John Bolton, que foi embaixador americano na ONU, disse nesta sexta que os ataques de mísseis
autorizados pelo presidente Donald Trump marcaram o fim da era Obama na
política externa dos Estados Unidos:
Ele explicou melhor o que quis dizer na Fox and Friends.
Para Bolton, é ridículo esperar alguma reação que não a de repúdio por parte da
Rússia, cujo governo é o maior aliado de Assad. Também é questionar se o
presidente americano tinha ou não o direito constitucional para agir. A Síria
era membro da Chemical Weapons Convention, e sempre que algum país descumpre o
tratado designado para a prevenção do aumento de armas de destruição em massa,
a segurança nacional dos americanos é diretamente afetada.
“O presidente tem plena autoridade constitucional sob a
cláusula do comandante-em-chefe para agir”, afirmou Bolton. O que ele fez. “Ele
fez um ataque bem limitado e preciso por um motivo bem limitado e preciso. Eu
acho que foi a coisa certa a fazer, e eu acho que ontem à noite a era Obama na
política externa americana terminou”, concluiu.
Bolton também disse a Sean Hannity que a Rússia deve estar
muito constrangida com o que fez Assad, não por questões humanitárias, mas
porque eles sabem que agora têm um problema. O principal interesse da Rússia em
proteger Assad é garantir suas bases navais em Tartus e Latakia, e por isso
Putin deve apoiar Assad pelo tempo que for necessário. Só aceitaria
substituí-lo por alguém que permitisse a permanência russa nesses locais.
A Rússia, claro, foi a voz mais estridente a condenar os
ataques, que chamou de “violação da lei internacional”. Mas a atitude de Trump
encontrou suporte em vários países ocidentais. Se o próprio Obama tinha
ameaçado agir em caso de armas químicas, que os democratas alegaram não mais
existir no país após o então presidente “persuadir” o governo a abandoná-las,
então só havia uma coisa a ser feita para a América não perder sua
credibilidade: atacar.
Eis o que mudou então de Obama para Trump: agora o Ocidente
tem um líder disposto a agir, a colocar suas ações onde estão suas palavras, a
defender os valores básicos que sustentam nossa civilização, a enfrentar os
inimigos da liberdade. Faltava a Obama clareza moral e coragem, atributos que
não faltam em Trump. A era Obama chegou ao fim, ou seja, a era da retórica
romântica e das ameaças vazias, que colaboraram para o avanço dos piores
regimes mundo afora.
Sobre a reação de muitos, não seria diferente. Sempre haverá
aqueles dispostos a condenar qualquer ação militar americana, especialmente sob
um governante republicano. Mas a imensa maioria deles é movida por um
antiamericanismo infantil, e não quer fazer análise de verdade. Thiago
Kistenmacher resumiu bem a postura enviesada dessa turma:
Quando é o Trump: “Presidente milionário ataca covardemente
a Síria a fim de manter o imperialismo estadunidense e favorecer a indústria do
petróleo.” Se fosse o Obama: “Primeiro presidente negro dos EUA se solidariza
com o sofrimento do povo sírio e, a fim de promover a paz mundial, ataca o país
em retaliação às atrocidades cometidas pelo ditador Bashar al-Assad.”
Esses “analistas”, inclusive vários que são convidados para
entrevistas em nossos canais de televisão, devem ter concluído seus estudos na
Faculdade Facebook, e ostentam esse incrível diploma:
Felizmente ainda há quem queira fazer análise séria,
refletir, ler muito material de verdadeiros especialistas, para finalmente
chegar a uma conclusão embasada. Nem todos são obrigados a concordar que a
resposta de Trump foi a melhor, claro. Mas daí a ficar “horrorizado” com o
“irresponsável” e “cruel” presidente americano, sem dizer uma só palavra sobre
Assad, as armas químicas que não deveriam mais existir na Síria e Putin, vai
uma longa distância, que separa as pessoas decentes dos antiamericanos bobocas.
Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC,
trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros,
entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré
vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do
Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.
“Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro e depois
perdem o dinheiro para recuperar a saúde; Por pensarem ansiosamente no
futuro, esquecem o presente, de tal forma que acabam por nem viver no
presente nem no futuro; Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se
nunca tivessem vivido.”
