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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

DE SANTOS DUMONT A EIKE BATISTA – Por Kleber Galvêas

De Santos Dumont a Eike Batista

          Poucos anos após inventar uma maneira de dirigir balões, fazendo-os retornar ao ponto de partida, Santos Dumont decolou com o seu Demoiselle (“senhorita”), o primeiro avião a sair do chão sem um empurrão. O dos Irmãos Wright foi empurrado do chão para cima: através de uma catapulta; pelo interesse do exército americano; financiado por empresários e incentivado pela propaganda nacionalista cabotina.

          Santos Dumont atuava com recursos próprios. Romântico, voltou para o Brasil. Os Irmãos Wright, com espirito weberiano, apoio da mídia, do governo e de empresários, criaram uma empresa. Seus descendentes fabricam peças para aeronaves nos EUA.

          Transcorrido um século, brasileiros continuam desacreditados por parte expressiva da mídia, pelo espírito provinciano, comum entre nós (“Fazer sucesso no Brasil é ofensa pessoal” — Tom Jobin) e principalmente pelo governo que nos descapitaliza tomando o nosso dinheiro, com taxas e impostos abusivos. Não adianta nossa criatividade e espirito empreendedor se não há capital, e os juros sufocam.

          O empresário nacional, mesmo o pequeno, tem que ter manha de camelô: “um olho na esquina, outro no freguês”, ou melhor, um olho no governo e o outro na empresa. Tamanha a burocracia, diversidade e instabilidade legal vigentes.  Em alguns casos, agentes do governo induzem o incauto a saltar obstáculos legais (propinas), como a única maneira de continuar trabalhando.

          A cultura antecede a política que prevalece sobre ela, porque promulga as leis. Culturas diferentes propiciam diferentes políticas e leis próprias.

          Dizem os historiadores que a instituição da propina no Brasil remonta ao tempo das Capitanias Hereditárias. A coisa aqui se fez tão antiga, universal, volumosa e descarada, que acabou se tornando um monstro perigoso para todo mundo, visto por outros países como expressão da deslealdade comercial.

          Uma empresa, ao se expandir, se torna responsável por mais bocas dependentes do salário. O empresário que conhece a cultura local encara a ação paralela (propina) como vital, e, assim, contrata consultores e cria um departamento específico para agir com competência, consoante o ambiente.

          Embora tenha uma boa formação, ele se torna condescendente com o crime quando avalia o interesse pessoal, o da sua empresa e a responsabilidade para com terceiros. Então filosofa: se a Cultura concebe a Política, e os políticos fazem as Leis que nos convidam a transgredir, não há risco. Não será abandonado, com tantas informações, em barco furado, no meio de um oceano de denúncias.
Aconteceu!

          Daí o interesse pelas oportunas palavras do empresário Eike Batista ao embarcar para ser preso no Brasil: havendo culpa, pagar pelos erros cometidos, apoiar a Operação Lava Jato e apostar que, daqui para frente, a relação empresa-governo será diferente, transparente. Subliminarmente ele justificou as delações e indicou que, como a Operação Lava Jato alcança os políticos, a participação das empresas na nefasta rede de corrupção será esclarecida.

          Empresas criam riquezas. Mesmo a elite chinesa, que ontem “xingava” a Rússia de “revisionista”, percebeu que, sem formar uma classe empresarial, não conseguiria sustentar o seu povo e se manter no poder. O gigante chinês, deitado em berço esplêndido, compreendeu e cresceu.

          Acorda Brasil! Punição aos criminosos, vida longa e saudável para nossas empresas! 


Kleber Galvêas, pintor. Tel. (27) 3244 7115 www.galveas.com fevereiro, 2017.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

- CABOCLO QUER APITO – Kleber Galvêas

Caboclo quer apito


Por definição, a cultura (popular ou erudita) é manifestação do povo. Quando administrada por força superior, deixa de ser cultura e passa a ser ideologia, recebendo o sufixo “ismo”: getulismo, imperialismo, comunismo... Essa transição se torna ainda mais perniciosa quando o autoritarismo de Estado é transferido para empresas.

