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sexta-feira, 19 de março de 2021

GRANDEZAS INCOMENSURÁVEIS DE SÃO JOSÉ – Renato Murta de Vasconcelos

 19 de março de 2021


Comentários sobre as excelências peculiares da vocação incomparável do escolhido para esposo de Maria e pai adotivo de Jesus, sua altíssima nobreza e a santidade 

Renato Murta de Vasconcelos

 

O mês de março é dedicado na liturgia católica a São José, o esposo castíssimo de Maria, cuja festa se celebra no dia 19. Os teólogos, em grande número, são unânimes em declará-lo o maior de todos os santos depois da Virgem Santíssima. Na Encíclica Quamquam Pluries (agosto de 1899), Leão XIII o proclamou patrono e defensor da Igreja universal e dos cristãos.

Hoje, no auge do processo de autodemolição da Igreja e descristianização do Ocidente, seu auxílio e sua proteção se tornam cada vez mais necessários. Neste sentido, a devoção a ele é mais atual do que nunca. Dentre suas incontáveis qualidades morais, refulge de modo especial a virtude da pureza, tão odiada pela Revolução gnóstica e igualitária. Insondavelmente puro, São José foi escolhido por Deus para esposo e guardião castíssimo de Maria e pai adotivo de Jesus. Privilégios estupendos, que lhe conferem um lugar único na ordem do universo e na história da salvação.

Jacó gerou José, esposo de Maria



São José, pai adotivo de Jesus
– Miguel Cabrera, séc. XVIII.
 Museu Nacional do Virreinato,
 Tepozotlán (México).

Cornélio a Lapide, o famoso exegeta jesuíta do século XVII, analisando o Evangelho de São Mateus (Mt 1, 16 ss), e apoiado no ensinamento de Padres da Igreja, santos e teólogos, comenta a vocação incomparável de São José.

Pode-se perguntar inicialmente por que a geração de Cristo é apresentada no Evangelho de São Mateus por meio da genealogia de José, tendo em vista que Jesus Cristo não era Filho de José, mas da Virgem Maria. Argumenta-se que Ela poderia casar-se com um homem de outra tribo, como ocorreu com sua prima Isabel, que era da tribo de Judá e se casou com o sacerdote Zacarias, da tribo de Levi.

De fato, as mulheres judias podiam se casar em outra tribo. Mas elas mesmas, na falta de herdeiros do sexo masculino, se tornavam herdeiras de seus pais, e nesse caso eram obrigadas a se casar com homens de sua própria tribo e família, para que sua herança não passasse por casamento para outra tribo (cf. último capítulo de Números, vers. 7). São Joaquim, o pai da Santíssima Virgem, não tinha filhos varões, fato que São Mateus omite por ser algo perfeitamente conhecido na época em que escreveu. Era um dever de Maria, portanto, casar-se com um varão de sua própria tribo e família, ou seja, José. Assim a genealogia de São José se tornou a genealogia da Santíssima Virgem, e consequentemente de Cristo Senhor Nosso. Ademais, os Padres ensinam universalmente que José e Maria eram da mesma tribo e família.

São José, legítimo pai de Jesus Cristo

Ademais, São Mateus apresenta a genealogia de Nosso Senhor Jesus Cristo a partir de José, e não de Maria, em primeiro lugar porque entre os judeus e outros povos a genealogia costuma ser traçada a partir de pais e maridos, não de mães e esposas. Em segundo lugar porque José, legítimo pai de Cristo, que era o herdeiro do trono e do cetro de Davi, não o era por meio de Maria, mas de José, de acordo com a promessa de Deus a David (2 Sam. 7, 12; Ps. 88 e 131).

