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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

RETUMBANTE CONVERSÃO DE UM JUDEU – Plinio Corrêa de Oliveira

 


REPRESENTAÇÃO DA APARIÇÃO DE

NOSSA SENHORA A ALPHONSE

RATISBONNE

No dia 20 de janeiro de 1842, há exatamente 180 anos, o judeu Alphonse Ratisbonne se converteu milagrosamente ao catolicismo, por intervenção direta de Nossa Senhora

Plinio Corrêa de Oliveira

De família muito rica de banqueiros de Estrasburgo (Alemanha), o jovem judeu Alphonse Tobias Ratisbonne (1814-1884) percorria vários países. Após uma viagem ao Oriente, em 1842 passou uma temporada em Roma, onde se encontrou com um antigo colega, Gustavo de Bussières, de religião protestante. Na residência deste, conheceu seu irmão, o Barão Teodoro de Bussières, que havia se convertido ao catolicismo.

Naqueles dias falecera em Roma um grande amigo do Barão, o Conde de La Ferronays (1777-1842), ex-embaixador da França junto à Santa Sé.

Assim, Bussières convidou Ratisbonne para acompanhá-lo à igreja de Sant’Andrea delle Fratte a fim de tratar de uma cerimônia fúnebre pelo falecido. Concordou de mau grado, pois o judeu detestava a religião católica, mas como turista iria para apreciar as obras de arte daquela igreja romana.

Após tratar do assunto da cerimônia, o Barão de Bussières voltou para o centro da igreja e se deparou com uma grande surpresa: Ratisbonne ajoelhado em frente ao altar lateral de São Miguel Arcanjo! O judeu rezando fervorosamente, extasiado, maravilhado.

Banhado em lágrimas, disse ao amigo que tinha visto Nossa Senhora numa aparição sobre o altar. Pela descrição que fez, tratava-se de Nossa Senhora das Graças, como aparece na Medalha Milagrosa [foto ao lado].

Ratisbonne achava-se completamente mudado, estava convertido, e queria mudar de vida. Ele se fez batizar. Alguns até consideram que ele tenha morrido em odor de santidade.

Naquele altar da aparição foi introduzido um quadro que representa Nossa Senhora segundo as descrições de Ratisbonne. Ela é chamada de Madonna del Miracolo (Nossa Senhora do Milagre).

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio

Corrêa de Oliveira em 20 de janeiro de 1973. Esta

 transcrição não passou pela revisão do autor. Fonte:

Revista Catolicismo, Nº 853, Janeiro/2022.

https://www.abim.inf.br/retumbante-conversao-de-um-judeu/

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quarta-feira, 29 de setembro de 2021

NA GUERRA DA CORÉIA, O MILAGRE DE SÃO MIGUEL ARCANJO



Neste dia 29 de setembro, a Santa Igreja Católica celebra o dia de São Miguel Arcanjo. Em memória dessa efeméride, reproduzimos uma história impressionante ocorrida durante a Guerra da Coréia (1950).

Trata-se de uma verdadeira história que se passou com um marine (fuzileiro naval norte-americano), ferido naquela guerra.

Escrevendo para sua mãe, ele lhe contou sobre um fascinante encontro que teve durante a guerra. O Padre Walter Muldy, um capelão da Marinha que conversou com o jovem fuzileiro e sua mãe, como com o comandante do grupo de combate, sempre confirmou a veracidade desta história prodigiosa. Nós a ouvimos de uma pessoa que leu a carta original e relata a história em todos seus detalhes e o faz em primeira pessoa, para melhor transmitir algo do impacto que o fato deve ter causado quando pela primeira vez escrita pelo filho à sua mãe.

"Querida mamãe:

Estou escrevendo à senhora de uma cama de hospital.


Mãe não se preocupe, eu estou bem. Fui ferido, mas o médico disse que logo estarei de pé. Mas, não é sobre isso que preciso escrever-lhe. Algo aconteceu comigo que não ouso contar a ninguém com medo de que não acreditem. Mas, preciso contar a senhora — única pessoa em quem posso confiar, embora mesmo a senhora possa julgar como inacreditável.

A senhora se recorda da oração a São Miguel que me ensinou a rezar, quando eu era pequeno? “Miguel, Miguel da manhã…*” Antes de partir para a Coréia, a senhora recomendou com insistência que eu me lembrasse dessa oração antes de qualquer confronto com o inimigo. Mas, realmente, mãe, a senhora não precisaria me ter lembrado isso. Eu sempre a rezei e quando cheguei à Coréia, frequentemente eu a rezava, várias vezes durante o dia, enquanto marchava ou descansava.

