A HIDRA ERA ALIMENTADA E CRESCIA NOS ANTROS COMUNISTAS
Paulo Roberto Campos
Quando em 1989 foi derrubado o Muro de Berlim (a “cortina de
ferro”) e, no ano seguinte, desmoronou o regime comunista com o estrondoso
fracasso da URSS, muitos incautos diziam de boca cheia: “o comunismo morreu”…
O maior líder anticomunista do século XX, o Prof. Plinio
Corrêa de Oliveira, foi o paladino da tese contrária, ou seja, ele afirmava
categoricamente que o comunismo não tinha morrido, mas se metamorfoseado; fez
uma “plástica” em sua carranca para melhor iludir os babaquaras. Tal “plástica”
foi feita sobretudo com duas políticas “cosméticas” do velhaco comunista
Michail Gorbachev: em 1985 com a Glasnost (transparência), e
em 1986 com a Perestroika (reestruturação).
A respeito desta importante temática, recomendo leitura do
histórico manifesto do Prof. Plinio, publicado em 1989 em vários jornais,
intitulado “Morreu o comunismo? E o anticomunismo também?”.
O próprio Gorbachev confessou: “O comunismo pode
voltar à vida. É como o mito grego da Hidra, cujas cabeças cresciam de novo,
após terem sido cortadas” (“Folha de S. Paulo”, 9-3-1992).
Gorbachev nos antros comunistas tomou conhecimento do plano
punitista; sabia que a Hidra estava sendo criada e bem alimentada… Hoje quem
teria a petulância de dizer que o comunismo está morto? Sobretudo com a atual
situação da Rússia, com a hidra Putin no poder, seria um disparate monumental.
Dentro dessa temática, seguem algumas frases sobre o
comunismo que vale a pena memorizar.
“Hoje, fala-se em cortesia francesa, pontualidade
britânica, cavalheirismo espanhol etc. Dia virá em que se falará também em
cinismo soviético. Cinismo pasmoso, na verdade, que só teve um ‘símile’ no
mundo: o cinismo nazista”.
(Plinio Corrêa de Oliveira)
“No capitalismo temos a distribuição desigual das riquezas;
no socialismo, a distribuição por igual das misérias”.
(Churchill)
“O comunismo não é uma doutrina porque é uma
antidoutrina, ou uma contradoutrina. Tudo quanto o homem tem conquistado, até
hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é de civilização e de cultura —,
tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem”.
(Fernando Pessoa)
“Os comunistas sempre souberam chacoalhar as árvores
para apanhar no chão os frutos. O que não sabem é plantá-las”.
(Roberto Campos)
“É fácil ser comunista em um país livre. O difícil é
ser livre em um país comunista”.
Um professor de economia em uma universidade americana disse
que nunca havia reprovado um só aluno, até que certa vez reprovou uma classe
inteira.
Essa classe em particular havia insistido que o comunismo
realmente funcionava: com um governo assistencialista intermediando a riqueza, ninguém
seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e justo.
O professor então disse:
Ok, vamos, experimentalmente, socializa’ nesta classe. Ao
invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas.
Todas as notas seriam concedidas com base na média da
classe, e portanto seriam 'justas'. Todos receberão notas iguais, o que,
teoricamente, ninguém será reprovado, assim como também ninguém receberá um
"10".
Após calculada a média da primeira prova todos receberam
"7".
Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos
que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.
Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos
estudaram ainda menos porque, de qualquer forma, tirariam notas boas,
beneficiados pelas notas dos que haviam estudado bastante.
Como resultado, a segunda média das provas foi
"4".
Ninguém gostou.
Os que tinham estudado se sentiram injustiçados e os que não
tinham estudado, ficaram revoltados porque não foram beneficiados.
Depois da terceira prova, a média geral foi um
"1".
As notas não voltaram a patamares mais altos mas, as
desavenças entre os alunos, a busca por culpados e palavrões passaram a fazer
parte da atmosfera das aulas daquela classe.
A busca por 'justiça' era a principal causa das reclamações,
das inimizades e das brigas que passaram a fazer parte daquela turma. Ninguém
mais queria estudar para beneficiar os outros ...
Resultado: Todos os alunos foram reprovados naquela
disciplina ...
O professor então explicou:
O experimento comunista falhou porque quando a recompensa é
grande o esforço pelo sucesso individual é grande.
Mas quando são eliminadas todas as recompensas tirando-se
dos que produziram para dar aos que não batalharam para tê-las, então ninguém
mais vai querer fazer seu melhor.
Tão simples quanto o exemplo de Cuba, Coréia do Norte,
Venezuela...
E o Brasil e a Argentina, estão chegando lá...
1. Você não pode levar o mais pobre à prosperidade apenas
tirando a prosperidade dos mais ricos;
2. Para cada um que receber sem ter que trabalhar, há uma
pessoa trabalhando sem receber;
3. Não se consegue dar nada a quem não produziu, sem que se
tire de quem produziu;
4. Ao contrário do que prega o comunismo, é impossível
multiplicar as riquezas tentando dividi-las;
5. Quando metade da população perceber que não precisa
trabalhar, porque a outra metade irá sustentá-la, a outra metade percebe,
também, que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira
metade.
Chegamos então ao começo do fim de uma nação.
Esse é o mais puro exemplo do que querem fazer no Brasil.
Não acabe com o nosso país.
Faça a sua parte, repasse esta informação.
Ensine a aqueles que não entendem, o que realmente é o
comunismo....
É um buraco sem volta!
Leu com atenção?
Então repasse ... para o bem do país!
Eu li e achei realmente interessante, repassar! Não tenho
conhecimento da veracidade desse texto! Porém entendo que isso é o comunismo!
Tomamos cuidado com esse abominável regime!
