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sexta-feira, 5 de abril de 2024

Editora de Portugal Publica

Outro Livro de Cyro de Mattos

Inspirado no Rio Cachoeira


 

A editora Palimage, de Coimbra, Portugal, acaba de publicar Águas de Meu Rio, de Cyro de Mattos, livro que contém um poema dividido em vinte partes em que o autor denuncia em versos pungentes e doloridos o estado atual do Rio Cachoeira, largado ao abandono como um grande esgoto que escorre a céu aberto. Com prefácio da poeta e musicista Denise Emmer, da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, Rio de Janeiro, traz na capa uma foto histórica com o autor sentado em uma pedra das margens do rio, observando as lavadeiras quando lavavam as roupas numa manhã ensolarada, em 1966. No Brasil, Águas de Meu Rio foi publicado pela Editora Ibis Libris, do Rio de Janeiro. Este livro forma com os volumes Vinte Poemas do Rio e O Discurso do Rio a Trilogia das Águas, inspirada no rio Cachoeira. A Editora Palimage (www.palimage.pt) publicou anteriormente cinco livros do poeta grapiúna e que são estes: Vinte Poemas do Rio, O Discurso do Rio, Vinte e Um Poemas de Amor, Ecológico e Poemas Ibero Americanos. Sobre a poesia de Cyro motivada pelo rio de sua terra natal disse o poeta Carlos Nejar, da Academia Brasileira de Letras: “Poeta de voz límpida como o seu rio, de música e sabedoria do silêncio”. E a poeta e ficcionista Stella Leonardos, detentora de prêmios literários importantes, observou: “A poesia de Cyro de Mattos é da boa, inventando o seu próprio ritmo (como queria o mestre Manuel Bandeira) dentro do soneto, com recursos verbicovisuais e, inclusive, neologismos adequados”.

* * *

terça-feira, 7 de março de 2023

Poemas de denúncia sobre

o rio Cachoeira motivam

novo livro de Cyro de Mattos



 

          Águas de meu rio é o novo livro de poesia de Cyro de Mattos, que acaba de ser publicado pela editora Ibis Libris, do Rio, com prefácio de Denise Emmer, poeta premiada em concursos expressivos nacionais, musicista, e um dos nomes importantes da poesia contemporânea brasileira. O livro é um poema longo dividido em vinte partes em que o poeta aponta com tristeza, em versos de lirismo agudo, a situação doentia do Cachoeira, outrora de águas límpidas e peixe em abundância, fonte de sustento para muitos e lugar de alegrias para meninos e gente grande. 

        Autor de 64 livros pessoais, entre o romance, conto, crônica, poema, ensaio e literatura infantojuvenil, o baiano de Itabuna Cyro de Mattos (cyropm@bol.com.br) já publicou vinte e dois livros de poesia para o leitor adulto, três deles com o tema inspirado no Cachoeira, formando uma trilogia do rio com esse Águas e meu rio. Os outros dois livros da trilogia são Vinte poemas do rio/Twenty River Poems, tradução de Manuel Portela, e O discurso do rio, constituído de trinta sonetos, ambos publicados pela EDITUS, editora da UESC. Esses dois livros foram também editados em Portugal, pela Palimage, de Coimbra, na coleção Palavra e Imagem, dirigida pelo poeta Jorge Fragoso. 

           Vinte Poemas do rio foi adotado por três anos para o vestibular da Universidade Estadual de Santa Cruz. Pequeno livro de versos cativantes, vem sendo estudado em escolas e universidades. Seus poemas foram declamados pelos alunos da Escola São Jorge de Ilhéus no Teatro de Ilhéus para um público que lotou as dependências do auditório.   

           Do livro Águas de meu rio é o poema VIII em que o poeta revela as suas relações afetivas com o rio de sua infância, quando o  cenário era de pureza e alegria.   

Leiam abaixo o poema.

 

VIII

aprendi a nadar em tuas águas

aprendi a mergulhar em tuas águas

aprendi a pescar em tuas águas

 

aprendi a sorrir em tuas águas

aprendi a cantar em tuas águas

aprendi a saltar em tuas águas

 

aprendi a flutuar em tuas águas

aprendi a dormir em tuas águas

aprendi a sonhar em tuas águas

 

enquanto as nuvens passavam

as borboletas voavam em bando

não querias que eu esquecesse tuas águas

 

  O Poeta e o Rio

   Afonso Manta

 

E vendo as águas do rio

e outras águas renhidas

o poeta Cyro reinventa

o mistério de nossas vidas.

 



Cyro de Mattos observa as lavadeiras quando

antigamente lavavam as roupas e estendiam 

nas pedras, que ficavam coloridas. 


