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terça-feira, 6 de julho de 2021

QUEM SUBSISTIRÁ AO DIA DA IRA? - Padre David Francisquini


Quem Subsistirá Ao Dia da Ira?

 Padre David Francisquini*


Tratei recentemente da escalada de corrupção moral envolvendo crianças, tendo prometido voltar ao assunto, tamanha a sua gravidade. Infelizmente, se na estrutura familiar ainda perduram alguns valores morais, estes não remontam aos princípios, mas a meros atavismos, muito mais fáceis de serem tragados pela maré montante da Revolução gnóstica e igualitária.

Tornou-se rotina, por exemplo, pessoas provenientes de casamentos desfeitos realizarem uma ou mais uniões, agravando ainda mais a precariedade da estrutura que muitos ainda teimam em chamar de “familiar”, na medida em que trazem filhos de uma união para conviver com outros que não são seus genitores ou irmãos.

Como não perceber que esse arranjo dito familiar resulta da falta de princípios e de convicções religiosas que constituíam até um tempo não muito remoto a salvaguarda do casamento, mas igualmente da instituição da família? 

A união entre um homem e uma mulher que desejassem constituir família se dava num Cartório de Registro Civil (não havia ainda a lei do divórcio), mas era, sobretudo, sacramentado no Altar, onde os nubentes juravam diante de Deus fidelidade mútua — até que a morte os separasse — e a educação da prole. 

O casamento indissolúvel, consubstanciado num Sacramento da Santa Igreja, redunda no bem dos cônjuges, dos filhos e da sociedade. Foi ensinado nos santos evangelhos com validade para todos os tempos e lugares, não devendo o homem separar aquilo que Deus uniu.  Este é um arcabouço sólido para se edificar a união entre o homem e a mulher.

No entanto, na medida em que a Revolução anticristã prossegue seu processo multissecular para implantar todo um estado de coisas avesso à ordem — que é a paz de Cristo no Reino de Cristo —, ela vai derrubando os obstáculos com os quais se depara, sendo o principal deles a família, um dos pilares da civilização cristã.

Aqui no Brasil, a ministra Damares Alves vem denunciando reiteradas vezes o tráfico de crianças para os piores fins, inclusive para serem abusadas sexualmente, com todas as sequelas que tais aberrações acarretam.

Se Deus julga e sentencia quem escandaliza e desvia uma criança que para ele seria melhor uma mó ao pescoço e ser lançado nas profundezas do mar, qual é a ameaça que pesa sobre os articuladores que se utilizam das crianças como instrumentos de seus planos para eliminar a ideia de Deus da face da Terra?

Outro reflexo dos dias tenebrosos em que vivemos é o Projeto de Lei, 3.369/2015, do comunista Orlando Silva (PCdoB), conhecido como Estatuto das Famílias do Século XXI, que na opinião de publicações e pessoas autorizadas visa à legalização do incesto e da união entre duas ou mais pessoas.

Como sacerdote de Nosso Senhor Jesus Cristo, eu tenho o dever de ensinar os fiéis a cuidar de suas almas e a se santificar pela frequência habitual dos sacramentos. O ensinamento de hoje é apontar nas Escrituras Sagradas algumas passagens sobre a ira de Deus e os castigos infligidos por Ele àqueles que violam a sua santa Lei.

Deus fala em deixar a cidade em ruínas, desolada e arrasados os seus santuários, sem ofertas nem sacrifícios, a ponto de deixar as pessoas perplexas quando os inimigos ocuparem seus países e habitações, como aconteceu nas nações dominadas pelos regimes ditatoriais e ateus.

O Senhor fala em propagar entre as nações a espada, a desolação e a ruína de suas cidades. Recairá sobre elas o castigo de repente, como a águia se atira sobre a presa, porque rejeitaram obedecer aos decretos de sua santa Lei:

“Porque é chegado o grande dia de sua ira, e quem subsistirá?” (Ap. 6, 17).

“Da sua boca saía uma espada afiada para com ela ferir as nações; ele as regerá com uma vara de ferro, e ele é o que pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-poderoso” (Ap. 19, 15).

“Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que vos ameaça? Fazei, portanto, frutos dignos de penitência […] porque o machado já está posto à raiz das árvores. Toda árvore que não dá bom fruto, será cortada e lançada ao fogo” (Lc 3. 7 e ss.).

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* Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

https://www.abim.inf.br/quem-subsistira-ao-dia-da-ira/

 

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

ABORTO NÃO É UMA QUESTÃO RELIGIOSA?



Luiz Sérgio Solimeo

 

Os católicos argentinos deram um exemplo para o mundo ao lutar valentemente contra a legalização do aborto [fotos acima e abaixo]. Entretanto, eles não tiveram o apoio do papa argentino, uma vez que a agenda dele não inclui tais preocupações. Com efeito, o silêncio do Papa Bergoglio a propósito da legalização do aborto no seu país foi chocante.


Por exemplo, o Prof. José Arturo Quarracino destaca que em sua última mensagem de Natal, o Papa Francisco falou sobre os problemas de vários países, mas não disse palavra sobre a Argentina, sua terra natal. Ele ressaltou que esta indiferença confirma o que se comenta entre os bispos e padres amigos de Bergoglio, ou seja, que o aborto não é assunto tão importante como o meio ambiente ou os migrantes.1

Esse silêncio é ainda mais inexplicável considerando que o Papa tem boas relações com o presidente da Argentina, Alberto Fernández. Este, pouco depois de ser eleito, foi calorosamente recebido por Francisco [foto ao lado].


