Nossa Senhora superará todos os obstáculos superiores às
nossas forças
Plinio Corrêa de Oliveira
Neste momento de aflições e de perigos, quando a humanidade
inteira geme sob o peso de desditas que se multiplicam a cada momento, crescem
nossas necessidades e tornam-se mais prementes as nossas preces. Nestas
circunstâncias, mais importante se torna sabermos rezar bem.
Deus quer nossas preces confiantes. Não deseja Ele que nos
apresentemos ante seu trono como escravos se aproximando de um temível senhor,
com medo, e sim como filhos diante de um Pai infinitamente generoso e bom. Essa
confiança é mesmo uma das condições para a eficácia de nossas preces.
Mas como podemos ter confiança, se examinando a nós mesmos
sentimos faltar-nos as razões de confiar? E se não temos confiança, como
esperarmos ser atendidos?
Assim, por mais miseráveis que sejamos, podemos apresentar a
Deus confiantemente nossos pedidos. Se eles forem sempre apoiados por Nossa
Senhora, encontrarão um valor inestimável aos olhos de Deus, e certamente nos
obterão os favores pedidos.
Convém meditarmos incessantemente sobre esta grande verdade.
Como católicos, devemos enfrentar nesta vida as lutas comuns a todos os
mortais, e além destas as decorrentes do serviço de Deus.
Embora os horizontes pareçam prestes a verter sobre nós um
novo dilúvio, mesmo que diante de nós os caminhos se fechem, os precipícios se
abram, e a própria terra se abale debaixo de nossos pés, não percamos a
confiança, pois Nossa Senhora superará todos os obstáculos superiores às nossas
forças.
Enquanto esta confiança não desertar de nosso coração, a
vitória será nossa. De nada valerão os ardis de nossos adversários;
caminharemos sobre as áspides e os basiliscos, e calcaremos aos pés os leões e
os dragões.
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Excertos de artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira
(“Legionário”, 1º de junho de 1941).
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Lucas.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Não
tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o
Reino. Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem,
um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça
corrói. Porque onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso
coração.
Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. Sede
como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento,
para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater.
Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados
quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los
sentar-se à mesa e, passando, os servirá. E caso ele chegue à meia-noite
ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar!
Mas ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o
ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. Vós também,
ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o
esperardes”.
Então Pedro disse: “Senhor, tu contas esta parábola para nós
ou para todos?”
E o Senhor respondeu: “Quem é o administrador fiel e
prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar
comida a todos na hora certa? Feliz o empregado que o patrão, ao chegar,
encontrar agindo assim! Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a
administração de todos os seus bens. Porém, se aquele empregado pensar:
‘Meu patrão está demorando’, e começar a espancar os criados e as criadas, e a
comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele empregado chegará num dia
inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do
destino dos infiéis. Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor,
nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas
vezes. Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que
merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito
será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!”
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger
Araújo:
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Esperas construtivas
“Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de
uma festa de casamento...” (Lc 12,36)
O texto do evangelho deste domingo faz parte de um amplo
contexto, que começou no domingo passado com a petição de alguém a Jesus:
“Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”. A partir daí, Lucas
revela uma longa conversação de Jesus com os discípulos e toca diversos temas
de difícil harmonização. Naturalmente se trata de pensamentos dispersos que o
evangelista organiza à sua maneira para ir aclarando as exigências de Jesus, na
formação do seu discipulado.
No domingo passado, Jesus nos pedia para não colocar nossa
confiança nas riquezas; hoje, Ele nos diz em quem devemos confiar para que
nossa vida seja autêntica. Confiadamente, é preciso ativar todos os recursos de
nosso ser, conscientes que Deus atua em nosso interior, e que só através da
sintonia com essa presença interna nossa vida avança, amadurece e se plenifica.
Nosso Deus não é o “Deus todo-poderoso” distante, mas o fundamento de nossa
vida: afinal, somos morada do Deus sempre surpreendente.
A condição humana pode ser definida em termos de “espera
radical”. O nosso coração está habitado por “esperas” de todo gênero. São
tantas as esperas na vida humana! Está todo mundo esperando. É através das
esperas que nos fazemos humanos. Somos feitos disso: desejo, súplica, anseio,
abertura, busca, esperança... A espera está ligada ao verbo “esperançar”:
espera ativa, aberta ao futuro imprevisível, ao novo plenificante...; ela cria
o espaço vital que permite a realização do possível.