Pote de ouro enterrado. A Venezuela tem o maior
volume de reservas de petróleo comprovadas na Terra. Nesse aspecto, reservas de
petróleo, é a nação mais rica do mundo. Estão por volta de 300 bilhões de
barris de petróleo as reservas comprovadas. Em segundo lugar vem a Arábia
Saudita, com 270 bilhões. Têm 39 bilhões de barris comprovados os Estados
Unidos. O Brasil, 16 bilhões de barris. Em números redondos, a riqueza de
petróleo comprovada da Venezuela é quase 20 vezes superior à do Brasil. São
aproximativos os números, variam segundo as fontes consultadas, mas um ponto é
comum entre elas: a Venezuela está em primeiro lugar. É preciso ainda
considerar que o custo de extração por barril na Venezuela é maior que o da
Arábia Saudita, o que diminui a vantagem do país sul-americano. Façam as
contas, o barril de petróleo está por volta de 80 dólares; pode subir muito
ainda. Para a Venezuela, adiantou muito ser assim o passado, adianta quase nada
hoje. Afunda sem parar já faz uns dez anos. Logo abaixo, a causa.
Prosperidade passada. A Venezuela foi chamada de
“Venezuela saudita”, “o país que mais consome uísque no mundo”. A riqueza
jorrava. Caracas maravilhava pelos prédios modernos. Sua renda per
capita em 1998 beirava 16 mil dólares, logo atrás da renda per capita dos
argentinos, então no primeiro lugar da América do Sul. É o passado; dele, pensa
a maioria esmagadora do país, nada ficou, além das lembranças de uma era
dourada.
Desgraça presente; pote de ouro que não serve para nada.
O Haiti sempre foi o país mais pobre da América Latina. Não é mais. Quando 2021
acabou, segundo projeções do FMI, ele entrou no penúltimo da lista, com
renda per capita de 1.690 dólares. Agora é a Venezuela, com
renda per capita de 1.627 dólares, o país mais pobre da
América Latina. O país tem mais de 4 milhões de refugiados — venezuelanos que
fogem da fome, da perseguição política, do desemprego, da vida sem futuro. Está
no oitavo ano consecutivo de recessão, desde 2013 a economia encolheu 80%. Por
causa da hiperinflação já cortou 14 zeros da moeda. Na prática, o povo
abandonou a moeda nacional e dolarizou a economia. Tudo é comprado e vendido
com cotação em dólares. Oito milhões de pessoas estão desempregadas em
população de pouco menos de 30 milhões.
O socialismo do século XXI destruiu a Venezuela. A
causa, agora. O chavismo [ou socialismo bolivariano] do coronel Hugo Chávez
[na foto, com Fidel Castro] estraçalhou a Venezuela, reduzindo-a a
frangalhos. Ela hoje vive dos apoios de Cuba, Nicarágua, China, Rússia. No
Brasil, tem um apoio fervoroso, o PT, sempre firme em sua defesa mitomaníaca da
igualdade, não importa o sofrimento popular. O PT ocupa hoje no Brasil espaço
político similar ao que foi tomado ao longo do século XX pelos PCs de
orientação soviética em muitos dos países ocidentais. A propósito das eleições
venezuelanas de novembro passado, o PT divulgou comunicado de apoio ao pleito
venezuelano, fraudulento e autoritário: “o processo eleitoral ocorreu
em total respeito às regras democráticas e concedeu a vitória do Partido
Socialista Unido da Venezuela (PSUV) em vinte estados, tendo a oposição vencido
nos três restantes”. O presente governo estimula a corrupção entre altos
oficiais da Forças Armadas (de onde vem parte de seu apoio) e mantém laços com
o tráfico de drogas. Tal situação repercute no Brasil, repercutirá ainda mais,
se a situação se perenizar na Venezuela, em especial em nossa região norte. E
repercutirá de forma devastadora, se o PT sair vitorioso nas eleições de 2022.
É inafastável a constatação: a aplicação das políticas preconizadas pelo PT
(parecidas com as políticas do chavismo) precipitará o Brasil em situação
semelhante à da Venezuela.
Passividade suicida. A situação dantesca que, sem
perspectiva de mudança rápida, padecem Venezuela e Cuba, é mortal entre nós
para os objetivos eleitorais do PT? Pode “pegar mal” no povo, já que Venezuela
e Cuba são hoje o que poderemos ser amanhã, caso o PT volte e se aninhe no
poder.
Acoitados no poder. Cuba, Nicarágua, Venezuela,
China, perenidades infernais. São modelos para a ação petista. A esquerda deixa
o poder? Certo, admito, essa realidade trágica pode prejudicar a força
eleitoral do PT. O prejuízo será mortal para seus objetivos? Tenho minhas
dúvidas. Lula e Dilma sempre apoiaram Fidel Castro [modelo de Hugo Chávez e
Nicolás Maduro] e ganharam quatro eleições presidenciais. E os deputados do PT
formam bancada forte, apesar de sempre terem apoiado o socialismo cubano e
venezuelano. O dinheiro brasileiro jorrou solto para os dois países e ninguém
acha que um dia voltará. O escândalo não tem sido mortal para os objetivos
petistas. Sei que há muitos fatores que atenuam a gravidade, e até a
culpabilidade, presentes em tomadas de posição do público em geral.
Alarma regenerador. Contudo, fato é que alarmam os
atuais índices obtidos por Lula nas presentes pesquisas (passageiros, pouco
consolidados, até em parte falseados, concedo). Tendo-os como fundamento de
análise, o Brasil pode ter quatro, oito anos, até mais, de governos que admiram
sem rebuços a tortura infligida pelos chavistas ao povo venezuelano. De outro
lado, tal fato triste e trágico pode ser alarma regenerador, toque de rebate
para o começo de atitudes de reconquista. O que será necessário? Em primeiro
lugar, entendo, ver com clareza, sem ilusões, a situação, mesmo em seus pontos
mais débeis e preocupantes. A seguir, energia e pertinácia, o que implica
emprego intenso e arguto dos instrumentos lícitos, sempre na lei e na ordem.
Sem coordenação de esforços dificilmente se evitará a tragédia. Adiante do
Brasil que presta estão meses de batalha para evitar que a epidemia socialista
tome conta do país. Seria atitude de reconquista. Pois parte do público, hoje
passiva, letárgica, indiferente, iludida até, precisa ser reconquistada.
