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quarta-feira, 4 de julho de 2018

ABL: POETA, PROFESSOR E ENSAÍSTA ALBERTO PUCHEU ABRE NA ABL O CICLO DE CONFERÊNCIAS ‘POESIA E FILOSOFIA’.



A Academia Brasileira de Letras abre seu ciclo de conferências do mês de julho de 2018, intitulado Poesia e filosofia, com palestra do poeta, professor e ensaísta Alberto Pucheu. A coordenação será do Acadêmico Antonio Cicero. O tema escolhido foi Espantografias: entre poesia e filosofia. O evento está programado para quinta-feira, dia 5 de julho, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

A Acadêmica e escritora Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências deste ano.

Serão fornecidos certificados de frequência.

De acordo com o palestrante, a conferência será uma abordagem da relação entre poesia e filosofia no momento de seu nascimento na Grécia antiga. “Abordando termos que em Platão e Aristóteles são atribuídos tanto à origem da filosofia quanto ao determinante na poesia, será privilegiado, sobretudo, o “espanto” (a “admiração”, o “assombro”), mas também seus vínculos com a “aporia” (impasse), como alguns dos que transitam da poesia para a filosofia gregas, mostrando vínculos de experiências e terminológicos entre elas que fazem com que, de certo modo, sejam a mesma, ou tenham suas fronteiras desguarnecidas, ou se indiscernibilizem”.

Poesia e Filosofia terá mais duas palestras, sempre às quintas-feiras, no mesmo local e horário, com os seguintes dias, conferencistas e temas, respectivamente: dia 12, Acadêmico Antonio Cicero, A poesia e a filosofia no mundo contemporâneo; e 26, o ensaísta e professor Evandro Nascimento, Uma literatura pensante: Pessoa, Clarice e as plantas

O CONFERENCISTA

Enquanto poeta, teve os seguintes livros publicados: Na cidade abertaEscritos da frequentaçãoA fronteira desguarnecida (este livro foi concluído com o apoio do Programa de Bolsas para Escritores Brasileiros da Fundação Biblioteca Nacional); Ecometria do silêncio; A vida é assim; Escritos da indiscernibilidade; A fronteira desguarnecida; Poesia Reunida; Mais cotidiano que o cotidiano; Designação provisória(com Victor Heringer); Para que poetas em tempos de terrorismo?.

Publicou os seguintes livros de ensaio: Pelo colorido, para além do cinzento; a literatura e seus entornos interventivos (com este, recebeu o Prêmio Mário de Andrade, Ensaio Literário, da Fundação Biblioteca Nacional/Minc); Giorgio Agamben: poesia, filosofia, crítica; Antônio Cícero por Alberto Pucheu; O amante da literatura; Roberto Corrêa dos Santos: o poema contemporâneo enquanto o ensaio teórico-crítico-experimental; A poesia contemporânea; Kafka poeta; Que porra é essa – poesia?. Organizou diversos livros e números de revistas e periódicos.

29/06/2018

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NÃO! VOCÊ NÃO É MEIO PSICÓLOGO! - Yrma Karolynne



Não, você não é meio psicólogo quando dá conselhos para alguém. Isso é ser amigo.

Não, você não é meio psicólogo quando gosta de conversar com as pessoas. Isso é ser simpático.

Não, você não é meio psicólogo quando dá aconselhamento pastoral na sua igreja. Isso é ser voluntário, pastor, padre... E cuidar de sua ovelha.

Não, você não é meio psicólogo quando gosta de ouvir as pessoas. Isso é ser um bom ouvinte.

Não, você não é meio psicólogo quando acha que sabe ler o futuro de alguém. Isso quem diz que faz é cartomante ou vidente.

Não, você não é meio psicólogo quando tenta se por no lugar do outro. Isso é ser empático.

Não, você não é meio psicólogo quando gosta de saber da vida dos outros. Isso é ser bisbilhoteiro.
(...)

