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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

NASCEU HOJE, IRMÃOS, O NOSSO SALVADOR! – Dom Ceslau Stanula II

26/12/2017
S. Agostinho (+430) na sua homilia natalina fala:

«Hoje nasceu para nós o Salvador.
 Nasceu, portanto, para todo o mundo o verdadeiro sol.
Deus Fez-se homem para que o homem se fizesse Deus.
Para que o escravo se tornasse senhor, Deus assumiu a condição de servo.
Habitou na terra o morador do céu para que o homem, habitante da terra, pudesse encontrar morada nos céus».

Com a minha benção e oração. Boa Noite, Feliz Natal.
Dom Ceslau
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27/12/2017
S. Inácio, bispo e mártir de Antioquia, (+ 100), contemplando o mistério do Natal, expressa, figuradamente, a alegria até dos astros  no céus quando a  Estrela Guia  aparece:

“Mistérios clamorosos que se realizaram no silêncio de Deus”.

«No firmamento brilhou uma estrela maior do que todas as outras!
A sua luz era indescritível.
A sua novidade causou estranheza.
Mas todos os demais astros, incluindo o Sol e a Lua, fizeram coro à Estrela.
Esta, porém, ia arremessando a sua luz por sobre todos os demais.
Houve, por isso, agitação.
Donde lhes viria tão estranha novidade?
Desde então, desfez-se toda a magia; suprimiram-se todas as algemas do mal.
Dissipou-se toda a ignorância; o primitivo reino corrompeu-se, quando Deus se manifestou humanamente (no presépio) para a novidade de uma vida eterna».

Com a minha benção e oração.
Feliz Natal e o Ano Novo cheio de realizações com constante presença de Deus.
Dom Ceslau

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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de  Itabuna, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL.

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A MULTIFORME INSPIRAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NOS PANETONES E BOLOS DE NATAL

27 de dezembro de 2017
Santiago Fernandez

Nos países católicos há uma imensa variedade de pratos e bolos que se preparam somente para o Natal. Nesse ponto os italianos acabaram passando na frente de todos os outros ao criarem o universalmente conhecido e cobiçado “panettone”.

De onde ele vem?

Discute-se fortemente na Itália sobre a sua origem. Todos concordam que nasceu na região de Milão.

Segundo uma versão, o panettone apareceu pelo fim do século XV num banquete oferecido pelo tempestuoso duque Ludovico Sforza, dito “o Mouro”. O ajudante de cozinha, de nome Toni, encarregado de vigiar o forno durante a preparação da sobremesa, teria dormido. E quando acordou ela estava queimada!

Para se salvar da ira do colérico duque, ele apanhou então tudo o que sobrara na cozinha e misturou, para produzir um pão “enriquecido” que fez as delícias de todos. Essa obra-prima passou para a posteridade como o “pão de Toni”, que acabou dando em “panettone”.

Mas há outra versão: o jovem nobre Ughetto degli Atellani, que desejava casar-se com Algisa, filha do padeiro Toni, teria conseguido ser contratado pela padaria, onde concebeu o famoso pão de Natal para conquistar a moça.

Outra versão ainda é aquela segundo a qual Sóror Ughetta — cujo nome significa passa — teria comprado com suas últimas moedas algumas passas e frutas cristalizadas para acrescentar a seu pão de Natal, levando assim um sorriso às irmãs de seu convento.

O fato histórico incontestável é que, entre outras coisas, na Idade Média nasceu o costume de comemorar o Natal com um pão que fosse melhor do que o quotidiano. Até 1395 os fornos de Milão só podiam assar esse pão no período natalino, e ele era marcado com frequência com uma cruz.

“Pandoro” de Verona
 Mas há o “panettone” glacê e com amêndoas de Turim. E também o “pandoro”, de Verona, que é muito alto, pesa cerca de um quilo, tem sabor de baunilha, uma miga muito leve e é servido num pacote feito com açúcar cristalizado que também se come.

“Panforte” de Siena

Em Veneza, o “panettone” vem acompanhado de um creme de frutas cristalizadas. Há ainda o “pandolce” de Gênova, um pouco mais compacto, bem como o “panforte” de Siena, feito com especiarias e sem farinha, com a massa consolidada com mel, pimenta e canela.