“Três coisas não
podem ser escondidos por muito tempo: o sol, a lua e a verdade.”
“O segredo da
saúde, mental e corporal, está em não se lamentar pelo passado, não se
preocupar com o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas, viver sabia e
seriamente o presente.”
“Um amigo falso
e maldoso é mais temível que um animal selvagem; o animal pode ferir seu
corpo, mas um falso amigo irá ferir sua alma.”
“Eu sou o
resultado de meus próprios atos, herdeiros de atos; atos são a matriz que me
trouxe, os atos são o meu parentesco; os atos recaem sobre mim; qualquer ato
que eu realize, bom ou mal, eu dele herdarei. Eis em que deve sempre refletir
todo o homem e toda mulher.”
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, Jesus e seus discípulos aproximaram-se
de Jerusalém e chegaram a Betfagé, no monte das Oliveiras. Então Jesus enviou
dois discípulos, dizendo-lhes: “Ide até o povoado que está ali na frente,
e logo encontrareis uma jumenta amarrada, e com ela um jumentinho. Desamarrai-a
e trazei-os a mim! Se alguém vos disser alguma coisa, direis: ‘O Senhor
precisa deles’, mas logo os devolverá’”.
Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta: Dizei à filha
de Sião: Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado num jumento, num
jumentinho, num potro de jumenta”.
Então os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes havia mandado. Trouxeram
a jumenta e o jumentinho e puseram sobre eles suas vestes, e Jesus montou. A
numerosa multidão estendeu suas vestes pelo caminho, enquanto outros cortavam
ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. As multidões que iam na
frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito
o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!”
Quando Jesus entrou em Jerusalém a cidade inteira se agitou, e diziam: “Quem é
este homem?” E as multidões respondiam: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré
da Galileia”.
Anúncio do Evangelho (Mt 27,11-54)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Narrador 1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Mateus: Naquele
tempo, 11Jesus foi posto diante de Pôncio Pilatos, e este o interrogou:
Leitor: “Tu és o rei dos judeus?”
Narrador 1: Jesus declarou:
— “É como dizes”.
Narrador 1: 12E nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e
anciãos. 13Então Pilatos perguntou:
Leitor: “Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?”
Narrador 1: 14Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou
muito impressionado. 15Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o
prisioneiro que a multidão quisesse. 16Naquela ocasião, tinham um
prisioneiro famoso, chamado Barrabás. 17Então Pilatos perguntou à multidão
reunida:
Leitor: “Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus, a quem chamam de
Cristo?”
Narrador 2: 18Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. 19Enquanto
Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele:
Mulher: “Não te envolvas com esse justo, porque esta noite, em sonho, sofri
muito por causa dele”.
Narrador 2: 20Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões
para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. 21O governador tornou a
perguntar:
Leitor: “Qual dos dois quereis que eu solte?”
Narrador 2: Eles gritaram:
— “Barrabás”.
Narrador 2: 22Pilatos perguntou:
Leitor: “Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?”
Narrador 2: Todos gritaram:
— “Seja crucificado!”
Narrador 2: 23Pilatos falou:
Leitor: “Mas, que mal ele fez?”
Narrador 2: Eles, porém, gritaram com mais força:
— “Seja crucificado!”
Narrador 1: 24Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta.
Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse:
Leitor: “Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema
vosso!”
Narrador 1: 25O povo todo respondeu:
— “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos”.
Narrador 1: 26Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e
entregou-o para ser crucificado. 27Em seguida, os soldados de Pilatos
levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele.
Leitor: 28Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho;
Narrador 1: 29depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua
cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e
zombaram, dizendo:
— “Salve, rei dos judeus!”
Narrador 2: 30Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça. 31Depois
de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas
próprias roupas. Daí o levaram para crucificar. 32Quando saíam,
encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a
carregar a cruz de Jesus. 33E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que
quer dizer “lugar da caveira”.
Narrador 1: 34Ali deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou,
mas não quis beber. 35Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio,
repartindo entre si as suas vestes. 36E ficaram ali sentados, montando
guarda. 37Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação:
— “Este é Jesus, o Rei dos Judeus”.
Narrador 1: 38Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à
esquerda de Jesus. 39As pessoas que passavam por ali o insultavam,
balançando a cabeça e dizendo:
Leitor: 40”Tu, que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias,
salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!”
