para que numa necessidade possa ser convidado a chegar, ou até mesmo para dar uma notícia. Nenhum padre pode sair daqui sem que outro receba lá. As pessoas que vão, vão com um conhecimento do outro bispo para que o padre possa atuar no destino.

Portal Católico: Como fica a situação dos diáconos com as transferências dos padres?

Dom Carlos: Os diáconos estão a serviço da Comunidade. Eles continuarão no mesmo ambiente, porém nós vamos fazer uma revisão, para ver se há uma necessidade de mudança ou não. Caso haja a necessidade, conversaremos com ele para ser feita a transferência para um lugar mais adequado, mais necessário, e que ele possa continuar a evangelização.

Portal Católico: Os religiosos não estão nessa relação de transferência. Por que?

Dom Carlos: Os religiosos têm o seu caminho próprio, vivendo na Diocese com licença do bispo, mas tem os seus superiores. Superior é o que tem o direito de fazer as transferências porque tem o seu carisma próprio e também suas orientações próprias. Cada superior e cada comunidade religiosa é quem deve fazer as transferências. Os nossos redentoristas estão saindo porque já havia feito um convênio para que quando Dom Ceslau terminasse o seu mandato aqui, eles também iriam para outro ambiente, visto que não tem pessoas para fazer as transferências. Então a gente está fechando essa casa, para poder completar uma outra que, no mínimo, deverá ficar 3 pessoas como Comunidades, mas virá uma outra Comunidade para a Piedade, a fim de que possa tomar conta daquela comunidade paroquial e dá continuidade com a evangelização.

Portal Católico: É preciso fazer campanhas para padres saírem ou permanecerem em suas paróquias?

Dom Carlos: Pode fazer campanhas, não tem problema, mas quem sabe da necessidade é o Bispo. Pode haver campanha, mas aqui não é lugar de político nem de política, é lugar de fazer a evangelização. O Bispo é quem sabe juntamente com o Colégio de Consultores ou o Conselho Presbiteral que é realmente quem sabe direcionar para isso que tem o voto consultivo (não é deliberativo) para que a gente possa saber como devemos reger e fazer. Todos os padres já sabiam que iam ser transferidos e então só feito o comunicado.

Reportagem e foto: Valdeni Elias
Edição de texto: Anara Passos (Comunicóloga- DRT 7574)


------------------------
Comentário:
25 / 12 / 2017 reply
Pior de tudo é que os padres mais atuantes (na rebeldia) são os mais antigos nas paróquias, com mais de dez anos, e também que já passaram da idade de ficar dando maus exemplos aos jovens. – Esqueceram completamente do voto de Obediência, no dia da Ordenação Sacerdotal?

* * *

DOM CESLAU STANULA - Mensagem de Natal

23/12/2017
Vivemos o natal


Infelizmente a nossa cultura celebra o Natal sem o dono da festa: o Menino Deus real, substituído pelo fictício do Papai Noel.

Menino Deus compromete e questiona, o Papal Noel aliena e cria irreais ilusões...

Para recuperar o verdadeiro sentido do Natal, citarei alguns Padres da Igreja (Chamados padres da Igreja os Escritores, Pastores e Leigos cristãos, nos séculos entre II a VII).

S. Máximo, bispo de Turim no século IV convida:

“Preparemo-nos, pois, irmãos, para acolher o Natal do Senhor, adornemo-nos com vestes puras e elegantes! Falo, das vestes da alma, não do corpo… Adornemo-nos não com seda, mas com obras boas! Pois as vestes elegantes ornam o corpo, mas não podem adornar a consciência”

Feliz e Santo Natal. Com a benção especial
Dom Ceslau.

===
Dom Ceslau Stanula, bispo emérito da Diocese de Itabuna/BA, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

* * *

domingo, 24 de dezembro de 2017

FAMÍLIA, LUGAR DE PERDÃO... – Papa Francisco


Não existe família perfeita.
Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos.
Temos queixas uns dos outros. Decepcionamos uns aos outros. Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão.
O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas.
Sem perdão a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração.
Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. 
Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia.
Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente.
E por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa.
O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença.


Papa Francisco.

