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terça-feira, 14 de junho de 2022

A HIDRA ERA ALIMENTADA E CRESCIA NOS ANTROS COMUNISTAS

 


Paulo Roberto Campos


Quando em 1989 foi derrubado o Muro de Berlim (a “cortina de ferro”) e, no ano seguinte, desmoronou o regime comunista com o estrondoso fracasso da URSS, muitos incautos diziam de boca cheia: “o comunismo morreu”…

O maior líder anticomunista do século XX, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, foi o paladino da tese contrária, ou seja, ele afirmava categoricamente que o comunismo não tinha morrido, mas se metamorfoseado; fez uma “plástica” em sua carranca para melhor iludir os babaquaras. Tal “plástica” foi feita sobretudo com duas políticas “cosméticas” do velhaco comunista Michail Gorbachev: em 1985 com a Glasnost (transparência), e em 1986 com a Perestroika (reestruturação).

A respeito desta importante temática, recomendo leitura do histórico manifesto do Prof. Plinio, publicado em 1989 em vários jornais, intitulado “Morreu o comunismo? E o anticomunismo também?”.

O próprio Gorbachev confessou: “O comunismo pode voltar à vida. É como o mito grego da Hidra, cujas cabeças cresciam de novo, após terem sido cortadas” (“Folha de S. Paulo”, 9-3-1992).

Gorbachev nos antros comunistas tomou conhecimento do plano punitista; sabia que a Hidra estava sendo criada e bem alimentada… Hoje quem teria a petulância de dizer que o comunismo está morto? Sobretudo com a atual situação da Rússia, com a hidra Putin no poder, seria um disparate monumental.

Dentro dessa temática, seguem algumas frases sobre o comunismo que vale a pena memorizar.


 “Hoje, fala-se em cortesia francesa, pontualidade britânica, cavalheirismo espanhol etc. Dia virá em que se falará também em cinismo soviético. Cinismo pasmoso, na verdade, que só teve um ‘símile’ no mundo: o cinismo nazista”.

(Plinio Corrêa de Oliveira)

“No capitalismo temos a distribuição desigual das riquezas; no socialismo, a distribuição por igual das misérias”.

(Churchill)

 “O comunismo não é uma doutrina porque é uma antidoutrina, ou uma contradoutrina. Tudo quanto o homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é de civilização e de cultura —, tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem”.

 (Fernando Pessoa)

 “Os comunistas sempre souberam chacoalhar as árvores para apanhar no chão os frutos. O que não sabem é plantá-las”.

(Roberto Campos)

 “É fácil ser comunista em um país livre. O difícil é ser livre em um país comunista”.

(Agustin Etchebarne)


https://www.abim.inf.br/a-hidra-era-alimentada-e-crescia-nos-antros-comunistas/

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

UM PAÍS SEM PRÊMIOS NOBEL - Péricles Capanema

Prêmio cobiçado por todos. O Prêmio Nobel, sabe-se, excetuado o Prêmio Nobel da Paz, é o mais prestigioso galardão de excelência intelectual do mundo. Vem sendo concedido desde 1901, cerca de mil pessoas já o receberam, além de perto de trinta organizações. Instituído por Alfred Nobel (1833-1896) [foto ao lado], químico milionário, que doou 94% de sua fortuna para financiá-lo, premia nas áreas de Química, Física, Fisiologia ou Medicina, Literatura. O Prêmio Nobel da Paz, já disse, tem motivação diferente. Desde 1968 existe o chamado Prêmio Nobel de Economia, pago pelo Banco da Suécia, de mesma inspiração, grandes contribuições na esfera da Economia. Os Estados Unidos têm cerca de 400 premiados, Alemanha e Inglaterra caminham para 150 cada uma, a França passou dos setenta. Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, México, Peru, Venezuela, na América Latina, têm nacionais galardoados. Entre os premiados estão Henry Kissinger, Obama, Einstein, Hemingway, Madame Curie (ganhou duas vezes, uma na Física, outra na Química).

Prêmio inacessível a brasileiros? Brasileiro nunca ganhou. É normal? Será, ninguém entre nós até agora mereceu a premiação, explicação simples assim. Falou-se, muitos se lembrarão, durante poucos anos, em Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade para o Nobel de Literatura. Ficou no falatório. De outro lado, parece anormal, choca, durante mais de cem anos jamais um brasileiro em nenhum dos seis ramos ter obtido tal láurea. Entristece; tanta gente já recebeu, nenhum de nós; de certa maneira, dá até um pouco de vergonha. O que há?

A busca de razões. Naturalmente o espírito é empurrado a pensar nas razões. Por que nunca? Pretendo agora levantar uma delas, a questão inteira é bem mais ampla, não cabe num artigo, faltam sobretudo entre nós ambientes culturais que prestigiem (e sancionem moralmente) determinados estilos de vida, que marcam família e círculos sociais. De um aspecto importante, porém, seria factível tratar. Georges Dumas (1866-1946) [foto ao lado] , médico, filósofo e psicólogo, foi dos intelectuais franceses de destaque no século XX. Conheceu bem o Brasil, chegou a ser chamado de “embaixador cultural”, tal sua ação no País. Em 1935, no Rio de Janeiro, teve longas conversas com Gustavo Capanema, então ministro da Educação, sobre razões do problema acima mencionado — falta de excelência na produção intelectual. O ministro pediu-lhe uma carta em que descrevesse suas opiniões a respeito, era uma forma de perenizá-las, deixá-las registradas para o futuro. Foi o que fez Dumas, a bordo do transatlântico Campana, missiva de 1º de setembro de 1935.

