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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

ITABUNA VIVE IMERSA NUM ETERNO VELÓRIO – Braulino Santana

Itabuna vive imersa num eterno velório


          O cortejo dos desesperados, uma leva de gatos pingados e mulambentos, calçados de sandália de dedo de feira, arrasta-se conduzindo o defunto ladeira acima. Repousa no caixão, olhos cerrados e boca em agonia, mais um garoto de 16 anos, apunhalado a facadas na periferia de Itabuna. O velório, numa noite longa, é interrompido vez ou outra por um choro em desconforto. A sensação de abandono sufoca o ambiente, e flagra a ausência de qualquer autoridade pública – um delegado, o prefeito, um promotor, um vereador, nada nem ninguém que ouça aquela história e não a deixe esvair-se em vão.
          Aquela história termina em melancolia, como a de centenas de outras e codifica a falência completa de organização social mínima. É o décimo sexto rapaz assassinado, em menos de dois meses, na cidade que ostenta a macabra cifra de mais violenta da Bahia – a Nigéria do Boko Haram é aqui. Um dilúvio ou uma bola de fogo vinda de um céu com aquelas nuvens de fumaça enegrecida de campos de concentração resolveriam a inação da classe média da outrora ‘capital do cacau’: Itabuna precisa morrer de uma certa forma (na verdade, já está morta, pois lidera o macabro ranking no Brasil com o maior índice de assassinato de jovens em cidades com mais de 200 mil habitantes – a Bahia ocupa o posto de segundo estado no país nesse ranking) para que as suas cinzas modelem um novo começo, novas consciências – a frieza de conviver com índices de violência atormentadores e se fechar num silêncio cúmplice é atitude de gente-defunta. A violência se intensifica e se cronifica por incidir sobre as classes mais desassistidas e periféricas, entregues à própria sorte.
          A bola de fogo poderia começar abatendo certeira, rápida e lancinante as ideias ensinadas nos Departamentos de Direito e de Filosofia da UESC. Aliás, o governo do Estado deveria interditar a UESC – ou lacrar aquilo ali, emulando o fechamento da tampa do caixão de dezenas de jovens que morrem a faca, a bala, a marteladas. Como é possível uma cidade estampar números obscenos de violência e uma faculdade de Direito – lugar onde a noção de Justiça deve ser ensinada e aprendida – sair impune? Para que serve investir tanto dinheiro público em um ambiente narcisista e simbolicamente violento ele mesmo? Quando vociferam por aqueles corredores a demagógica manutenção do “estado de direito”, “estado de direito” é traduzido aqui como a manutenção dos privilégios da classe média calculista no poder ali.
          Se uma universidade não consegue apresentar estudos e alternativas de políticas que combatam aberrações como a violência, ela é defunta por si mesma, e já passou da hora de ser enterrada junto com o banho de sangue com o qual lava as mãos e as enxuga com seus currículos duvidosos. Desconfia-se, portanto, de que onde há violência ou miséria, isso é ensinado e aprendido por gerações, e desconfia-se de que a própria universidade eduque para a morte, já que ela não consegue ensinar a conviver pacificamente ou a estabelecer discussões políticas mínimas que combatam os problemas que suas comunidades pagam para ela ajudar a resolver.
          Sequências de ocupantes daquela reitoria (a atual reitora aparece vestida de vermelho na internet e maquiada na imprensa pedindo ao DNIT, socorro!, uma lombada em frente à UESC) disputam a gestão da universidade sem ser capaz de escrever uma linha sequer sobre os graves problemas da região. Não atuam como intelectuais. Estão ali para ostentar seus carros, maquiagens, perfumes caros, e não apresentam estratégias para refletir sobre o que quer que seja. A reitoria da UESC deveria promover a criação de um núcleo permanente de estudos e pesquisas sobre a violência na região. Estimular e obrigar sociólogos, pesquisadores do direito, pedagogos, economistas, filósofos, cientistas políticos a responder para a sociedade por que ganham salários públicos e se escondem em suas casas de praia, no conforto de suas vidas vazias, deixando a sociedade assolada por problemas sociais inadmissíveis, como a ausência de saneamento e a incidência de violência há décadas.
          Há décadas Itabuna vive imersa em esgotos (o canal do São Caetano e o do bairro Santo Antônio são dois exemplos horripilantes) como se fossem bocas com todos os dentes podres. Carnes são vendidas a poucos metros de fezes naquelas feiras livres – se as autoridades públicas abandonam as populações a comprar víveres ao lado de fezes, isso estimula e justifica a violência numa outra ponta, já que homens e mulheres vão devolver uns para os outros o que receberam. Os investimentos públicos que conseguem escapar da gatunagem do superfaturamento e da corrupção se concentram nos bairros do centro e da classe média. A reforma da Avenida do Cinquentenário – rua central – e o calçamento de bairros como o Jardim Vitória (onde mora boa parte da gente rica) é prova da valorização dos lugares dos endinheirados.
          No ano de 2834, quando essa história for contada como ela de fato ocorreu, Itabuna será lembrada como a cidade do esgoto e dos assassinatos abertos contra pretos pobres da periferia. E suas memórias serão reconstruídas a partir das histórias de diplomados funcionais em direito, economia, pedagogia e filosofia da UESC, reconhecida, então, como a universidade que promovia a morte ou, no mínimo, deixava a morte acontecer.



