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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

RSIC/ ICAL 8 ANOS - Retrospectiva V

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FILHOS DE ITABUNA (XI) - Marília Benício dos Santos - Por Eglê S. Machado

Postado por Eglê Santos Machado em 10 abril 2010 às 13:26

 QUEM É ESSA MULHER?

Ela é filha de Itabuna? - Sim, é filha legítima da mãe Centenária. É filha de um dos mais notáveis pioneiros de Itabuna, Francisco Benício dos Santos, grande comerciante de tecidos em Itabuna, até 1938. É irmã do advogado Adélcio Benício dos Santos. Porém, o que se sabe mais de Marília Benício dos Santos?

ITABUNA CENTENÁRIA já pesquisou no Google, indagou pessoas e não conseguiu uma foto ou descobrir qualquer referência à autora do livro CARROSSEL em cujo prefácio Lygia Costa Moog diz: “ela nos prende e nos encanta desde o primeiro momento, precisamente pelo fato de que canta a vida, em suas alegrias e em suas tristezas, mas, sempre, na perspectiva feliz da esperança.” Na orelha do livro CARROSSEL consta apenas esta frase de Sandra Helena Vieira: “É um livro calcado na experiência da autora. Através de pequenas passagens do dia-a-dia, ela revela preocupação com os problemas sociais e a religiosidade das pessoas. Aproveita cada texto para fazer uma análise profunda que leva o leitor a uma reflexão interior tão necessária nos dias de hoje”.

Esta publicação data do ano 1984 e Marília a dedica a seus pais, a quem deve o dom da vida e ao seu psicólogo José Marques Junior, que, segundo ela, a ajudou a olhar o mundo de uma maneira mais profunda.

Lendo seus textos muito bem elaborados percebe-se que viveu em locais diversos. Fala das suas andanças na Calçada da Praia do Leblon, na Quinta da Boa Vista, Campo Grande, Belo Horizonte, Galeão, Salvador, Itapoã. Cita também sua volta a Itabuna. 

Dedica um texto com muito carinho à FAZENDA ALMADA, município de Coaraci (BA) Cada texto de Marília revela um pouco da sua alma: Fala do seu concurso no Magistério Primário e que foi Diretora da Escola Paroquial de Santana, em Salvador.

Num texto intitulado “BOAS ENTRADAS – FELIZ ANO NOVO” Marília revela que o seu pai teria uma Casa de Negócio que se chamava CRISÂNTEMO. Outra revelação da autora de CARROSSEL é que frequentava , - não sei se na qualidade de paciente ou funcionária, o CVV - Centro de Valorização da Vida (Órgão de prevenção contra o suicídio).

A ÚLTIMA FRASE DO LIVRO CARROSSEL É:
É TÃO BOM SABER QUE VOCÊ EXISTE E QUE PENSA EM MIM. OBRIGADA MEU DEUS!

ITABUNA CENTENÁRIA (R/SIC) estará postando, semanalmente, textos de Marília Benício dos Santos
E estará sempre, sempre, pedindo à FICC:
“FALE-NOS DA ESCRITORA MARÍLIA BENÍCIO DOS SANTOS!...”

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MEU DEUS É MEU TUDO (Marília Benício dos Santos)

Eu gostaria que quando dissesse isto, fosse mesmo verdade. Mas meu Deus me perdoe, não é esta a realidade. Quem tem tudo tem a felicidade. Hoje não me sinto feliz. Estou triste, abafada, amargurada. Você sabe por quê. Não tenho razão para sentir-me assim, pois conto com Você. Tenho certeza de que és Pai e me queres bem. E Você sabe que apesar da minha infidelidade, eu O quero muito, mas não ao ponto de dizer: “meu Deus é meu tudo”. Pois se assim o fosse, não o substituiria por ninguém. Tendo Você me bastava e eu diria: “meu Deus me basta”. Mas como estou tão presa a tudo e a todos, precisando dos outros para viver e ser feliz, não posso dizer: “meu Deus é meu tudo”.
Mas meu Deus, agora passou pela minha cabeça, que enquanto eu vivo, dependo de todos e de tudo. Não sou só espírito, sou corpo. Sim, preciso viver a realidade. A minha fantasia às vezes me leva a tomar uma realidade celestial, que só existe na minha cabeça.
Sim, sei que posso dizer que meu Deus é meu tudo, sem excluir as pessoas que amo e também participando de todas as maravilhas deste mundo.
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Comentário de roberto henrique dantas 1 dia atrás

PROVERBIO ORIENTAL = "QUANDO OUÇO, ESQUEÇO! QUANDO VEJO LEMBRO! QUANDO FAÇO, ENTENDO, COMPREENDO E APRENDO."