Inteligências brilhantes, mas relativamente pouco produtivas. De plano constata ele a contradição “entre o valor intelectual de tantos brasileiros e a relativa rareza de produção intelectual. Todos os professores franceses que vêm ao Brasil se impressionam com a cultura e a inteligência dos ouvintes e estudantes que conhecem mais de perto, mas também se espantam pelo fato de que de tanta inteligência e tanta cultura se originem tão poucas obras que contêm na produção mundial. A contradição é menos pronunciada nas ciências”. O pensador francês discorre sobre o que, segundo ele, explicaria a pobreza brasileira na produção intelectual: “Não haver no Brasil organismos encarregados de ensinar à juventude as disciplinas gerais de pesquisa e de trabalho na esfera científica e, mais ainda, na esfera filosófica, histórica e literária”. Registra a mais outra lacuna, o Brasil tem muitos autodidatas, mas pouca gente formada nos métodos de pesquisa e de crítica, condição essencial para a grande produção intelectual. Breve, faltam os instrumentos básicos, formação sistemática de pesquisa e crítica, em especial nas disciplinas de conhecimentos gerais, filosofia, história, literatura. O pessoal borboleteia demais.

A veleidade atrapalha. Georges Dumas aponta defeito que impede produção intelectual séria: veleidade. A juventude que conheceu, “rica de dons intelectuais e cheia de cultura”, procura mais gozo intelectual que formação do espírito: “A questão é saber se ela continuará a se comprazer com o gozo intelectual para a qual a levam naturalmente seus gostos ou se ela buscará associar a este prazer intelectual a preocupação constante de fazer a cultura servir à formação do espírito”. Enfim, deixar de lado exibições fátuas, exibicionismos, fruição injustificada, e se concentrar na procura da verdade e na formação (desenvolvimento) da personalidade.

Redação correta é fundamental. Como conclusão de suas observações Georges Dumas enfatiza um ponto de alicerce, a necessidade de exercícios de boa redação, pelo menos, digo, simplicidade, clareza, coerência, sequência lógica: “O senhor me disse, em uma de nossas conversas, que não se trata somente de ler bons autores, mas a grande questão era saber como escrever, como tornar-se um autor, por si mesmo, grande ou pequeno, eu penso da mesma maneira”. Enfim, que seja uma redação autêntica, que tenha como uma das bases o conhecimento de bons autores. O que mais para ser autor, grande ou pequeno, “por si mesmo”, água que nasce da fonte? Daquele mato (da carta) não sairá coelho. Ele não trata da questão.

Paciência, observação plácida e reflexão própria. O coelho vai sair, mas de outro mato. Amigo meu de décadas, grande pesquisador e colecionador de textos de valor, enviou-me comentários (maio de 1970) do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995) [foto ao lado] sobre uma característica da vida intelectual saudável, presente com frequência no Brasil. Dr. Plinio a compara com o modo de trabalhar de grandes pintores, que vão completando vários quadros ao longo de anos. Um dia completam uma flor em um; no outro dia será um gesto, inspirado pelo que viu na rua, em outro. E assim vai, nada mecânico, certo ar aparentemente desordenado, dependendo de maturação interior. Em suma, amadurecimento paciente, fruto de observação e reflexões, ao longo de anos. No terreno da formação intelectual, um campo, por analogia, vai fornecendo ao outro, material que ajuda o trabalho de aperfeiçoamento. “Se bem que eu aprecie os estudos centrados, aprecio muito essas divagações colaterais em que outros universos entram e enriquecem de sua seiva o estudo que a gente está tocando. Porque é a partir disso — que é um pouco fatigante — que está a capacidade de relacionar, que é muito importante. É um ponto forte do povo brasileiro, tem uma capacidade de relacionar que é simplesmente prodigiosa. Tem seu paralelo na capacidade de intuir”.

Um tecido de vários fios intelectuais. O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira conclui seu comentário, favorecedor da vida intelectual autêntica, água que sai da própria nascente: “O indivíduo tem vários fios intelectuais, com eles é capaz de tecer sua vida intelectual, relacionada com o mais profundo de sua personalidade. É assim que eu concebo a vida intelectual”.

Somatória benéfica. De um lado, sistema. Favorece o aproveitamento das potencialidades e do esforço. De outro, utilização de uma antena que multiplica talentos: a capacidade de relacionar vários universos. É caminho que evita desvios, desenvolve dons, torna-os aproveitáveis para todos, pode levar longe. No estuário do processo, produções intelectuais excelentes. Trilhá-lo, como fenômeno social, minha modesta opinião, vale mais que empilhar Prêmios Nobel. A origem do artigo é simples: enquanto lia, agradecido, o material enviado pelo meu amigo, ocorreu-me compartilhá-lo com pessoas a quem ele poderia interessar, meus eventuais leitores. Espero que lhes seja útil. Acabou.

https://www.abim.inf.br/um-pais-sem-premios-nobel/

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

RETUMBANTE CONVERSÃO DE UM JUDEU – Plinio Corrêa de Oliveira

 


REPRESENTAÇÃO DA APARIÇÃO DE

NOSSA SENHORA A ALPHONSE

RATISBONNE

No dia 20 de janeiro de 1842, há exatamente 180 anos, o judeu Alphonse Ratisbonne se converteu milagrosamente ao catolicismo, por intervenção direta de Nossa Senhora

Plinio Corrêa de Oliveira

De família muito rica de banqueiros de Estrasburgo (Alemanha), o jovem judeu Alphonse Tobias Ratisbonne (1814-1884) percorria vários países. Após uma viagem ao Oriente, em 1842 passou uma temporada em Roma, onde se encontrou com um antigo colega, Gustavo de Bussières, de religião protestante. Na residência deste, conheceu seu irmão, o Barão Teodoro de Bussières, que havia se convertido ao catolicismo.

Naqueles dias falecera em Roma um grande amigo do Barão, o Conde de La Ferronays (1777-1842), ex-embaixador da França junto à Santa Sé.

Assim, Bussières convidou Ratisbonne para acompanhá-lo à igreja de Sant’Andrea delle Fratte a fim de tratar de uma cerimônia fúnebre pelo falecido. Concordou de mau grado, pois o judeu detestava a religião católica, mas como turista iria para apreciar as obras de arte daquela igreja romana.

Após tratar do assunto da cerimônia, o Barão de Bussières voltou para o centro da igreja e se deparou com uma grande surpresa: Ratisbonne ajoelhado em frente ao altar lateral de São Miguel Arcanjo! O judeu rezando fervorosamente, extasiado, maravilhado.

