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segunda-feira, 3 de abril de 2017

O RIO CACHOEIRA – SUA VIDA, SUA HISTÓRIA, SUAS ENCHENTES

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Foto ICAL
A verdadeira história do rio de Itabuna. Todos os historiadores que escreveram depois sobre o Rio Cachoeira "esqueceram-se" de citar essa fonte fidedigna. (ICAL)

O rio Cachoeira


Nasce nas fraldas da serra de Itaraca, no município de Vitória da Conquista. Depois de banhar parte deste município, entra em terras de Itambé, penetrando no município de Itabuna com a denominação de Rio Colônia, nome que lhe deram os Capuchinhos italianos, que fizeram trabalho de catequese em meados do século XVIII.

Como “Colônia” banha o município de Itaju do Colônia, e depois de receber as águas do Rio Salgado, o seu mais importante afluente, pouco acima de Itapé, passa a ser o Rio Cachoeira até desaguar no oceano Atlântico. Antes, na entrada do porto de Ilhéus, une-se ao rio Santana e ao rio Fundão, formando a chamada “Coroa Grande”.

Nesse percurso da serra de Itaraca até o Atlântico, através mais de 300 quilômetros, as suas águas regam uma das mais importantes regiões da Bahia, sendo o fator principal para a subsistência de duas grandes riquezas do Estado: Cacau e Pecuária.

Curiosamente, apesar de seu nome, o rio não possui, ao longo de seu curso, nenhuma cachoeira importante. Muitas ilhas, por outro lado, pontilhavam o seu leito: Mutucugê, Marimbeta hoje a popular “Ilha do Jegue”, Sequeiro Grande, Bananeiras, Sempre Viva, Quiricós e outras. De todas essas ilhas, existem apenas vestígios.

O principal afluente do Rio Cachoeira é o “Salgado”, que antes de lhe despejar suas águas banha as terras de Ibicaraí, Floresta Azul, Firmino Alves, Itororó e Santa Cruz da Vitória. São ainda seus afluentes, Piabanha”, “Catolé”, “Duas Barras”, “Sucuriuba”, “Ponte” “Sapucaia” “Areia”, “Primavera”, “Jacarandá” e “Itaúna”, este último entre “Salobrinho” e “Cachoeira”, o qual para alguns, passa por ter sido a origem do atual nome de Itabuna.

A história do rio Cachoeira começa justamente onde termina o seu curso: à entrada do porto de Ilhéus. Ali, em 1535, suas águas foram testemunhas da chegada de Francisco Romero, que vinha tomar posse das cinquenta léguas de terras doadas por D. João III, pela Carta Régia de 25 de abril de 1534, ao escrivão da Corte de Portugal, Jorge de Figueiredo Correia e que se constituía na Capitania de São Jorge dos Ilhéus.

Esse rio assistiu e acompanhou, ainda, as lutas dos donatários e ouvidores da capitania, contra os terríveis Aimorés, Tupiniquins e Guerens, guardando na lembrança das suas águas os nomes de Lucas Giraldes, D. Helena de Castro, Brás Fragoso, Vasco Fernandes Coutinho, Antônio da Costa Camelo, Luiz Freire de Véras, Francisco Nunes Costa, Balthazar da Silva e outros.

Em 1595 suas águas deram passagem aos hereges franceses, que saquearam e devastaram a pequena aldeia de Ilhéus. Mais tarde,  abrigariam também, os soldados da esquadra do almirante Lichthardt, que desembarcaram no Pontal, fazendo dali a cabeça de praia para o assalto e saque a Ilhéus. Em ambas as invasões, os estrangeiros foram heroicamente repelidos pelos poucos habitantes da Vila, com a intercessão da Virgem Maria, originando-se daí a lenda e culto de N.S. das Vitórias.

Segundo o Dr. Francisco Borges de Barros, no livro “Memórias do Município de Ilhéus”, edição de 1915, foi em 1553 que tiveram início as explorações nas margens do  Cachoeira. Apenas uma parte, a que era navegável, ou seja o trecho entre Ilhéus e Banco da Vitória era conhecida e explorada. Já nesse tempo, o padre Luiz Soares de Araújo, referindo-se ao rio escrevia: “Caudaloso rio chamado o da Cachoeyra da Vila, capaz de navegar sumacas, barcas, lanxas e canoas; não há quem lhe saiba o seu princípio, por vir muito de dentro do Sertão e que todos afirmam que vem das minas...”

A incumbência de exploração e catequese nas margens do Cachoeira coube ao Padre Manoel da Nóbrega, juntamente com os catequistas Francisco Pires, Aspicuelta Navarro, Manoel Chaves e outros.

Os trabalhos dos jesuítas se desenvolveram mais para as regiões de Porto Seguro, Itacaré, “Boipeba”, Cairu e Canavieiras, mas alguns deles se ocuparam dos índios que viviam nas margens do rio, no seu referido trecho navegável.

Mais tarde, em 1570, durante a época das “bandeiras”, uma dessas expedições, chefiada por Martins Carvalho, penetrou pelas margens do rio indo até a um ponto além do Banco da Vitória.

Um personagem de destaque nas expedições ao longo das margens do Cachoeira foi o capitão português João Gonçalves da Costa. Contam-se várias histórias a respeito da ação devastadora contra os índios, destacando a sua crueldade contra os mesmos, a ponto de A. de Saint Hilaire, no seu relatório “Voyage ou Perou,” assim se expressar: “o quadro de destruição e os atos de selvageria praticados por João Gonçalves da Costa, contra os fracos restos de índios das margens do Cachoeira e Rio de Contas, desafia ao mesmo tempo a sensibilidade do homem de coração bem formado”.

Em “Capitania de São Jorge dos Ilhéus”, o doutor João da Silva Campos registra também a ação devastadora  praticada contra os índios Guerens pelos paulistas, chefiados por João Amaro, especialmente contratados pelo governador da Província, Afonso Furtado de Mendonça.

Muito sangue, muita crueldade e as vidas de milhares de índios foi o preço da conquista e exploração das margens do Cachoeira.

No princípio do século XVIII, os frades capuchinhos deram início à catequese dos poucos índios que sobreviveram às carnificinas de João Gonçalves e João Amaro.

Do trabalho catequético desses piedosos e bravos frades, foram surgindo ao longo do curso do Rio Cachoeira, aldeias, povoados, colônias e missões, entre estas: Banco da Vitória, Cachoeira de Itabuna, Ferradas, Cachimbos, Catolé e outras.

Uma destas povoações muito progrediu, foi a de Cachoeira de Itabuna, no tempo de Weyll e Samaraker, colonos estrangeiros que fundaram ali nas margens do Cachoeira e seu afluente “Itaúna”, uma colônia que ficou muito afamada pelo desenvolvimento da cultura de cana de açúcar arroz, cacau e fumo, produtos que chegaram a ganhar medalhas de ouro nas exposições de Viena, Turim e na Corte do Brasil.

Também a povoação do Banco da Vitória conheceu um surto de progresso, servindo como o nosso primeiro Porto fluvial.

Entre os muitos que morreram afogados nas águas do Cachoeira, um deles ficou na história, foi o nobre frade capuchinho Luiz de Grava, no dia 19 de abril de 1875, quando viajava de canoa com destino ao arraial de Tabocas.

Entre as ilhas formadas pelo Cachoeira, uma delas tem uma história muito nossa conhecida. É a Ilha do Jegue, que já se chamou “Ilha da Marimbêta”, “Ilha dp Temistocles” e “Ilha do Capitão Aristeu”, porque ela foi testemunha da chegada de Félix Severino e Manoel Constantino, pioneiros da corrente migratória sergipana rumo a Itabuna, ouvindo bem próximo de si o barulho da derruba da primeira árvore que serviu de marco de uma cidade que cresceu com o tempo e se transformou na grande e bela cidade de Itabuna.

