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sexta-feira, 10 de março de 2017

LUZIA – Marília Benício dos Santos (Parte II)

Foto: arquivo ICAL
Luzia 

            João ficou decepcionado. Era demais para ele aceitar o ocorrido. Luzia desatou a chorar. Ele não se condoeu. Casar com uma moça que não era mais virgem, não aceitava em hipótese nenhuma. Depois de algum tempo disse:

            - Casá não. A gente pode morar junto. Depois nós casa.

            Luzia muito triste constatou que não tinha outra saída. Dois meses depois estavam morando juntos, num barraco na Praia do Pinto. Luzia tinha um sentimento de culpa muito grande. Pensava nos seus, principalmente em sua mãe. Passou a trabalhar como diarista. Toda a noite ia para casa. Esperava João sempre com muito carinho, uma comidinha caprichada. Tinha esperança de um dia vir a casar-se com ele. Nunca mais tinha tido notícias de sua terra. Chorava sem que João percebesse. Tinha medo que ele se aborrecesse. Há muito não tinha notícias de Alice, sua amiga, com quem viera de Maceió. Apesar dos pesares eram felizes. Quando construíram a Cruzada São Sebastião, eles conseguiram uma kitchinete. Luzia vibrou. Arrumou-a com muito carinho. Tinha esperança de que nesta ocasião saísse o casamento. Ela chegou a falar com João que lhe deu alguma esperança. Chegou até ir à igreja para falar com o padre. Ficou de voltar outro dia com João e os documentos. Mas este dia não chegou. João trabalhava numa construtora. Ganhava um salário que dava para viver. Um dia, houve um acidente na construtora. Despencou um andaime com João em cima. Ele e os companheiros feridos foram para o Hospital Miguel Couto. Mas João, por ser o mais atingido, fraturou o crânio. Precisou operar. Morreu na mesa de operação. Luzia foi avisada. Veio com uma vizinha. Quando chegou, ele estava sendo operado. Muito nervosa, esperava o resultado da operação. Quando o médico chegou ao corredor, ela muito aflita olhou para ele. Não perguntou nada. Não foi preciso. Ele logo lhe foi dizendo:

            - Infelizmente, minha senhora, aconteceu o pior.

            - Como, o que o doutor quer dizer?

            - Ele morreu minha filha. Foi melhor assim. Ia ficar sem condições para viver.

            Luzia caiu ali mesmo sem sentidos. Foi atendida pelo próprio médico. Luzia, amparada pelas amigas, acompanhou o corpo de João, depois de liberado, para o cemitério São João Batista, onde foi enterrado. A construtora pagou o enterro e deu uma indenização para Luzia, que, logo depois caiu numa depressão muito forte. As vizinhas fizeram de tudo para ela superar a crise. Não adiantou nada. Nem banho tomava. Levaram-na ao médico. Este não teve alternativa. Luzia foi internada. Naquela época, o tratamento era o eletro choque. Saiu rápido daquele estado. Depois de algum tempo, voltou para casa. Muito eufórica. As vizinhas ficaram admiradas de seu comportamento estranho. Era uma alegria forçada. Tinha aprendido com as companheiras do Hospital as músicas de carnaval. Amanhecia cantando muito alto. Resolveu tomar parte ativa no carnaval, entrando para um bloco da Cruzada. “Pintou e bordou”. Bebeu, sambou e namorou. Aquele não era o seu comportamento. Acabou o carnaval, acabou a euforia. Luzia caiu novamente em depressão. Tinha vergonha do que tinha feito... Dos porres que tinha tomado com os vizinhos. Os companheiros do carnaval procuravam-na, mas não eram recebidos. Não entendia nada. As vizinhas chamaram-na para levá-la ao médico. Não quis ir. Passados alguns dias, teve um acesso de loucura. Gritava e jogava os objetos pela janela. Foi levada à força ao hospital. Desta vez demorou mais. Luzia nunca mais teve saúde. Fazia pena vê-la em seu delírio. Ria sozinha. Chamava por João, outras vezes xingava o Armando. Contava sua estória e chorava muito. Pedia aos vizinhos para irem com ela comprar a passagem de volta para Alagoas. No dia seguinte, já não se lembrava daquilo que havia combinado. O tempo foi passando. A indenização acabando. Josefa, sua vizinha levou o caso ao conhecimento das assistentes sociais. Tentaram levá-la de volta para sua terra. Mas não conseguiram. Passaram a dar uma ajuda a Luzia. Com o tempo, esta ajuda também desapareceu. O vigário pagava a luz, pois já havia sido cortada diversas vezes.