Braulino Pereira de Santana, doutor em Linguística pela UFBA 


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DE SANTOS DUMONT A EIKE BATISTA – Por Kleber Galvêas

De Santos Dumont a Eike Batista

          Poucos anos após inventar uma maneira de dirigir balões, fazendo-os retornar ao ponto de partida, Santos Dumont decolou com o seu Demoiselle (“senhorita”), o primeiro avião a sair do chão sem um empurrão. O dos Irmãos Wright foi empurrado do chão para cima: através de uma catapulta; pelo interesse do exército americano; financiado por empresários e incentivado pela propaganda nacionalista cabotina.

          Santos Dumont atuava com recursos próprios. Romântico, voltou para o Brasil. Os Irmãos Wright, com espirito weberiano, apoio da mídia, do governo e de empresários, criaram uma empresa. Seus descendentes fabricam peças para aeronaves nos EUA.

          Transcorrido um século, brasileiros continuam desacreditados por parte expressiva da mídia, pelo espírito provinciano, comum entre nós (“Fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal” — Tom Jobin) e principalmente pelo governo que nos descapitaliza tomando o nosso dinheiro, com taxas e impostos abusivos. Não adianta nossa criatividade e espirito empreendedor se não há capital, e os juros sufocam.

          O empresário nacional, mesmo o pequeno, tem que ter manha de camelô: “um olho na esquina, outro no freguês”, ou melhor, um olho no governo e o outro na empresa. Tamanha a burocracia, diversidade e instabilidade legal vigentes.  Em alguns casos, agentes do governo induzem o incauto a saltar obstáculos legais (propinas), como a única maneira de continuar trabalhando.

          A cultura antecede a política que prevalece sobre ela, porque promulga as leis. Culturas diferentes propiciam diferentes políticas e leis próprias.

          Dizem os historiadores que a instituição da propina no Brasil remonta ao tempo das Capitanias Hereditárias. A coisa aqui se fez tão antiga, universal, volumosa e descarada, que acabou se tornando um monstro perigoso para todo mundo, visto por outros países como expressão da deslealdade comercial.

          Uma empresa, ao se expandir, se torna responsável por mais bocas dependentes do salário. O empresário que conhece a cultura local encara a ação paralela (propina) como vital, e, assim, contrata consultores e cria um departamento específico para agir com competência, consoante o ambiente.

          Embora tenha uma boa formação, ele se torna condescendente com o crime quando avalia o interesse pessoal, o da sua empresa e a responsabilidade para com terceiros. Então filosofa: se a Cultura concebe a Política, e os políticos fazem as Leis que nos convidam a transgredir, não há risco. Não será abandonado, com tantas informações, em barco furado, no meio de um oceano de denúncias.
Aconteceu!

          Daí o interesse pelas oportunas palavras do empresário Eike Batista ao embarcar para ser preso no Brasil: havendo culpa, pagar pelos erros cometidos, apoiar a Operação Lava Jato e apostar que, daqui para frente, a relação empresa-governo será diferente, transparente. Subliminarmente ele justificou as delações e indicou que, como a Operação Lava Jato alcança os políticos, a participação das empresas na nefasta rede de corrupção será esclarecida.

          Empresas criam riquezas. Mesmo a elite chinesa, que ontem “xingava” a Rússia de “revisionista”, percebeu que, sem formar uma classe empresarial, não conseguiria sustentar o seu povo e se manter no poder. O gigante chinês, deitado em berço esplêndido, compreendeu e cresceu.

          Acorda Brasil! Punição aos criminosos, vida longa e saudável para nossas empresas! 