ESTE TEXTO FEITO PELA IRMÃ EGLÊ É UMA FONTE DE LUCIDEZ CRISTALINA EM QUE ANJOS VEM BEBER NELA. QUE ÁGUA TÃO DOCE QUE FONTE TÃO BELA.
VAMOS SORVER ENTÃO, UM POUCO DESSA ESSÊNCIA, TAMBÉM:

O TÍTULO = APRESENTAÇÃO DE UMA FILHA DA NOSSA TERRA, A PROTAGONISTA DA HISTÓRIA. OUVIDA, MAS ESQUECIDA.

INTRODUÇÃO = AO VER O TÍTULO, ATIVAMOS NOSSA MEMÓRIA PELA LEMBRANÇA E APELAMOS ATRAVÉS DE UM PEDIDO DE LICENÇA, À NOSSA RECORDAÇÃO:
QUEM É ESTA MULHER?

CONTEÚDO: AQUI TEMOS UM ROSÁRIO DE RESPOSTAS, RECORRENDO POR UM CAMINHO, À BORDO DE UM CARROSSEL, GIRANDO EM TORNO DO TEMPO E AO VENTO. E AÍ, PASSEIA PELA HISTÓRIA PASSANDO PELAS VEREDAS DA VIDA DA NOSSA QUERIDA PERSONAGEM DE VIRTUOSO E MÁGICO NOME: MARÍLIA, QUE ALÉM DE BENÍCIO É DOS SANTOS TAMBÉM.

PRÉ-FINAL: UMA FRASE DE AGRADECIMENTO E UMA PROPOSTA EM FORMA DE PROVOCAÇÃO.

CONCLUSÃO: UM PEDIDO DE PERDÃO E CLEMÊNCIA PELA FRAGILIDADE HUMANA, SUA DEMANDA.

A PARTIR DAÍ, O TUDO MAIS É SILÊNCIO! FICANDO EM ESTADO DE FÉ, ESPERANÇA, CARIDADE E AMOR,
QUE É O ESTADO-MAIOR DE TODOS ELES.

SÓ POSSO AFIRMAR QUE: COMO DIZIA, MEU PAI, O SR. JOSE DANTAS DE ANDRADE, = "NEM NO NORTE NEM NO SUL, NUNCA VI COISA IGUAL, UM TEXTO TÃO ILUMINADO, QUE NEM ÁRVORE DE NATAL".

QUEM AGRADECE, SOMOS TODOS NÓS, MEMBROS E AINDA NÃO-MEMBROS DESSA REDE SOCIAL QUE JÁ NASCE CENTENÁRIA.

A SENHORA É A LUZ, RAIO, ESTRELA E LUAR, MANHÃ DE SOL QUE UM DIA, QUE VIVER VERÁ...

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

FILHOS DE ITABUNA: Sonia Coutinho

Sônia Coutinho


Sônia Coutinho nasceu em Itabuna, em 1939, e era filha do poeta simbolista Nathan Coutinho (1911-1991). Teve 11 livros publicados e traduziu outros 3.

Na infância começou as primeiras leituras, livros infantis e contos de Maupassant, frequentava a biblioteca do pai. Licenciada em inglês, formada pela Faculdade de Letras da Universidade Federal da Bahia. Jornalista com passagem como redatora pelo “Jornal do Comércio”, “O Jornal”, “O Globo” e agência Reuters, no Rio de Janeiro.