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Em 1914, registra-se a primeira grande enchente do Rio Cachoeira. Fortes chuvas desabaram sobre a região, durante 11 dias, resultando num alagamento geral e destruição de tudo que existia próximo às suas margens, sofrendo com isso Itabuna, que começava a surgir, a perda de suas primeiras ruas. Foi a maior enchente até poucos dias.

Muitas e muitas enchentes seguiram-se a esta, uma delas, entretanto ficou famosa: a de 1920, porque batizou a nossa falada ilha. A “Ilha do Capitão Aristeu”, passou a ser chamada “Ilha do Jegue”. Um jumento ficara preso na dita ilha, sendo alvo da compaixão e curiosidade públicas, durante quatro dias, sendo salvo depois que as águas baixaram e recebido por uma grande multidão que lhe deu as honras de um “herói”.

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Em 1947, a ponte Lacerda, recém-construída, serviu de barragem para grande quantidade de “baronesas”, capim “amazonas” e outros vegetais que o rio transportava.

As águas represadas invadiram as partes mais baixas da cidade. Foi grande a destruição na Mangabinha, Burundanga, Bananeira, Berilo e outros bairros ribeirinhos.

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Em 1964, novamente as águas do rio Cachoeira estiveram em fase de enchente, voltando a causar prejuízos nos mesmos lugares anteriormente atingidos.

Um ano depois, ou seja, em 1965, mês de novembro, o Cachoeira pegava novamente Itabuna, chegando a alagar a Avenida do Cinquentenário. Foram grandes os prejuízos.

Ultimamente, dezembro de 1967, segundo registros históricos, muito superior a todas as enchentes foi esta última, cujos efeitos ainda estão bem vivos na memória de todos.


(DOCUMENTÁRIO HISTÓRICO E ILUSTRADO DE ITABUNA 1ª Edição - 1968)

José Dantas de Andrade

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segunda-feira, 20 de março de 2017

HISTÓRIA DE ITABUNA: AS BODAS DE OURO DA JOVEM ITABUNA

As bodas de ouro da jovem Itabuna


      As comemorações dos 50 anos de Itabuna, no dia 28 de julho de 1960, culminaram definitivamente com a inauguração da Avenida do Cinquentenário. Para marcar a data, o prefeito José de Almeida Alcântara quis contratar artistas de fora – aquela deveria ser a maior e mais bonita festa até então realizada na cidade.

      No entanto, o projeto, orçado em quatro milhões de cruzeiros, infelizmente superava em muito as possibilidades financeiras do município. Assim, Alcântara decidiu criar um grêmio que se encarregasse da organização do evento, conseguindo reunir o padre Nestor Passos, o artista plástico Walter Moreira, o vereador Raimundo Lima, o historiador José Dantas de Andrade, o fazendeiro José Alves de Menezes, o jornalista Ottoni José da Silva, o professor Plínio de Almeida, o médico Rayol, dentre outros homens ilustres da sociedade Itabunense, verdadeiramente engajados no processo de desenvolvimento da cidade. Cabia ao grêmio, portanto, pensar na efetivação de um evento não menos importante, porém mais econômico, envolvendo os artistas locais e toda a comunidade. Do grupo, boas ideias foram brotando. O artista plástico Walter Moreira idealizou um grande desfile com carros alegóricos, onde seriam apresentados temas ligados à história da cidade. O vereador Raimundo Lima (um dos maiores oradores da história de Itabuna), ficou encarregado de preparar um discurso. O historiador José Dantas de Andrade incumbiu-se de uma coletânea com fotos da cidade e das famílias tradicionais. O jornalista Ottoni Silva assumiu toda a parte de divulgação, nos meios de comunicação da época. Voluntariamente cada um tomou para si uma tarefa.

      A proclamada festa em comemoração ao meio século de existência da próspera Itabuna foi um sucesso quase que total (isso porque uma chuvinha constante conseguiu tirar um pouco do brilho dos espetáculos – situação irremediável para a grande equipe dos organizadores!!), tendo sido iniciada às cinco da manhã com a alvorada em frente à Matriz de São José, missa solene, saudação oficial do Tiro de Guerra 126, hasteamento da bandeira e até a apresentação da Esquadrilha da Fumaça. No entanto, os festejos culminaram com o desfile dos doze carros alegóricos na Avenida do Cinquentenário. Decorados pomposamente, eles abordavam a vida dos tropeiros e pioneiros, bem como a vida do Arraial e Vila de Tabocas, as tribos Pataxós e Camacãs, por fim, aspectos sociais, econômicos e históricos da cidade. Todo o material, desenhado e pintado pelo artista Walter Moreira, embora iniciado com grande antecedência, só ficou mesmo pronto minutos antes do grande desfile, devido à enorme riqueza de detalhes, dos quais o artista não quis abrir mão. O carro principal de todo o cortejo trazia à frente um busto de barro do Comendador Firmino Alves, esculpido pelo próprio Walter Moreira.

      O Cinquentenário tornara-se um grande acontecimento, feito para e pela comunidade. Todos participaram de alguma forma, criando uma situação propícia para a tal festividade. Para os itabunenses, os cinquenta anos de existência da cidade tinham um grande significado. De acordo com a publicação do Jornal Diário de Itabuna, do dia 28 de julho de 1960, Itabuna prosperara prodigiosamente num período de tempo relativamente curto, obtendo o segundo lugar entre os municípios mais populosos do Estado baiano (perdendo somente para a capital), com uma população de 147.780 habitantes, sendo que a população da cidade atingia os 25.351 habitantes, de acordo com o recenseamento geral de 1950.
       
      Contava com um aeroporto, vários bancos, uma agência do Instituto de Cacau, duas estações radiofônicas, hospitais, escolas, clubes recreativos e sociais, uma empresa de ônibus, dois jornais diários, quatro cinemas, duas grandes fábricas (a de biscoitos Tupy e de colchões de mola Iracema), além de uma pluralidade de vários outros setores. Para orgulho de todos, a cidade tornara-se o pólo de crescimento de todo o sul baiano, atraindo profissionais liberais e investidores agrícolas. A “Princesinha do Sul” vivia o seu boom, usufruindo os bons frutos do presente e sonhando com um futuro promissor. Aos cinquenta anos, nos belos “anos dourados”, Itabuna tinha mesmo bons motivos para comemorar.
 
Do livro ITABUNA HISTÓRIA E ESTÓRIA de Adriana Dantas Andrade-Breust
Editus - Editora da UESC


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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

HISTÓRIA DE ITABUNA: A HONRA NAQUELES TEMPOS - Oscar Benício dos Santos

A honra naqueles tempos


Estamos no início do século passado. Itabuna parcialmente às escuras, tinha seus bairros, ou melhor, suas ruas de melhores edificações iluminadas, juntamente com as residências, por motores a diesel. Estas máquinas ficavam na conhecida Usina de Luz e era manobrada por trabalhadores da região sob a direção de um homem correto e honesto pai de família.

Por desconhecer o nome do chefe da Usina, vou tratá-lo por Compadre, como meu avô o chamava, pois havia batizado uma de suas filhas.

Este senhor passava as noites praticamente às claras na Casa da Luz – como a maioria dos habitantes de Taboquinhas a conhecia.

