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quarta-feira, 19 de abril de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA SORRINDO: AS “SOVAS” DO SEVERO

As “sovas”  do Severo


Em 1923, o Sr. Antonio Tourinho, no seu jornal “O Dia”, publicou uma nota solicitando do Sr. Intendente uma providência para com os feireiros ou mateiros, que na véspera das feiras livres, vinham vender farinha e ficavam durante a noite deitados sobre os sacos da mesma, naturalmente ali soltando seus “maus ventos”. Eis o que escreveu o trovador Severo sobre o assunto:




Diz “O Dia” que a farinha,
Que pra feira é conduzida,
Já nos vem com a murrinha
De antes de ser cozida...


É que o maldito roceiro
Faz do saco o seu assento
E ali o tempo inteiro
Sopra no saco, seu “mau vento”


E assim, ‘seu Intendente’,
Tenha mais pena da gente...



(DOCUMENTÁRIO HISTÓRICO E ILUSTRADO DE ITABUNA – 1ª edição l968)

José Dantas de Andrade

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19 DE ABRIL: DIA DO ÍNDIO

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
História do Dia do Índio


Comemoramos todos os anos, no dia 19 de Abril, o Dia do Índio. Esta data comemorativa foi criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através do decreto lei número 5.540. Mas porque foi escolhido o 19 de abril?

Origem da data

Para entendermos a data, devemos voltar para 1940. Neste ano, foi realizado no México, o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Além de contar com a participação de diversas autoridades governamentais dos países da América, vários líderes indígenas deste continente foram convidados para participarem das reuniões e decisões. Porém, os índios não compareceram nos primeiros dias do evento, pois estavam preocupados e temerosos. Este comportamento era compreensível, pois os índios há séculos estavam sendo perseguidos, agredidos e dizimados pelos “homens brancos”.

No entanto, após algumas reuniões e reflexões, diversos líderes indígenas resolveram participar, após entenderem a importância daquele momento histórico. Esta participação ocorreu no dia 19 de abril, que depois foi escolhido, no continente americano, como o Dia do Índio.

Comemorações e importância da data

Neste dia do ano ocorrem vários eventos dedicados à valorização da cultura indígena. Nas escolas, os alunos costumam fazer pesquisas sobre a cultura indígena, os museus fazem exposições e os minicípios organizam festas comemorativas. Deve ser também um dia de reflexão sobre a importância da preservação dos povos indígenas, da manutenção de suas terras e respeito às suas manifestações culturais.

Devemos lembrar também, que os índios já habitavam nosso país quando os portugueses aqui chegaram em 1500. Desde esta data, o que vimos foi o desrespeito e a diminuição das populações indígenas. Este processo ainda ocorre, pois com a mineração e a exploração dos recursos naturais, muitos povos indígenas estão perdendo suas terras.





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BIOMAS PREOCUPAM A CNBB, MAS NÃO AS DEZENAS DE MILHÕES DE CATÓLICOS QUE ABANDONARAM A FÉ

19 de abril de 2017
Luis Dufaur

Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, São Cristóvão. Abandonada como muitas outras, mas para a CNBB o que importa é o bioma…

A Campanha da Fraternidade de 2017 abordou mais uma vez a questão ambiental, como já fez em edições anteriores. O tema foi “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”.

Quando comentei isso com amigos, aliás muito enfronhados na problemática ambientalista brasileira, iniciou-se uma conversa amável que degenerou na máxima confusão.

Afinal de contas o que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) entende como bioma e o que tem a ver essa campanha com a religião católica, perguntavam todos.

Por isso quando vi o artigo “Biomas brasileiros — cultivar e cuidar” do Emmo. Cardeal arcebispo de São Paulo D. Odílio Scherer, achei que iria ouvir algo bem definido e esclarecedor.

E acabei estarrecido pela radicalidade dos propósitos expostos com dulçurosa redação.

A escolha do tema foi influenciada, escreveu o prelado, pela encíclica ‘Laudato si’, do papa Francisco (2015).

Voltou-me à mente a euforia das esquerdas latino-americanas mais extremadas com dita exortação.

Mas, o alto eclesiástico, explicou que a CNBB com essa campanha na Quaresma visou convidar os cristãos a refletirem sobre as implicações da sua fé em Deus.

