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segunda-feira, 30 de abril de 2018

DOM CESLAU STANULA - O laicato > Novas Comunidades Cristãs


O laicato:Novas Comunidades Cristãs

23/4/2018

Continuando as nossas reflexões sobre o laicato, gostaria deter-me de um fenômeno surgido nas últimas décadas na Igreja, de iniciativa na maioria das vezes,  dos leigos, em sintonia com o ensinamento da Igreja que são as Novas Comunidades Cristãs.

O Espirito Santo continua agindo na Igreja. Se olharmos na sua história podemos perceber a sua ação em cada época de forma diferente, mas sempre como a resposta às necessidades no seu tempo. Assim vemos, por exemplo, o surgimento das comunidades cristãs relatadas nos Atos dos Apóstolos. Depois século II e IV surgiu o movimento chamado monarquismo, em defesa da Santíssima Trindade, depois surgiu o movimento mendicante no século XIII. (O movimento foi chamado assim por sua característica de “mendigar” humildemente ao apoio das pessoas para viver o voto de pobreza e levar a cabo a missão evangelizadora. Aqui se destacam São Francisco de Assis e São Domingos de Gusmão com grandes famílias religiosas Franciscanas e Dominicanas. Estes santos tiveram a capacidade de ler com inteligência “os sinais dos tempos”, intuindo os desafios que a Igreja da sua época deveria enfrentar).

Depois, as congregações voltadas à caridade, nos séculos XV e XVI; e nos séculos XVII e XVIII formam-se as congregações missionárias com Santo Afonso, São Paulo da Cruz etc., e assim por diante.

E hoje o Espirito Santo se manifesta nas Novas Comunidades Cristãs. (continuará).

Com a minha oração e a benção. Uma boa noite.

Dom Ceslau.
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24/4/2018

As Novas Comunidades surgiram na década de 1970 na França e nos EUA. No Brasil, as primeiras Comunidades Novas apareceram na década de 80.  Hoje temos inúmeras Novas Comunidades. Alguns afirmam que são mais de 500.

O que são estas Novas Comunidades?

Primeiro não são religiosos como nós conhecemos, e não vivem nos conventos, nem atrás de clausura. São os grupos  compostos por homens e mulheres, por clérigos ou leigos, casados, celibatários ou solteiros, que seguem um estilo particular de vida sob a espiritualidade de um carisma particular. Eles vivem no mundo (não na clausura ou conventos) guiando-se com mesmo carisma e vivendo radicalmente o evangelho de Jesus. Quantos destes trabalham com você no escritório, consultório, no comercio, nas empresas etc., (trabalham com você, ao seu lado, sem você até perceber). Eles fazem, espontaneamente, depois de uma caminhada de preparação, as promessas, compromissos ou votos de obediência, pobreza e castidade, cada um segundo o seu estado de vida.

Este estilo de vida guiado por um carisma particular se chama: Novas Comunidades Cristãs (Continuaremos).

Com o desejo de uma repousante noite, com a minha humilde oração e a benção. Boa Noite.

Dom Ceslau.
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 25/4/2018

O Concílio Vaticano II pedia que a Igreja fosse inserida no mundo e capaz de atraí-lo para Cristo. Ao mesmo tempo que a Igreja desse a resposta aos desafios de seu tempo.

O Papa São João Paulo II, na Vigília de Pentecostes de 1998, chamou as Novas Comunidades de “providencial resposta do Espírito”. Isso porque, através das Novas Comunidades, leigos que se consagram a Deus a partir de um carisma vivem o seu Batismo de forma autêntica num mundo cada dia mais secularizado.

Foi precisamente o Papa São João Paulo II que sublinhou a importância das Novas Comunidades Cristãs no seio da Igreja. E o Papa Bento XVI deu continuidade à iniciativa de seu antecessor. Desde o Concílio Vaticano II, depois as Conferencias Latino Americanas, principalmente de Santo Domingo, nas Diretrizes da Ação Evangelizadora do Brasil da CNBB, Igreja proclama o protagonismo dos leigos. E tudo isto foi o incentivo para o surgimento das Novas Comunidades, e muitas vezes de iniciativa dos próprios leigos. (continuará). Com a benção e oração. Uma Boa Noite.

Dom Ceslau.
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26/4/2018

A Conferencia de Aparecida reconhece e valoriza as Novas Comunidades. Lemos: “Os novos movimentos e comunidades são o dom do Espírito Santo para a Igreja. Nelas, os fieis encontram a possibilidade de se formar cristãmente crescer e comprometer-se apostolicamente até ser verdadeiros discípulos missionários” (Ap. 311).

No sequencia fala: “Os movimentos e novas comunidades constituem valiosa contribuição na realidade da igreja particular” (nas dioceses). Por sua própria natureza, expressam a dimensão carismática da Igreja (...) “nova comunidades são uma oportunidade para muitas pessoas afastadas possam ter uma experiência de encontro vital com Jesus Cristo e assim recuperar a sua identidade batismal e a sua ativa participação na Igreja” (Ap. 312).

Assim as Novas Comunidades, são o sopro do Espirito Santo quando vivem o seu carisma, mas na unidade com a Igreja diocesana, não só de fé mas também de ação. Por isso, para que estas comunidades tenham maior força evangelizadora precisam do discernimento e a aprovação do bispo diocesano, e caso já saírem das fronteiras da diocese e até do país, da Santa Sé.