            Luzia, antes de vir morar no Rio, morava no interior de Alagoas. Levava uma vida muito dura. Por ser a mais velha, a carga era maior. Além de ajudar a mãe nos trabalhos caseiros, trabalhava também no campo. Não gostava daquela vida. Como vivia com os ouvidos colados em seu radinho de pilha, estava sempre em dia com o que se passava no Rio. Era também muito bem informada pelas moças que trabalhavam lá. Vivia sonhando com a Cidade Maravilhosa. Um dia disse em casa: - Quando ficar moça vou trabalhar no Rio.

            - Que maluquice é esta menina, fia minha não sai das minhas vistas. Só quando casá. Aí, sim, passa para o domínio do marido.

            Luzia cresceu com esta ideia na cabeça. Com muita dificuldade aprendeu a ler. Distinguiu-se de suas companheiras. Era uma moça ambiciosa. Almejava uma vida diferente daquela que levava sua mãe. Não namorava os rapazes da roça. Procurava namorar os da vila. Não conseguia prendê-los. Via-os apenas aos domingos na hora da missa. Sempre era passada para trás por outra que morava na cidade. Insistia, porém, em seus objetivos. Dizia:

            - Só me caso com um homem da cidade, ou então, vou para o Rio.

            Sua mãe ansiosa, pois via o tempo passar e Luzia não se decidir, dizia: Você escolhe, escolhe, termina ficando no barricão.

            Luzia pouco ligava para o que a sua mãe pensava. Sabia que era bonita. Ouvia muitos galanteios da rapaziada. O seu companheiro inseparável, o rádio a estimulava a uma vida diferente. – Vou morar no Rio. Vou falar com o vigário para me ajudar. Um domingo, depois da missa falou com o padre. Pediu que ele falasse com o seu pai.

           - Pois não, minha filha. Na próxima semana vou lá e falo com ele. Minha irmã escreveu-me, pedindo que arranjasse uma moça de confiança para fazer-lhe companhia. Luzia voltou para casa muito contente. Mas, infelizmente, sua alegria durou pouco...

(aguarde a parte final...)


(O CORAÇÃO NÃO ENVELHECE)
Marília Benício dos Santos

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Clique no link abaixo e leia a parte I...


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ENTREVISTA COM A ESCRITORA LUDMILA BERTIÉ, AUTORA DA BIOGRAFIA “ADONIAS FILHO – A FORÇA DA TERRA”.

(A jornalista e escritora Ludmila Bertié concedeu esta entrevista para “Itabuna Centenária, Artes & Literatura-ICAL” no dia 07/03/2016).
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 No próximo dia 11/03/2016, na Livraria Cultura – Salvador Shopping  acontecerá o lançamento da Biografia “Adonias Filho – A Força da Terra” da jornalista Ludmila Bertié.  O Blog ITABUNA CENTENÁRIA- ICAL, por intermédio do poeta Cyro de Mattos  contatou a jornalista, que  é sobrinha neta do escritor Adonias Filho, e obteve a entrevista a seguir:


ICAL: Como é ser biógrafa de um autor tão lido e amado, membro da Academia Brasileira de Letras?

LUDMILA BERTIÉ: 
Essa foi uma grande experiência para mim. Apesar de ser sobrinha neta de Adonias Filho, eu só fui conhecer a obra do escritor na faculdade de Jornalismo. Comecei com “Memórias de Lázaro” que, na minha opinião, é o melhor livro dele. Fui lendo os livros ao mesmo tempo em que entrevistava pessoas e pesquisava sobre o autor. Fiquei encantada com o escritor e também com o homem Adonias Filho. Um intelectual, autodidata, que descobriu a vocação ainda criança e seguiu seu destino com muito esforço e dedicação. Porque ele teve que romper com o pai para ser escritor. O pai, coronel do cacau, não acreditava na profissão de escritor. Portanto, no fazer a biografia, eu descobri um homem determinado, íntegro, solidário e de uma simplicidade tocante. 

ICAL: Você chegou a conhecê-lo? Conviveram? 