Exemplo de reação salvadora. Winston Churchill foi
grande condutor político, sempre traz bons exemplos para horas difíceis e
estamos em uma delas. Em situação grave da Inglaterra, até desesperadora, o
dirigente não escolheu enfiar a cabeça na areia. Fez o contrário. Pintou com
cores sombrias (e reais) para o povo inglês o quadro geral. Lembro palavras
suas aos britânicos: “Estamos diante de uma das maiores batalhas da
História. Digo para a Câmara dos Comuns o que disse para os que apoiaram o
governo. Só vos prometo sangue, fadigas, lágrimas e suor. Temos diante de nós
muitos longos meses de luta e sofrimento. Vocês perguntam, qual é nossa
política. Digo, fazer a guerra por mar, terra e ar, com todo nosso poder e com
toda a força que Deus nos dê, fazer a guerra contra uma tirania monstruosa,
nunca ultrapassada no negro e lamentável catálogo do crime humano. Esta é nossa
política. Perguntam qual é nosso objetivo. Respondo com uma palavra: vitória.
Vitória, não importam os custos”.
Ad augusta per angusta. Vitória não vem sem lutas. E
clareza de vistas. Que Deus nos ajude.
As grandes manifestações do dia 7 de setembro último — festa
de nossa Independência — ao mesmo tempo que deram muita esperança ao País de
sair do atual impasse a que foi submetido por forças nada ocultas, causaram
abatimento não pequeno nas hostes esquerdistas, incluindo os que sonhavam com a
dita terceira via, o que parece bom presságio.
Tenho o hábito, adquirido desde os anos de Seminário, de
recorrer às Sagradas Escrituras para preparar sermões e outros estudos,
entretendo-me ora com a sabedoria, ora com a ciência, ora com os conselhos ali
encontrados, ora com a linguagem grandiloquente e a beleza incomparável de suas
metáforas.
“E por que vos inquietais com o que vestirá? Considerai
como crescem os lírios do campo; eles não trabalham nem fiam. E digo-vos,
todavia, que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu jamais como um deles”
(6, 28).
Do Novo Testamento, cito apenas a parábola dos lírios do
campo, que só poderia ter sido expressa por um Deus… Detenha-se comigo, leitor,
e admiremos uma vez mais a beleza da narração de São Mateus ao escrever as
palavras de Jesus Cristo quando tratou de nosso desapego aos bens terrenos:
As palavras inspiradas pelo Espírito Santo são portadoras de
grande carga simbólica. Quantos servos de Deus dedicaram as suas vidas a fim de
meditá-las, estudá-las, e assim se santificarem, tendo muitos deles deixado
consignadas grandes obras para o aproveitamento dos homens e regozijo dos
anjos, redundando tudo para a glória de Deus.
Ainda ontem, lendo e meditando o Livro do Eclesiastes,
que muitos atribuem a Salomão, refleti sobre o simbolismo das referências à
direita e esquerda, expressões hoje até muito bagatelizadas, mas que não deixam
de despertar curiosidade quando tomadas dos livros sagrados e aplicadas às
circunstâncias políticas como a que atravessamos no presente momento.
Com efeito, um embate bastante politizado vem ocorrendo no
Brasil, fenômeno pouco comum entre nós, pelo menos até o advento das redes
sociais, pois os grandes meios de comunicação imperavam de modo absoluto como
os únicos que sabiam e poderiam ‘pensar’ pelos brasileiros, impingindo suas
tendências, suas modas, suas ideias, enfim, sua filosofia de vida.
As grandes manifestações populares em defesa de nossas
antigas instituições — como a família, guardiã dos bons costumes, da boa ordem
social com o respeito ao próximo e ao seu patrimônio, resguardada por um Judiciário
que inspirava confiança não apenas imediata, mas perene — representam a
projeção do que a média dos brasileiros pensa sobre o que se convencionou
chamar de direita e esquerda em matéria política, aliás termos hauridos dos
tempos da Revolução Francesa.
Por oportuno, menciono uma passagem que me atraiu a atenção
do livro do Eclesiastes: “O coração do sábio está na sua mão direita, e o
coração do insensato na sua esquerda” (Ecl.10, 2). Ainda que o autor dessas
palavras não tivesse em vista o Brasil atual, nem nossa política, creio ser
válida a sua aplicação às circunstâncias de nossa situação.
Enganam-se os que pensam em conduzir o Brasil para as vias
propostas pela esquerda política, ou seja, o comunismo, o socialismo, o
bolivarianismo e tanto outros ismos, com tudo de desastroso que se encontra em
seu bojo. As manifestações públicas de 7 de setembro e aquelas que as
precederam a partir de 2013 demonstram a existência de um Brasil profundo a
bradar que sua bandeira jamais será comunista e que ele deve se manter nas vias
da civilização cristã.
Nesse sentido, sob a proteção maternal de Nossa Senhora
Aparecida, o Brasil se torna um luzeiro para o mundo, que parece estertorar-se
diante de tantos contratempos criados e alimentados pelos próprios homens. Com
efeito, tudo o que se tem procurado à guisa de solução vem fracassando ano após
ano, dia após dia. Por quê? Porque os homens não querem reconhecer o erro
cometido de terem rompido com a doutrina e a lei de Jesus Cristo.
Referi-me acima ao Eclesiastes, agora vejamos o que diz o
livro Eclesiástico, 10,7-8:
“A soberba é aborrecida por Deus e pelos homens e toda a
iniquidade das nações é execrável. O reino é transferido de uma nação à outra
por causa das injustiças, das violências, dos ultrajes e de toda sorte de
enganos.”
De uma coisa eu tenho certeza e os conclamo a colocar em
prática: rezar, confiar e esperar que o Brasil volte para o seu passado
cristão, a fim de que seja como uma cidade forte situada sobre um monte, imune
de ser ultrajado e violentado pela injustiça e de vir a depender de alguma
nação despótica.
____________
*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso
Moreira (RJ)
O brado por liberdade e pão. Poucas semanas atrás o
povo cubano exprimiu sua indignação pela tirania de décadas que o oprime. Falta
de alimentos (fome, em português simples) e de vacinas foram o estopim próximo
para a explosão da revolta popular. Manifestantes que lutavam por liberdade e
pão acabaram presos, ameaçados, surrados. No mundo inteiro, para vergonha da
gente que presta, governos e personalidades se manifestaram não a favor do
povo, mas na defesa do governo opressor.
Favorecimento dos torcionários. Destaco quatro
reações muito significativas. Lula aprovou o regime e escreveu: “O que
está acontecendo em Cuba de tão especial pra falarem tanto? Houve uma passeata.