Quem espera faz-se disponível, acolhedor, abre espaço para o
mistério do outro que lhe vem ao encontro; quem espera, acolhe o diferente. Os
intolerantes e preconceituosos não esperam nada: amargam a vida no fechamento,
no dogmatismo e no moralismo.
Esperar é passar do “tempo fechado” ao “tempo aberto”, da
fugacidade do “ter” à plenitude do “ser”, do “lugar estreito” ao “lugar amplo”,
do “medo paralisante” à “coragem criativa”... Durante a espera, a imaginação
trabalha e cria mil momentos insuperavelmente felizes. E quando acontece o
encontro entre o desejo e a realização, entre a espera e o esperado, entre o
vazio e aquilo que plenifica, explode uma alegria incontida. Uma mistura de
festa com ternura e boas emoções solidificam esta certeza: valeu a
pena esperar!
A vida que é feita de tantas esperas, também é “esperada”.
Somos continuamente tentados a pensar que somente nós esperamos e esquecer que
também Deus nos espera. A espera divina é paciente, compreensiva e compassiva.
Em nossas esperas, somos ansiosos e impacientes; fazemos da
espera um tempo “em branco”, vivendo como se nada estivesse para acontecer,
mergulhados no tempo rotineiro, sem abertura à surpresa.
Não sabemos esperar: basta ir às salas de esperas dos
hospitais e consultórios para comprovar como as pessoas se desesperam porque
não lhe atendem à hora marcada. Perdemos a paciência porque pretendemos que
tudo seja imediato e a nosso gosto. Não suportamos uma contradição.
O evangelho deste domingo pode ser uma boa oportunidade para
recordar isto. Exercitar-se na arte de esperar com paciência. Desejar, dar asas
à imaginação sobre aquele que vai chegar, sem que esteja em nossa mão adiantar
ou controlar sua chegada. Deus, pelo contrário, nos espera incansavelmente. Por
isso se “humanizou”. Não nos esperou com prepotência, tampouco com soberba.
Esperou na humildade, no húmus da vida, afundando os pés na nossa existência.
Mas Deus não precisa vir de nenhuma parte. Ele está chamando
sempre, mas a partir de dentro de cada um de nós; é a partir de dentro que Ele
se faz visível em nossas relações com os outros.
Somos nós que projetamos Deus fora e distante de nós, que
nos ameaça com prêmios e castigos, que aparece de surpresa para nos pegar em
flagra. O medo de Deus brota quando o imaginamos fora de nós. “Deus de fora” é
o Deus idealizado, que alimenta medo, ameaça com inferno, que castiga.
No evangelho deste domingo (19º Tempo Comum), Jesus revela
“Deus em saída” até o ser humano e desvela o ser humano em saída até Deus. E o
encontro entre ambos é o que o Evangelho propõe. O encontro de pessoas que se
esperavam: como nos aeroportos-rodoviárias, desejando a chegada do(a) amigo(a);
ou nas salas de urgências dos hospitais desejando saber a situação do enfermo
familiar. Essas são esperas autênticas: desejantes, emocionantes, inocentes...
porque esperam uma pessoa. Essa deve ser a disposição de uma “Igreja em saída”
e que não aguarda em uma sala de espera.
O decisivo é entrar em sintonia com o Deus presente em nós;
“esperar” significa estar desperto para conectar-nos com essa presença, sempre
nova e sempre cheia de surpresa. Deus, ao mesmo tempo, está sempre presente e
sempre chegando de maneira surpreendente. Ele é dom e pura gratuidade. Aqui não
há mais lugar para o medo, a culpa, a angústia. Quem entra em sintonia com Ele
e se deixa conduzir por Ele não atua por mérito, mas por pura gratuidade.
O evangelho de hoje, através de parábolas, nos apresenta
alguém que não vive a relação com Deus internamente. O que acontece com ele? As
consequências são funestas, provocadas não por Deus, mas pela pessoa mesma:
irresponsabilidade no serviço, violência com os outros, autoagressão,
partindo-se ao meio... Uma experiência infernal.