Com a minha benção e oração. Uma repousante noite.

Dom Ceslau.
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27/4/2018

Eis algumas Novas Comunidades mais conhecidas entre nós: A “Canção Nova”, de inspiração de Mons. Jonas Adib, que após o estudo  da Exortação Apostolica do Papa Paulo VI sobre a Evangelização: Evangeli Nuntiandi, e depois de ouvir o desejo do Dom Afonso de Miranda (hoje com 98 anos!), na época bispo de Lorena SP, de encontrar alguma forma para uma nova evangelização dos jovens, teve uma luz. Reuniu jovens, e lançou o desafio: Precisamos catequizar e evangelizar.

Desta decisão assumida corajosamente em 1978, por ele e pelo  grupo de jovens, nasceu, com o apoio de Dom Antônio Miranda, a Canção Nova, cujo carisma é evangelizar, usando os meios de comunicação acessíveis em cada época. Hoje a Canção Nova tem a disposição para anunciar o Evangelho: a rede de rádios Canção Nova, a TV Canção Nova, as revistas e livros da Editora Canção Nova.

A Comunidade foi reconhecida pela Santa Sé. A outra Comunidade é a Comunidade Shalon, fundada por Moysés Azevedo. A Comunidade nascida no meio da juventude, com o objetivo de evangelizar os jovens mais afastados de Deus.

O seu início se deu em Fortaleza em 1982. Várias pessoas vindas da Renovação Carismática Católica transformaram uma lanchonete em um meio de atração dos jovens a Deus. Hoje é a maior Nova Comunidade no país, com mais de 8 mil membros. Esta, já está espalhada pelo mundo inteiro. Tem o reconhecimento da Santa Se desde 2007.

Admirável é Deus em suas obras. Um boa noite. Com a minha benção e oração.

Dom Ceslau.
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28/4/2018

Encerrando estas reflexões dentro do tema do laicato, sobre as Novas Comunidades, constatamos que a maioria tem a origem na Renovação Carismática Católica.

“Na Igreja não há contraste ou contraposição entre o dinamismo institucional e a dimensão carismática, da qual os movimentos são expressão significativa, porque ambos são igualmente essenciais para a constituição divina do Povo de Deus” (Bento XVI) Ap.312).

Da Carismática, nasceu em Itabuna a Comunidade Rainha da Paz. As jovens Gracinha, sua irmã Márcia e outro ajudavam ao Pe. Edvaldo. Com tempo elaboraram algumas orientações de ação. Com a minha chegada, ajudei a organizar a base da sua vivencia isto é o Estatuto – Regra de Vida. Estruturamos a comunidade, que hoje segue seu curso evangelizando por meio da música e trabalhos apostólicos na Diocese de Itabuna.

A Comunidade recebeu o reconhecimento e aprovação da Diocese. Assim já tem o seus “status” juridicamente definido. Da mesma forma ajudamos a estruturar a comunidade formada (em 1993) pelo Pe. Manuel Carlos de Jesus Cruz, a Comunidade chamada: Instituto Missionário Amigos de Cristo, Mensageiros da Paz. Tem como o objetivo e carisma evangelizar os ambientes (as famílias), e rezar pela paz. Já tem dezenas de membros espalhados pela Bahia e outros estados. Esta comunidade também tem a aprovação do Estatuto e Regra de Vida e recebeu o reconhecimento e aprovação diocesana.

Não podemos limitar as ações do Espirito Santo. Ele sopra quando e onde quer, sempre vai ao encontro das necessidades do povo de Deus. Com a minha oração e a benção. Boa noite. .

Dom Ceslau.
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Dom Ceslau Stanula - Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

DOM CESLAU STANULA – Do Laicato e dos Leigos (7)

25/01/2015
As Viagens Apostólicas do Papa Francisco

Sentimento de orfandade > solidão

O Papa ao falar aos bispos do Chile tocou o assunto que está bem próximo das nossas meditações ligadas com o Ano do Laicato no Brasil. Ele disse: “um dos problemas, que enfrentam atualmente as nossas sociedades, é o sentimento de orfandade, ou seja, sentir que não pertencem a ninguém”.  Muito falamos hoje sobre a comunidade, sobre a paróquia renovada, mas no fundo no fundo, o discurso não nos toca. Cada um leva a sua vida “sozinho”. E o Papa chama atenção que esta solidão pode atingir também os bispos e os padres. E ele disse: “Este sentir” pós-moderno pode penetrar em nós e no nosso clero; (...) esquecemo-nos que somos parte do santo povo fiel de Deus é que a Igreja não é, e nunca será, uma elite de pessoas consagradas, sacerdotes e bispos. Não podemos sustentar a nossa vida, a nossa vocação ou ministério, sem esta consciência de ser povo.

O Papa, “confirmando os irmãos na fé” também os previne sobre o perigo do mal que pode afetar tanto os pastores como, consequentemente as ovelhas. Sublinha fortemente, neste importante pronunciamento, sobre o mal moderno: a solidão, orfandade. Todos somos o povo querido por Deus, todos formamos uma só família que é a Igreja de Jesus, cada um segundo a sua vocação, tem o lugar determinado dentro deste povo de Deus. O Papa nos questiona: temos a consciência disto. Se todos compreendêssemos esta verdade em grande parte desapareceria a depressão, a doença provocada pelo “sentimento de orfandade”, pela solidão.