Vizinho à Usina morava um casal de lindíssimas moças casadoiras, as quais cuidavam mais de se casarem do que qualquer outro afazer. Das três jovens, a mais velha e desinibida, apiedou-se da solidão do Chefe da Usina e resolveu, às escondidas dos pais, fazer companhia, com suas conversas cativantes, ao compadre do meu avô. Conversa vai, conversa vem, até que uma noite ela deixou de conversar e ele de ouvir. O esperado aconteceu...

Naquela época o defloramento era crime tão grave quanto o homicídio e só era reparado com o casamento ou prisão.
O Compadre homem de certo preparo e conhecimento, sabedor do delito que havia cometido, refugiou-se na casa do meu avô materno, Manoel Amâncio da Silva – Escrivão do Júri e Tabelião da Comarca de Itabuna –, pedindo guarida. O destacamento de policiais comandado pelo Delegado o não encontrando na residência, foi procurá-lo na casa do meu avô, pois sabia da amizade entre os dois.

O Velho Manoel da Silva, coronel da Guarda Nacional, recebeu carinhosamente o amigo e o fez sentar-se ao lado direito da cabeceira que ocupava, defronte ao meu pai, Coronel Francisco Benício dos Santos, seu genro, que há pouco chegara. Mandou o Delegado entrar e com a solenidade que a reunião pedia, levantou-se e, apontando a cadeira na outra cabeceira, pediu ao policial para se sentar.

Um diálogo seco entre meu avô e o Delegado prolongou-se por intermináveis minutos para o deprimido Compadre, o qual, percebendo que estava irremediavelmente perdido, sacou do coldre, na cintura, a pistola e apontando-a para o próprio ouvido, numa questão de segundos disparou-a, deixando a cabeça ensanguentada tombar sobre o braço esquerdo.

Horrorizados os circunstantes, boquiabertos observavam o olhar opaco do morto, que só é guardado pelos suicidas. Meu avô interpretou aquele olhar como um pedido de perdão aos seus, que ele deveria levar à mulher e às filhas.

Assim tratava-se a honra naqueles tempos...

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Oscar Benício dos Santos - nasceu em Itabuna BA no dia 08 de dezembro de 1926, filho do desbravador de Itabuna e historiador Francisco Benício dos Santos e de dona Adelaide. Estudou em Itabuna e depois em Salvador no Instituto Baiano de Ensino e no Colégio Maristas. Fez o curso de Odontologia na Faculdade Federal da Bahia. Ao se formar montou consultório em Salvador e também cuidava  das suas fazendas de cacau em Itabuna e de gado em Itaju do Colônia. Hoje reside na sua Fazenda Guanabara em Itabuna. É autor do livro CACAU EM VERSOS lançado com grande sucesso na 1ª Feira Universitária do Livro da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC no dia 21/10/2013 

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

HISTÓRIAS DE ITABUNA: O Futebol Itabunense

História do futebol Itabunense



O primeiro clube de futebol de Itabuna foi o 
União Brasil. Foi fundado no dia 20 de julho de 1910 pelos Srs. Pedro Celestino Bastos, Nestor José Ferreira, Adelmo Viana, Américo de Oliveira Lima, Alcebíades Rebouças, Flávio Batista de Oliveira, Lanulfo Durval e outros.

Em Outubro do mesmo ano surgiu o “Guarany Esporte Clube”, fundado por Pompílio Silveira, Ismael Alves Casaes, Rosemiro Pereira, Isaltino Mota e outros. Entre os seus componentes figurava como jogador o Coronel Oscar Marinho Falcão, o chamado “rei do cacau”, que jogava na posição de quarto zagueiro.

Estes dois times jogavam todos os domingos, disputando um contra o outro, dividindo a torcida entre si.

Esquisitos eram os seus uniformes: calções que chegavam abaixo dos joelhos, camisas de gola, mangas compridas, bonés ou gorros feitos com a mesma fazenda das camisas e alguns usavam até gravatas...

Com o tempo foram surgindo outros times, que não duraram muito tempo, quase todos com nomes de vultos ou datas de nossa história: Castro Alves, Ruy Barbosa, Olavo Bilac, Princesa Isabel, Tiradentes, Dois de Julho, 7 de Setembro...

Em 1922, existindo aqui dois times de futebol, Ypiranga e Rio Branco, formou-se um combinado, que tomou parte no PRIMEIRO TORNEIO INTERMUNICIPAL DE PÉ-BOLA, realizado em Salvador, obtendo um honroso terceiro lugar.

Daí em diante, tendo sempre como palco a Praça da Matriz, sucederam-se disputas entre Ypiranga e Rio Branco. Às vezes eram disputadas partidas entre as equipes de Ilhéus, Rio do Braço, Água Preta, Pirangi e outras.

Em 1924, o Intendente Laudelino Lorena iniciou a construção do Jardim da Praça da Matriz (Olinto Leone), acabando com as festas dos times Ypiranga e Rio Branco.
Neste mesmo ano, (1924), surgiu na Rua da Jaqueira, o Esporte Clube São José, que tinha o seu campo no pasto do Senhor Berilo Guimarães, onde depois foi instalado o Campo da Desportiva. Neste espaço hoje está o Centro de Cultura Adonias Filho.

Em 1930, os times ItabunaSão José e Atlético criaram a LIGA ITABUNENSE DE DESPORTOS ATLÉTICOS, que com a inclusão do Janízaros, time fundado depois, realizou o primeiro campeonato de futebol de Itabuna. O São José, mais tarde tomou o nome de Grêmio Esportivo Itabunense.
Depois surgiram outros times que se filiaram à liga: Vasco, América e São Cristóvão.

Seguiram-se anos de bom futebol e perfeito amadorismo. O campo da Jaqueira serviu por muito tempo de palco aos bons espetáculos futebolísticos, até que em 1936 foi fundada a SOCIEDADE DESPORTIVA ITABUNENSE que cercou o campo, primeiramente de zinco, depois com muro.

Atlético, América e Vasco encerraram suas atividades e surgiu a Associação Atlética Itabunense e o Coríntians.  A Associação Atlética Itabunense chegou a ser considerada um dos melhores times de amadores do interior do Estado da Bahia. Tivemos também o Itabuna Futebol Clube em ótima fase.

Depois de longo período de estagnação, em 1954, o Departamento de Esportes da F.I.A.R. reconstruiu o Campo da Desportiva e os times ressurgiram num bom ritmo de entusiasmo. Tivemos visitas do Botafogo, Flamengo, Fluminense, América, Santa Cruz de Recife e outros clubes de categoria.

Já nessa época, quando a associação Atlética Itabunense estava substituída pelo Clube Recreativo Flamengo, surgiram mais dois novos times, Fluminense e Botafogo e, três anos depois, (1957), o futebol amadorista de Itabuna, sagrando-se campeão do Torneio Antonio Balbino, iniciou através de sua briosa seleção a marcha para a conquista de um título inédito no Brasil: HEXA-CAMPEÃ DE FUTEBOL AMADOR.