* * *

PALAVRA DA SALVAÇÃO (58)

4º Domingo do Advento - 24 de Dezembro de 2017

Evangelho - Lc 1,26-38
Eis que conceberás e darás à luz um filho.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 1,26-38

Naquele tempo:
O anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da virgem era Maria.
O anjo entrou onde ela estava e disse: 'Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!'
Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação.
O anjo, então, disse-lhe: 'Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim'.
Maria perguntou ao anjo: 'Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?'
O anjo respondeu: 'O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, porque para Deus nada é impossível'.
Maria, então, disse: 'Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!'
E o anjo retirou-se.

Palavra da Salvação.
- Glória a Vós, Senhor!

---
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Paulo Ricardo:
---
Recebemos de Maria o verdadeiro presente do Céu
Maria é o verdadeiro presépio, é o lugar por excelência onde Jesus nasce

“O anjo, então, disse-lhe: ‘Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi’” (Lucas 1,30-32).

Nessa noite abençoada do Natal do Senhor, queremos logo celebrar. Contemplamos o Filho bendito de Deus, que se encarna no ventre da Virgem Maria. Quem é esse menino? A Palavra nos diz que Ele é o Filho do Deus Altíssimo e que Deus (o Pai), Lhe deu o trono de Davi.

No Antigo Testamento, Deus havia prometido que daria para a descendência de Davi, o trono real. Não pense em trono como o rei que senta em um palácio e fica governando. O reinado do Senhor é na vida, no coração, na mente. O reinado de Cristo é para aqueles que se submetem a Ele.

Hoje, contemplamos o nascimento do nosso Rei, esse menino não nasce como nenhum outro rei. Ele nasce pobre, desprovido dos bens materiais, Ele nasce não sendo acolhido, não amado por muitos, perseguido por outros. Ele encontra aconchego e acolhimento no ventre, na vida, no colo e nos braços de Maria.

Maria é o protótipo d’Aquela que acolhe, ama e recebe Jesus. Ela é o protótipo modelo do homem e da mulher que, abriram o coração à vida, para acolherem a Jesus. Maria é o verdadeiro presépio, é o lugar por excelência onde Jesus nasce. Eu preferiria que, em nossas casas ou qualquer outro lugar, que as pessoas tirassem fotos, ou seja lá o que for, ao lado da Virgem Mãe.

Não foi o Papai Noel quem trouxe Jesus para nós, não são as árvores de Natal que representam o nascimento de Jesus para nós. Jesus nasce de Maria. É dessa árvore fecunda que brota a vida que nos abençoa! É de Maria que recebemos o verdadeiro presente do Céu; é dela que recebemos o maior presente da nossa vida, esse presente tem nome: Jesus, nosso Senhor, nosso Deus e nosso Salvador. A Ele queremos prestar toda a nossa reverência, nosso amor e nossa adoração.

Essa noite não é a noite dos presentes, das bebidas e das comidas, essa noite é de Jesus, nosso Senhor, nosso Salvador, o Deus da nossa vida. A Ele toda adoração, todo louvor e ação de graças. Se devemos viver a alegria, ela tem nome, a alegria se chama Jesus, é d’Ele que vem a única alegria que preenche a alma humana.

Deus abençoe você e um Natal feliz e abençoado, com Jesus no meio de nós!

Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. Contato: padrerogercn@gmail.com – Facebook



* * *

sábado, 23 de dezembro de 2017

SÃO NICOLAU, “PAPAI NOEL” E O SIGNIFICADO DO NATAL

23 de dezembro de 2017
São Nicolau entrega presentes às crianças – Pintura de Fritz Tüshaus (1832-1885). Stadtmuseum, Münster (Alemanha).

A figura de São Nicolau acompanha o processo de decadência da Cristandade iniciado com a Revolução Protestante, que transformou o sentido sacrossanto do Natal.

Alejandro Ezcurra Naón

No Natal celebramos o momento culminante da história humana em que Deus feito homem veio ao mundo e “habitou entre nós” (Jo 1, 14). O nascimento do Menino Jesus constitui um transbordamento incomensurável de amor divino: o Verbo de Deus reveste-se de nossa natureza para reparar como homem ao Padre Eterno todos os nossos pecados e abrir-nos assim as portas do Céu.

