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quarta-feira, 20 de março de 2024

 

SALVE SÃO JOSÉ

Por Sione Porto



JOSÉ DE NAZARÉ,

DESCENDENTE DA CASA DE DAVI,

VENERADO COMO PADROEIRO UNIVERSAL,

COMO POR ENCANTO SE APAIXONOU POR MARIA,

MAS, FOI IMPEDIDO POR DEUS, POR UM SENÃO,

NÃO PODIA FAZÊ-LA MULHER,

DEVIDO A UMA CONDIÇÃO,

PODIA ATÉ ESPOSÁ-LA MAS,

SEM COMUNHÃO.

MARIA FORA ESCOLHIDA POR DEUS,

PARA SER MÃE DO ESPÍRITO SANTO JESUS,

DEUS HUMANADO A SER COROADO

COMO REI DOS JUDEUS, O MESSIAS.

MARIA MENINA BELA,

PURA E VIRGEM COMO UMA FLOR,

AOS CATORZE ANOS, LOGO ACEITOU SEM SABER O VALOR,

DE SER A ESCOLHIDA PELO DEUS DE AMOR,

APENAS DISSE AO SER ABENÇOADA

PELO ARCANJO GABRIEL:

HOMEM DE DEUS DAS REVELAÇÕES

“FAÇA-SE EM MIM A TUA PALAVRA”.

COMO SERVA FIEL: AJOELHOU E OROU!

E FOI TOMADO TEU VENTRE PELO ESPÍRITO SANTO.

DE PRONTO GEROU E CRIOU

AQUELE QUE SERIA NOSSO REI, PAI,

SENHOR E SALVADOR

CRISTO JESUS, FILHO DE DEUS!

O CRISTO REDENTOU NASCEU EM BELÉM,

NUMA SIMPLES MANJEDOURA,

NÃO HAVIA VAGA NA HOSPEDARIA,

 

MAS FOI REVERENCIADO PELOS REIS MAGOS DO ORIENTE,

COM O PAI ADOTIVO, JOSÉ DE NZARÉ CRISTO CRESCEU

NA MARCENARIA, APRENDEU O OFÍCIO DE CARPINTEIRO,

ENTRETANTO, TUA MISSÃO SANTA ERA OUTRA,

SER REDENTOR DO MUNDO!

EM TODAS PARTES DA TERRA,

JESUS NASCIDO FEITO HOMEM,

JÁ TINHA HISTÓRIA E PASSADO

EM TEU DESTINO SANTO TRAÇADO.

TERIA QUE MORRER, APÓS SER TRAÍDO

POR JUDAS, APÓSTOLO MUITO ESTIMADO.

ASSIM, NA SEXTA-FEIRA SANTA,

ANTES DE SER CRUCIFICADO, POR NOSSOS PECADOS,

NOS DEUS MARIA COMO MÃE,

RAINHA DOS CÉUS, ESPOSA DE JOSÉ.

NESTA ROMARIA DE 19 DE MARÇO,

CANTEMOS E OREMOS COM FERVOR,

PELO DIA SAGRADO AO SANTO JOSÉ.

PAI ADOTIVO DO CRISTO REDENTOR

SALVADOR DA TERRA, A QUEM CRIOU

E MUITO AMOU... SALVE SÃO JOSÉ!

 


Sione Porto - Advogada e membro da Academia de Letras de Itabuna-BA

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sexta-feira, 19 de março de 2021

GRANDEZAS INCOMENSURÁVEIS DE SÃO JOSÉ – Renato Murta de Vasconcelos

 19 de março de 2021


Comentários sobre as excelências peculiares da vocação incomparável do escolhido para esposo de Maria e pai adotivo de Jesus, sua altíssima nobreza e a santidade 

Renato Murta de Vasconcelos

 

O mês de março é dedicado na liturgia católica a São José, o esposo castíssimo de Maria, cuja festa se celebra no dia 19. Os teólogos, em grande número, são unânimes em declará-lo o maior de todos os santos depois da Virgem Santíssima. Na Encíclica Quamquam Pluries (agosto de 1899), Leão XIII o proclamou patrono e defensor da Igreja universal e dos cristãos.