O sul da Itália aplicou sua inspiração ao “panettone”, que vinha do Norte, acrescentando-lhe delícias que são inéditas nas regiões frias: laranja, limão, pistache, bergamota e o licor limoncello.

O “panettone” de Nápoles é feito com laranjas cristalizadas de Amalfi e limoncello. Em Siracusa, ele vem com chocolate, pistaches, laranjas cristalizadas da Sicília e passas de Pantelleria. Todos eles em geral têm preços acessíveis.

“Christmas pudding” inglês

Deixando agora a Itália e passando a outros países, os britânicos preparam o tradicional “pudding”, oriundo da Idade Média. Segundo instrução da Igreja Católica, ele “deve ser feito no domingo após a festa da Santíssima Trindade, que neste ano de 2017 foi celebrado em 18 de junho. É preparado com 13 ingredientes para representar Cristo e os 12 Apóstolos, e todos os membros da família devem dar uma mexida em sua massa durante a preparação, um de cada vez, de leste a oeste, a fim de homenagear os Reis Magos e sua suposta jornada nessa direção”.

Por sua vez, os belgas degustam os chamados “cougnoles” ou “cougnous”, pães do tipo brioche cujo tamanho varia entre 15 e 80 cm, com a forma de um presépio que acolhe uma imagenzinha do Menino Jesus.

“Christstollen” alemão

Os alemães preparam o “Christstollen”, bolo muito denso perfumado com especiarias e recheado com frutos cristalizados e passas, assado numa forma especial.

Os espanhóis no Natal preferem o “turrón”, uma massa feita com amêndoas e mel. Ele tem muitas variantes: com chocolate, nozes, frutas secas etc.

Os franceses comemoram com a “bûche”, literalmente pedaço de lenha, que suscita todo ano um verdadeiro concurso para ver quem é o “pâtissier” que concebe a variante mais criativa.

“Büche de Noël”

Durante séculos, as famílias francesas acendiam na noite de Natal um pedaço de lenha de árvores frutíferas como cerejeira, ameixeira, macieira ou oliveira, ou de madeiras nobres ou comuns. Ficou conhecida como a “bûche de Noël”.

A família aquecida por esse fogo se reunia para a Ceia de Natal entoando canções. Com o tempo entraram novos sistemas de aquecimento e as velhas lareiras foram se apagando.

Mas eis que a “bûche de Noël” se transformou em uma obra-prima da pâtisserie francesa, a sobremesa indispensável nos lares da França nos dias abençoados do Natal. É difícil conhecer o autor do prodígio, embora talvez tenham sido muitos, guiados em diversas partes pelo instinto católico, pela tradição e pelo bom gosto.

Fala-se que um aprendiz de Paris, que trabalhava numa chocolataria do aristocrático bairro de Saint Germain des Prés, teria sido o autor da ideia. Os palacetes do bairro eram habitados por nobres ligados a seus castelos, erigidos muitas vezes em bosques e em contínuo contato com a agricultura e as tradições locais.

Como esses nobres não encontravam suas rústicas, mas abençoadas “bûches de Noël” na refinada Paris, então o aprendiz concebeu um doce em forma de lenha para lhes aplacar a saudade inspirada pela fé.

Segundo outros, o famoso bolo foi inventado em Lyon por volta de 1860. Há os que defendem que Pierre Lacam, pasteleiro e sorveteiro do príncipe Carlos III de Mônaco, teria concebido a primeira requintada “bûche” em 1898.

Quem quer que seja o seu inventor, nas proximidades do Natal a “bûche de Noël” aparece nas pâtisseries da França em forma de sorvete ou bolo, sendo avidamente procurada pelos espíritos amantes da família, da tradição e da Cristandade.

Na Córsega ela é forçosamente feita à base de castanhas, embora as fórmulas e apresentações sejam inumeráveis, de acordo com a preferência das famílias, dos padeiros, dos confeiteiros de cada região, cidade, rua ou loja.