Sua ficção une arte e documento para situar o real imbrincado nas limitações da condição humana. Desenganos, desencontros, problemas existenciais e psicológicos na cidade grande informam o herói em crise que a autora logra exibir com surpreendente força em suas narrativas.

Seu primeiro livro, "O Herói Inútil", foi lançado em 1964, em Salvador, pela Editora Macunaíma. Romancista, contista e tradutora, Sonia ganhou duas vezes o Prêmio Jabuti de Literatura. Em 1979, com "Os Venenos de Lucrécia", e em 1999, com "Os Seios de Pandora".

Em 2006, a escritora recebeu o Prêmio Clarice Lispector, da Biblioteca Nacional, para o melhor livro de contos com "Ovelha Negra" e "Amiga Loura". Entre outros títulos da autora, destaque para "Uma Certa Felicidade", "Mil Olhos de Uma Rosa" (2001), "O Caso Alice" (1991) e "O Jogo de Ifá" (2001).

Sônia Coutinho foi casada com o poeta, escritor e jornalista Florisvaldo Mattos, com quem teve uma filha.

Participou de várias antologias nacionais e internacionais e teve sua obra também publicada nos Estados Unidos, na França e na Alemanha. Seu conto "Toda Lana Turner Tem Seu Johnny Stompanato", publicado originalmente em seu livro "O Último Verão de Copacabana", foi incluído na antologia "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século", organizado por Italo Moriconi.

Em 1994 ganhou o título de mestre em teoria da comunicação com a tese-ensaio "Rainha do Crime — Ótica Feminina no Romance Policial”.

Sônia Coutinho faleceu  no dia 24 de agosto de 2013.

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Trecho do conto Camarão no jantar de Sônia Coutinho:



“E chega a noite do prometido jantar.

Não quero descrever a angústia dessa mulher, na sala, meia-luz, enquanto o tempo passa e a comida esfria.

Rogério está atrasado meia hora, mas ela ainda não sente inquietação. De vez em quando, vai até a cozinha dar uma olhada no bobó. Para acompanhar, há apenas arroz, uma refeição simplificada.

Agora, Rogério está atrasado uma hora, mas ainda sente esperanças.

Uma hora e meia de atraso, toda e qualquer possibilidade vai desaparecendo deste mundo.

Ah, mas que história insuportável. Ah, meu Deus, que dor. Terrível, a dor dessa perda.

Um amor que, no entanto, ela continua achando que não levou tão a sério quanto merecia.

Por que teve aquela reação tão radical, quando soube que ele era casado? Por que não fez como todas as outras, foi levando? Como não percebeu na mesma hora que tinha de ser humilde, porque jamais esqueceria aquele amor?

Um homem que, quem sabe — e isso alimenta sua dor —, ela talvez tivesse conquistado, no início, se fosse mais esperta.”



(Texto organizado por Eglê Santos Machado)
Fontes: A TARDE – Cultura/Literatura 25/08/2013, Cyro de Mattos/ ”Itabuna, chão de minhas raízes” e Projeto Releituras.

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terça-feira, 11 de abril de 2017

FILHOS DE ITABUNA: Telmo Padilha


Telmo Padilha

Nasceu  em Itabuna, a 5 de maio de 1930.

Foi jornalista e Membro da Academia de Letras de Ilhéus, por indicação de Adonias Filho.

 Publicou os seguintes livros: "Girassol do Espanto"(1956); "Ementário"(1974); "Onde tombam os pássaros"(1974); "Pássaro da Noite" (1977); "Canto Rouco"(1977); "O Rio"(1977); "Vôo Absoluto" (1977); "Poesia Encontrada"(1978); "Travessia"(1979); "Punhal no Escuro"(1980) e "Noite contra Noite" (1980), todos no melhor gênero da poesia. Muitas obras de sua autoria foram traduzidas para o italiano, o espanhol, o inglês, o francês, o alemão e o japonês.