* * *

 


 

sexta-feira, 27 de março de 2020

RIO CACHOEIRA – Cyro de Mattos


Rio Cachoeira

Cyro de Mattos
           

           Cada cidade ou região tem o seu rio, com sua gente, águas, bichos e lendas. Escorrendo sentimentos líquidos, cada pessoa carrega no coração o rio de sua cidade. Cachoeira é como se chama o rio que atravessa a minha cidade. Divide-a em duas partes. Já teve lavadeiras, aguadeiros, pescadores e tiradores de areia quando ainda não existia a represa próxima à Ponte Velha. Baronesas não ficavam entulhadas entre as pedras pretas, espalhadas em vários trechos do rio. A Ilha do Jegue era comprida e nela nunca se viu uma garça. Bocas de vômito não despejavam detritos nas águas claras.
  
              Lavadeiras estendiam roupas que coloriam as inúmeras pedras pretas. O rio lavava suas águas com o canto das lavadeiras. Cores e cantos davam um belo visual ao velho rio. Pequenas correntezas conversavam entre as pedras. O leito era límpido, dava para se ver a areia com pedrinhas lisas e redondas.  Borboletas pousavam nas margaridas silvestres que cobriam os barrancos. Andorinhas trissavam acima do rio quando acontecia o entardecer.
  
           O rio Cachoeira perdeu muito de seu encanto, sem as lavadeiras, os pescadores, os aguadeiros e os tiradores de areia. De sol a sol, homens e meninos buscavam com suas pás no fundo do rio a areia, que servia para as construções na cidade. Os jumentos transportavam em latas as cargas de areia. Tempo bom para o areeiro retirar a areia do fundo do rio era nos meses de verão. A cidade toda sabia, pelas mãos do areeiro, que o rio era uma dádiva e a argamassa da casa feita de fibra específica: calo, suor e areia. O homem passava pelas ruas, tangendo com a taca os jumentos carregados de areia nas latas. As casas cochichavam. Areia sem a pá não seria dádiva. Nada seria a pá sem a areia. Ajoelhando as fachadas, as casas tomavam a velha bênção ao rio. Ao tirador de areia agradeciam comovidas.
            
          Para quem não sabe, o velho Cachoeira já forneceu à cidade água boa no bebedouro da vida. Esse tempo já vai longe, muito longe. Um tempo de fontes puríssimas do nosso rio. Foi na infância da cidade quando ela tinha poucas ruas calçadas, três ou quatro bairros. Tropeçava nas pernas quando era chegado o inverno. Caminhava alegre batida pelos raios de sol quando era tempo de estio, o verão temperado de ardências por entre verdes e azuis das safras.  Tempo melhor não havia para tomar banho com os queridos amigos nas águas do nosso rio.
  
         O nosso rio Cachoeira ficava brabo nas cheias, descia feito um réptil sem tamanho, espumando e invadindo as ruas ribeirinhas, até mesmo a avenida do comércio, a principal da cidade. Descia feito um bicho do outro mundo, levando no lombo toro de pau, bicho morto, porta e janela. Algumas dessas enchentes ficaram na memória do povo de minha cidade. Um poeta popular chegou a fotografar em versos a zanga do pequeno rio. Leia um trecho do que o poeta popular dizia.
                                              
                                   
As casas comerciais,
Assim que o dono chegava,
A que tinha ainda porta,
Quando ele a destrancava,
A sua mercadoria
Coberta de lama achava.

Tinha gente que acordava
Naquele grande alvoroço,
A água levando tudo
Fazendo o maior destroço,
O pobre salvava a vida
Com água pelo pescoço.


Cyro de Mattos é escritor de contos, crônicas, romance, poemas, literatura infantojuvenil, ensaio e memorialista. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Possui prêmios literários importantes. Também é editado no exterior.

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terça-feira, 10 de abril de 2018

UM VELHO AMIGO - Helena Borborema

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original 
Um velho amigo



            Gardênia colocou um ponto final nas páginas que rabiscava. Nem sabia mesmo porque estava passando para o papel aquelas  estórias tantas vezes ouvidas contar. Talvez uma maneira de deixar as horas passarem, de encher o tempo nesses dias acinzentados e frios de inverno. Enquanto vestia um agasalho, foi se chegando automaticamente à janela, de onde vislumbrou uma nesga do manso Cachoeira, estirado como branco lençol um pouco adiante. Veio-lhe então a reminiscência  de sua meninice quando, às margens daquele rio, ficava a mirar a paisagem multicolorida dos lajedos atapetados de lençóis, vestidos,  toalhas que as lavadeiras, e eram muitas, ali espalhavam a secar. Era um vasto mosaico de formas e cores variegadas que alegravam a vista. Ela nascera e se criara perto desse rio. A vida toda foi sua vizinha, por isso o conhecia tão bem, tanto nas épocas calmas como no furor das enchentes. Quantas estórias ouviu sobre grandes nadadores que o desafiaram e foram, implacavelmente tragados pelos redemoinhos e “peraus” traiçoeiros. Saiu-lhe do fundo da lembrança a figura de Exupério, caboclo forte, empregado na roça de sua avó, vítima da enchente. Numa atitude exibicionista, ele lançou-se ao rio num dia de grande cheia, diante de uma assistência  que das margens acompanhava apreensiva a sua fanfarrice. Quis nadar, mas logo perdeu as forças, descendo aos trambolhões, gritando por socorro, enquanto a multidão a tudo assistia aflita e impotente, vendo-o descer rápido, levado pela correnteza até sumir num sorvedouro.