O cetro de Judá repousou, portanto, sobre Jesus Cristo, não apenas pela promessa e dom de Deus, mas pelo direito de sucessão hereditária. Porque, se por direito comum os filhos sucedem à herança de seus pais, bastando para tal serem considerados seus filhos pela reputação comum, tanto mais era Cristo herdeiro de José, seu pai, visto que era Filho de sua Esposa, pelo poder e obra do Espírito Santo! Portanto, José tinha o direito paterno sobre Cristo. Na verdade, tinha todos os direitos que os pais têm sobre os filhos. Por outro lado, Cristo possuía em relação a José todos os direitos que os filhos têm em relação aos pais. Ele detinha, portanto, o direito ao trono de Israel após a morte de José. Daí a pergunta dos Reis Magos (Mt. 2, 2): “Onde está o Rei dos Judeus, que acaba de nascer?”



São Mateus apresenta a genealogia de Nosso Senhor Jesus Cristo a partir de José, e não de Maria, porque entre os judeus e outros povos a genealogia costuma ser traçada a partir de pais e maridos, não de mães e esposas. [Quadro: Casamento de Nossa Senhora e São José, Igreja de Notre-Dame de Recouvrance (Restabelecimento). Orleans, França. / Foto: Frederico Viotti].

Restaurador do cetro de Judá

Era o que quis demonstrar São Mateus, que, como diz Santo Agostinho, insiste na realeza de Cristo. E isso explica o porquê de ele traçar a genealogia de José, em vez da progênie de Maria. Ela não poderia ser a herdeira do trono enquanto sobrevivessem os herdeiros do sexo masculino, como José e outros. Como consequência, é preciso afirmar também que o pai e outros ancestrais de José eram primogênitos, ou pelo menos os filhos mais velhos sobreviventes de seus pais, de modo que o direito de reinar recaiu sobre eles.

É isso que o primeiro capítulo de São Lucas explicita com as palavras: “E o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai David”. Assim também em Gen. 49, 10: “O cetro não será tirado de Judá, nem o príncipe da sua descendência, até que venha aquele que deve ser enviado”; ​​isto é, Cristo devia restaurar o cetro a Judá, iniquamente tirado por Herodes; e na realidade devia elevar seu reino a uma grandeza muito mais alta, tornando-o espiritual em vez de corporal, celestial em vez de terrestre, e eterno em vez de temporal.

Incomparável dignidade de José e Maria



Imagem de São José
na antiga igreja de São Patrício,
 em Ann Arbor, Michigan (EUA)

É preciso notar a expressão José, marido de Maria. O árabe traduz como o esposo de Maria. Disto podemos deduzir que São José tinha todos os direitos de um verdadeiro esposo em relação à Virgem, por conseguinte é justa e verdadeiramente chamado pai de Cristo, segundo comenta Santo Agostinho.

1. Cristo pode ser considerado fruto do casamento de José e Maria, porque nasceu no casamento, embora não do casamento. A filiação pode ser atribuída, portanto, ao pai e à sua mãe.

2. Visto que o homem e sua mulher se tornam um pelo casamento – ou seja, como se fossem apenas uma pessoa aos olhos da lei – eles têm tudo em comum, e assim todos os seus filhos são legítimos. Assim, Cristo era o Filho da Virgem Mãe de Deus e era também Filho de José, que era esposo de Maria, e portanto o companheiro de todas as suas honras e bênçãos. José era mais verdadeiramente pai de Cristo do que alguém, quando adota um filho, é pai desse filho. Ele era pai de Cristo, não por adoção mas por casamento. Portanto, segue-se que José tinha a autoridade de um pai sobre Cristo, portanto a maior solicitude e afeição por Ele. E Cristo, em troca, amou e honrou José como a um pai, e lhe foi obediente, como está claro em Lucas 2, 51. Como diz Gerson, “Esta sujeição marca ao mesmo tempo a indescritível humildade de Cristo e a incomparável dignidade de José e de Maria”.

3. Cristo pertencia propriamente à família de José, pois pertencia à família de sua mãe, como sua própria mãe pertencia à de José. Nesta família nobilíssima, divina e celestial, o pai e governante era José; a mãe, a Virgem Santíssima; o filho, Cristo. Nesta família estavam as três pessoas mais excelentes de todo o mundo: primeiro Cristo, Deus e homem; em segundo lugar a Virgem Mãe de Deus, mais intimamente unida a Cristo; e em terceiro lugar José, o pai de Cristo pelo casamento.