Banhado em lágrimas, disse ao amigo que tinha visto Nossa Senhora numa aparição sobre o altar. Pela descrição que fez, tratava-se de Nossa Senhora das Graças, como aparece na Medalha Milagrosa [foto ao lado].

Ratisbonne achava-se completamente mudado, estava convertido, e queria mudar de vida. Ele se fez batizar. Alguns até consideram que ele tenha morrido em odor de santidade.

Naquele altar da aparição foi introduzido um quadro que representa Nossa Senhora segundo as descrições de Ratisbonne. Ela é chamada de Madonna del Miracolo (Nossa Senhora do Milagre).

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio

Corrêa de Oliveira em 20 de janeiro de 1973. Esta

 transcrição não passou pela revisão do autor. Fonte:

Revista Catolicismo, Nº 853, Janeiro/2022.

https://www.abim.inf.br/retumbante-conversao-de-um-judeu/

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

ONTEM, HÁ TANTO TEMPO – Plinio Corrêa de Oliveira



Plinio Corrêa de Oliveira

Todos estarão com as vistas voltadas para as festas de fim de ano. E assim virão os clássicos e inevitáveis retrospectos para o balanço de quanto ficou para trás.

Poder-se-á dizer que, para o mundo, este ano [1980] constituiu propriamente uma caminhada? Parece-me — pelo ocorrido até aqui — que foi antes uma imensa resvalada, ao longo da qual, de trambolhão em trambolhão, tudo inesperadamente pareceu cair várias vezes, de cada vez tudo (ou quase…) se reergueu também inesperadamente, de tal maneira que, por fim, nada está irreparavelmente quebrado, mas tudo traumatizado.

Falo do Brasil. Falo do Mundo. Falo, por exemplo, de ti, meu leitor. De ti, sim. Pois o fenômeno que tento descrever em escala mundial parece-me repetir-se em escala individual.

Quando vejo pessoas pela rua, quando observo nos jornais fotografias, de grupos como de multidões, tenho a impressão de que incontáveis são hoje os entes humanos sujeitos, em sua vida diária, a esta estranha cadência do acontecer. Talvez isso explique um não menos estranho comportamento de nossa memória em função do passado.

Dir-se-ia que, quando o presente é lento, o passado parece sobreviver agradavelmente em cada instante novo que vem chegando.

Quão diferente é nas fases em que o tempo corre, sacudido por trambolhões. Cada susto atrai tão inteiramente a atenção para o presente, com tal veemência transporta o espírito nas asas negras da apreensão, rumo a um futuro hostil, que o passado desaparece da memória. E, quando volta, está tão desbotado, tão lacerado, que por vezes toma o aspecto de um maço informe de farrapos.

Em virtude dessa debilitação da memória, o que se passou de manhã pode parecer-nos já à noite tão longínquo, tão remoto… O presente e o futuro de tal maneira absorvem a atenção que o dia de ontem, meio sumido da memória, parece relegado há um ano.

O que assim se observa na escala de um dia pode-se dizer de um mês ou até de um ano. Quando este ano der sua última badalada, e em sua derrapada final abismar no passado, várias das emoções que viveste intensamente, leitor, te parecerão já tão distantes, tão distantes!…

A ti, à tua pessoa. A ti, sim, que não posso ver senão como uma das milhões de gotas constitutivas desse maremagno que é a opinião pública. Quantas vezes esta última foi solicitada pelos meios de comunicação social, para vibrar intensamente em função de algum tema do momento! Quanta atualidade tiveram esses temas! E, entretanto, quão longínqua é a ressonância deles neste findar do ano!

Por assim dizer, passou-se tudo isto ontem. Há tanto tempo!

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Excertos do artigo “Ontem, há tanto tempo” de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado na “Folha de S. Paulo” em 25-10-1980.

 

https://www.abim.inf.br/ontem-ha-tanto-tempo/

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sexta-feira, 26 de novembro de 2021

NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS - Plinio Corrêa de Oliveira

Foto: José Roberto Dias Tavares

Medalha Milagrosa de Nossa Senhora das Graças — cuja festividade celebra-se no dia 27 de novembro — é imagem-símbolo da luta e da vitória contra o poder das trevas

Plinio Corrêa de Oliveira

 

Gosto muito dessa imagem de Nossa Senhora das Graças. Aos pés d’Ela uma serpente, símbolo do demônio, tem sua cabeça esmagada pelos pés celestiais. Ela, pisando naquela imunda serpente, não se suja — o que é símbolo da Imaculada Conceição.

Mas é também símbolo da derrota do demônio pelos devotos da pureza de Nossa Senhora, daqueles que reagem contra a ação do demônio, daqueles que não permitem a menor influência diabólica em suas almas.

O demônio é esmagado e inutilizado sob os pés da Virgem das virgens — outro símbolo da luta e da vitória da Igreja contra o poder das trevas.

Inspirados pelo amor ardente e puríssimo a Nossa Senhora e, por meio d’Ela, a Nosso Senhor Jesus Cristo, calcamos o demônio como nesta imagem de Nossa Senhora das Graças, que esmaga o demônio e olha para seus fiéis com uma doçura sem par. E, enquanto olha para seus filhos, Ela esmaga a hidra infernal. É a imagem-símbolo da luta dos filhos de Maria Santíssima vencendo o demônio.

Quantas vezes, lendo episódios históricos, se tem a impressão de que há um quebranto que torna impossível a resistência aos ataques da Revolução gnóstica e igualitária. Isso porque não se conhece o poder daqueles que lutam pela Santíssima Virgem, não se conhece o poder da oração e o quanto a oração pode flagelar, exorcizar e enxotar os demônios.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 11 de março de 1995. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

 

https://www.abim.inf.br/nossa-senhora-das-gracas/


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domingo, 3 de outubro de 2021

SÃO FRANCISCO DE ASSIS – Plinio Corrêa de Oliveira


Lógica, calma, firmeza, contemplação, pureza, espírito de cavalaria

Plinio Corrêa de Oliveira

          São Francisco de Assis faleceu no dia 3 de outubro de 1226, portanto séculos depois de São Bento (480-547), de quem era grande admirador e devoto. Certa vez, ele resolveu ir ao mosteiro de Subiaco para venerar São Bento.