Destacou-se como poeta no cenário nacional e foi agraciado com muitos prêmios como "Melhores Livros", da Câmara municipal de Itabuna (1956); "1º Concurso de Poesia - A Tarde"; "Prêmio Nacional de Poesia do Instituto Nacional do Livro" (1975); Prêmio do Concurso Internacional de Poesia San Rocco, Itália (1976); 1º Prêmio do Concurso de Poesia Firmino Rocha, da Prefeitura Municipal de Itabuna (1981); e Prêmio Sosígenes Costa da Prefeitura Municipal de Ilhéus (1981).

Poeta de reflexões existenciais, que constantemente indaga-se, questiona-se, numa linguagem repleta de sutilezas líricas. Inquieto, reafirma uma poética cuja temática indaga de forma intimista o viver, o morrer, a infância, a solidão e, ainda, sua relação com a realidade da sua terra, da cultura do cacau e do tempo que estabelece esta história que se escoa pelas frestas cotidianas. Sua poesia reside numa lírica lucidez, num abismo interior, entre a febre e insônia, expressa num processo criativo maduro e num estilo impecável.

Telmo Padilha faleceu no dia 16 de julho de 1997, quando sofreu um acidente de automóvel.




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É de Telmo Padilha o poema... 


FALE-ME DE ITABUNA


Fale-me sobre Itabuna, ele me disse.

Pássaro noturno escondido em seu ninho,
Pobre de roupas e orgulho eu fui outra vez
O tímido menino ausente de palavras
Para nomear as coisas, poço onde só eu me banhava.
Não era o adulto, ancho de olhos e de cascos,
A longa crina do sexo, a verdejante copa do cacaual,
O orgulho do fruto, 
Largo de gestos e aromas escondendo
Sob a língua o terrível discurso.
Fale-me sobre Itabuna, ele pediu.
Não era como falar de mim, de um tema sobre o qual havia pensado; era algo mais fundo
Como o fundo de um poço, uma nuvem passada, uma árvore inexistente no caminho da infância,
Um salto sobre o abismo
Para outra vez achar-me.



 Telmo Padilha

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quinta-feira, 9 de março de 2017

FILHOS DE ITABUNA - Zélia Lessa

Zélia Oliveira Lessa 
(Pianista, Maestrina, Compositora, Educadora Musical e Flautista).


Nasceu em Itabuna, em 12 de julho de 1926. Foi professora de música e Educação Artística em várias escolas de 1º e 2º graus de Itabuna, de 1946 a 1976.

Fez vários cursos na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, no Departamento de Itabuna, Seminários Livres da Música - Extensão do qual foi coordenadora de 1962 a 1965.

Fundou o coral Cantores de Orfeu em 1955. Também fundou o Coral Universidade de Santa Cruz, regendo-o de 1976 até 1985. Foi professora de Teoria, Percepção e Flauta Doce na mesma entidade.

Liga-se profundamente ao Folclore da Região Cacaueira pelos seus trabalhos de colheita, arranjos e harmonizações dos temas, inclusive os colhidos por seu irmão Edson José de Oliveira e pelo professor Plínio de Almeida.

Consta entre seus trabalhos de pesquisa: brinquedos infantis, costumes nas roças de cacau, quadrinhas populares, pregões, terno de zabumba da fazenda Juçara e temas cantados e falados da Região Cacaueira. Suas composições e arranjos são, na maioria, para coro misto a 4 vozes e também de vozes iguais, ainda para piano e canto, piano percussão e coro misto, flauta doce, clarineta, bandinha e conjunto de câmera.

Concursos: de Composição e Arranjos Corais, promovido pelo Madrigal Renascentista da Fundação de Arte de Belo Horizonte, classificada em 1974 apresentando seis temas e premiada duas vezes em 1976, apresentando 10 temas da “Rapsódia Grapiúna”.

Em 1986 foi homenageada, com o seu nome colocado na Escola Profissionalizante da Prefeitura Municipal de Itabuna. A sala Zélia Lessa foi inaugurada com um concerto pelo coral Cantores de Orfeu.

Em 1991, recebeu o Troféu do Festival de Arte de Vitória da Conquista, apresentando 15 temas da “Rapsódia Grapiúna”, na interpretação do Coral Cantores de Orfeu. Em 1995 fundou e dirigiu o coral infantil do Sítio do Menor. Fundou também, o coral infantil “Os Verdinhos” com filhos e netos dos coralistas, aberto a toda a comunidade.