Um cristão é uma pessoa que vive em “estado de espera”.
O importante é isto, o “estado”, o processo, a continuidade,
o estar sempre a tempo, sempre alerta, sempre preparado. A vida inteira se
converte numa contínua espera: o equilíbrio, o contato, a liberdade, a
generosidade, cada nervo sintonizado, cada músculo em forma. E assim entramos
na vida e enfrentamos mil situações.
Cada pequeno encontro é uma satisfação em si mesma e uma
preparação para a seguinte. Sempre avante. Avanço que pode ser mudado de
direção a cada instante.
“Não morras na sala de espera” (Hervey Cox). As “salas de
espera do espírito” estão cheias de pessoas que simplesmente estão ali, ali
moram e permanecem, ali vivem e morrem. O fato de já estar na “sala de espera”
lhes dá a impressão de que já fizeram alguma coisa, já começaram a viagem.
As esperas têm rosto de criatividade, de itinerância, de
abertura ao diferente. Elas põem em ação nossos melhores recursos internos;
elas alimentam uma contínua atitude de busca.
Só assim o coração estará mais preparado para a chegada do
Momento cume, quando deixaremos “Deus ser Deus” na nossa morada interior.
Texto bíblico: Lc 12,32-48
Na oração: Você é um impaciente? Não suporta esperar a fila
no cinema? Fica nervoso quando o ônibus atrasa mais de cinco minutos? Espera
que lhe respondam as mensagens de Whatsapp em questão de segundos? Ou quando
alguém chega um pouco atrasado no encontro marcado?...
E, no entanto, você sabe que o importante requer seu tempo,
que os bons pratos são cozidos a fogo lento.
A paciência não é uma palavra da moda hoje em dia. E talvez
por isso é das mais necessárias. A paciência supõe esperar e respeitar os
tempos. Supõe desejar a chegada do outro e não ter mais que fazer a não ser
esperar. Desejar e esperar.
A definição da palavra “esperança” é simples e, ao mesmo
tempo, complexa em função das expectativas depositadas nas ações, atos, sonhos,
projetos, etc., que fazem com que as pessoas vislumbre sucesso em seus empreendimentos
financeiros, doenças, artes, literatura e, certamente, no amor desejado,
contando com a correspondência e reciprocidade!
O “sentimento” da esperança, talvez por uma dádiva
celestial, é cultivado entre todas as pessoas independentes de sexos, cores e
condições sociais. Qualquer pobretão tem o direito de ter esperanças em suas
experiências de um modo geral, principalmente, quando a referência maior é com
relação a área financeira. Normalmente, sempre depositamos uma carga enorme de
esperanças, quando estamos desenvolvendo, ou planejando algo, relativo aas
nossas melhorias de vida. Se duvidar, as esperanças são mais ‘solicitadas” em
função do vil metal do que da própria saúde. Estranho, mas, é verdade! Pensa-se
logo: “Com o dinheiro eu compro a saúde!” Afirmação errônea, mas muito usada!
Não é de se estranhar, quando as esperanças das pessoas se
voltam para o lado político. Uma vez que, as ações políticas tem uma
responsabilidade grande de nos dar as necessidades básicas, principalmente
educação e segurança.
Na falta dos administradores de nos dar o que temos de
direito, fica em nossa mente a pouca esperança de que aconteça alguma coisa
essencial! Mas, geralmente, ficamos somente “esperançosos”.
Porém, apesar das incertezas com relação as nossas valiosas
esperanças, temos que jamais deixar de acreditar e forçar de algum modo, para
que as nossas necessidades sejam realizadas, alimentando nossa grande esperança
que, um dia, as coisas serão melhores!
Como pode-se ter esperanças se você não luta pelos seus
ideais?
Seja um guerreiro, pois, a “esperança” é a última que morre!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
Marcos.
— Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: “Naqueles
dias, depois da grande tribulação, o sol vai se escurecer, e a lua não brilhará
mais, as estrelas começarão a cair do céu e as forças do céu serão
abaladas. Então vereis o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande
poder e glória. Ele enviará os anjos aos quatro cantos da terra e
reunirá os eleitos de Deus, de uma extremidade à outra da terra.