L. B:
Infelizmente, não. Quer dizer, estive com ele em alguns eventos familiares mas realmente não me recordo. Eu era pequena. Ele morava no Rio, eu em Salvador, e isso limitava a convivência. Mas Adonias era muito parecido com meu avô, José. Tanto que quando vejo fotos dos dois, chego a me confundir.

ICAL: Quem é Ludmila Bertié? Fale-nos dela.

L.B: 
Falar de si próprio é, sem dúvida, uma das tarefas mais difíceis. Mas, vamos lá. Sou baiana, de Salvador, jornalista, relações públicas e (agora) escritora. Tenho um site, junto com uma jornalista carioca, voltado para mulheres acima dos 40 anos, no qual expresso esse meu lado mãe e mulher (virgulina.com.br). E agora estou super entusiasmada com um novo projeto de comunicação que lanço com mais duas jornalistas. Trata-se de uma empresa de comunicação personalizada cujo foco é o Media Training, treinamento para falar em público, em tv, rádio e mídias sociais. 

ICAL: Você escolheu ser jornalista e escritora. Tudo a ver com seu tio avô Adonias Filho?

L.B:
Pois é, mas isso se deu por acaso. No caso de Adonias, ele nasceu escritor e posteriormente inclinou-se para o jornalismo, em especial ao jornalismo literário. Já comigo foi o oposto. Acho que nasci jornalista. Apesar de gostar de escrever, contar histórias - e no meu blog eu exerço muito isso, não pensava em ser escritora. E aqui estou eu lançando meu primeiro livro.

ICAL: O prefaciador da Biografia de Adonias Filho é outro grande escritor Grapiúna, muito querido, o poeta Cyro de Mattos;  Conhece- o  há muito tempo?

L.B: 
O Cyro foi um presente que Adonias me deu. Eu já havia concluído o livro e buscava alguém para fazer o prefácio. Mas eu queria uma pessoa que realmente tivesse a ver com Adonias Filho. Foi aí que me ocorreu o nome do querido Cyro de Mattos.Na verdade, acho que Adonias soprou no meu ouvido, lá de cima… Então eu o convidei, ele aceitou na hora e me presenteou com um belo prefácio.

ICAL: Costuma visitar o Memorial Adonias Filho, em Itajuípe?  Qual a sua impressão? O Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna está com as obras de restauração paradas há alguns anos. Dá uma tristeza... Conhece o CCAF?

L.B:
Eu visitei o Memorial quando ele ainda era a Secretaria de Cultura, acho que é isso. Foi na época da faculdade, quando eu colhia dados para o meu trabalho de conclusão de curso sobre Adonias Filho. Não conheço ainda o Memorial de Itajuípe mas já ouvi falar muito bem dele. Já o Centro de Cultura Adonias Filho, em Itabuna, eu passei uma tarde nessa mesma época do faculdade. Eu não sabia que está com as obras paradas. Mas fico triste com isso. Sinceramente, acho que Adonias não tem o reconhecimento que merece nem no sul da Bahia, nem em Salvador e nem no Brasil. É uma pena que um escritor que já teve a obra comparada com a de grandes nomes mundiais, como William Faulkner e Dostóievski, seja tão pouco conhecido por aqui.

ICAL: Na biografia de Adonias Filho da ABL, constam apenas  vida acadêmica,  obra e prêmios conquistados do escritor. Acredito que a biografia que você escreveu contém muitos detalhes emocionantes, familiares, opiniões, amizades  e até detalhes picantes da vida do escritor; estou certa?

L.B:  
Está quase certa. Não há detalhes picantes. Sinceramente, não me ocupei disso, mesmo porque Adonias era muito serio, muito reservado. E eu respeitei esse lado dele. Quando falo de assuntos digamos mais delicados, tento fazer isso de uma maneira discreta, sem querer chamar atenção para esses assuntos. Não acho que sejam os mais importantes. Importante é perceber através da biografia a ligação entre Adonias Filho e a terra sul baiana. Aliás, justifica-se ai o título do livro. Importante é conhecer esse homem com seu temperamento, suas atitudes, seus pensamentos. 

ICAL: Quando pretende lançar “Adonias Filho – A Força da Terra” no Sul da Bahia?

L.B: Estou aberta a convites!