Do livro DOCUMENTO HISTÓRICO E ILUSTRADO DE ITABUNA de José Dantas de Andrade


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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

HISTÓRIA DE ITABUNA: Pânico no Montepio

Pânico no Montepio
(Humor)

Em 1930, alguns dias após a vitória da revolução, houve em Itabuna uma reunião na sede da Sociedade Montepio dos Artistas para se tratar de assuntos relativos aos preenchimentos dos cargos públicos, abandonados pelos seus titulares.
      A esta reunião compareceram os representantes de todas as classes, autoridades militares e também um contingente de atiradores do tiro de guerra 500 de ilhéus, sob o comando do tenente Astor Badaró.
      No decorrer da reunião, surgiram algumas discussões acaloradas, com os ânimos um pouco exaltados. Justamente numa destas ocasiões, um dos atiradores notando que o seu fuzil estava com o ferrolho aberto tratou de consertá-lo, sendo que para isso teve de fazer a devida manobra. Ouvindo o barulho característico da manobra do fuzil, o tenente Astor, inadvertidamente, apitou para pedir atenção. foi o bastante para se estabelecer o pânico no apertado salão do Montepio, sendo inteiramente impossível evitar-se a debandada dos que ali se encontravam.
      Apavorados, enquanto uns tratavam de sair pelos fundos, galgando os muros e os telhados das casas que davam para a Avenida Sete de Setembro, outros tentavam sair pela frente.
      Logo na entrada do salão, existia uma grande vitrine, com algumas selas em exposição, obra do artista seleiro José Cupertino de Sousa Gomes. Com o atropelo, os vidros dessa vitrine foram os primeiros que se quebraram, causando ferimentos em alguns.
      Entretanto, um dos apavorados, na carreira em que vinha, entrou pela vitrina adentro, julgando que a mesma fosse a porta de saída. Neste exato momento, uma das selas lhe caiu sobre as costas e ele julgando que fosse alguém que lhe estivesse embargando a carreira, investiu forte carregando a sela nas costas até o meio da rua.


José Dantas de Andrade

Documentário Histórico Ilustrado de Itabuna – 1ª Edição - 1968

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domingo, 5 de fevereiro de 2017

HISTÓRIAS DE ITABUNA: Escolas

Imagem Google
Escolas


          A primeira escola de Itabuna, conforme informações de pessoas da família do Cel. Firmino Alves, foi instalada na Burundanga, mantida pelo Cel. Firmino Alves e a professora chamava-se Maria Rosa de Jesus e por ser muito corada tinha o apelido de “Rosa Camarão”.

          Entretanto a primeira escola oficial desta localidade começou a funcionar em 1878, na então Rua da Areia, ainda no tempo de Tabocas. Era mantida pelo município de Ilhéus e o seu professor chamava-se José Marcelino Borges.

          As primeiras escolas públicas deste município foram criadas pelo Intendente Olinto Leone, em 1908, regidas pelos professores: Bel. Júlio Virgínio de Santana, Marieta Galvão, Valentim da Costa Lima, Amália Ferreira Lorens e Rosa Guimarães de Lima. Nessa época foram também criadas escolas municipais para as localidades de Ferradas, Catulé e Feirinha. A professora de Ferradas foi D. Eutália Maria de Oliveira, a de Catulé, D. América Magalhães e a de Feirinha, D. Joana Bastos.

          Em 1909, começaram a funcionar duas escolas estaduais regidas pelas professoras: Etelvina de Araújo Mendonça e Lúcia Oliveira.

          Em 1910, já se registrava a existência de duas escolas particulares das professoras: Maria do Carmo Ferreira e Maria Amália Bastos.

           Em 29 de setembro de 1915, foi fundado nesta cidade o primeiro colégio de curso adiantado, sob a direção do Dr. José de Sá Nunes (notável filólogo brasileiro) , Álvaro Passos e Euclides Dantas, com denominação de “Colégio Cabral”.

          Em 1923, outro colégio de curso superior foi fundado nesta cidade por iniciativa da Sociedade São Vicente de Paulo, ou seja o Colégio São Vicente de Paulo, que inicialmente esteve sob a direção do Cônego Amâncio Ramalho, passando depois a ser dirigido pelas irmãs de caridade, com a denominação de “Colégio Divina Providência”, transformando-se posteriormente em Ginásio.

          De 1920 a 1930, surgiram alguns colégios particulares e outros mantidos pelas Sociedades: Loja Maçônica e Montepio dos Artistas.

          Entre os colégios particulares o mais importante foi o dirigido pelo professor Américo Guimarães Costa.

          Na falta de outros registros aqui ficam os nomes dos professores que ministraram seus ensinamentos aos primeiros filhos de Itabuna : Pe. André Costa, Brasília Baraúna de Almeida, Sancha Galvão, Alzira Paim, Otaciana Pinto, Maria José Capinã, Dalila Paganelli, Alice Ferreira, Emília Edith de Oliveira, Alice Pinto Leite, Albertina Barbosa, Olga Leone Grego, Mathilde da Silva Pachaco, , Ewertom Chalup, Maria Celeste Mota, Antonieta Mariani, Leonor Pacheco, Maria Paulina de Queiróz, Maria Sílvia de Queiróz Sampaio, Josefina Andrade, Edmundo Belfort de São Luiz Saraiva, Nestor Fernandes Távora, Adolfo Silva, Jovino França, Primitivo Alves Neves e América Freire (Ferradas), Albertina Oliveira (Muntuns), Guilhermina Cabral (Macuco), Almerinda Barbosa, Maria José Borba Toiurinho, Laura Rolemberg de Oliveira (Rua de Palha), Cecília Pinheiro e Carmosina Conceição Costa (Ferradas), Júlia Guimarães Costa e Lindaura Brandão.

          Representando a grande legião de professores dos diversos cursos: primário, secundário e ginasial que atualmente (1968*) ministram seus ensinamentos a milhares e milhares de alunos, ficam aqui registrados os nomes dos seguintes: Plínio de Almeida, Antonio Lúcio Silva, Flávio Simões, Raimundo Machado, Litza de Carvalho Câmera, Rita de Almeida Fontes, Tereza Gomes Ribeiro, Hermita Santos, Geny Miranda Bastos, Celina Braga Bacelar, Juliana L. Caetano, Alonso Djalma, Walter Moreira e Nestor Passos.


(Documentário Histórico Ilustrado de Itabuna – 1ª Edição – 1968)
José Dantas de Andrade

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sábado, 28 de janeiro de 2017

ITABUNA ONTEM: "Mergulhando" na História de Itabuna

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"Mergulhando" na História de Itabuna


No começo do século XIX teve início a abertura de uma estrada ligando a Vila de São Jorge dos Ilhéus à Vila Imperial de Vitoria da Coquista. A região era formada por densa mata e seguir viajando era muito perigoso, particularmente devido ao constante ataque dos índios - inconformados com a presença branca em suas terras.

Em 1815, por ordem do então governador da província da Bahia, o Conde dos Arcos, formou-se um aldeamento à margem do rio Cachoeira com índios que viviam próximos ao rio Almada e que atemorizavam os viajantes. Formou-se, assim, um pequeno vilarejo com aproximadamente 60 pessoas, denominado Vila de Ferradas. Nesta vila, os Padres capuchinhos desenvolveram o trabalho de catequizar os índios, destacando-se o Frei Ludovico de Livorno, o qual, durante 30 anos, promoveu no lugar seu trabalho de evangelização (Jornal Agora, Edição Especial, 28 de Julho de 2001).

Ferradas tornou-se logo um ponto de pouso para os tropeiros que passavam em direção ao Planalto da Conquista, ali também aproveitavam para trocar as ferraduras de seus animais, desgastadas pela estrada lamacenta, um dos motivos que teria dado o nome à Vila de Ferradas. Outra versão para o nome da Vila dá conta de que os Padres Jesuítas, para demarcarem o território que utilizavam, marcavam com ferro em forma de cruz várias árvores, ficando, assim, Vila das Árvores Ferradas (Jornal Agora, Edição Especial, 28 de Julho de 2001).

Certo é que logo Ferradas se tornou um lugar para negociar e comercializar produtos, a Vila chegou a receber personalidades ilustres como o Príncipe Maximiliano Alexandre Felipe de Wied Newwied (1816) e os brasilianistas Von Spix e Von Martius (1817).