Kleber Galvêas, pintor. Tel. (27) 3244 7115 www.galveas.com fevereiro, 2017.

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domingo, 5 de fevereiro de 2017

HISTÓRIAS DE ITABUNA: Escolas

Imagem Google
Escolas


          A primeira escola de Itabuna, conforme informações de pessoas da família do Cel. Firmino Alves, foi instalada na Burundanga, mantida pelo Cel. Firmino Alves e a professora chamava-se Maria Rosa de Jesus e por ser muito corada tinha o apelido de “Rosa Camarão”.

          Entretanto a primeira escola oficial desta localidade começou a funcionar em 1878, na então Rua da Areia, ainda no tempo de Tabocas. Era mantida pelo município de Ilhéus e o seu professor chamava-se José Marcelino Borges.

          As primeiras escolas públicas deste município foram criadas pelo Intendente Olinto Leone, em 1908, regidas pelos professores: Bel. Júlio Virgínio de Santana, Marieta Galvão, Valentim da Costa Lima, Amália Ferreira Lorens e Rosa Guimarães de Lima. Nessa época foram também criadas escolas municipais para as localidades de Ferradas, Catulé e Feirinha. A professora de Ferradas foi D. Eutália Maria de Oliveira, a de Catulé, D. América Magalhães e a de Feirinha, D. Joana Bastos.

          Em 1909, começaram a funcionar duas escolas estaduais regidas pelas professoras: Etelvina de Araújo Mendonça e Lúcia Oliveira.

          Em 1910, já se registrava a existência de duas escolas particulares das professoras: Maria do Carmo Ferreira e Maria Amália Bastos.

           Em 29 de setembro de 1915, foi fundado nesta cidade o primeiro colégio de curso adiantado, sob a direção do Dr. José de Sá Nunes (notável filólogo brasileiro) , Álvaro Passos e Euclides Dantas, com denominação de “Colégio Cabral”.

          Em 1923, outro colégio de curso superior foi fundado nesta cidade por iniciativa da Sociedade São Vicente de Paulo, ou seja o Colégio São Vicente de Paulo, que inicialmente esteve sob a direção do Cônego Amâncio Ramalho, passando depois a ser dirigido pelas irmãs de caridade, com a denominação de “Colégio Divina Providência”, transformando-se posteriormente em Ginásio.

          De 1920 a 1930, surgiram alguns colégios particulares e outros mantidos pelas Sociedades: Loja Maçônica e Montepio dos Artistas.

          Entre os colégios particulares o mais importante foi o dirigido pelo professor Américo Guimarães Costa.

          Na falta de outros registros aqui ficam os nomes dos professores que ministraram seus ensinamentos aos primeiros filhos de Itabuna : Pe. André Costa, Brasília Baraúna de Almeida, Sancha Galvão, Alzira Paim, Otaciana Pinto, Maria José Capinã, Dalila Paganelli, Alice Ferreira, Emília Edith de Oliveira, Alice Pinto Leite, Albertina Barbosa, Olga Leone Grego, Mathilde da Silva Pachaco, , Ewertom Chalup, Maria Celeste Mota, Antonieta Mariani, Leonor Pacheco, Maria Paulina de Queiróz, Maria Sílvia de Queiróz Sampaio, Josefina Andrade, Edmundo Belfort de São Luiz Saraiva, Nestor Fernandes Távora, Adolfo Silva, Jovino França, Primitivo Alves Neves e América Freire (Ferradas), Albertina Oliveira (Muntuns), Guilhermina Cabral (Macuco), Almerinda Barbosa, Maria José Borba Toiurinho, Laura Rolemberg de Oliveira (Rua de Palha), Cecília Pinheiro e Carmosina Conceição Costa (Ferradas), Júlia Guimarães Costa e Lindaura Brandão.

          Representando a grande legião de professores dos diversos cursos: primário, secundário e ginasial que atualmente (1968*) ministram seus ensinamentos a milhares e milhares de alunos, ficam aqui registrados os nomes dos seguintes: Plínio de Almeida, Antonio Lúcio Silva, Flávio Simões, Raimundo Machado, Litza de Carvalho Câmera, Rita de Almeida Fontes, Tereza Gomes Ribeiro, Hermita Santos, Geny Miranda Bastos, Celina Braga Bacelar, Juliana L. Caetano, Alonso Djalma, Walter Moreira e Nestor Passos.