Por sua vez o Prof. Rubén Peretó Rivas escreveu: “O presidente argentino, Alberto Fernández, foi quem promoveu a lei e se comprometeu a pressionar pessoal e insistentemente vários legisladores para que mudassem de voto e permitissem sua aprovação [do aborto]. É o mesmo presidente que foi saudado com complacência e largos sorrisos pelo Sumo Pontífice em 31 de janeiro de 2020, o mesmo que naquele dia assistiu à missa celebrada pelo Arcebispo Marcelo Sánchez Sorondo para ele e seus acompanhantes na cripta da Basílica do Vaticano — onde se encontra o túmulo de São Pedro — onde comungou com a sua concubina, a ex-showgirl Fabiola Yañez”.2 Afinal, estamos no tempo de Amoris Laetitia

O Papa Francisco, em cartas privadas às pessoas que o consultaram sobre o seu pronunciamento de o aborto não ser principalmente uma questão religiosa religiosa, repetiu a sua declaração.3 Essa postura sugere que não se deve empreender uma luta religiosa para bloquear a legalização desse pecado grave. Numa dessas cartas — embora privada, foi publicada pela Conferência Episcopal Argentina — o Papa afirmou: “A [uma carta] me perguntando sobre o problema do aborto, eu respondi […] [que] o assunto do aborto não é principalmente uma questão religiosa, mas humana, uma questão de ética humana anterior a qualquer confissão religiosa”.4

E prosseguiu sugerindo que argumentos não religiosos sejam usados na luta contra o aborto: “Sugiro que você se faça duas perguntas: — É justo eliminar uma vida humana para resolver um problema? — É justo contratar um assassino para resolver um problema?”5      Uma coisa é utilizar tanto argumentos religiosos quanto os de bom senso. Outra é dizer que o aborto não é principalmente uma questão religiosa.

Em questões morais, como o aborto, o argumento mais decisivo é o religioso, pois coloca a pessoa diante de seu destino eterno, seu fim último. Isso é especialmente verdadeiro em um país católico como a Argentina. Afirmar que o aborto não é fundamentalmente uma questão religiosa é negar que ele, acima de tudo, é uma grave ofensa a Deus. É a morte deliberada de um ser humano inocente. É um dos quatro pecados que clamam ao Céu por vingança.6

Além disso, o aborto vai contra a infinita sabedoria de Deus ao vincular a relação sexual natural à procriação da humanidade. Também vai contra Sua adorável vontade, que determina que o ato sexual deve ser realizado apenas no casamento e sem interferências que o tornem infrutífero. O aborto é, portanto, uma revolta contra Deus, “aversio a Deo, conversio ad creaturam” — afastar-se de Deus, voltar-se para algum bem criado — como Santo Agostinho definiu o pecado.7


A mulher que procura um aborto voluntariamente, e a equipe médica que o pratica, pecam por ação. Quem deveria se opor à legalização do aborto e não o faz, peca por omissão. Santo Tomás de Aquino afirma que ser negligente em “um ato ou circunstância necessária à salvação é um pecado mortal”.8 O aborto é um pecado mortal extremamente grave. Além de uma ofensa grave contra Deus, tem consequências na vida moral e social de um povo.

Assim, aqueles cuja missão é guiar, sobretudo espiritualmente, e não se opõem de modo ativo ao aborto, mas se limitam a declarações ambíguas ou oposição branda, desproporcional à situação, cometem um pecado grave. Sua omissão contribui para que o pecado do aborto provocado se generalize. Ajuda a fazer com que o crime pareça “normal”, levando muitos a pecar.

O Papa São Félix III já advertia no século V, que “um erro ao qual não se opõe, é considerado aprovado; uma verdade defendida de modo minimalista, é abolida […]. Quem não se opõe a um crime evidente, está sujeito à suspeita de secreta cumplicidade”.9

As autoridades religiosas que não combateram a legalização do aborto neste país católico como era seu dever, devem prestar contas a Deus por sua responsabilidade neste pecado nacional. “Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão clama da terra por mim” (Gênesis 4,10).

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Notas:

  1. Marco Tossati, “Quarracino. Aborto en Argentina: la Indiferencia del Papa Bergoglio,” Stilum Curiae, Dec. 26, 2020, https://www.marcotosatti.com/2020/12/26/quarracino-aborto-en-argentina-la-indiferencia-del-papa-bergoglio/.
  2. See Aldo Maria Valli, “L’aborto in Argentina e gli amici di papa Francesco,” AldoMariaValli.it, Dec. 30, 2020, https://www.aldomariavalli.it/2020/12/30/laborto-in-argentina-e-gli-amici-di-papa-francesco/. “Presidente argentino concubino y abortista recibe la Comunión en el Vaticano (Vídeo)”, https://gloria.tv/post/hwVfRJqDfVYR343VMcFmfztU8, acessado em 13 de Jan.de 2021.
  3. Elisabetta Piqué, “Fuerte condena del papa Francisco al aborto: ‘¿es justo cancelar una vida humana para resolver un problema?’” La Nación, Jan. 10, 2021, https://www.lanacion.com.ar/politica/fuerte-condena-del-papa-al-aborto-es-nid2566081.
  4. Conferencia Episcopal Argentina, “Carta del Papa Francisco a sus alumnos y compañeros de colegio,” Episcopado.org, Dec. 5, 2020, https://episcopado.org/contenidos.php?id=2707&tipo=unica.
  5. Ibid.
  6. “8. P: Quais são os pecados que bradam ao Céu e pedem a Deus por vingança? – R: Os pecados que bradam ao Céu e clamam a Deus por vingança são quatro: 1º. Homicídio voluntário; 2º. Pecado impuro contra a natureza; 3º. Opressão dos pobres, principalmente órfãos e viúvas; 4º. Não pagar o salário a quem trabalha. P: Por que se diz que estes pecados pedem vingança a Deus? Porque o diz o Espírito Santo, e porque a sua malícia é tão grave e manifesta, que provoca o mesmo Deus a puni-los com os mais severos castigos” (Catecismo Maior de São Pio X, Diocese de Campos, RJ).
  7. Battista Mondin, Dizionario Enciclopedico del Pensiero di San Tommaso d’Aquino (Bologna: Edizione Studio Domenicano, 1991), 445.
  8. Summa Theologiae, II–II, q. 54, a.3, c.
  9. Citado por Leão XIII na Encíclica Inimica vis (Sobre a Maçonaria), 8 Dez.1892, no. 7. http://www.vatican.va/content/leo-xiii/en/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_08121892_inimica-vis.html

 

https://www.abim.inf.br/aborto-nao-e-uma-questao-religiosa/

 

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sábado, 9 de janeiro de 2021

QUANTOS BEETHOVENS FORAM ABORTADOS?