“Galettes des rois” da França

Já no início de janeiro as vitrines das pâtisseriesde Paris se enchem de “galettes de rois”, conta “Le Petit Journal”. O nome — como o de tantos produtos culinários franceses — não tem tradução, mas alguns tentaram “bolo dos reis”. Ele é vendido com uma coroa especial. Em 2014, entre 85% e 97% dos franceses diziam comê-lo na festa da Epifania, ou Reis. As receitas, acompanhamentos e formas são incontáveis, em geral redondas. Quando o “bolo dos reis” contém o apreciado marzipã, é chamado de “parisiense”; com frutas abrilhantadas é o bordalês.

 “Bolo rei” de Portugal

Em Portugal, ele é feito de um modo especial e recebe o nome de “Bolo Rei”, designação que sublevou sem sucesso muitos revolucionários igualitários e republicanos. Existem receitas semelhantes na cidade norte-americana de Nova Orleans, na Bélgica, no México (“rosca”), na Grécia (“vassilopita”) e na Bulgária (“pitka”), para só citar algumas. 
Voltando à França, o mais típico é que a criança mais nova sentada à mesa se encarregue de cortar a “galette des rois” e distribua um pedaço para cada um. Em alguma parte do bolo há uma fava, também chamada “rei”, que faz a alegria da mesa.

A fava respeita a forma de sua humilde semente original, mas depois passa a ser substituída por pequenos objetos simbólicos imaginosos, como lâmpadas douradas e outros. O fato é que quem recebe o pedaço com a “fava” é chamado de “rei”, ganha a coroa que veio com o bolo e deve beber em uma taça especial, enquanto os demais cantam “o rei bebe, o rei bebe”, em meio ao gáudio geral.

Aliás, nos bons tempos partia-se a “galette” de acordo com o número dos presentes mais um. Esse pedaço excedente era chamado “a parte do Bom Deus”, ou “a parte da Virgem”, ou “a parte do pobre”, e era destinado ao primeiro pobre que fosse bater à porta do lar.

O costume comemora a festa da Adoração do Menino Jesus pelos Reis Magos, ou Epifania, celebrada em 6 de janeiro. A Epifania comemora precisamente a chegada de Melchior, Gaspar e Balthazar, conduzidos pela milagrosa estrela.

Na Espanha, os Reis Magos são muito mais importantes para as crianças do que Papai Noel. São eles que trazem os presentes na noite de 5 para 6 do janeiro, depositando-os sobre os sapatinhos infantis deixados na sacada ou na lareira.


“Roscón de Reyes” da Espanha

É normal que o fato seja comemorado com um bolo. É o denominado “Roscón de Reyes” em forma de coroa, o qual introduz uma variedade grande em relação à “galette des rois” francesa.

Foi só no mundo católico que a ação multiforme da graça do Espírito Santo inspirou uma tão larga variedade de pães simples, mas deliciosos, próprios a elevar os espíritos e a fortalecer o corpo nos gaudiosos dias do nascimento do Redentor.

Procure-se entre os protestantes ou nos decaídos países pagãos e veja se eles criaram uma variedade análoga de uma iguaria saborosa e inocente, tão de acordo com o espírito sobrenatural do Natal católico.


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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

NASCEU HOJE, IRMÃOS, O NOSSO SALVADOR - Dom Ceslau Stanula

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
Nasceu hoje, Irmãos, o nosso Salvador!

Alegremo-nos! 
Não pode haver tristeza quando nasce a vida;
a qual, destruindo o temor da morte, nos enche
com a alegria da eternidade prometida.
Ninguém está excluído da participação nesta alegria;
a causa desta alegria é comum a todos,
Porque nosso Senhor, aquele que destrói o pecado e a morte,
Não tendo encontrado ninguém isento de pecado, a todos veio libertar.
Exulte o santo porque está próxima a vitória;
Rejubile o pecador, porque é convidado ao perdão;
Reanime-se o pagão, porque é chamado à vida…
Por isso é que, quando o Senhor nasceu, os anjos cantaram em alegria ‘glória a Deus nas alturas’ e anunciaram ‘paz na terra aos homens de boa vontade’.
Porque veem a Jerusalém celeste ser formada de todas as nações do mundo, obra inexprimível do amor divino, que, se dá tanto gozo
aos anjos nas alturas do céu, que alegria não deverá dar aos homens cá na terra?» (S. Leão Magno +440).
FELIZ NATAL. 
Com a benção e votos natalinos.
Dom Ceslau
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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de  Itabuna, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL.