Essa pintura de São Francisco de Assis está numa das grutas de Subiaco. Acho uma maravilha! Representa um homem com aproximadamente 30 anos. A cidade de Assis fica no centro da Itália, mas ele, nesta representação, parece mais com o tipo humano do norte do país; sua fisionomia revela algo de germânico, um pouco alourado, olhos claros, bigode e barba um tanto rosados. Sua mão direita toca ligeiramente o braço esquerdo. Notem a força e a lógica nas linhas dessa mão.

A atitude dele é muito serena e calma, mas com muita determinação de vontade. Pela impostação da face notamos sua firmeza, traços distendidos, mas sem nenhuma moleza. Olhar de uma pessoa pensativa, em contemplação. Muita força de vontade de alguém que deseja aquilo que contempla.

Fisionomia de uma pureza impressionante! Um homem casto por excelência, temperante e vigoroso. Compreende-se que ele gostasse de ler para os seus noviços as histórias de Cavalaria. Antes de ser franciscano ele pensou em ser cavaleiro.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 6 de julho de 1985. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.


O mosteiro de Subiaco (Itália), construído a partir do século VI pelo próprio São Bento, é o berço da Ordem Beneditina. Em 1223, São Francisco de Assis o visitou. Esse afresco, de pintor anônimo do séc. XIII, é a representação mais antiga do ‘Poverello de Assis’ e fica na Capela de São Gregório na gruta de Subiaco. Pintado em vida do santo, antes de ele ter recebido os estigmas. Fisionomia bem diferente dos habituais ‘santinhos’ que conhecemos, normalmente distribuídos em igrejas, pintados segundo uma iconografia progressista, em que o santo parece sentimental, adocicado, hesitante e mole. O oposto das grandes virtudes de São Francisco de Assis, considerado uma das maiores glórias da Igreja em todos os tempos.

 

https://www.abim.inf.br/sao-francisco-de-assis-2/ 


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segunda-feira, 9 de agosto de 2021

FIDELCASTRISMO SEM FIDEL CASTRO – Plinio Corrêa de Oliveira

 


A polícia cubana reprime as manifestações contra a ditadura, em Havana no dia 13 de julho último

 

Plinio Corrêa de Oliveira

 

Segundo relatório que a Comissão Especial sobre Cuba apresentou à Associação Interamericana de Imprensa, reunida [em 1969] em Washington, Fidel Castro, premido por insucessos econômicos e diplomáticos de várias ordens, cogitou — para continuar no poder — mudar sua política em relação à América latina, propondo a esta um regime de coexistência pacífica.

Segundo aviso dado pela irmã de Fidel, Juanita Castro, à referida Comissão, o comunismo cubano, apoiado em “manobras de alguns setores norte-americanos e latino-americanos” empenhados em impedir ou pelo menos retardar a libertação do povo cubano do marxismo, pensaria até mesmo, para aliviar a situação, em derrubar o periclitante ditador, substituindo-o por algum outro líder vermelho.

Como é fácil ver, essa mudança propiciaria, fora de Cuba, a impressão de que o comunismo já não é tão feroz na Ilha. Essa impressão, por sua vez, criaria um clima favorável à coexistência. E a coexistência, afrouxando as tensões que estrangulam o comunismo cubano, proporcionaria a este uma sobrevida.

Assim, com Castro ou sem Castro, é para a coexistência, forçosamente velhaca e dolosa, que caminharia a Cuba vermelha.

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(Excertos do artigo de Plinio Corrêa de Oliveira na “Folha de S. Paulo”, em 9-11-1969)

https://www.abim.inf.br/fidelcastrismo-sem-fidel-castro/

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quinta-feira, 22 de julho de 2021

O SACRIFÍCIO INDISPENSÁVEL



Plinio Corrêa de Oliveira

 

Não é dado a qualquer pessoa exercer o duro ofício de pescador de pérolas. As compleições fortes são capazes de resistir à pressão da água e às agressões dos polvos, para descer até o fundo do mar e colher a pérola alvíssima que procuram. Mas os organismos débeis se sentem asfixiados quando se aprofundam um pouco nas águas verdes do oceano, e são forçados a retroceder com as mãos vazias, para respirar a brisa amena e retornar a pressões fracas, longe das quais são incapazes de viver.

Do mesmo modo, certas almas são capazes de se aprofundar nas mais sérias cogitações, onde vão buscar a pérola inestimável da verdade. Outras, porém, se sentem asfixiadas quando as ideias se tornam um pouco mais densas, e retrocedem imediatamente, de mãos vazias, à banalidade estéril, único ambiente que conseguem suportar.

O sacrifício que se requer [de nossa geração] não é o do sangue; a morte não é o perigo supremo que se impõe ao moço de hoje enfrentar, mas a própria vida. Não é mais o tempo de os crentes atestarem a sua fé pelo testemunho sangrento do martírio. O que a Igreja pede aos seus fiéis é o testemunho de uma vida exemplar, o sacrifício generoso de toda a nossa personalidade à grande causa pela qual é mister lutar.


Esse sacrifício é o dos bens temporais; é o sacrifício do tempo que se emprega no apostolado, quando poderia ser utilizado na caça ao dinheiro; é o sacrifício das atitudes que se tomam para salvar as almas, com prejuízo da reputação social, das mais caras relações de família ou de amizade, das mais preciosas simpatias.

Sobretudo esse sacrifício é o da alma, que se purifica pela prática da virtude, que se imola no sofrimento interior, que sobe espontaneamente ao altar das mais dolorosas provas espirituais, com aquela resolução magnânima com que os primeiros cristãos caminhavam para o martírio. O mundo atual foi perdido pelo pecado, e só pela virtude se há de resgatá-lo. Aos olhos de Deus, nada vale a mais útil das obras de apostolado, quando na alma o apóstolo leva aquele mesmo espírito do mundo que procura combater por suas ações.