Altíssima nobreza e santidade do esposo de Maria

Muitos dos sábios deste mundo, e mesmo a maior parte dos homens, pensam em José apenas como um carpinteiro pobre e desprezado. Porém é bom ter em mente que ele era ‘Filho de David’, como vimos, e isso não é dizer pouco. Quanto mais desprezado e desconhecido ele foi na Terra, tanto maior é a sua glória no Céu. O Papa Gregório XV decretou que sua festa fosse celebrada por toda a Igreja no dia 19 de março. Esta é uma honra bem merecida, pois grandes eram suas prerrogativas, seu cargo e sua dignidade acima de todos os outros homens.

1. José foi esposo da Santíssima Virgem e pai de Cristo. Foi, portanto, cabeça e superior tanto da Virgem quanto de Cristo enquanto homem.

2. Como conclusão, havia um amor e uma reverência singulares por parte da Santíssima Virgem e de Cristo para com José. Donde Jean Gerson, Chanceler da Universidade de Paris (Serm. de Nativ. BVM), exclamar: “Ó José, quão maravilhosa é a tua exaltação, quão incomparável a tua dignidade, pois a Mãe de Deus, a Rainha do Céu, a Senhora do mundo, não desdenhou chamar-te de senhor!”. São Gregório Nazianzeno (Orat. 11), para enaltecer a excelência do marido de sua irmã Gorgônia, nada de melhor encontra para isso do que mencionar que ele era seu marido: “Deseja que eu descreva o homem? Ele era seu marido, e não sei o que mais acrescentar”. Pode-se dizer o mesmo de São José: ‘Quer saber quem e quão grande ele foi? Ele era o esposo da Mãe de Deus!’

3. O ministério e o ofício de São José foram muito nobres, no que diz respeito à ordem da união hipostática do Verbo com a nossa carne. Pois exerceu todos os seus labores e ações na proximidade imediata da Pessoa de Cristo. Ele nutriu, educou e protegeu Cristo, e Lhe ensinou sua arte de carpinteiro, segundo a opinião comum dos Doutores. Francisco Suárez diz a este respeito: “Existem alguns ofícios que pertencem diretamente à ordem da graça, e nisto os Apóstolos ocupam a posição mais elevada, portanto precisam de maior assistência da graça do que todos os outros. Existem também outros ofícios que pertencem à ordem da união hipostática, a qual em seu gênero é uma ordem superior, como fica claro na maternidade divina na Santíssima Virgem. Nesta ordem São José exerceu seu ministério” (3ª parte. Quæst. 29, disp. 8, seção 1).

4. José, por sua convivência familiar e constante com Cristo e a Santíssima Virgem, tornou-se participante de seus segredos divinos, e diariamente via e imitava suas virtudes sublimes.

5. José era um varão de altíssima santidade, dotado por Deus de dons singulares, tanto da natureza como da graça; de modo que em sua época não havia homem mais santo ou mais digno de esposar a Mãe de Deus. Donde Suárez apresentar como provável que José fosse superior aos apóstolos e a João Batista em graça e glória, porque seu ofício era mais excelente do que o deles: ser pai e governador de Cristo é mais do que ser pregador e precursor. E acrescenta que ele já estava maduro quando desposou a Santíssima Virgem. Tendo morrido antes da crucifixão, por isso na Paixão de Cristo nenhuma menção lhe é feita. Ele ressuscitou com Cristo, juntamente com outros patriarcas, dos quais é feita menção em Mat. 27, 52: “Ressuscitaram muitos corpos de santos que dormiam”.



Essas excelências peculiares do excelso esposo de Maria são bem expressas nos qualificativos que lhe são atribuídos na bela ladainha aprovada pela Igreja: “São José, ilustre filho de Davi, luz dos patriarcas, Esposo da Mãe de Deus, guarda da Virgem pura, nutrício do Filho de Deus, zeloso defensor de Cristo, chefe da Sagrada Família, justíssimo, castíssimo, prudentíssimo, fortíssimo, obedientíssimo, fidelíssimo, espelho de paciência, amador da pobreza, exemplo dos trabalhadores, honra da vida doméstica, custódio das virgens, amparo das famílias, alívio dos miseráveis, esperança dos enfermos, padroeiro dos moribundos, terror dos demônios, protetor da santa Igreja”.