Hoje, no auge do processo de autodemolição da Igreja e descristianização do Ocidente, seu auxílio e sua proteção se tornam cada vez mais necessários. Neste sentido, a devoção a ele é mais atual do que nunca. Dentre suas incontáveis qualidades morais, refulge de modo especial a virtude da pureza, tão odiada pela Revolução gnóstica e igualitária. Insondavelmente puro, São José foi escolhido por Deus para esposo e guardião castíssimo de Maria e pai adotivo de Jesus. Privilégios estupendos, que lhe conferem um lugar único na ordem do universo e na história da salvação.

Jacó gerou José, esposo de Maria



São José, pai adotivo de Jesus
– Miguel Cabrera, séc. XVIII.
 Museu Nacional do Virreinato,
 Tepozotlán (México).

Cornélio a Lapide, o famoso exegeta jesuíta do século XVII, analisando o Evangelho de São Mateus (Mt 1, 16 ss), e apoiado no ensinamento de Padres da Igreja, santos e teólogos, comenta a vocação incomparável de São José.

Pode-se perguntar inicialmente por que a geração de Cristo é apresentada no Evangelho de São Mateus por meio da genealogia de José, tendo em vista que Jesus Cristo não era Filho de José, mas da Virgem Maria. Argumenta-se que Ela poderia casar-se com um homem de outra tribo, como ocorreu com sua prima Isabel, que era da tribo de Judá e se casou com o sacerdote Zacarias, da tribo de Levi.

De fato, as mulheres judias podiam se casar em outra tribo. Mas elas mesmas, na falta de herdeiros do sexo masculino, se tornavam herdeiras de seus pais, e nesse caso eram obrigadas a se casar com homens de sua própria tribo e família, para que sua herança não passasse por casamento para outra tribo (cf. último capítulo de Números, vers. 7). São Joaquim, o pai da Santíssima Virgem, não tinha filhos varões, fato que São Mateus omite por ser algo perfeitamente conhecido na época em que escreveu. Era um dever de Maria, portanto, casar-se com um varão de sua própria tribo e família, ou seja, José. Assim a genealogia de São José se tornou a genealogia da Santíssima Virgem, e consequentemente de Cristo Senhor Nosso. Ademais, os Padres ensinam universalmente que José e Maria eram da mesma tribo e família.

São José, legítimo pai de Jesus Cristo

Ademais, São Mateus apresenta a genealogia de Nosso Senhor Jesus Cristo a partir de José, e não de Maria, em primeiro lugar porque entre os judeus e outros povos a genealogia costuma ser traçada a partir de pais e maridos, não de mães e esposas. Em segundo lugar porque José, legítimo pai de Cristo, que era o herdeiro do trono e do cetro de Davi, não o era por meio de Maria, mas de José, de acordo com a promessa de Deus a David (2 Sam. 7, 12; Ps. 88 e 131).

O cetro de Judá repousou, portanto, sobre Jesus Cristo, não apenas pela promessa e dom de Deus, mas pelo direito de sucessão hereditária. Porque, se por direito comum os filhos sucedem à herança de seus pais, bastando para tal serem considerados seus filhos pela reputação comum, tanto mais era Cristo herdeiro de José, seu pai, visto que era Filho de sua Esposa, pelo poder e obra do Espírito Santo! Portanto, José tinha o direito paterno sobre Cristo. Na verdade, tinha todos os direitos que os pais têm sobre os filhos. Por outro lado, Cristo possuía em relação a José todos os direitos que os filhos têm em relação aos pais. Ele detinha, portanto, o direito ao trono de Israel após a morte de José. Daí a pergunta dos Reis Magos (Mt. 2, 2): “Onde está o Rei dos Judeus, que acaba de nascer?”



São Mateus apresenta a genealogia de Nosso Senhor Jesus Cristo a partir de José, e não de Maria, porque entre os judeus e outros povos a genealogia costuma ser traçada a partir de pais e maridos, não de mães e esposas. [Quadro: Casamento de Nossa Senhora e São José, Igreja de Notre-Dame de Recouvrance (Restabelecimento). Orleans, França. / Foto: Frederico Viotti].