Com o abraço fraterno e a benção especial junto com a oração, desejo uma boa noite.
Dom Ceslau.

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26/01/2018
O clericalismo

No mesmo pronunciamento para os Bispos de Chile, o papa falando sobre a falta da consciência de fato de que todos somos o povo fiel de Deus, sublinha, o que nós estamos procurando desenvolver no Ano do Laicato: A Missão do leigo na Igreja. Falando sobre o “clericalismo” que é para ele a “caricatura da vocação recebida”, diz “os leigos não são os nossos servos, (bispos, padres...) nem nossos empregados. Não precisam de repetir, como 'papagaios' o que dizemos. O clericalismo (...) apaga pouco a pouco o fogo profético da qual a Igreja inteira está chamada a dar testemunho no coração dos seus povos. O clericalismo esquece que a visibilidade (...) da Igreja pertence a todo o povo fiel de Deus - (Conf. LG, 9-14) e não só a poucos e iluminados”.

Primeiro o que é o clericalismo. No entender do papa, é a tentação que reduz a experiência eclesial à operação do clero. Tudo depende do padre, do bispo... Tudo depende deles. Esta questão o Papa Francisco já várias vezes antes apontou nos encontros com os bispos, com os padres e com os funcionários do Vaticano.

Segundo, o Papa sublinha a importância do povo fiel de Deus. Por eles Deus também está agindo. A hierarquia na Igreja existe, mas não como superioridade sobre os fiéis leigos, mas, como também membros do mesmo  Povo fiel de Deus, a serviço, precisamente deste povo de Deus, para caminhando, juntos construir o Reino de Deus. Que lindo ensinamento para todos nós. Puxão de orelhas para os que se estão deixando levar pela tentação de clericalismo, mas também ressaltando a importância dos fiéis leigos.

Com a benção e a minha oração. Uma noite tranquila.
Dom Ceslau.

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29/01/2018
A tentação do clericalismo

Procurei deter-me sobre pronunciamento do Papa para os Bispos no Chile, porque vai ao encontro das nossas reflexões sobre o Ano do Laicato.

O Papa, para prevenir contra a tentação do clericalismo e diminuição da consciência da dignidade dos leigos, está preocupado também com o futuro. Por isso diz: “Por favor, vigiemos contra esta tentação, especialmente nos Seminários e em todo o processo formativo. Confesso-vos, que me preocupa a formação dos seminaristas: que sejam pastores ao serviço do povo de Deus; (...) que tenham esta consciência do povo. E continua dizendo: Os sacerdotes de amanhã devem formar-se, olhando o amanhã: o seu ministério desenvolver-se-á   num mundo secularizado. (...) prepará-los para realizar a sua missão neste cenário concreto e não nos nossos ‘mundos ou situações ideais’. A missão que se realiza em união fraterna com todo o povo de Deus. (...) Não ao clericalismo e mundos ideais, que só entram nos nossos esquemas, mas não tocam a vida de ninguém”.

O Papa toca aqui o calcanhar-de-aquiles da questão. Será que os nossos seminários estão formando pastores do povo de Deus? Às vezes se tem a impressão, do que se vê que os seminaristas estão mais preocupados com as vestes (batina, barrete, túnicas com forros e bordados sofisticados) do que com o serviço do povo fiel de Deus. Da impressão que mais celebram a “liturgia de panos”, do que o Mistério de Deus. É uma infiltração do mundanismo e vaidades, às vezes, contra a vontade dos formadores... “Depois, eu me arrepio pensando, diz o Papa, que esses pequenos monstros é que vão formar o povo de Deus!” (Papa Francisco aos Superiores Maiores em 29.11.14).

Todos somos responsáveis pela formação, os leigos também. Rezemos pelas vocações, para que tenhamos santos sacerdotes e pastores do Povo fiel de Deus.

Com a benção e oração.
Dom Ceslau.

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30/01/2018
Papa visita presídio feminino

As viagens Apostólicas do Papa não deixam ninguém excluído. No Chile visitou o presidio feminino. A mensagem que dirigiu para elas podemos sintetizar em duas palavras: dignidade e esperança.

Ele disse: “Ser privadas da liberdade não é o mesmo que ser privadas da dignidade, não! Não é a mesma coisa, A dignidade não se toca, em ninguém. Zela-se, defende-se, nutre-se. Ninguém pode ser privado da dignidade. Vós estais privadas, sim, mas da liberdade”.

O Papa não justifica erros cometidos. Mas afirma que ninguém pode privar a quem quer que seja da dignidade. Se por um momento a pessoa perdeu a dignidade cometendo o erro ou crime, como consequência fica privada da liberdade. Esta privação da liberdade tem o objetivo não só pagar a dívida para com a sociedade (castigo, pena), mas também restabelecer a dignidade da pessoa. A pena deve visar a correção e a futura reintegração na sociedade.

A reflexão: os nossos presídios respeitam e visam restituição da dignidade da pessoa? Numa cela programada para 4 ou 6 presos, abriga 12 ou mais. No Brasil não temos presídios, temos depósitos dos objetos humanos. O Papa, como Vigário de Cristo, condena o crime, mas denuncia a violação da dignidade humana.

Com a oração, para que Deus nos livre de todos os males da alma e corpo, e com a benção.
Um boa Noite.
Dom Ceslau.
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31/01/2018
Papa Francisco falou da esperança.