Aprendei, pois, da figueira esta parábola: quando seus
ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está
perto. Assim também, quando virdes acontecer essas coisas, ficai sabendo
que o Filho do Homem está próximo, às portas.
Em verdade vos digo, esta geração não passará até que tudo
isto aconteça. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não
passarão. Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu,
nem o Filho, mas somente o Pai”.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Cleberson
Evangelista:
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Esperança:
"enquanto houver vida..."
“...ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo, às
portas” (Mc 13,29)
Estamos no penúltimo domingo do “ano litúrgico B” e o
evangelho deste domingo é tirado do “discurso escatológico” ou “pequeno
apocalipse” de Marcos (cap. 13). Este capítulo faz a ponte entre a vida pública
de Jesus e sua Paixão. Escatologia, procede da palavra grega “escatón”, que
significa “o último”. Ao pro-por leituras que fazem referência “aos últimos
tempos”, a liturgia quer nos convidar à “vigilância” e à atenção ao tempo
presente.
O discurso escatológico, que encontramos em Marcos, quer
recordar algumas convicções que deverão ali-mentar a esperança dos(as)
seguidores(as) de Jesus. O anúncio esperançador é reforçado pela imagem da
figueira que, carregando-se de brotos, anuncia a primavera. Esse é nosso
destino: caminhamos para uma Primavera que não conhecerá ocaso. A certeza disso
está enraizada na promessa de Jesus: “O céu e a terra passarão, mas minhas
palavras não passarão”.
O Evangelho deste domingo tem muito de inverno e tem muito
de primavera. Primeiramente, fala-nos desse momento final, onde tudo parece
terminar em cataclismo. Mas logo nos abre à primavera da figueira que começa a
gerar novos brotos nos ramos ainda quase desnudos do inverno. E, finalmente,
enraíza nossa esperança na Palavra de Deus. A realidade pode tremer, o céu pode
ficar escuro, como se o sol tivesse apagado. No entanto, aí está a Palavra de
Jesus que nos abre para acolher um “novo tempo”.
Se nos deixassem optar, certamente escolheríamos as estações
da primavera e do verão. No entanto, não podemos imaginar um ano sem a estação
do inverno. É possível que aconteceria uma catástrofe. Porque, no inverno, a
terra se faz mais fecunda, a seiva se concentra nas raízes e fortalece as
árvores; logo, elas poderão dar melhores frutos. No inverno, as plantas ficam
hibernando para estarem mais sadias nas outras estações; no inverno a vida se
retrai, parece que tudo morre; ele desnuda as árvores para que a primavera
possa vesti-las com novas folhas. O inverno é estação de silenciosa
transformação que começa nas profundezas das raízes.
A vida passa por contínuos invernos: as dúvidas, os momentos
de obscuridade, as tribulações, a desolação, o silêncio de Deus..., são o
inverno da fé, mas não matam a fé; tais invernos nos fazem descer às raízes
para concentrar energias e, assim, robustecer-nos e fortalecer-nos para um novo
impulso vital.
Os incômodos do presente, os fracassos, a obscuridade diante
do futuro, as crises sociais e econômicas, a onda de intolerância e
preconceito..., são o inverno da esperança, mas não matam a esperança; pelo
contrário, dão-lhe mais consistência e profundidade, gestando a surpresa de um
novo tempo.
As palavras do evangelho deste domingo são muito fortes,
pois põem um sinal de interrogação sobre toda nossa velha história, feita em
grande parte de mentiras e injustiças, ódios e violências... Sobre este mundo,
petrificado e indiferente, se anuncia e se prepara a vinda de Jesus, o Homem
novo... Isso significa que serão destruídos os modelos atuais de vida,
centrados no individualismo e no descarte, no poder e violência que excluem, na
fria intolerância que cria muros... Este será um grande “desastre”; os “falsos
astros” do céu da vaidade e do poder serão abalados e cairão.