(Documentário Histórico Ilustrado de Itabuna – 1ª Edição – 1968)
José Dantas de Andrade

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O RIO DA MINHA CIDADE! - Antonio Nunes de Souza

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
O rio da minha cidade!


Eu rio desse rio imundo
Que um dia já foi profundo
Hoje é uma triste sujeira
Não existe mais beleza
Sua água é uma impureza
Seu cenário é a baronesa!

Já foi Cachoeira caudalosa
Uma lindeza formosa
Enfeitando nossa cidade.
Se você arriscar um banho
O grande perigo é tamanho
De pegar uma enfermidade!

Somos todos culpados
Pois agimos sempre errados
Suas águas poluindo.
Transformando-o em um esgoto
Com comportamento maroto
Sua vertente destruindo!
Eu rio do rio da minha cidade
Mas, na verdade o que sinto
É no peito uma grande saudade!



Antonio Nunes de Souza, escritor 
Membro da Academia Grapiúna de Letras – AGRAL antoniodaagral26@hotmail.com

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EU BUSCO O RASTRO DE ALGUÉM - Sophia de Mello B. Andressen

Eu busco o rastro de alguém


Eu busco o rastro de alguém
Que o mar reflete e contém.

Calma que eterniza as suas horas,
Ou tumulto que vibra
Nas marés desesperadas e sonoras.

Eu busco o rastro de alguém
Que ao meu encontro vem
No sonho de cada linha.
Alguém
Que no silêncio dos pinhais caminha,
Rio correndo, chama
Em tudo acesa.
Alguém que me devasta e inflama
Me destrói e me inunda de certeza.

Alguém que me devora,
Ou infinitamente longe me implora
Que venha.
Alguém que se desenha
No perfil dos montes
E sobe do fundo da terra com as fontes.


Sophia de Mello B. Andressen



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PALAVRA DA SALVAÇÃO (12)

5º Domingo do Tempo - Domingo 05/02/2017


Anúncio do Evangelho (Mt 5,13-16)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens.
Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde brilha para todos que estão na casa.
Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.


— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do  Pe. Julio Lancellotti:

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Sal e luz, presença que faz a diferença


“Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-14)

O Evangelho de hoje (5º dom TC) vem imediatamente após a proclamação das Bem-aventuranças. Isto quer dizer que aquelas e aqueles que fazem das Bem-aventuranças o programa da sua vida, são chamados a uma responsabilidade real e atual, ou seja, eles/elas não vão se tornar sal da terra e luz do mundo no futuro, mas devem ser presença diferenciada no aqui e agora, humanizando as relações e comprometendo-se com a vida mais justa e plena.

Jesus diz: “Vós sois”;  não diz “deveis ser”, ou “tenhais que vos converter em...” “Sois”: expressão que se refere à existência toda do(a) seguidor(a) de Jesus, em qualquer circunstância e tempo. Quem segue a Jesus Cristo, afetado por seu chamado, torna-se plenamente convertido em sal da terra e luz do mundo.

“Sal da terra…, luz do mundo”: muitas vezes estas duas imagens foram entendidas em chave proselitista, de um modo sumamente atraente para o ego e gratificante para a mente.

Ao ego lhe atrai sempre considerar-se em posse da verdade, particularmente por dois motivos: porque isso lhe traz uma sensação de segurança e porque lhe permite manter uma imagem de si “acima” daqueles que, para ele, se encontram no erro. Ao ego lhe encanta ser “especial”, brilhar, aparecer... Ao ego lhe encanta que o reconheçam como “sal” e como “luz”, já que ele não busca outra coisa a não ser sentir-se reconhecido a qualquer preço.

Se permanecermos no clima das bem-aventuranças, cairemos na conta que a pessoa que é chamada a ser sal e luz não sai publicando por aí; ela é sal e luz não por suas ideias, doutrinas ou normas morais que busca impor aos outros, mas por ela mesma, por aquilo que ela é em sua interioridade.

Concretamente, é “sal” aquela pessoa que nos ajuda a saborear a vida com mais profundidade, porque seu gosto por viver nos contagia e nos apoia para que possamos experimentar isso também. É “luz” porque, com sua presença amorosa, dissipa nossas obscuridades e facilita que percebamos o sentido luminoso de nossa existência, de nossa verdadeira identidade.

Ser “luz” e “sal”, portanto, é o mais radicalmente oposto a qualquer atitude de superioridade e de proselitismo. Nem a vaidade, nem o fanatismo trazem sabor e luz.