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POR QUE SE CELEBRA A NOITE DE NATAL COM A “MISSA DO GALO”?

24 de dezembro de 2017
O Patriarca latino de Jerusalém, Mons. Fouad Twal, porta a imagem do Menino Jesus durante a Missa do Galo em Belém
Luis Dufaur

“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da meia-noite, na véspera do Natal. A expressão vem da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer outro de seus semelhantes, anunciando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como o galo anuncia o nascer do sol e seu canto preludia o amanhecer, assim também a “Missa do Galo” comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que, clareando a escuridão do pecado, veio nos remir.
Galo no alto da torre da Catedral de São Vito, em Praga

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé proclamada no auge das trevas.

Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.

A celebração é feita à meia-noite porque o nascimento ocorreu por volta dessa hora. A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século V pelo Papa Xisto III na então nova basílica de Santa Maria Maior, onde são hoje veneradas as relíquias do Santo Presépio, conservadas em artístico e alusivo relicário.

Nos primórdios da Igreja, os cristãos se encontravam para rezar na cidade de Belém à hora do primeiro canto do galo. Com a expansão da Igreja, na vigília do Natal os fiéis se reuniam na igreja mais próxima e passavam a noite rezando e cantando.

Ceia de Natal ou “consoada”

Em algumas aldeias espanholas era costume os camponeses levarem um galo à igreja para que ele cantasse na missa. A igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e tochas. As paredes eram revestidas com panos e tapetes. O templo era perfumado com alecrim, rosmaninho e murta.

Desde o início desta devoção a véspera de Natal é suave e nobremente jubilosa. Por isso é chamada de Noite Santa. Seus cânticos são festivos, como o tradicional Glória litúrgico.

Segundo uma tradição católica muito generalizada, os fiéis iam acendendo uma vela a mais em cada semana do Advento, ou período de quatro domingos antes do Natal. Elas já estavam todas acesas na “Missa do Galo”, solenemente celebrada e na qual a comunhão era oferecida pelo nascimento do Messias.

Em Roma, o Papa deve conduzir pessoalmente a celebração, pois ele é sucessor de Pedro, o Apóstolo designado pelo próprio Jesus para primeiro monarca da Igreja (Mt 16,18).

O Natal é uma das raríssimas datas litúrgicas que contemplam três Missas diferentes: a da noite, a da aurora e a do dia. Segundo São Gregório Magno, a Missa da noite, ou “do Galo” in galli cantu (à hora em que o galo canta) comemora a vinda de Jesus à Terra; a Missa da aurora, celebrada logo depois, comemora o nascimento de Jesus no coração dos fiéis; a Missa do dia, ou Missa de Natal propriamente dita, evoca o nascimento do Verbo de Deus.

Aldeões se dirigem à Igreja para a “Missa do Galo”

A Missa começava com um cântico natalício. No momento do “Gloria in excelsis Deo”, as campainhas tocavam para assinalar o nascimento do Redentor. No fim da celebração, todos iam oscular o Menino. Em algumas Igrejas, o presépio permanecia coberto até o momento do cântico.

De início jejuava-se durante a vigília, como forma de desprendimento e convite à contemplação do grande mistério que vai se celebrar. Comia-se apenas peixe — e em Portugal bacalhau, costume que ainda perdura em muitos lares brasileiros.

Depois que se aboliu o jejum, o povo continuou a chamar a ceia de Natal de “consoada”, embora esta tenha passado a ser mais abundante. “Consoada” significa pequena refeição e surgiu no século XVII. Era feita após a “Missa do Galo”.
Até a revolução “pós-conciliar”, após a “Missa do Galo” as famílias voltavam para suas casas, colocavam a imagem do Menino Jesus no Presépio, cantavam e rezavam em seu louvor, faziam a Ceia de Natal e trocavam presentes.

O nome “Missa do Galo” usa-se apenas em português e espanhol. Na maior parte do mundo chama-se simplesmente Missa da noite de Natal ou Missa da meia-noite.