Tomamos esta palavra “desastre” em seu sentido forte, como
destruição da ordem astral onde se sustenta a vida da terra e a história da
humanidade. Mas, no final, como no quarto dia da Criação (quando o Criador
fixou a ordem da abóboda celeste, com o sol, a lua e as estrelas, por cima da
terra, para iluminá-la e tornar possível a existência de vida), Deus novamente
intervirá criando uma nova ordem de salvação, centrada no Filho do Homem (e não
no sol, lua e estrelas que alimentam o ego social). Este mundo não será
consumido, mas consumado, pois Deus reserva uma plenitude de sentido para a
Criação inteira. Um dia Deus salvará definitivamente, mas essa salvação já
começou, aqui e agora. Mas, o “desastre” não se refere somente a uma realidade
exterior; o discurso escatológico nos convoca a dirigir o olhar para o nosso
“mundo interior”, onde o ego brilha como o “sol”, a vaidade se revela como
“lua”, a competição e a aparência nos fazem sentir como “estrelas”.
Vivemos hoje tempos complicados, difíceis...; partilhamos um
momento de grande inquietude espiritual, de distúrbios existenciais, de
profundos dilemas morais, de trágica opção pela morte e pela violência... Aqui,
sempre se revela válido o alerta de Guimarães Rosa: “Viver é muito perigoso”.
No entanto, resistimos! A esperança é um princípio vital, expresso na sábia
constatação de que “enquanto houver vida, há esperança”. Também resistimos
diante da memória das inevitáveis e sofridas experiências cotidianas, que
poderiam deixar como consequência o medo, a perda do sentido da existência, o
vazio de horizontes, o desânimo... O ser humano é um “animal teimoso”, pleno de
esperança, sedento do novo...
Nem a fé, nem a esperança amadurecem na bonança. A esperança
se fortalece na obscuridade e na crise. Nos momentos difíceis, a esperança se
esconde nas raízes. Por isso, logo brota com mais força.
De onde nasce a esperança? Com certeza, não nasce aguardando
que o problema se solucione, que a crise passe ou a situação mude. Esta atitude
só produz saudade e passividade. A esperança está mais próxima de uma resposta
ativa de rebeldia positiva frente à incerteza que nos desequilibra. Está
profundamente conectada com a incansável construção do amanhã a partir do agora
e do presente.
A condição humana pode ser definida em termos de
"espera radical" ou de "esperança". Chamados a ser mais do
que somos, abrigamos em nosso interior uma "insatisfação
existencial", uma tensão entre o que somos e o que ansiamos ser. Porque
nos definimos como radical espera, caímos na tristeza, quando vislumbramos um
futuro ameaçador, ou caímos na euforia, quando pensamos alcançar algo que nos
agrada.
Em meio às sombras, perplexidades, contradições, provocações
e promessas, que constituem o atual momento histórico, queremos expressar a fé
no futuro da nossa vida. Ainda que soframos ventos contrários e as nuvens se
adensem no horizonte, sabemos e confessamos com o profeta Isaías, e pela graça
do Espírito, que existe futuro.
Para ser fiel, é preciso seguir o Espírito, deixando-se
surpreender pelos novos rumos que Ele aponta, seduzir pelos novos horizontes
que Ele descortina, desafiar pelas novas provocações que Ele lança, a partir da
realidade histórica e dos novos sinais dos tempos. Essa relação viva e dinâmica
com o Espírito é fundamental para a vida cristã, em qualquer
circunstância.
Sabemos que a esperança é algo constitutivo no ser humano.
Para ele, viver é caminhar para um futuro. Sua vida é sempre busca de algo
melhor. O ser humano “não só tem esperança, senão que vive na medida em que
está aberto à esperança e é movido por ela” (H. Mottu). Por isso, quando numa
sociedade se perde a esperança, a vitalidade atrofia, a marcha se paralisa e a
vida mesma corre o risco de degradar-se. A esperança é como uma “memória do
futuro”; tem caráter profético. Não se pode dizer que veja o que está por
vir, mas afirma como se o visse. E, enquanto o anuncia, de certa forma, o
prepara. Precisamente por vivermos tempos difíceis, precisamos mais do que
nunca da pequena e teimosa esperança.
Texto bíblico: Mc 13,24-32
Na oração: O nosso coração está habitado por esperanças que
nos abrem ao futuro imprevisível, benfazejo e plenificante.
O que nos diferencia é a qualidade, a consistência e o
realismo das nossas esperanças.
