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terça-feira, 14 de junho de 2022

A HIDRA ERA ALIMENTADA E CRESCIA NOS ANTROS COMUNISTAS

 


Paulo Roberto Campos


Quando em 1989 foi derrubado o Muro de Berlim (a “cortina de ferro”) e, no ano seguinte, desmoronou o regime comunista com o estrondoso fracasso da URSS, muitos incautos diziam de boca cheia: “o comunismo morreu”…

O maior líder anticomunista do século XX, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, foi o paladino da tese contrária, ou seja, ele afirmava categoricamente que o comunismo não tinha morrido, mas se metamorfoseado; fez uma “plástica” em sua carranca para melhor iludir os babaquaras. Tal “plástica” foi feita sobretudo com duas políticas “cosméticas” do velhaco comunista Michail Gorbachev: em 1985 com a Glasnost (transparência), e em 1986 com a Perestroika (reestruturação).

A respeito desta importante temática, recomendo leitura do histórico manifesto do Prof. Plinio, publicado em 1989 em vários jornais, intitulado “Morreu o comunismo? E o anticomunismo também?”.

O próprio Gorbachev confessou: “O comunismo pode voltar à vida. É como o mito grego da Hidra, cujas cabeças cresciam de novo, após terem sido cortadas” (“Folha de S. Paulo”, 9-3-1992).

Gorbachev nos antros comunistas tomou conhecimento do plano punitista; sabia que a Hidra estava sendo criada e bem alimentada… Hoje quem teria a petulância de dizer que o comunismo está morto? Sobretudo com a atual situação da Rússia, com a hidra Putin no poder, seria um disparate monumental.

Dentro dessa temática, seguem algumas frases sobre o comunismo que vale a pena memorizar.


 “Hoje, fala-se em cortesia francesa, pontualidade britânica, cavalheirismo espanhol etc. Dia virá em que se falará também em cinismo soviético. Cinismo pasmoso, na verdade, que só teve um ‘símile’ no mundo: o cinismo nazista”.

(Plinio Corrêa de Oliveira)

“No capitalismo temos a distribuição desigual das riquezas; no socialismo, a distribuição por igual das misérias”.

(Churchill)

 “O comunismo não é uma doutrina porque é uma antidoutrina, ou uma contradoutrina. Tudo quanto o homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é de civilização e de cultura —, tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem”.

 (Fernando Pessoa)

 “Os comunistas sempre souberam chacoalhar as árvores para apanhar no chão os frutos. O que não sabem é plantá-las”.

(Roberto Campos)

 “É fácil ser comunista em um país livre. O difícil é ser livre em um país comunista”.

(Agustin Etchebarne)


https://www.abim.inf.br/a-hidra-era-alimentada-e-crescia-nos-antros-comunistas/

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

ELEIÇÕES – Péricles Capanema

22 de julho de 2020
Péricles Capanema

No Brasil teremos eleições municipais em 15 de novembro; nos casos de 2º turno, ainda em 29 de novembro, votações para prefeitos. Sem dúvida importantes, fornecerão estimativa, instantâneo, de como se posiciona a opinião pública e tornarão mais plausíveis os prognósticos para 2022.

Aqui as eleições brasileiras serão tocadas de raspão, não é sobre elas que pretendo discorrer. Eleições presidenciais norte-americanas serão o tema. Muita gente já comentou em blague, repito o gracejo, as eleições presidenciais nos Estados Unidos influenciam tanto, que todo mundo deveria votar delas.

A conhecida revista inglesa “The Economist”, em sua última avaliação sobre o pleito de 3 de novembro, coloca Joe Biden com 54% dos votos populares, Trump com 46%. Ainda segundo “The Economist”, de momento Biden tem 90% de chances de ser o próximo presidente dos Estados Unidos (98% de probabilidade de vencer no voto popular).