Para as presidiárias em Chile (e para todo o mundo), o Papa Francisco falou da esperança. Esperança de no futuro perto ou longe, reintegrar-se a sociedade. Ele disse: “...a vida se constrói olhando para o futuro, e não para trás. Hoje estais privadas da liberdade, mas isto não significa que esta situação é definitiva. Levantai o olhar sempre para frente...”. Uma pena sem futuro, uma condenação sem futuro não é uma condenação humana: é tortura”. (...) "Isto, exigi-o de vós mesmas e da sociedade. (...) olhai sempre para a frente, para a reintegração na vida normal da sociedade”.

O objetivo da Pastoral Carcerária, uma das pastorais mais difíceis, é este.  Manter a esperança nos presos, mas deva estender-se à família do preso e também da (das) vítima (as) prejudicada(as) com o crime. A todos levar a esperança da misericórdia de Deus e esta, renovará a face da terra. Com a oração e a minha benção.
Boa Noite.

Dom Ceslau.

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01/02/2018
Papa Francisco na América latina

Nas suas andanças apostólicas pela América Latina o Papa Francisco quis encontrar-se com o povo Amazônico. Aconteceu isto em Puerto Maldonado, em Peru. Expressou a alegria deste encontro, ouviu o “clamor do povo amazônico” e expressou o desejo de “plasmar nesta região uma Igreja com o rosto amazônico e uma Igreja com o rosto indígena”. Disse: “com este espírito, convoquei o Sínodo para a Amazônia no ano 2019. O Papa considerou como a primeira sessão deste sínodo, o encontro agora realizado. No seu discurso disse: reafirmamos uma opção sincera em prol da defesa da vida, defesa da terra e defesa das culturas”. No seu entender, a defesa da terra não tem outra finalidade senão a defesa da vida”.

O Evangelho não destrói a cultura nativa. Sublima-a. Jesus também se encarnou numa cultura, hebraica, e a partir dela ofereceu-se- nos. Cada cultura que recebe o Evangelho não a destrói, mas enriquece, e a Igreja por meio dela,  apresenta uma nova face do mesmo rosto de Cristo.
Com a minha oração e benção. Boa e repousante noite.

Dom Ceslau.
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02/02/2018
A Oração Missionária

Na viagem Apostólica ao Peru, o Papa Francisco encontrou-se com as Religiosas Contemplativas -Monjas. (Quem é o Monge (a)? É aquele que vive em Deus e em busca do Divino. O silêncio, o estudo e a oração, são os elementos que fazem parte do cotidiano do monge. A casa onde eles vivem chama se o Mosteiro).

Nesta ocasião, o papa num tom muito cordial fala a elas sobre a oração, mas a oração não aquela “que esbarra no muro do convento e volta para trás”, fala da oração missionária. “A oração que sai e parte...”.
E o Papa explica: “a oração missionária é uma oração que consegue unir-se aos irmãos nas mais variadas circunstâncias em que se encontram, pedindo que não lhes falte o amor e a esperança”. Desta forma a “vida na clausura consegue ter o alcance missionário e universal, um papel fundamental na Igreja. Através da oração de dia e de noite aproximais do Senhor as várias situações da vida humana. Através da oração a miséria dos homens se aproxima ao poder de Deus. (...) “podemos afirmar que a vida de clausura não algema, nem restringe o coração; antes o alarga”.

Reflexão: A vida dos monges e monjas não está compreendida na sociedade. Para a sociedade cada mosteiro envolve um ar de mistério.
O Papa abre a cortina do segredo da vida dos mosteiros e da vida contemplativa. Mostra que esta vida enclausurada é muito útil para todos. Eles “tem o papel fundamental na Igreja”.-  “Através da oração a miséria dos homens se aproxima ao poder de Deus”. - O Papa Francisco, nesta “cultura de descarte” mostrou o valor e a importância da oração, da intercessão. Os Monges (as) sem cessar intercedem a Deus pelo mundo. Se não rezo por qualquer motivo, sei que alguém esta rezando por mim. Não estou abandonado nesta sociedade materialista.
Existe a gratuidade, a virtude que Jesus nos revelou e a qual nós esquecemos. Alguém gratuitamente intercede por nós. São os Monges e Monjas.

Um abraço e uma boa noite. Com a minha benção e a oração.
Dom Ceslau.

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Dom Ceslau Stanula - Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

DOM CESLAU STANULA – Do Laicato e dos Leigos (6)

19/01/2018
Compêndio da Doutrina Social da Igreja

Se alguém desejar aprofundar e estudar o Documento “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”, aqui apresento hoje, o resumo. Este documento se compõe de três partes, com vários capítulos:

Na primeira parte:
Capitulo I - O Desígnio de amor de Deus para a humanidade;
Capitulo II - A Missão da Igreja e a Doutrina Social;
Capitulo III - A pessoa humana e seus direitos;
Capitulo IV -  Os princípios da Doutrina Social da Igreja.

Na segunda parte fala principalmente sobre a família.
Capitulo V  - A Família, célula vital da sociedade;
Capitulo VI  - Trabalho humano;
Capitulo VII  - A Vida econômica;
Capitulo VIII - Comunidade Política;
Capitulo IX -   Comunidade Internacional;
Capitulo X -    Salvaguardar o ambiente;
Capítulo XI -   Promoção da Paz.

E na terceira parte e a última fala, no Capitulo XII - sobre da Doutrina social e ação eclesial.