Parem de banalizar uma profissão tão séria como a PSICOLOGIA.

O psicólogo estuda, no mínimo, cinco anos, disciplinas difíceis como:

Anatomia humana,
Psicodiagnóstico,
Psicopatologia,
Estatística,
Psicometria,
Teorias e Sistemas Psicológicos diversos,
Desenvolvimento Humano,
Psicologia Jurídica,

Estuda o CID, o DSM entre tantas outras, para obter seu diploma, e a vida inteira para lidar com o sofrimento do outro.

O psicólogo faz Especializações, Cursos, Seminários, Conferências, etc., para se tornar um bom profissional, se atualizar sempre, e lidar com a dor do outro.

Isso é coisa séria!

Então, por favor, pare de dizer que você é meio psicólogo, porque Psicologia é uma profissão que exige inteireza.

Seja que área for: Clínica, RH, Educacional, Hospitalar, Jurídica.

Aos profissionais que se dedicaram e se dedicam à análise pessoal, aos estudos continuados e hoje são excelentes psicólogos, parabéns!


(Yrma Karolynne)


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HISTÓRIAS DA MÃE NATUREZA - Paulo Coelho


O leão e os gatos

Um leão encontrou um grupo de gatos conversando. "Vou devorá-los", pensou.
Mas começou a sentir-se estranhamente calmo. E resolveu sentar-se com eles, para prestar atenção no que diziam.
- Meu bom Deus - disse um dos gatos, sem notar a presença do leão. - Oramos a tarde inteira! Pedimos que chovessem ratos do céu!
- E, até agora, nada aconteceu! - disse outro. - Será que o Senhor não existe?
O céu permaneceu mudo. E os gatos perderam a fé.
O leão levantou-se, e seguiu seu caminho, pensando: "veja como são coisas. Eu ia matar estes animais, mas Deus me impediu. Mesmo assim, eles pararam de acreditar nas graças divinas: estavam tão preocupados com o que estava faltando, que nem repararam na proteção que receberam".
................

Em silêncio

A árvore estava tão cheia de maçãs, que seus galhos não conseguiam se mexer com o vento.
- Por que não fazes barulho? Afinal, todos nós temos alguma vaidade, e precisamos chamar a atenção dos outros - comentou o bambu.
- Não preciso. Meus frutos são minha melhor propaganda - respondeu a árvore.
.............. 

A margarida e o egoísmo

"Sou uma margarida num campo de margaridas", pensava a flor. "No meio das outras, é impossível notar minha beleza".
Um anjo escutou o que ela pensava, e comentou:
- Mas você é tão bonita!
- Quero ser única!
Para não ouvir reclamações, o anjo a transportou até a praça de uma cidade.
Dias depois, o prefeito foi até lá com um jardineiro, para reformar o local.
- Aqui não tem nada que interessa. Revirem a terra e plantem gerânios.
- Um minuto! - gritou a margarida. - Assim vocês vão me matar!
- Se existissem outras como você, poderíamos fazer uma bela decoração - respondeu o prefeito. Mas é impossível encontrar margaridas nas redondezas, e você, sozinha, não faz um jardim.
Logo em seguida arrancou a flor.
..........

A solidariedade

O leitor Álvaro Conegundes conta que, durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupo; assim, se agasalhavam e protegiam mutuamente.
Mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos e, por isto, tornaram a se afastar uns dos outros.
Voltaram a morrer congelados. E precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da face da Terra, ou aceitavam os espinhos do semelhante.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos. Aprenderam a conviver com as pequenas feridas que uma relação muito próxima podia causar, - já que o mais importante era o calor do outro.
E terminaram sobrevivendo.

Diário do Nordeste, 30/06/2018



 

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terça-feira, 3 de julho de 2018

POR LULA E PT, AMIGO INSEPARÁVEL DE FACHIN O AGRIDE NO TWITTER E PÕE FIM NA AMIZADE: “VERME”


24/06/2018

A militância insana causa miopia, cegueira, absoluta insensatez e é capaz de destruir uma amizade sólida.