Se os atuais prognósticos foram confirmados, e não é difícil que o sejam — ainda que pesem sobre eles as justificadas reservas sobre a objetividade das pesquisas —, Biden chegará ao poder à frente de gigantesca coligação que incluirá, apenas como exemplos, simpatizantes do movimento vandálico de derrubada de estátuas, setores extremados do “Black Lives Matter”, defensores da pauta LGBT, ideologia do gênero, aborto. E ainda forças políticas que simpatizam com partidos de esquerda na América Latina. Em outro âmbito, presumivelmente ficarão mais fáceis as manobras de Xi Jinping e Vladimir Putin para expandir a própria influência e minar a importância dos Estados Unidos no mundo. Queira-se ou não, terão sido enormes golpes nos interesses do Ocidente, eco pálido (a demolição interna é enorme) e, paradoxalmente poderoso (engloba países de grande poder) do que foi a Cristandade. Enormes golpes, disse e reafirmo. Presumivelmente desferidos de forma gradual, passamos por era girondina. E possivelmente menos contundentes para a opinião pública pela restauração parcial, quando menos publicitária, do papel internacional dos Estados Unidos, com a recusa do “America first”.

Descendo a detalhes e analisando de perto o período pré-eleição, Joe Biden tem contra si a falta de carisma, o ar distante e a aparência um tanto avoada. Não galvaniza seguidores, eleitores potencialmente seus poderão não se sentir animados a votar no 3 de novembro. Contudo, tais circunstâncias devem ser vistas com olhar matizado. Biden sabe ganhar eleições. Senador aos 30 anos, venceu a seguir seis disputas sucessivas para o Senado; e por duas vezes, junto com Barack Obama, foi vitorioso em eleições presidenciais. É nome nacional desde 1973.

Católico, não age na política de forma coerente com a fé, tendo tido choques com o bispo diocesano, por causa de seu favorecimento do aborto. Semanas atrás, declarou que agirá contra os estados da União que promulgam leis restritivas ao aborto: “Os direitos à saúde das mulheres estão sob ataque quando estados no país inteiro aprovam leis extremadas restringindo o direito de escolha das mulheres sob quaisquer circunstâncias”. Continuou: “Como presidente vou colocar na legislação o determinado pela decisão Roe vs. Wade da Suprema Corte e o Departamento de Justiça fará tudo que estiver a seu alcance para impedir a avalanche de leis estaduais que tão claramente violam o direito de escolha das mulheres”. Suas posições pró-aborto e favoráveis ao “same sex marriage” podem lhe tirar votos; é forte o eleitorado conservador nos Estados Unidos.

Joe Biden tem histórico familiar amplo e controverso. Alguns fatos o favorecem eleitoralmente; outros podem prejudicá-lo, em proporção ainda não conhecida. Casou-se em 1966 com Neilia Hunter. Tiveram três filhos, dois meninos e uma menina. A mulher e a filha, em 1972, morreram em desastre de automóvel. Biden casou-se uma segunda vez, em 1977, com Jilly Tracy, com quem teve uma filha. O filho mais velho de Biden, Beau, faleceu de câncer aos 46 anos. O outro filho, Hunter, — observa o sociólogo Manuel Castells, favorável a Biden, em “La Vanguardia” de Barcelona — “uma bala perdida, expulso da Marinha por vícios em drogas e envolvimento em negócios com empresas chinesas e depois ucranianas, que lhe pagavam salários astronômicos por ter um Biden em seus conselhos. Isso explica o escândalo da negociação de Trump com o presidente da Ucrânia para que lhe facilitasse informação sobre Biden júnior em troca de ajuda, um assunto que levou à tentativa de impeachment contra Trump”. De momento, as estrepolias do filho parecem não prejudicar significativamente a candidatura do pai. Os Estados Unidos têm outras preocupações, em especial a crise econômica e a pandemia.

Uma palavra sobre Donald Trump. Mesmo sem mudanças ideológicas e de aspirações no eleitorado, a crise econômica e a decepção com o comportamento presidencial podem lhe tirar votos decisivos. E, então, reitero, pode começar uma época particularmente difícil: liberdades ameaçadas, crescente desagregação social, ameaças de totalitarismo caminhando a nosso encontro.