Fazenda Buriti invadida e incendiada por índios teleguiados pelo CIMI, organismo vinculado à CNBB

Ele reconhece que o tema soa abstrato e distante da religião, objeto de ocupação apenas para especialistas e ambientalistas de carteirinha.

Leia-se MST, CIMI, ONGs nacionais e internacionais, Funai e outros tentáculos mais ou menos combinados com a CNBB para fazer a revolução no Brasil.

O arcebispo paulista também reconhece que “para a maioria das pessoas, talvez o conceito ‘bioma’ seja até desconhecido”.

E explica que “trata-se de um ambiente da natureza que tem um conjunto de características próprias e hospeda diversas espécies vivas bem harmonizadas com esse ambiente”.

Como é que as invasões das fazendas por indígenas atiçados pelo CIMI denunciadas documentadamente na CPI de Mato Grosso do Sul servem para “harmonizar” as ‘espécies vivas do ambiente’ jogando num luta fratricida uns brasileiros contra outros? Visivelmente há muitas coisas que não colam.

Quanto mais lia, menos entendia… É um modo de dizer, acho que entendia cada vez mais.

Prosseguindo me deparei com que:

Campanha da Fraternidade 2017 se preocupou dos ‘biomas’. E das dezenas de milhões de católicos que deixaram a religião?

“Todos os biomas brasileiros estão ameaçados e a principal ameaça é representada pela interferência indevida do homem neles. [...]

“certas formas de manejo florestal, agricultura ou criação de gado, e mesmo de urbanização, podem produzir profundas alterações no delicado equilíbrio dos biomas.

“Por motivos econômicos, a natureza acaba sendo vista como fonte de recursos disponíveis, sobre os quais o homem avança com a vontade de se apropriar, sem considerar as consequências presentes e futuras de sua intervenção no ambiente da vida.

“A natureza ferida e desrespeitada pode voltar-se contra o próprio homem, que se torna a sua vítima”.

Simples: a gloriosa sucessão de gerações de produtores agropecuários que regaram o solo brasileiro com seu sangue, com seu suor e suas lágrimas para tirar o Brasil da incultura e da barbárie são os maiores inimigos do País… (ou de seus biomas)!

E Deus que mandou os homens ocuparem a Terra toda, será por caso inimigo dos biomas?

Então a Campanha da Fraternidade 2017 visa conscientizar os cristãos dessa realidade execrada pela CNBB após piruetas verbais bem do gosto dos “verdes” e das esquerdas subversivas.

Dita conscientização, acrescenta o artigo comentado, não fica no campo. Deve ir por cima das cidades e de seus habitantes que constituem a larga maioria da população nacional.

E como na cidade não existe o famoso “bioma” na acepção adotada pela CNBB, o artigo excogita a existência de um “bioma urbano” . Nele ‘o ser humano é seu principal agente ativo e passivo’.

Por que não mencionar também os passarinhos, animais de afeição, e em ultima análise, insetos, baratas e ratos que pululam desagradavelmente nas cidades, se a acepção adotada é para ser levada a sério?

O Exmo. arcebispo reconhece por fim que haverá “quem pergunte: por que motivo a Igreja Católica se preocupa com uma questão que não é propriamente religiosa? E por que promove essa reflexão justamente no tempo da Quaresma, marcadamente religioso e cristão?”

Nesta capelinha de Barra do Guaicu, MG, o bioma parece ter progredido…
É a pergunta de todo mundo que tem um resto de fé e de lógica.

E responde que “a atitude religiosa decorrente da fé cristã não se expressa apenas em cultos, ritos, preces e exercícios propriamente espirituais. A fé cristã integra todas as dimensões da vida e da ação humana e as realidades do mundo”.

Mas é essa fé católica que está sendo abandonada no Brasil, não só na prática nas igrejas mas em “todas as dimensões da vida e da ação humana e as realidades do mundo”!

A grei confiada à CNBB está se dispersando a ponto de ficar reduzida a um mero 50% – segundo dados do IBGE e da Datafolha – quando em 1940 os católicos eram 95% segundo o mesmo IBGE?

Essa perda massiva da fé católica não pede uma retomada fervorosa da pregação que inspirou o nascimento do Brasil e seu desenvolvimento através dos séculos de sua História?

A CNBB não responde ao clamor dessas dezenas de milhões de almas que se perdem no materialismo ambiente e prefere ficar na encíclica Laudato si’ levada como bandeira pelo bolivarianismo e populismo subversivo latino-americano!