- Em quê ou em Quem estamos colocando a nossa capacidade de
esperar?
O Papa ao falar aos bispos do Chile tocou o assunto que está
bem próximo das nossas meditações ligadas com o Ano do Laicato no Brasil. Ele
disse: “um dos problemas, que enfrentam atualmente as nossas sociedades, é o
sentimento de orfandade, ou seja, sentir que não pertencem a ninguém”.
Muito falamos hoje sobre a comunidade, sobre a paróquia renovada, mas no fundo
no fundo, o discurso não nos toca. Cada um leva a sua vida “sozinho”. E o Papa
chama atenção que esta solidão pode atingir também os bispos e os padres. E ele
disse: “Este sentir” pós-moderno pode penetrar em nós e no nosso clero; (...)
esquecemo-nos que somos parte do santo povo fiel de Deus é que a Igreja não é,
e nunca será, uma elite de pessoas consagradas, sacerdotes e bispos. Não
podemos sustentar a nossa vida, a nossa vocação ou ministério, sem esta
consciência de ser povo.
O Papa, “confirmando os irmãos na fé” também os previne
sobre o perigo do mal que pode afetar tanto os pastores como, consequentemente
as ovelhas. Sublinha fortemente, neste importante pronunciamento, sobre o mal
moderno: a solidão, orfandade. Todos somos o povo querido por Deus, todos
formamos uma só família que é a Igreja de Jesus, cada um segundo a sua vocação,
tem o lugar determinado dentro deste povo de Deus. O Papa nos questiona: temos a consciência disto. Se todos compreendêssemos esta verdade em grande
parte desapareceria a depressão, a doença provocada pelo“sentimento de
orfandade”, pela solidão.
Com o abraço fraterno e a benção especial junto com a oração,
desejo uma boa noite.
Dom Ceslau.
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26/01/2018
O clericalismo
No mesmo pronunciamento para os Bispos de Chile, o papa
falando sobre a falta da consciência de fato de que todos somos o povo fiel de
Deus, sublinha, o que nós estamos procurando desenvolver no Ano do Laicato: A
Missão do leigo na Igreja. Falando sobre o “clericalismo” que é para ele a
“caricatura da vocação recebida”, diz “os leigos não são os nossos servos,
(bispos, padres...) nem nossos empregados. Não precisam de repetir, como 'papagaios' o que dizemos. O clericalismo (...) apaga pouco a pouco o fogo
profético da qual a Igreja inteira está chamada a dar testemunho no coração dos
seus povos. O clericalismo esquece que a visibilidade (...) da Igreja pertence
a todo o povo fiel de Deus - (Conf. LG, 9-14) e não só a poucos e iluminados”.
Primeiro o que é o clericalismo. No entender do papa, é a
tentação que reduz a experiência eclesial à operação do clero. Tudo depende do padre,
do bispo... Tudo depende deles. Esta questão o Papa Francisco já várias vezes
antes apontou nos encontros com os bispos, com os padres e com os funcionários
do Vaticano.
Segundo, o Papa sublinha a importância do povo fiel de Deus.
Por eles Deus também está agindo. A hierarquia na Igreja existe, mas não como
superioridade sobre os fiéis leigos, mas, como também membros do mesmo
Povofiel de Deus, a serviço, precisamente deste povo de Deus, para
caminhando, juntos construir o Reino de Deus. Que lindo ensinamento para todos
nós. Puxão de orelhas para os que se estão deixando levar pela tentação de
clericalismo, mas também ressaltando a importância dos fiéis leigos.
Com a benção e a minha oração. Uma noite tranquila.
Dom Ceslau.
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29/01/2018
A tentação do clericalismo
Procurei deter-me sobre pronunciamento do Papa para os
Bispos no Chile, porque vai ao encontro das nossas reflexões sobre o Ano do
Laicato.