Narrador 2: 41Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e
os anciãos, também zombavam de Jesus:
Leitor: 42"A outros salvou... a si mesmo não pode salvar! É Rei de
Israel... Desça agora da cruz! e acreditaremos nele. 43Confiou em Deus;
que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de
Deus”.
Narrador 1: 44Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com
Jesus o insultavam. 45Desde o meio-dia até as três horas da tarde, houve
escuridão sobre toda a terra. 46Pelas três horas da tarde, Jesus deu um
forte grito:
— “Eli, Eli, lamá sabactâni?”
Narrador 1: Que quer dizer:
— “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”
Narrador 1: 47Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram:
— “Ele está chamando Elias!”
Narrador 1: 48E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em
vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. 49Outros,
porém, disseram:
— “Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!”
Narrador 1: 50Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito.
(Todos se ajoelham.)
Narrador 2: 51E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em
duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. 52Os túmulos se
abriram e muito corpos dos santos falecidos ressuscitaram! 53Saindo dos
túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram
vistos por muitas pessoas. 54O oficial e os soldados que estavam com ele
guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram
com muito medo e disseram:
— “Ele era mesmo Filho de Deus!”
“Quando Jesus entrou em Jerusalém, a cidade inteira ficou
alvoroçada, e diziam: ‘Quem é este?’”
A Paixão de Jesus teve causas históricas concretas e foi o
desenlace final de uma vida que entrou em conflito com o sistema
religioso-político estabelecido na sociedade daquele tempo. Sua vida e sua
mensagem revelaram uma novidade de tal magnitude que rompeu com as estruturas
que atentavam contra a vida. De fato, Jesus apostou na vida de todos os seres
humanos e por isso não se deixou subornar por nenhum poder destruidor de vidas.
O conflito de Jesus foi o conflito com o poder, mas o poder
levado até sua raiz última. Por isso, Jesus compreendeu que, para mudar o
comportamento dos dirigentes da cidade de Jerusalém, a primeira coisa a fazer
era desmontar o “ídolo” que legitimava o poder autoritário daqueles que
oprimiam o povo indefeso. Jesus desmontou o “seu deus” e atirou por terra “seus
podres poderes”. Foi exatamente isso que provocou o enfrentamento, que
desembocou na sua morte.
Este confronto com o poder religioso e político ficou
evidente na cena da “entrada de Jesus em Jerusa-lém”. A subida a Jerusalém foi,
sem dúvida, uma decisão meditada, mas também profundamente radical.
A chegada de Jesus com seus discípulos e discípulas à cidade
santa, formando parte da comitiva dos pere-grinos que vinham dos quatro cantos
do mundo conhecido, para celebrar a Páscoa, se converteu numa procissão
festiva. O Mestre, evocando a profecia de Zacarias, não entrou em Jerusalém
como um rei, guerreiro triunfador, na garupa de um possante cavalo, mas montado
em um burrinho, entre sinais de natureza e de concórdia (palmas, ramos, cantos
de alegria e de paz), mostrando-se assim como o enviado humilde de um Deus cujo
poder é o amor.
Jesus, que havia anunciado a novidade do Reino, rompe com os
esquemas e paradigmas. O povo o quer identificar como um messias que vai
triunfar e tomar o poder, como um novo Davi, mas Jesus procura fazer descobrir
que o poder nunca é mediação para a libertação do ser humano. Nem o poder
econômico, nem o político, nem o religioso solucionam as desigualdades e
injustiças humanas, nem sequer criam esperanças libertadoras.
Este é o momento definitivo de atuação de Jesus: subiu a
Jerusalém na festa principal dos judeus. Com seu gesto Ele atinge o centro do poder
político e religioso, encarnado na cidade de Jerusalém. Até então seus gestos
foram libertadores das pessoas. Agora Ele arremessa diretamente contra a cidade
que exclui e mata. Aquele “dia de Ramos” foi uma autêntica manifestação de
desafio.