Na primeira metade do séc. XX, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Câmara Cascudo e, aqui no Espírito Santo, Guilherme Santos Neves documentaram a exuberância com que a cultura nacional se manifestava e frutificava nas capitais, nas cidades e no sertão do Brasil.

Durante a Ditadura Vargas, fruto de trabalho do ministro Capanema, Getúlio institucionalizou a Cultura. A partir de então, constituíram-se “autoridades” culturais: ministros, secretários, diretores. O problema é que, nesses cargos oficiais, gestores assumem atitudes de produtores culturais, transformando parceria em paternalismo e cultura em ideologia.

Defendemos a tese de que cargos públicos devem ser ocupados por administradores, burocratas competentes, e não por artistas. Órgãos públicos devem cuidar do patrimônio cultural físico e intelectual (aquilo que o tempo peneirou, o povo consagrou e que já faz parte da nossa riqueza material, cognitiva e afetiva) e atender aos Artigos 215 e 216 da Constituição. Artistas devem produzir suas obras, em que são insubstituíveis, e os projetos devem ser de iniciativa popular, conquistando a parceria do governo se corresponderem à sua proposta política referendada nas urnas.

O autoritarismo na área cultural implantado na era Vargas foi privatizado no governo Sarney (1986), quando promulgou a “Lei Sarney”, mãe da Lei Rouanet, que serviu de base para as leis de incentivo à cultura dos Estados e municípios. Assim, empresas e sindicatos passaram a dispor do nosso dinheiro (abatem o que investem das suas obrigações fiscais: IR, ICMS, ISS, IPTU), para promoverem, com grande mídia, o que é do seu interesse. Sufocam, com nossa grana, a iniciativa popular que, modesta, é encarada como de inferior categoria. Como geralmente investem em eventos alienígenas caros, desprezando os valores locais, obtêm grande mídia. O que consolidou nas mentes dos capixabas o provincianismo: a ideia de que o importante é o que vem da metrópole.

Do orçamento da Secretaria de Cultura do governo capixaba, menos de 10% têm chance de chegar às mãos de quem faz cultura, através de editais, enquanto o investimento das nossas empresas em cultura, com as benesses das isenções fiscais, supera em mais de 10 vezes o que o Estado disponibiliza para artistas e ativistas da terra.

Durante a gestão do governador Eurico Rezende, o vice-governador José Carlos da Fonseca, em parceria com a Secretária da Educação, Anna Bernardes da Silveira Rocha, minimizou as distorções da legislação, ressuscitando e prestigiando o Conselho Estadual de Cultura. O próximo passo seria a criação do Fundo de Cultura. Criado nos últimos dias do tumultuado governo José Ignácio, logo foi ignorado pelo governo seguinte (PH), que optou por isenções fiscais das empresas e, portanto, pela continuação do autoritarismo cultural empresarial.

A propósito, uma marchinha de carnaval de H. Lobo e Milton de Oliveira vem a calhar: “... Índio não quer colar (coleira)! Índio quer apito (comandar)!”. Nós, caboclos, também!



Kleber Galvêas, pintor. Tel. (27) 3244 7115 www.galveas.com dezembro, 2016

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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

ELES TRABALHAM E CONFIAM – Kleber Galvêas

Eles trabalham e confiam


Será que se pretende “botar areia” nas locomotivas da economia nacional: SP, RJ e MG?  Esses Estados impulsionam o Brasil. Enviam para o Governo Federal recursos muitas vezes superiores aos que dele recebem. O ES não consegue que o Governo Federal invista aqui nem 10% do que enviamos para ele. Já os Estados do Norte e do Nordeste do país contribuem modestamente para o bolo da União, mas resgatam fatias muitas vezes superiores às suas contribuições.

Se o povo punido pelo desgoverno, que ocorreu, resolver reagir pacificamente o capixaba apoiará. O ES é, também, vítima da repartição política do Tesouro Nacional.