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Fonte: Revista Catolicismo, Nº 843, Março/2021.

https://www.abim.inf.br/grandezas-incomensuraveis-de-sao-jose/

 

  CatolicismoMatrimônioNobrezaSagrada FamíliaSão José

domingo, 27 de dezembro de 2020

PALAVRA DA SALVAÇÃO (215)



Sagrada Família: Jesus, Maria e José | Domingo, 27/12/2020


Anúncio do Evangelho (Lc 2,22-40)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

 

Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. Conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”. Foram também oferecer o sacrifício — um par de rolas ou dois pombinhos — como está ordenado na Lei do Senhor. Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor.

Movido pelo Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meu olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”.

O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”.

Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.

Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

https://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:


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Vida familiar: entrar em sintonia com os tempos e ritmos de Deus

 


“Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor” (Lc 2,22)

 

É profundamente inspirador que a liturgia cristã uma intimamente estas duas realidades: família e Natal. Nestes dias, todas as pessoas, mesmo que a situação sanitária não permita, tem a instintiva necessidade de agrupar-se, encontrar-se e celebrar. Brota em todos nós uma compaixão solidária para com aqueles que, no tempo natalino, não tem com quem compartilhar. Natal e solidão são conceitos contraditórios.

Naquela noite de Belém, Deus não só se humanizou, mas entrou em uma família humana; “Deus se fez família”. Com sua presença, diviniza a família. E toda família é divina se é verdadeiramente humana.

A família de Nazaré é a escola do Filho do Homem, rodeado de gente comum, com sua paisagem natal, como um entre tantos; sua linguagem, seu modo pessoal, sua conduta, sua fé...

Para Jesus, Nazaré é um tempo de aprendizagem: observar o que acontece ao seu redor: cala, vê, escuta nesta escola. Exercício de preparação diante das urgências do Reino. “Tempo de guardar no coração”. 

Sabemos muito da vida pública de Jesus: nazareno, filho de um carpinteiro, pobre, livre, compassivo, comprometido com a vidar, que fazia milagres e falava com uma autoridade inegável, que anunciava a utopia do Reino, que logo foi crucificado como o pior dos criminosos, e cujos seguidores asseguraram que tinha ressuscitado... Não podemos negar que Ele mudou a história da humanidade.

Mas, antes de tudo isto, houve 30 anos de vida desconhecida, escondida, silenciosa.  

Temos poucos dados sobre grande parte de sua vida no seio de uma família humilde em Nazaré, um povoado que não gozava de boa fama. Assim viveu Jesus, aprendendo a ser humano na escola da família e da comunidade. Se não entendemos que Jesus foi plenamente humano é que não aceitamos a encarnação.

Mas, há algo que podemos trazer à luz daqueles 30 anos “ocultos”: que na lentidão do dia-a-dia, da monotonia e do lar, Deus preparava o caminho. Pouco a pouco, a fogo brando. Em meio à rotina de uma vida simples, Jesus foi fazendo-se perguntas, esperando as respostas, ouvindo o que seu coração lhe dizia e discernindo o que o Pai queria dele. Ano após ano, em um pequeno lugar, detrás de uma vida que nada tinha de diferente das outras vidas. Até que chegou o momento de Deus.

Cozinhar a fogo lento é bem difícil neste mundo de pressas e imediatismos. E hoje, mais do que nunca, se fazem necessários os “tempos de Nazaré”, esses tempos de aparente rotina nos quais se alimentam os sonhos, onde se forjam as vontades, se domam as impaciências, se aclaram os caminhos, se discerne a Voz, se dissipam as névoas do caminho...  Em definitiva, esse tempo onde nosso canto e o de Deus se afinam juntos para formar uma única melodia e fazê-la soar no mundo. 