Deste índice aqui apresentado podemos perceber que o Compêndio abrange toda a vida social do cristão a luz do Evangelho de Jesus Cristo. A Esta doutrina que sempre se referem os pronunciamentos na Igreja, pregações e documentos. 

Neste ano do Laicato, seria tão bom conhecer melhor e aprofundar este Compêndio para realmente viver, sentir e respirar com a Igreja de Jesus Cristo. Assim com certeza absoluta mudaria a face da terra, desta nossa terra brasileira.

Com o abraço e benção, acompanhados com a minha humilde oração.
Dom Ceslau.

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20/01/2018
Cristão Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade.

Com o Ano do Laicato estão saindo muitos documentos ao alcance dos Leigos para aprofundar a sua missão.
Na nossa última mensagem apresentei de forma esquemática o Documento Doutrina Social da Igreja. Despertou muito interesse para conhecer mais. Vou pensar sobre isto.
Agora apresento o outro, mais novo documento da CNBB sobre os Leigos, aprovado na 54ª Assembleia Geral em Aparecida no ano 2016. O titulo é: Cristãos  Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da terra e Luz do mundo (Mt 5,13-14).

O Documento se divide em três capítulos:

Capitulo I – Cristão Leigo, sujeito na Igreja e no mundo; esperanças e angustias. Estão abordadas várias questões sobre o Rosto do Laicato; avanços e recuos; apontado o campo específico da sua atuação que é o mundo; e sobre as necessárias mudanças da mentalidade e das estruturas no mundo globalizado.

 O Capítulo II, Sujeito eclesial: Discípulos Missionários e cidadãos do mundo. Fala da Igreja como comunhão na diversidade; o importante enfoque sobre a identidade e dignidade da vocação laical; âmbito da atuação especifica dos leigos e leigas, sublinhando o serviço cristão no mundo realizado pelos leigos.

O Capitulo III - A Ação transformadora na Igreja e no mundo. Aponta que a Igreja é comunidade missionária; apresenta uma espiritualidade do leigo,  bem encarnada na realidade em que está vivendo; sobre as organizações dos cristãos leigos no Brasil; suas atuações em “areópagos modernos”; proposta de assumir certos compromissos na pastoral da Igreja.

Este documento muito rico e atual, apresentando a dignidade, missão e compromisso do leigo na transformação da face “desta nossa terra” brasileira.

Desejando uma boa e repousante noite, com a minha benção e oração.
Dom Ceslau.

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22/01/2018
Viagem Apostólica do Papa ao Chile e ao Peru

A semana passada acompanhávamos a Viagem Apostólica do Papa Francisco ao Chile e Peru.
O que significa a Viagem Apostólica? Será que o Papa está fazendo turismo, ou uma visita de cortesia aos bispos e cardeais destes países, para retribuir a sua visita que fizeram o ano passado? Não. Ela tem o seu objetivo e finalidade.
A viagem se chama Apostólica, porque o Papa vai como o Apóstolo de hoje, sucessor de Apóstolo Pedro. O Papa é, em linha reta, o sucessor de São Pedro. Como tal deve visitar toda a Igreja.
Houve na história da Igreja um tempo em que os papas se consideravam prisioneiros do vaticano, e não saíram do Vaticano.

Historicamente  esta questão foi chamada Questão Romana, e se referia à disputa territorial ocorrida entre o governo  italiano e o papa durante os anos de1861 a 1929.
Na disputa, apesar de toda a pressão contrária, os Papas desses 60 anos, desde Pio IX,  até o Pio XI, não entregaram o Vaticano à Itália, mas continuavam a disputa que culminou com a assinatura do “Tratado de Latrão”, durante o governo de Benito Mussolini e o Papa Pio XI.
O Tratado do Latrão reconheceu o Estado do Vaticano como independente, e deu o fim da chamada “Questão religiosa”, ou Questão Romana que durou 60 anos.
As viagens Apostólicas foram iniciadas pelo Papa Beato Paulo VI, com a peregrinação à Terra Santa em 1964, mas, mais desenvolvidas pelo Papa São João Paulo II, que fez mais que 180 viagens internacionais.

São as viagens do Apóstolo de hoje que vai a Igreja (o Povo de Deus).

Chama-se a Viagem Apostólica pela finalidade que tem que é “confirmando irmãos na fé” (Lc.22,32).
“O sucessor de Pedro, disse agora o Papa Francisco, tem a missão de confirmar os irmãos na fé”. Faz isto por meio das mensagens dirigidas a todos e aos grupos que tem uma função especial dentro deste Povo de Deus, como Construtores da Sociedade Civil, Autoridades, Corpo Diplomático, Bispos, Seminaristas etc.

Que Deus nos abençoe e nos dê a paz. Uma boa noite.
Com a minha oração, 
Dom Ceslau.

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23/01/2018
A mensagem do Papa em Lima, ao falar as Autoridades Civis, de um lado parabeniza o povo pelo “rosto de santidade”. Disse que Peru “gerou muitos santos que abriram o caminho da fé para todo o continente americano”.

Mas ao mesmo tempo aponta para grave ameaça, como a “sombra sobre a esperança”, a ecologia. E cita a sua Encíclica “Laudato si” dizendo: Nunca a humanidade teve tanto poder sobre si mesma, e nada garante que a utilizará bem, sobretudo se se considera a maneira como o está a fazer.