E nos quase divinizados biomas…. que são explorados como ‘slogans’ do ambientalismo radical!




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terça-feira, 18 de abril de 2017

UM ANJO NEGRO – Helena Borborema

Um Anjo Negro 


          O pequeno cortejo apontou na entrada da rua. Pelo aspecto dos dois homens que carregavam a rede, podia-se notar que estavam muito cansados, mas assim mesmo apressavam os passos o quanto podiam, meio vergados sob o peso do fardo que carregavam. Atrás da rede, três acompanhantes, dois homens e uma mulher. Os passantes olhavam a cena com indiferença. Já estavam acostumados a ver diariamente redes como aquela, portando um morto ou doente grave de tiro ou de mordedura de cobra e, por último, da febre braba. O pequeno grupo parou na porta do Quartel, onde estava o delegado de polícia e a rede foi arriada no chão poeirento. Aquele caso era grave; nem sabiam se o homem lá dentro, todo crivado de balas, ainda respirava. Veio o delegado e espiou o ferido.

          - Quem fez este trabalho?

          - Cinco jagunços, seu delegado.

          - O homem já está morto, levem daqui. Conhecem algum dos criminosos?

          - Nenhum.

          - Que querem que eu faça? Carreguem a rede daqui.

          Um débil gemido desmentiu a opinião apressada do responsável pela polícia. A mulher chorosa espia o seu homem semimorto e pede suplicante: - Nós queremos um doutor.

          Moscas começaram a voejar sobre o ferido. O sangue já embebera parte do lençol que o cobria e o fundo da rede.

          - Que diabo querem que eu faça? Parados aqui na rua é que não podem ficar. Procurem outro lugar para onde ir.

          Aquilo era rotina, um fato banal no dia-a-dia da vila. O que queriam apurar, se nem sabiam quem fizera tamanho estrago naquele homem? Naquelas matas era difícil descobrir-se um malfeitor, geralmente bem apadrinhado.

          - Pelo menos, seu delegado, vamos deixar o homem aqui, enquanto chamamos o doutor para ver se ainda salva ele – rogou a mulher limpando, com o polegar, o suor que lhe descia pela testa.

          Sem dar resposta, o delegado afastou-se impaciente. Que ano aquele! Já não bastava a febre que estava quase a dizimar a população e o obrigava a um nunca mais acabar de atender a pedidos de guias de enterramentos. Doido estava para deixar o cargo, do qual já havia pedido demissão. Felizmente, era só o tempo de chegar o substituto, ia ele remoendo com seus botões. Aquele ano foi só para morrer gente; além dos que eram derrubados por tiros, agora juntavam-se as vítimas da febre. Nem à noite tinha descanso, queixava-se a si próprio. Era sempre uma agonia ouvir as rezas cantadas dos que desfilavam nas ruas quietas: Ave! Ave! Ave Maria! Ave! Ave! Ave Maria!, quando a pequena procissão, à luz das velas dos fiéis, passava lenta. De pedaço em pedaço todos paravam, se ajoelhavam e batiam no peito cantando contritos o “Senhor Deus, misericórdia”.

          Nessas procissões iam, devotamente, senhoras simples do povo, mulheres da vida, ao lado das senhoras dos coronéis. O terror da morte que descera na vila, igualava a todos na piedade. Quantos a maligna já não tinha vitimado? Tanto fazia pobre como rico, tanto velho como moço, em dois ou três dias se findavam. A febre sem nome, ou melhor, a “febre braba”, surgiu de repente e dia a dia ia, de casa em casa, levando a morte. Rara era a casa onde não se velava um defunto ou doente. As redes e caixões se cruzavam nas ruas e o pavor era o que se estampava no rosto de todos. O único médico e o farmacêutico já não sabiam mais como atender a tanta gente. Remédio específico não havia.. O povo se valia do quinino, banhos de determinadas folhas (três ou quatro por dia) e chás. Mensageiros de famílias se empenhavam diariamente nos matos da Marimbeta, do Mutucugê, do Lava-pés, em busca das plantas indicadas, enquanto nas cozinhas o fogo nunca se apagava, fervendo caldeirões de folhas para o banho salvador.

          Era dentro desse quadro aterrador, temendo pela própria vida, que o delegado se via obrigado a atender casos como aquele que ora se lhe deparava, do ferido na rede, crivado de balas.