As grandes histórias são tecidas na trama do cotidiano; os “tempos” de Deus não são os da eficácia, da produção, do ritmo estressante... Também são os tempos do silêncio, da rotina inspirada e da aprendizagem silenciosa. Todo crescimento pessoal demanda previamente tempo, ritmo, reconhecimento e aceitação da própria verdade, sólidos fundamentos sobre os quais podemos construir nossa pessoa.

Jesus desenvolveu sua vida humana como qualquer outro ser humano. Como homem, precisou passar pelo processo do amadurecimento lento, lançando mão de todos os recursos que encontrou em seu próprio interior e ao seu redor. Foi um homem inquieto que passou a vida buscando, procurando descobrir quem ele era em seu ser mais profundo. Sua experiência pessoal o levou a descobrir onde o Espírito do Pai estava fazendo brotar o “novo” da Salvação, e entrou por esse caminho de libertação.

Jesus, no cotidiano familiar, nos revela que Ele é o homem das “grandes sínteses”: entre o particular e o universal, entre o Deus da intimidade e os irmãos da convivialidade, entre os momentos de cuidado de si e as ocasiões de solidariedade, entre sua interioridade e sua abertura a todos sem restrição, entre ação e contemplação...

Jesus mesmo foi este personagem instigante, que fez brilhar a “novidade” de Deus nas vilas e campos da Palestina. Ele nos fala de “sínteses” com o vigor de alguém que é inspirador para todos nós: Ele sintetiza a ternura de um irmão, a lucidez de um profeta e a revolução de um Messias.

Foi no cotidiano familiar que Ele aprendeu, aos poucos, a ampliar seus horizontes, seus interlocutores e o sentido de sua missão. É a vida cotidiana que nos revela que Jesus foi uma pessoa profundamente humana e humanizante, que vivenciou um processo de maturação, de releitura de suas tradições e assimilação do novo, até chegar à proposta original da Boa-Nova.

Ali, no ambiente familiar Jesus se destaca por sua docilidade, discrição, familiaridade, aprendizagem, bondade, sensibilidade, vivência da fé no Deus Providente... que aprendeu de Maria e de José.

Jesus, em Nazaré, continua sendo luminoso e inspirador para todos nós, num momento em que as transformações são rápidas e exigem de nós maturidade, aprendizado, diálogo, novas expressões de fé...

A família de Nazaré evoca o dia-a-dia do nosso seguimento de Jesus, onde os acontecimentos extraordinários são pouquíssimos. Chega um momento em que a vida cristã parece muito rotineira. Nazaré alimenta o seguimento de Jesus no cotidiano e comum da vida. Nazaré é a escola na qual aprendemos a descobrir a presença de Deus na vida “tal como ela é”, no trabalho das pessoas e nos rostos daqueles que estão ao nosso lado. No lugar onde nos cabe viver é onde o Senhor nos ama e nos convida a descobri-Lo.

São muitos os lares que vivem a dor da ruptura e separação. No entanto, a casa familiar continua sendo o lugar entranhável, a referência segura, a possibilidade restauradora.

Lar: lugar da surpresa, do novo, do desafio... onde a interação pais-filhos possibilita o desenvolvimento e amadurecimento natural de todos.

Lar: do “lugar estreito” ao “lugar amplo” onde é possível a expansão de todos.

Regado pelo amor, o lar torna-se espaço aberto ao futuro. 

Mas Nazaré é também um alerta contra a rotina. Cada dia é preciso renovar o seguimento. Por isso Nazaré é o lugar da perseverança, da fidelidade, de dizer cada dia um novo “sim” ao Senhor. No cotidiano há momentos favoráveis e momentos de crise. Mas o cotidiano é a oportunidade para ampliar o olhar para a frente. Nazaré pode ser um lugar de esperança, de onde se pode vislumbrar um futuro melhor.