Na Espanha havia uma tradição peculiar: “Antes de baterem as 12 badaladas da meia-noite de 24 de dezembro, cada lavrador da província de Toledo matava um galo, em memória daquele que cantou três vezes, quando Pedro negou Jesus, por ocasião da sua morte”.
Em seguida, a “ave era levada para a igreja e oferecida aos pobres”, informa a agência católica Ecclesia.*

Apesar do laicismo moderno e da escalada do ateísmo materialista, nessa abençoada noite as catedrais de Paris, Londres, Barcelona e muitas outras se enchem, para acompanhar os coros que cantam as santas alegrias do Natal iminente… até o galo cantar anunciando a Boa Nova!
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DOM CESLAU STANULA - Mensagem de Natal

23/12/2017
Vivemos o natal


Infelizmente a nossa cultura celebra o Natal sem o dono da festa: o Menino Deus real, substituído pelo fictício do Papai Noel.

Menino Deus compromete e questiona, o Papal Noel aliena e cria irreais ilusões...

Para recuperar o verdadeiro sentido do Natal, citarei alguns Padres da Igreja (Chamados padres da Igreja os Escritores, Pastores e Leigos cristãos, nos séculos entre II a VII).

S. Máximo, bispo de Turim no século IV convida:

“Preparemo-nos, pois, irmãos, para acolher o Natal do Senhor, adornemo-nos com vestes puras e elegantes! Falo, das vestes da alma, não do corpo… Adornemo-nos não com seda, mas com obras boas! Pois as vestes elegantes ornam o corpo, mas não podem adornar a consciência”

Feliz e Santo Natal. Com a benção especial
Dom Ceslau.

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Dom Ceslau Stanula, bispo emérito da Diocese de Itabuna/BA, escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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sábado, 23 de dezembro de 2017

SÃO NICOLAU, “PAPAI NOEL” E O SIGNIFICADO DO NATAL

23 de dezembro de 2017
São Nicolau entrega presentes às crianças – Pintura de Fritz Tüshaus (1832-1885). Stadtmuseum, Münster (Alemanha).

A figura de São Nicolau acompanha o processo de decadência da Cristandade iniciado com a Revolução Protestante, que transformou o sentido sacrossanto do Natal.

Alejandro Ezcurra Naón

No Natal celebramos o momento culminante da história humana em que Deus feito homem veio ao mundo e “habitou entre nós” (Jo 1, 14). O nascimento do Menino Jesus constitui um transbordamento incomensurável de amor divino: o Verbo de Deus reveste-se de nossa natureza para reparar como homem ao Padre Eterno todos os nossos pecados e abrir-nos assim as portas do Céu.

A festa da pureza, da família e das crianças
A festa de Natal é por excelência a festa da inocência, da pureza, das alegrias castas, serenas e profundas. Aquele terno Menino que repousa num presépio é o “esperado das nações” (Gn. 49,10). o Messias cuja única presença restaura a Ordem vulnerada pelo pecado e inaugura a Era da Graça, tornando-nos capazes de praticar todo o bem.
Natal é também a festa da família, porque envolve a Família por excelência que é a Sagrada Família, constituída pelo Menino Jesus, por sua Mãe Santíssima — Virgem antes, durante e depois do parto — e por seu pai legal, o patriarca São José, herdeiro do trono de David.
Sendo a festa da família, o Natal não pode deixar de ser a festa das crianças. Ao longo dos séculos, a Igreja procurou rodeá-lo de manifestações que também nos pequenos despertassem sentimentos de devoção e piedade para com Aquele “a quem os céus não podem conter” (Do Officium Parvum B. Mariӕ Virginis, Matinas, 1ª Lição), e que, entretanto, se fez pequenino como eles e para eles.
Foram assim aparecendo costumes — músicas, representações cênicas, orações, comidas, presentes — ou formas especiais de adornar as casas, como o Presépio, prática inaugurada por São Francisco de Assis e que se propagou rapidamente por todo o mundo cristão.
E assim como o espanhol é o povo que mais se comove com os sofrimentos da Paixão do Redentor e o eslavo com a celebração da Páscoa da Ressurreição, o germânico é sem dúvida o que mais se maravilha com o santo mistério do Natal.