O Papa, para prevenir contra a tentação do clericalismo e
diminuição da consciência da dignidade dos leigos, está preocupado também com o
futuro. Por isso diz: “Por favor, vigiemos contra esta tentação, especialmente
nos Seminários e em todo o processo formativo. Confesso-vos, que me preocupa a
formação dos seminaristas: que sejam pastores ao serviço do povo de Deus; (...)
que tenham esta consciência do povo. E continua dizendo: Os sacerdotes de
amanhã devem formar-se, olhando o amanhã: o seu ministério desenvolver-se-á
num mundo secularizado. (...) prepará-los para realizar a sua missão
neste cenário concreto e não nos nossos ‘mundos ou situações ideais’. A missão
que se realiza em união fraterna com todo o povo de Deus. (...) Não ao
clericalismo e mundos ideais, que só entram nos nossos esquemas, mas não tocam
a vida de ninguém”.
O Papa toca aqui o calcanhar-de-aquiles da questão. Será que
os nossos seminários estão formando pastores do povo de Deus? Às vezes se tem a
impressão, do que se vê que os seminaristas estão mais preocupados com as
vestes (batina, barrete, túnicas com forros e bordados sofisticados) do que com
o serviço do povo fiel de Deus. Da impressão que mais celebram a “liturgia de
panos”, do que o Mistério de Deus. É uma infiltração do mundanismo e vaidades,
às vezes, contra a vontade dos formadores... “Depois, eu me arrepio pensando,
diz o Papa, que esses pequenos monstros é que vão formar o povo de Deus!” (Papa
Francisco aos Superiores Maiores em 29.11.14).
Todos somos responsáveis pela formação, os leigos também.
Rezemos pelas vocações, para que tenhamos santos sacerdotes e pastores do Povo
fiel de Deus.
Com a benção e oração.
Dom Ceslau.
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30/01/2018
Papa visita presídio feminino
As viagens Apostólicas do Papa não deixam ninguém excluído. No
Chile visitou o presidio feminino. A mensagem que dirigiu para elas podemos
sintetizar em duas palavras: dignidade e esperança.
Ele disse: “Ser privadas da liberdade não é o mesmo que ser
privadas da dignidade, não! Não é a mesma coisa, A dignidade não se toca, em
ninguém. Zela-se, defende-se, nutre-se. Ninguém pode ser privado da dignidade.
Vós estais privadas, sim, mas da liberdade”.
O Papa não justifica erros cometidos. Mas afirma que ninguém
pode privar a quem quer que seja da dignidade. Se por um momento a pessoa
perdeu a dignidade cometendo o erro ou crime, como consequência fica privada da
liberdade. Esta privação da liberdade tem o objetivo não só pagar a dívida para
com a sociedade (castigo, pena), mas também restabelecer a dignidade da pessoa.
A pena deve visar a correção e a futura reintegração na sociedade.
A reflexão: os nossos presídios respeitam e visam
restituição da dignidade da pessoa? Numa cela programada para 4 ou 6 presos,
abriga 12 ou mais. No Brasil não temos presídios, temos depósitos dos objetos
humanos. O Papa, como Vigário de Cristo, condena o crime, mas denuncia a
violação da dignidade humana.
Com a oração, para que Deus nos livre de todos os males da
alma e corpo, e com a benção.
Um boa Noite.
Dom Ceslau.
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31/01/2018
Papa Francisco falou da esperança.
Para as presidiárias em Chile (e para todo o mundo), o Papa
Francisco falou da esperança. Esperança de no futuro perto ou longe,
reintegrar-se a sociedade. Ele disse: “...a vida se constrói olhando para o
futuro, e não para trás. Hoje estais privadas da liberdade, mas isto não
significa que esta situação é definitiva. Levantai o olhar sempre para
frente...”. Uma pena sem futuro, uma condenação sem futuro não é uma condenação
humana: é tortura”. (...) "Isto, exigi-o de vós mesmas e da sociedade. (...)
olhai sempre para a frente, para a reintegração na vida normal da sociedade”.
O objetivo da Pastoral Carcerária, uma das pastorais mais
difíceis, é este. Manter a esperança nos presos, mas deva estender-se à
família do preso e também da (das) vítima (as) prejudicada(as) com o crime. A
todos levar a esperança da misericórdia de Deus e esta, renovará a face da
terra. Com a oração e a minha benção.
Boa Noite.
Dom Ceslau.