Nazaré evoca também a comunhão dentro da diversidade. Num pequeno povoado as pessoas são tão diferentes como numa cidade grande, mas a vulnerabilidade delas  nos faz despertar a consciência da necessidade que temos uns dos outros. Numa comunidade pequena os problemas de um afetam os outros. Suas fragilidades se fazem fortes quando se apoiam mutuamente; suas solidões que se unem criam comunhão. Vivamos em nossas famílias a grandeza de sermos plenamente humanos! 

Texto bíblico:  Lc 2,22-40 

Na oração: - descubra o significado profundo da sua vida cotidiana mais simples: trabalhos, relações, família...

O ambiente familiar, quando espaço humanizador, integra a vida cotidiana de Nazaré com os desafios de Jerusalém (família que se alarga, sai de si, se compromete, abre-se às causas humanas...)

- Como é sua família? Vive comprometida buscando uma sociedade melhor e mais humana, ou fechada exclusivamente em seus próprios interesses? Educa para a solidariedade, a paz, a sensibilidade para com os necessitados... ou só ensina a viver para o consumo insaciável, o máximo lucro e o esquecimento dos outros?

- No seu ambiente familiar cuida-se da fé, dos valores do Evangelho... ou se favorece apenas um estilo de vida superficial, sem metas nem ideais...? É espaço instigante, de crescimento, aberto ao novo e diferente... ou ambiente atrofiante, sufocante...?


Pe. Adroaldo Palaoro sj

https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2225-vida-familiar-entrar-em-sintonia-com-os-tempos-e-ritmos-de-deus


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domingo, 29 de dezembro de 2019

PALAVRA SALVAÇÃO (163)


Sagrada Família: Jesus, Maria, José – Domingo, 29/12/2019

Anúncio do Evangelho (Mt 2,13-15.19-23)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”.

José levantou-se de noite, pegou o menino e sua mãe, e partiu para o Egito. Ali ficou até a morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho”.

Quando Herodes morreu, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe, e volta para a terra de Israel; pois aqueles que procuravam matar o menino já estão mortos”.

José levantou-se, pegou o menino e sua mãe, e entrou na terra de Israel. Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judeia, no lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Por isso, depois de receber um aviso em sonho, José retirou-se para a região da Galileia, e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: “Ele será chamado Nazareno”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


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Ligue o vídeo abaixo a acompanhe a reflexão do Pe Cleberson Evangelista:

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A sua família é muito sagrada para Deus


“José levantou-se, pegou o Menino e Sua mãe, e entrou na terra de Israel” (Mateus 2,21).

Neste domingo, celebramos a graça da Sagrada Família, Jesus Maria e José. É preciso dizer que nada é mais sagrado para Deus do que a família, porque Ele é a família divina, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Deus nos deu o Seu Filho para que viesse morar numa família. Jesus poderia ter vindo morar sozinho, ter nascido de forma milagrosa, mas, nos desígnios eternos de Deus, a salvação passa pela família.

Em primeiro lugar, é a família que precisa ser salva para que a humanidade seja salva. Não há como salvarmos a humanidade e a vida, se não salvarmos nossas famílias, se não tomarmos consciência do valor sagrado da nossa família. Deus quis se fazer homem na família para que toda família se torne, n’Ele, sagrada.

A sua família é muito sagrada para Deus, ela é sublime. Nada é mais importante para você do que a sua família. Lute, reze e esteja com a sua família, valorize a sua família acima de qualquer coisa. Nenhum amigo, nenhum trabalho, nenhuma conquista da vida é maior do que a conquista, o resgate e a salvação da família.

A nossa sociedade moderna não promove a família como família, pelo contrário, promove muitos ataques à família. E quem é que pode defender as nossas famílias? Aquele que veio salvá-la: Jesus.

Por isso, no centro de nossas casas e das nossas famílias, Jesus precisa estar em primeiro lugar. Mas se você coloca a situação econômica, os valores materiais, o consumismo, se no centro da sua casa o mais importante é a televisão e os meios de comunicação e tantas outras coisas, a sua família vai diluindo o valor sagrado que ela tem. Se você coloca os seus interesses em primeiro lugar, a sua família vai se dilacerando.