Inclusive vi o presidente de Cuba na passeata, conversando com as pessoas. Cuba
já sofre 60 anos de bloqueio econômico dos EUA, ainda mais com a pandemia, é
desumano”. O PT secundou as manifestações do seu morubixaba. Cuba
continua inspiração, tumor de estimação, para o PT.
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, elogiou também o
governo cubano: “Se os Estados Unidos e a oposição extremista querem realmente
ajudar o povo cubano, levantem imediatamente todas as sanções e o bloqueio
contra o povo cubano. Ofereço todo o apoio da República Bolivariana da
Venezuela ao povo de Cuba, ao governo revolucionário de Cuba.”
Por seu lado, a China se apressou em sustentar a tirania em
Cuba. Entre outras manifestações, em Brasília a embaixada chinesa divulgou
comunicado: “A China se opõe à interferência estrangeira nos
assuntos internos de Cuba e apoia o que Cuba tem feito na luta contra a
Covid-19″.
Finalmente, declarou o ministro das Relações Exteriores da
Rússia: “Vamos continuar apoiando Cuba em tudo, não apenas moral, ou
politicamente, não apenas por meio do desenvolvimento da cooperação
técnico-militar, mas também promovendo ativamente o comércio, projetos
econômicos que permitam à economia deste país ser mais firme diante de ataques
externos. Acredito que vamos conseguir”.
Uma poderosa voz de consolo. Em sentido contrário, o
governo dos Estados Unidos colocou-se ao lado do povo cubano: “Estamos
com o povo cubano e seu apelo alto e claro por liberdade e alívio”. Condenou
as “décadas de repressão e sofrimento econômico a que foi submetido pelo regime
autoritário cubano”. E aduziu: “O povo cubano está reivindicando
com bravura seus direitos fundamentais e universais”.
A mão que apaga e a voz que adormece. Nesse ambiente,
o Papa Francisco decepcionou os católicos cubanos com declaração ambígua: “Estou
muito próximo do povo cubano nesses momentos difíceis, em particular das
famílias que sobretudo sofrem. Rezo ao Senhor para que ajude a construir na
paz, diálogo e solidariedade uma sociedade cada vez mais justa e fraterna”.
Angústia corajosa e lúcida. Ninguém expressou melhor
a decepção que dona Maria Victoria Olavarrieta [foto], cubana exilada em
Miami, em mensagem ao Papa Francisco, carta amplamente divulgada (está na
rede), da qual coloco aqui alguns trechos: “Os católicos cubanos, desde
que começaram os protestos em Cuba, estamos esperando que o senhor levante sua
voz. Dói muito que, enquanto reprimem o povo que saiu às ruas pedindo
liberdade, o senhor tenha palavras para felicitar o triunfo da Argentina na
Copa América. Nossa Igreja foi perseguida, ameaçada, vigiada, invadida pelos
agentes de segurança do Estado. O senhor disse aos jovens: ‘Lutem por seus
sonhos, mas sonhem em grande, não deixem de sonhar’.Os jovens cubanos que
nasceram na ditadura e foram doutrinados, educados em escolas ateias, em uma
sociedade de partido único, que cresceram — alguns comendo e se vestindo com as
ajudas de seus familiares no exílio, e outros na miséria mais absoluta —, estão
sonhando em ver seu país livre. O senhor os convidou a sonhar, e agora que os
estão matando por gritarem seus sonhos, o senhor guarda silêncio! Tive diversos
alunos venezuelanos e vi o sofrimento de seus pais, porque o senhor
guardou silêncio quando assassinavam os estudantes nas ruas de Caracas. As
pessoas morrem de fome na Venezuela, e o senhor não condena publicamente os
responsáveis. O sangue correu na Nicarágua. O Papa fala de tudo, mas dos crimes
dos ditadores e dessas três tiranias irmãs o senhor não opina. O Vigário de
Cristo na Terra não deve discriminar suas ovelhas. As ovelhas vítimas dos
regimes comunistas, sentimo-nos como se fôssemos suas ovelhas negras. Hoje
quero ser a voz das mães cubanas que estão vendo seus filhos passar fome, que
não têm remédio; quero lhe apresentar a dor das avós cujos netos foram
fuzilados gritando ‘Viva Cristo Rei!’, a vergonha dos pais que não conseguem sustentar
os filhos com o fruto de seu trabalho, e vivem mal, esperando as remessas
enviadas por seus familiares do exterior. Apresento-lhe a tortura dos presos
políticos; o ódio de irmão contra irmão que os Castros semearam; os idosos que
viram partir a família que criaram, e morreram sem nunca mais verem seus filhos
e netos! Nós, cubanos, nos sentimos abandonados, órfãos do Papa”.
Cães mudos. Nem há o que comentar, o texto fala mais
que qualquer glosa. Enquanto lia a mensagem da angustiada e abandonada católica
cubana, vinham-me à mente trechos bíblicos, sua elevação e ensino fortalecerão
os católicos cubanos em seu desamparo. “As suas sentinelas estão todas
cegas, todas se mostraram ignorantes; são cães mudos, que não podem ladrar, que
veem coisas vãs, que dormem, e que amam os sonhos” (Is 56,
9-10). “E, se algum de vós pedir pão a seu pai, porventura dar-lhe-á
ele uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, porventura, dar-lhe-á ele, em vez de
peixe, uma serpente? Ou se lhe pedir um ovo, porventura dar-lhe-á um
escorpião?” (Lc 11, 11-12). “Eu vi a aflição do meu povo no
Egito, e ouvi o seu clamor causado pela crueza daqueles que têm a
superintendência das obras. E, conhecendo a sua dor, desci para o livrar das
mãos dos egípcios” (Ex 3, 7-8).
Que o Pastor proteja suas ovelhas e não permita que elas
sejam devoradas pelo lobo…
Paulo Roberto Campos
María Victoria Olavarrieta, uma senhora católica cubana,
mandou uma muito importante carta ao Papa Francisco.
Em termos respeitosos, mas firmes, ela suplica que o
Pontífice — em vista dos recentes protestos em várias cidades de Cuba contra o
cruel regime fidelcastrista — rompa o silêncio e condene o comunismo cubano.
Ela pede também que condene a ditadura venezuelana e a
nicaraguense, que, assim como em Cuba, tiraniza suas populações, levando muitas
famílias a passar fome, muitos a fugir de seus países e causar numerosas
mortes.