A festa da pureza, da família e das crianças
A festa de Natal é por excelência a festa da inocência, da pureza, das alegrias castas, serenas e profundas. Aquele terno Menino que repousa num presépio é o “esperado das nações” (Gn. 49,10). o Messias cuja única presença restaura a Ordem vulnerada pelo pecado e inaugura a Era da Graça, tornando-nos capazes de praticar todo o bem.
Natal é também a festa da família, porque envolve a Família por excelência que é a Sagrada Família, constituída pelo Menino Jesus, por sua Mãe Santíssima — Virgem antes, durante e depois do parto — e por seu pai legal, o patriarca São José, herdeiro do trono de David.
Sendo a festa da família, o Natal não pode deixar de ser a festa das crianças. Ao longo dos séculos, a Igreja procurou rodeá-lo de manifestações que também nos pequenos despertassem sentimentos de devoção e piedade para com Aquele “a quem os céus não podem conter” (Do Officium Parvum B. Mariӕ Virginis, Matinas, 1ª Lição), e que, entretanto, se fez pequenino como eles e para eles.
Foram assim aparecendo costumes — músicas, representações cênicas, orações, comidas, presentes — ou formas especiais de adornar as casas, como o Presépio, prática inaugurada por São Francisco de Assis e que se propagou rapidamente por todo o mundo cristão.
E assim como o espanhol é o povo que mais se comove com os sofrimentos da Paixão do Redentor e o eslavo com a celebração da Páscoa da Ressurreição, o germânico é sem dúvida o que mais se maravilha com o santo mistério do Natal.

“Papai Noel” na Palestina, no Japão e de camelo nos países árabes. Um velhote sem profissão nem religião conhecida, podendo perfeitamente ser um agnóstico e mentalmente um tanto decrépito, que reparte presentes não se sabe para quê nem por conta de quem…

Pedagogia natalina: a visita de São Nicolau

Um dos costumes natalinos mais encantadores surgidos na Alemanha é a visita de São Nicolau às crianças, preparando-as para essa grande festividade.
Ele é também conhecido como São Nicolau de Bari. Sabemos que foi bispo da cidade de Mira, na Lícia romana (atual sudeste da Turquia), no século IV, tendo combatido os cultos pagãos e a heresia ariana, a qual negava a dupla natureza divina e humana de Jesus Cristo. Ele participou do Concílio de Niceia, que definiu os doze artigos da fé católica contidos no Credo. Após uma vida repleta de fatos extraordinários, São Nicolau faleceu em dezembro do ano de 345.


Quando os muçulmanos invadiram a Turquia, suas relíquias foram resgatadas e trasladadas para Bari, na Itália, onde são veneradas até hoje. Iniciou-se assim sua grande fama no Ocidente. A devoção a São Nicolau ficou associada às crianças, porque além de tê-las escolhido como objeto de sua especial caridade, nelas operou muitos milagres, alguns dos quais tão estupendos como a ressurreição de três meninos assassinados por um hospedeiro.

O Bispo São Nicolau, celebrado na Alemanha
Surgiu por esse motivo na Alemanha medieval um simpático costume, que perdura até hoje em algumas regiões católicas: no dia 6 de dezembro, festa do santo bispo, um venerável “São Nicolau” de barbas brancas, revestido com solenes trajes episcopais, mitra e báculo, visita as casas para perguntar como as crianças procederam durante o ano. As que se comportaram bem ganham doces e outros presentes, enquanto as malcomportadas recebem apenas um pequeno pedaço de carvão…
Essa visita do santo aos lares era acompanhada de cantos, recitações etc., e constituía uma excelente forma de gerar expectativa nas famílias pela chegada do Menino Deus.

Esvaziamento e perversão: de São Nicolau ao “Papai Noel”
Mas com a revolução protestante tudo se transtornou. É muito instrutivo verificar como a degradação da figura de São Nicolau acompanha as etapas do processo de decadência da Cristandade descrito por Plinio Corrêa de Oliveira em seu célebre ensaio Revolução e Contra-Revolução.
Durante a pseudo-Reforma chefiada por Lutero — por incrível que pareça, comemorada há pouco em ambientes progressistas da Igreja Católica —, para se colocar no mesmo nível do igualitarismo calvinista, as vestimentas episcopais de São Nicolau desapareceram em alguns países, sendo substituídas por uma roupa civil. Como os protestantes não têm hierarquia eclesiástica nem culto aos santos, a própria figura do santo bispo foi diluída. Assim deformado, no século seguinte passou para a América do Norte.