Deus quis se fazer homem na família para que toda família se torne, n’Ele, sagrada.
Eu digo a você, de todo o meu coração: coloque Jesus no centro da sua família e da sua casa, deixe Ele morar na sua família como Ele morou na família de Nazaré, no meio de Maria e de José. Jesus também quer estar na sua casa.

Que a sua casa se reúna em torno de Jesus, que a sua casa se reúna para se entregar a Jesus, que a sua casa se reúna para invocar o nome d’Ele.

Isso tem de começar das nossas próprias refeições. É triste como as famílias se alimentam porque não se alimentam de Deus, da Palavra de Deus, e, quando se reúnem para comer juntos, outras coisas têm mais importância; um vai para a sala ver televisão, o outro não tira o celular da mão e mal se faz uma oração para expressar a comunhão familiar.

Comece a prestar atenção em coisas que parecem simples e insignificantes, mas são tão importantes para resgatar o valor sagrado de uma família.

Quando a sua família se reúne para rezar? Quando vocês expressam a comunhão de Deus na vivência familiar?

Reflitamos, hoje, sobre a importância sagrada que a nossa família tem.

Deus abençoe você!


Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. Contato: padrerogercn@gmail.com – Facebook


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domingo, 30 de dezembro de 2018

PALAVRA DA SALVAÇÃO (111)


Sagrada Família: Jesus, Maria, José – Domingo, 30/12/2019

Anúncio do Evangelho (Lc 2,41-52)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura. Três dias depois, o encontraram no Templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”.
Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?”
Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera.
Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas. E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.
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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Santo Evangelho:

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Deus resgatou a nossa humanidade no seio de uma família 
Deus quis habitar entre nós, resgatar a nossa humanidade perdida no ventre e no seio de uma família

“Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas. E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens” (Lucas 2,51-52).

Hoje, celebramos a Sagrada Família de Nazaré: Jesus, Maria e José. Deus poderia ter escolhido outros caminhos para estar no meio de nós, mas o caminho que salva a humanidade tem um nome, chama-se: família.

Deus, na sua própria natureza é família, a família divina; a Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo é uma família, é o Pai que ama o Filho e do amor do Pai e do Filho brota a força e o poder do Espírito que é derramado sobre toda a humanidade.

Deus criou à nossa imagem e semelhança para que fôssemos família, por isso viemos de uma família e toda a família é sagrada. Deus quis habitar entre nós, resgatar a nossa humanidade perdida no ventre e no seio de uma família.

É preciso acima de tudo e mais do que tudo valorizar, amar, respeitar e cuidar das nossas famílias. Nada mais pode ser sagrado para um pai, para uma mãe e para um filho do que a sua própria família muitas vezes esquecida, deixada de lado ou tratada de qualquer jeito.

Não tem na vida responsabilidade maior do que cuidar da família, transformá-la em um lar sagrado, berço da vida, principalmente da vida nascente, mas é “berço de família” no seu sentido mais amplo e profundo que se deve viver, conviver e brincar, muitas vezes até brigar mas se reconciliar, se perdoar, se amar porque é da família que brota os verdadeiros valores que marcarão para sempre a nossa história.

É na família que aprendemos ou desaprendemos, é na família que se vive a profundidade do amor. Por isso, hoje, no coração de toda a igreja quando se volta a cada dia, mas de modo especial neste domingo volta-se para cuidar e olhar o valor sagrado de cada família.

Não podemos desconsiderar que muitas famílias foram atacadas, dilaceradas, muitas famílias vivem situações difíceis, mas não deixam de ser e ter o seu valor de família.

Cuidemos das famílias que estão caminhando bem, mas cuidemos mais ainda das famílias que enfrentam dificuldades, dramas e situações adversas ao amor divino. Essas famílias não podem ser tratadas como famílias marginalizadas, pelo contrário, elas precisam ser cuidadas como famílias mais amadas, porque ali Jesus quer se fazer também presente.