Atraído pela fama da terra fértil, chega à região Félix Severino de Oliveira vindo da Chapada dos Índios - Se. Em 1857, tendo a companhia de Manoel Constantino, o sergipano Félix Severino do Amor Divino ( como ficou conhecido) rumou mata a dentro em busca de terras muito boas para o plantio, como lhe dissera existir o companheiro. Seguiram margeando o rio Cachoeira até uma área 30 quilômetros mata a dentro, onde resolveram fazer uma taboca (roça). A esse local deram o nome de Marimbeta e ali ergueram a primeira casa da futura cidade de Itabuna, uma cabana na verdade.

Foi neste local, denominado Marimbeta, que Severino e Constantino trabalharam abrindo a mata, plantando milho, mandioca, cana-de-açúcar e cacau. Vendo a prosperidade do lugar, Felix Severino do Amor Divino manda vir de Sergipe parentes e amigos seus a fim de suprirem a carência de mão-de-obra e também prosperarem: era o ano de 1867. Dentre os parentes que chegaram , veio um sobrinho chamado José Firmino Alves (então com 14 anos) que mais tarde seria considerado fundador da cidade de Itabuna.

É preciso, contudo, ressaltar que foi grandemente significativa a presença dos sergipanos para o surgimento da cidade, mas também foi marcante a dos sírio-libaneses e daqueles vindos de Feira de Santana (Andrade, 1986,p. 122).



Fonte de Pesquisa: Cadernos do CEDOC - Publicação do Centro de Documentação e Memória Regional da UESC. Editora da UESC. 

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

HISTÓRIA DE ITABUNA:História de Ferradas

História de Ferradas


          João Pereira virou-se para Carlos Sousa e lembrou-lhe a promessa de contar a história de Ferradas.

          - Isto aqui, iniciou Carlos Sousa, que era homem meio letrado e escrevia alguns artigos no violento jornal do farmacêutico Tourinho, é uma terra que tem uma história bonita; nasceu do ideal cristão de um missionário chamado frei Ludovico de Liorne. Antes, porém,  da vinda do missionário passou uma estrada em direção ao sertão. Quem a mandou abrir foi um senhor de engenho de Ilhéus.
Chamava-se Felisberto Caldeira Brant, futuro Marquês de Barbacena. Resolveu fazer a estrada para abastecer a cidade de Ilhéus de carne de boi, dos rebanhos que existiam lá pelas bandas do sertão de Minas.

          A estrada saiu de Ilhéus com o rumo ao arraial de Conquista; custou naquele tempo um dinheirão, dois mil cruzados. Em 1812, ainda estava no rio Salgado. O trabalho da estrada foi realizado por um português brutamontes, de nome Felisberto Gomes Caldeira, parente do senhor de engenho. Esse português, naquele tempo tenente-coronel, dono da terra, metido com negras e mulatas escravas, pintou e bordou com os pobres índios. Fez tanta malvadez, bateu tanto, espancou tanto, que até as feras das matas se amedrontaram dele.

          Anos mais adiante, nas guerras da Independência, meteu-se a gente e foi trucidado pelo célebre batalhão dos periquitos, recebendo, assim, na própria carne, as dores que os aborígines sofreram com as suas perversidades.

          A notícia, porém, das atrocidades praticadas contra os selvagens chegou ao conhecimento das autoridades e dos missionários.

          Imediatamente tomaram providências e trataram de corrigir os excessos. Baltasar Lisboa, comendador, dono da sesmaria de Ferradas movimentou-se e aproveitou a oportunidade para localizar, nos seus domínios, a antiga aldeia dos Gueréns, do Almada. Em seguida, chegou frei Ludovico de Liorne, que pôs termo à intranquilidade reinante, provocada pelo empreiteiro da estrada, e ergueu logo a cruz de Cristo, como símbolo da civilização.

          Esse frade, continuou a contar Carlos Sousa, segundo as crônicas, era cheio de bondade e devoção. Seu olhar, brando como a luz da tarde, infundia respeito enorme. Não só os civilizados, também os índios tinham por ele consideração semelhante, a que um bom filho dispensa ao pai.

          Viveu em Ferradas mais de trinta anos, civilizando os índios camacãs, pataxós, gueréns, e estendeu a sua ação ao Boqueirão, ao Colônia, até ao rio Pardo.

          Homem santo, esse frade,  toda a sua vida dedicou-a ao bem da humanidade. Na sua terra, na Itália, foi capelão do exército de Napoleão Bonaparte.

          Nunca teve medo da maldade humana, porque tinha fé e acreditava em Deus. Servia aos homens pelo amor de Deus.
Contavam dele que, na mais terrível batalha, quando os soldados caíam mortalmente feridos ele os assistia com as suas orações, até o último suspiro. E nunca uma bala feriu o seu corpo, mais de santo que mesmo de homem pecador.

          Foi esse homem quem fundou Ferradas, quem lançou, aqui, a semente do trabalho e da civilização que se espalhou pelo município.

          Ferradas teve dias grandiosos. Hospedou gente muito boa. Acolheu cientistas. Estiveram visitando-a o Príncipe Maximiliano, Spix e Martius.

          Nessa ocasião os cientistas bávaros condecoraram o arraial com o título de Vila de São Pedro de Alcântara, em honra ao primeiro Imperador do Brasil.

          Mas tudo passou. Frei Ludovico, velho e enfermo, foi morrer no seu convento, em Salvador.

          As colônias se acabaram e as plantações de cacau começaram a aparecer e a despertar a ambição nos homens brancos. Enquanto os índios recuavam para as matas, levas e levas de desbravadores se apoderavam das terras boas para o cacau, vindos de Ilhéus e do norte.

          E assim Ferradas mudou logo. Saiu do poder dos índios e dos padres e entrou na posse dos civilizados do cacau. Num instante, as suas casinhas de barro, os seus barracões de índios, a sua igreja tosca se transformaram. Casas melhores foram aparecendo, fazendas foram plantando, umas  depois das outras. E a nova povoação, de homens de nova fibra, com outra mentalidade se espalhava pela mata, com a mentalidade do cacau, que é a da riqueza, que absorve o homem, que fanatiza o homem, despertando nele a ambição, que é a mola do progresso.

          A riqueza, companheiro, é assim, boa, mas audaciosa, fascinante, mas atrevida. Por ela os homens brigam, fazem a guerra, ofendem a Deus.

          No tempo de frei Ludovico era diferente. Havia a pobreza, que é mansa como os cordeiros. Os fazedores de riqueza, são diferentes, respeitam a cruz, mas não largam a espingarda, amam até o próximo, quando ele não perturba os seus interesses.



(TERRAS DE ITABUNA – Cap. III)
Carlos Pereira Filho

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

HISTÓRIA DE ITABUNA: O rio Cachoeira

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O Rio Cachoeira
Maria Palma de Andrade e Lurdes Bertol 

O principal curso d'água do município é o rio Cachoeira, que divide a cidade de Itabuna e banha os municípios vizinhos. O rio Cachoeira não é só uma referência geográfica, é um patrimônio histórico, é o próprio testemunho da história de Itabuna e da região, uma vez que, pelas suas margens, penetraram os desbravadores como Félix Severino do Amor Divino e Manoel Constantino, que deram origem à cidade. Por ele chegaram os frades que catequizaram os índios, e os naturalistas que vieram estudar a flora, como Von Martius e Von Spix. O rio Cachoeira é formado pelos rios Colônia e Salgado, que, após a sua junção, a aproximadamente 500 metros à jusante da cidade de Itapé, recebe este nome.