Jesus rompe o silêncio e entra na cidade de Jerusalém de
maneira impactante, como Messias cheio de autoridade, mas faz isso de forma
pacífica, sem armas nem soldados, anunciando o reino de Deus para o pobres e a
partir dos pobres. Não optou por empregar violência externa, nem
prepotência ou domínio (religioso, militar, econômico) de uns sobre os outros,
porque o Reino de Deus não se manifesta com violência, nem se mantém por meio
do poder ou da sacralidade sacerdotal. Até então Jesus havia se movimentado mais
na clandestinidade, esperando o momento oportuno, a “sua hora”. E essa foi a
“sua hora”: desmascarar a manipulação e extorsão daqueles que com poder
autoritário tinham oprimido o povo. Por isso, sua vinda, nesse tempo de
Páscoa, não foi um gesto privado; veio de um modo público, pois queria a
transformação ou conversão da cidade de Jerusalém.
Para alguns, esse gesto de cruzar os umbrais da cidade foi
altamente provocativo e quiseram frear o entusiasmo que Jesus despertava pela
sua passagem. Ele se tornou um perigo que deveria ser eliminado. Os dirigentes
religiosos e os líderes do povo judeu deram-se conta de que aquele homem, Jesus
o Nazareno, questionava, da maneira mais radical, o sistema no qual eles se
sustentavam para continuar exercendo um poder ao qual não estavam dispostos a
renunciar.
A festa da entrada de Jesus na cidade de Jerusalém revela-se
uma ocasião privilegiada para considerações sobre nossa presença e o nosso
habitar nas grandes cidades de hoje. Às vezes, a grande cidade pode nos
parecer um lugar estranho e hostil; ela se revela complexa e confusa como um
labirinto, perigosa e traiçoeira como o deserto, espessa e impermeável como uma
floresta. De fato, nas cidades existem situações que dificultam ou impedem a
descoberta de Deus e a vivência de relações mais humanas: a violência, a
pobreza, a discriminação sexual, a intolerância, o racismo e muitas outras
atitudes e práticas que separam, excluem e oprimem. As ofensas contra a pessoa
humana, sua digni-dade e seus direitos, são impedimentos para reconhecer e
descobrir a presença do reinado de Deus.
Assim, no domingo de Ramos, abrimos espaço para entrar na
nossa cidade com Jesus, com sua força, com sua presença crítica; só assim, nos
manteremos lúcidos nessa mesma cidade tão distante da proposta de vida
apresentada pelo evangelho. Somos enviados a todas as fronteiras de nossas
cidades não para impor a fé e o Evangelho, mas para dialogar com aqueles que
não pensam como nós, com aqueles que não creem, com aqueles que estão muito
distantes, marginalizados...
Desde aquele dia de Ramos sabemos que Deus mesmo habita em
nossa cidade, para além dos limites da Igreja; Ele deixa marcas de sua presença
em tudo e em todos. Só aquele que vive “em saída” pode entrar em sintonia com a
ação do Senhor e ser presença de luz no próprio espaço urbano.
“A fé nos ensina que Deus vive na cidade, em meio a suas
alegrias, desejos e esperanças, como também em meio a suas dores e sofrimentos”
(Doc. Aparecida, 514).
Jesus “entrou” em Jerusalém para que também nós entremos em
nossas cidades de maneira inspiradora e provocativa, buscando e construindo a
nova cidade, feita de paz e de concórdia, rompendo com tudo aquilo que
desumaniza e trava os espaços de convivência. Somos chamados a construir pontes
e não muros de separação, a ser presença reconciliadora e não de divisão.
A experiência de uma pastoral urbana nos capacita a
descobrir e potenciar a presença real do Deus que revela seus rosto nas
pessoas, casas, bairros, povos, cidades e metrópoles. “O coração dos povos é o
santuário de Deus”. Trata-se de “passear com o Absoluto pelas ruas da cidade”
(Michelstaeder).
O Deus presente nas cidades é um Deus que nos chama e
interpela a partir do reverso da história, a partir dos lugares ocultos, dos
‘outros-espaços” de exclusão... e a nos comprometer na construção da Jerusalém
justa e fraterna.
Texto bíblico: Mt 21,1-11
Na oração: rezar sobre minha presença na cidade:
participativa? Questionadora? Inspiradora?...
Ou presença alienada, fechada em condomínio, apartamento...
sem contato com a dura realidade e com o mundo da exclusão daqueles que são
vítimas de uma cidade desumana?
- O que significa “morar” numa sociedade virtual?