9 de janeiro de 2021



Quantos homens que teriam futuro brilhante foram abortados? Mas ainda que não viessem a ser brilhantes, milhões de inocentes são executados todos os anos.

 

Paulo Roberto Campos

No dia 17 de dezembro, em todos os países foram celebrados os 250 anos de nascimento daquele que é considerado um grande gênio musical e um dos maiores compositores clássicos dos séculos XVIII e XIX: Ludwig van Beethoven.

De extraordinário talento, com apenas 10 anos de idade, Beethoven dominava brilhantemente todo o repertório de Johann Sebastian Bach, e com 12 anos compôs as suas primeiras peças, hoje ouvidas e admiradas no mundo inteiro.

A propósito da celebração, para este site convém lembrá-la sob um ponto de vista diferente para se execrar a prática do aborto.

Um muito interessante diálogo imaginário entre dois médicos foi publicado pelo jornal portuense “A Ordem”.

Eis o diálogo:

— Suponhamos que você seja o médico de uma família em que o pai é sifilítico, o primeiro filho é cego, o segundo nasceu aleijado, o terceiro tuberculoso, o quarto oligofrênico, e a mãe, que espera o quinto filho vem-lhe pedir que faça um aborto. O que você faria?

         O outro médico responde prontamente:

— Neste caso não teria dúvidas em atendê-la. Seria mais do que justo.

         O primeiro médico, jocoso, arremata em tom fulminante:

— Parabéns! Você acaba de assassinar Ludwig van Beethoven…


A atitude irracional, precipitada e pecaminosa do médico abortista teria assim não só privado um ente do mais elementar dos direitos — o direito à vida — mas impedido a humanidade de enriquecer-se com um inegável talento musical…

 


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segunda-feira, 26 de outubro de 2020

MAU USO DE DISPOSITIVOS MÓVEIS GERA CRIANÇAS ZUMBIS - Luis Dufaur

25 de outubro de 2020

Luis Dufaur

Um oftalmologista argentino recebeu um casal de pacientes que compareceu com sua filhinha para consultas.  Assim que chegaram a menina de três anos deitou-se no sofá e começou a brincar com o smartphone numa distância de apenas 10 centímetros dos olhos durante quase uma hora.

O oftalmologista percebeu que o caso não era apenas de óculos, mas que a criança estava se transformando num zumbi digital com vários de problemas de saúde e comportamento, segundo descreveu em seu site Cuida tu vista. (https://cuidatuvista.com/ninos-moviles-tablets-problemas-usar-mal/).

Para os pais o smartphone parecia uma solução porque a criança não dava trabalho e eles podiam se dedicar a outras coisas. O oftalmologista comentou para si: eles não percebem o imenso dano que estão provocando.

Na consulta, explicou cuidadosamente aos pais da importância de fazer a menina a passar o menor tempo possível com os dispositivos digitais. É o que recomendam os profissionais sanitários de referência no caso das crianças, como pediatras, optometristas etc.


Os pais devem se informar dos graves problemas que provocam nas crianças o mau uso das novas tecnologias, que podem produzir zumbis digitais. A expressão é dura, mas é da Associação Americana de Pediatria e outras academias correspondentes como a canadense e a japonesa. Veja mais em Digital Zombie: https://en.wikipedia.org/wiki/Digital_Zombie

Os períodos de uso de dispositivos móveis segundo as idades de acordo com a Associação Americana de Pediatria são:

Bebês e crianças de 0 a 2 anos: “0” minutos por dia. Seu cérebro não está preparado para esse tipo de estímulos que podem lhes causar muitos problemas no futuro.

Entre 3 a 5 anos: 1 hora/dia, no máximo.

Entre 6 a 18 anos: 2 horas-dia, no máximo.


Os 8 principais problemas que causa o mau uso de celulares e tablets nas crianças

1. Desenvolvimento cerebral inadequado e transtornos mentais

Inclui alterações no crescimento do cérebro, problemas de aprendizagem, falta ou déficit de atenção, impulsividade e acessos de raiva frequentes. Também o aparecimento de doenças mentais como depressão, ansiedade infantil, psicose e outros transtornos.

2. Atraso no desenvolvimento infantil

Inclui dificuldades para adquirir boas habilidades físicas, que influenciarão muito o desempenho escolar, esportes etc. Surgem muitos problemas para ler porque têm dificuldade para mover os olhos corretamente.

3. Aumento no número de crianças míopes

4. Obesidade infantil

A obesidade e o sedentarismo são agravados pelos pais que permitem uma alimentação com muitos doces e bolos industriais.

5. Distúrbios do sono

6. Agressão

As crianças imitam tudo, mesmo os jogos violentos aos quais ficam expostas.

7. Comportamentos viciantes, como se isolarem da família e dos amigos.

8. Superexposição à luz azul gerada pelas telas de LED.


A Organização Mundial de Saúde classifica os celulares como um risco à saúde devido à emissão de radiação. A superexposição à luz azul emitida por essas telas pode ter um efeito tóxico na retina. AOMS publicou em 2019 novas diretrizes para crianças menores de 5 anos, elaboradas por um comitê de especialistas. Cfr. “El Universo”.

(https://www.eluniverso.com/noticias/2020/03/27/nota/7797483/enfermedades-ninos-exceso-uso-celulares).

Entre essas diretrizes, recomenda que “os períodos prolongados em que as crianças pequenas permanecem sujeitas ou em atividades sedentárias em frente a uma tela devem ser substituídos por jogos mais ativos”.


Além desses danos, os especialistas registraram transtornos do sono; hiperestimulação sensorial que afeta o sistema neurológico; cãibras nos braços e nas mãos derivadas de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Lesões por Movimentos Repetitivos (LMR).

“As mãos são as mais afetadas, seguidas dos punhos, cotovelos e ombros. As lesões, principalmente, são geradas nos tendões, o que causa inflamação dos mesmos e influencia a sensibilidade”, disse Carlos Lupotti, médico ortopedista especialista em cirurgia da mão e reconstrutiva do membro superior e integrante da Clínica de Diagnóstico e Tratamento da Patologia do Ombro, Cotovelo e Mão de Buenos Aires (CLIMBA).