De São Nicolau ao Papai Noel comercial…
No século XIX, ao sopro das ideias da Revolução Francesa, essa versão norte-americana do personagem — ao qual se passou chamar “Santa Claus” e que guardava ainda certos vestígios de São Nicolau — se laicizou completamente, transformando-se no fictício “Papai Noel” que hoje conhecemos: um velho de aspecto vulgar, obeso e bonacheirão, sem profissão nem religião conhecida, podendo perfeitamente ser um agnóstico e mentalmente um tanto decrépito, que reparte presentes não se sabe para quê nem por conta de quem… Quem lucra? — O comércio!
Já no século XX, novo passo na decadência: com a hegemonia política iniciada pelos Estados Unidos a partir da vitória aliada na Guerra de 1914-1918 sobreveio uma concomitante hegemonia cultural norte-americana que impôs universalmente os estilos do American way of life.
Com isso, um “Papai Noel” tosco e proletário, ícone de marketing da Coca-Cola, transformou-se nos anos 30 em principal personagem do Natal daquele país, tirando dos espaços públicos das comemorações natalinas as figuras da Sagrada Família e dos Reis Magos, enquanto o Jingle Bellsinsípido e trepidante substituía as suaves harmonias do Stille Nacht (Noite Feliz) — o canto natalino por excelência — e os tradicionais carols (cânticos) anglo-saxões. Versões ridículas do Papai Noel se difundiram assim por todo o mundo, esvaziando gradualmente o Natal do Menino Jesus de seu sublime significado original e transformando-o numa mera celebração comercial.

Fim de um processo e certeza de regeneração
Assistimos agora à etapa final desse esvaziamento. Coincidindo com a revolução cultural que ameaça precipitar o Ocidente na mais completa dissolução moral e social, nas últimas décadas aberrantes apareceram “Mamães Noel” — inicialmente extravagantes, depois feministas, mais tarde sensuais e, por fim, pornográficas —, símbolos da perversão revolucionária do Natal.
Assim, das alegrias inocentes à voluptuosidade; da serenidade maravilhada ao frenesi; da pureza aos impulsos infrenes; da luz de Cristo às pompas de satanás, chegamos ao fim de uma sequência de abominações que procuram converter a magna festa da Cristandade — a celebração do nascimento do Salvador do mundo — no extremo oposto do que ela substancialmente é.
Mas o verdadeiro Natal não morre: ele continua palpitando nos corações de todos aqueles que adoram o Divino Infante “em espírito e em verdade” (Jo 4, 24) e esperam a era de glória para a Igreja e de regeneração e esplendor para a Cristandade, anunciada há um século em Fátima.

“EU REINAREI”

Na base da imagem do precioso Menino Jesus venerado no Santuário do Bairro 20 de Julho, em Bogotá, e popularizado em todo o orbe católico, lemos esta categórica afirmação: “Eu reinarei”. Com a confiança que nasce da fé, peçamos neste Natal ao Menino Jesus que torne o quanto antes realidade esta promessa, suplicando-Lhe com toda a Igreja: “Veni, Dómine, et noli tardare: relaxa facinora plebis tuae Israel” — “Vem, Senhor, e não tardeis: perdoa os pecados de teu povo”. (Liturgia do Advento, Domingo IV, Gradual).      



* * *

DOM CESLAU STANULA Do laicato e dos leigos (2)

21/12/2017
Do laicato e dos leigos VIII

 (Ainda antes do Natal teremos a reflexão  hoje e amanhã sobre os leigos e depois faremos o intervalo para viver as emoções natalinas).

As organizações dos leigos são legitimas e necessárias para cumprir melhor a missão. Além da organização nacional CNLB, Conselho Nacional do Laicato no Brasil, com seu Estatuto e organização interna, existe uma plêiade de outras organizações dos leigos no Brasil e no mundo.
Como disse, estas organizações são legitimas e até necessárias. Cada um se deve determinar onde pode, e se sente chamado para cumprir a sua missão de leigo. 

O mais novo documento da CNBB, Nº 105, no capítulo III, dedica vários parágrafos sobre a organização dos leigos no Brasil (201-224).