Participou do Concurso Hino Maramata em 1998, pela Universidade do Mar e da Mata, obtendo o 4º lugar.

Em 2004 foi homenageada com a apresentação da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia sob a regência de Leandro Gazineo, em Itabuna, com a obra - Paisagem Bahiana VII “Grapiúna”, a qual o maestro Ernst Widmer dedicou-lhe e foi baseada em alguns temas da “Rapsódia Grapiúna”.
 
Fonte: FICC
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Obs: Zélia Lessa é membro efetivo da Academia Grapiúna de Letras (AGRAL).

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domingo, 5 de março de 2017

FILHOS DE ITABUNA: Hélio Pólvora

Hélio Pólvora


Hélio Pólvora de Almeida nasceu no município de Itabuna, Bahia, numa fazenda de Cacau, em 2 de outubro de 1928.

Sua formação intelectual está dividida entre Ilhéus, Salvador e Rio de Janeiro. Na primeira cidade, fez o curso primário; em Salvador, o secundário. Em janeiro de 1953 fixou-se no Rio de Janeiro, para curso universitário de Direito.

Iniciou, então, carreira como jornalista profissional, paralelamente à atividade de escritor. Atuou em vários veículos importantes de comunicação, entre eles, Jornal do Brasil, Diário de Notícias, Correio Braziliense e revista Veja.

Contista, crítico literário, cronista e tradutor.

Sua primeira obra literária, Os Galos da Aurora, foi publicada em 1958, com o selo da Civilização Brasileira. Seguiram-se cerca de 30 títulos.

Como tradutor, estreou em 1963, pelo livro de Allen Sievers, Revolução, Evolução e Ordem Econômica (Zahar Editores, Rio de Janeiro). Hélio Pólvora  verteu cerca de oitenta livros para o português. Traduziu do inglês e do francês, e entre os autores que traduziu se destacam William Faulkner – o seu favorito – e Ernest Hemingway. Além de ficção, traduziu obras de Economia, Sociologia, História e Filosofia.

Fez parte da Academia de Letras do Brasil, com sede em Brasília, onde ocupou a cadeira 13, que tem como patrono Graciliano Ramos. Também pertence às Academias de Letras da Bahia, de Ilhéus e de Itabuna.

Conquistou importantes prêmios literários, entre os quais os da Bienal Nestlé de Literatura, anos 1982 e 1986, gênero conto, e mais os prêmios da Fundação Castro Maya, para o livro Estranhos e Assustados, e Jornal do Comércio, para Os Galos da Aurora. Visitou a Colômbia e Alemanha, a convite oficial, também os Estados Unidos a convite do Presidente Gerald Ford, para contatos em universidades americanas que incluíram Nova York, Memphis, Mississipi e Berkeley.

Hélio Pólvora tem contos e ensaios de literatura publicados no exterior.
A novela juvenil  ”O Menino do Cacau” é uma parceria com o jornalista e Poeta Telmo Padilha, também filho de Itabuna.

Faleceu em Salvador, no dia 26 de março de 2015.

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ITABUNA CENTENÁRIA-ICAL publica a seguir trecho da obra de Hélio Pólvora “O Menino do Cacau”:

O MENINO DO CACAU

A mãe entrega a encomenda, faz as últimas recomendações. E no instante da despedida escorrega em sua mão algumas moedas de prata. O frio do metal tanto tempo guardado na gaveta se espalha sobre a polpa dos dedos.

- Vá de ônibus, ouviu?

O menino sorri secretamente. E quando o morro, na curva da estrada, o esconde da mãe, ele deixa de fazer sinal para o ônibus amarelo. O ônibus passa, ele segue a pé pela valeta. São duas léguas até Itabuna. Assim economiza dinheiro para comprar livros.

Afinal, a cidade espalhada no vale, o casario branco, a Caixa d’Água, sons de alto-falante escapam da praça. E o rio Cachoeira, visto do alto, é um espelho partido em muitos fragmentos, manchado de ilhotas sujas e baronesas verdes e gordas, encalhadas no leito pedregoso.