Entre várias advertências, a Senhora María Victoria
Olavarrieta chama a atenção para fato de o Papa ser sempre muito loquaz em
questões de menor importância, como felicitando a Argentina pela vitória na
Copa América, ou condenar o fato de pessoas jogarem garrafas de plástico no
mar, mas não diz nada, por exemplo, de que, além de plástico, nas águas
marítimas de Cuba haver restos de muitos cadáveres de pessoas que morreram
afogadas na tentativa de escapar da tirania comunista na ilha-presídio
subjugada pelos irmãos Castro.
A seguir a gravação da comovente carta e, mais abaixo, seu
texto, publicado no “Diário Las Américas” (16 de julho de 2021), que,
esperamos, comova também o Papa e que, por fim, ele condene firmemente o
comunismo e o bolivarianismo que destroem nações irmãs na América Latina.
“Católicos cubanos, desde o início dos protestos em Cuba,
esperamos que levantem a voz. Dói muito que enquanto reprimem as pessoas que
saíram às ruas pedindo liberdade, você tenha palavras para felicitar o triunfo
da Argentina na Eurocup, fale sobre o lixo plástico nos mares e não tenha feito
uma oração pública pelos mortos, os detidos , os desaparecidos e todos aqueles
que estão assustados em suas casas em todo o nosso país.
Nos mares de Cuba, Santidade, além do plástico, estão os
restos mortais de muitos cubanos que se afogaram tentando escapar da grande
prisão em que os Castros transformaram meu país.
Nossa igreja foi perseguida, ameaçada, vigiada, invadida por
agentes de segurança do Estado. No momento temos um seminarista ausente, Rafael
Cruz Débora. Se os bispos cubanos têm medo de falar, de ficar ao lado do povo,
eu os entendo, não sabemos as ameaças que lhes são feitas, mas você, com a
imunidade que sua hierarquia lhe confere, pode falar, e nos defender.
Ontem, em Havana, tentaram recrutar um jovem que já havia
completado o serviço militar obrigatório, para treiná-lo para espancar os
manifestantes. Entraram em sua casa, o ameaçaram na frente dos pais e como o
menino recusou, fizeram-no assinar uma carta dizendo que não iria aonde a
revolução precisava dele e avisaram que quando tudo isso acontecesse ele iria
para a prisão.
Isso foi ontem, hoje eles estão sendo arrastados, sem pedir
nada. Pais com filhos em idade militar estão apavorados.
Você disse aos jovens: ... "Lute pelos seus sonhos, mas
sonhe grande, não pare de sonhar." Os jovens cubanos que nasceram na
ditadura, que foram doutrinados, educados em escolas ateístas, em uma sociedade
de partido único, que cresceram, alguns comendo e se vestindo com a ajuda de
suas famílias no exílio e outros na miséria absoluta, eles estão sonhando em
ver seu país livre. Você os convidou a sonhar e agora que estão sendo mortos
por gritarem seus sonhos, você fica em silêncio.
Você pediu a seus pastores para sentir o cheiro de ovelhas.
Dos padres cubanos que se aliaram abertamente ao povo, alguns estão sendo
espancados pela polícia, detidos e silenciados por seus bispos que temem por
suas vidas. E sobre o assédio do governo aos bispos, você, que é o Papa,
deveria saber mais do que eu.
Como dói, padre, as freiras e os padres cubanos com quem o
senhor pôde falar, que olhe para o outro lado. Hoje uma freira cubana me disse
que não poderia conceber que você não tivesse algumas palavras para Cuba neste
momento em que o mundo inteiro fala sobre os abusos do regime. E muito
baixinho, com a voz embargada de dor, quase como se falasse consigo mesma, ela
sussurrou: Algum dia ela terá que enfrentar o Senhor.
Santidade, conheces a mensagem da Virgem de Fátima. O comunismo deve ser muito ruim, pois entre todas as coisas ruins do mundo,
nossa Mãe queria deixar instruções de como poderíamos evitar que aquele mal se
espalhasse pelo mundo.
Você teve muitos estudantes venezuelanos e viu o sofrimento
de seus pais porque guardou silêncio quando os estudantes foram assassinados
nas ruas de Caracas, as pessoas passam fome na Venezuela e você não condena
publicamente os responsáveis.
O sangue corre na Nicarágua e o Papa fala de tudo, mas você
não tem opinião sobre os crimes dos ditadores dessas três irmãs tiranias.
Santo Padre, a cristandade não precisa de um líder social
nem de um diplomata, queremos um pastor, uma pedra firme onde a Igreja se possa
sustentar. O vigário de Cristo na terra não deve discriminar suas ovelhas. As
ovelhas vítimas dos regimes comunistas, nos sentimos como se fôssemos suas
ovelhas negras.
Pedes sempre que rezemos por ti, peço que rezemos e ajamos
para que não morram mais pessoas na Nicarágua, Venezuela e Cuba.
Eu gostaria de ter escrito em um tom diferente, em todos os
meus artigos onde sempre o menciono, sempre o mencionei. Mas hoje quero ser a
voz das mães cubanas, que veem seus filhos passarem fome, que não têm remédio,
quero apresentar a dor das avós cujos netos foram baleados gritando "Viva
Cristo Rei", a vergonha dos pais que não conseguem sustentar os filhos com
o fruto do trabalho e vivem mal esperando as remessas enviadas por seus
parentes do exterior.
Apresento a tortura dos presos políticos, o ódio de irmão
contra irmão que os Castros semearam, os idosos que viram partir e morrer a
família que criaram, sem nunca mais verem seus filhos e netos.
Clamamos aos céus que neste 13 de julho, enquanto nos
lembramos das crianças, mulheres, homens que se afogaram no rebocador "13
de março" que o governo cubano afundou em alto mar, tínhamos que curar,
sem ter o quê, as feridas que a polícia e seus cães causaram aos pacíficos
manifestantes em muitas cidades de Cuba.
Nós, cubanos, nos sentimos abandonados à nossa sorte, em 62
anos não fomos capazes de nos libertar. Hoje eles enfrentam um exército armado,
sem líderes e até agora, órfãos do Papa.