E continua dizendo o Papa: “Isto se manifesta claramente no modo como estamos a despojar a terra dos recursos naturais, sem os que nenhuma forma de vida é possível. A perda de florestas e bosques supõe não só desaparecimento de espécies, que puderem inclusive significar no futuro recursos extremamente importantes, mas também a perda das relações vitais que acabam de alterar todo o ecossistema”
Este seria o problema de fé? A ecologia não é o problema de fé. É o problema da humanidade.

Onde existe o ser humano a preocupação do Apostolo é igual como com a fé, porque a pessoa humana é criatura amada por Deus e quando tem a qualidade de vida melhor, com mais entusiasmo louvará a Deus. "Não há verdadeira e autêntica evangelização que não anuncie e denuncie toda falta contra a vida dos nossos irmãos..." (Papa Francisco para os bispos em Peru).

Pensemos nisto e pensemos qual é a nossa relação com a natureza que nos rodeia.
Com a minha benção e oração. Uma repousante noite.

Dom Ceslau.

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24/01/2018
Muitos importantes ensinamentos o Papa Francisco deixou.

Ainda apontou a um assunto, tão importante como perigoso, aqui na América Latina, principalmente no Brasil, a corrupção.

Ele disse: “quanto mal faz aos nossos povos latino-americanos e às democracias deste abençoado continente, este ‘vírus’ social! É o fenômeno que tudo infecta, sendo os pobres e a mãe-terra os mais prejudicados. Tudo o que se pode fazer para lutar contra este flagelo social merece a maior das considerações; e esta luta envolve a todos”.

E continua dizendo: “Unidos para defender a esperança” implica maior cultura da transferência entre entidades públicas, setor privado e sociedade civil e não excluo as organizações eclesiais. (...) A corrupção é evitável e exige o compromisso de todos”.(Papa às Autoridades em Lima)

Tocou aqui o ponto nevrálgico dos nossos dias. Ele chama a corrução de vírus, mas, será que já não se transformou em câncer que ameaça toda a sociedade?

A viagem do Papa é Apostólica, para confirmar na fé, mas também aponta os perigos que corre a fé em muitos. A desconfiança hoje reinante é realmente o problema que temos que enfrentar e procurar vacina contra este “vírus social”.

Que Deus nos abençoe. Uma serena noite de paz. Com a minha oração.

Dom Ceslau.

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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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sábado, 20 de janeiro de 2018

DOM CESLAU STANULA - Do laicato e dos leigos (5)

15/01/2018

Continuando as nossas reflexões sobre o Ano do Laicato, devemos passar da teoria para os casos concretos, como o leigo deve agir para cumprir a sua missão sacerdotal no meio das realidades temporais.

O ponto de partida é o nosso batismo, que é, como vimos, o comum denominador de todos os cristãos. O Batismo não é só uma cerimônia, uma simples celebração, mas é o compromisso assumido com Cristo Jesus na sua Igreja. “Viver como Jesus viveu, sonhar como Jesus sonhou, agir como Jesus agiu”. O Batismo é que nos qualifica de ser sacerdócio régio de Cristo. Este, não exige nada além de que sincronizar os nossos pensamentos e ações com os de Cristo Jesus e motivar estes, com a sua inspiração dentro da sua lei. (Por isso a pergunta constante que devemos nos colocar é: como Jesus agiria, se estivesse no meu lugar neste concreto momento?).

O professor que ensina é verdadeiro sacerdote para com o seu aluno tirando-o da ignorância e transportando para o mudo do saber (que no fim das contas é Deus).

O médico é verdadeiro sacerdote que cuida e defende a vida. Deus criou mais lindo e completo mecanismo que existe no planeta, que é a pessoa, mas “não nos deu manual de instrução”. São os médicos, a medicina, os pesquisadores da saúde, que agora escrevem este manual, prolongando a qualidade da nossa vida. Que lindo e nobre é este  sacerdócio comum dos médicos,  fiéis leigos.... (Continua)

Com a benção e minha oração.
Dom Ceslau
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16/01/2018

O advogado que defende a verdade e luta pela verdade sem se deixar corromper com o lucro fácil da corrupção, é o sacerdote leigo que sofre, faz sacrifício, mas continua mantendo a sua dignidade e dos outros. 

O Político, que no mundo corrupto de hoje se mantem incólume, é o sacerdote que sofre pressão, e toda classe de tentações para se desviar do caminho, mas resiste ouvindo a voz de Deus, eis a sua grandeza.

O artista, poeta, ator ou escritor, que na sua maneira própria apresenta a realidade concreta e anuncia ou denuncia o que destoa da beleza do plano de Deus para com a sociedade é o sacerdote importantíssimo na sociedade. Só é precisa ser ouvido e entendido.
O Papa São João Paulo II foi mais temido pelos comunistas não por causa dos seus sermões contrários ao comunismo, mas pelo contato cotidiano com a juventude com a qual se reunia fazendo teatros, noites literárias e poéticas etc. (Famoso teatro rapsódia em Cracóvia por ele criado).

O varredor de rua, que com carinho recolhe a sujeira que nós deixamos, limpa o ambiente para nós, é o sacerdote do asseio, do mundo limpo, com Deus o criou para nós.

O agricultor que lavra a terra e com consciência procura ao máximo evitar a contaminação da sua produção rural com os toxico, que aparentemente aumentariam a produção, mas arruinariam a vida dos irmãos, é o sacerdote consciente da Casa Comum que é o mundo.  E assim por diante.