ICAL:  Muito obrigada! - Deixe aqui  sua  mensagem para os seus amigos, confrades, colaboradores, leitores...

L.B:
Eu é que agradeço pelo espaço. Gostaria só de ressaltar a importância dessa biografia. Não por mim, pelo meu nome, ou coisa e tal. Mas no sentido que essa biografia pode vir a trazer à tona novamente o grande escritor Adonias Filho e, quem sabe, agora passem a dar o merecido reconhecimento a ele. 

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NOTA: Na quarta capa da Biografia de Adonias Filho, consta este trecho do prefácio de Cyro de Mattos:


"Com estilo solto, observações lúcidas, suficiente pesquisa, Ludmila Bertié logra êxito quando tira do esquecimento a vida de Adonias Filho. Informa lances que contribuíram na construção de seus belos livros. É o que se absorve depois da leitura dessa biografia do autor renomado, erguida na escrita fluente, da qual se tornam visíveis as origens, a formação da sensibilidade e a consolidação dos valores do escritor magnífico."


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POR QUE EM 2017 VAMOS A FÁTIMA

10 de março de 2017
Roberto de Mattei (*)



Quem vai em peregrinação a Lourdes o faz para imergir-se na atmosfera sobrenatural de um lugar. A Gruta onde a Virgem Maria apareceu a Santa Bernadete em 1858 e as piscinas em cuja água milagrosa os doentes continuam a banhar-se são enclaves abençoados em uma sociedade dessacralizada. Pelo contrário, quem vai a Fátima o faz para obter refrigério espiritual não de um lugar, mas de uma Mensagem celeste: o chamado “segredo”, que Nossa Senhora confiou a três pastorinhos há cem anos, entre maio e outubro de 1917. Lourdes cura especialmente corpos, Fátima oferece orientação espiritual às almas desorientadas.

Em 13 de maio de 1917, na Cova de Iria — um lugar remoto, todo de pedra e oliveiras, perto da aldeia de Fátima, em Portugal — a três crianças que estavam cuidando de suas ovelhas, Francisco e Jacinta Marto e a prima Lúcia dos Santos, apareceu, de acordo com as suas palavras, “uma Senhora vestida de branco, mais brilhante que o sol, irradiando luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”. Essa Senhora se revelou a Mãe de Deus, encarregada de trazer uma mensagem aos homens, e disse aos três pastores que voltassem ali no dia 13 do mês seguinte, e assim por diante, até 13 de outubro. A última aparição terminou com um grandioso milagre atmosférico, denominado a “dança do sol”, visto por dezenas de milhares de testemunhas, até mesmo a mais de 40 quilômetros de distância.

O segredo revelado por Nossa Senhora em Fátima é composto de três partes que formam um todo orgânico e coerente. A primeira é a visão aterradora do inferno, onde as almas dos pecadores caem; a este castigo opõe-se a misericórdia do Imaculado Coração de Maria, remédio supremo oferecido por Deus à humanidade para a salvação das almas.

A segunda parte se refere a uma alternativa histórica dramática: a paz, fruto da conversão do mundo e do cumprimento dos pedidos de Nossa Senhora, ou um terrível castigo que aguarda a humanidade se esta se obstinar na via do pecado. A Rússia seria o instrumento desse castigo.

A terceira parte, divulgada pela Santa Sé em junho de 2000, amplia a tragédia à vida da Igreja, oferecendo a visão de um Papa e de bispos, religiosos e leigos mortos a tiros pelos perseguidores. As discussões que se abriram nos últimos anos sobre esse “Terceiro Segredo” podem, no entanto, ofuscar a força profética da parte central da Mensagem, resumida por duas frases decisivas: “A Rússia espalhará seus erros pelo mundo” e “Por fim, o meu Imaculado coração triunfará”.

Em 13 de julho de 1917, quando Nossa Senhora dirigiu às crianças de Fátima essas palavras, a minoria bolchevique não havia ainda tomado o poder na Rússia. Isso acontecerá alguns meses depois com a “Revolução de Outubro”, que marca o início da expansão mundial de uma filosofia política que visa minar os fundamentos da ordem natural e cristã. “Pela primeira vez na história — disse Pio XI na encíclica Divini Redemptoris de 19 de março 1937 — estamos assistindo a uma insurreição, cuidadosamente preparada e calculadamente dirigida contra ‘tudo o que se chama Deus’ (cfr. 2 Tess 1, 4)”. Não houve no século XX crime análogo ao do comunismo, por sua duração, pelos territórios que abraçou, pela veemência do ódio que foi capaz de insuflar. Após o colapso da União Soviética, esses erros como que se libertaram do invólucro que os continha, para se propagarem como miasmas ideológicos em todo o Ocidente, sob a forma de relativismo cultural e moral.