Outro efeito danoso é isolar as crianças de seu entorno social dificultando o relacionamento com outras crianças ou a adaptação a ambientes diferentes. Acrescenta que a exposição às telas LED em uma idade precoce pode causar problemas como miopia ou astigmatismo. Ademais, o uso prolongado de celulares podem causar tumores cerebrais.

A American Cancer Society (ACS) manifesta em seu site a preocupação de que “os telefones celulares podem aumentar o risco de desenvolver tumores no cérebro ou na região da cabeça e pescoço”.


Em sentido positivo saudável incentive seus filhos a atividades ao ar livre. Evite televisão, celular ou tablet nas refeições.

A psicóloga Silvia Álava no livro “Queremos que eles cresçam felizes” recomenda não permitir dispositivos eletrônicos (celulares, tablets, computador ou vídeo game) no quarto. As crianças devem sempre utilizá-los em espaços comuns, para que os pais possam ter um mínimo de controle, evitar horários inadequados e impedir que os pequenos utilizem tais aparelhos mais tempo do que o necessário.

O problema está muito mais nos pais do que nos filhos. Aprenda a dizer não para eles e verão como tudo funcionará melhor. Não importa se os pais têm estudos ou não, basta aplicar essas orientações.

Se ainda não vê claramente o problema, peça ajuda de um psicólogo — conclui site Cuida tu vista. https://cuidatuvista.com/ninos-moviles-tablets-problemas-usar-mal/.

 

https://www.abim.inf.br/mau-uso-de-dispositivos-moveis-gera-criancas-zumbis/

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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O MAL NÃO PREVALECERÁ - Padre David Francisquini

23 de outubro de 2020

Pe. David Francisquini*


Enquanto o Supremo Tribunal Federal revoga a prisão de uma enfermeira acusada de realizar centenas de abortos clandestinos, condena o Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz [foto] que impediu, via judicial, um só aborto.

A enfermeira encontra-se livre por força de liminar concedida pelo relator do caso no STF, Marco Aurélio Melo, por ter um filho portador de transtorno de espectro autista, dependente de seus cuidados. Para o ministro, a prisão que já durava nove meses excedeu o prazo razoável, pois foi presa em flagrante no ano passado, num hotel, em Belo Horizonte, quando se preparava para praticar ali mais um aborto clandestino.

Em sua sentença, o ministro Barroso afirmou que a criminalização do aborto viola os direitos fundamentais das mulheres pobres, já que elas não podem ter acesso às clínicas de luxo… Por sua vez, a ministra Rosa Weber alegou que sendo a sociedade machista, não valoriza e nem reconhece os direitos reprodutivos da mulher… Alexandre de Moraes sentenciou que a soltura da enfermeira para cuidar de um filho menor ressalta que o distanciamento dos fatos a impedirá de atitudes criminosas. (Jornal online: Conexão política, Publicado por Marcos Rocha. Acesso em 17-10-20).

Já o referido caso do Padre Lodi, por ter impedido a realização de um aborto, foi condenado a pagar uma indenização de quase R$ 400 mil por ‘danos morais’ causados aos pais que desejariam abortar o filho. Antes, no Supremo Tribunal de Justiça, a ministra Nancy Andrighi, que se declara católica, na sua sentença afirma que o sacerdote teria abusado de seus direitos ao pedir liminar para que a realização do aborto não fosse levada a cabo.

Enquanto nos é negada a liberdade de ir e vir a propósito da epidemia, de trabalhar, de frequentar a igreja, de impedir que cada qual procure resolver o seu problema de saúde, a magistrada — para condenar o padre — discorre sobre a liberdade que a pessoa tem para proceder um aborto a fim de evitar traumas.


Tal ‘liberdade’, aliás muito particular de se fazer aborto, vem sendo imposta pela agenda esquerdista de todos os naipes ao fornecer os instrumentos legais para o judiciário, sob pretextos diversos, como no caso em pauta, de evitar traumas para a mãe. Contudo, um ponto importante é omitido nessa trama, pois o aborto pode ocasionar traumas ainda maiores como desequilíbrios psíquicos, loucuras, depressões, podendo chegar até mesmo ao suicídio pelo problema de consciência causado, pois está inscrito no coração da mãe a proibição de matar o próprio filho.

O carinho e o afeto maternos são proibidos de ter a sua livre expansão no coração de uma jovem mãe que pede proteção, evitando usar de crueldade. Abusar dessa liberdade é um ato cruel. A Ministra sentenciou que o padre “buscou ao menos por via estatal a imposição de seus conceitos e valores a terceiros, retirando deles a mesma liberdade de ação que vigorosamente defende para si”.

Afirmou ainda que o sacerdote violou a liberdade do casal para fazer prevalecer a sua “posição particular”, tendo pois agredido a honra da família ao denominar a atitude tomada por eles de “assassinato”, além de ter agido de forma temerária ao impor a eles “sentimento inócuo”. A criança a ser abortada, segundo os médicos, não teria condições de sobreviver após o nascimento. O que de fato sucedeu.

Salta aos olhos que a nossa legislação não está sendo feita para favorecer a vida, mas para implantar a cultura da morte. A propósito, levanto algumas questões. Qual a relação entre a interrupção do curso normal de uma criança que virá à luz do mundo com o poder das trevas e o obscurantismo? Já estaríamos na época das trevas? Haveria ainda uma relação entre aborto e drogas, homicídios, amor livre, libertinagem, eutanásia, liberdade dos traficantes?

Esta sentença que caiu sobre o Padre Luiz Lodi é um fato inédito no Brasil, por isso não deixa de ser para os defensores do aborto uma ocasião a ser comemorada. Do ponto de vista judicial, tal medida tem um papel preponderante de inibir a voz da Igreja em questões morais e religiosas, pois ninguém se atreverá a impedir o avanço da agenda pró-aborto, mesmo via judicial, como fez esse zeloso sacerdote.

Pelo que eu saiba, nunca ocorrera na América Latina repercussão tão grave no edifício multissecular do Mandamento da Lei de Deus, ancorado na lei natural, que proíbe matar, principalmente em se tratando de um inocente e indefeso no ventre materno.