Papa Francisco, perdoe-me se o ofendo, mas tive que escolher
entre a respeitosa aquiescência devida a um bispo e a defesa das vítimas do
comunismo. Lamento saber que você é um papa comunista. O comunismo destrói a
moral dos povos, sua religião, sua esperança.
Ontem em Miami, 4 Filhas da Caridade saíram para protestar
nas ruas, junto com as pessoas, algumas delas idosas. Irmã Consuelo, do México
e Irmã Elvira, Irmã Reinelda e Irmã Rafaela, cubana. Entre as pessoas eu ouvi
dizer: Sem feno Papa, mas tem freiras. Cristo está conosco!
A semana compreendida entre os dias 21 e 28 de maio do ano de 1871 ficou conhecida como “a semana sangrenta”, quando os communards — voluntários ateus e anticlericais que constituíam as hordas a serviço da Comuna de Paris — assassinaram vários reféns.
Vista da Rue de Rivoli destruída pelos comunistas da “Comuna de Paris” na “semana sangrenta” de 1821.
Entre eles estavam o Arcebispo de Paris, Dom Georges Darboy, e cerca de uma vintena de clérigos e religiosos; havia ainda militares defensores do governo legítimo, refugiado então em Versalhes, e outros personagens civis.
Em honra dos mártires da Comuna foi então construída a igreja de Notre-Dame-des-Otages, Nossa Senhora dos Reféns. Dentre os religiosos assassinados no dia 26 de maio destacava-se o padre Henry Planchat, da Congregação de São Vicente de Paulo, famoso por sua caridade, cognominado “o pai dos pobres”. Graças à sua memória reiniciou-se o processo de beatificação de cinco dos mártires religiosos, o qual havia sido interrompido em 1968, por causa da Revolução cultural da Sorbonne e do espírito de abertura para o mundo, apregoado por clérigos ditos progressistas.
Para comemorar o sesquicentenário da imolação dos referidos mártires por ódio à Fé, quis a Arquidiocese de Paris homenageá-los com uma procissão no dia 29 de maio último [foto acima e abaixo], a qual, entretanto, não chegou ao seu fim. Com o mesmo ódio de seus antepassados ideológicos de 1871, novas hordas de communards — atualmente com aspecto ainda mais repugnante — atacaram os participantes da procissão católica, aos gritos de “abaixo as batinas” e “morte aos versalheses”. Os fiéis católicos eram mais de 300, mas protegidos por apenas um policial, que os defendeu corajosamente, como pôde. Os revolucionários arremessaram garrafas sobre a procissão, ferindo dois anciãos, um dos quais teve de ser hospitalizado.
Embora algumas vozes se tenham levantado contra o ocorrido, a parcimônia com a qual as autoridades se portaram chamou a atenção. O ministro do Interior, responsável pelas forças da ordem, escreveu em seu twitter que compreende os católicos, dedicando “seus pensamentos aos católicos da França”. E nada mais! Recordemos que no mês de abril último esse mesmo ministro visitou uma mesquita que havia sido alvo de pichações “islamofóbicas”…
Por mais odioso que tenha sido esse episódio, dele podemos tirar várias lições, a principal das quais é a consciência que devemos ter do ódio das forças revolucionárias — as de ontem como as de hoje — contra a religião católica; ódio que as torna capazes de empreender outras “semanas sangrentas”, para inundar com mais sangue de cristãos as ruas da Cidade Luz e de outras cidades. Mas não nos esqueçamos da célebre frase de Tertuliano: “Sangue de mártires, semente de cristãos”.
Ao criar nossos primeiros pais homem e mulher, Deus os
abençoou, ordenou-lhes que crescessem e se multiplicassem e enchessem toda a
Terra, sujeitando-a, como está escrito no livro Gênesis (1, 27-30): “Eis
que vos dei todas as ervas, que dão sementes sobre a terra, e todas as árvores
que encerram em si mesmas a semente do seu gênero, para que vos sirvam de
alimento, e a todos os animais da terra, e a todas as aves do céu, e a tudo o
que se move sobre a terra, em que há alma vivente, para que tenham que comer. E
assim se fez”.
Como assim dispôs o Criador, cabe-nos, por nossa natureza e
pelas potencialidades e riquezas que nos foram dadas, prover à nossa própria
subsistência e trabalhar em função de nosso progresso natural e espiritual,
rendendo assim maior glória a Deus. O mesmo Pai não criou seus filhos iguais,
antes, os dotou de capacidades diferentes, como se pode depreender da parábola
dos talentos.
Com efeito, nela o servo que soube trabalhar e fazer render
os talentos recebidos de seu senhor foi premiado com outros tantos, e o que
enterrou o talento foi castigado. Como foi agradável aos olhos de Deus a
diligência daquele que se empenhou em fazer progredir suas próprias qualidades,
e como foi desagradável a acomodação daquele que se manteve inoperante diante
dos benefícios recebidos!
Todos nós sabemos que a existência do homem é anterior à do
Estado, cuja ação deve ser apenas supletiva, ou seja, exercer-se somente quando
o corpo social não dispuser de meios para realizar determinada tarefa. O
contrário disso — a interferência em todos os aspectos da vida dos indivíduos e
das sociedades — é uma característica do Estado socialista.
Este último contraria a ordem natural e desafia disposições
divinas, com consequências desastrosas para todo o corpo social, pois torna os
homens negligentes, sem iniciativas e desinteressados, priva-os de sua
liberdade de fazer o bem e os leva à miséria e à desolação, embrutecendo da
sociedade e levando ao decrescimento da fé.
Recordamos que há mais de 100 anos Nossa Senhora de Fátima alertou a humanidade
para os nefastos erros que o comunismo espalharia pelo mundo por meio da
Rússia. Tendo em vista as comemorações do próximo dia 13 de maio, data de sua
primeira aparição aos pastorezinhos, vêm-me ao espírito algumas considerações
que desejo compartilhar com os leitores.
Por que, apesar de dotado de inteligência e de vontade —
portanto um ser livre — tem o homem tão coarctada e perseguida em nossos dias
sua liberdade para fazer o bem? Ele vem há séculos perdendo paulatinamente seus
direitos fundamentais, como o de praticar a verdadeira fé, constituir e cuidar
de sua família, ter a sua propriedade.