Com a mão o menino limpa o suor do rosto. Agora não sente mais a dor nos pés. Desce ao encontro da cidade. Itabuna está à sua espera e quer mostrar-lhe alguns segredos. Cheiros de pão cozido, de carne assada. Choque de bolas de bilhar. Carroças, automóveis, bicicletas. Homens gordos e corados à porta de armazéns secos e molhados, bares cheios. Moças, muitas moças às janelas.

Enquanto o farmacêutico prepara a receita para a mãe, o menino vai espiar o rio que se quebra em cristais sob o sol, o rio lanhado pelas lavadeiras que batem as roupas nas pedras lisas. E vai ver também a estação de ônibus. O cine Odeon anunciando o último filme de faroeste. Parecia bom, devia ter muito sopapo. Bill Elliot, com dois revólveres no cinto e mãos enluvadas, socava o bandido bem no queixo. Por fim, a livraria, o namoro comprido com os títulos expostos na vitrine. Livro era mais caro que cinema. Em compensação a gente só via o filme uma vez. Livro podia ser lido até soltar as páginas, até o tempo amarelecer as folhas e apagar as letras.

- Aquele ali.

-Tem dinheiro?

- Sim, senhor.

Na volta, a estrada está varrida pelos faróis dos carros. Ele caminha pela valeta, tem medo que a noite lhe pegue no meio do caminho.

A mãe prepara o remédio. O menino descansa para a tarefa de cortar as páginas fechadas do livro que lhe promete outros mundos, outras viagens. Antes de começar a ler, cheira o papel, se deixa penetrar pelo odor da tinta de impressão que parece fresca. Quase duzentas páginas.

E ele dorme ali, no banco, com o livro a cair da mão, e sonha com a expedição que naufragou no rio Amazonas e agora está ilhada num igapó.



Hélio Pólvora (de parceria com Telmo Padilha)


Fontes: Wikipédia e outros sites na Internet

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sexta-feira, 3 de março de 2017

FILHOS DE ITABUNA: Valdelice Soares Pinheiro

Valdelice Soares Pinheiro


Filha de desbravadores da região cacaueira baiana, Valdelice Soares Pinheiro nasceu em Itabuna no dia 24 de janeiro de 1929. Fez o curso primário nos Colégios Nossa Senhora da Piedade e Municipal de Ilhéus.  Licenciada em Filosofia pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul, ensinou Estética e Ontologia na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Publicou dois livros de poesia: "Dentro de Mim" e "Pacto".

Trata-se de uma poeta que elabora sua poesia com uma linguagem medida e despojada, projetando no texto contido uma visão de mundo preocupada com a condição humana.

O Romancista e Crítico Literário Adonias Filho viu em Valdelice Soares Pinheiro uma poeta de percepção visual, que trabalha o poema com inteligência, à sombra de ideias  e conceitos, na medida em que se arma e se processa no texto para se tornar voz reflexiva. Diria que o sensibilismo piegas repetitivo e enfadonho em suas ressonâncias líricas cede lugar no texto poético de Valdelice Soares Pinheiro à poesia celebrada com especulação e síntese.

Poesia reflexiva de grande conteúdo humano, de equilíbrio entre concepção e execução, harmonia entre poema e ato, verso e matéria. Poesia que só um poeta questionador, dotado de instrumental filosófico plasmado numa alma sensível, poderia compor.

Faleceu em 29 de agosto de 1993.


(ITABUNA, CHÃO DE MINHAS RAÍZES)
Cyro de Mattos

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Rio Cachoeira

Rio torto,
Rio magro,
Rio triste.
Parece que chora,
Sente dor...
Parece que fala em lamentos
Dos afogados que engoliu,
Das flores que já levou.
O remorso, Cachoeira,
O remorso te entortou.


 Valdelice Pinheiro

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sábado, 25 de fevereiro de 2017

FILHOS DE ITABUNA - Amélia Amado

Amélia Amado



Dona Amélia Amado, filha do coronel Misael Tavares e de Dona Santinha, nasceu em 1903.