“Papai Noel” na Palestina, no Japão e de camelo nos países árabes. Um velhote sem profissão nem religião conhecida, podendo perfeitamente ser um agnóstico e mentalmente um tanto decrépito, que reparte presentes não se sabe para quê nem por conta de quem…

Pedagogia natalina: a visita de São Nicolau

Um dos costumes natalinos mais encantadores surgidos na Alemanha é a visita de São Nicolau às crianças, preparando-as para essa grande festividade.
Ele é também conhecido como São Nicolau de Bari. Sabemos que foi bispo da cidade de Mira, na Lícia romana (atual sudeste da Turquia), no século IV, tendo combatido os cultos pagãos e a heresia ariana, a qual negava a dupla natureza divina e humana de Jesus Cristo. Ele participou do Concílio de Niceia, que definiu os doze artigos da fé católica contidos no Credo. Após uma vida repleta de fatos extraordinários, São Nicolau faleceu em dezembro do ano de 345.


Quando os muçulmanos invadiram a Turquia, suas relíquias foram resgatadas e trasladadas para Bari, na Itália, onde são veneradas até hoje. Iniciou-se assim sua grande fama no Ocidente. A devoção a São Nicolau ficou associada às crianças, porque além de tê-las escolhido como objeto de sua especial caridade, nelas operou muitos milagres, alguns dos quais tão estupendos como a ressurreição de três meninos assassinados por um hospedeiro.

O Bispo São Nicolau, celebrado na Alemanha
Surgiu por esse motivo na Alemanha medieval um simpático costume, que perdura até hoje em algumas regiões católicas: no dia 6 de dezembro, festa do santo bispo, um venerável “São Nicolau” de barbas brancas, revestido com solenes trajes episcopais, mitra e báculo, visita as casas para perguntar como as crianças procederam durante o ano. As que se comportaram bem ganham doces e outros presentes, enquanto as malcomportadas recebem apenas um pequeno pedaço de carvão…
Essa visita do santo aos lares era acompanhada de cantos, recitações etc., e constituía uma excelente forma de gerar expectativa nas famílias pela chegada do Menino Deus.

Esvaziamento e perversão: de São Nicolau ao “Papai Noel”
Mas com a revolução protestante tudo se transtornou. É muito instrutivo verificar como a degradação da figura de São Nicolau acompanha as etapas do processo de decadência da Cristandade descrito por Plinio Corrêa de Oliveira em seu célebre ensaio Revolução e Contra-Revolução.
Durante a pseudo-Reforma chefiada por Lutero — por incrível que pareça, comemorada há pouco em ambientes progressistas da Igreja Católica —, para se colocar no mesmo nível do igualitarismo calvinista, as vestimentas episcopais de São Nicolau desapareceram em alguns países, sendo substituídas por uma roupa civil. Como os protestantes não têm hierarquia eclesiástica nem culto aos santos, a própria figura do santo bispo foi diluída. Assim deformado, no século seguinte passou para a América do Norte.

De São Nicolau ao Papai Noel comercial…
No século XIX, ao sopro das ideias da Revolução Francesa, essa versão norte-americana do personagem — ao qual se passou chamar “Santa Claus” e que guardava ainda certos vestígios de São Nicolau — se laicizou completamente, transformando-se no fictício “Papai Noel” que hoje conhecemos: um velho de aspecto vulgar, obeso e bonacheirão, sem profissão nem religião conhecida, podendo perfeitamente ser um agnóstico e mentalmente um tanto decrépito, que reparte presentes não se sabe para quê nem por conta de quem… Quem lucra? — O comércio!
Já no século XX, novo passo na decadência: com a hegemonia política iniciada pelos Estados Unidos a partir da vitória aliada na Guerra de 1914-1918 sobreveio uma concomitante hegemonia cultural norte-americana que impôs universalmente os estilos do American way of life.
Com isso, um “Papai Noel” tosco e proletário, ícone de marketing da Coca-Cola, transformou-se nos anos 30 em principal personagem do Natal daquele país, tirando dos espaços públicos das comemorações natalinas as figuras da Sagrada Família e dos Reis Magos, enquanto o Jingle Bellsinsípido e trepidante substituía as suaves harmonias do Stille Nacht (Noite Feliz) — o canto natalino por excelência — e os tradicionais carols (cânticos) anglo-saxões. Versões ridículas do Papai Noel se difundiram assim por todo o mundo, esvaziando gradualmente o Natal do Menino Jesus de seu sublime significado original e transformando-o numa mera celebração comercial.