Tímido, sem expediente (ação), visto com desconfiança por seu provincianismo, higiene precária (saneamento/poluição), saúde debilitada, personalidade pública distante da sua identidade, valores intrínsecos desprezados e a vocação esquecida, o ES nos preocupa. Sem imaginação, contando com parcos recursos, o governo investe na aparência e procura mascarar a pobreza e inação glorificando a hipotética independência, se vangloriando por não dever a ninguém, ter o barraco arrumado e servidores fiéis. Esqueceu que detonando o ambiente inviabiliza a nossa legítima vocação para o terceiro setor da Economia.

Dívida, com responsabilidade, é um privilégio. É ter a confiança dos credores, ter crédito na praça e poder investir. É conseguir manter as atividades e progredir. SP, BH e RJ passaram por grandes transformações em tempo curto. Infelizmente sabemos que muito do capital para esses investimentos foi desviado, administrado sem o devido cuidado, e a roubalheira foi à mão grande.

Corrigir distorções populistas, investigar para recuperar a grana desviada, apontar os ladrões e os gestores irresponsáveis, aplicar punições exemplares aos verdadeiros culpados é o correto. Aliviar o povo desses estados, lembrando a contribuição que oferecem ao bolo nacional e a disposição que têm para o trabalho e liderança é agir com bom senso, tolerância, respeito e justiça. Sejamos solidários.



Kleber Galvêas, pintor. Tel. (27) 3244 7115 www.galveas.com janeiro, 2017

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

CNH: UM DOCUMENTO CARO E OBSOLETO – Kleber Galvêas

CNH: um documento caro e obsoleto

          Desenvolver o sentimento de cidadania é missão do Estado e interesse dos cidadãos propagado pela Revolução Francesa. O número de leis de um país é diretamente proporcional ao grau de subordinação do seu povo. A tutela legal “condiciona a liberdade” e inibe o sentimento de cidadania, que é a mola propulsora do progresso dos povos, em todos os períodos da História. 
          Pensando em valorizar o sentimento de responsabilidade, trouxe um tema objetivo para a discussão: Carteira de Motorista. 
          A carteira de motorista é o documento mais importante do americano. Nos Estados Unidos não existe carteira de identidade universal. No Brasil todos portam carteira de identidade. 
          Adquirindo um bem, é sua a responsabilidade no uso. Cometeu erro? Deve ser responsabilizado. Autoescolas estarão sempre disponíveis. A segurança no trânsito é fundamental, vital, não o interesse pecuniário do governo. A circulação de veículos é como uma sinfonia onde não cabe nenhuma nota desafinada, mesmo que o músico tenha diploma do melhor conservatório. 
          Recursos eletrônicos tornaram a CNH obsoleta. É diploma caro, envolve várias pessoas e tem extensa burocracia. Radar faz a leitura das placas, mostrando o histórico do veículo e do proprietário. Havendo algo errado ou acontecido uma infração de trânsito, o guarda mais próximo é informado, e o infrator multado ou levado imediatamente à presença do juiz. O motorista correto será estimulado, respeitado e só poderá ser parado se errar.   Errando, receberá imediatamente punição proporcional à infração cometida. Recursos materiais e humanos para essa mudança serão obtidos: no governo, com a extinção da burocracia da CNH e transferência dos seus burocratas para a fiscalização eletrônica; o cidadão, economizando taxas e tempo poderá investir em mais treinamento.
          A carteira de motorista, nos Estados Unidos, fica em torno de U$ 35,00. Aqui, renovar a minha carteira, categoria “B”, pela décima vez (2016), com validade para mais três anos, vai me custar no mínimo R$ 300,00 e horas perdidas. Obtê-la pela primeira vez fica em torno de R$ 3 mil. Quase mil dólares!
          A CNH poderia ser substituída por uma declaração pública do cidadão afirmando estar apto a conduzir veículos. Isto constaria em sua CI. O órgão do governo responsável pelo trânsito convocaria (por amostragem) alguns dos que se declararam aptos a dirigir, para teste de direção. A maioria esmagadora das perturbações no trânsito é causada por motoristas com a CNH em dia. Afinal, ela é um diploma e não consagração.
          A primeira legislação sobre trânsito surgiu na Inglaterra (1836–triciclo a vapor). Limitava a velocidade a 10 Km/h e era necessário, que 60 metros à frente do veículo um homem a pé conduzisse uma bandeira como alerta. As coisas mudaram com o tempo: do vapor à informática.
          Considerando-se a quantidade de veículos, o número de infratores é muito pequeno. Dar crédito ao sentimento de cidadania, respeitando-se o cidadão e confiando nele, será sempre positivo, e os resultados obtidos serão permanentes, propiciando colaboração espontânea. 
          “Tá tá tá tá tá na hora. Vá vá vá vale tudo agora. Sou mo-mole pra falar. Mas um Pintacuda pra beijar...” Sucesso musical do carnaval de 1950, cantava as proezas do piloto italiano Carlo Maria Pintacuda, campão de automobilismo. Ele não tinha CNH, mas seu sobrenome se tornou, em português, sinônimo de rapidez e perícia ao volante. 
          A transição do cidadão, de dependente do governo para parceiro agente do progresso, deve ser estimulada. Fé no progresso, esperança na harmonia e generosidade cidadã são virtudes que florescem na democracia. Se cultivarmos a liberdade e o respeito ao cidadão.