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(Excertos do artigo de Plinio Corrêa de Oliveira no “O Legionário”, nº 173, 9-6-1935)

https://www.abim.inf.br/o-sacrificio-indispensavel/

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sábado, 3 de julho de 2021

CREIO EM DEUS


Imagem de São Tomé venerada em San

Giovanni di Laterano (Roma). Obra do escultor

francês Pierre Legros (1666 -1719), pertenceu à

escola barroca de escultura [Foto PRC]


O mundo inteiro ficou suspenso ao dedo de São Tomé. Entretanto, muitos em nossos dias veem e não creem. Uma obstinada incredulidade!

 

Neste dia 3 de julho a Santa Igreja celebra o Apóstolo São Tomé. Segundo a tradição, ele pregou o Evangelho na Armênia, na Média, na Pérsia e na Índia, onde foi martirizado. Afirma também que esteve na América, inclusive no Brasil — onde os índios diziam que, antes da chegada dos portugueses, passou por aqui para lhes ensinar a Religião o “Pai Zumé”.

Por seu apostolado e sua morte, confessou a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, da qual duvidara por momentos.

O Apóstolo São Tomé não estava no Cenáculo quando Jesus apareceu aos discípulos. Quando voltou, eles lhe disseram: — Vimos o Mestre! Apareceu aqui e falou conosco.

Tomé sorriu e objetou: — Se eu não vir no seu lado aberto, não acreditarei.

São Tomé não quis crer. Tudo aquilo, em sua opinião, era uma ilusão.

Oito dias depois, os discípulos estavam novamente reunidos no Cenáculo. Tomé achava-se presente. Inesperadamente, envolvido numa luz misteriosa, Jesus apareceu no meio deles, dizendo: — A paz esteja convosco.

Os Apóstolos alegraram-se vendo Jesus. Tomé, pelo contrário, abaixou a cabeça. Jesus aproxima-se dele, dizendo severamente: — Tomé põe o teu dedo nas minhas feridas e coloca a tua mão sobre o meu lado, e não sejas mais incrédulo.

São Tomé, confundido, caiu de joelhos aos pés de Jesus e exclamou, entre lágrimas de comoção: — Senhor meu e meu Deus.

E Jesus erguendo-o disse: — Creste, ó Tomé, porque viste. Bem-aventurados os que não viram e creram.

A respeito desta passagem do Evangelho, Plinio Corrêa de Oliveira comentou em artigo no “O Legionário”, em 25-4-1943:



“Muito se tem falado… e sorrido a respeito da relutância de São Tomé em admitir a Ressurreição. Haverá talvez, nisto, certo exagero. Ou, ao menos, é certo que temos diante dos olhos exemplos de uma incredulidade incomparavelmente mais obstinada do que a do Apóstolo.Com efeito, São Tomé disse que precisaria tocar Nosso Senhor com suas mãos, para n’Ele crer. Mas, vendo-O, creu mesmo antes de O tocar.

Santo Agostinho vê na relutância inicial do Apóstolo uma disposição providencial. Diz o Santo Doutor de Hippona que o mundo inteiro ficou suspenso ao dedo de São Tomé, e que sua grande meticulosidade nos motivos de crer serve de garantia a todas as almas timoratas, em todos os séculos, de que realmente a Ressurreição foi um fato objetivo, e não o produto de imaginações em ebulição. Seja como for, o fato é que São Tomé creu assim que viu. E quantos são, em nossos dias, os que veem e não creem?

Temos um exemplo desta obstinada incredulidade no que diz respeito aos milagres verificados em Lourdes, e também com Teresa Neumann em Ronersreuth, em Fátima. Trata-se de milagres evidentes.

Em Lourdes, há um bureau de constatações médicas, em que só se registram as curas instantâneas de moléstias sem qualquer caráter nervoso, e incapazes de ser curadas por um processo sugestivo; as provas exigidas como autenticidade da moléstia são, em primeiro lugar um exame médico do paciente, feito antes de sua imersão na piscina; em segundo lugar, ainda antes dessa imersão, a apresentação dos documentos médicos referentes ao caso, das radiografias, análises de laboratório etc.

A todo esse processo preliminar podem estar presentes quaisquer médicos de passagem por Lourdes, ficando autorizados a exigir exame pessoal do doente, e das peças radiográficas ou de laboratório que traga consigo; finalmente, verificada a cura, deve esta ser observada pelo mesmo processo por que se verificou a doença, e só é considerada efetivamente miraculosa quando, durante muito tempo, o mal não reaparecer. Aí estão os fatos. Sugestão? Para eliminar qualquer dúvida a este respeito, aponta-se o caso de curas verificadas em crianças sem uso da razão por sua tenríssima idade, e que, por isto, não podem ser sugestionadas. A tudo isto, o que se responde? Quem tem a nobreza de fazer como São Tomé, e, diante da verdade segura, ajoelhar-se e proclamá-la sem rebuços?

Parece que Nosso Senhor multiplica os milagres à medida que cresce a impiedade. O caso de Teresa Neumann, Lourdes, Fátima, o que mais? Quanta gente sabe destes casos? E quem tem a coragem de proceder a um estudo sério, imparcial, seguro, antes de negar esses milagres?”

https://www.abim.inf.br/creio-em-deus/

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domingo, 16 de maio de 2021

O MAR — Uma esplêndida imagem do absoluto

Plinio Corrêa de Oliveira


O que é a verdade absoluta? Seria a verdade óbvia? Não necessariamente. Trata-se de uma verdade tão fundamental, que está na base de todas as verdades. Ela pode ser conhecida pelo espírito humano com tanta clareza, que produz nele uma impressão semelhante à de ter tocado num mar eterno; de ter tocado em algo fixo, perfeito, que nunca o abandonará, nunca o trairá, nunca será diverso, e que satisfaz a mente humana inteiramente. Isto se poderia traduzir pela palavra absoluto. Por quê? Porque exprime com perfeição a própria personalidade.

O mar é uma imagem esplêndida desse absoluto. Ele foi criado com todas as contingências da matéria; mas tão verdadeiro, tão grande, tão completo, que contém em si a imagem de tudo que se pode passar no espírito humano. É abrangente, renova-se continuamente, e mantém sua estabilidade até mesmo durante uma tempestade.