Percebo, não despertei esperanças róseas, e fico sujeito à censura de atrair, quiçá prematuramente, o olhar do leitor para perspectivas sombrias. Errei? Não me parece. Em primeiro lugar, não é tão prematuro assim. E a seguir, tudo o indica, teremos avalanche de fatos que, já agora, precisam ser entendidos, combatidos e detidos quanto possível. A mais, pode-se alegar em favor de tal atitude exemplo histórico de um grande vitorioso. Sem ele, a história da liberdade e das democracias ocidentais teria sido outra. Quando ascendeu ao cargo de primeiro-ministro, no discurso inaugural de 13 de maio de 1940, julgou Winston Churchill necessário para enrijecer a fibra britânica e preparar o país para uma luta vitoriosa expor de forma escancarada a realidade sombria: “Só tenho a oferecer sangue, sacrifícios, lágrimas e suor. Temos diante de nós provação muito dolorosa. Diante de nós estão muitos e muitos meses de luta e sofrimento. Qual é nosso objetivo? Fazer a guerra por terra, mar e ar. Guerra com todo o nosso poder, com toda a força que Deus nos deu. Guerra contra uma tirania monstruosa nunca suplantada no escuro e lamentável catálogo dos crimes dos homens. Esta é nossa política. Qual é nosso objetivo? Respondo com uma palavra: a vitória. Vitória. Não importam os custos, apesar de todos os sofrimentos. Vitória, ainda que o caminho seja longo e duro. Sem vitória, não há sobrevivência”.

“Proportione servata”, se as considerações acima valem para a situação geral, valem também para os dias difíceis que podem estar diante de nós no Brasil, em consequência das eleições de 2020 e 2022.


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quinta-feira, 5 de julho de 2018

COPA DO MUNDO EM HELSINQUE - Péricles Capanema


5 de julho de 2018
♦  Péricles Capanema

A final da Copa do Mundo se dará em 15 de julho no Estádio Luzhniki, em Moscou. Grandes repercussões esportivas, celebrações e tristezas, que pouco a pouco se apagarão. Outra final, mais importante, acontecerá um dia depois, a 1124 quilômetros dali, em Helsinque (capital da Finlândia). Grandes repercussões políticas para todos, especialmente de imediato para os europeus. O que muitos temem, agravar-se-á ao longo dos dias.

O Kremlin e a Casa Branca [fotos acima] anunciaram simultaneamente que Donald Trump e Vladimir Putin se reunirão em Helsinque, 16 de julho. Sarah Huckabee, porta-voz do governo dos Estados Unidos, afirmou que as discussões versarão sobre segurança. O conselheiro Acácio dificilmente melhoraria a frase… Sauli Niinistö, presidente da Finlândia, por sua vez, garantiu que a agenda da cúpula será discutida nas duas próximas semanas.

De fato, nos bastidores, os temas já estão sendo aventados, há semanas provavelmente. E a cúpola dos dois líderes mundiais só se dará porque acerca dos assuntos a serem divulgados em Helsinque já houve acordo substancial. E também houve concordância, pelo menos nas linhas gerais, a respeito dos assuntos ventilados em reserva, e que não serão informados ao público.

O encontro dos dois presidentes, o terceiro, será mais importante, sob muitos aspectos, pela simbologia e pelo clima criado em Helsinque pelas duas superpotências. Antes haviam se reunido meio de passagem por ocasião do G-20 em Hamburgo, julho de 2017, e durante a conferência da APEC (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico) em novembro de 2017. Agora é diferente, viagem só para o encontro, os Estados Unidos e a Rússia vão se encontrar para tratar dos seus mais importantes assuntos comuns.

Do local escolhido emana simbologia. Em Helsinque estiveram juntos Gerald Ford e Brejnev em 1975 [foto ao lado], do que resultou aprofundamento da détente (distensão). Ali se reuniram também George Bush e Gorbachev em 1990, no ambiente da glasnot e da perestroika, e ainda Bill Clinton e Boris Yeltsin em 1997. Sob vários aspectos, como em ocasiões anteriores, o mais importante será o clima que resultará da conferência.

E os assuntos? Lembro a frase conhecida, atribuída ao senador Valadares, “reunião, só depois do assunto decidido”. Já houve decisões. Na diplomacia e na política sempre foi assim. Os negócios provavelmente tratados causam temores nas capitais europeias. Declarações recentes do Presidente dos Estados Unidos a propósito não tranquilizaram: “Já disse desde o primeiro dia — estar bem com a Rússia, estar bem com a China, estar bem com todos é coisa muito boa”.