Cada um que se localize na sua área do ambiente em que vive e trabalha e descubra sua função sacerdotal para o sérvio comum de todos.  Para isto nos capacita o nosso batismo, e nos inclua ao grande Organismo místico que é a Igreja de Jesus, e nos torna seus sacerdotes. (Continua)

Com a benção de Deus e a minha oração.
Dom Ceslau.

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17/01/2010

Ainda, continuando os casos práticos sobre o sacerdócio comum dos leigos, temos o trecho da Sagrada Bíblia muito claro, lindo e atual para os nossos tempos. O trecho é do Livro do Deuteronômio do Antigo Testamento, referente aos juízes e julgamentos. O Moisés recebe a orientação de Deus para conduzir bem o seu povo: “Ordenei aos vossos juízes: ouvireis vossos irmãos para fazerdes justiça entre um homem e seu irmão ou o estrangeiro que mora com ele. Não façais acepção de pessoas no julgamento: ouvireis igual modo o pequeno e o grande. A ninguém temais, porque a justiça é de Deus”. (Deut. 1, 16-17).

Hoje, pela complexidade das questões, infinidade das leis, as vezes até contrarias às leis naturais, leis de Deus, a tarefa do juiz se torna muito difícil. Caminha entre duas pressões: de um lado a pressão das potências econômicas, midiáticas e políticas e, de outro lado a consciência bem formada na lei natural e divina, e o seu juramento de honestidade. Precisa muita força e fé em Deus para seguir incólume entre todas as pressões, tentações e conveniências. Feliz quando não se deixa corromper, abalar e vencer, e segue a sua consciência, para o bem da sociedade, consciente que a justiça é de Deus e que age em determinado momento, em seu nome (em nome de Deus). É também o ministério do sacerdócio comum a serviço do bem comum.

Uma benção especial de Deus e a minha humilde oração. Uma repousante noite.
Dom Ceslau.

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18/01/2018

O Ano do laicato reanima os fieis leigos

Os leigos estão na linha mais avançada na vida da Igreja. Eles têm como vocação própria,  procurar construir o Reino de Deus, exercendo funções do mundo, trabalhando entre as realidades temporais, reatando as relações interpessoais, agindo na arena política etc. Para isto os chama, os habilita o batismo que receberam. Todos, mas principalmente os leigos devem ser “sal da terra e luz do mundo (Mt,5 13.14).  Levar a luz de Cristo onde o ministro ordenado não pode chegar. No mundo vivem o seu sacerdócio comum.

Para melhor desempenhar o sacerdócio comum os fiéis, contam com a ajuda o sacerdócio ministerial com quem estão ligados intimamente.  O sacerdócio ministerial, tem a missão, além daquela que vem do batismo, ainda por uma consagração especial que recebem pela ordenação sacerdotal, explicar aos fiéis a vontade de Deus no dia a dia, evangelizar, celebrar Eucaristia, e confortar-nos com os sacramentos. Assim juntos prestar o louvor eterno de Deus.

Neste sentido a Igreja por meio do Pontifício Conselho “Justiça e Paz” elaborou o Compendio da Doutrina Social da Igreja, (no Brasil a edição Paulinas, 2005) que é o guia para o cristão seguir, semeando o bem e testemunhando a Cristo, no meio das realidades temporais neste mundo.

Um grande abraço com a minha benção e oração para que eu possa ser bem entendido e você enriquecido com estas reflexões.
Dom Ceslau.

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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

DOM CESLAU STANULA - Do laicato e dos leigos 4

08/01/2018
Jesus é o sumo sacerdote.  

O Novo Testamento não fala do sacerdócio. Só a Carta aos Hebreus trata do sacerdócio de Jesus. A Carta dá a Jesus expressamente o título do Sumo Sacerdote. 

Cristo alcançou de uma vez por todas e para sempre, de maneira perfeita o objetivo fundamental de toda mediação sacerdotal, isto é, estabeleceu a comunhão entre Deus e a humanidade, de maneira, que de hoje em diante se tornaram desnecessárias outros sacrifícios oferecidos, como em Antigo Testamento, pelos sacerdotes.  E tudo por sua condição de ser Filho de Deus encarnado.  

Em Cristo existem, como em nenhum mediador as duas condições requeridas para a mediação:  a confiança em Deus e a solidariedade com os homens.

Depois destes esclarecimentos sobre o sacerdócio, passaremos agora meditar o que é o sacerdócio comum dos fiéis. (Para aprofundar mais veja: Dicionário Teológico o Deus Cristão- Verbete Sacerdócio).

Com o minha benção e oração por você e sua família. 
Dom Ceslau.
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09/01/2018
Estamos ano do Laicato

Nestes dias meditamos sobre o sacerdócio em geral. A essência do sacerdócio e a mediação entre Deus e a humanidade. 

São Pedro na 1ª Carta lembra aos seu fiéis o título da sua nobreza: “Vos sois uma raça eleita, sacerdócio, real, uma nação Santa” (2,9). Para entender esta declaração de Pedro lembro que em Jesus nós formamos um só Corpo, um organismo sobrenatural que é a Igreja.  Na Igreja existe o sacerdócio real em diversas formas: em Cristo, no padre e no leigo.

Em Cristo se realiza a plenitude do sacerdócio, isto é, nele se estabeleceu a comunhão com Deus e a humanidade.