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01/02/2018
Papa Francisco na América latina
Nas suas andanças apostólicas pela América Latina o Papa
Francisco quis encontrar-se com o povo Amazônico. Aconteceu isto em Puerto
Maldonado, em Peru. Expressou a alegria deste encontro, ouviu o “clamor do povo
amazônico” e expressou o desejo de “plasmar nesta região uma Igreja com o rosto
amazônico e uma Igreja com o rosto indígena”. Disse: “com este espírito,
convoquei o Sínodo para a Amazônia no ano 2019”. O Papa considerou como a primeira
sessão deste sínodo, o encontro agora realizado. No seu discurso disse:
“reafirmamos uma opção sincera em prol da defesa da vida, defesa da terra e
defesa das culturas”. No seu entender, “a defesa da terra não tem outra
finalidade senão a defesa da vida”.
O Evangelho não destrói a cultura nativa. Sublima-a. Jesus
também se encarnou numa cultura, hebraica, e a partir dela ofereceu-se- nos.
Cada cultura que recebe o Evangelho não a destrói, mas enriquece, e a Igreja
por meio dela, apresenta uma nova face do mesmo rosto de Cristo.
Com a minha oração e benção. Boa e repousante noite.
Dom Ceslau.
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02/02/2018
A Oração Missionária
Na viagem Apostólica ao Peru, o Papa Francisco encontrou-se
com as Religiosas Contemplativas -Monjas. (Quem é o Monge (a)? É aquele que vive em Deus e em busca do
Divino. O silêncio, o estudo e a oração, são os elementos que fazem parte do
cotidiano do monge. A casa onde eles vivem chama se o Mosteiro).
Nesta ocasião, o papa num tom muito cordial fala a elas
sobre a oração, mas a oração não aquela “que esbarra no muro do convento e
volta para trás”, fala da oração missionária. “A oração que sai e parte...”.
E o Papa explica: “a oração missionária é uma oração que
consegue unir-se aos irmãos nas mais variadas circunstâncias em que se
encontram, pedindo que não lhes falte o amor e a esperança”. Desta forma a
“vida na clausura consegue ter o alcance missionário e universal, um papel
fundamental na Igreja. Através da oração de dia e de noite aproximais do
Senhor as várias situações da vida humana. Através da oração a miséria dos
homens se aproxima ao poder de Deus. (...) “podemos afirmar que a vida de
clausura não algema, nem restringe o coração; antes o alarga”.
Reflexão: A vida dos monges e monjas não está compreendida
na sociedade. Para a sociedade cada mosteiro envolve um ar de mistério.
O Papa abre a cortina do segredo da vida dos mosteiros e da
vida contemplativa. Mostra que esta vida enclausurada é muito útil para todos.
Eles “tem o papel fundamental na Igreja”.- “Através da oração a miséria dos homens se
aproxima ao poder de Deus”. - O Papa Francisco, nesta “cultura de descarte”
mostrou o valor e a importância da oração, da intercessão. Os Monges (as) sem
cessar intercedem a Deus pelo mundo. Se não rezo por qualquer motivo, sei que
alguém esta rezando por mim. Não estou abandonado nesta sociedade materialista.
Existe a gratuidade, a virtude que Jesus nos revelou e a
qual nós esquecemos. Alguém gratuitamente intercede por nós. São os Monges e
Monjas.
Um abraço e uma boa noite. Com a minha benção e a oração.
Dom Ceslau.
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Dom Ceslau Stanula - Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA,
escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL
Papa Francisco: “Olhar para Jesus e se encher de alegria”
"Eu convido vocês a tirarem, hoje, cinco minutos, dez
minutos, sentados, sem rádio, sem televisão; sentados, e pensar sobre a própria
história: as bênçãos e dificuldades, tudo.
As graças e os pecados: tudo.
E olhar ali a fidelidade daquele Deus que permaneceu fiel à
sua aliança, e se manteve fiel à promessa que fizera a Abraão, permaneceu fiel
à salvação que prometera em Seu Filho Jesus.
Estou certo de que entre as coisas talvez ruins - porque
todos nós temos, tantas coisas ruins, na vida - se hoje fizermos isso, vamos
descobrir a beleza do amor de Deus, a beleza de Sua misericórdia, a beleza da
esperança.
E tenho certeza que todos nós estaremos cheios de
alegria!"