Pela adoração a um partido político, que se transformou em uma organização criminosa, e a um ex-presidente, que praticou um saque bilionário contra a nação, o sujeito prefere colocar uma pedra na amizade sólida com um ex-colega na docência universitária e um de seus melhores amigos, que como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) não adotou uma posição parcial em favor do criminoso adorado.

Wilson Ramos Filho, advogado e ex-professor da Universidade Federal do Paraná, a quem Fachin e as pessoas mais próximas tratavam como ‘Xixo’, chegou a descrever como era sua amizade com o ministro:

"Entramos juntos na faculdade, em 1976. Fizemos política estudantil, perdendo todas as eleições. Rimos e choramos variadas vezes. Na vida é assim. Celebramos o nascimento de sua filha bem antes da nossa formatura.

Meu amigo, inteligência vivaz, sempre tinha uma tirada, um sujeito de espírito. Nunca nos afastamos. Ele foi ser advogado público, lecionava Civil. Eu, advogado trabalhista.

Tivemos muitas causas em comum, defendendo coletivos vulneráveis.

Por culpa dele, grande incentivador, voltei para a vida acadêmica sem abandonar as lutas sociais. Devo-lhe isso. Um grande sujeito.
(...)

Fizemos viagens juntos, pelo Brasil, ao México, à Europa. Algumas vezes em casais, outras só os meninos, oportunidades em que esticávamos a prosa no bar dos hotéis. Eu adorava a sagacidade dele. Era um sujeito adorável sob vários aspectos".

Pois bem, esse mesmo ‘Xixo’, que descreveu acima a amizade com Edson Fachin, após a decisão do ministro de não permitir que o recurso do meliante petista seja julgado na próxima terça-feira (26), disparou o seguinte no twitter:

“O princípio da 'colegialidade’ só vale contra a gente. O VERME impede que seus pares apreciem a matéria.”

Noutras palavras, o outrora grande amigo, em nome da paixão ideológica, não respeita a atuação do ministro, a ponto de colocar um ponto final na amizade, ao decretar nas redes sociais:

“Meu amigo morreu.”

Por adoração ao maior ladrão da história, descrito pelo Ministério Público Federal como o ‘Comandante Máximo’ de uma Organização Criminosa, o cidadão destrói de maneira irrevogável uma amizade sólida.

Fica o questionamento: Quem foi o mau amigo? Quem é o mau-caráter?

Articulista e repórter
amanda@jornaldacidadeonline.com.br

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À MENINA RUSSA: AO CORPO DIPLOMÁTICO DA RÚSSIA NO BRASIL E AO POVO RUSSO – Milton Pires



Para entender o que os vagabundos fizeram na Rússia teríamos que ter uma noção de “Pátria”, uma ideia de “Não” - nós não temos! Não somos uma Nação; somos um “bando” de gente reunida numa determinada área geográfica onde cada um cuida do seu rabo e não vai sentir vergonha alguma em nome de uma “algo” chamado “Brasil.”

Teríamos que ter, em segundo lugar, a capacidade de empatia: teríamos que imaginar turistas russos no Brasil fazendo uma menina brasileira repetir “Buceta Rosa” em russo na frente das câmeras – nós não temos!

Teríamos, em terceiro lugar, que imaginar como se sentiram a menina russa, seu pai e sua mãe quando entenderam o que aconteceu: nós não temos e nem queremos ter – eles que “se fodam”.

Teríamos, em quarto lugar, que ter uma Imprensa de Verdade – não uma legião de gays comunistas, maconheiros e cheiradores de cocaína dentro das redações da Globo, Folha de SP, BAND e RBS que não sabem mais o que fazer para soltar Lula, ver Marielle Franco canonizada e Márcia Tiburi governando o Rio de Janeiro.