Estar bem com a China, estar bem com a Rússia, já deixa muita gente mal à vontade, pois com que subliminarmente delimita o campo só para três grandes players. O restante vai para o segundo plano. Ademais, hoje estar bem com a Rússia, significa não estar bem com todo mundo. Muita gente vai ser prejudicada na política de estar bem com a Rússia. Quem?

O caso da Crimeia está na pauta. Pelo jeito, os Estados Unidos caminharão para acomodação, deixando a Europa isolada. Com o tempo, a Europa tenderá também à acomodação, é a esperança de Moscou. De outro lado, a situação da Ucrânia apresenta pontos semelhantes. Daí, como ficarão as nações que fazem fronteira com a Rússia? Que valor têm as atuais garantias norte-americanas relativas à efetiva independência delas?

O grande tema do encontro começa a aparecer claro: zonas de influência. Os Estados Unidos deixarão que imerja uma ainda não oficial zona de influência russa? Existiu na prática durante toda a Guerra Fria. Voltará?

Outros temas. O futuro da Síria. Relações entre Pequim, Washington e Moscou. Não foi veiculado, mas existe ainda sobre a mesa o apoio russo ao regime de Nicolás Maduro, ingerência brutal e crescente na América do Sul. Como reagirão os Estados Unidos?

Donald Trump estará em Bruxelas em 11 e 12 de julho para reunião da OTAN — encontro de Chefes de Estado. Depois irá à Inglaterra em 13 de julho. Londres se sentiu enfraquecida em sua posição de isolar Vladimir Putin com o anúncio da cúpula na Finlândia. A seguir, no dia 16, o presidente dos Estados Unidos encontrará Vladimir Putin. Ele não poderá em Bruxelas reafirmar fortemente os laços com a OTAN — organização fundada para fazer frente ao expansionismo soviético e hoje barreira contra os sonhos do grão-nacionalismo imperialista de Putin —, se quiser trombetear êxitos em Helsinque. E nem é provável que apoie a posição firme de Londres em relação ao autocrata russo. Para chegar em Helsinque com possibilidades de triunfo publicitário, o presidente dos Estados Unidos precisaria baixar o tom no endosso público aos objetivos da OTAN e à diplomacia de Therese May em seus esforços para conter o expansionismo russo.

Em vista das preocupações provocadas pelo quadro geral, John Bolton, assessor para a Segurança Nacional dos Estados Unidos, procurou jogar água na fervura: “Não penso que devamos, necessariamente, esperar resultados específicos ou decisões. É importante, depois de certo tempo sem cúpula bilateral, permitir que os presidentes conversem sobre todos os temas que queiram, seja privadamente ou em reunião ampliada. Seguiremos suas diretrizes depois de tais discussões”.

Nessas circunstâncias, só fatos — e não palavras — podem acalmar. Daqui a duas semanas conheceremos os resultados de verdadeira final de Copa do Mundo no âmbito político. Os divulgados. Acalmarão? Que Deus nos ajude!


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domingo, 14 de janeiro de 2018

“REIS” REPUBLICANOS? - Frederico Hosanan Sitonio

12 de Janeiro de 2018
Frederico Hosanan Sitonio

Nas últimas décadas, presidentes de vários países republicanos passaram a pleitear a reeleição indefinida para o cargo que ocupam. Quando necessário, eles chegam até a alterar a Constituição de seus respectivos países — ou a recorrer ao Judiciário, cujos integrantes das mais altas cortes são normalmente escolhidos por eles — para tentar perpetuar-se no Poder.

Neste sentido, a Suprema Corte da Bolívia autorizou há pouco Evo Morales a concorrer ao seu quarto mandato. Somado aos anteriores, serão 19 anos de reinado, digo, de presidência.

Isso não obstante 51% dos votantes daquele país lhe terem negado, no plebiscito de janeiro de 2016, a possibilidade de reeleição. A decisão da Suprema Corte boliviana é um exemplo de judicialização da política, uma nova forma de impor “democraticamente”, goela abaixo, o que foi rejeitado democraticamente.