Era devota de Santo Antonio e de São Francisco de Assis.

Através de um sonho imaginou um local onde pudesse realizar trabalhos sociais pelos mais necessitados.

Assim surgiu, na Praça Olinto Leone o Movimento Ação Fraternal, um dos maiores projetos assistenciais de Itabuna.

Idealizou, construiu e inaugurou, em julho de 1947, o Colégio Ação Fraternal, destinado exclusivamente a moças pobres da cidade, numa ampla área adquirida das mãos do coronel Martinho Conceição.

Criou a Fundação Gileno Amado, através da qual trouxe o escotismo para Itabuna, juntamente com o major Dórea.

Idealizou também o TEI – Teatro Estudantil Itabunense que, nas décadas de 60 e 70, realizou uma série de projetos em benefício da juventude local.

Viúva do Coronel Gileno Amado, faleceu no dia 27 de agosto de 1983.


Extraído do Livreto 26 PERSONALIDADES QUE CONTRIBUIRAM PARA A HISTÓRIA DE ITABUNA de Selem Rachid Asmar.

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Nota de ITABUNA CENTENÁRIA: Dona Amélia Amado foi apontada por uma pesquisa de opinião realizada pelo Sócio Estatística no ano 2000, entre os 10 cidadãos mais importantes da História de Itabuna, dentre os que já morreram e permanecem vivos na memória do Itabunense.


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sábado, 11 de fevereiro de 2017

FILHOS DE ITABUNA: Gabriel Nascif

Gabriel Nascif


Dele nada se fala não se escreve nada!...
Mas o grande poeta Grapiúna, GABRIEL NASCIF teve publicado em 1980, pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, o livro "O SOPRO DO CACHOEIRA", uma coleção de belíssimos poemas declarando seu grande amor pela cidade natal, por pessoas, pela vida... Na apresentação do poeta, Haydée de Amorim inicia com a bela frase: "Berço primeiro em terra Itabunense: 'Jaqueira' - rua beirando 'O Cachoeira', em certa ensolarada tarde de novembro..."

E depois de traçar o perfil do 'menino inquieto, sempre em busca do desconhecido...', do 'Professor de Português, Inglês e Teoria da Literatura' encerra assim: "E de repente, não mais que de repente, a eclosão dos seus versos na magnitude e dolência do SOPRO DO CACHOEIRA, serpenteando como sua alma, ávida de emoções, numa busca eterna e oceânica..."

Hoje Itabuna Centenária-ICAL pergunta: Gente, cadê Gabriel  Nascif?
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ALI 


O cantar dos ventos

Funde-se na infância ida,
Colorida,
Haurindo na esfera
Ao som das feras
Como pedras e entre pedras ali.
O cantar dos ventos
Confunde-se com o chuá
Das correntezas,
Suando gotas de infância
No compasso pedrangular
Em forma retangular, acolá.
O cantar dos ventos
Difunde-se na instância
Diáfana,
Desfilando lembranças anímicas
Em procissão crepuscular.
O cantar dos ventos
Frui-se na esfera
Como quem espera.


Gabriel Nascif

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

FILHOS DE ITABUNA: Firmino Rocha

Deram um fuzil ao menino



Adeus luares de Maio,
adeus tranças de Maria.
Nunca mais a inocência,
nunca mais a alegria,
Nunca mais a grande música
no coração do menino...
Agora é o tambor da morte
rufando nos campos negros
Agora são os pés violentos
ferindo a terra bendita .
A cantiga...
Onde ficou a cantiga?
No caderno de números,
o verso ficou sozinho!...
Adeus ribeirinhos dourados,
Adeus estrelas tangíveis,
Adeus tudo que é de Deus.
DERAM UM FUZIL AO MENINO.



Nascido a 07/06/1910, FIRMINO ROCHA o autor deste belo e chamativo poema completou Centenário de nascimento, juntamente com sua amada Itabuna. Seu poema “DERAM UM FUZIL AO MENINO” está gravado em placa de bronze, na sede da Organização das Nações Unidas e faz parte de uma coletânea sobre a Paz, editada e distribuída pela ONU em todo mundo.

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