Talvez nem todo leitor saiba da existência de entidades que ajudam mulheres entrarem na justiça para receber danos morais reais ou pretensos. Uma delas é o “Fundo Vivas”, que presta auxílio financeiro, por meio de doações a essas mulheres e que tem também como objetivo arrecadar dinheiro para auxiliá-las em situações similares.


Seus dirigentes partem do princípio de que não se pode defender o nascituro, mas sim os que livremente procederam a geração de uma criança, isso acima de qualquer princípio moral e ético. Os responsáveis pelo filho em gestação têm o direito de matá-lo, pois um nascimento indesejado iria atrapalhar suas vidas despreocupadas e indiferentes a Deus. Imaginam eles que a liberdade consiste apenas em gozar a vida e ser feliz.

Para eles, o papel do Estado moderno é fazer leis pelas quais cada indivíduo possa afirmar que ‘na minha vida quem manda sou eu’, e ai de quem discordar, poderá de ser punido! A isso eu dou o nome de ditadura do hedonismo, pois a liberdade é para se fazer o bem, e não o que cada um quiser. Há advogados que afirmam que a interrupção da gravidez é um direito da gestante e opção do casal, do qual se pode fazer uso, sem persecução penal posterior e até mesmo sem a interferência de terceiros.

Fatos como esse, poderão abrir precedentes para qualquer pessoa que queira se utilizar de meios legais para o planejamento e a execução do crime de assassinato da vida intrauterina, pois terão a garantia da impunidade. Isso representa de fato um enorme rompimento na história do cumprimento às Leis de Deus, pois é o homem querendo se sobrepor a Deus!

Com certeza atrairá sobre si e sobre nossa nação terríveis castigos. Vozes como a do Padre Luiz Lodi precisam ser ouvidas e apoiadas. Não é permitido que o mal e o erro triunfem sobre a verdade e a virtude! Aqui poderemos parafrasear David dizendo a Saul que não quis estender a sua mão contra ele, pois queria conservar a sua mão sem mancha, sem nenhuma iniquidade, para não pecar contra o ungido do Senhor, mesmo quando Saul o procurava para matar.

Os abortistas não sossegam, não dão tréguas contra a vida do inocente: dos ímpios sairá a impiedade; as mãos dos abortistas estão carregadas de sangue contra as crianças inocentes, clamando a Deus por vingança.

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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

 

https://www.abim.inf.br/o-mal-nao-prevalecera/

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domingo, 27 de setembro de 2020

NOTÍCIA MUITO ALENTADORA PARA TODAS AS FAMÍLIAS

27 de setembro de 2020


Paulo Roberto de Campos


Neste sábado (26 de setembro) o Presidente Donald Trump indicou a juíza Amy Coney Barrett [foto] para a mais alta Corte dos Estados Unidos.

“Hoje tenho a honra de nomear para a Corte Suprema uma das mentes jurídicas mais brilhantes e talentosas de nossa nação. Ela é uma mulher de realização incomparável, intelecto imponente, ótimas credenciais e lealdade inflexível à Constituição”, disse o presidente americano durante a cerimônia realizada hoje nos jardins da Casa Branca.

Agora apenas resta a aprovação do Senado norte-americano, o que facilmente deve ocorrer, pois conta com maioria republicana (53 senadores republicanos X 47 democratas).


Amy Coney Barrett, 48 anos, nascida em New Orleans, é católica, mãe de sete filhos [foto], Emma, Vivian, Tess, John Peter, Liam, Juliet e Benjamin (dois deles são adotados) — será na história do país a primeira mãe de crianças em idade escolar a atuar na Corte Suprema dos EUA. Ela graduou-se pela Rhodes College e, em primeiro lugar da classe, pela Faculdade de Direito da Universidade de Notre-Dame (Indiana), onde lecionou por 15 anos.

Um renomado e muito respeitado professor de direito em Notre-Dame escreveu: “Amy Coney é a melhor aluna que já tive”. Atualmente é Juíza da Corte de Apelações Federal de Chicago. Ela substituirá Ruth Bader Ginsburg, falecida recentemente aos 87 anos, que era de tendência esquerdista.

Graças a Deus, com esta escolha de hoje, a Suprema Corte americana se tornará mais conservadora (6 conservadores X 3 esquerdistas), o que poderá auxiliar muito na defesa dos valores da instituição familiar, como a proibição do comércio de drogas, do aborto, da eutanásia, do “casamento” homossexual e do absurdo ensino nas escolas da “teoria de gênero” às crianças.


Claro, e não nos causa nenhuma surpresa, a mídia esquerdista (e intolerante) está bufando de ódio, denominando a juíza como ultraconservadora etc. Não nos surpreende também que líderes feministas — que deveriam comemorar a eleição de uma mulher para a mais alta Corte da nação mais poderosa do mundo —, estejam igualmente encolerizadas. Por quê? — Certamente pela mesma razão pela qual as mulheres autenticamente femininas e mães de família estão comemorando…

 

https://www.abim.inf.br/noticia-muito-alentadora-para-todas-as-familias/


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sexta-feira, 25 de setembro de 2020

QUEM COMBATE DE MODO “POLITICAMENTE CORRETO” NÃO CONQUISTA A VITÓRIA - Plinio Maria Solimeo

24 de setembro de 2020


Plinio Maria Solimeo

Hoje em dia tal é a pressão dos meios de comunicação social sobre as pessoas em geral que, independentemente de seu nível social e representativo, ao se manifestarem, para serem “politicamente corretas”, elas silenciam sobre as opiniões que deveriam por dever de ofício expressar com clareza.

É o que ocorre inclusive com eclesiásticos de alto escalão quando falam de problemas morais. Em vez de justificá-los com base na religião que professam, por uma espécie de incompreensível respeito humano, para não ferir os ateus ou agnósticos ou destoar da opinião geral, silenciam o aspecto religioso do que dizem. Exemplifiquemos com dois casos recentes.

Está em tramitação no Congresso espanhol, propulsionado pelos esquerdistas radicais apoiados pela esquerda em geral, uma nova lei para aprovar a eutanásia, o suicídio assistido etc.