- A “Jerusalém terrena” é expressão da “Jerusalém interna”:
minha cidade interna é espaço de paz, de concórdia, um espaço onde Deus mesmo
mora em mim? Ali me sinto verdadeiramente “em casa”?
Itabuna! Itabuna! Minha terra querida! Sua natureza canta
desde a aurora ao por do sol!
Itabuna! Itabuna! Cheia de vida a pulsar e a vibrar, nos
seus pássaros que cantam, nas flores que desabrocham, no alvorecer das suas
manhãs lindas e primaveris! No velho Rio Cachoeira, que contorna a sua eira, num
permanente ondular!... Nos seus arranha-céus que começam a pintar, sua bela
paisagem de cidade progressista!
Você é a verdadeira imagem da terra-mãe carinhosa, de seus
filhos orgulhosos de sua pureza, que nos diz muito baixinho, quase em segredo,
ao ouvido, sorrindo, sinceramente: "eu
amo a todos vocês, meus filhos, mui queridos, também amo igualmente os filhos
vindos de longe, de todos os recantos do Brasil, destacando-se os sergipanos, que
foram os primeiros a este solo pisar...
Bravos homens, obreiros, cheios de esperança, aventureiros saíram
de sua terra maltratada pela seca, e aqui chegaram esperançosos, para desbravar
com amor, este rico solo encantador!... Salientando-se também os estrangeiros: libaneses, sírios,
espanhóis e portugueses. Principalmente os dois primeiros, também grandes
desbravadores, que vieram de tão longe, para com seu suor vencer!
E venceram, e progrediram e me deram muito de si, mostrando-me
grande afeição, e diziam com muito orgulho: você, Itabuna querida, é a nossa
Segunda mãe, nossa vida!
Agora, ouçam com atenção eu amo a todos vocês! Ricos,
pobres, brancos e pretos, brasileiros e estrangeiros, pois são todos, sem exceção,
meus filhos do coração!"
O menino que se tornara adulto voltou a ser, a partir dos 57
anos de idade, uma criança novamente. Esta mudança só foi possível,
subjetivamente, graças a sua percepção da beleza da vida e, objetivamente, da
água, do sabão, do copo e do canudo, através dos quais das duas janelas da
frente e do fundo do segundo andar de sua casa, ele faz chover bolas de sabão.
A chuva natural e a de bolas de sabão podem acontecer ao mesmo tempo. Quantas
vezes Deus de lá do Céu e esse menino daqui da Terra, combinados, não promoveram,
simultaneamente, esse inédito e duplo espetáculo!? Superinteressante é como
esse fenômeno acontece. Tanto as bolas de sabão menores como as maiores, sob a
chuva fina ou grossa, sobem céu acima, passando intactas por aquele labirinto
de filetes de água que se formam com a chuva. O resultado disso é a beleza da
figura de uma cortina de água, bordadas com bolas coloridas de sabão.
As bolas do aniversário daquele menino são de sabão. Nesse dia, todas as bolas
que ele fez retornam à sua casa, prestando-lhe uma verdadeira homenagem. Logo
que chega, cada bola de sabão percorre todo o seu lar, depois se junta a tantas
outras, lá fora, formando uma roda gigante muito grande. Ao redor dessa roda
gigante, outras bolas de sabão fazem a vez de uma cerca protetora, com uma
abertura de acesso. Aquele menino, depois de dar várias voltas naquela roda
gigante, juntamente com outras crianças, fica no lugar de acesso da cerca,
controlando a entrada dos garotos que aguardam a sua vez, na fila daquele mini
parque de bolas de sabão. A roda gigante não para.
Desde as dezessete horas da tarde, quando a festa começou, roda, roda, roda,
para atender a mais de cinco mil convidados mirins. A beleza de luzes e de
cores emitida por ela parece dois arcos íris que se juntaram, formando aquele
objeto redondo, colorido e de lazer. Todos os convidados ficam na expectativa,
também, do encerramento da festa, quando as bolas de sabão, para se soltarem
uma das outras, emitem som, luzes e cores, à semelhança do espetáculo da queima
de fogos de artifícios. A vida fica mais bonita, cheia de bolas de sabão. Umas
bolas de sabão sobem tanto, céu acima, ganhando status de “estrelas”; outras,
descem Terra abaixo, contagiando de magia aqueles que não conseguem olhar para
o alto.