            E as cabeçadas d ‘água!

            Quantas vezes as lavadeiras não saíram correndo, catando rapidamente as peças de roupa estendidas, ao ouvirem o grito de alerta dos boiadeiros que passavam vindos de Ferradas: - Corram! A cabeçada d ‘água vem vindo perto!

            Diante do perigo, todos fugiam espavoridos das margens e a notícia se espalhava:

            - A cabeçada d’ água vem aí!

            De repente, toda a placidez do Cachoeira desaparecia. A massa líquida subia num crescendo violento, não respeitando os limites de suas margens. Em pouco tempo os lajedos desapareciam, árvores eram arrancadas, canoas desatadas de suas amarras e animais arrastados  na correnteza brutal. Enraivecido, ele passava da calma  à violência,  despertando comentários da parte da população que, curiosa,  corria a espiá-lo das margens. As abundantes chuvas na cabeceira e afluentes provocavam o fenômeno inesperado. Um ruído que metia medo avisada que o velho Cachoeira estava enfurecido e disposto a matar quem o enfrentasse.

            Mas agora ele anda calmo. Sua selvageria foi domada, os homens o enquadrara m em seus limites e lhe deram outro visual, até mais bonito. As suas margens à noite perderam a tristeza que a escuridão lhes imprimia. Desapareceram as luzinhas vermelhas e tremulas dos fifós dos pescadores,  substituídas pela claridade das lâmpadas elétricas que se refletem no espelho de suas águas, em imagens invertidas de beleza e fantasia.

            Gardênia ainda olhava o velho Cachoeira, seu amigo de infância, quando ouve, vinda do passado, a voz enérgica de sua mãe: - “Menina, você não toma mais banho no rio. Pode pegar febre maligna!” Ah! Como era bom mergulhar naquelas águas rasas e claras para catar pedrinhas lisas no fundo ou filhotes de camarão escondidos em pequenas locas nos lajedos. São as estórias do rio, são as estórias da terra que lhe chegam à memória com a saga dos imigrantes plantadores de cacau que, acompanhando o caminho do rio e buscando suas margens férteis, nelas se estabeleceram para dar começo à história vibrante da gente Grapiúna.

            E Gardênia busca no vazio aquelas figuras  heroicas do passado. Busca mentalmente ver a casa tosca do pioneiro Félix Severino, a primeira de Tabocas, levantada naquelas margens, marco inicial de uma civilização. E o que foi feito do “sobrado do coronel”, alma e cérebro de Itabuna nascente? Era ali perto do rio que ele também se erguia com a sua sóbria dignidade. Também voltada para o Cachoeira estava a Igreja Matriz. Que ideia fazem as novas gerações dessa Igreja, para cuja construção muita gente piedosa ajudou, carregando pedras na cabeça, numa manifestação humilde de fé? O que é feito desse Templo, símbolo da crença religiosa de um povo? Que lembrança o tempo guardou dos homens valentes que desbravaram essa terra e geraram riquezas? Que sabem deles essas novas gerações? É uma pena, diz Gardênia para si mesma. O tempo irá se encarregando de a tudo envolver no silêncio do esquecimento.

            Retornando ao interior do seu quarto, vai relendo as notas que escrevera. Muitos anos se passaram desde o dia em que os dois destemidos desbravadores se fixaram na gleba verde das margens do Cachoeira. De lá para cá, as terras do Sul se transformaram num imenso cenário de incontido progresso. Quantos centros  de povoamento brotaram no meio do mato, quantas rodovias rasgaram essas terras! Todo o Sul da Bahia passou a vibrar numa ânsia frenética de crescer e engalanar-se numa roupagem nova. As morosas tropas de trote cadenciados que transportavam sacas de cacau, já quase não são vistas. Os homens trocaram o lombo dos cavalos pela velocidade  dos automóveis. Hoje é a rapidez dos carros e aviões que prevalece, é a pressa de economizar tempo, vencendo rapidamente grandes distâncias, de fazer-se bons e múltiplos negócios.