Os erros do comunismo parecem ter penetrado no interior da própria Igreja Católica. O Papa Bergoglio recebeu recentemente no Vaticano os representantes dos chamados “movimentos populares”, representantes da nova esquerda ecolo-marxista e, desde o início de seu pontificado, expressou sua simpatia para com os regimes pró-comunistas dos irmãos Castro em Cuba, de Chávez e Maduro na Venezuela, de Morales na Bolívia, de Rafael Correa no Equador, de José Mujica no Uruguai, esquecendo as palavras de Pio XI que, na aludida encíclica Divini Redemptoris, definiu o socialocomunismo como “intrinsecamente perverso”.

Em Fátima, no local das aparições, o Cardeal Benedetto 
Aloisi Masella, enquanto representante do Papa Pio XII, 
coroa pela primeira vez a imagem de Nossa Senhora em 
13 de maio de 1946.
A Mensagem de Fátima é um antídoto à penetração desses erros. Seis papas reconheceram e honraram as aparições da Cova da Iria. Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI visitaram o Santuário de Fátima, enquanto João XXIII e João Paulo I lá estiveram quando ainda eram os cardeais Roncalli e Luciani. Pio XII enviou o seu delegado, o cardeal Aloisi Masella [foto ao lado].

Quem nunca foi a Fátima, não perca a ocasião de ir, no centenário deste acontecimento. Quem já esteve uma ou mais vezes, faça como eu: retorne. Não vai encontrar, pelo menos até a Páscoa, uma grande massa de peregrinos. Ignore o novo santuário, cuja feiúra lembra aquele de São Pio de Pietrelcina em San Giovanni Rotondo, e restrinja sua visita à capela das aparições, ao antigo santuário, que abriga os restos mortais de Jacinta e Francisco, e à loca do Cabeço, onde em 1916 o Anjo de Portugal antecipou as aparições aos três pastorinhos. Fátima revela a seus devotos a gravidade da tragédia do nosso tempo, mas também abre o coração para uma esperança invencível no futuro da Igreja e de toda a sociedade.
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(*) “Il Tempo”, Roma, 7-3-2016. Matéria traduzida do original italiano por Hélio Dias Viana.



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ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS ELEGE SUCESSOR DE FERREIRA GULLAR

ABL elege o historiador e professor Arno Wehling para a cadeira 37, na sucessão do Acadêmico Ferreira Gullar

A Academia Brasileira de Letras elegeu hoje, quinta-feira, dia 9 de março, o novo ocupante da Cadeira 37, na sucessão do Acadêmico e poeta Ferreira Gullar, falecido no dia 4 de dezembro do ano passado. O vencedor foi o historiador e professor Arno Wehling, que obteve 18 votos. Votaram 23 Acadêmicos presentes e 11 por cartas. O poeta Antonio Cícero, recebeu 15 votos. E foi registrado um voto em branco.

Os ocupantes anteriores da cadeira 37 foram: Silva Ramos (fundador) – que escolheu como patrono Tomás Antônio Gonzaga –, Alcântara Machado, Getúlio Vargas, Assis Chateaubriand, João Cabral de Melo Neto e Ivan Junqueira.

Saiba mais:

Arno Wehling é graduado em História pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil e em Direito pela Universidade Santa Ursula, tendo doutorado em História e Livre Docência em História Ibérica, ambos pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado pela Universidade do Porto.

Sua atividade intelectual como historiador e ensaísta desenvolve-se preferencialmente nos campos da epistemologia das ciências humanas/história, da história das ideias políticas e jurídicas e da história do direito/instituições.

No primeiro enfoque possui trabalhos sobre as relações entre a filosofia da ciência e o conhecimento histórico, o historicismo, o problema da objetividade histórica, o humanismo renascentista e sobre aspectos epistemológicos relacionados à história nas obras de Ranke, Tocqueville, Kant, Goethe, Nietzsche e Ortega y Gasset e, no caso brasileiro, nas de Varnhagen, Capistrano de Abreu e Silvio Romero.