A vida de Jesus aparece como “sal” e como “luz” pelo que Ele era e vivia. Sua mensagem era sumamente simples, centrada no compromisso com todos e numa presença compassiva; afinal de contas, “sal” e “luz” é outro nome da compaixão. Jesus despertou um movimento humanizador, carregado de sabor e iluminação, afetando a todos que d’Ele se aproximavam. Ele não estava preocupado em fazer proselitismo, nem anunciar uma nova religião, uma doutrina mais palatável... Sua presença desvelava a luz e o sal presente em toda e qualquer pessoa.

«Vós sois o sal da terra…” “Vós sois a luz do mundo…”:   constitui uma das afirmações evangélicas mais claras de que a missão dos seguidores de Jesus no mundo faz parte de sua própria identidade. Duas pequenas imagens ou afirmações para duas grandes atitudes.

As imagens do sal e da luz servem também de apoio para justificar duas formas diferentes de presença e de ação no mundo. A referência ao sal remete a uma ação invisível, pois concebe a presença dos cristãos no mundo sob a forma da encarnação, a presença silenciosa na realidade, a inserção na sociedade, deixando atuar, pelo testemunho de cada um, a força do evangelho que, como a semente, uma vez semeada, germina no campo, de dia e de noite, sem que o semeador perceba.

O específico da luz, por outro lado, é brilhar, ou seja, esta imagem realça uma forma de presença visível, através das ações comunicativas e, especialmente, do anúncio explícito, como meios para fazer chegar o evangelho ao mundo no qual o cristão é chamado a ser presença diferenciada.

De acordo com o texto, as formas de presença significadas pela luz e pelo sal são, as duas, inseparáveis. São duas formas de presença no mundo; duas formas de exercício da missão, de um modo de proceder que se dá por “contágio ativo”, caracterizado pela hospitalidade, o amor mútuo, a caridade para com os pobres, a alegria contagiante...

O símbolo da luz é ainda mais rico do que o do sal: a luz ilumina, aquece, guia, agrega, tranquiliza, reconforta. A Luz é força fecundante, princípio ativo, condição indispensável para que haja vida. Tem capacidade de purificar e regenerar. Em oposição às trevas, a Luz exalta o que belo, bom e verdadeiro.

Vivemos imersos num oceano de luz; carregamos dentro a força da luz. Ela sempre está aí, disponível; basta abrir-nos a ela com a disposição de acolhê-la e de fazer as transformações que ela inspira.

Pelo fato de ser benfazeja e criadora, a luz nos permite dizer com o poeta Thiago de Mello, no meio de impasses, ameaças e conflitos que pesam sobre nossa vida: “Faz escuro, mas eu canto”.

Há aqueles que, ao invés de serem presenças iluminadoras, estão mais preocupados em subir e ocupar a posição do candeeiro, para aparecer, para se colocar acima dos outros, serem vistos e elogiados pelas pessoas. Quem aspira estar no candeeiro revela não ter luz para iluminar os outros, mas uma luz auto-referente. O candeeiro não é para que os vejam; o candeeiro é para que a luz de suas vidas se expanda e ilumine melhor; o candeeiro não é para que estejam mais altos, mas é para que a luz de suas vidas chegue a lugares mais distantes.

O ser humano é luz quando expande seu verdadeiro ser, ou seja, quando transcende e vai mais além, desbloqueando as ricas possibilidades de humanidade. A luz, por si mesma, é expansiva.

Um fotógrafo profissional fez a seguinte afirmação: “minha profissão é escrever com a luz; muitos escrevem com letras, eu com a luz”. As fotografias dependem de como a pessoa administra a luz.

Uma preciosa motivação a buscar a luz dentro de nós mesmos, a buscar esse “retrato interior” que é movido a se expor diante dos olhares dos outros. Nossa vida pode ser apaixonante se a contemplamos e a construímos como um diálogo de vida e de luz.

O salmista utilizará um registro parecido, contemplando nosso espaço interior como uma fonte de luzes; uma fonte que deixa transparecer aquela Luz profunda que nos leva por caminhos de paz e serenidade:
“Pois em Ti está a Fonte da vida e à tua Luz vemos a luz” (Sl 36,10).

Deixemo-nos iluminar pela Luz de Deus, levemos a Luz nas nossas pobres e frágeis mãos, iluminando os recantos do nosso cotidiano.

Somos uma “sarça ardente” diante dos outros, consumindo-nos constantemente, no humilde serviço; somos uma lamparina humilde, brilhando na janela da nossa pobre casa, indicando aos outros o caminho da segurança e do aconchego.