Restaurador do cetro de Judá

Era o que quis demonstrar São Mateus, que, como diz Santo Agostinho, insiste na realeza de Cristo. E isso explica o porquê de ele traçar a genealogia de José, em vez da progênie de Maria. Ela não poderia ser a herdeira do trono enquanto sobrevivessem os herdeiros do sexo masculino, como José e outros. Como consequência, é preciso afirmar também que o pai e outros ancestrais de José eram primogênitos, ou pelo menos os filhos mais velhos sobreviventes de seus pais, de modo que o direito de reinar recaiu sobre eles.

É isso que o primeiro capítulo de São Lucas explicita com as palavras: “E o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai David”. Assim também em Gen. 49, 10: “O cetro não será tirado de Judá, nem o príncipe da sua descendência, até que venha aquele que deve ser enviado”; ​​isto é, Cristo devia restaurar o cetro a Judá, iniquamente tirado por Herodes; e na realidade devia elevar seu reino a uma grandeza muito mais alta, tornando-o espiritual em vez de corporal, celestial em vez de terrestre, e eterno em vez de temporal.

Incomparável dignidade de José e Maria



Imagem de São José
na antiga igreja de São Patrício,
 em Ann Arbor, Michigan (EUA)

É preciso notar a expressão José, marido de Maria. O árabe traduz como o esposo de Maria. Disto podemos deduzir que São José tinha todos os direitos de um verdadeiro esposo em relação à Virgem, por conseguinte é justa e verdadeiramente chamado pai de Cristo, segundo comenta Santo Agostinho.

1. Cristo pode ser considerado fruto do casamento de José e Maria, porque nasceu no casamento, embora não do casamento. A filiação pode ser atribuída, portanto, ao pai e à sua mãe.

2. Visto que o homem e sua mulher se tornam um pelo casamento – ou seja, como se fossem apenas uma pessoa aos olhos da lei – eles têm tudo em comum, e assim todos os seus filhos são legítimos. Assim, Cristo era o Filho da Virgem Mãe de Deus e era também Filho de José, que era esposo de Maria, e portanto o companheiro de todas as suas honras e bênçãos. José era mais verdadeiramente pai de Cristo do que alguém, quando adota um filho, é pai desse filho. Ele era pai de Cristo, não por adoção mas por casamento. Portanto, segue-se que José tinha a autoridade de um pai sobre Cristo, portanto a maior solicitude e afeição por Ele. E Cristo, em troca, amou e honrou José como a um pai, e lhe foi obediente, como está claro em Lucas 2, 51. Como diz Gerson, “Esta sujeição marca ao mesmo tempo a indescritível humildade de Cristo e a incomparável dignidade de José e de Maria”.

3. Cristo pertencia propriamente à família de José, pois pertencia à família de sua mãe, como sua própria mãe pertencia à de José. Nesta família nobilíssima, divina e celestial, o pai e governante era José; a mãe, a Virgem Santíssima; o filho, Cristo. Nesta família estavam as três pessoas mais excelentes de todo o mundo: primeiro Cristo, Deus e homem; em segundo lugar a Virgem Mãe de Deus, mais intimamente unida a Cristo; e em terceiro lugar José, o pai de Cristo pelo casamento.

Altíssima nobreza e santidade do esposo de Maria

Muitos dos sábios deste mundo, e mesmo a maior parte dos homens, pensam em José apenas como um carpinteiro pobre e desprezado. Porém é bom ter em mente que ele era ‘Filho de David’, como vimos, e isso não é dizer pouco. Quanto mais desprezado e desconhecido ele foi na Terra, tanto maior é a sua glória no Céu. O Papa Gregório XV decretou que sua festa fosse celebrada por toda a Igreja no dia 19 de março. Esta é uma honra bem merecida, pois grandes eram suas prerrogativas, seu cargo e sua dignidade acima de todos os outros homens.

1. José foi esposo da Santíssima Virgem e pai de Cristo. Foi, portanto, cabeça e superior tanto da Virgem quanto de Cristo enquanto homem.