            Novas riquezas surgiram na região além do cacau,  novos tempos vieram e gente de todos os cantos do país ainda busca esperançosa os favores dessas terras pródigas. O progresso a tudo transformou. Só o homem parece não ter mudado muito. Não será ele ainda o menino do passado, no tempo do “trabuco” o da “repetição”? que dizem os jornais? Não são as notícias de crimes de mortes, de tocaias,  ataques a propriedades, invasão de terras o que enche diariamente as páginas que se lê?

            Gardênia volta à janela a olhar de longe o seu velho amigo. E fica a pensar. Sim, novos e melhores tempos virão. Terão  de vir. Afinal, essas terras foram trabalhadas por homens que as amaram e lutaram com muita vontade de vencer. O seu destino será grande porque os velhos pioneiros, aqueles homens empreendedores, corajosos, não morreram de todo. Eles ainda vivem e labutam no sangue e na alma dos seus descendentes, e com eles há os que vão chegando, como num ciclo perpétuo e renovador, abrindo novos caminhos para novos tempos.

            O velho Cachoeira, que viu acampar nas suas margens os primeiros desbravadores e viu as primeiras casas de Tabocas, assistiu à passagem das primeiras tropas e boiadas, presenciou crimes e gigantesco  trabalho de pioneirismo, será a mesma testemunha muda de uma bela histórica no futuro.

(TERRAS DO SUL)
Helena Borborema
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HELENA BORBOREMA -  Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município.

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sábado, 3 de fevereiro de 2018

RIO CACHOEIRA – Antonio Baracho

Rio Cachoeira

Ignorar a construção da barragem, situada no município de Itapé, em fase de conclusão, é ignorar o progresso. Urge situá-la a serviço de nossa comunidade:

O rio fecunda,
A barragem controla.
O rio espalha forças,
A barragem policia-lhe a expansão.
No rio encontramos a natureza,
Na barragem surpreendemos a disciplina.
Se a correnteza ameaça a estabilidade de construções dignas, comparece a barragem para canalizá-la proveitosamente, noutro nível.
Contudo, se a corrente supera a barragem, aparece a destruição toda vez que a massa líquida se dilate em volume.
No entanto isso não ocorrerá, pois a nossa engenharia evoluiu muito e tudo é feito com meticulosa precisão. Confiar é preciso.


Antônio Baracho, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL,

ocupante da cadeira nº 11. 

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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

SAUDADES – Maria do Carmo Machado d’Oliveira

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Saudades!


Minh'alma, voando, me leva ao passado
Mergulhos profundos nas águas falantes do meu Cachoeira
alegre, ligeiro, passando adiante a sua alegria
deixando chegar um novo falar, um conto de fadas em cada corrente,
um baile, um convite, para o meu meninar. 
Os gritos, os pulos, as correrias,  
cambalhotas, gritos alegres da garotada comigo a nadar.
Ah, meu Cachoeira, pra onde você foi?
Cadê suas águas limpinhas, nas quais me banhei?
Pra onde mandaram as suas piabas,
nadando faceiras, bem perto de mim,
e seus camarões escondidos nas pedras,
brincando de esconde-esconde,
com quem lhes buscava nas mãos segurar
E a grama tão verde a lhe circundar, que foi feito, onde está?
Em suas águas nadei. Que saudade eu tenho de ti meu amigo!
... Infância bendita que me sustentou,
pra vida madura de lutas e muros que eu soube enfrentar.
Suas águas tão frias, nas tardes distantes, aqueceram a minha alma,
abriram meu peito, me ensinaram a sonhar.


Maria do Carmo Machado d'Oliveira  - Professora e poetisa Itabunense, residente em São Gonçalo dos Campos – BA.

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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

RIO MUDO - Oscar Benício Dos Santos

Rio mudo

Para Eglê Machado 
-Mãe D'agua do Cachoeira

Velho Cachoeira, hoje, rio mudo.

Perdeu o seu sonoro cascatear
sobre pedras que o faziam tonar,
numa mistura de tons grave e agudo.
Agora, assombroso rio surdo-mudo,

não ouve das lavadeiras o cantar,
nem da criançada o som do mergulhar.
Será que ainda enxerga, velho sisudo?
Ou cerra os olhos intencionalmente

para não ver o hipócrita que mente,
– que se diz protetor da natureza –,
mas que, na calada da fria noite,
lança ao rio seu lixo, que, qual açoite,
flagela as águas com sua impureza.


Bahia, Salvador

Oscar Benício Dos Santos


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sábado, 8 de julho de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA UM SONETO: Ó, querida Eglê – Oscar Benício dos Santos

Ó, Querida Eglê!


Ó, minha querida Eglê,
sem água o Cachoeira
Já não pode ouvir você,
Que canta da margem à beira,

como se fora uma dublê
da deusa yara, “agueira”
que leva água à sua mercê
por sua singela regueira.