O que aconteceu na Rússia foi a consequência óbvia, a manifestação natural de um tipo de pessoa que vem de uma sociedade em que se enfiam estátuas de Nossa Senhora na bunda em pleno calçadão de Copacabana, em que crianças são levadas por suas mães para tocarem em homens nus em museus, em que professores levam surras homéricas de alunos das escolas públicas, em que pacientes são atendidos por falsos médicos, em que um bêbado analfabeto e ladrão manda a Justiça “enfiar o processo no cu”, em que uma ladra búlgara preside o país vendo cães invisíveis e saudando a mandioca...

Um país em que onze dentro do Supremo Tribunal Federal rasgam a Constituição a cada vinte e quatro horas... Em que o voto é obrigatório, em que não se pode ter arma, em que se pensa no retorno da contribuição sindical...um país do Lula, FHC, Aécio, Gleisi, Renan, Jucá, Eliseu Padilha, Sarney, Paulo Pimenta, Maria do Rosário...um país em que mais de sessenta mil pessoas são assassinadas por ano e quase dois terços da população quer deixar para morar em outro país…

O que se viu na Rússia foi a consequência natural das novelas imundas da Rede Globo, do prazer que sentimos ao ver pessoas caindo e se machucando em acidentes domésticos quando um gordo cretino e corrupto nos mostra isso durante todas as tardes de domingo…

O que nós vimos os vagabundos fazerem com a menina da Rússia foi, Deus que me perdoe, a consequência, o resultado natural, a manifestação mais pura e legítima da nossa cultura em 2018... A expressão máxima e mais pura daquilo que somos atualmente: – brasileiros...

Em nome de toda pessoa nascida no Brasil com um mínimo de decência, de honra e vergonha na cara, ao saudar e cumprimentar todo corpo diplomático da Federação Russa em território nacional, apresentamos aos senhores as nossas mais sinceras desculpas.


Milton Pires - médico cardiologista de Porto Alegre RS.


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segunda-feira, 2 de julho de 2018

DIÁRIO DE VIAGEM - Francisco Benício dos Santos (11)


BORDO DO Pedro II

31º DIA


Um mês de viagem.
Malas arrumadas.
Passaporte visado.
Cartas de apresentação.
Despedida.

Embarco na “Ferro Carril Transandina” para Valparaíso, no Chile.
Em frente, os Andes, maciços, imponentes – a divisa natural entre Argentina e o Chile.
Eternamente coberto de neve e povoado pelos condores e vulcões.
Ao sul a terra do fogo e ao fim o cabo Horn, onde o Pacífico e o Atlântico se digladiam eternamente sem nenhum dos pugilistas cederem na luta de milhões de séculos.
Lembra-me a coragem e a inteligência  do luso Magalhães, que num assomo de paciência, persistência e intrepidez doou ao mundo a passagem do estreito que tomou o seu nome, cujo epílogo  de tão arriscada e temerosa jornada, foi a sua morte inglória numa ilha selvagem do Pacífico, numa peleja com os nativos.
Triste destino de tão alto personagem.
Pobre Fernão de Magalhães! Viveu somente para o sofrimento, legando o seu nome e a sua descoberta a humanidade que a deixou no mesmo estado até hoje.
Nem valeu a pena o sacrifício.
Aquela passagem pequena, estreita, sinuosa e cheia de escolhos e perigos, é ainda considerada temerosa para os navios que a tentam cruzar, arrastando a raiva e a fúria dos dois oceanos, sempre hostis.

Atravesso regiões maravilhosas  e cidades importantes, e os vários túneis, viadutos e paisagens  da cordilheira.
Afinal Valparaíso, estou no Chile.
Cidade sorriso, cidade encanto, cidade dum povo bom, acessível e, sobretudo, amigo do Brasil e dos brasileiros.
Es brasileno, es Hermano”.