2. Como conclusão, havia um amor e uma reverência singulares por parte da Santíssima Virgem e de Cristo para com José. Donde Jean Gerson, Chanceler da Universidade de Paris (Serm. de Nativ. BVM), exclamar: “Ó José, quão maravilhosa é a tua exaltação, quão incomparável a tua dignidade, pois a Mãe de Deus, a Rainha do Céu, a Senhora do mundo, não desdenhou chamar-te de senhor!”. São Gregório Nazianzeno (Orat. 11), para enaltecer a excelência do marido de sua irmã Gorgônia, nada de melhor encontra para isso do que mencionar que ele era seu marido: “Deseja que eu descreva o homem? Ele era seu marido, e não sei o que mais acrescentar”. Pode-se dizer o mesmo de São José: ‘Quer saber quem e quão grande ele foi? Ele era o esposo da Mãe de Deus!’

3. O ministério e o ofício de São José foram muito nobres, no que diz respeito à ordem da união hipostática do Verbo com a nossa carne. Pois exerceu todos os seus labores e ações na proximidade imediata da Pessoa de Cristo. Ele nutriu, educou e protegeu Cristo, e Lhe ensinou sua arte de carpinteiro, segundo a opinião comum dos Doutores. Francisco Suárez diz a este respeito: “Existem alguns ofícios que pertencem diretamente à ordem da graça, e nisto os Apóstolos ocupam a posição mais elevada, portanto precisam de maior assistência da graça do que todos os outros. Existem também outros ofícios que pertencem à ordem da união hipostática, a qual em seu gênero é uma ordem superior, como fica claro na maternidade divina na Santíssima Virgem. Nesta ordem São José exerceu seu ministério” (3ª parte. Quæst. 29, disp. 8, seção 1).

4. José, por sua convivência familiar e constante com Cristo e a Santíssima Virgem, tornou-se participante de seus segredos divinos, e diariamente via e imitava suas virtudes sublimes.

5. José era um varão de altíssima santidade, dotado por Deus de dons singulares, tanto da natureza como da graça; de modo que em sua época não havia homem mais santo ou mais digno de esposar a Mãe de Deus. Donde Suárez apresentar como provável que José fosse superior aos apóstolos e a João Batista em graça e glória, porque seu ofício era mais excelente do que o deles: ser pai e governador de Cristo é mais do que ser pregador e precursor. E acrescenta que ele já estava maduro quando desposou a Santíssima Virgem. Tendo morrido antes da crucifixão, por isso na Paixão de Cristo nenhuma menção lhe é feita. Ele ressuscitou com Cristo, juntamente com outros patriarcas, dos quais é feita menção em Mat. 27, 52: “Ressuscitaram muitos corpos de santos que dormiam”.



Essas excelências peculiares do excelso esposo de Maria são bem expressas nos qualificativos que lhe são atribuídos na bela ladainha aprovada pela Igreja: “São José, ilustre filho de Davi, luz dos patriarcas, Esposo da Mãe de Deus, guarda da Virgem pura, nutrício do Filho de Deus, zeloso defensor de Cristo, chefe da Sagrada Família, justíssimo, castíssimo, prudentíssimo, fortíssimo, obedientíssimo, fidelíssimo, espelho de paciência, amador da pobreza, exemplo dos trabalhadores, honra da vida doméstica, custódio das virgens, amparo das famílias, alívio dos miseráveis, esperança dos enfermos, padroeiro dos moribundos, terror dos demônios, protetor da santa Igreja”.

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Fonte: Revista Catolicismo, Nº 843, Março/2021.

https://www.abim.inf.br/grandezas-incomensuraveis-de-sao-jose/

 

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

É ERRADO FALAR DE NOSSA SENHORA ENQUANTO MÃE SOLTEIRA? – Padre David Francisquini

 19 de novembro de 2020


Anunciação – Girolamo Lucenti (1602-1624). Museu Hermitage, São Petersburgo, Rússia.