Seu Cachoeira já não chora,
Tristemente sorri agora,
Pois secaram os seus prantos.

Ironicamente sorri
do triste fado, logo aqui,
- Itabuna, seu encanto!


Oscar Benício Dos Santos

Faz. Guanabara

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quarta-feira, 31 de maio de 2017

O VELÓRIO DE UM RIO – Helena Borborema


O velório de um rio




          Ele vem de longe. Nasce em outras plagas, ao pé de uma serra no Município de Vitória da Conquista. Vem magrinho. Começa a crescer depois de alimentado pelo seu afluente rio Salgado. Torna-se forte, passando a ser chamado Colônia em grande parte do seu trajeto, e depois, Cachoeira.


          Como rio Cachoeira, ele atravessa a cidade de Itabuna. Apesar do seu nome, as suas águas são tranqüilas, correndo calmamente em busca do seu destino, o oceano azul, onde se lança num abraço discreto, sem grandes cenas, até desfazer-se nas profundezas do abismo marinho. A sua paisagem nem sempre foi a mesma da atual; o tempo, as enchentes, o trabalho do homem a modificaram em parte. Há tempos recuados, pequenas ilhas cobertas de arbustos enfeitavam a sua superfície, bem como grandes lajedos escuros que emergiam para quebrar o monótono branco das águas.


          Formador de civilização, o Cachoeira indicou aos pioneiros o caminho das terras férteis, serviu-lhes de guia e até de estrada. Ao seu redor, surgiram povoados. A primeira casa do então futuro arraial de Tabocas e as primeiras lavouras de subsistência surgiram nas suas margens. Mais tarde, grandes fazendas de pecuária com extensas e férteis pastagens foram sendo formadas em terras por ele generosamente banhadas. Do primeiro arraial de Tabocas, nascido às suas margens, resultou uma grande cidade, hoje embelezada pela sua paisagem de pontes e luzes.


          Mas o calmo Cachoeira vez por outra fez explodir o seu ímpeto selvagem em demonstrações de força e poder de destruição, desafiando os que habitam nas suas imediações. Num furor inesperado, já invadiu casas, lojas, ruas, carregando de roldão tudo o que encontrava. Já chegou a causar estragos enormes, já matou. Nas suas explosões de violência, quem ousava mergulhar no turbilhão de suas águas? Ficava preso nas garras dos seus “sumidouros”. Quando enfurecido, expandindo a sua força, qual o nadador que ousava desafiá-lo? Seria vencido irremediavelmente.


          A adversidade chegou um dia ao Cachoeira, quando as nuvens suspenderam a sua colaboração, chuvas deixaram de cair na sua cabeceira, o homem devastou as suas margens, areeiros mudaram-lhe o perfil, plantas aquáticas obstruíram o seu curso.


          Nessas tragédias, o rio ficou só, entregue à própria sorte. E hoje está ele aí, doente, moribundo, vendo os seus peixes morrendo, plantas aquáticas, as baronesas tirando-lhe a respiração, sufocando-o, dando-lhe uma morte lenta, penosa, sem que os homens a quem tanto serviu e serve dele se apiedem. As pedras que se escondiam em suas entranhas, agora estão expostas ao sol; suas águas já não correm livres para o mar, seu destino: estão paradas e lodosas, exalando miasmas. Rio amado, rio desprezado. As lavadeiras já não o procuram mais. Os antigos banhos de folguedo que foram a alegria da meninada acabaram; ele hoje é olhado como um doente contagioso.


          A tristeza do Cachoeira comove. E hoje, quando passo por ele e o vejo tão doente, tão triste e abandonado, sinto o mesmo confrangimento de quem vê um amigo em agonia. A sua companhia hoje são os bandos de garças alvas e tristonhas pousadas nos seus lajedos, parecendo fazer o seu velório, enquanto baronesas em profusão, qual coroas mortuárias, completam o quadro fúnebre.


(RETALHOS)



Helena Borborema

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quarta-feira, 22 de março de 2017

RIO CACHOEIRA – Por Eglê S Machado

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
Rio Cachoeira


O Rio esteve contente,
Mais caudaloso e disposto,
Parecia recomposto
Com corredeiras, valente!...

Mas Itabuna, inclemente,
Insiste em lhe dar desgosto
Persiste  em virar o rosto
Atitude prepotente.

Sem ar, sem viço, impotente.
Humilhado e decomposto,
O rio Cachoeira deposto,
Retorna ao leito indigente!

Sentindo n ‘alma um vazio
Eu choro por ti, meu rio!
  
Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL
Janeiro 2015 


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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

RIO CACHOEIRA: A LIÇÃO DAS ÁGUAS - Manoel Lins

Foto: Uesc.com
A lição das águas

          Parecia um sonho, talvez pesadelo. A água não respeitava nem o sono do Governador, que deve ser respeitado até debaixo d’água. Dir-se-ia que o Cachoeira queria lavar a cidade toda, castigá-la por seu trabalho diuturno ou, talvez, pela maldade escondida dos homens, que só o rio conhece e conta aos poetas na madrugada de lua cheia. O Cachoeira era leito de dor e de miséria. Caminho obrigatório por onde passavam geladeiras, pneus, móveis, árvores, corpos de homens e animais, o desespero e o pavor de muitos. Estranha procissão de desesperanças. Os Sete Cavaleiros do Apocalipse cavalgavam em velozes corcéis negros sobre as águas de um rio furioso. O povo flagelado, vestido como se fosse a um baile psicodélico, ouvia aflito, as vozes dos gigolôs da miséria coletiva. As “otoridades” estavam mais perplexas do que o povo. Atônitas e inertes.

          Só existia a água do rio em acrobacias mortais e a solidariedade do povo, que saía do céu e da terra, de lugares sem fim, salvando coisas e gente. O rio não respeitava ninguém. Farmácia, loja, bar, cinema. Até Lampião e Maria Bonita foram tragados pelas águas, disparando pela Avenida Cinquentenário, armados até os dentes, e seguidos de todo o bando, segundo presenciou Marcinho Mendonça, que está vivo e não me deixa mentir.

          Quando as águas baixaram, os políticos já discutiam quem seria o presidente da “comissão”. As mulheres ”políticas” arengavam na distribuição dos víveres. Cada qual queria ser mais atuante. Era a usura da generosidade. No desvario da irresponsabilidade, o novo material da Telefônica foi destruído, numa zona onde a água demorou de chegar.

          As lágrimas dos pobres que perdiam o barraco aumentavam a fúria do rio. O Cachoeira ficou louco de pedra e, puritano, se arremessou contra o Marabá, não se incomodando com os fantasmas que ali bebiam seu último trago.

          Após o dilúvio, Noé pediu a palavra e falou com a multissecular experiência: “Despertai, oh, homens de pouca fé. Mudai essa mentalidade de urubu, que só pensa em fazer casa quando chove, passada a tormenta diverte-se sob o sol. A cidade precisa preparar-se para futura enchente. Faz-se necessária a criação de um organismo, constituído de técnicos e amigos da cidade, dispondo de planos previamente traçados e material suficiente para enfrentar com certa mobilidade qualquer calamidade pública. Um organismo que tenha, de antemão, pelo menos, condições de abrigar as populações ribeirinhas, requisitar mantimentos e carros oficiais. Que tenha o COMANDO DA CIDADE DURANTE A ENCHENTE. Que disponha de equipes de salvamento e de segurança pública, afastando das ruas os bêbados e os “turistas” que utilizam até carros oficiais. Que mantenha em ordem , tanto quanto possível, os serviços públicos essenciais. É hora de pensar nisso. Quem avisa amigo é. O Prefeito pintou os postes da Cinquentenário, talvez, antecipando as alturas das águas. Deixai que os políticos se digladiem, a vós, amigos da cidade, cabe a tarefa restauradora”.

Assim falou Noé, quando o rio deixou um mar de lama na cidade. Parecia um sonho, talvez um pesadelo.

(MENINO ALUADO)
Manoel Lins

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MANOEL LINS – Nasceu em Buerarema, Sul da Bahia a 4 de julho de 1937.
Diplomado em advocacia pela Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia. Em Salvador trabalhou em jornais. Em Itabuna exerceu a advocacia e publicou algumas monografias relacionadas com a área profissional. Como cronista compareceu frequentemente em quase toda a imprensa da região cacaueira baiana. Uma seleção dessas crônicas foi publicada em “Menino Aluado”, 1968. Participando do espetáculo da vida na cidade pequena, assistindo, confrontando, depondo, suas crônicas são retalhos primorosos do cotidiano sem esconder certa dose de sentimento de mundo. Não fosse a morte prematura, encontraria seu lugar merecido na crônica brasileira.
Faleceu, vítima de acidente automobilístico, em 1975.


Da coletânea ITABUNA, CHÃO DE MINHAS RAÍZES organizada por Cyro de Mattos

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

RIO CACHOEIRA: VENTURAS E AGRURAS - Eglê S Machado

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original

Rio Cachoeira: Venturas e agruras
 
 
O desbravador valente
encheu seu leito de amores,
O tropeiro renitente
arrostou os seus furores,
A lavadeira contente,
encheu suas pedras de cores!
 
O aguadeiro diligente,
abasteceu seus senhores
O areeiro inclemente,
lhe escavou sem pudores ,
Foi ganha-pão excelente
de índios e pescadores!
 