Avenida Brasil, belíssima, artéria cujo nome lembra o meu país distante.
Estamos na costa e porta do oceano Pacífico.
Do outro lado da cordilheira andina, o Brasil...
Indústrias de salitre e de nitratos, riqueza mineral e principal fonte de receita do Chile.
Santiago.
A grande capital e principal cidade do país, tão importante como São Paulo, Porto Alegre  e Montevidéu, apenas inferior ao Rio e Buenos Aires.
Sede do governo e das escolas superiores e universitárias. Centro cultural importantíssimo. Comércio notável.
Demoro-me pouco aqui. Estou atrasado e preciso chegar ao México e a distancia a percorrer é enorme...
Amanhã viajo para a República do Peru.

Já perdi a cronologia deste diário. Agora as notas serão contínuas.
Os incômodos, as viagens, as mudanças, prejudicaram  a continuidade.

Bordo do navio “Hudson” transoceânico norte americano da linha Pacífico Atlântico, via canal do Panamá-Valparaíso-New York.
A costa do Pacífico no Peru é desnuda e desprovida de vegetação; uma desolação!
Verdadeiro contraste com as costas magníficas do Brasil.
A viagem é monótona e aborrecidíssima.

Quatro dias de Valparaíso a Calau. Passei todo esse tempo em leituras. Não fiz camaradagem com os passageiros, na maioria, norte-americanos, ingleses e japoneses, poucos sul-americanos. Apenas dois rapazes peruanos e um casal chileno que se destinavam à Venezuela.

Fiz relações ligeiras com um peruano, muito simpático, mas que nada sabia do Peru e da sua história. Foi criado no Chile.
Chegamos a Calau, o principal porto do Peru, espécie de subúrbio de Lima.
Desembarco só. O navio descarrega mercadorias e ruma ao seu destino.
As dificuldades aduaneiras aqui não existem, especialmente para os brasileiros que são aqui queridos e estimados.
Estou encantado com os peruanos, tal a sua cativante bondade.
E as mulheres, verdadeiros tipos de beleza. A mestiçagem entre fidalgos espanhóis e fidalgos incas deu em resultado o belo tipo moreno das mulheres peruanas.

Lima é uma cidade bem diferente das suas congêneres sul-americanas. Aqui o cunho andaluz é proeminente,  na terra dos vice-reis da Espanha onde a fidalgaria espanhola deixou largos traços da sua característica, nos edifícios, nos costumes,  no povo e na sua aristocracia.
A todo passo encontram-se  edifícios notáveis ao gosto e ao estilo andaluz, em contraste com os mais belos edifícios do estilo moderno e de traços arquitetônicos deslumbrantes e suntuosos, tais como o palácio presidencial que é, sem contestação, um dos mais suntuosos das Américas, tal a imponência da sua arquitetura.
Lima está cercada de tradições históricas, do passado da civilização inca.

A trinta quilômetros está localizado o célebre Pacha-lanec, local onde se encontram os vestígios da milenária civilização incaica, que os espanhóis destruíram com a conquista do nefasto “Cortez”.
Ruínas de cidadelas, fortes, fortalezas, além do vasto depósito de ossos humanos descobertos e desenterrados pelos terremotos periódicos que assolam aquela região.
Disseram-me que em Cuzco (contou-me o Panchito, meu companheiro de viagem de Valparaíso a Calau), que ali é onde está a magnificência do passado inca.
Lá estão os templos do Sol, as ruínas de Machu-Pichu.
Até foi a milênios, o centro e a metrópole do vasto império que se estendia da Colômbia à Argentina.
É um país de tradição, de um passado único na América.
Lima é a cidade aristocrática da América.
Sua cultura científica, artística, literária é importantíssima.
E quanto à bondade, a gentileza e a hospitalidade dos seus habitantes, só é comparável à brasileira.
A encantadora Lima é o centro cultural e aristocrático por excelência.
Aqui deste lado do Pacífico, tem o Brasil um povo amigo que o admira e venera.