Padre David Francisquini

Pergunta — A freira americana que fez um discurso contra o aborto na convenção do Partido Republicano, elogiando as iniciativas pró-vida do presidente Trump em defesa dos direitos do nascituro, disse uma frase que me chocou: “Como cristãos, conhecemos Jesus pela primeira vez como um embrião no ventre de uma mãe solteira, e o vimos nascer nove meses depois na pobreza de uma gruta”. Por mais que a frase estivesse destinada às moças que ficam grávidas, recomendando-lhes que não abortem, essa analogia me pareceu inapropriada, pois parece esquecer a virgindade perpétua de Nossa Senhora e o fato de que Ela estava casada com São José. O que o senhor pensa disso?

Resposta — A Igreja tem muitas formas de censura para as proposições contrárias ao seu ensinamento. São chamadas de “notas teológicas”. As mais graves se relacionam com o conteúdo das proposições censuradas: herética, errônea na fé, temerária. Outras se referem à forma defeituosa pela qual elas são expressas: equivocada, suspeita, malsoante. Por fim, uma formulação pode não ser errônea no conteúdo e na forma, mas ser censurada pelos efeitos que produz num contexto determinado, qualificando-se então como escandalosa, perigosa, sedutora dos simples ou ofensiva aos ouvidos pios. Por exemplo, seria verdadeira uma ladainha que dissesse São Pedro renegado, rogai por nós, porque de fato ele negou Nosso Senhor três vezes. Mas a piedade dos fiéis ver-se-ia contundida pela evocação desse gravíssimo pecado no contexto de uma ladainha em que se pede sua intercessão. Da mesma maneira, é louvável o corajoso discurso contra o aborto, evocado na pergunta; mas foi muito infeliz a formulação com que a freira se referiu à concepção virginal, pois choca os ouvidos piedosos dos fiéis, especialmente dos devotos de Nossa Senhora.

É preciso reconhecer que a frase da freira é até certo ponto materialmente verdadeira, pois no momento da Anunciação e da Encarnação do Verbo no seio virginal de Maria Ela ainda não estava casada legalmente com São José, nem vivia com ele sob o mesmo teto. Essas duas realidades estão declaradas explicitamente no primeiro capítulo do Evangelho de São Mateus. No versículo 18, ele diz que Nossa Senhora tinha concebido por virtude do Espírito Santo “antes de coabitarem”. E no versículo 20, que o anjo disse em sonhos a São José: “Não temas receber Maria por esposa”, o que significa que ele ainda não a havia recebido como tal.


O anjo disse em sonhos a São José:

“Não temas receber Maria por esposa”

Como explicar que no primeiro dos versículos citados se diga que Maria estava “desposada com José”? Como podia recebê-La por esposa, se já estava desposado com Ela? A aparente contradição resulta das traduções portuguesas da Bíblia, pois nas traduções em outras línguas os substantivos e verbos indicam claramente que Nossa Senhora estava apenas prometida, e ainda era noiva de São José. Essa afirmação pode causar surpresa em alguns leitores, mas será desfeita conhecendo-se melhor a legislação e as tradições matrimoniais dos judeus.

No início da história do povo eleito — como fica patente no relato do casamento de Isaac com Rebeca — eram os pais que negociavam o casamento de seus filhos. Depois passaram os próprios filhos a escolher suas futuras esposas, como ocorreu com Sansão. Querendo casar-se com uma filha dos filisteus, ele pediu aos pais para negociarem a boda, pois o candidato deveria oferecer um dote que fosse aceitável pela família da moça. Uma vez obtido o consentimento desta, fazia-se um contrato, que era verbal antes do cativeiro na Babilônia e passou a ser escrito depois, como o que foi redigido conjuntamente por Tobias e o pai de Sara.

Celebrava-se então com certa solenidade a cerimônia do noivado, durante a qual o noivo dava à noiva (se ela fosse menor, ao pai dela) um anel de ouro ou algum outro objeto de certo valor. A duração do noivado era de um ano, para dar tempo à noiva de se preparar para o casamento e aprontar seu enxoval. Durante esse período os futuros esposos permaneciam em suas respectivas casas, só se comunicando através do “amigo do esposo”, personagem ao qual São João Batista se comparou quando explicou a seus discípulos que não era Cristo, mas um enviado para anunciá-Lo.