O vivaz adolescente
nadou ágil em seus vigores,
O bambuzal,  imponente,
acolheu  garças e flores,
O jasmim alvinitente,
espalhou os seus olores!
 
Hoje, a jazer descrente,
sem esperanças, em dores
É o retrato eloquente
do descaso dos “doutores”,
Na realidade vigente
que só lhe traz dissabores!
 
Na ignorância premente
E no desprezo aos valores,
A ingerência impudente
lhe proporciona horrores,
Da política indecente
a produzir maus gestores!
  
O rio cachoeira, impotente,
padece  em seus estertores!

 

Eglê S Machado 
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

Licença Creative Commons    http://www.recantodasletras.com.br/poesias/5154669

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

TERRAS DE ITABUNA: O Rio Cachoeira

O Rio Cachoeira


          Os animais suados baixaram a cabeça e começaram a beber água do rio.      
          - Este é o velho rio Cachoeira.
          - Sim, companheiro, este é o rio Cachoeira. Há dez anos, Há vinte anos, há trinta anos, há muitos anos mesmo, o conheço correndo em busca de Itabuna, em procura, depois, de Ilhéus e do mar, onde ele desaparece. Tudo por esta Ferradas mudou. Onde está a casa da fazenda de Porfírio Ribeiro, a casa comercial de Arquimedes Amazonas, de Antonio Olímpio, do velho Botelho, de Antonio Pereira?
          - Trabalhei a estes homens, quando eles eram, ainda, pobres. Hoje são ricos, e Antonio Pereira já morreu.
          - Mas, companheiro, o rio também, lá em cima, em Itapé, mudou de nome. De lá, em diante, ele é conhecido, de um lado, como o rio Colônia e do outro como o rio Salgado. Assim também  é a vida da gente. Na mocidade, uma coisa, na velhice, outra coisa. Na mocidade a gente tem o corpo quente e as ideias fervilhantes, na velhice, o corpo começa a esfriar e as ideias também.
          - Conhece, você, companheiro, a história de Tabocas, que hoje é Itabuna. Conhece a vida de Firmino Alves, de Militão Oliveira, de Henrique Alves, de Gileno Amado, desses homens que descobriram e ajudarem a construir este município?
          Há tanta coisa na luta da vida dessa gente, que dá uma história, uma história das mais encantadoras das terras brasileiras, destas bandas do cacau.
          Mas deixemos isto para o lado. Vou narrar-lhe primeiro a de Ferradas, que estamos chegando, onde Frei Ludovico de Liorne fincou a cruz de Jesus, na obra da catequese dos índios, para, depois, os brancos desbravadores plantarem a civilização que cresceu nestas paragens e, agora, começa e regredir no povoado, como este rio, que principia a secar batido pelo sol e sacrificado pelas derrubadas das matas dos criadores de gado do Colônia.
          Já é tarde, companheiro, vamos apear ali, adiante, na rancharia, e passar a noite matando pulgas e conversando para passar o tempo...

(Capítulo I do livro TERRAS de ITABUNA)

Carlos Pereira Filho

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

HISTÓRIA DE ITABUNA: O rio Cachoeira

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O Rio Cachoeira
Maria Palma de Andrade e Lurdes Bertol 

O principal curso d'água do município é o rio Cachoeira, que divide a cidade de Itabuna e banha os municípios vizinhos. O rio Cachoeira não é só uma referência geográfica, é um patrimônio histórico, é o próprio testemunho da história de Itabuna e da região, uma vez que, pelas suas margens, penetraram os desbravadores como Félix Severino do Amor Divino e Manoel Constantino, que deram origem à cidade. Por ele chegaram os frades que catequizaram os índios, e os naturalistas que vieram estudar a flora, como Von Martius e Von Spix. O rio Cachoeira é formado pelos rios Colônia e Salgado, que, após a sua junção, a aproximadamente 500 metros à jusante da cidade de Itapé, recebe este nome.

O principal formador do rio Cachoeira, o rio Colônia, nasce na terra de Ouricana, banha os municípios de Itororó, Itaju do Colônia e Itapé, percorrendo 100 km desde de sua nascente até sua confluência com o rio Salgado. Alguns afluentes do rio Colônia são os ribeirões da Água Preta, da Fartura, do Ouro, do Jacaré, das Iscas, entre outros.

O rio Salgado nasce na serra do Salgado, a mais ou menos 300 m de altitude, distante 2 km do povoado de Ipiranga, no município de Firmino Alves. Banha as cidades de Firmino Alves, Santa Cruz da Vitória, Floresta Azul, Ibicaraí e Itapé, percorrendo 64 km até sua junção com o rio Colônia. São alguns de seus afluentes os ribeirões Jussara, Caxingó, Coquinhos, Barra Nova, entre outros.