Com isso, fica suficientemente exposta a manipulação do sistema republicano. Os que defendem essa reeleição indefinida não querem os Reis de antigamente, cujos governos são hereditários e avessos às demagogias, mas querem aventureiros que sequestram o Estado pelo tempo que for conveniente à ideologia que defendem.

Tais manobras jurídico-políticas visam levar os países onde são praticadas a uma situação análoga à da Venezuela de Hugo Chávez e de seu “delfim” Nicolás Maduro, cuja meta é Cuba, sequestrada por Fidel Castro, que passou o poder ao seu irmão Raul; ou então a Coreia do Norte, com três gerações de tiranos no poder, de pai para filho; ou ainda a Rússia, onde Putin tem a pretensão de tornar-se um novo “czar”…

Ou seja, será uma caricatura grotesca da forma de governo monárquica que eles tanto detestam. A corrupção da Monarquia, segundo Santo Tomás, tem um nome: Tirania.
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Fonte: Revista Catolicismo, Nº 805, janeiro/2018.



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terça-feira, 22 de agosto de 2017

O CARDEAL PAROLIN EM RUSSIA: “PRESERVAR A LIBERDADE RELIGIOSA EM QUALQUER ESTADO DO MUNDO”

Encontro em Moscou com o Ministro do Exterior russo Sergei Lavrov. Amanhã será com o presidente Putin

22 AGOSTO 2017

Na Coletiva De Imprensa
(ZENIT – Roma, 22 Ago. 2017).- O Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, teve um encontro na manhã desta terça-feira em Moscou, com o Ministro do Exterior russo Sergei Lavrov.

“Estou honrado e emocionado em estar aqui com vocês e de encontrar amanhã o Presidente Vladimir Putin em Sochi”, disse o Cardeal Parolin na abertura do encontro.

E indicou que “esta é uma ocasião propícia para verificar e consolidar as nossas relações bilaterais, que são de alto nível e por isto gostaria de expressar minha satisfação. O diálogo se realiza em altos níveis, como as consultas políticas tradicionais entre vice-ministros, que se ouvem com regularidade”.

Por sua parte o Ministro do Exterior russo disse: “Estamos felizes por este encontro, afirmou. É a primeira visita na Federação Russa neste século de um Secretário de Estado vaticano”.

“As nossas relações cresceram, chegando a níveis mais elevados. Além disso, estão se desenvolvendo as relações entre as Igrejas, como testemunha o encontro entre o Pontífice e o Patriarca Kirill”, indicou Sergei Lavrov, precisando que “A Rússia e o Vaticano têm pontos de vista próximos sobre a crise global e sobre os temas de paz, da justiça social e dos valores familiares”.

O cardeal Secretário de Estado, na coletiva conjunta com Sergei Lavrov, após a primeira parte do encontro entre ambos declarou: “Vim a Moscou para fazer-me intérprete junto a meus interlocutores da solicitude do Papa Francisco seja pela situação bilateral entre a Santa Sé e a Federação Russa, seja pelas questões e as preocupações no âmbito internacional”.

Também ofereceu a oportunidade para discutir sobre questões concretas com relação à vida da Igreja católica na Federação Russa, entre as quais “aquelas dificuldades que ainda permanecem acerca dos vistos de permanência para trabalho, para os religiosos não russos, e a restituição de algumas igrejas que se tornam necessárias para o cuidado pastoral dos católicos no país”.

O Purpurado pediu soluções justas e duradouras “para os conflitos que afligem, em particular, o Oriente Médio, a Ucrânia, e várias outras regiões do mundo”.

Precisando que não pode identificar-se com nenhuma das posições políticas, mas “dever de ater-se rigorosamente aos grandes princípios do direito internacional, cujo respeito é imprescindível tanto para proteger a ordem e a paz mundial, quanto para a recuperação de uma sadia atmosfera de respeito recíproco nas relações internacionais”.

O Cardeal italiano indicou na declaração que “A Santa Sé mantém constante preocupação no sentido de que seja preservada a liberdade religiosa em todo e qualquer Estado e em qualquer situação política”. Em particular a situação dos cristãos no Oriente Médio e na África, assim como a situação na Síria e na Ucrânia.