A propósito desse polêmico assunto, a Comissão Executiva da Conferência dos Bispos Espanhóis publicou no dia 14 uma “reflexão”.

Os prelados recordam que essa lei “é uma má notícia, pois a vida humana não é um bem à disposição de ninguém”. Por isso, “insistir no ‘direito à eutanásia’ é próprio de uma visão individualista e reducionista do ser humano, e de uma liberdade desvinculada da responsabilidade. Afirma-se uma radical autonomia individual e, ao mesmo tempo, se reclama uma intervenção ‘compassiva’ da sociedade, através da medicina, originando-se uma incoerência antropológica”. Ora, dizem os bispos, “o próprio da medicina é curar, mas também cuidar, aliviar e consolar, sobretudo no final da vida. A medicina paliativa se propõe a humanizar o processo da morte, e acompanhar o doente até o final. Não há enfermos ‘não cuidáveis’ mesmo que sejam incuráveis”.

Acrescentam os bispos: “O suicídio crescente entre nós também reclama uma reflexão e práticas sociais e sanitárias de prevenção e cuidado oportuno. A legalização de formas de suicídio assistido não ajudará na hora de insistir quem está tentado de suicídio que a morte não é a saída adequada. A lei, que tem uma função de proposta geral de critérios éticos, não pode propor a morte como solução do problema.”

A Conferência Episcopal Espanhola considera ademais que “uma sociedade não pode pensar na eliminação total do sofrimento e, quando não o consegue, propor sair do cenário da vida; deve, pelo contrário, acompanhar, paliar e ajudar a viver esse sofrimento”.

Os bispos concluem: “O sim à dignidade da pessoa, sobretudo nos momentos em que é mais indefesa e frágil, nos obriga a nos opor a essa lei que, em nome de uma dita morte digna, nega em sua raiz a dignidade de toda vida humana.”

Essa “reflexão” — que poderia ter sido escrita por qualquer movimento civil de defesa da vida sem orientação religiosa ou filantrópica específica — é muito censurável numa Conferência Episcopal que deveria se expressar de modo católico. Ela omite o principal aspecto do problema, que é o religioso, pois a eutanásia viola o V Mandamento de Lei de Deus: NÃO MATAR.

Essa mesma crítica se pode fazer à “Carta Aberta” do Cardeal Cañizares, de Valência, entretanto forte e contundente em muitos aspectos, se comparado com seus pares que nada fizeram.

O purpurado diz que a aprovação da lei da eutanásia foi uma derrota “histórica, humilhante […] da Espanha inteira, da sociedade espanhola, das pessoas que habitamos aqui, derrota também da humanidade, do próprio homem, pela aprovação da lei da eutanásia em trâmite, suicídio assistido, e pelo rechaço de outras propostas sobre cuidados paliativos que melhoravam a atual legislação”.

Numa linguagem forte, o Cardeal Cañizares diz: “Sr. Presidente do Governo, membros do Governo, ministros, parlamentares que aprovaram tamanha injustiça, aliás monstruosa, estão os Srs. loucos, perderam a cabeça, ou sua moral é não tê-la? Deem-se conta de que os Srs., como Governo ou como Parlamentares, existem para defender, proteger, tutelar o bem comum baseado em direito e deveres fundamentais da sociedade à que representam — o primeiro é a vida —, e acontece que se converteram em inimigos que se opõem à sociedade, dispostos a derrotar essa sociedade que representam e devem proteger, ao propugnar semelhante proposta de Lei, que difunde e aumenta uma cultura de morte, sobretudo em meio à Pandemia do Covid-19. Que credibilidade podem manter diante de dita Pandemia? Com que autoridade moral podem dirigir-se a esse povo e pedir-nos o que nos pedem? Não se veem como um sinal de contradição?”.

Depois de dizer que sua atitude não representa uma intromissão na política, mas que sua responsabilidade como bispo e como cidadão não lhe permite calar, ele conclui dizendo: “E assim devo denunciar ante a opinião pública esse comportamento, como também o dos meios de comunicação que tanta importância deram ao ‘assunto dos prefeitos’, e sem embargo tão pouco relevo ao assunto da eutanásia, que constitui não uma derrota histórica de um Governo, mas uma derrota de todo um Estado.”

Concluímos repetindo ser lastimável ver um Cardeal e bispos da Santa Igreja, que enfrentaram os Poderes constituídos, o fazerem não como ministros de Deus e guardiães de sua santa doutrina que são, mas como uma autoridade civil qualquer.

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– https://www.religionenlibertad.com/espana/545654904/obispos-espanoles-eutanasia-enfermos-incuidables-incurables.html
– https://www.religionenlibertad.com/espana/978146941/Estan-locos-han-perdido-la-cabeza-o-su-moral-es-no-tenerla-dura-carta-de-Canizares-al-Gobierno.html?utm_source=boletin&utm_medium=mail&utm_campaign=boletin&origin=newsletter&id=31&tipo=3&identificador=978146941&id_boletin=923471013&cod_suscriptor=452495753


https://www.abim.inf.br/quem-combate-de-modo-politicamente-correto-nao-conquista-a-vitoria/

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domingo, 13 de setembro de 2020

“QUEM VOS OUVE, A MIM ME OUVE” – Padre David Francisquini

13 de setembro de 2020

Padre David Francisquini

Um estupro seguido de aborto provocado em uma criança de 10 anos vem pronto e emoldurado para chocar a opinião pública. Se por um lado o fato é chocante e odioso, de outro foi entregue na bandeja aos despiedados abortistas para que façam avançar a sua agenda sanguinária.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, classifica de “ilegal” e “absurda” a Portaria do Ministério da Saúde, editada recentemente, segundo a qual alterar as normas da realização do ‘aborto legal’ nos casos de estupro é incompreensível.

O referido dispositivo governamental do dia 28 de agosto último determina que a equipe médica seja obrigada a notificar à polícia os casos de acolhimentos com indícios ou confirmação do crime de estupro e que seja oferecida à vítima visualização do feto por meio de ultrassonografia [foto acima].