Os campos da história das ideias políticas e jurídicas e da história do direito/instituições se complementam na abordagem que faz do problema da estrutura de poder e suas configurações politico-jurídicas, resultando em estudos e pesquisas sobre a organização político-administrativa do estado colonial e sua justificativa no plano do discurso politico-filosófico e jurídico, a questão do Reino Unido e a independência, o papel do IHGB e da historiografia na consolidação do projeto político do Estado imperial e questões relativas aos direitos e à organização estatal em textos constitucionais vitoriosos e derrotados do século XIX.

Toda sua atividade profissional centrou-se na Universidade, onde exerceu a docência, pesquisa e gestão. Tornou-se professor Titular de Teoria e Metodologia da História da UFRJ e de História do Direito e das Instituições da Unirio, desta sendo Professor Emérito. Como docente e pesquisador, atuou na implantação e desenvolvimento dos Programas de Pós-graduação em História da UFRJ e Unirio e dos cursos de graduação em Arquivologia, Pedagogia, Direito e História da última. Foi também docente nos Programas de Pós-graduação em Direito e Filosofia da UFRJ e em Direito das Universidades Gama Filho e Veiga de Almeida.

Professor visitante das Universidades de Lisboa (Clássica) e Portucalense, Arno Wehling, na gestão universitária, foi chefe de departamento e decano do centro de Ciências Humanas da Unirio e chefe de departamento, decano e reitor da UGF.

No âmbito das academias, é membro desde 1976 do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, cuja presidência atualmente exerce, de academias ibero-americanas de história (Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia, Venezuela, Portugal e Espanha), da Academia das Ciências de Lisboa, de institutos históricos brasileiros e das Academias Carioca e Catarinense de Letras. Desde 1981 pertence ao PEN Clube.

Também é membro de conselhos editoriais de periódicos especializados no Brasil e no exterior, do Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio e do Conselho Consultivo do IPHAN.

É autor de livros, capítulos de livros, verbete sem obras de referência, conferências e comunicações em anais de eventos científicos, edição crítica de textos e artigos em periódicos especializados.

Livros Publicados

Os níveis da objetividade histórica; Administração portuguesa no Brasil, 1777-1808; A invenção da história: estudos sobre o historicismo; Formação do Brasil Colonial – com Maria José Wehling; Pensamento político e elaboração constitucional; Estado, história, memória – Varnhagen e a construção da identidade nacional; Documentos Históricos brasileiros; Direito e justiça no Brasil colonial – o Tribunal da Relação do Rio de Janeiro – com Maria José Wehling; De formigas, aranhas e abelhas – Reflexões sobre o IHGB.
09/03/2017



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quinta-feira, 9 de março de 2017

FILHOS DE ITABUNA - Zélia Lessa

Zélia Oliveira Lessa 
(Pianista, Maestrina, Compositora, Educadora Musical e Flautista).


Nasceu em Itabuna, em 12 de julho de 1926. Foi professora de música e Educação Artística em várias escolas de 1º e 2º graus de Itabuna, de 1946 a 1976.

Fez vários cursos na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, no Departamento de Itabuna, Seminários Livres da Música - Extensão do qual foi coordenadora de 1962 a 1965.

Fundou o coral Cantores de Orfeu em 1955. Também fundou o Coral Universidade de Santa Cruz, regendo-o de 1976 até 1985. Foi professora de Teoria, Percepção e Flauta Doce na mesma entidade.

Liga-se profundamente ao Folclore da Região Cacaueira pelos seus trabalhos de colheita, arranjos e harmonizações dos temas, inclusive os colhidos por seu irmão Edson José de Oliveira e pelo professor Plínio de Almeida.

Consta entre seus trabalhos de pesquisa: brinquedos infantis, costumes nas roças de cacau, quadrinhas populares, pregões, terno de zabumba da fazenda Juçara e temas cantados e falados da Região Cacaueira. Suas composições e arranjos são, na maioria, para coro misto a 4 vozes e também de vozes iguais, ainda para piano e canto, piano percussão e coro misto, flauta doce, clarineta, bandinha e conjunto de câmera.