Kleber Galvêas, pintor. 
Tel, (27) 3244 7115 www.galveas.com novembro, 2016

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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O PARADIGMA DA COR – Kleber Galvêas

O Paradigma da Cor

           Obrigado a acompanhar a mudança da Biblioteca Nacional, de Lisboa para o Brasil, trazida por D. João VI, o bibliotecário Luís dos Santos Marrocos deplorou a sua sorte nas primeiras cartas que enviou para a “Terrinha”. De inicio odiou tudo o que viu e a quantos conheceu. Até... encontrar a mulata. Encantado, inebriado, libidinoso, mudou completamente o tom das suas missivas: o Rio era o paraíso.

          Não é à toa que a mulherada vai à praia de “asa delta”, a garotada de sunga, ou pagam R$70,00 por uma sessão de bronzeamento artificial. A preferência pela pele morena é quase unânime no Brasil, quiçá, no mundo. Se você tiver dúvida venha à Festa da Penha, em Vila Velha, Espírito Santo.

          O Espírito Santo, no século XIX, recebeu imigrantes do Norte da Itália, do Norte da Alemanha e da Polônia. A maioria loura e de olhos azuis. Esses imigrantes, com a fartura que desfrutaram cultivando a terra, conseguiram se reproduzir com enorme desenvoltura. Como vieram de uma região onde a puericultura era mais desenvolvida, suas crianças cresceram saudáveis, quase todas chegaram à fase adulta e se multiplicaram.  Eram 10, 20 filhos por casal.

          A Festa da Penha, que acontece todos os anos, desde 1570, na segunda segunda-feira após a Páscoa, reúne capixabas de norte a sul do interior do Estado, os que vivem na Grande Vitória e os que nos visitam. É grande o número de casais com cores mistas que podemos observar, muitos deles trazendo seus filhos.

          Conversando com alguns homens e mulheres desses casais, ouvi: os de pele escura dizerem ter sempre preferido alguém de pele clara para casar. A preferência dos de pele clara era pela pele escura.

          Se observarmos uma flor de hibiscos, muito comum nos jardins, nós vemos que a parte feminina da flor (gineceu) fica acima dos estames que portam o pólen (androceu). Essa disposição dos órgãos sexuais comum, na maioria das flores, dificulta a autofecundação, possibilitando cruzamento genético com outra flor e, assim, variações na espécie. Essas variações, ao contrário de mutações, geralmente são transmitidas aos descendentes. As variações em uma espécie são estratégias de sobrevivência em um mundo com o ambiente sempre em transformação.

          Nossa história mantém registros discretos de grandes homens de pele escura (negra ou indígena) que tiveram papel de relevância na construção do nosso País. Lembro alguns: André Rebouças, Francisco de Paula Brito, Pixinguinha, José do Patrocínio, Lima Barreto, Machado de Assis, Marechal Rondon... No cenário internacional, o prestigio da pele escura culminou com a eleição de Obama nos Estados Unidos.