O principal formador do rio Cachoeira, o rio Colônia, nasce na terra de Ouricana, banha os municípios de Itororó, Itaju do Colônia e Itapé, percorrendo 100 km desde de sua nascente até sua confluência com o rio Salgado. Alguns afluentes do rio Colônia são os ribeirões da Água Preta, da Fartura, do Ouro, do Jacaré, das Iscas, entre outros.

O rio Salgado nasce na serra do Salgado, a mais ou menos 300 m de altitude, distante 2 km do povoado de Ipiranga, no município de Firmino Alves. Banha as cidades de Firmino Alves, Santa Cruz da Vitória, Floresta Azul, Ibicaraí e Itapé, percorrendo 64 km até sua junção com o rio Colônia. São alguns de seus afluentes os ribeirões Jussara, Caxingó, Coquinhos, Barra Nova, entre outros.

Os formadores da bacia do rio Cachoeira são importantes no contexto da região sul da Bahia, pois banham 11 municípios: Itabuna, Ilhéus, Itapé, Itororó, Itapetinga, Firmino Alves, Floresta Azul, Jussari, Itaju do Colônia, Ibicaraí e Santa Cruz da Vitória.

As características geomorfológicas da área da bacia, como forma de relevo, geologia e outros, influenciaram os rios quanto à drenagem, que é do tipo exorréica (desembocam no litoral) e quantidade de sedimentos. Predominam as rochas do complexo cristalino Brasileiro com permeabilidade e porosidade secundárias, decorrendo do fraturamento e cisalhamento das rochas, o que orientou o sentido do percurso de seus rios. No leito raso, o afloramento da rochas forma corredeiras, o que impede a navegação. Em toda a área da bacia, apenas ma cachoeira, denominada Pancada Formosa, é encontrada no rio Salgado, com 12 metros de altura, localizada na fazenda São Jorge, no município de Ibicaraí. Nela foi construída uma hidrelétrica, com potência de 300 kw, destruída pela enchente de 1964.

Com grande parte de sua vegetação florestal devastada, principalmente a de suas margens, continua ocorrendo erosão sobre os terrenos inclinados e assoreamento em vários pontos do leito dos rios, no período das chuvas fortes, quando recebem grande volume de água e transportam os sedimentos.

O regime dos rios da bacia do Cachoeira é pluvial, sendo que o fator mais importante na área é o clima, de três feições marcantes:
  Clima quente e úmido, próximo ao litoral, típico das florestas tropicais com precipitação superior a 1800mm anuais, temperatura média de 24oC e umidade relativa de cerca de 80%, sem estação seca;
  Clima de transição, ocorrendo um período seco nos meses de agosto e setembro. Apresenta temperaturas médias mensais elevadas e pluviosidade 1000mm anuais;

  Clima seco a oeste, apresentando vegetação xerófila (de clima seco) e caducifólia (que perde folhas); precipitação de 700 mm e estação seca de mais de cinco meses.

A diminuição das chuvas nas cabeceiras dos rios formadores da bacia, nos períodos de estiagem prolongada, altera a descarga, diminuindo a vazão. Aliado a isso, os esgotos que são lançados em seu leito, além de outros tipos de poluição, fazem proliferar as baronesas com tal intensidade que estas cobrem todo o leito, modificando a paisagem, dando a ideia que o rio desapareceu, que está morto. Com a volta da chuvas e o aumento da descarga, os rios voltam a fluir normalmente.

O ecossistema que envolve toda a bacia está num estágio avançado de degradação e poluição, principalmente em áreas próximas aos centros urbanos. A bacia do rio Cachoeira está afetada pela erosão das vertentes, em consequência do desmatamento, esgotamento do solo, pelo uso inadequado, pelos esgotos urbanos e industriais, pela falta de saneamento de todas as cidades que estão as suas margens, pelos lixões criados em lugares impróprios, por doenças resultantes de poluição generalizada. Pela importância dos rios para os municípios por eles banhados, e o fato de a água ser um elemento essencial à vida, passou-se a planejar a recuperação, preservação e monitoramento do meio ambiente, através de uma política de utilização racional da bacia, protegendo-a dos problemas que a afetam. Espera-se, desta forma, recuperar a qualidade da água, executado um projeto que contemple a educação ambiental e, através dela, seja promovido o desenvolvimento social e econômico. É importante que seja rigorosamente aplicada a legislação ambiental.

O rio Cachoeira, com 12 km de extensão dentro do município de Itabuna, e 50 km desde sua junção com Colônia e Salgado até sua foz em Ilhéus, corre no sentido SW-E, indo desaguar no Oceano Atlântico através da baía de Pontal, em Coroa Grande (Ilhéus). Seus principais afluentes, dentro do município de Itabuna, são os rios Piabanha e dos Cachorros.

Na área urbana de Itabuna existem 14 micro-bacias de drenagem formadas por córregos, riachos e ribeirões que deságuam no rio Cachoeira, mas a única área em condições de ser efetivamente drenada localiza-se na parte central da cidade. O principal deles, o ribeirão de Lavapés, passou a receber o esgoto doméstico. O nome Lavapés foi-lhe dado em razão de ser parada obrigatória para aqueles que, vindos das roças, lavavam os pés cobertos de lama para calçar os sapatos antes de entrar na cidade.

O vale do rio Cachoeira ora se apresenta aberto em forma de U, ora se estreita em razão das colinas que se aproximam do seu leito. O seu gradiente é da ordem de 2m/1000 de declive entre Itabuna e Ilhéus, aumentando para o interior. 


Fonte: “De Tabocas a Itabuna”, de Maria Palma Andrade e Lurdes Bertol Rocha, Editus, Ilhéus, 2005.

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

HISTÓRIA DE ITABUNA: Pontes

Pontes de Itabuna


      As primeiras pontes de Itabuna, resultado da ousadia e liderança somadas ao espírito desbravador dos primeiros habitantes deste pedaço de chão. A mais folclórica, a ponte dos Velhacos, submersa nas águas do Cachoeira, tem história e data de 1940, quando começaram as obras. A colocação de módulos em cimento armado foi feita durante a administração do então prefeito Francisco Ferreira da Silva.
      
      Essa passagem, que ligava o bairro Nossa Senhora da Conceição ao centro da cidade, teve um grande momento na gestão do prefeito Miguel Fernandes Moreira, quando ganhou corrimão de madeira, sendo batizada com o nome de Ponte do Tororó em dezembro de 1954, com direito a festa e muitos fogos.

      Uma enchente, em 1955, levou o corrimão e parte de sua estrutura. Então o povo esqueceu o nome de Tororó e continuou a chamá-la de ponte dos Velhacos.

      A verdadeira primeira ponte, construída oficialmente em Itabuna, foi a do Góes Calmon (que liga o Conceição ao centro) e surgiu em 1920 no governo J.J. Seabra. A ponte veio dar suporte ao traçado da estrada de rodagem Itabuna-Macuco (hoje Buerarema).

      Sua inauguração, em 1 de março de 1928, contou com a presença do governador Francisco Marques de Góes Calmon e do Intendente de Itabuna na época, o coronel Henrique Alves do Reis.

      A terceira ponte, que liga o Centro ao São Caetano, a Francisco Lacerda, foi construída em 1955 pelo Dr. Abílio Caetano de Almeida, então dono de todos os terrenos do bairro. A ponte foi construída por iniciativa própria, a fim de valorizar os terrenos da área.

      Outra construída por particular, de iniciativa do fazendeiro Mário dos Santos Padre, foi a Miguel Calmon, também chamada de Marabá. A ponte leva desvantagem por ter sido construída no mesmo nível do rio e é a primeira a ficar submersa durante as cheias do Cachoeira.