Texto bíblico:  Mt 5,13-16

Na oração: Sinto-me uma lâmpada com a responsabilidade de iluminar no meio da sociedade?
- Quê atitudes e comportamentos meus projetam luz para potenciar a tímida luz presente no outro?
- E quais projetam sombras, para poder erradicá-las? Na família, no trabalho, na comunidade cristã?
- Estou integrado ou devo integrar-me em alguma comunidade, grupo ou movimento eclesial, para ser luz coletivamente?  A quê compromissos concretos o Espírito me impulsiona pessoalmente e à nossa comunidade para ser luz em nosso entorno?

Pe. Adroaldo Palaoro sj
Itaici-SP



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sábado, 4 de fevereiro de 2017

CIDADÃO DO INFINITO: Dom Ceslau Stanula, Bispo de Itabuna

Cidadão do infinito:  Dom Ceslau Stanula, Bispo de Itabuna

Missionário Redentorista nasceu em Szerzyny, pequena cidade a 100 km de Cracóvia, na Polônia, no ano de 1940. Filho de camponeses tem dois irmãos também religiosos. Entrou na Congregação dos Missionários Redentoristas aos dezessete anos.

Recebeu a Ordenação Sacerdotal no dia 19 de julho de 1964.
Trabalhou na cidade universitária de Gliwice, na Silesia, como catequista e Capelão do Hospital Oncológico. Daí foi transferido para a Argentina onde trabalhou por seis anos e foi enviado ao Brasil para dar início à Missão Redentorista da Bahia, em Bom Jesus da Lapa. Ocupou a função de Superior da Missão Redentorista do Estado. Foi Reitor do Santuário, Vigário Geral da Diocese, professor do Colégio de São Vicente, Assistente Eclesiástico e também pregou Missões Populares. Depois de doze anos em Bom Jesus da Lapa foi transferido para Salvador, para a Comunidade de São Lázaro, onde assumiu a função de Vigário Paroquial e Diretor Espiritual do Encontro de Casais com Cristo.

Para melhor identificar-se com o povo brasileiro, no dia 24 de março de 1987 naturalizou-se brasileiro. Foi nomeado Bispo Diocesano de Floresta PE, pelo Santo Padre João Paulo II, em 23 de agosto de 1989. VOZ QUE CLAMA NO DESERTO é o seu lema Episcopal. Como bispo de Floresta dedicou-se ao trabalho pastoral e social sendo responsável pela construção de açudes, adução de água e várias capelas. Foi responsável pela Pastoral  Familiar nos estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.

No dia 27 de agosto de 1997 foi nomeado Bispo Diocesano de Itabuna e tomou posse no dia 26 de outubro do mesmo ano.
Aqui em Itabuna realizou um trabalho pastoral profícuo e paciente e é muito amado pela comunidade Católica e respeitado pelos povos de outras denominações religiosas. Na comemoração dos seus vinte anos de episcopado, Dom Ceslau Stanula lançou o livro "O Cotidiano na Igreja".

Recebeu os títulos de Cidadão Baiano e Cidadão Itabunense, por sua ação pastoral e social.

É membro da Academia Grapiúna de Letras – AGRAL. Ocupa a Cadeira nº 13, que tem por patrono o educador Anísio Spínola Teixeira.

Dia 01 de fevereiro de 2017, o Santo Padre Papa Francisco aceitou seu pedido de renúncia ao governo pastoral da Diocese de Itabuna.  Após a posse do seu sucessor, Dom  Carlos Alberto dos Santos, no dia 07 de Abril de 2017, Dom Ceslau Stanula passará a residir em Salvador.

ITABUNA CENTENÁRIA-ICAL  saúda Dom Ceslau Stanula com a linda frase cantada em sua homenagem pelo povo de Floresta PE: "De longe, para nós, vem surgindo um luzeiro de grande valor!..."

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DOM CESLAU STANULA ...



...da Polônia
De Szerzyny
Cidadão Itabunense,
Cidadão baiano
Cidadão brasileiro!

Pregador do Redentor,
Paz do Perpétuo Socorro
“Voz que Clama no Deserto”
E a Mensagem proclama;
Por teu coração aberto,
Ceslau, teu povo te ama...

Cidadão do infinito
Baluarte da AGRAL 
Pelo teu viver bonito,
Do amor de Deus tu és sinal!


Eglê S Machado



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