          O que amamos nós conservamos como referência, mas só podemos amar o que conhecemos. Acredito que, desde os tempos dos mouros, em Portugal, a pele escura desses africanos gerou um paradigma, um preconceito: são invasores inimigos.

          Mídia, governo, escola, igreja, indústria, comércio e demais segmentos sociais têm-se esforçado para modificar essa percepção, prestigiando e valorizando a pele escura.

          No Brasil nunca existiu um “Ônibus de Rose”, nem banheiros e bebedouros públicos separados, como na década de 1960 ainda havia nos Estados Unidos. Lá sempre se soube quem era negro ou branco. Havia uma regra: com o octoroon (um oitavo de sangue negro) o individuo era considerado negro, não importando a aparência. Aqui nunca houve regra, e a miscigenação é quase absoluta. Não existem guetos étnicos e em toda favela se encontra amplo espectro de cores de pessoas.

          Vejo com grande alegria a beleza, vigor físico e o bom caráter do meu neto mulato de 10 anos, que tem o meu nome.

          No Brasil nunca existiu racismo de Estado. O preconceito já é percebido como um paradigma, sem nenhuma razão para continuar existindo. No Espírito Santo, percebo que acreditamos nisso cada vez mais. A eleição do governador Albuino, há 25 anos, já indicava nossa disposição. 


Kleber Galvêas, pintor. Tel. (27) 3244 7115 www.galveas.com novembro, 2016 


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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

KLEBER GALVÊAS: COMEMORANDO 50 ANOS DA 1ª EXPOSIÇÃO

Comemorando 50 anos da minha primeira exposição, 1966
– Primeiro Salão Nacional de Artes Plásticas do Espírito Santo - apresento uma nova exposição.
É uma mostra festiva de pinturas, com colorido vivo e fortes contrastes.
Abstração 1 - 122x95cm.
Abstração 2 - 122x95cm
Abstração 3 - 122x95cm.
Abstração 4 - 122x95cm.
Abstração 5 - 74x56cm
Abstração 6- 122x40cm
Abstração 7 - 122x40cm.
Abstração 8 - 122x48cm.
Abstração 9 - 122x48cm.

EXPOSIÇÃO DE ARTE MODERNA – Homero Massena
A Gazeta, 18 de setembro de 1966
Entre os artistas que compareceram ao primeiro “salão” de arte moderna, em nossa terra, foi incontestavelmente Kleber Galvêas um dos que mais se destacou. Seu quadro “pescador” está entre os quadros de maior valia que expôs. Foi adquirido por um americano que o transportou para Washington, onde reside.
Temos assistido o desenvolvimento artístico quase genial do jovem capixaba. Verdadeira revelação na arte contemporânea. Espontâneo criador de um estilo muito pessoal, não tem a preocupação de imitar ou inspirar-se em obras de outros artistas da escola que adotou; não decalca espiritualmente o já pintado pelos grandes mestres, não pajeia como alguns que nos aparecem retumbando os guizos de seus feitos revelando mediocridade. Valendo-se da liberdade concedida ao abstracionismo ao cubismo e a outras modalidades da arte contemporânea, apresentam verdadeiras aberrações confundindo o público sobre o que há de verdadeiro e valoroso na nobre arte que imortalizou Picasso, Albert Moret, Marquinni e , entre nós o saudoso Portinari que dignificou a cultura artística no Brasil, legando a gloria do seu nome à terra de seu beco.
Estamos certos que Kleber Galvêas em futuro próximo será uma glória nacional dado o seu amor ao trabalho e novas criações. Pena foi o não ter exposto algumas de suas telas que reputamos de grande valor, e que enchem o seu ateliê.
Além do mais, excelente alma de verdadeiro artista, modesto, aceita com acatamento a crítica que nós, os profissionais, mais velhos, por vezes tomamos a liberdade de apresentar-lhe.
É com a maior satisfação que traçamos essas linhas com a finalidade de incentivar o novel artista e de desejar que continue com o mesmo valor, a mesma fé no destino glorioso que espera.
Aos que nos leem, considerarão certamente estranho o nosso entusiasmo por uma arte oposta ao nosso estilo e por vezes maltratado, não pelos verdadeiros artistas, mas por aventureiros que invadem como bárbaros, o sagrado pais das artes.
A próxima exposição pessoal que fará Kleber Galvêas, será apreciada pelos nossos conterrâneos momento em que verificarão a verdade do que aqui afirmamos. Homero Massena.