Fim de um processo e certeza de regeneração
Assistimos agora à etapa final desse esvaziamento. Coincidindo com a revolução cultural que ameaça precipitar o Ocidente na mais completa dissolução moral e social, nas últimas décadas aberrantes apareceram “Mamães Noel” — inicialmente extravagantes, depois feministas, mais tarde sensuais e, por fim, pornográficas —, símbolos da perversão revolucionária do Natal.
Assim, das alegrias inocentes à voluptuosidade; da serenidade maravilhada ao frenesi; da pureza aos impulsos infrenes; da luz de Cristo às pompas de satanás, chegamos ao fim de uma sequência de abominações que procuram converter a magna festa da Cristandade — a celebração do nascimento do Salvador do mundo — no extremo oposto do que ela substancialmente é.
Mas o verdadeiro Natal não morre: ele continua palpitando nos corações de todos aqueles que adoram o Divino Infante “em espírito e em verdade” (Jo 4, 24) e esperam a era de glória para a Igreja e de regeneração e esplendor para a Cristandade, anunciada há um século em Fátima.

“EU REINAREI”

Na base da imagem do precioso Menino Jesus venerado no Santuário do Bairro 20 de Julho, em Bogotá, e popularizado em todo o orbe católico, lemos esta categórica afirmação: “Eu reinarei”. Com a confiança que nasce da fé, peçamos neste Natal ao Menino Jesus que torne o quanto antes realidade esta promessa, suplicando-Lhe com toda a Igreja: “Veni, Dómine, et noli tardare: relaxa facinora plebis tuae Israel” — “Vem, Senhor, e não tardeis: perdoa os pecados de teu povo”. (Liturgia do Advento, Domingo IV, Gradual).      



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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

FELIZ NATAL – Dom Ceslau Stanula

Feliz Natal

“Onde está a fila para ver Jesus, pergunta a criança a uma moça no shopping – se no Natal celebramos o seu Nascimento, Ele está na loja aqui? Porque não o vemos mais? Ele nasceu para mim. Papai Noel traz presentes, mas Jesus deu a vida por mim”. (Canto circulando na rede há poucos dias).  Fiquei pensativo e também me perguntando: “onde está a fila para ver Jesus?”. Na realidade Ele não está nas filas das lojas dos shoppings, não está nas ruas coloridas, nos palácios dos homens públicos.

Ele está nas filas do INSS, nas filas para marcar uma consulta nos vazios postos de saúde, ele está nos corredores entupidos de macas com os doentes nos hospitais, Ele está nas filas dos desempregados, está na fila dos pobres empurrados para a rua pela corrupção reinante em todos os escalões. (Mt.25,40)

“Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens” (Lc 2,14), que o encontraram e levaram consigo para o Presépio do seu coração com carinho, amor e esperança. 

Feliz Natal e Abençoado Ano Novo.

São os votos do amigo e irmão

Dom Ceslau Stanula, CSsR

Bispo Emérito de Itabuna.

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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

POEMA DE NATAL – Vinícius de Moraes

Poema de Natal


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.


( Vinícius de Moraes, Rio de Janeiro, 1946 )
(conferido com o filme Vinícius e no site oficial do poeta)
Enviado por << “A Magia da Poesia” >> Desde 1999, este projeto divulga poemas de grandes poetas sem erros ou falsas autorias.


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domingo, 17 de dezembro de 2017

O AMANHECER - Cyro de Mattos

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
Amigos e Amigas
Como no poema do anexo, desejo-lhes um Natal  com a luz suave desse menino e um Ano Novo com êxito e paz.
Abraços.
Cyro de Mattos 
......
O Amanhecer
Para Firmino Rocha,
em memória

A estrela desponta,
A nuvem se descobre,
O galo clarineta
E anuncia que em Belém
O menino já chegou
Na manhã mais bela.

A boa notícia corre
No fiozinho do rio
Que da montanha desce.
Segue no vento leve
Que sopra a flor sozinha
Na plantinha do brejo.
Vem com a borboleta
Que pousa na roseira
E fica brincando
Com os raios de sol.
 ===
Cyro de Mattos é autor de 43 livros individuais. Organizou dez antologias. Tem doze livros publicados em várias editoras europeias. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia.  Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

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