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sábado, 2 de dezembro de 2017

5ª. FEIRA UNIVERSITÁRIA DO LIVRO – UESC 2017 Convite

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Convite


A Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz, tem a honra de convidá-lo (a) para o lançamento do livro “Cyro de Mattos: Estudos Literários”, organização da Professora Doutora Reheniglei Rehem, que  ocorrerá  na noite de abertura da 5ª. Feira do Livro da UESC.
O evento contará com a presença do homenageado, escritor Cyro de Mattos.

Local: Auditório Paulo Souto – UESC
Rodovia Ilhéus-Itabuna, Km 17, Vila do Salobrinho
Data: 5 de dezembro de 2017
Horários 18 h.

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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

5ª FEIRA UNIVERSITÁRIA DO LIVRO – UESC 2017

C O N V I T E

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Por uma Leitura mais Social 

De 5 a 8/12/2017

Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC
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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA ONTEM: Tarde de Cultura

14/04/2010


ITABUNA CENTENÁRIA  passou esta tarde visitando o Centro de Documentação e Memória Regional- CEDOC, na Uesc.

Lá, fomos muito bem recebidos pela Stela Dalva Teixeira que fazendo jus ao nome que recebeu brilha mesmo sem querer. Ela interrompeu seu trabalho para nos mostrar o acervo, explicando cada detalhe com a impressionante segurança de quem sabe o que fala, não deixando pergunta alguma sem uma resposta completa. Fátima Barros fotografou cada detalhe.

O acervo está sendo organizado e acondicionado em caixas plásticas, em cores diversas, cada cor representando um assunto. Diferentes daquelas caixas de papelão, de difícil limpeza.

Visitamos e fotografamos a galeria de fotos de antigos professores e funcionários da Universidade. Destacamos Valdelice Soares Pinheiro, Raimundo Jerônimo Dias Uchoa, Amilton Inácio Costa, Manoel Simeão Silva, Flávio José Simões Costa, Antonio Fábio Dantas...

Stela Dalva falou-nos também da documentação da antiga USINA VITÓRIA de ilhéus que está sendo transferida de caixas de papelão para  caixas plásticas. Há montanhas de enormes livros  contendo toda as edições do Diário da Tarde de Ilhéus, do Jornal Oficial, do Diário de Itabuna, Tribuna do Cacau, O Intransigente, e outros  antigos jornais de Ilhéus e de  Itabuna. Stela Dalva contou da preocupação do CEDOC com documentos históricos em toda a região que não recebem tratamento adequado, citando exemplo da cidade de Itajuípe, onde, diz, não há nem energia elétrica, no local onde são guardados tais tesouros. Falou sobre o grande número de livros e papeis que não deverão permanecer no acervo e que, infelizmente terão como destino final o lixo já que não existe por enquanto meio de reciclar todo esse material.

Impressionante ouvir Stella discorrer sobre o assunto acervo, sobre todos aqueles documentos que a cercam. Ela vai falando tão naturalmente, interrompendo quando o seu ouvinte faz alguma pergunta ou comentário, momento em que pacientemente abre um parêntese, responde a pergunta, fecha o parêntese e recomeça a falar com voz  num tom ideal, com elegância e, principalmente, com a segurança de quem sabe, de quem é autoridade no assunto. ITABUNA CENTENÁRIA guardou uma frase dita por Stela e que serve para reflexão: “DOCUMENTOS ORGANIZADOS É ACERVO; DOCUMENTO NÃO ORGANIZADOS É DEPÓSITO DE PAPEL.”

ITABUNA CENTENÁRIA ganhou de presente do CEDOC a coleção “CADERNOS DO CEDOC – Publicação do Centro de Documentação e Memória Regional da UESC”, que enriqueceu a sua biblioteca. Também xerocou páginas da monografia História da  Educação:Trajetória do Colégio Estadual de Itabuna 1957 – 1970 de Edna Maria de Souza e Marta Tereza Souto Portella, para uma postagem em Blogs sobre o COLÉGIO ESTADUAL DE ITABUNA.
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Na  visita que fez ao CEDOC, Itabuna Centenária conversou também com o professor João Cordeiro de Andrade, que fez questão de abrir o nosso site e teceu comentários elogiosos sobre os temas postados, reclamou de que não gosta de ser fotografado, mostrou-nos  cadernos com lindas fotos e textos de alguns dos muitos trabalhos que realizou e deu-nos dicas com telefones e endereços de pessoas que são como arquivos vivos que poderão nos fornecer assuntos 100% seguros para postagens. Agradecemos muito a essa figura bela, o professor JOÃO CORDEIRO.
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Na sua visita ao CEDOC, Itabuna Centenária ouviu  o jovem Zidelmar Alves Santos, estudante do curso de História, na UESC que, no CEDOC, trabalha na Transcrição de Documentos da Primeira Metade do Século XIX,  Antigos Livros de Notas dos Cartórios de Ilhéus com  Escrituras de Compra e Venda – Hipotecas – Fiança...  Zidelmar  explicou que esse projeto faz parte do projeto maior que  é intitulado ESTRUTURAS ECONÔMICAS E SOCIAIS DA CAPITANIA DE ILHÉUS , liderado pelo professor Marcelo Henrique Dias. “quando a gente vê Ilhéus nos livros didáticos é como miserável. Porém havia em Ilhéus uma circulação monetária muito intensa”. Ilhéus só aparece depois do cacau. “Enquanto Salvador produzia, Ilhéus criava víveres, sustentava”.


Zidelmar foi convidado por ITABUNA CENTENÁRIA  para, juntamente com seus colegas de curso, se tornarem membros colaboradores e assim postarem  textos, fotos, vídeos falando  sobre o seu Curso de História e sobre o seu trabalho no CEDOC. Ele disse ‘sim’.