Certo dia, fomos convocados para fazer um reconhecimento em busca de guerrilheiros comunistas.

Era um dia em que fazia muito frio. Quando já havia caminhado um tanto, percebi outro soldado andando ao meu lado e olhei para ver quem era. Era um rapaz alto, um fuzileiro alto de quase 2 metros e constituição forte. Estranho, mas eu não o conhecia e pensei que nunca o havia visto em minha unidade. Fiquei satisfeito por ter companhia e quebrei o silencio entre nós.

— “Faz frio, hoje, não?” Comecei então a rir baixinho, porque de repente me pareceu um absurdo conversar sobre o clima, quando estávamos avançando para enfrentar o inimigo!

Ele também sorriu.

— “Acho que conheço todo mundo em minha unidade, mas nunca o vi antes”.

— “Não”, ele concordou. “Eu acabo de chegar, meu nome é Miguel!”

— “Verdade? É também o meu nome”.

— “Eu sei. Miguel, Miguel da manhã…”

Mamãe; fiquei realmente surpreso que ele soubesse assim minha oração, mas eu havia falado dela a tantos rapazes, que supus que o recém-chegado ouvira falar disso através de algum deles. Na verdade, isso se tornara tão conhecido, que alguns de meus companheiros me chamavam de “São Miguel”.

Então, de repente, Miguel disse:

— “Vamos ter problemas à frente”.

Surpreendi-me, pois não podia perceber como ele sabia disso. Eu respirava fortemente, por causa da marcha e meu hálito enchia o ar frio com densas nuvens de neblina. Miguel parecia estar em ótima forma, porque eu não percebera sua respiração, até então. Nesse momento, começou a nevar tão fortemente, que logo não mais pude ouvir ou ver o restante da minha unidade. Fiquei um pouco assustado e gritei:

— Miguel !!”

Senti, então, sua forte mão em meu ombro e ouvi sua voz:

— “Vai clarear logo”.

De repente, a nevasca parou. E então, a uma pequena distância de nós, assustadoramente reais, estavam sete guerrilheiros comunistas, eu diria quase cômicos com seus chapéus típicos. Mas não havia nenhuma graça em suas atitudes: suas armas estavam engatilhadas e apontadas exatamente em nossa direção.

— “Para baixo, Miguel”, gritei, e mergulhei para me proteger.

No chão, olhei para cima e vi Miguel ainda em pé, paralisado, e achei que era por medo, como julguei naquele momento. Balas espocavam de todos os lados e não havia lugar que os comunistas não atingissem a tão curta distância.

Eu pulei para fazê-lo deitar-se e foi então que fui ferido. Senti a dor como uma forte queimadura em meu peito e desmaiei. Enquanto ia perdendo os sentidos, ainda me recordo que pensei: “devo estar morrendo”.


Alguém estava me erguendo, um braço forte me segurava e me colocava com cuidado sobre a neve. Apesar do choque, abri os olhos e o sol pareceu penetrar neles. Miguel ainda estava em pé e havia um enorme clarão em sua face. De repente, abrasou-se como o sol, um resplendor o rodeava intensamente, como as asas de um anjo. Quando perdi a consciência, ainda vi que Miguel segurava uma espada em sua mão e que ela faiscava como milhares de luzes.

Mais tarde, quando recobrei os sentidos, meus companheiros vieram me ver, com o sargento, que me perguntou:

— “Como você fez aquilo, rapaz?”

— “Onde está o Miguel?” O sargento pareceu perplexo. “Miguel, o fuzileiro alto, que andou comigo até o último momento. Eu o vi, quando desmaiei”

— O sargento disse gravemente: “Você é o único Miguel em minha unidade. Posso pesquisar entre todos os demais soldados, mas só há um Miguel, que é você. Ademais, você não estava caminhando com ninguém. Eu o observava, porque você se distanciou muito de nós, e fiquei preocupado. Agora, conte-me, como você fez aquilo?”

Era a segunda vez que me fazia essa pergunta, e eu me irritei.

— “O que eu fiz?”

— “Como você enfrentou e conseguiu matar aqueles sete guerrilheiros comunistas?”

— “O quê?”

— “Rapaz, os guerrilheiros estavam estendidos ao seu redor, cada um morto por um golpe de espada”.

Esta é, mamãe, a minha história. Pode ter sido o ferimento, o clarão do sol ou o frio. Eu não sei, mamãe, mas de uma coisa estou certo: ISTO REALMENTE ACONTECEU! …

Com todo amor de seu filho Miguel.