O mar abrange muitos paradoxos aparentes. Por exemplo, quando entramos na Baía de Guanabara encontramos o mar imenso, no entanto limitado por diversas ilhas e enseadas, podendo-se dizer que ali sua imensidade está limitada de mil modos. Vendo aquela grandeza, entretanto nos encantamos com seus movimentos graciosos. Depois, quando entramos para o alto-mar, nos encantamos de outra maneira, com outros aspectos. Ele contém todos os paradoxos em estado de harmonia, contém todos os movimentos em forma de estabilidade.

Poderíamos ficar horas olhando para o mar, sem cessar de nos entretermos com ele. Poderíamos passar a vida inteira contemplando o mar na Baía de São Sebastião, por exemplo — ora andando de um lado para outro, ora num veleiro ou noutra embarcação — e ainda assim considerarmos ter preenchido a nossa vida.

Das imagens de ordem natural, o mar é para mim a que melhor me faz lembrar de Deus. Mesmo um céu muito bonito não lembra tanto o Criador quanto o mar. Diante de todos esses aspectos, eu o considero a imagem mais exata do absoluto.

 

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 24 de maio de 1989. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

https://www.abim.inf.br/o-mar-uma-esplendida-imagem-do-absoluto/

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segunda-feira, 26 de abril de 2021

NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO


No dia 26 de abril a Santa Igreja celebra a festividade de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, cujo miraculoso quadro é venerado, desde 1467, na pequenina e encantadora cidade de Genazzano (Itália), na Basílica do mesmo nome [foto].

Em homenagem à Mãe do Bom Conselho transcrevemos a seguir uma análise da pintura. Trata-se de um comentário feito de improviso pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em 29 de junho de 1974, durante uma conferência para sócios e cooperadores da TFP.



Mãe do Bom Conselho de Genazzano

Bondade, ternura e proteção

Plinio Corrêa de Oliveira

A fisionomia de Nossa Senhora neste quadro está completamente distendida. Não se nota um músculo que esteja contraído. Sua expressão é tão somente a de contentamento por estar com o Menino Jesus nos braços. Só está pensando n´Ele. Não tem outra preocupação. O mundo inteiro não existe para Ela, mas apenas o Menino.

Ela não está olhando propriamente para Ele. Está fixando quem reza diante d´Ela. Mas, percebe-se que o fato de a face da Virgem Santíssima tocar na fronte de Seu filho faz com que Ela experimente certa degustação da presença d´Ele, de alegria daquele contato de corpo, que é sobretudo um contato de alma muito íntimo e que A enche de satisfação.


A bondade, a ternura, a proteção d´Ela para com o Filho fazem-se notar muito na posição do pescoço e da cabeça. O Menino está suspenso n´Ela e A agarra pelo pescoço, a ponta de Sua mão aparece por detrás. E isso explica que Ela esteja com o pescoço ligeiramente inclinado pelo peso d´Ele. A intimidade do Divino Infante para com a Mãe é extraordinária. Ele A agarra como uma pessoa que está habituadíssimo a fazê-lo. E Ela deixa-se agarrar, como quem já foi segura mil vezes. E, até julga agradável de sentir-se curvada diante de um peso tão suave, tão doce e tão deleitável.

O Menino Deus está unido a Sua Mãe como quem não quer tomar conhecimento do mundo exterior. Ele apenas degusta a alegria de estar ligado à Mãe, de sentir-se protegido por Ela e unido à Sua progenitora. Está todo entregue a Ela, como a Mãe está toda dedicada ao Divino Filho.

Essa Criança não está pensando em bola, em doce, não está pensando em nada disso. Seu único pensamento: Mamãe. E no espírito d´Ela há somente uma ideia: “Meu Filho”.

Toda intimidade constitui uma relação fechada entre pessoas, exclui os que dela não participam. O pintor soube — aliás, a meu ver, esse quadro foi pintado por um Anjo —, criar uma impressão curiosa, que é uma intimidade aberta. Tem-se a impressão de que, chegando-se perto da pintura entra-se no circuito dessa intimidade: é-se amado por Ela, caso seja-se amado por Ele; e que se é entendido pelos dois, socorrendo ambos a pessoa que se aproxima deles.

Qualquer um que se aproxime desse quadro pode sentir-se íntimo a ele, pode experimentar o aconchego que a presença da pintura incute no espírito. Seja uma alma reta, seja um pecador, seja até um inimigo: caso se aproxima, degusta tal aconchego.

Nossa Senhora está sorrindo? Olhando para os lábios d´Ela, vê-se que não. Mas, há qualquer coisa de ligeiro sorriso, irradiado por todo o rosto. É um certo comprazimento para com o Filho; mas, de outro lado, também é uma complacência para com o devoto, com o fiel que se achega. Está insinuado no quadro: quem se aproxima, também é irmão do Menino Jesus, é, portanto, filho d´Ela.

Esse quadro poder-se-ia chamar Adoção, porque o devoto que simplesmente se avizinha dele, sente-se filho adotivo, ou até mais que adotivo.



  https://www.abim.inf.br/nossa-senhora-do-bom-conselho-2/


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sexta-feira, 2 de abril de 2021

BOM JESUS, O REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES


Plinio Corrêa de Oliveira

 

Aos pés desta imagem do Bom Jesus — ou seja, do Cristo Flagelado — poder-se-ia colocar o seguinte dístico: “As minhas cogitações não são as vossas cogitações, nem as vossas vias são as minhas vias” (Isaías 55, 8). É o que Jesus bem poderia dizer aos que O flagelavam, mas também a todos que não têm amor a Deus a ponto de desejar sofrer por Ele.

Nota-se na fisionomia de Jesus uma persistência, uma firmeza de propósito dentro da dor, e uma deliberação como a de quem diz que me matem, irei até o fim do meu caminho, porque este é o rumo que escolhi: Haja o que houver, irei até o fim do meu caminho; ainda que sozinho, ainda que abandonado, ainda.