De estrada de ferro vou ao afamado lago Titicaca.
Lá está trepado nos Andes, a oitocentos metros de altura e com cerca de oitocentos metros quadrados de águas salobras. Um verdadeiro espetáculo da natureza!
Água, céu e nuvens formam um todo.
Lhamas mansas, domesticadas a serviço do homem, e lhamas selvagens, vivem à beira do  lago numa sociedade com os indígenas, restos de uma raça de fortes que se definha  e se confunde com seu próprio desaparecimento.

Deixo o Peru saudoso e Lima vai ficar na minha mente com a sua paisagem típica, a sua sociedade culta, a sua hospitalidade à brasileira e a sua bondade inata. (Continua na próxima postagem).


(AQUARELAS E RECORDAÇÕES  Capítulo XXII)
Francisco Benício dos Santos

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02 DE JULHO: INDEPENDÊNCIA NA BAHIA - A lenda da princesa negra que incendiou o mar – Geraldo Maia


A lenda da princesa negra que incendiou o mar


Maria Felipa é uma heroína negra
A poderosa Princesa da Bica
Uma Iabá guerreira pela liberdade
Que pôs fogo no mar de Itaparica
Incendiou os navios da escravidão


Era uma princesa negra poderosa
E simples como o mar e a liberdade
A mesma liberdade arrancada de seu povo
A mesma liberdade que brigava na baía
O mar de Kirimurê era o cais da liberdade


Kirimurê tingida de sangue negro
Fez-se resoluta pela Rua do Cais
Até os confins da África Mãe
Onde viviam livres em suas tribos
Com seus Reis e Rainhas e Guerreiros


E Príncipes e Princesas os mais belos
E livres antes do veneno da cizânia
Atiçada pelos invasores de além-mar
Foi lançado povo contra povo
E alimentada a cobiça pelo ouro negro


As cortes de além-mar estavam famintas
Sua cupidez arrasava os horizontes
Em busca de ouro de todas as cores
O cobiçado ouro negro feito de sangue
De negros e negras escravizados


Traficados como peças de um negócio
Onde seres humanos foram reduzidos
A uma mercadoria de alto lucro
A África foi transformada em celeiro
E seu povo negociado nos mercados


Lançaram reinos contra reinos
Irmãos contra irmãos
Pela força da mentira e da desídia
Caíram os mais fracos nos porões
Os súditos da Rainha África dizimados


Pela febre da escravidão arrancados
Da história de suas famílias e terras
Engolidos pelo mar da escravidão
Esquecidos nos navios infectados
Mas mantidos na memória de suas lendas


Dos guerreiros e princesas reis e orixás
Das danças e cantigas dos parentes
Agora presos nos ferros dos pelourinhos
Uivam nos troncos na chibata na senzala
Gemem nas prisões embrutecidas


Mas no culto de seus antepassados
A união de povos desunidos
Pelas mentiras dos comerciantes
Descobrem que a união é o poder
Que precisam para voltar à liberdade


Reúnem-se nos cantos dos xirês
E assentados nas pedras invisíveis
Cultivam seus deuses e deusas
Firmam a memória de liberdade
E fincam a rebeldia nos gestos


E a voz da liberdade se faz ouvir
De um grito onde ecoa independência
E esse grito ressoa além da fala
É a luta que se trava aguerrida
É o sonho em sua plena possibilidade


A batalha se faz ouvir na voz do povo
Com suas cores e vestes destroçadas
Mas decidido a deixar "nossa pátria 
Hoje livre dos tiranos não será"
Espoca a independência encarniçada


E as lutas travadas em terra e mar
Pelas mãos heroicas do povo
Garantem que "nunca mais o despotismo 
Regerá nossas ações, com tiranos 
não combinam brasileiros corações"


E lá na praia do convento em Itaparica
surge Felipa a princesa negra e sua coragem
Em seu coração o sangue de liberdade
luta feito vulcão quando perde a paciência
É Maria Felipa e sua força guerreira