* Eis o texto da oração (em inglês e a tradução):


Michael Michael of the morning
Fresh chord of dawn adorning
Keep me safe today
And in time of temptation
Drive the devil away.
Amen!

Miguel, Miguel da manhã,
Canção suave da aurora ornada
No dia de hoje me guarde em segurança
e na hora da tentação
leve o demônio embora.

Amém!

___________

Fonte: Revista da TFP americana Cruzade, Novembro/dezembro de 2002.

Saint Michael the Archangel Saves U.S. Combat Marine – TFP Student Action

 https://www.abim.inf.br/na-guerra-da-coreia-o-milagre-de-sao-miguel-arcanjo/

 

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quinta-feira, 15 de julho de 2021

SÃO ROQUE - PATRONO CONTRA EPIDEMIAS E DOENÇAS CONTAGIOSAS - Plinio Maria Solimeo



Modelo de caridade e confiança, o santo muito auxiliou e operou milagres junto a pessoas infectadas durante uma epidemia na época medieval.

Plinio Maria Solimeo


          No final do século XIII e início do XIV a cidade de Montpellier, hoje francesa, pertencia ao reino de Mallorca, da casa real de Aragão. O governador da cidade, João, cuja esposa Libéria era também de ilustre família, gozava de todo o prestígio do cargo e de boa fortuna. Mas não tinham filhos. Com muita fé, importunaram os Céus para obtê-los, e foram ouvidos. Roque, o menino que lhes nasceu, trazia impressa no peito uma cruz vermelha, sinal de sua predestinação.

Busca da perfeição

         Herdeiro de uma família que dera ao conselho da cidade vários membros, Roque era de natural bondoso, afável e cordato, conquistando facilmente os corações. Amando a Deus sobre todas as coisas, é natural que tivesse também caridade extrema para com o próximo, e os pobres eram seus preferidos. Socorrê-los, ampará-los, fazer-lhes bem era sua maior alegria, pois neles via o Divino Salvador.

          Roque perdeu o pai aos 19 anos, e a mãe quase em seguida. Único herdeiro da considerável fortuna da família, herdava também o cargo de governador da cidade. Entretanto, de há muito vinha meditando o conselho evangélico: “Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres, e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-me” (Mt 19, 21). E ele queria ser perfeito, por isso vendeu tudo o que conseguiu e distribuiu o produto aos pobres. Deixou a seu tio paterno a administração do que restou, cedendo-lhe também o direito de sucessão.

Atendendo as vítimas


         Com traje de peregrino e um bastão na mão, Roque partiu com destino a Roma, para visitar os lugares santos e decidir seu futuro.

          Andando sempre a pé, e alimentando-se com o que recebia de esmola, chegou a Aquapendente, nos Estados Pontifícios. Ali grassava a peste, causando grandes danos especialmente entre os pobres. Inspirado por Deus, deteve-se na cidade com o desejo de assistir os empestados. Para isso dirigiu-se ao hospital local. O administrador, vendo-o tão jovem e delicado, mostrou-lhe os inconvenientes do ofício, inclusive a probabilidade de contágio. Roque insistiu, acabando por ser aceito.

          Percorrendo as salas onde estavam os empestados, lavava-lhes as feridas, fazia-lhes o leito e prestava-lhes os serviços mais repugnantes. Suas palavras tinham a virtude de inundar de alegria aquelas almas tão provadas, devolvendo-lhes a esperança da salvação neste mundo e principalmente no outro. Fazia sobre as chagas o sinal da cruz, curando milagrosamente a muitos.

          Visitava as casas onde havia pessoas atingidas pela peste, e ali desempenhava o mesmo papel, com igual sucesso. Logo correu pela cidade a notícia de que um “anjo” tinha descido do Céu para socorrer os flagelados pela epidemia. Todos queriam vê-lo, tocá-lo, ter alguma coisa sua.

         Não procurando sua glória, mas a de Deus, Roque fugiu dessa popularidade, abandonando furtivamente a cidade.

Na Cidade Eterna

Parte do bastão de São Roque

         Dirigiu-se então para Cesena, na Lombardia, ao saber que a cidade fora também atingida pela peste. Prodigalizando aos flagelados os mesmos cuidados, conseguiu debelar a peste. Um afresco na catedral local registra essa benéfica passagem do apóstolo da caridade.

         Chegando a Roma, constatou que a epidemia a atingira da maneira mais inexorável. A cidade parecia deserta, todos temendo sair às ruas devido ao risco do contágio. O medo e o egoísmo endureciam os corações, e apenas alguns generosos cidadãos e magistrados dedicavam-se a atender os atingidos pelo peste. Os doentes em estado terminal eram postos nas ruas pelos próprios parentes, e não havia quem deles cuidasse.