No padre, se realiza esta mediação sacerdotal de maneira própria pelo especial sacramento do Sacerdócio que recebe, mas também, como uma participação do sacerdócio de Cristo.

E leigos participam do sacerdócio de Cristo pelo sacramento do batismo que receberam, mas de diversa forma dos ordenados diáconos e padres e bispos.

Aqui, por motivo do ano do Laicato tratarei só desta última forma do sacerdócio, sacerdócio dos leigos.

Sacerdócio real dos leigos não significa que é real, isto é, igual como o dos ordenados (diáconos, padres e bispos). Tem alguns (protestantes e até alguns católicos), que acham que o sacerdócio do leigo é o mesmo que é do padre, que leigos também celebram Eucaristia.... Não. O leigo não celebra Eucaristia nem sacramentos, mas nela participa. (continuaremos).

Com a minha benção e humilde oração na sua intenção e dos seus familiares, desejo Boa e repousante noite. 
Dom Ceslau.
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10/01/2018

Na Igreja todos participamos do sacerdócio de Cristo, mas de diferentes formas. São Padro na sua 1ª Carta disse, “...vós sois ...um sacerdócio real”.

A tradução para o português este adjetivo “real” cria certo desentendimento, porque tem vários significados. Pode significar real, no sentido de existir, de verdadeiro. Mas pode também significar relativo ao rei, digno do rei, régio

Esta palavra em grego: basíleion, foi traduzinha por São Jerônimo para o latim precisamente neste segundo sentido: “regale”, não “reale”. Então no sentido de régio, digno do rei.  São Pedro evocando o que já havia sido dito do povo eleito no Ex.19,5-6 
“... sereis para mim uma porção escolhida dentre todos os povos....reino sacerdotal e nação santa”, queria lembrar que o povo, redimido por Jesus, com mais razão ainda tem esta dignidade e que agora participam da missão de Jesus,  e  desempenham o papel de sacerdotes entre todos os outros povos por meio de testemunho, e exemplo de vida configurada a Cristo. Evangelizar outros com a sua vida.

São Paulo disse: “O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” (Col 1, 24).

Esta é a missão que nos vem do sacerdócio comum, Por isso podemos também dizer com ele “Eu completo na minha vida, nos meus trabalhos, o que falta a paixão de Cristo no seu corpo que é Igreja”. Assim cumprimos a missão de sacerdócio comum, baseado no batismo. (continuaremos).
Com a minha benção e oração, desejando uma noite serena e repousante.
Dom Ceslau.
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11/01/2018

O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial, ou hierárquico, ordenam se um ao outro, embora se diferenciem, na essência e não apenas em grau. Pois ambos participam,  cada qual ao seu modo, do único sacerdócio de Cristo (LG. 10).

Os leigos com as suas atitudes no mundo transformam a face da Terra.

O Papa São João Paulo II, na sua primeira viagem a Polônia, na Praça principal -  Vitória - em Varsóvia, em pleno regime comunista, em forma de oração proclamou o povo polonês para transformar a terra comunista. “E eu choro – eu que sou um filho da terra da Polônia, e que sou também o Papa João Paulo II ,– Senhor, (...) na vigília de Pentecostes: deixe o seu Espírito descer"!
Deixe o seu Espírito descer! e renovai a face da terra. A face desta terra!”.

O povo entendeu a oração e o convite para a ação. A oração e confiança no povo católico realizaram milagre. O comunismo que estava escravizando o povo caiu.

Foram os leigos que se organizaram em grupos, principalmente em Solidariedade, conscientes da sua missão de cristão, exercendo a sua missão de sacerdócio comum, pressionando, conseguiram tirar as cadeias comunistas. O povo ficou libertado. É o exemplo concreto da força do sacerdócio comum dos fiéis! Unidos na fé, na oração, animados pelos sacerdotes e bispos, venceram as barreiras de 70 anos do comunismo!

Com a minha benção e oração. Um boa noite.
Dom Ceslau.
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 12/01/2018

Muitos poloneses consideram que o marco inicial da derrocada comunista foi o discurso de João Paulo II em 2 de junho de 1979, quando falou a meio milhão de compatriotas em Varsóvia e destacou o trabalho e organização de Solidarność (Solidariedade), primeiro movimento cristão, sindical, não comunista em um país comunista.

Aqui podemos ver claramente como o sacerdócio ministerial e sacerdócio comum ordenam-se um para o outro.

O povo toma consciência que são cristões e responsável pelos destinos da pátria.

Os Ministros ordenados, incentivam, animam mostrando que esta é a vontade de Deus para que o povo fique livre.

De dois lados, nesta situação concreta, houve sacríficos. Muitos leigos sofreram. Mas vários padres também perderam a vida, como por exemplo o Pe. Jerzy Popieluszko, que foi barbaramente sequestrado pelos comunistas, brutalmente torturado e jogado ao rio. Este padre nas homilias animava o povo, foi o mentor espiritual da luta contra a opressão comunista.

Tanto os leigos como a hierarquia cumpriam a sua missão sacerdotal, cada um a seu modo participaram do sacerdócio de Cristo.

Em vez de muitas palavras, este exemplo nos mostra como viver o sacerdócio comum pelos fiéis na renovação da face deste mundo.

Com o abraço e a benção.  Conte com a minha oração. Boa noite.

Dom Ceslau.
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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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