Isso vem ocorrendo à maneira de um bolo colocado sobre uma
mesa. Na medida em que as pessoas vão passando, cada qual tira um pequeno
pedaço, e em pouco tempo o bolo desaparece… O mesmo se passa com os valores da
alma, recebidos dos nossos maiores, que formavam o arcabouço de toda uma
civilização fundamentada nos evangelhos.
Como demonstra Monsenhor Delassus em seu imperdível
livro A conjuração anticristã, existe um verdadeiro conluio
para negar o pecado e a Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele faz com que
o homem vá perdendo espaço no panorama da civilização cristã e resvalando para
uma vida tribal diametralmente oposta àquela plasmada pelos nossos incansáveis
pregadores que evangelizaram o Ocidente.
A alma brasileira, indelevelmente marcada pelos ensinamentos
do Evangelho, vem sendo desconstruída pelos revolucionários de ontem e de hoje
nos seus valores cristãos, como o casamento, a criação dos filhos, a ideia de
Deus e da religião, a noção do bem e do mal, a perda das noções fundamentais de
justiça, a desarmonia institucional, entre outros.
De onde o constante apelo dos partidos de esquerda e do
Judiciário no sentido de implantar ideologias nefastas, como o aborto, o
incesto, a identidade de gênero, a poligamia, a adoção de filhos por parceiros
homossexuais — como se tratasse de um casal normal —, o direito de herança, a
eutanásia, entre outros crimes. Numa palavra, levando os homens para um
despenhadeiro rumo ao caos, como já ocorre na Venezuela e na Argentina.
Em seu processo de apodrecimento generalizado da sociedade,
a Revolução gnóstica e igualitária vem aos poucos eliminando, envenenando e
matando, aqui, lá e acolá, com uma força de expansão própria à dos gases, esses
valores morais que a civilização cristã recebeu da Igreja e nos transmitiu,
tentando eliminar assim a própria ligação do homem com Deus. É a crise
religiosa instalada nos quatro cantos da Terra.
Em decorrência do que se propaga sobre o vírus chinês do
Cavid-19, parece que o mundo não voltará mais à normalidade anterior. Se Deus
não intervier, será o advento de um estado de coisas em que não haverá mais
para os homens liberdade de ir e vir, de gerir seus negócios e sua vida como
melhor lhes aprouver, nem de praticar a religião, especialmente a única
verdadeira — a católica —, numa satânica tentativa de conduzi-los ao desespero
e ao ódio a Deus.
Aqueles que reagem a esta avalanche são tachados
arbitrariamente com epítetos de negacionistas, antidemocráticos,
obscurantistas, contrários à ciência, todas elas palavras-talismãs
cuidadosamente estudadas em laboratórios e utilizadas ad nauseam pela
grande mídia para causar o maior estrago possível nas hostes conservadoras.
Em suma, toda esta urdidura visa atacar no homem naquilo que
lhe é natural — um ser racional e livre criado à imagem e semelhança de Deus —,
para criar um homem novo à imagem e semelhança do demônio. Em seu frenesi
desarticulador, tal é o objetivo final da fúria revolucionária.
O ponto central da mensagem de Fátima trata dos erros da
Rússia que se espalhariam pelo mundo para perder as almas. Urge atender aos
apelos de Nossa Senhora, rezar e fazer penitência, recitar diariamente o terço,
fazer a comunhão reparadora dos cinco primeiros sábados, e, sobretudo, mudar de
vida e de comportamento diante dos descalabros das modas imorais.
Lutemos e procuremos fazer a nossa parte. Deus, por meio de
sua Mãe Santíssima, nos dará a vitória!
____________
*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria –
Cardoso Moreira (RJ).
Com o relativismo de nossos dias, as diferenças entre o bem
e o mal e a verdade e o erro se diluem cada a vez mais. Há uma crescente
tolerância, ou pelo menos grande indiferença diante de coisas que antes nos
causavam aversão, como a homossexualidade, o amor livre, e mesmo o comunismo.
Por isso é salutar de vez em quando repisar fatos que nos
mostram a maldade que há nisso, e a ofensa que faz a Deus, clamando por
punição. Hoje, restrinjo-me ao comunismo, pois se está habituando a vê-lo
apenas como uma forma diferente de regime político em vigor na China, Coréia do
Norte, Cuba, Venezuela.
Pouca importância se tem dado ao fato de que essa doutrina
ateia, igualitária e antinatural perseguiu e continua a perseguir a Igreja
Católica e o que resta de civilização cristã, com todas as suas consequências.
Dou um exemplo: a perseguição feroz e verdadeiramente
animalesca que sofreu um seminarista no também comunista Vietnã, por ser fiel à
sua fé. Trata-se do Pe. Rafael Nguyen [foto], 68 anos, atual vigário na Diocese
de Orange, na Califórnia, como narrado pelo National Catholic Register[i].
* * *
O Vietnã foi colonizado pelos franceses em meados do século
XIX. Depois da guerra da Indochina, em 1954, o país foi dividido em dois: o
Vietnã do Norte, comunista, e o do Sul, mas não houve paz. Veio a guerra do
Vietnã que terminou com a vitória comunista em 1975, e a unificação do país sob
o comunismo com o nome de República Socialista do Vietnã, que perdura até
nossos dias.
O cristianismo fora introduzido na região nos séculos XVI e
XVII por comerciantes portugueses e holandeses. Quando chegaram os franceses,
já havia algumas pequenas comunidades católicas na península. A partir de
então, elas tiveram novo florescimento, de maneira que hoje, apesar do
comunismo, 8% da população — seis milhões de habitantes —, professa a
verdadeira religião.
Rafael Nguyen pertencia a essa minoria católica vietnamita,
tendo nascido no Vietnã do Norte em 1952. A vida para sua família tornou-se
muito difícil quando o comunismo dominou o país, pois os católicos eram
perseguidos sem piedade. Ele se lembra ainda de que muitos anticomunistas à
época eram enterrados até o pescoço, e depois decapitados por máquinas
agrícolas que passavam por cima.
Para poder praticar livremente a religião, a família fugiu
para o Vietnã do Sul quando Rafael era ainda pequeno. Embora lá houvesse
liberdade, havia motivos de preocupação devido a guerra entre o norte e o sul.