Homero Massena e Kleber Galvêas na Barra do Jucu, Pedrinho's Bar, 1972 - Foto: Edy Massena.
Subida da Penha de Galvêas tema muito frequente na obra do mestre Massena - 160x135cm.
Paisagem da Barra do Jucu - 65x40cm.

Pinturas de Kleber Galvêas em parceria com os netos: Gabriel e Luisa.


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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

CONHEÇA A OBRA DO MESTRE HM. - Kleber Galveas

Conheça a obra do mestre HM.

Homero Massena fez sua última exposição em 1968. Não havia nenhuma galeria no Espírito Santo. Ela aconteceu na entrada do Carlos Gomes. O teatro estava caindo aos pedaços. Uma reforma completa foi iniciada logo após, e Massena foi convidado a pintar o teto. Ele tinha 84 anos, subiu escadas íngremes altíssimas e retocou o seu trabalho. Após serem fixadas as dezoito placas de compensado naval, que havia pintado em Jucutuquara.
Massena revolucionou nossa pintura. Até 1951, data da inauguração da Escola de Belas Artes do ES, preponderava aqui a escola da Irmã Tereza Monteiro Novaes, no Colégio do Carmo. Ela estudou pintura com Carlos Reis em Vitória e com acadêmicos famosos no Rio. Foi mestra dedicada por mais de meio século. Com suas discípulas produziu obras para culto das igrejas católicas, eventos cívicos e decoração de residências. Iniciou centenas de capixabas na pintura. Uma dessas foi minha mãe, de quem tenho dois óleos de 1938. A Escola do Carmo era de maneiristas: o desenho bem acabado e as figuras representadas com contornos bem definidos recebiam a cor como complemento. Faziam, na verdade, belíssimos desenhos coloridos.
Na escola do Massena a pintura se liberta. O desenho continua a ser feito com rigor de perspectiva, claro–escuro, com definição de espaços e equilíbrio. Perde a sua função de contorno e ganha importância como estrutura, orientando a cor aplicada com pinceladas soltas, tintas diluídas, criando veladuras ricas em matizes. É a pintura com suas tintas cozinhadas na paleta e texturas representando a natureza dos materiais, o movimento, a luminosidade local e a emoção. Tudo isso com fatura (resultado pictórico) original e extrema economia de materiais, até no tema. Sua sensibilidade e habilidade nos coloca em comunhão com a natureza capixaba.
Impressionista ciente das transformações provocadas pela luz na forma e na cor dos objetos, certo de que o branco puro e o preto inexistem na natureza e de que a linha do horizonte é abstração, Massena pesquisa ao ar livre, ganhando dimensão como antropofágico. Digerida a técnica que absorveu nos grandes centros, como Rio e Paris, ele foi capaz de criar um estilo próprio e inconfundível, representando nossa natureza com elegância. O artista perenizou trechos da nossa terra, nossa gente, nossos costumes, e nos emociona. 
Massena viveu de 1885 a 1974. Assistiu ao nascimento da República e ao homem pisar na lua. Acompanhou a evolução dos transportes, do cavalo para os carrões e aviões; o aparecimento do radio, TV... Viu a interação entre sua obra e a arquitetura moderna quando Juscelino quis uma tela sua, para inaugurar o gabinete da presidência, no Palácio do Planalto.
Nós, capixabas, depositários da pintura mais antiga exposta nas Américas (Convento da Penha) e da pintura mais antiga feita no Brasil (Reis Magos em Nova Almeida), passamos a ter, com Massena, a sétima escola oficial de Belas Artes no Brasil, hoje, CA da Ufes.
Rever a sua obra, na hora em que acontecem profundas transformações na paisagem e no estilo de vida dos capixabas, pode nos proporcionar reflexões muito interessantes, para ajudarmos a construir o futuro. 
No dia 30 de outubro de 2016, o Museu Atelier Homero Massena completa 30 anos com portas abertas. Você é bem-vindo.