O fato se passou na sala de espera de um consultório médico.
Várias pessoas aguardavam sua vez de serem atendidas, entre elas eu.
Chamou-me a atenção uma senhora, ainda jovem, com seu
filhinho. Ela se portava com muita dignidade e distinção.
Vestido caindo abaixo
dos joelhos, bem composta, olhar recatado. O menino estava nessa fase da
existência em que se descobre a alegria de viver, de falar, de andar. Serelepe,
ele corria de um lado para outro dentro da sala, mas sempre voltando a um ponto
fixo, a mãe.
Ela o vigiava com o olhar, parecia comprazida com a
movimentação do pimpolho, mas não lhe dizia nada. Em certo momento, porém, ele
começou a mexer no abajur da sala. Temerosa talvez de que ele provocasse um
pequeno desastre, o que não era de se excluir, ela o chamou.
— Luizinho, vem cá. Meu filho, não mexa no abajur. Diz um
velho ditado que um menino prevenido vale por dois. É arriscado o abajur cair e
o médico ficará zangado com você.
— Sim senhora, mamãe, disse ele, continuando suas andanças
pela sala, sem mexer mais no abajur.
Em certo momento, voltando para onde estava sua mãe e pondo
as pequenas mãos sobre os joelhos dela, perguntou, numa atitude inocente de
intimidade e confiança:
— Mamãe, o que é mesmo que disse o velho deitado?
Todos na sala esboçaram um sorriso. Menos a mãe, que com
toda a seriedade respondeu.
— Não, meu filho, não é o velho deitado, é um velho ditado.
— E qual a diferença, mamãe?
Eva Soares (1964-2010) – Pintura acrílica
Foi aí que, junto com todos os presentes, pude apreciar uma
cena delicada e admirável a uma só vez. A senhora se inclinou ligeiramente para
o menino e, acariciando-o, explicou-lhe detalhadamente, em linguagem acessível
àquela mente infantil, com numerosas imagens e comparações, a diferença
existente entre um velho deitado e um velho ditado.
Entretanto não eram apenas as palavras. Enquanto falava, ela
fazia sentir ao menino tanto afeto, tanta proteção, tanto carinho, tanto esmero
no que dizia, sem dar a entender em nada o quanto sua pergunta era cômica e até
extravagante, que o garoto olhava para ela encantado e embevecido. Ao mesmo
tempo, ela falava com autoridade, seu tom de voz era o de quem ensina e quer
ser compreendida, mas sem qualquer aspereza nem acidez.
O menino sentia bem, embora de modo incipiente, tanto quanto
a uma criança é dado sentir, que se andasse no bom caminho, teria sempre a seu
lado a proteção materna a ampará-lo nas dificuldades e agruras da vida. Sentia
também, por contraste, que caso viesse a rolar por descaminhos, causaria uma
dor incomensurável à sua mãe e não teria seu apoio nem seu beneplácito.
Na sala, o silêncio se fez. Ninguém sequer se mexia. Todos
estavam emocionados diante daquela cena tão singela, mas que tocava ao sublime.
Lembrei-me então de outra senhora que tive a dita de
conhecer – eu ainda jovem, e ela já na extrema velhice. Era a mãe do Dr. Plinio
Corrêa de Oliveira, a tradicional dama paulista Da. Lucilia Ribeiro dos Santos
Corrêa de Oliveira.
Era aquela bondade, aquela afabilidade, aquela firmeza de
princípios morais e religiosos, transmitidos com inabalável certeza e
incomparável suavidade!
Chegara a vez de o menino ser atendido no consultório. Sua
mãe o tomou com delicadeza pela mão — “Vamos meu filho” — e passou pela porta
divisória. Pensei: “Qual! Esta senhora só pode ser católica!” Só o espírito
católico é capaz de, com tanta certeza e determinação, transmitir uma seriedade
tão afável, de modo tão aprazível e com tanta ternura. Lembrei-me da Virgem
Maria e do Menino Jesus.
Advogado, formado na Faculdade de Direito do Largo São
Francisco. Autor dos livros "Pastoral da Terra e MST incendeiam o
Brasil" e, em colaboração, "A Pretexto do Combate Á Globalização
Renasce a Luta de Classes".