Aos sete anos, Rafael andava longa distância para acolitar a Missa. Isso
despertou nele o desejo de se tornar sacerdote, pelo que, em 1963, aos 11 anos,
entrou para o seminário menor. Aos 19 anos, prosseguiu ele os seus estudos no
Seminário Maior de Saigon.
Com as contínuas investidas dos comunistas do norte, a
situação de guerra se agravava. Explosões se sucediam por toda parte, fazendo
com que o seminarista, que dava aulas de catecismo para crianças, tivesse que
fazer com que elas se refugiassem embaixo das mesas quando o bombardeamento se
avizinhava.
Em 1975 os americanos abandonaram o país, e os comunistas
tomaram Saigon, último bastião de resistência, pondo fim à Guerra do Vietnã, e
todo o país se tornou comunista. Os seminaristas tiveram de acelerar os estudos
visando uma ordenação sacerdotal mais rápida. Rafael completou os três anos de
teologia e de filosofia em apenas um, iniciando um estágio de dois anos
preparatórios à ordenação.
Entretanto, os comunistas começaram a fazer um controle
muito mais rígido sobre a Igreja, não permitindo que os seminaristas fossem
ordenados. Na perseguição que se seguiu, Rafael foi preso em 1981 sob a alegação
de que ensinava ilegalmente religião às crianças. Durante pouco mais de um ano
ele esteve num campo de concentração na selva vietnamita, condenado a trabalhos
forçados.
Quando não conseguia concluir a tarefa designada para o dia
ou por alguma suposta “infração às regras”, era severamente espancado, além de
lhe tirarem a comida. Narra ele que às vezes era obrigado a trabalhar em pé
dentro de um pântano, com água até o peito, e onde as árvores densas bloqueavam
a luz do sol.
Cobras, sanguessugas e javalis eram um perigo constante para
ele e os outros prisioneiros. Entre eles havia dois sacerdotes que celebravam a
missa em segredo, e ouviam confissões. Rafael ajudava a distribuir a Sagrada
Comunhão aos prisioneiros católicos, ocultando as hóstias sagradas em maços de
cigarro.
Libertado em 1986, ele resolveu fugir de seu país prisão.
Com amigos, conseguiu um pequeno barco, e rumou para a Tailândia. Mas num mar
muito agitado o motor falhou, tendo ele escapado por pouco de um naufrágio, até
que conseguiram voltar para a costa vietnamita, e serem capturados pela polícia
comunista.
O fugitivo foi novamente preso, e ficou na prisão por 14
meses. Lá ele foi submetido a uma nova tortura — choques elétricos. A dor era
tão terrível que o fazia desmaiar. Ao voltar a si, por alguns minutos ficava
sem saber quem era e onde estava. Apesar dos tormentos, o futuro padre Rafael
descreve o seu tempo na prisão como “muito precioso”, pois
rezava “o tempo todo, o que lhe ajudava confirmar a sua vocação”.
Quando foi liberto em 1987, fez nova tentativa de fuga
visando chegar à Tailândia. O pequeno barco carregava 33 pessoas, incluindo
crianças. Eles partiram e ao longo do caminho encontraram um novo perigo —
piratas tailandeses que roubavam os pobres refugiados, às vezes matando
os homens, e estuprando as mulheres.
Se o barco conseguisse chegar à costa tailandesa, seus
ocupantes receberiam proteção da polícia; mas no mar eles estavam à mercê dos
piratas. Duas vezes o padre Raphael e seus companheiros encontraram os piratas.
Eles apagaram as luzes do barco e fugiram deles. Essa tática afastava os
atacantes, e o pequeno barco fez um percurso bem-sucedido.
Na Tailândia os fugitivos foram transferidos para um campo
de refugiados, onde Rafael viveu quase dois anos esperando aprovação do pedido
de asilo feito a diferentes países. Ali, eles tinham pouca comida, os
alojamentos apertados e foram proibidos de deixar o lugar. “As condições
eram terríveis”, comentou o padre Rafael. “A frustração e a miséria
pioraram tanto que algumas pessoas ficaram desesperadas. Houve cerca de 10
suicídios durante meu tempo lá”.
Rafael fazia o que podia para elevar os ânimos, organizando
reuniões regulares de oração, e solicitando alimentos para os mais
necessitados. Em 1989, ele foi transferido para um campo de refugiados nas
Filipinas, onde as condições melhoraram. Seis meses depois, pôde ir para os
Estados Unidos.
Em Santa Ana, na Califórnia, depois de tantas vicissitudes e
à sua idade, ficou incerto sobre o que fazer. Estudou ciência da computação em
uma faculdade comunitária. Resolveu então procurar um sacerdote vietnamita para
orientação espiritual. Ele observa: “Rezei muito para saber o que fazer”.
Sua orações foram atendidas, pois sentiu que Deus ainda o
chamava para o sacerdócio. Procurou o diretor vocacional da diocese, monsenhor
Murray, que comentou: “Fiquei muito impressionado com ele e com sua
perseverança na vocação. Confrontado com as dificuldades que suportou; muitos
outros teriam desistido”.
Mons. Murray observou que outros padres vietnamitas e
seminaristas sofreram um destino semelhante ao do padre Rafael no Vietnã
comunista. Rafael entrou para o seminário São João, em Camarillo, em 1991.
Embora soubesse um pouco de latim, grego e francês, aprender inglês foi uma
luta para ele. Finalmente, em 1996, foi ordenado aos 44 anos.
O Pe. Rafael comenta que demorou para se ajustar ao choque
cultural com a mudança para os EUA. Aí ele goza de liberdade, mas sente falta
da cultura tradicional vietnamita, que mostra maior respeito pelos anciãos e
pelo clero. Aliás, os vietnamitas mais velhos se preocupavam com a moral frouxa
e o mercantilismo americano, e seus efeitos funestos sobre seus filhos.
Ele acredita que a forte estrutura familiar vietnamita e o
respeito pelo sacerdócio e pela autoridade conduziram um número enorme de
padres vietnamitas. Para o Pe. Rafael — sangue de mártires é semente de
cristãos — a perseguição comunista no Vietnã levou a uma fé mais robusta
entre os católicos vietnamitas. Pe. Rafael tem alegria em servir como sacerdote: “É
incrível que, depois de tanto tempo, Deus me escolheu para ser um sacerdote
para servi-Lo e ao próximo, especialmente àqueles que sofrem”.