Kleber Galvêas, pintor. Tel. (27) 3244 7115 www.galveas.com outubro, 2016

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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

JORNALISMO BRILHANTE IMPORTADO - Kleber Galvêas

Século XXI. Um importante jornal de Boston, EUA, foi vendido para um grupo internacional. Na primeira reunião com os jornalistas, o novo editor, vindo de Miami, tem sua atenção despertada pela investigação da Equipe Spotlight daquela redação.
Durante 20 anos o jornal recebeu cartas denunciando problemas nas paróquias de Boston, e pequenas matérias estampadas caçavam as vespas. O novo editor levou o caso a sério e enfrentou o sistema que propiciava os eventos: não caçou as vespas, atacou o vespeiro.
O primeiro encontro do novo editor com o Arcebispo de Boston, segundo o filme Spotlight (que inspirou este texto) foi assim:
Arcebispo – Acho que uma cidade prospera quando as grandes instituições trabalham juntas.
Jornalista – Um jornal para funcionar bem precisa ir sozinho.
Arcebispo – Claro
Jornalista – Sou da opinião de que um jornal só desempenha bem suas funções se for independente.
Arcebispo – É claro, mas a minha oferta (trabalhar junto) continua de pé.  
Os jornalistas protagonistas em Spotlight são frutos da escola americana que, desde os anos 1960, deixou de ser reprodutora de conhecimentos (informativa) e passou (em todos os níveis) a ser geradora de novos conhecimentos (formativa) e a valorizar a identidade. As crianças são orientadas para conhecer, compreender, aplicar, analisar, sintetizar, avaliar, escolher e agir.
Na nossa mídia, nós temos vários profissionais vocacionados, preparados e muito competentes. O problema é o sistema? O Art. 215 da nossa Constituição diz: “O Estado... apoiará e incentivará a valorização e difusão das manifestações culturais.” O Art. 216 § 3º diz: “A lei estabelecerá incentivos para a produção e o conhecimento de bens e valores culturais.” Essa obrigação constitucional do Estado e moral da Mídia não é cobrada, resultando em prejuízo: financeiro e ético para a mídia; artístico, para agentes culturais (não existe arte sem público); e em déficit de informação para todos.
Na globalização são os diferentes que somam, e os benefícios são proporcionais à contribuição dada. Como contribuir, de uma maneira sustentável, se não cultivarmos nossa identidade e ignorarmos nossa vocação? Um povo sem identidade é facilmente manipulado. Será essa a intenção?
O silêncio dos jornalistas profissionais a respeito da quase extinção, sob seus olhos, das editorias de cultura nas nossas mídias, indica que alguma coisa anda errada, pois a cultura é o que move o indivíduo para além da indiferença.  

Kleber Galvêas, pintor. www.galveas.com Tel. (27) 3244 7115 outubro, 2016. 

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

KLEBER GALVÊAS: O Amor Venceu

O Amor Venceu

Excelente,hilário e com pouco palco, tanto foi feito! Parabéns aos atores e autor.
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Ligue o vídeo abaixo:

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KLEBER GALVÊAS

Kleber nasceu oficialmente em Divisa, (hoje Dores do Rio Preto) ES, em 14/12/1947. Em 2015 faz 68 anos de idade, desenvolvendo fase muito inspirada e produtiva. Em 2016 completará 50 anos de sua primeira exposição.
Morou em Dores do Rio Preto, São Mateus, Rio de Janeiro e aos 7 anos veio morar na Prainha, Vila Velha, Espírito Santo – Brasil.
Nesta época já havia recebido de sua mãe (ex-aluna da pintora irmã Tereza, na Escola do Carmo) as primeiras orientações sobre pintura. Matriculado no Colégio Marista teve aulas de desenho, como disciplina à parte, desde o 1º ano primário.
Em 1962 passou a frequentar o Ateliê de Homero Massena e acompanhou o mestre até sua morte em 1974, quando organizou no teatro Carlos Gomes uma retrospectiva em sua homenagem e publicou para a Fundação Cultural do ES, um catálogo sobre a vida e a obra deste artista.
Em 1966 participou, com telas pintadas com asfalto, do 1º Salão Nacional de Artes Plásticas do ES e expos com Massena na cobertura do Torium Hotel de Guarapari. Foi convidado para pintar painéis e projetar os stands, do XIII Congresso Brasileiro de Anestesiologia, no Siribeira, em Guarapari. Com o que ganhou neste trabalho embarcou num navio cargueiro e foi cursar Medicina em Lisboa, aos 19 anos, entretanto lá, mudou de ideia e estudou gravura em metal, na Sociedade Nacional dos Gravadores Portugueses, e arte abstrata com o artista português Peniche Galveias.
Na Inglaterra (1968) participou da restauração de uma casa georgiana do séc. XVIII. Visitaoumonumentos e museus na Inglaterra, Holanda, França, Espanha, Argélia, Marrocos e Portugal.
De volta ao Brasil (1969), tentando abandonar a pintura, cursou Economia e Licenciatura em Ciências na UFES. Deu aulas de Alfabetização de Adultos, Inglês, Ciências, Astronomia e Metodologia Científica, em escolas públicas do ES.
Em 1974, casou-se com Anita Bonadiman e foram morar na Barra do Jucu, numa singela casa feita há 70 anos, com apenas 1 saco de cimento. Tem 3 filhos barrenses: Homero, Augusto e Alexandre (39, 36 e 32 anos, em 2015). Ajudou a criar o Centro de Artes da Barra do Jucu, primeiro espaço privado a mostrar regularmente a Arte produzida no ES; colaborou ativamente na ressurreição da Banda de Congo da Barra do Jucu; ajudou a criar, com o apoio da L.B.A. a 1ª Banda Mirim de Congo; promoveu a primeira desapropriação da Reserva Ecológica de Jacaranema e como membro do Conselho Estadual de Cultura, participou dos primeiros tombamentos de bens culturais e paisagísticos do ES.
Realizou exposições individuais em diversas cidades do seu Estado, Governador Valadares, Brasília, Goiânia, São Paulo, Lisboa, Barbados (Caribe). No Oregon (EUA) em 1982, pinta as mudanças de cores durante todo o outono. Na Europa é representado pela Galeria São Francisco, Lisboa.
Professor de pintura convidado do XVI Festival de Artes da UFG, Goiânia,1988.
A convite da FUNARTE participou de uma coletiva que percorreu o Brasil mostrando a arte capixaba.
Em 1986, idealizou e montou o Museu Homero Massena, o primeiro de artes plásticas do ES; publicou catálogo (1986) sobre a vida e a obra do artista e o acervo do museu. Escreveu diversos artigos para jornais e revistas, abordando arte e cultura capixaba (1974 – 2015).
De 1990 a 1996, formou uma equipe e restaurou, em seu ateliê, todo o acervo artístico da Assembleia Legislativa.
Em 1979 abriu ao público o seu ateliê na Prainha, onde realizou exposições próprias, de convidados, coletivas revelando novos talentos e resultado de pesquisas.
A partir de 1997 desenvolve anualmente, de 17 de março a 6 de maio, o projeto A VALE A VACA E A PENA. Uma provocação artística criticando a poluição atmosférica na Grande Vitória.
Publicou os livros: “Identidade Capixaba”; “Demolindo a Identidade Capixaba”; “Homero Massena” para a coleção: Grandes nomes do ES.
Mantém o seu ateliê aberto ao público todos os dias, das 9:00 às 18:00 horas. Rua: Antenor Carneiro, 66, Barra do Jucu, Vila Velha, ES, BR. CEP. 29125-120. Mapa de localização na página inicial do nosso site.
Para uma ampla visão da vida, atividades atuais e obra de Kleber Galvêas, visite o nosso site:
www.galveas.com
O site do ateliê é visitado por 90 países. O mais frequente: Estados Unidos, 4,6 % do total de visitantes.

 
Seus textos podem ser lidos, telas e trabalhos de restauração podem ser vistos na Internet:www.galveas.com


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