Porém é necessário notar que, ao contrário de nossos dias, o noivado era tão irrevogável quanto o casamento; de tal maneira que, se a noiva se deixasse seduzir por outro homem, era punida de morte por lapidação, tal como acontecia com uma mulher adúltera já casada. E caso seu noivo viesse a morrer antes do casamento, ela deveria ser desposada por um cunhado, não podendo casar-se fora dessa família com um estranho, respeitando o costume do levirato (Deut. 25, 5). Devido ao caráter irrevogável do noivado, não existia na língua hebraica uma palavra específica para designar esse período, sendo assimilado linguisticamente ao casamento.


Os desponsórios da Virgem

– Sebastián López de Arteaga (1610-1652).
Museu Nacional de Arte, Cidade do México

À vista dessas considerações, compreende-se por que São Lucas, ao escrever que o anjo Gabriel foi enviado a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, “a uma virgem desposada com um varão, chamado José”, não quis dizer que Nossa Senhora estivesse casada, mas apenas comprometida a casar-se com ele. Tanto os verbos desponso despondeo da Vulgata latina, quanto o verbo μνηστή do original grego e seus derivados, significam prometer em matrimônio, pedir em casamento, pretendente, noivo. Por isso São José e a Virgem Maria não viviam sob o mesmo teto, como refere São Mateus, pois os costumes só autorizavam a coabitação depois das núpcias. Foi após a visita de São Gabriel que “José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado, e recebeu em sua casa sua esposa” (Mt 1, 24).

Essa explicação dos fatos, que corresponde inteiramente às tradições do povo judeu, não é desmentida por São Lucas quando, ao relatar a subida do santo casal a Belém para o recenseamento (portanto, depois das núpcias), se refere a Nossa Senhora com as palavras μνηστευμέν ατ (original grego), traduzidas por desponsata sibi uxore na Vulgata latinao que literalmente quer dizer, como vimos acima, “sua noiva”. É possível que o evangelista tome aqui o verbo grego no sentido de “casar-se”, que por vezes tem. Contudo, o mais provável é que tenha desejado expressar-se com uma delicadeza suprema, para dar a entender que, no tocante ao Filho divino que Maria portava em seu seio virginal, Ela era apenas a prometida de São José. De qualquer maneira, São Jerônimo achou por bem acrescentar uxore — ou seja, esposa — para deixar as coisas bem claras.

Em resumo, e para concluir a resposta ao consulente, podemos dizer que a Santíssima Virgem Maria, na hora bendita da Anunciação, ainda não estava casada com São José. Isso não significa que fosse realmente solteira, pois já estava comprometida com ele mediante um contrato irrevogável, prescrito pela tradição judaica. Portanto, ainda que a expressão “mãe solteira” tenha sido utilizada com boa intenção pela religiosa mencionada na pergunta do consulente, ela é inapropriada e até chocante quando associada à concepção virginal de Maria Santíssima.

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Fonte: Revista Catolicismo, Nº 839, Novembro/2020.

https://www.abim.inf.br/e-errado-falar-de-nossa-senhora-enquanto-mae-solteira/

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terça-feira, 24 de dezembro de 2019

PAPA FRANCISCO EXPLICA COMO CONFIAR EM DEUS



Redação da Aleteia | Dez 23, 2019


Em sua reflexão no Angelus, o Papa Francisco comentou o modo como São José nos ensina a confiança em Deus


O Papa Francisco falou no Angelus desse domingo sobre a figura de São José.

De acordo com o Papa, nessa “figura aparentemente secundária” encontra-se a atitude que inspira “toda a sabedoria cristã”.

José é um homem modesto, “não prega, não fala, mas busca fazer a vontade de Deus; e a cumpre no estilo do Evangelho e das Bem-aventuranças”, enfatiza o Papa. Pensemos: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”.

E José é pobre porque vive do essencial, trabalha, vive do trabalho; é a pobreza típica daqueles que tem consciência de depender totalmente de Deus e nele depositam toda sua confiança.

A situação narrada pelo Evangelho é constrangedora, pois José e Maria estão prometidos como esposos, ainda não vivem juntos, mas “ela espera um filho por ação de Deus”.