          Da casa em frente, a mulher de um rico coronel assistia à cena. Sentiu que a ocasião era de fazer penitência e caridade para Deus se apiedar da família dela e da população. E resolveu intervir.

          Tragam o ferido e arreiem a rede em meu passeio. Felismino, vá depressa chamar o Dr. Lopes ou o Dr. Nilo na farmácia.

          O moleque Felismino sai em disparada. Não demorou muito para aparecer um jovem negro de maleta de médico na mão. Ali mesmo, sob o sol ardente, examina o doente. O caso é grave. Uma bala atravessara o queixo de um lado a outro. Um braço com vários tiros já demonstrava sinais adiantados de gangrena, uma perna transfixada de balas com ossos partidos, o tórax atravessado de lado a lado.

          - Doutor Lopes, tenha dó dessa criatura. Confio no senhor, abaixo de Deus -, implorou a mulher do coronel.

          Não há hospital. Não há Casa de Misericórdia. Nada. Mas sob a pele preta daquele médico morava um anjo que era bondade pura; sem medir distância ou olhar classe social, ele servia a todos com a mesma dedicação, sempre pronto. Tanto fazia ser endinheirado como pobre, a dedicação era a mesma, a bondade uma só.

          Viajava longe a cavalo por estradas difíceis para atender num mísero casebre. Atendia a partos complicados nas roças, pessoas mordidas de cobra, era um só para tudo. Para Doutor Lopes a profissão era um apostolado. E naquele instante, no meio da luta diária de casa em casa, atendendo aos doentes de febre, o jovem médico toma as providências. Pede à senhora apenas uma sala, um galpão, um lugar onde possa operar, pois só com uma cirurgia urgente tentará salvar aquela vida. Uma sala vazia é arranjada, uma mesa de almoço é cedida caridosamente e, ali, com toda aquela precariedade, doutor João Soares Lopes opera. E salva aquela vida. É a vitória da bondade e da competência.

          Um braço foi amputado, o queixo ficou com uma funda cicatriz, mas, meses depois, com uma pequena claudicação, Chico Cotó, como passou a ser chamado, voltava feliz à sua pequena propriedade.


(TERRAS DO SUL)

Helena Borborema

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HELENA BORBOREMA -  Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município. (A autora)

Conhecida professora itabunense, filha do Dr. Lafayette Borborema, o primeiro advogado de Itabuna. É autora de ‘Terras do Sul’, livro em que documento, memória e imaginação se unem num discurso despretensioso para testemunhar o quadro social e humano daqueles idos de Tabocas. Para a professora universitária Margarida Fahel, ‘Terras do Sul’ são estórias simples, plenas de ‘emoção e humanidade, querendo inscrever no tempo a história de uma gente, o caminho de um rio, a esperança de uma professora que crê no homem e na terra’.  (Cyro de Mattos)


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DOIS MESES ANTES - Chico Xavier

ABRIL 17, 2017


Grande confeitaria paulista, ao anoitecer. Clientela numerosa.

Quando Olavo Dias, denodado trabalhador da seara espírita, se aproxima do caixa para efetuar o pagamento de certa compra, surge a atordoada:

– Ladrão! Ladrão! Pega o ladrão! Pega! Pega!

Alia-se um guarda a robusto balconista e agarra pobre homem, extremamente mal vestido, que treme ao apresentar grande pacote nas mãos.

– Ele roubou de um freguês – grita o caixeiro, como que triunfante ao guardar a presa.

Quase todos os rostos se voltam para o infeliz.

O policial apresta-se para as providências que o caso lhe sugere, mas Olavo Dias avança e toma a defesa.

– Não é um ladrão – explica – e não admito qualquer violência.

E no propósito de ajudá-lo, Olavo mente, afirmando:

– É meu empregado e, decerto, retirou o pacote julgando que me pertencesse.

Enérgico, toma o embrulho, devolve-o ao gerente, pede desculpas pelo engano e afasta-se com o desconhecido, dando-lhe o braço, como se o fizesse a um parente, diante dos circunstantes perplexos.

Dobrando, porém, a primeira esquina, dirige-lhe a palavra, admoestando:

– Ora essa, meu caro! Sou espírita e um espírita não deve mentir. Entretanto, fui obrigado a isso para defendê-lo. 
O interpelado mergulha a fronte nas mãos ossudas e explica em lágrimas:

– Doutor, roubei porque tenho seis filhos com fome… Sou doente do peito… Não acho serviço…

– Bem, bem – falou Olavo, comovido –, não estou aqui para fazê-lo chorar.