Maia afirma que tal medida interfere na legislação sobre o aborto por estupro ou por anencefalia. Mais. A legislação brasileira permite o aborto além desses casos, ainda quando a mãe corre risco de morte. Ele exige que o governo revogue a Portaria, pois, caso contrário, diz ter votos suficientes contra a medida, ou ainda, recorrerá ao STF.

A decisão do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, foi tomada em meio à repercussão do caso da menina que se engravidou de um tio monstruoso. Sobre a questão, cingiremos ao que recomenda os livros inspirados, aos quais devemos obedecer. Declarações como a de Maia não passam de uma perversidade. Como matar uma criança inocente e indefesa no ventre materno?

O Senhor dá o castigo a quem faz o mal segundo a sua malícia. O sangue do inocente cai sobre sua cabeça e sobre essa casa e sobre a sua descendência por semelhante ato. O Rei Davi diz a Joab, após este matar traiçoeiramente Abner, que não falte na casa dele quem padeça de blenorragia, quem seja leproso, quem pegue no bordão, quem seja morto a espada e quem esteja privado de pão.

Forte? Quem pratica ato tão ignominioso atrai sobre si e sobre os seus os castigos de Deus, pois se trata de um pecado que brada a Deus por vingança. Ele, por ser autor da Lei Maior, é infinitamente mais rigoroso em relação aos infratores dela — como os que atentam contra um inocente no ventre materno, santuário tão violado hoje por quem deveria defendê-lo.

Como um assassino desses poderá ter paz de consciência? A Escritura Sagrada traz preciosas e indispensáveis lições para a vida. Diante da desobediência de Saul às ordens de Deus, Samuel afirmou que vale muito mais a obediência às ordens divinas do que oferecer vítimas e sacrifícios. A desobediência é como o pecado de magia, não se submeter à Lei de Deus é como o crime de idolatria.

Não existem leis humanas capazes de revogar as leis divinas. Se Deus determinou que não é lícito derramar o sangue inocente, por constituir um grave pecado, não há autoridade na Terra que possa obrigar alguém a fazer o mal, pois vale mais obedecer a Deus do que aos homens.

Samuel foi firme diante de um rei que não teve escrúpulo em transgredir a ordem do Senhor e as suas palavras. Ele não aceitou justificativas nem explicações, pois a palavra do Senhor é sagrada. Honra o Senhor e O adora por meio da obediência às suas determinações e às suas leis.

Qual o crime que uma criança inocente poderia ter cometido no ventre materno para ser ali trucidada? Como a iniquidade de um ato jamais se expia com vítimas nem oferendas, a mão do Senhor descarrega pesadamente sobre quem a praticou e pratica.

“Raças de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que vos ameaça? Fazei, portanto, os frutos dignos de penitência, e não comeceis a dizer: ‘Temos Abraão por pai’, porque eu vos digo que Deus é poderoso para suscitar dessas pedras filhos de Abraão.

“O machado já está posto à raiz das árvores. E toda árvore que não der fruto bom será cortada e lançada ao fogo”. (Lc 3, 9) Não façais violência a ninguém, nem denuncieis falsamente e contenteis com os vossos soldos. Lc 3, 7-14) “Digo-vos: naqueles dias haverá um tratamento menos rigoroso para Sodoma. Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida!

“Porque, se em Tiro e Sidônia tivessem sido feitos os prodígios que foram realizados em vosso meio, há muito tempo teriam feito penitência, cobrindo-se de saco e cinza. Por isso, haverá no dia do juízo menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vós.

“E tu, Cafarnaum, que te elevas até o céu, serás precipitada até aos infernos. Quem vos ouve a mim ouve; e quem vos rejeita a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10, 12-16).

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* Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

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segunda-feira, 20 de abril de 2020

POR QUE OS LAÇOS FAMILIARES SÃO TÃO IMPORTANTES? – John Horvat II


19 de abril de 2020

John Horvat II*

A importância das relações familiares pode também, entre diversas razões, ser constada nos benefícios para a saúde que advêm de laços afetivos entre parentes.

Em um estudo realizado nos anos cinquenta, a um grupo de estudantes da Universidade Harvard (na cidade de Cambridge – EUA), escolhidos aleatoriamente, foi solicitado aos alunos que descrevessem o nível de calor de seus relacionamentos com os pais. Cerca de 35 anos depois, foi feita uma verificação de seus registros médicos.

O psicólogo britânico Prof. David Halpern** [foto ao lado] destacou que: “Entre aqueles que classificaram os relacionamentos com os pais como calorosos e estreitos, um pouco menos da metade (47%) teve doenças graves diagnosticadas na meia-idade; mas entre aqueles que descreveram os relacionamentos com os pais como tensos e frios, todos (100%) tinham doenças graves diagnosticadas na meia-idade”.
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Fonte: David Halpern, Social Capital, Polity Press: Cambridge, 2005, p. 81).

* John Horvat II, é vice-presidente da TFP norte-americana, autor do best-seller “Return to Order”.
** David Halpern foi professor de ciências sociais humanas na Universidade de Cambridge. Atualmente ele supervisiona a resposta do governo do Reino Unido à pandemia de coronavírus como parte do Grupo Consultivo Científico para Emergências, concentrando-se em mudanças comportamentais.


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domingo, 5 de abril de 2020

NÃO PODEMOS VIVER E ANDAR CAMBALEANDO


A pandemia chegou e as escolas fecharam.

Todos os Enzos e Valentinas estão em casa, assim como seus pais (na maioria das casas, só a mãe).

Tem mãe cobrando da escola que tenha, de uma hora para outra, estrutura para dar videoaula para crianças de 6 anos. Porque Enzo não pode parar o processo de alfabetização.

Tem pai reclamando da mensalidade e já montou grade e contratou dois professores porque Valentina não pode perder o ano, vai fazer provas de “vestibulinho” no final do ano e tem que aprender física quântica só para garantir.

Tem professora em casa surtando, porque de uma hora para outra precisa mudar totalmente a metodologia e dar conteúdo digital sem a interação social. Ela precisa de acesso à internet, computador, silêncio e muitas, muitas vezes ela está dando conta dos seus próprios Enzos e Valentinas que ficavam na escola em horário integral e agora precisam comer, correm e sujam a casa.