      A ponte foi inaugurada em 1958 e foi considerada a responsável pela ruína de Mário Padre. Ele acreditava estar investindo em algo lucrativo. Tanto que conseguiu um empréstimo no então Banco da Bahia e usou o dinheiro para comprar terrenos e fazer a ponte. Não teve sucesso. Vendeu todos os seus bens de herança para pagar débitos e foi à falência.

      Finalmente vem a última e mais recente, que homenageia uma das grandes lideranças de Itabuna, Calixto Midlej Filho, construída na década de 80 pelo Estado. Com modernas técnicas, até mesmo para evitar problemas com o rio Cachoeira, a ponte liga a Vila Zara (que faz divisa com o São Judas) ao bairro de Fátima. Foi o atendimento de uma antiga reivindicação de moradores dos dois lados do rio.

      Um exemplo de resistência é a ponte 28 de Dezembro, usada por milhares de pessoas por dia, mas quase invisível aos olhos do público. Ela está lá há 77 anos e foi construída na administração do coronel Henrique Alves dos Reis.

      Sua inauguração ocorreu em grande estilo, justamente no dia 28 de dezembro de 1926, data em que se comemora o dia da padroeira do bairro Conceição. A placa, que simbolizou a inauguração, está centralizada no pilar que dá para o lado do rio. Bem escondida, suja e gasta pela ação do tempo, ainda assim é possível ler os dizeres.

      A ponte, com menos de 40 metros de comprimento e cinco de largura, foi erguida sobre um ribeirão, na Rua Felícia de Novaes (próximo à ponte Calixto Midlej Filho). À época, o ribeirão tinha suas águas escuras, mas limpas o suficiente para permitir que os poucos moradores que viviam próximos tomassem banho e pescassem belos robalos, como lembra um ex-morador, o aposentado Juracy Costa Oliveira.

      Ele conta que era menino e morava com sua avó e sua mãe na única casa existente no lado direito do rio, onde funcionou por muito tempo a Usina Luz e Força, ou a usina do Cajueiro, como era conhecida. "Isso aqui era muito bonito, tinha muito verde e poucas casas".

      Ela era uma importante via para quem partia do centro de Itabuna para a cidade de Ilhéus. Com mais de 75 anos, ela suportou por muitas décadas o tráfego pesado de caminhões carregados de cacau. Em tempos recentes passou anos sendo castigada pelos caminhões da Brahma, de tonelagem bem superior ao que ela foi projetada para aguentar, e hoje continua firme mesmo com o tráfego dos caminhões da Schincariol.

      Embora ainda resista ao tempo a ponte está mal conservada. As laterais de proteção estão quebradas, o piso gasto e o mato em volta toma conta. Já o piso, asfaltado há alguns anos, continua firme, assim como a placa colocada na lateral quando de sua inauguração.

      O que era um saudável ribeirão, hoje é um esgoto. De entulhos, matagal e insetos, tudo seguindo uma mesma direção: o velho Rio Cachoeira.

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Memoria Grapiuna - um projeto da Fundação Jupará com patrocínio da rádio Morena FM 98.7 e jornal A Região.

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O PRIMEIRO EDIFÍCIO DE ITABUNA

Edifício Comendador Firmino Alves - Primeiro Prédio de Itabuna


Inaugurado no dia 29 de julho de 1953 como parte das comemorações pelo aniversário da cidade, com uma festa que reuniu empresários e políticos da Bahia, o prédio era o mais alto da época (três andares). Também foi o primeiro a contar com o serviço de elevador. Foi construído para abrigar a Agência do Banco Econômico da Bahia.

Hoje, no térreo onde funcionou a agência bancária existe uma loja de eletrodomésticos. As salas espaçosas e bem decoradas são ocupadas por médicos, advogados, contabilistas, dentistas... São dezoito salas (seis por andar). Os condôminos são os próprios donos. Possui dois banheiros por andar, que mantém suas instalações originais e são todos bem conservados, como é bem conservada toda a estrutura física do prédio. Sua escadaria em bom estado mostra, entretanto, marcas de subidas e descidas ao longo de décadas.

"Daqui era possível se avistar quase a cidade inteira", diz um dos primeiros inquilinos do prédio.
O elevador do edifício chama à atenção pela idade, pelo tipo de funcionamento e por se manter com a mesma eficiência de antigamente. Tem portas sanfonadas e capacidade para seis pessoas. Foi uma atração inédita na Itabuna de 1953. Hoje, ao contrário dos modernos elevadores, na falta de energia elétrica continuará funcionando porque dispõe de uma manivela que permite a continuidade do serviço.

Outro destaque do prédio é o painel criado pelo artista plástico Genaro de Carvalho, especialmente sob encomenda, para o Banco Econômico.

(Excertos de texto de Memória Grapiúna um projeto da Fundação Jupará com patrocínio da rádio Morena FM 98.7 e jornal A Região).
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ITABUNA CENTENÁRIA-ICAL pergunta às autoridades competentes: Por quê consentir que a loja que funciona no térreo faça aquela “sujeira” na fachada do prédio?!...

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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

HISTÓRIA DE ITABUNA: DEPUTADO FÉLIX MENDONÇA ABRAÇA A CAUSA DA IMPLANTAÇÃO DO MUSEU NO CASARÃO DA FAZENDA VALPARAÍSO


Deputado Félix Mendonça abraça a causa da implantação do Museu no Casarão da Fazenda Valparaíso

(Achei este texto entre meus arquivos - de mais ou menos sete anos;  resolvi postá-lo e perguntar: e então, Sr. Ex-deputado Félix de Almeida Mendonça, o senhor abraçou de fato essa causa?
Por que, tão enfático discurso  nada  rendeu  de bom para a Amada Itabuna?
E pergunto à FICC: o Casarão da Fazenda Valparaíso, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), processo n° 1.604-5.10, ‘em razão do seu elevado valor histórico e arquitetônico’, onde seria instalado o Museu da Cidade, para abrigar a História de Itabuna, ainda existe?...)
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Discurso do deputado Félix Mendonça na Câmara em Brasília

O SR. FÉLIX MENDONÇA (DEM-BA.) pronuncia o seguinte discurso:

"- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Itabuna, cidade situada no sul da Bahia, possui uma população estimada em mais de 200 mil habitantes e área territorial de 443 quilômetros quadrados. Seu nome, de origem tupi, significa pedra (ita) preta (una), devido à abundância de pedras escuras naquela localidade.

O Arraial de Tabocas, Distrito de Ilhéus, como assim era chamado antes de sua emancipação, nasceu às margens do Rio Cachoeira. Nos idos de 1857 a região, em processo de desbravamento, era utilizada como rota de passagem pelos tropeiros, que viajavam a partir do litoral em direção ao Município de Vitória da Conquista.

A partir de 1867, o arraial começou sua fase de povoamento. Dentre os primeiros chegados estavam o caboclo Manoel Constantino e o sertanista Félix Severino de Oliveira, conhecido por Félix Severino do Amor Divino. Com a família de Félix Severino, chegaria, então com 14 anos, o menino José Firmino Alves, que mais tarde viria a ser um dos principais nomes na fundação do Município de Itabuna.

Srs. Deputados, o importante fator que deu início ao nascimento do Município de Itabuna foi o crescimento da monocultura do cacau no sul da Bahia, intensificada a partir do final do Século XIX.

A vinda de nordestinos de diversas matizes, que tinham a perspectiva de recebimento de terras devolutas e cultiváveis facilitadas pelo Governo, levou num curto espaço de tempo ao aumento da área povoada.