"Nasce o sol a 2 de julho"
Brilha mais que o primeiro
É sinal que neste dia
Até o sol é brasileiro"


Seu nome para que todos saibam
É Maria Felipa de Oliveira
A heroína negra da independência da Bahia
A heroína negra da independência do Brasil
Negra alta forte e desaforada


Contra a opressão dos invasores
De saia rodada, bata, torço e chinela
A princesa negra que tocou fogo no mar
Auxiliada por um grupo de mulheres negras
Incendiou quarenta e dois navios portugueses
Na lendária Batalha de Itaparica


Ocorrida na praia do convento
Em sete de janeiro de mil oitocentos e vinte e três
Na Ilha de Itaparica que fica na baía de Kirimurê
A baía de todos os santos na Bahia
Onde o povo negro, índio, caboclo e sertanejo


Lutou para garantir a vitória da independência
"havemos de comer/marotos com pão/dar-lhe 
uma surra/de bem cansanção/fazendo as marotas/
morrer de paixão/português, bicho danado/
arrenegado, arrenegado"


E o mar foi incendiado com vitórias
O povo negro, índio, caboclo, sertanejo
Chamou para si a luta nas ruas
Onde se fez vitorioso e obrigou
A fuga dos portugueses que pensaram


Tomar Itaparica outra vez
Depois e a terem desdenhado
O plano era abastecer homens e naus
E rumar fortalecidos sobre o recôncavo
Onde esperavam manter a opressão


Mas na fazenda trinta e sete Maria Felipa
Costumava ficar bem lá no alto
Vigiando os barcos que chegavam
E à noite em romaria pela praia
Com seu grupo de mulheres guerreiras


Invadia os navios com suas tochas
Para atear fogo no mar de Kirimurê
Essa é a história da coragem 
e da força de uma princesa negra
Uma mulher guerreira vitoriosa


Uma linda princesa negra Iabá baiana
Heroína das lutas da independência
Impôs ao invasores cruel derrota
Seus navios incendiados e afundados
Como os corpos negros jogados ao mar


Pela força da cobiça e da usura
Agora ardiam os navios da exploração
E o povo triunfante inicia sua marcha
Desde Santo Amaro, Cachoeira, Pirajá
Onde o corneteiro ao invés de recuar


Tocou "avançar cavalaria degolando"
Estava consolidada a independência do Brasil
A força do grito tornou necessária a luta
O povo é o responsável pela vitória
do Brasil em terra de todos nós


"Cresce, oh filho de minha´alma
Para a pátria defender
O Brasil já tem jurado
Independência ou morrer"


Terra da princesa africana Maria Felipa
A guerreira que tocou fogo nos navios
Para garantir a independência do país
E contribuir decisivamente
Na luta pela liberdade do seu povo


Geraldo Maia
Poeta na Praça


Contribuem:
Hino ao "Dois de Julho"
Ladislau dos Santos Titara
José dos Santos Barreto

E uma canção de domínio público 

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Geraldo Maia Santos - Nasceu em Itabuna (Ba), no dia sete de outubro de 1951. Começou a escrever aos seis anos e ainda se considera um aprendiz repetente da escrita numa sociedade ágrafa com forte ascendência oral. Tem nove livros publicados, seis de poesia Triste Cantiga de Alguma Terra (esgotado) é seu livro de estréia, em 1978, Kanto de Rua (esgotado) (1986), Em Cantar a Mulher (esgotado) (1996), Sangue e palavra (1998), O chão do meu destino (2000), ÁGUA (2004) (esgotado) e dois de ficção Atol ou o mar que se perdeu de amor  por um farol (esgotado) (1991) e PUNHAL, prosa de cangaceiro (esgotado) (1992). Todos os livros editados de forma independente, exceto Sangue e Palavra, editado pelo Selo Bahia. E um de cordel: "CORDEL DO MENSALÃO".

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