Condoído, abriu a bolsa, deu-lhe o concurso possível e perguntou-lhe pelo endereço.

O infeliz declarou chamar-se Noel de Souza, deu os nomes da esposa e dos filhos e informou residir nas proximidades da Vila Maria, em modesto barracão.

O benfeitor, realmente sensibilizado, prometeu visitá-lo na primeira oportunidade, e, finda uma semana, ei-lo de automóvel a procurar pela casinha distante.

Depois de algum esforço, localizou-a.

Encontrou a senhora Souza e os seis filhinhos esquálidos, mas o dono da casa não estava. 
Saíra para angariar socorro médico.

Olavo, tocado de compaixão, fez quanto pôde pela família sofredora e, ao despedir-se, ouviu a dona da casa dizer-lhe sob forte emoção:

– Um dia, se Deus quiser, Noel há de retribuir o senhor por tudo o que está fazendo…

Precisando deixar S. Paulo, em função da vida comercial, Olavo recomendou os novos protegidos a diversos companheiros, e esqueceu a ocorrência.

II
Decorridos seis meses, Olavo, certo dia, chega apressado ao aeroporto de grande cidade brasileira.

Precisava viajar urgentemente, mas não tem passagem. Arriscar-se-á, no entanto, à aquisição de última hora.

Retendo pequena pasta, procura na multidão um amigo que o precedera, minutos antes, com o fim de ajudá-lo, até que o vê a pequena distância, acenando-lhe a que se apresse.

O problema está resolvido. Basta que apresente a documentação necessária.

Avança, presto, mas alguém cruza o caminho. Sente-se abraçado numa explosão de ternura.

Olavo tenta quebrar o impedimento afetivo, mas reconhece Noel de Souza e estaca, surpreendido.

– Você… aqui?

O amigo está humildemente trajado, mas limpo e alegre.

– Sim, doutor, preciso vê-lo – confirma o interlocutor.
 – Agora, não – falou Olavo, contrafeito.

Como se não lhe anotasse o azedume, o outro tomou-lhe o braço e arrasta-o docemente para fora do raio de visão do companheiro que o espera.

– Souza, não me detenha, não me detenha… – roga Olavo, inquieto.

– Escute, doutor, preciso agradecer-lhe…

E como se não lhe pudesse escapar da mão, Olavo escuta-lhe a fala entediado e impaciente. Noel refere-se à esposa e aos filhos e repete frases de gratidão e carinho.

Depois de alguns instantes, Dias, revoltado, desvencilha-se e abandona-o sem dizer palavra. Alcança o amigo, mas é tarde. 
O avião não pudera esperar.

Acabrunhado, vê, de longe, o aparelho de portas cerradas, na decolagem.

Bastante desapontado, busca Noel de Souza para ouvi-lo com mais atenção, já que perdera a viagem. Entretanto, por mais minuciosa a procura, não mais o encontra.

Daí a quatro horas, recebe trágica notícia.

O aparelho em que disputara lugar caíra de grande altura, sem deixar sobreviventes.

Intrigado, regressa a S. Paulo e corre a visitar a choupana de Noel.
Quer vê-lo, abraçá-lo, comentar o acontecimento. Mas, no lar modesto de Vila Maria, veio a saber que Souza desencarnara dois meses antes.

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Do cap. 21 do livro Almas em Desfile, de Hilário Silva, psicografado pelos médiuns Waldo Vieira e Francisco Cândido Xavier.


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"O IMPEACHMENT FOI A MELHOR COISA QUE PODERIA TER OCORRIDO PARA O NOSSO PAÍS"

Brasil 17.04.17

 
Janaína Paschoal escreveu ao O Antagonista sobre este um ano do impeachment de Dilma Rousseff:


"Após um ano do afastamento de Dilma Rousseff, vieram a público fatos ainda mais graves do que aqueles debatidos durante o processo de impeachment. Em sua delação (não contestada pelos envolvidos), Marcelo Odebrecht afirma ter se reunido com Graça Foster, no Hotel Transamerica em São Paulo, para tratar do pagamento de propinas. Só o que interessava a Graça era saber se além do PMDB, o PT também seria beneficiado. Marcelo diz que, relativamente a um contrato, Graça não entregou o combinado e ele foi pessoalmente falar com Dilma. Marcelo falou abertamente a Dilma que PMDB e PT haviam sido pagos pelo contrato. No lugar de denunciar os crimes, Dilma pediu a Mantega e a José Eduardo Cardozo que intermediassem o conflito entre Marcelo e Graça. Ou seja, ela queria que a Odebrecht continuasse sendo contemplada."