Foi uma proveitosa tarde de cultura. Itabuna  Centenária agradece...

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

ITABUNA VIVE IMERSA NUM ETERNO VELÓRIO – Braulino Santana

Itabuna vive imersa num eterno velório


          O cortejo dos desesperados, uma leva de gatos pingados e mulambentos, calçados de sandália de dedo de feira, arrasta-se conduzindo o defunto ladeira acima. Repousa no caixão, olhos cerrados e boca em agonia, mais um garoto de 16 anos, apunhalado a facadas na periferia de Itabuna. O velório, numa noite longa, é interrompido vez ou outra por um choro em desconforto. A sensação de abandono sufoca o ambiente, e flagra a ausência de qualquer autoridade pública – um delegado, o prefeito, um promotor, um vereador, nada nem ninguém que ouça aquela história e não a deixe esvair-se em vão.
          Aquela história termina em melancolia, como a de centenas de outras e codifica a falência completa de organização social mínima. É o décimo sexto rapaz assassinado, em menos de dois meses, na cidade que ostenta a macabra cifra de mais violenta da Bahia – a Nigéria do Boko Haram é aqui. Um dilúvio ou uma bola de fogo vinda de um céu com aquelas nuvens de fumaça enegrecida de campos de concentração resolveriam a inação da classe média da outrora ‘capital do cacau’: Itabuna precisa morrer de uma certa forma (na verdade, já está morta, pois lidera o macabro ranking no Brasil com o maior índice de assassinato de jovens em cidades com mais de 200 mil habitantes – a Bahia ocupa o posto de segundo estado no país nesse ranking) para que as suas cinzas modelem um novo começo, novas consciências – a frieza de conviver com índices de violência atormentadores e se fechar num silêncio cúmplice é atitude de gente-defunta. A violência se intensifica e se cronifica por incidir sobre as classes mais desassistidas e periféricas, entregues à própria sorte.
          A bola de fogo poderia começar abatendo certeira, rápida e lancinante as ideias ensinadas nos Departamentos de Direito e de Filosofia da UESC. Aliás, o governo do Estado deveria interditar a UESC – ou lacrar aquilo ali, emulando o fechamento da tampa do caixão de dezenas de jovens que morrem a faca, a bala, a marteladas. Como é possível uma cidade estampar números obscenos de violência e uma faculdade de Direito – lugar onde a noção de Justiça deve ser ensinada e aprendida – sair impune? Para que serve investir tanto dinheiro público em um ambiente narcisista e simbolicamente violento ele mesmo? Quando vociferam por aqueles corredores a demagógica manutenção do “estado de direito”, “estado de direito” é traduzido aqui como a manutenção dos privilégios da classe média calculista no poder ali.
          Se uma universidade não consegue apresentar estudos e alternativas de políticas que combatam aberrações como a violência, ela é defunta por si mesma, e já passou da hora de ser enterrada junto com o banho de sangue com o qual lava as mãos e as enxuga com seus currículos duvidosos. Desconfia-se, portanto, de que onde há violência ou miséria, isso é ensinado e aprendido por gerações, e desconfia-se de que a própria universidade eduque para a morte, já que ela não consegue ensinar a conviver pacificamente ou a estabelecer discussões políticas mínimas que combatam os problemas que suas comunidades pagam para ela ajudar a resolver.
          Sequências de ocupantes daquela reitoria (a atual reitora aparece vestida de vermelho na internet e maquiada na imprensa pedindo ao DNIT, socorro!, uma lombada em frente à UESC) disputam a gestão da universidade sem ser capaz de escrever uma linha sequer sobre os graves problemas da região. Não atuam como intelectuais. Estão ali para ostentar seus carros, maquiagens, perfumes caros, e não apresentam estratégias para refletir sobre o que quer que seja. A reitoria da UESC deveria promover a criação de um núcleo permanente de estudos e pesquisas sobre a violência na região. Estimular e obrigar sociólogos, pesquisadores do direito, pedagogos, economistas, filósofos, cientistas políticos a responder para a sociedade por que ganham salários públicos e se escondem em suas casas de praia, no conforto de suas vidas vazias, deixando a sociedade assolada por problemas sociais inadmissíveis, como a ausência de saneamento e a incidência de violência há décadas.
          Há décadas Itabuna vive imersa em esgotos (o canal do São Caetano e o do bairro Santo Antônio são dois exemplos horripilantes) como se fossem bocas com todos os dentes podres. Carnes são vendidas a poucos metros de fezes naquelas feiras livres – se as autoridades públicas abandonam as populações a comprar víveres ao lado de fezes, isso estimula e justifica a violência numa outra ponta, já que homens e mulheres vão devolver uns para os outros o que receberam. Os investimentos públicos que conseguem escapar da gatunagem do superfaturamento e da corrupção se concentram nos bairros do centro e da classe média. A reforma da Avenida do Cinquentenário – rua central – e o calçamento de bairros como o Jardim Vitória (onde mora boa parte da gente rica) é prova da valorização dos lugares dos endinheirados.
          No ano de 2834, quando essa história for contada como ela de fato ocorreu, Itabuna será lembrada como a cidade do esgoto e dos assassinatos abertos contra pretos pobres da periferia. E suas memórias serão reconstruídas a partir das histórias de diplomados funcionais em direito, economia, pedagogia e filosofia da UESC, reconhecida, então, como a universidade que promovia a morte ou, no mínimo, deixava a morte acontecer.



Braulino Pereira de Santana, doutor em Linguística pela UFBA 


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