Concursos: de Composição e Arranjos Corais, promovido pelo Madrigal Renascentista da Fundação de Arte de Belo Horizonte, classificada em 1974 apresentando seis temas e premiada duas vezes em 1976, apresentando 10 temas da “Rapsódia Grapiúna”.

Em 1986 foi homenageada, com o seu nome colocado na Escola Profissionalizante da Prefeitura Municipal de Itabuna. A sala Zélia Lessa foi inaugurada com um concerto pelo coral Cantores de Orfeu.

Em 1991, recebeu o Troféu do Festival de Arte de Vitória da Conquista, apresentando 15 temas da “Rapsódia Grapiúna”, na interpretação do Coral Cantores de Orfeu. Em 1995 fundou e dirigiu o coral infantil do Sítio do Menor. Fundou também, o coral infantil “Os Verdinhos” com filhos e netos dos coralistas, aberto a toda a comunidade.

Participou do Concurso Hino Maramata em 1998, pela Universidade do Mar e da Mata, obtendo o 4º lugar.

Em 2004 foi homenageada com a apresentação da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia sob a regência de Leandro Gazineo, em Itabuna, com a obra - Paisagem Bahiana VII “Grapiúna”, a qual o maestro Ernst Widmer dedicou-lhe e foi baseada em alguns temas da “Rapsódia Grapiúna”.
 
Fonte: FICC
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Obs: Zélia Lessa é membro efetivo da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL).

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A LENDA DO VAGA-LUME

A  lenda do vaga-lume


Conta  a lenda que uma  vez uma serpente começou  a perseguir um vaga-lume.

Este fugia rápido da  feroz predadora, e a  serpente não desistia.

Primeiro  dia , ela o seguia.

Segundo dia ,ela  o seguia...

No terceiro  dia, já sem forças,  o vaga-lume parou e  falou à serpente :

- Posso te fazer três perguntas?

-  Não estou acostumada  a dar este precedente  a ninguém, porém, como  vou te devorar, podes   perguntar, contestou  a serpente.

-  Pertenço a tua  cadeia alimentícia ?  Perguntou o Vaga lume.
-  Não, respondeu a serpente.

-  Eu te fiz algum  mal ? Diz o vaga-lume.

-  Não. Tornou a responder  a serpente.

-  Então  por que queres acabar  comigo ?

-  Porque não suporto  ver-te brilhar.

Conclusões 

Muitas  vezes nos envolvemos  em situações nas quais  nos perguntamos:

Por  que isso me acontece  se não fiz nada  de mal , nem causei  dano a ninguém?

Certamente  a resposta seria :  Porque não suportam  ver-te  brilhar... !

Quando  isso acontecer, não  deixe diminuir seu brilho.

Continue  sendo você mesmo,  segue fazendo o melhor!

Não permita que te  lastimem, nem que te  retardem.

Segue brilhando  e não poderão tocar-te...  porque tua luz continuará  intacta.

Tua  essência permanecerá, aconteça  o que acontecer...

 Seja  sempre autêntico, embora tua luz incomode  os predadores...

                                         
(Autor não mencionado)




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EMBUSTE DO “MOVIMENTO FEMINISTA” PREJUDICA A PRÓPRIA MULHER

9 de março de 2017
Paulo Roberto Campos

Mãe e filhas jogando xadrez (obra de Francis Coates Jones, 1857 – 1932)

A respeito deste dia “Dia Internacional da Mulher” publicou-se, ad nauseam, textos e mais textos em todos os jornais impressos ou on-line. Tal dia não passa de uma absurda invencionice imposta pelo movimento feminista, copiando uma imposição de propaganda do regime comunista na antiga URSS. Hoje vemos que realmente o comunismo não morreu — ele “espalhou seus erros pelo mundo”, sendo um deles o chamado “feminismo”. E certa mídia colabora lampeiramente para espalhar tais erros.

Assim, a mídia repetiu baboseiras infindas e duras críticas a mulheres que se defendem enquanto esposas e mães, como se esses substantivos tão nobres e elevados não pudessem ser considerados “direitos da mulher”. Para a mídia esquerdista e para o “movimento feminista” o “direito da mulher” é, por exemplo, o “direito ao aborto” — o direito da mulher matar o próprio filho que está gestando!