Itabuna é hoje um polo regional que se destaca por atividades comerciais, industriais e de serviços. Durante o auge do período de grande produção do cacau, e devido à fertilidade de suas terras, próprias ao cultivo dessa rica cultura, tornou-se um importante centro econômico, ocupando o topo da produção cacaueira no País, com exportações principalmente para a Europa e os EUA. Os valores superaram a marca de US$ 1 bilhão anualmente.

Lastreada na monocultura, na década de 1980 Itabuna e a região sofreram profundo colapso econômico causado pela crise do cacau. O ataque da vassoura-de-bruxa à lavoura provocou mudanças drásticas no cenário regional do sul da Bahia. Mas, impulsionado por diferentes alternativas econômicas, o Município de Itabuna voltou-se para as demandas de produção nas áreas de comércio, serviços, indústria e diversificação da agricultura.

Sr. Presidente, Itabuna é berço de grandes escritores, como Jorge Amado, Sonia Coutinho, Hélio Pólvora, Cyro de Mattos, Walker Luna, Florisvaldo Matos, Adonias Filho e Firmino Rocha. Berço também de uma cultura própria, que ficou conhecida como a civilização do cacau.

Itabuna, às portas da comemoração do seu centenário, ainda em 2010, busca, com a conservação de sua cult ura, preservar sua identidade com um centro de memórias.

Sr. Presidente, colegas Parlamentares, preservar, recuperar e dinamizar o passado individual ou coletivo de uma população por meio da memória configura-se um dos caminhos possíveis para a descoberta de processos educativos e culturais que possam redefinir o presente e planejar o futuro.

Itabuna luta para concretizar um antigo sonho: a construção do Museu da Cidade. Busca um espaço próprio e organizado para exposição e preservação de seus ícones culturais, de suas reminiscências históricas, de suas peculiaridades sociais. Quer um espaço para o fomento da memória, para a apreensão do saber por meio da educação.

O Projeto Museu da Cidade de Itabuna é uma proposta que reúne institucionalmente a Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania - FICC e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, ambos órgãos da Prefeitura Municipal de Itabuna.

O Prefeito de Itabuna, José Nilton Azevedo Leal, acompanhado por este Deputado, visitou as dependências do antigo casarão da Fazenda Valparaíso, pertencente ao Coronel Tertuliano Guedes Pinho. Ambos ficamos sensibilizados com a dilapidação daquele importante patrimônio histórico, à mercê do desgaste natural e da falta de manutenção.

Comovido por toda aquela riqueza arquitetônica, o Prefeito José Azevedo priorizou a construção do Museu.

O Prefeito José Azevedo determinou ao atual diretor presidente da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania - FICC, e um dos idealizadores, Cyro de Mattos, que iniciasse a elaboração do Projeto Museu da Cidade, por meio de ações concretas para viabilizar tal empreendimento. Promoveu-se o levantamento fotográfico das condições físicas do casarão, além de ter sido proposto o envolvimento da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano - SEDU, a fim de realizar a avaliação arquitetônica para restauração e reforma do imóvel.

A FICC tem como função a formulação da política cultural do Município de Itabuna e a promoção de ações no âmbito da preservação da memória, da divulgação cultural, do incentivo à cidadania e ao cultivo de uma identidade local, e assim busca consolidar os anseios da comunidade e a vontade política da administração pública, no sentido construir os meios e recursos para instalação do Museu da Cidade

Este deputado é um entusiasta do projeto, junto com o Prefeito Azevedo e Cyro de Mattos. Após consultar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN na Bahia, o Dr. Carlos Amorim, superintendente do órgão, solicitou ao Prefeito que encaminhasse o pedido do tombamento do prédio Tertuliano Guedes de Pinho. Em seguida indicou um funcionário especializado para a avaliação prévia. Depois encaminhou ao Presidente do IPHAN, Dr. Luiz Fernando de Almeida, um competente relatório solicitando o tombamento provisório, que foi aprovado logo após os órgãos técnicos terem sido ouvidos. Essa foi a primeira etapa para o tombamento definitivo.

Simultaneamente às providências relatadas, disponibilizei da minha cota parlamentar a quantia de R$ 1 milhão, destinada ao início das obras do restauro. O tombamento provisório é condição imprescindível para o recebimento de verbas federais.

Por tratar-se de município economicamente desenvolvido, com história significativa e cultura singular, e por já haver a difusão nacional, por meio de grandes eventos, da trajetória da monocultura do cacau na região sul da Bahia, torna-se sustentável e viável cultural, educacional e turisticamente esse projeto.

O complexo cultural deverá atrair um fluxo de visitação permanente, e não só de grapiúnas - naturais da região cacaueira do sul da Bahia - como de turistas diversos, estimulando melhores opções de lazer e cultura, elevando a qualidade de vida da população e promovendo o desenvolvimento urbano local.

Os benefícios gerados pela implantação do museu e pela realização de projetos culturais terão um alcance social significativo, com desenvolvimento de ações que estimularão a capacidade de produção de bens culturais da comunidade. Tudo isso permitirá a revitalização da memória política, social e cultural do município.

A participação dinâmica de visitantes e moradores no conhecimento do acervo, a conscientização da comunidade na preservação do patrimônio material e imaterial da cidade e o desenvolvimento do turismo cultural produzirão renda e promoverão a divulgação das potencialidades do município.

Dentre os objetivos elencados no projeto inicial do Centro de Memórias de Itabuna, podemos destacar: a efetivação da política de preservação do patrimônio arquitetônico e cultural do município por meio do tombamento e da restauração do casarão da antiga Fazenda Valparaíso; a promoção da melhora da qualidade de vida em Itabuna, com o fomento de ações educativas, artísticas e culturais, favorecidas pelas ações e projetos desenvolvidos pelo museu; a incrementação de ações publicitárias para implementação integrada de turismo e cultura como forma de geração de renda e agregação de valores aos artefatos da produção artística e artesanal local; a promoção de melhora da infraestrutura urbana nas adjacências do museu, e de possíveis benefícios aos moradores do local; e a elaboração e a efetivação de ações de pesquisa, preservação e levantamento histórico do município em parceria com universidades e instituições afins.

Dentre esses objetivos que já compõem o projeto, devo ainda sugerir que se promovam e se integrem estudos e pesquisas interdisciplinares voltados à reconstrução da memória histórica e sociocultural do Município, que se constituam acervos documentais e bibliográficos, cuidando de sua restauração, organização, conservação e divulgação, e que se desenvolvam atividades relativas a produção, divulgação e discussão da memória histórica e sociocultural.

Como forma de chegar a esses objetivos, é necessário que o Museu, quando instalado, realize pesquisas próprias e/ou em convênios com outras instituições, preste assessoria a projetos ligados à memória histórica e ao patrimônio sociocultural, organize e promova eventos de ordem acadêmica - seminários, conferências, exposições, cursos, treinamentos e/ou estágios voltados à preservação da memória nas áreas de arquivologia, biblioteconomia, restauração de documentos, história oral e iconografia -, colabore na criação e execução de cursos de graduação, pós-graduação, especialização, extensão e treinamento, nas áreas de sua especialidade, propostos no âmbito de Universidade e cursos profissionalizantes, colabore com instituições culturais externas e desenvolva programas de publicações de caráter científico, bem como de resultados dos projetos dos quais tenha participado.

Portanto, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a criação do Centro de Memórias de Itabuna é de vital importância para a preservação da sua rica cultura e também da cultura do cacau.

Estou seguramente engajado nesse projeto ímpar para a cultura do sul da Bahia, empenhando-me na busca de recursos junto aos Governos Estadual e Federal e oferecendo sugestões no tocante ao objetivo e ações que o Centro deverá desenvolver.

Muito obrigado".

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