Mas não é só, acrescentou uma das advogadas do impeachment:

"Emílio Odebrecht confirmou o que escrevemos em nossa denúncia, ao trazer detalhes das operações feitas com a ditaduras parceiras do petismo. Lula garantiu a liberação do dinheiro pelo BNDES e, depois, Dilma perdoou a dívida. Como faláramos, já em setembro de 2015, o conluio entre Odebrecht, Lula e Dilma é inegável. No lugar de enfrentar os fatos, como fez durante todo o processo de impeachment, o advogado de Dilma ressuscita a teoria da vingança. Trata-se de uma cortina de fumaça para, novamente, fugir de explicar as graves imputações. Aproveitam o fato de haver muitos políticos e partidos acuados, para tentar dar cores à ficção do golpe. A estratégia deles é a maior prova de sua culpa."

Janaína completou:

"O que veio à tona após o afastamento de Dilma prova que fizemos um grande bem ao país, tirando esse partido do poder. A prova que Dilma sempre soube e participou ativamente de tudo é que, apesar das revelações, ela continua fazendo cara de paisagem. Ela é muito mais esperta do que parece. Enganados fomos nós. Como sempre disse, que caia quem tiver que cair, não tenho partido nem político de estimação. O impeachment foi a melhor coisa que poderia ter ocorrido para o nosso país. Se voltássemos no tempo, pediria o impeachment de novo. A única diferença seria que a delação da Odebrecht seria anexada."





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segunda-feira, 17 de abril de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE: Alho e vinagre de maçã

Uma combinação que aumenta a imunidade e combate muitas doenças!


Muita gente não gosta do sabor forte do alho.
E até dá para entender isso, pois de fato não é muito agradável ficar com hálito com cheiro de alho.
A conserva de alho, porém, não tem esse problema.
Graças ao processo de fermentação, ela tem um sabor muito suave.

Por isso esta conserva é uma das melhores opções para quem quer se beneficiar das propriedades medicinais do alho - que são muitas - sem ficar com nenhum aroma ruim na boca.

E, por falar das propriedades medicinais do alho, que tal relembrá-las?
Para começar, o alho é um potente antibiótico natural.
Ele é rico em vitaminas do complexo B e sais minerais antioxidantes, como zinco e selênio e, por isso, é um excelente remédio para gripes e resfriados.
O alho ainda regula a pressão arterial e reduz o nível de colesterol no sangue, prevenindo aterosclerose e doenças cardiovasculares.

E tem mais: o alho...

- ...estimula a secreção de insulina pelo pâncreas, reduzindo a glicose no sangue;
- ...é um forte antioxidante, o que o torna um alimento anticâncer;
- ...reduz o risco de infarto e doenças do coração;
- ...combate bactérias e vírus;
- ...elimina vermes e parasitas;
- ...fortalece a imunidade.

A conserva de alho é uma receita muito simples.
Aprenda agora a fazê-la:

INGREDIENTES
Meio quilo de alho descascado
Meio copo (americano) de vinho branco seco
Meio copo (americano) de água
Meio litro de vinagre de maçã
2 folhas de louro
1 colher (sopa) de orégano
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
6 grãos de pimenta-do-reino
1 colher (sopa) de sal

MODO DE PREPARO
Comece levando ao fogo o vinho, a água, o azeite, o orégano, o sal, as folhas de louro e os grãos de pimenta-do-reino.
Deixe cozinhar até levantar fervura.
Acrescente o alho descascado.
(Para descascar o alho com mais facilidade, deixe-o de molho em água fria por uma hora.)
Cozinhe por mais três minutos.
Desligue o fogo e deixe esfriar.

Coloque em vidros de conserva bem esterilizados.
Adicione o vinagre de maçã.
Agite os vidros e guarde-os na geladeira.
Depois de cinco dias, a conserva estará pronta para consumo.

Sugestão de consumo: em saladas, sanduíches, como um aperitivo ou como sua imaginação mandar.



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