Quando eu passo diante desta imagem, rezo a jaculatória: “Ó Bom Jesus, vítima pelos nossos pecados, tende piedade de nós!”. Ele sofreu a fim de obter para nós a contrição, o arrependimento de nossos pecados. Qualquer um que recorra a Ele é acolhido com bondade, misericórdia, naturalidade. Até Judas Iscariotes, arrependendo-se e pedindo perdão, seria acolhido misericordiosamente com esse olhar do Bom Jesus.

Consideram-se as dores de Nosso Senhor e as lágrimas de Nossa Senhora como um tesouro da Semana Santa. Mas essa consideração, essa atmosfera de Semana Santa, deve manter-se sempre, e não apenas por uma semana. Devemos considerar sempre os padecimentos não só físicos, mas também os padecimentos de alma de Jesus e de Sua Mãe Santíssima.

Esta imagem atroz e sublime, com esse olhar ímpar, apresenta bem os padecimentos do corpo, entretanto mais ainda os da alma. Poderia ser chamado “Santo Cristo do Grande Poder”, ou “Cristo Rei”, ou ainda “Rex Regum et Dominus Dominantium” — Jesus Cristo, Rei dos Reis e Senhor dos Senhores!

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 22 de dezembro de 1983. Esta transcrição não passou pela revisão do autor. [Fotos PRC].

 

https://www.abim.inf.br/bom-jesus-o-rei-dos-reis-e-senhor-dos-senhores/

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segunda-feira, 1 de março de 2021

O CHARME DO ESPÍRITO VENEZIANO – Plinio Corrêa de Oliveira

 1 de março de 2021

Distinção, dignidade e frivolidade do Ancien Régime numa praça de Veneza

Plinio Corrêa de Oliveira

Em minha sala de trabalho tenho um quadro reproduzindo uma pequena praça de Veneza. Ela tem um charme que toca nos sentidos, inclusive por seus defeitos, revelando a ‘alma’ e o espírito veneziano. Esse charme impregna o conjunto da praça, a igreja no fundo, as casas e os personagens ali presentes, cujas atitudes características dão a impressão de estarem saindo de alguma representação teatral.

A igreja, em estilo que parece do século XVII, irradia alguma paz ao conjunto. É quase o contrário do que transparece nas pessoas, entretanto acaba envolvendo-as. Por uma porta aberta da igreja se percebe algo de meditativo e sério, pela presença do Santíssimo Sacramento no sacrário interno, riquíssimo em graças. É o mesmo imponderável de certas igrejas da Itália.

Campo Santa Maria Formosa, em Veneza, 1741 – Michele Marieschi, séc. XVIII. Museu Correr, Veneza

Essa Veneza do século XVIII tem algo que lembra remotamente a dignidade e distinção próprias do Ancien Régime. Nas pessoas transparece também a frivolidade social daquela época. São habituadas a morar em Veneza e conviver com casas de aspecto um tanto tristonho, com tracinhos de palácio. Elas gostam do estilo, que as eleva a um nível mais alto.

Esses vários aspectos, onde se misturam laivos de séculos anteriores com algo do século que viria, influenciam as almas dos que ali estão, ou que moram na praça.

A mistura de todos esses aspectos lembra certos arranjos de sorvetes, quando a groselha e o creme vão se derretendo, alternando dentro do copo suas cores respectivas. Na praça, os seus vários aspectos formam laivos psicológicos — um ice-cream soda indefinido dentro de um copo, que seria aquela pracinha.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 19 de janeiro de 1984. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

https://www.abim.inf.br/o-charme-do-espirito-veneziano/

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

25 DE JANEIRO — dia do Apóstolo das Gentes e da cidade de São Paulo

25 de janeiro de 2021


Pátio do Colégio, centro histórico marco da fundação da cidade de São Paulo.

Em memória dessas duas importantes efemérides segue um trecho escolhido de um discurso do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, publicado em “O Legionário” (21-7-1935).


“Excelentíssimo Senhor Prefeito Municipal [n.r.: Fábio da Silva Prado]

Incumbiu-me a mocidade que aqui se congrega, de homenagear, na pessoa de V. Exa., a gloriosa capital paulista.

Nada de mais grato para nossos corações do que celebrar, na festiva data de hoje, a grandeza e a glória da nossa Pauliceia, tão digna de todas as homenagens, pela sólida catolicidade que a distingue e pelo valor de sua atuação na vida nacional.


Consagrando ao Apóstolo das Gentes a cidade que acabava de fundar, Anchieta implorou e obteve, para a raça que dela brotasse, o idealismo abrasador, a energia inexaurível, a combatividade invencível, a audácia viril e realizadora que Paulo de Tarso soube pôr a serviço da maior das causas, a causa de Cristo e da sua Igreja. […]

Não é apenas no idealismo candente e no vigor da ação, que os filhos desta cidade se têm mostrado dignos do Patrono que lhes deu Anchieta. É também pela universalidade de sua ação.

São Paulo, o Apóstolo das Gentes, não concebia limites para a sua doutrinação. O mundo inteiro era pequeno para a grandeza de seu ardor apostólico.

Assim também a ação vigorosa e fecunda dos paulistanos se destaca pela sua universalidade. Nem a distância dos lugares, nem a dificuldade das comunicações foram diques capazes de conter a ação da gente bandeirante, que se tem derramado em influxos benéficos sobre o Brasil inteiro. E desde as bandeiras até à reconstitucionalização do País, todos os episódios de nossa história têm sido um transbordamento do coração e da energia de São Paulo, para além de nossas fronteiras em benefício de nosso grande Brasil. […]

São Paulo não é grande por ser rica. Mas São Paulo é rica, porque o paulista é grande. Nossa riqueza foi arrancada ao solo virgem de nossa terra depois de uma luta titânica contra a natureza bravia. Nossa capital não se construiu em fértil e luminosa planície, embelezada por todas as graças da natureza. Foi edificada em terreno montanhoso e sob um céu cheio de brumas, em que tudo no ambiente nos lembra, constantemente, a vocação do paulista; porque as brumas nos dizem lutar e o solo acidentado nos brada subir.