Que a graça de Deus hoje dê a cada família o valor de se reconhecer como família, de meditar qual é o seu lugar na sociedade enquanto família e que a bênção do Senhor esteja sobre todas as famílias.
Deus abençoe você!
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Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. Contato: padrerogercn@gmail.com – Facebook


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A FESTA DA SAGRADA FAMÍLIA – Dom Ceslau Stanula


Nada estranho que dentro das festas natalinas a Igreja coloca a Sagrada Família. Essa festa não destoa das festas natalinas, porque o Natal é  a festa da Família: O Menino nasce na família e alegra todas as famílias. 

Hoje precisamos de modelos para nos espelhar e encorajar. A Família está de todos lados agredida.

A Sagrada família é para nós o exemplo. Ela está tão simples como a nossa, tão natural como a nossa, tão família-escola das virtudes como a nossa, e tão santuário como a nossa... 

Com orgulho defendamos a nossa família e a todas as verdadeiras famílias.

Parabéns a Família! Parabéns à Família Rainha de todas as pastorais. 

Com a benção e oração pela sua família.

Dom Ceslau.



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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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domingo, 31 de dezembro de 2017

PALAVRA DA SALVAÇÃO (59)

Sagrada Família: Jesus, Maria, José – Domingo 31/12/2017

Anúncio do Evangelho (Lc 2,22-40)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a Lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. Conforme está escrito na Lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”. Foram também oferecer o sacrifício — um par de rolas ou dois pombinhos — como está ordenado na Lei do Senhor.
Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor.
Movido pelo Espírito, Simeão foi ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meu olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”. O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele.
Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma”.
Havia também uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de idade muito avançada; quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o marido. Depois ficara viúva, e agora já estava com oitenta e quatro anos. Não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações. Ana chegou nesse momento e pôs-se a louvar a Deus e a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém.
Depois de cumprirem tudo, conforme a Lei do Senhor, voltaram à Galileia, para Nazaré, sua cidade. O menino crescia e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele.
— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor!
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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:

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FAMÍLIA: PEQUENA IGREJA
          Ao celebrarmos a Sagrada Família, nossa atenção se volta também para nossas famílias. As famílias hoje conhecem muitas dificuldades e desafios, mas também alegrias e esperanças. O papa Francisco nos lembra:

            “Como é importante às famílias caminhar juntos e ter a mesma meta em vista! Sabemos que temos um percurso comum a realizar, onde encontramos dificuldades, mas também momentos de alegria e consolação. Nesta peregrinação, partilhamos também os momentos da oração. Que poderá haver de mais belo, para um pai e uma mãe, do que abençoar os filhos ao início do dia e na sua conclusão? Fazer na sua fronte o sinal da cruz, como no dia do batismo? Não será esta a oração mais simples que os pais fazem pelos seus filhos? Abençoá-los, isto é, confiá-los ao Senhor, como fizeram os pais de Jesus. Como é importante, para a família, encontrar-se também para um breve momento de oração antes de tomar as refeições juntos, a fim de agradecer ao Senhor por estes dons e aprender a partilhar o que se recebeu com quem está mais necessitado (…). O perdão é a essência do amor, ele é fundamental na família. Ai de nós se Deus não nos perdoasse! É no seio da família que as pessoas são educadas para o perdão (…). Não percamos a confiança na família! É bom abrir sempre o coração uns aos outros, sem nada esconder. Onde há amor, também há compreensão e perdão”.

            Rezemos com frequência a bela oração que se encontra no final da exortação apostólica Amoris Laetitia:

“Jesus, Maria e José, em vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor; confiantes, a vós nos consagramos.
Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias em lugares de comunhão e cenáculos de oração, autênticas escolas do evangelho e pequenas igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais haja nas famílias episódios de violência, de fechamento e divisão; e quem tiver sido ferido ou escandalizado seja rapidamente consolado e curado.
Sagrada Família de Nazaré, fazei que todos nos tornemos conscientes do caráter sagrado e inviolável da família, da sua beleza no projeto de Deus.
Jesus, Maria e José, ouvi-nos e acolhei a nossa súplica. Amém”.

Pe. Nilo Luza, ssp


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