Entretanto, em meio às mencionadas baboseiras, encontrei um texto primoroso. Ele foi publicado há exatos cinco anos no “Dia Internacional da Mulher”, (“Folha de S. Paulo”, 8-3-12), de autoria da jovem Talyta Carvalho [foto abaixo]. Imagino que esse texto foi rasgado, pisado e queimado pelas “feministas” radicais, que, no fundo, desejariam mesmo era “queimar” como “herege” a própria autora, acusando-a de ser contrária ao “empoderamento feminino”, à “igualdade de gênero”, à “lei do feminicídio”, de ser “politicamente incorreta”, “preconceituosa” etc.. Acusações levianas, mas que nos estimulam a divulgar largamente o interessantíssimo artigo, que abaixo transcrevo.

Talyta Carvalho (Filósofa especialista em 
renascença e mestre em ciências da religião 
pela PUC-SP)
Não devemos nada ao feminismo

Talyta Carvalho (*)

As feministas chamaram de libertação a saída forçada do lar para trabalhar; sua intolerância tornou constrangedor decidir ser dona de casa e cuidar dos filhos.

Na história da espécie humana, a ideia de que a mulher deveria trabalhar prevaleceu com frequência muito maior do que a ideia de que deveria ficar em casa cuidando dos filhos.

Não raro, o trabalho que cabia à mulher era árduo e de grande impacto físico. Para a mulher comum na pré-história, na Idade Média, e até o século 19, não trabalhar não era uma opção.

Uma das conquistas do sistema econômico foi que, no século 20, a produtividade havia aumentado tanto que um homem de classe média era capaz de ter um salário bom o suficiente para que sua esposa não precisasse trabalhar.

No período das grandes guerras e no entreguerras, a inflação, os altos impostos e o retorno da mulher ao mercado de trabalho (que significou um aumento da mão de obra disponível) diminuíram de tal modo a renda do homem comum que já não era mais possível que maioria das mulheres ficasse em casa.

Esse movimento forçado de saída da mulher do lar para o trabalho as feministas chamaram de libertação.

Óbvio que não está se defendendo aqui que as mulheres não possam trabalhar, não casar, não ter filhos ou que não possam agir de acordo com as suas escolhas em todos os âmbitos da vida. Não é essa a questão para as mulheres do século 21 pensarem a respeito.

O ponto da discussão é: em que medida a consequência do feminismo, para a mulher contemporânea, foi o estrangulamento da liberdade de escolha?

Explico-me. Por muito tempo, as feministas reivindicaram a posição de luta pelos direitos da mulher, exceto se esse direito for o direito de uma mulher não ser feminista.

Assumir uma posição crítica ao feminismo é hoje o equivalente a ser uma mulher que fala contra mulheres. Ilude-se quem pensa que na academia há um ambiente propício à liberdade de pensamento.

Como mulher e intelectual, posso afirmar sem pestanejar: nunca precisei “lutar” contra meus colegas para ser ouvida, muito pelo contrário. A batalha mesmo é contra as colegas mulheres, intolerantes a qualquer outra mulher que pense diferente ou que não faça da “questão de gênero” uma bandeira.

Não ser feminista é heresia imperdoável, e a herege deve ser silenciada. Até mesmo porque há muito em jogo: financiamentos, vaidades, disputas de poder, privilégios em relação aos colegas homens — que, se não concordam, são machistas e preconceituosos, claro.

Outro direito que a mulher do século 21 não tem, graças ao feminismo, é o direito de não trabalhar e escolher ficar em casa e cuidar dos filhos — recomendo, sobre a questão, os livros “Feminist Fantasies”, de Phyllis Schlaffly, e “Domestic Tranquility”, de F. Carolyn Graglia. Na esfera econômica, é inviável para boa parte das famílias que a esposa não trabalhe.

Na esfera social, é um constrangimento garantido quando perguntam “qual a sua ocupação?”. A resposta “sou só dona de casa e mãe” já revela o alto custo sóciopsicológico de uma escolha diferente daquela que as feministas fizeram por todas as mulheres que viriam depois delas.

O erro do feminismo foi reivindicar falar por todas, quando na verdade falava apenas por algumas. De fato, casamento e maternidade não são para todas as mulheres. Mas a nova geração deve debater esses dogmas modernos sem medo de fazer perguntas difíceis.

De minha parte, afirmo: não devo nada ao feminismo.




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