Se nosso Estado é próspero e nossa capital é bela, não o devemos nós, portanto, senão à mercê de Deus e à fibra de nossa gente. Porque foram sempre a mercê de Deus e o valor de nossa fibra a maior riqueza com que contamos”.

https://www.abim.inf.br/25-de-janeiro-dia-do-apostolo-das-gentes-e-da-cidade-de-sao-paulo/

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

CONFIANÇA – Plinio Corrêa de Oliveira


Foto: Frederico Viotti

Nossa Senhora superará todos os obstáculos superiores às nossas forças


Plinio Corrêa de Oliveira

 

Neste momento de aflições e de perigos, quando a humanidade inteira geme sob o peso de desditas que se multiplicam a cada momento, crescem nossas necessidades e tornam-se mais prementes as nossas preces. Nestas circunstâncias, mais importante se torna sabermos rezar bem.

Deus quer nossas preces confiantes. Não deseja Ele que nos apresentemos ante seu trono como escravos se aproximando de um temível senhor, com medo, e sim como filhos diante de um Pai infinitamente generoso e bom. Essa confiança é mesmo uma das condições para a eficácia de nossas preces.

Mas como podemos ter confiança, se examinando a nós mesmos sentimos faltar-nos as razões de confiar? E se não temos confiança, como esperarmos ser atendidos?

Assim, por mais miseráveis que sejamos, podemos apresentar a Deus confiantemente nossos pedidos. Se eles forem sempre apoiados por Nossa Senhora, encontrarão um valor inestimável aos olhos de Deus, e certamente nos obterão os favores pedidos.

Convém meditarmos incessantemente sobre esta grande verdade. Como católicos, devemos enfrentar nesta vida as lutas comuns a todos os mortais, e além destas as decorrentes do serviço de Deus.

Embora os horizontes pareçam prestes a verter sobre nós um novo dilúvio, mesmo que diante de nós os caminhos se fechem, os precipícios se abram, e a própria terra se abale debaixo de nossos pés, não percamos a confiança, pois Nossa Senhora superará todos os obstáculos superiores às nossas forças.

Enquanto esta confiança não desertar de nosso coração, a vitória será nossa. De nada valerão os ardis de nossos adversários; caminharemos sobre as áspides e os basiliscos, e calcaremos aos pés os leões e os dragões.

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Excertos de artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira (“Legionário”, 1º de junho de 1941).

https://www.abim.inf.br/confianca/

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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

NOVA FASE DE UMA RESISTÊNCIA QUE NÃO CESSOU, MAS SE REARTICULA E REVIGORA

14 de dezembro de 2020


Fonte: Revista Catolicismo, Nº 840, Dezembro/2020

 

Em 1974, quando a chamada Ostpolitik do Vaticano (política para o Leste, ou seja, em relação aos países comunistas) empreendia uma aproximação diplomática com o mundo comunista, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira [foto acima] percebeu que ela abriria as portas do Ocidente para a entrada e aceitação do regime comunista. No entanto, isso se faria contrariando ensinamentos do Supremo Magistério da Igreja, cujas veementes condenações ao comunismo não deixavam margem à menor dúvida.

A principal consequência da Ostpolitik para os países católicos — cujos regimes eram de modo geral democráticos, liberais, e sobre os quais não pesavam tais condenações — poderia ser a implantação e perpetuação de governos ditatoriais, contrários ao direito de propriedade e à livre iniciativa. Podiam-se prever facilmente os prejuízos morais, econômicos e em muitos outros campos, tanto para os fiéis católicos quanto para os seus próprios países. Isto ficou claro, alguns anos depois, quando a derrocada do comunismo evidenciou a decadência e pobreza generalizadas nos países por ele dominados.

Como a diplomacia deve sempre se orientar por ordens superiores, cabia unicamente ao Papa (Paulo VI, então reinante) tolher o passo a essas tratativas.

De comum acordo com as diretorias das TFPs autônomas então existentes, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira redigiu uma declaração de resistência à Ostpolitik do Vaticano e orientou sua posterior divulgação em todo o mundo livre. Este documento pode ser lido integralmente em nosso site http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0280/P01.html

Não se tratava de ‘palavras ao vento’, destinadas a aplausos vazios e fugazes, mas se transformou na principal bandeira de combate dele juntamente com seus amigos e seguidores. Durante todos os anos que se seguiram a essa publicação, todas as tentativas de avanço internacional do comunismo foram denunciadas e fustigadas meticulosa e constantemente, colaborando assim para sua final derrocada. Era a continuação da resistência, da qual fez parte a denúncia dos efeitos da Ostpolitik vaticana.

Esse enorme esforço publicitário ficou registrado para a História em numerosos documentos, disponíveis em arquivos midiáticos. E não cessou até os nossos dias, em que o processo revolucionário atinge em cheio o campo da moral católica e dos costumes em geral. Quem depara hoje com as mentiras e exageros do ambientalismo; com o aborto dizimando legalmente vidas inocentes; com a propaganda escancarada em favor de pecados contra a natureza — deve entender que estamos diante dos mesmos inimigos da Igreja que a combatem há séculos, podendo-se mesmo falar em milênios.


Algo similar àquela declaração de resistência de 1974 se faz hoje, em relação aos importantes problemas atuais, com a publicação de um manifesto, lançado no dia 28 de outubro último, do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e outras 25 associações coirmãs e autônomas nos cinco continentes.

[Para ler a íntegra dessa declaração do Instituo click aqui: https://ipco.org.br/urgente-apelo-para-resistir-a-traicao-e-ruina-do-ocidente-fina-flor-da-civilizacao-crista/

Em tal documento é enunciada a posição de resistência ante a atitude concessiva de autoridades eclesiásticas em vários assuntos no âmbito da vida pública, das relações sociais, da moral e dos costumes, aos quais os Papas anteriores opuseram sempre a condenação ou censura.

Da redação de Catolicismo

 

https://www.abim.inf.br/nova-fase-de-uma-resistencia-que-nao-cessou-mas-se-rearticula-e-revigora/

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