Os formadores da bacia do rio Cachoeira são importantes no contexto da região sul da Bahia, pois banham 11 municípios: Itabuna, Ilhéus, Itapé, Itororó, Itapetinga, Firmino Alves, Floresta Azul, Jussari, Itaju do Colônia, Ibicaraí e Santa Cruz da Vitória.

As características geomorfológicas da área da bacia, como forma de relevo, geologia e outros, influenciaram os rios quanto à drenagem, que é do tipo exorréica (desembocam no litoral) e quantidade de sedimentos. Predominam as rochas do complexo cristalino Brasileiro com permeabilidade e porosidade secundárias, decorrendo do fraturamento e cisalhamento das rochas, o que orientou o sentido do percurso de seus rios. No leito raso, o afloramento da rochas forma corredeiras, o que impede a navegação. Em toda a área da bacia, apenas ma cachoeira, denominada Pancada Formosa, é encontrada no rio Salgado, com 12 metros de altura, localizada na fazenda São Jorge, no município de Ibicaraí. Nela foi construída uma hidrelétrica, com potência de 300 kw, destruída pela enchente de 1964.

Com grande parte de sua vegetação florestal devastada, principalmente a de suas margens, continua ocorrendo erosão sobre os terrenos inclinados e assoreamento em vários pontos do leito dos rios, no período das chuvas fortes, quando recebem grande volume de água e transportam os sedimentos.

O regime dos rios da bacia do Cachoeira é pluvial, sendo que o fator mais importante na área é o clima, de três feições marcantes:
  Clima quente e úmido, próximo ao litoral, típico das florestas tropicais com precipitação superior a 1800mm anuais, temperatura média de 24oC e umidade relativa de cerca de 80%, sem estação seca;
  Clima de transição, ocorrendo um período seco nos meses de agosto e setembro. Apresenta temperaturas médias mensais elevadas e pluviosidade 1000mm anuais;

  Clima seco a oeste, apresentando vegetação xerófila (de clima seco) e caducifólia (que perde folhas); precipitação de 700 mm e estação seca de mais de cinco meses.

A diminuição das chuvas nas cabeceiras dos rios formadores da bacia, nos períodos de estiagem prolongada, altera a descarga, diminuindo a vazão. Aliado a isso, os esgotos que são lançados em seu leito, além de outros tipos de poluição, fazem proliferar as baronesas com tal intensidade que estas cobrem todo o leito, modificando a paisagem, dando a ideia que o rio desapareceu, que está morto. Com a volta da chuvas e o aumento da descarga, os rios voltam a fluir normalmente.

O ecossistema que envolve toda a bacia está num estágio avançado de degradação e poluição, principalmente em áreas próximas aos centros urbanos. A bacia do rio Cachoeira está afetada pela erosão das vertentes, em consequência do desmatamento, esgotamento do solo, pelo uso inadequado, pelos esgotos urbanos e industriais, pela falta de saneamento de todas as cidades que estão as suas margens, pelos lixões criados em lugares impróprios, por doenças resultantes de poluição generalizada. Pela importância dos rios para os municípios por eles banhados, e o fato de a água ser um elemento essencial à vida, passou-se a planejar a recuperação, preservação e monitoramento do meio ambiente, através de uma política de utilização racional da bacia, protegendo-a dos problemas que a afetam. Espera-se, desta forma, recuperar a qualidade da água, executado um projeto que contemple a educação ambiental e, através dela, seja promovido o desenvolvimento social e econômico. É importante que seja rigorosamente aplicada a legislação ambiental.

O rio Cachoeira, com 12 km de extensão dentro do município de Itabuna, e 50 km desde sua junção com Colônia e Salgado até sua foz em Ilhéus, corre no sentido SW-E, indo desaguar no Oceano Atlântico através da baía de Pontal, em Coroa Grande (Ilhéus). Seus principais afluentes, dentro do município de Itabuna, são os rios Piabanha e dos Cachorros.

Na área urbana de Itabuna existem 14 micro-bacias de drenagem formadas por córregos, riachos e ribeirões que deságuam no rio Cachoeira, mas a única área em condições de ser efetivamente drenada localiza-se na parte central da cidade. O principal deles, o ribeirão de Lavapés, passou a receber o esgoto doméstico. O nome Lavapés foi-lhe dado em razão de ser parada obrigatória para aqueles que, vindos das roças, lavavam os pés cobertos de lama para calçar os sapatos antes de entrar na cidade.

O vale do rio Cachoeira ora se apresenta aberto em forma de U, ora se estreita em razão das colinas que se aproximam do seu leito. O seu gradiente é da ordem de 2m/1000 de declive entre Itabuna e Ilhéus, aumentando para o interior. 


Fonte: “De Tabocas a Itabuna”, de Maria Palma Andrade e Lurdes Bertol Rocha, Editus, Ilhéus, 2005.

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