Mas a mais conhecida organização de leigos são as pastorais. Pela Pastoral se entende a ação da Igreja Católica no mundo ou o conjunto de atividades pelas quais a Igreja toda (os cristãos ordenados ou não) realizam a sua missão, que consiste em continuar a ação de Jesus Cristo. A palavra “pastoral” vem do pastor, que era um elemento constante no mundo bíblico. Na simbologia bíblica, Deus é comparado ao pastor, aquele que tem ao mesmo tempo autoridade e solicitude para com suas ovelhas. 

Jesus Cristo no Evangelho de João (J.10,11) se determina como Bom Pastor. (Continuaremos...).

Uma Boa e santa Noite, Com a minha benção e oração. 
Dom Ceslau.

===
22/12/2017
Do laicato e dos leigos IX

A Igreja Católica, continuando a missão a ela confiada pelo Bom Pastor Jesus, realiza a sua ação através de três funções pastorais:

Função profética: abrange as diversas formas do ministério da Palavra de Deus (evangelização, catequese e homilia), bem como a formação espiritual dos católicos. Anunciando a mensagem de Deus e denunciando tudo aquilo que destoa desta mensagem.

Função litúrgica: refere-se à celebração dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia, à oração e aos sacramentais. Santificação do Povo de Deus.

Função real: diz respeito à promoção e orientação das comunidades, à organização da caridade e à animação cristã das realidades terrestres. Neste último aspecto, a ação da Igreja engloba campos da sociedade como a saúde, a juventude, a solidariedade social, a educação e o meio ambiente.

(Achei interessante esta distinção da ação da Igreja e a função dos pastorais, por isso copiei da: Wikipédia - Ação pastoral católica – Internet).
Com a minha benção, desejos de Feliz Natal e humilde oração. 
Dom Ceslau.

 Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

====

Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

* * *

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE Para idosos...

Para Idosos, quase idosos e longe de estarem idosos


Sempre que dou aula de clínica médica a estudantes do quarto ano de medicina, lanço a pergunta: "quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?" alguns arriscam: "tumor na cabeça". Eu digo: "não". Outros apostam: "mal de Alzheimer". Respondo, novamente: “não". A cada negativa a turma espanta-se.
E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns: diabetes descontrolado; infecção urinária; a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os idosos ficaram em casa.

Parece brincadeira, mas não é. Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos. Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez. A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos ("batedeira"), angina 
(dor no peito), coma e até morte.

Insisto: não é brincadeira. Ao nascermos, 90% do nosso corpo é
constituído de água. Na adolescência, isso cai para 70%. Na fase adulta, para 60%. Na terceira idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento. Portanto, de saída, os idosos têm menor reserva hídrica. Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

Explico: nós temos sensores de água em várias partes do organismo. São eles que verificam a adequação do nível. Quando ele cai, aciona-se automaticamente um "alarme". Pouca água significa menor quantidade de sangue, de oxigênio e de sais minerais em nossas artérias e veias. Por isso, o corpo "pede" água. A informação é passada ao cérebro, a gente
sente sede e sai em busca de líquidos.

Nos idosos, porém, esses mecanismos são menos eficientes. A detecção de falta de água corporal e a percepção da sede fica prejudicada. Alguns, ainda, devido a certas doenças, como a dolorosa artrose, evitam movimentar-se até para ir tomar água. Conclusão: idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Além disso, para a
desidratação ser grave, eles não precisam de grandes perdas, como
diarreias, vômitos ou exposição intensa ao sol. Basta o dia estar quente - e o verão já vem aí - ou a umidade do ar baixar muito - como tem sido comum nos últimos meses. Nessas situações, perde-se mais água pela respiração e pelo suor. Se não houver reposição adequada, é desidratação na certa. Mesmo que o idoso seja  saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

Por isso, aqui vão dois alertas. O primeiro é para vovós e vovôs: tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Bebam toda vez que houver uma oportunidade. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite. Sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam. O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!

Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente
líquidos aos idosos. Lembrem-lhes de que isso é vital. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção. É quase certo que esses sintomas sejam decorrentes de desidratação. Líquido neles e rápido para um serviço médico.



Arnaldo Lichtenstein, médico, é clínico-geral do Hospital das
Clínicas e professor colaborador do departamento de clínica médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

* * *