José, diante dessa surpresa, naturalmente fica perturbado, mas, ao invés de reagir de maneira impulsiva e punitiva – como se costumava fazer, a lei o protegia – busca uma solução que respeite a dignidade e a integridade de sua amada Maria.

José sabia que consequências teria uma possível denúncia sua, mas “tem total confiança em Maria, a quem ele escolheu como esposa. Não entende mas busca outra solução (…), com grande sofrimento, decide se separar de Maria sem criar escândalo”.

Diante de tal decisão, entra em ação um anjo do Senhor que lhe diz que a solução por ele pensada “não é aquela desejada por Deus. Antes, pelo contrário, o Senhor abre a ele um novo caminho, um caminho de união, de amor e de felicidade e diz a ele: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo”.

A este ponto, José confia totalmente em Deus, obedece às palavras do anjo e toma consigo Maria. Precisamente essa confiança inabalável em Deus permitiu a ele aceitar uma situação humanamente difícil e, em certo sentido, incompreensível.

Pela fé, José passa a compreender que a criança gerada no ventre de Maria não é seu filho, mas é o Filho de Deus e que ele “será seu protetor, assumindo plenamente sua paternidade terrena”.

O exemplo desse homem manso e sábio nos exorta a elevar o olhar, procurando ver além. Trata-se de resgatar a surpreendente lógica de Deus que, longe dos pequenos ou grandes cálculos, é feita de abertura a novos horizontes, a Cristo e à Sua Palavra.

Que a Virgem Maria e seu castíssimo esposo José – foi a exortação final do Santo Padre – nos ajudem a nos colocar à escuta de Jesus que vem e que pede para ser acolhido em nossos projetos e nas nossas escolhas.

(Com Vatican News)



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segunda-feira, 18 de março de 2019

ORAÇÃO A SÃO JOSÉ


18 de março de 2019

[Composta pelo Papa São Pio X]

Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência, para a expiação de meus numerosos pecados; de trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima de minhas inclinações; de trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus; de trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades; de trabalhar sobretudo com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência no sucesso, tão funesta à obra de Deus.

Tudo para Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, ó Patriarca São José! Tal será a minha divisa na vida e na morte. Amém.

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Comentário

José Antonio Rocha
18 de março de 2019

Amém. Que São José abençoe o Brasil com seu Amor ao trabalho, à honestidade e às Virtudes divinas. Que os nossos novos governantes ouçam a vos que vem do imaculado coração da Virgem Maria, do coração de São José e do Espírito de Jesus Cristo, Filho unigénito de Deus, verdadero homem, verdadeiro Deus. Que Jesus Cristo, Luz do mundo, Luz que nos conduz, conceda aos governantes brasileiros a Luz do discernimiento e da sabedoria para que eles, em duas decisões, possam discernir o certo do errado, o real do irreal, o Cristão do não cristão. Amém.



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terça-feira, 9 de maio de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA: CURTAS E BOAS – São José

“São” José


Em Itabuna, estava sendo julgado um velho, acusado de haver assassinado o namorado de uma das suas netas.

As provas e testemunhas não lhe eram favoráveis, até quando um advogado, amigo do advogado da defesa, olhando detidamente para o velho notou-lhe semelhança com a imagem de São José, padroeiro da cidade.

E, por coincidência, o danado do velho era carpinteiro e se chamava... José.

Embora não funcionasse no caso e estivesse ali apenas por curiosidade profissional, chamou a atenção do colega para todos esses detalhes.

Então, na tréplica, o advogado invocou o padroeiro da cidade, pateticamente mostrou a estranha coincidência de seu constituinte se chamar José e ser carpinteiro, e deixou o resto por conta do sentimentalismo dos jurados.

O velho foi absolvido por unanimidade e até carregado nos ombros do povo. Um mais exaltado gritou: Viva São José!...

Mas, outro velho ali presente, vizinho do acusado, murmurou:

- Quem não te conhecer que te compre... “seu” José...


(O SORRISO DO CACAU) 

Nelson Gallo

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