Tem família chorando porque não está dando conta da demanda mental de fazer deveres por 4h todo dia porque tem que fazer comida, limpar, lavar e cuidar da avó, ir ao mercado com medo e pensar que não vai ter dinheiro porque a lojinha está fechada.

Tem professor universitário que dá aula para alunos que ele SABE que estão trabalhando e não vão ter condição de acompanhar aula on-line, que não tem computador, impressora, internet e ele precisa dar aula ainda assim, sabendo que vai ter que aprovar esse aluno por justiça sem ter absorvido qualquer conteúdo.

Tem mulher sofrendo tentando ser empregada, baba, cozinheira e animadora de casa de festa sem estrutura e ainda tem que manter as crianças quietas porque o pai está trabalhando em casa e precisa de silêncio e de manter o trabalho que bota comida em casa.

Tem casa com um único computador, com pai e mãe trabalhando de casa e dois adolescentes precisando fazer aula on-line no mesmo horário.

Muito mais que falar em homeschooling, é preciso falar sobre escolarização precoce, cobranças excessivas e demandas curriculares desnecessárias.

Tem professor ficando sem salário.
Tem mãe ficando sem saúde mental.
Tem adolescente com medo.
Tem criança tendo crise de ansiedade.

Gente...
Sabem o que vai acontecer quando acabar a pandemia?
Uma sociedade esgotada e ainda mais adoecida mentalmente.

COBREM MENOS.
De todos: de você, da escola, do seu filho.
Abracem mais, riam mais, assistam filmes.
Já tá difícil demais passar por isso, sem toda essa carga extra.
Cuidem-se, lave, as mãos e não saiam de casa.


(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)
  
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domingo, 29 de março de 2020

BEM COMUM, TEMA ANTIGO, SEMPRE PALPITANTE – Péricles Capanema


28 de março de 2020
Péricles Capanema

Bem comum, expressão que aparece a toda hora; trocadilho perdoado, é bem comum falar em bem comum. Naturalmente, entre outros efeitos, de sua conceituação correta depende o bom governo. Para mim, portanto, já de saída, é matéria atual, essencial, embora a veja distante das manchetes. Para outros, será assunto ultrapassado e desinteressante, pouco importaria ter noção certa dele. Para fazer bom governo, bastaria ter seriedade administrativa. Ademais, coisa para lá de debatida; justificadamente longe das manchetes. Não seria objeto de livro best-seller; quando muito serviria para livro long-seller.

Claro, é questão velha; porém, nunca deixou de ter atualidade incandescente, própria aos grandes problemas, eles são perenes. Com efeito, em muitos sentidos o que é verdadeiramente atual deixa ver sempre a nota do perene — eco do imorredouro no presente. O resto é só o momentâneo, o passageiro, o fugaz, o efêmero, o fugidio, sei lá o que mais. Realidades breves, evanescentes, minguando rumo ao nada.

Mesmo o juiz de Direito, embora atento à letra da lei, precisa ter como fundo de quadro o bem comum. Comanda o artigo 5º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro: “Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”. Na mesma direção, o artigo 8º do Código de Processo Civil: “Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum”. De outro modo, o juiz nunca deve ofender o bem comum ao aplicar a lei. Tais disposições ecoam vetusto aforisma do Direito Romano: “salus populi suprema lex esto”. Que a salvação do povo seja a lei suprema. A expressão salus populi aqui poderia ser traduzida por bem comum.

Escrevi acima, “de sua conceituação correta”. Então, o que é o bem comum? Faça um teste, procure quem o defina nos livros e entre conhecidos. Em 90% dos casos, por baixo, topará com palavras pouco esclarecedoras, quando não bobagens. Espero que nos restantes 10% tenha melhor sorte. Tive um professor que dizia sempre: esqueçam o bem comum, ninguém sabe o que é. E clareza a respeito do bem comum é dos pressupostos mais importantes para quem pretende ter presença útil na vida pública de um país, não importa em que grau.

A respeito, sorte tive uma vez, dela não me esqueço. Sempre me impressionou a exposição feita por João XXIII na “Pacem in Terris”, sobre o bem comum, em continuação dos ensinamentos a respeito de Leão XIII, Pio XI e Pio XII.

O núcleo do conceito ali está perfeitamente exposto. O Pontífice afirma: “o bem comum diz respeito ao homem todo, tanto às necessidades do corpo, como às do espírito”. O Papa lembra a seguir a definição já constante na “Mater et Magistra”; bem comum é o “conjunto de todas as condições da vida social que consintam e favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana”. Pontua aquilo que caracteriza o bem comum, os seus “moldes”: devem favorecer a obtenção da salvação eterna. E finalmente desagua na conclusão: “a realização do bem comum constitui a própria razão de ser dos poderes públicos”.

Trata-se então de ilustrar e enriquecer tais afirmações. Vou me deter em um ponto: “favorecer o desenvolvimento integral da pessoa humana”. É expressão bem ampla e polivalente, nada fica fora dela. Cada situação na vida social que obstaculize o pleno desabrochar das qualidades das pessoas irá contra o bem comum. Das pessoas e grupos sociais também, bem entendido, o primeiro dos quais e o mais importante é a família; ampla, moralizada, englobando muitos ramos, enraizada, influente. Recordo, mais que o ouro ou o petróleo, tais potencialidades a serem desabrochadas constituem o maior ativo que têm as famílias, os grupos sociais e os países. Em suas lutas para subir, facilitar o desenvolvimento das potencialidades é o que mais pode evitar o decaimento, promovendo amplíssima inclusão.

Esse caminho em direção à plenitude será o verdadeiro avanço civilizatório de que precisamos, poupando-nos da desgraça vivida hoje, entre outros, por Cuba e Venezuela, trágicos exemplos de ditaduras que provocam atrofia social. Enfim, nos livraríamos de retrocessos revolucionários, seríamos poupados dos atrasos viabilizados pelas vanguardas progressistas.

Aqui estão pontos fundamentais do debate público. Com senso de proporção, pautados pela justiça, são prioritários o combate à atrofia e o estímulo à plenitude da vida social, dentro da qual está a econômica. Integram o bem comum, tornam possível a realização pessoal e a felicidade.



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