Sobre o encontro entre o Cardeal Parolin e o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, na quarta-feira, 23, em Sochi, a Sala de Imprensa do Kremlim antecipou que nos colóquios se falará também das “questões-chave das relações interestatais russo-vaticanas, incluídos os campos político e cultural-humanitário”.



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domingo, 9 de abril de 2017

“A ERA OBAMA EM POLÍTICA EXTERNA ACABOU”, DIZ JOHN BOLTON

8 de abril de 2017


John Bolton, que foi embaixador americano na ONU, disse nesta sexta que os ataques de mísseis autorizados pelo presidente Donald Trump marcaram o fim da era Obama na política externa dos Estados Unidos:

Ele explicou melhor o que quis dizer na Fox and Friends.
Para Bolton, é ridículo esperar alguma reação que não a de repúdio por parte da Rússia, cujo governo é o maior aliado de Assad. Também é questionar se o presidente americano tinha ou não o direito constitucional para agir. A Síria era membro da Chemical Weapons Convention, e sempre que algum país descumpre o tratado designado para a prevenção do aumento de armas de destruição em massa, a segurança nacional dos americanos é diretamente afetada.

“O presidente tem plena autoridade constitucional sob a cláusula do comandante-em-chefe para agir”, afirmou Bolton. O que ele fez. “Ele fez um ataque bem limitado e preciso por um motivo bem limitado e preciso. Eu acho que foi a coisa certa a fazer, e eu acho que ontem à noite a era Obama na política externa americana terminou”, concluiu.

Bolton também disse a Sean Hannity que a Rússia deve estar muito constrangida com o que fez Assad, não por questões humanitárias, mas porque eles sabem que agora têm um problema. O principal interesse da Rússia em proteger Assad é garantir suas bases navais em Tartus e Latakia, e por isso Putin deve apoiar Assad pelo tempo que for necessário. Só aceitaria substituí-lo por alguém que permitisse a permanência russa nesses locais.

A Rússia, claro, foi a voz mais estridente a condenar os ataques, que chamou de “violação da lei internacional”. Mas a atitude de Trump encontrou suporte em vários países ocidentais. Se o próprio Obama tinha ameaçado agir em caso de armas químicas, que os democratas alegaram não mais existir no país após o então presidente “persuadir” o governo a abandoná-las, então só havia uma coisa a ser feita para a América não perder sua credibilidade: atacar.

Eis o que mudou então de Obama para Trump: agora o Ocidente tem um líder disposto a agir, a colocar suas ações onde estão suas palavras, a defender os valores básicos que sustentam nossa civilização, a enfrentar os inimigos da liberdade. Faltava a Obama clareza moral e coragem, atributos que não faltam em Trump. A era Obama chegou ao fim, ou seja, a era da retórica romântica e das ameaças vazias, que colaboraram para o avanço dos piores regimes mundo afora.

Sobre a reação de muitos, não seria diferente. Sempre haverá aqueles dispostos a condenar qualquer ação militar americana, especialmente sob um governante republicano. Mas a imensa maioria deles é movida por um antiamericanismo infantil, e não quer fazer análise de verdade. Thiago Kistenmacher resumiu bem a postura enviesada dessa turma:

Quando é o Trump: “Presidente milionário ataca covardemente a Síria a fim de manter o imperialismo estadunidense e favorecer a indústria do petróleo.” Se fosse o Obama: “Primeiro presidente negro dos EUA se solidariza com o sofrimento do povo sírio e, a fim de promover a paz mundial, ataca o país em retaliação às atrocidades cometidas pelo ditador Bashar al-Assad.”

Esses “analistas”, inclusive vários que são convidados para entrevistas em nossos canais de televisão, devem ter concluído seus estudos na Faculdade Facebook, e ostentam esse incrível diploma:
Felizmente ainda há quem queira fazer análise séria, refletir, ler muito material de verdadeiros especialistas, para finalmente chegar a uma conclusão embasada. Nem todos são obrigados a concordar que a resposta de Trump foi a melhor, claro. Mas daí a ficar “horrorizado” com o “irresponsável” e “cruel” presidente americano, sem dizer uma só palavra sobre Assad, as armas químicas que não deveriam mais existir na Síria e Putin, vai uma longa distância, que separa as pessoas decentes dos antiamericanos bobocas.

Rodrigo Constantino




Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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