         À vista desse lúgubre espetáculo, Roque pôs-se imediatamente ao trabalho, determinado a morrer, se necessário fosse. Sua caridade heroica não recuava diante de nenhum obstáculo ou perigo, por mais terrível que fosse. O mal diminuía por toda parte onde atuava, o contágio desaparecia. Viam-se doentes no estado mais desesperador voltar à vida, tão logo ele lhes fazia o sinal da cruz.

         Os empestados arrastavam-se até os locais onde o santo iria passar, para vê-lo, tocá-lo e receber a cura prodigiosa que se obtinha com sua presença. Os próprios cardeais da Santa Madre Igreja procuravam-no para que, traçando sobre eles o sinal da nossa salvação, fossem preservados do contágio da temível epidemia.

         Passado o surto da doença, permaneceu ele ainda em Roma durante três anos, pedindo esmolas nas portas dos palácios para levá-las aos tugúrios, visitando as basílicas e indo de hospital em hospital para levar o alívio a todos os contagiados que gemiam no leito de dor.

         Percorreu depois as cidades atingidas pela epidemia na campanha romana, prodigalizando os mesmos cuidados e operando os mesmos prodígios.

Vítima da caridade

         Chegando a Placência, foi logo ao hospital, onde atendeu os doentes. Mas teve que ir para o leito. Em sonho aparecera-lhe um anjo do Senhor, que lhe disse: “Servo bom e fiel, até agora suportaste grandes trabalhos por amor do Deus todo poderoso. É agora necessário que sofras também os mesmos males, para que padeças um pouco o muito que [Jesus] sofreu por ti”. Roque acordou ardendo em febre, sentindo na coxa esquerda uma dor tão violenta que era quase insuportável: fora atingido pela peste!

         Sofria tanto, que gritava de dor. Para não atrapalhar os outros doentes, arrastou-se até uma floresta vizinha, apoiado num bastão. Além da febre altíssima, devorava-o uma sede insaciável, o que o fez suplicar a Deus o socorro naquele transe. No mesmo instante surgiu uma fonte, quase a seus pés, na qual ele pôde saciar a sede, lavar suas feridas e refrescar-se.


Cachorro levava pão para São Roque doente

          Faltava-lhe o que comer, mas a Providência velava por ele. Havia perto do local umas casas de campo, nas quais se haviam refugiado habitantes da cidade para escapar do contágio que os flagelava. Numa delas, no momento em que o proprietário se punha à mesa, um de seus cães de caça pegou um pão na boca e saiu em disparada. Isso ocorreu nos dias seguintes. Intrigado, o seu dono Gotardo seguiu-o, descobrindo Roque (a quem o cão levava o alimento) estendido no solo, numa cabana abandonada. O santo pediu-lhe que permanecesse longe, para não ser contagiado.

          Gotardo voltou para casa, mas a sucessão de fatos não lhe saía da cabeça. Chegou à conclusão de que seu cão era mais caridoso que ele, pois socorria o doente, enquanto ele nada fazia. Iluminado pela graça, voltou à cabana, dizendo a Roque que estava determinado a ficar ali e a dele cuidar até que sarasse ou morresse. Vendo nisso a mão de Deus, o santo assentiu.

         Entretanto o cão não mais voltou, e agora eram duas bocas a alimentar, pois Gotardo estava determinado a não voltar para casa. O que fazer? Roque sugeriu-lhe então um ato heróico: pegasse seu manto de peregrino e fosse à cidade pedir pão de esmola para a sobrevivência de ambos, mostrando-lhe o valor que isso teria aos olhos de Deus. Resolvido a vencer-se a si mesmo, Gotardo aceitou jubiloso o conselho.

         Quando os conhecidos de Gotardo o viram na cidade vestido daquele modo e pedindo esmola, ficaram estupefatos. Uns riam-lhe na cara, outros lhe viravam o rosto, de modo que no fim da jornada só tinha conseguido de esmola dois pãezinhos. E assim foi até que Deus, nos seus desígnios insondáveis, curou o santo, inspirando-lhe também o desejo de voltar para sua cidade natal. Partiu depois de ver Gotardo instalado numa cabana como eremita. Ele também vendera todos os seus bens e distribuíra o produto aos pobres, determinado a procurar a perfeição. A respeito desse Gotardo tão generoso, muitos afirmam que morreu também em odor de santidade, embora se ignore a data de sua morte.

Rejeitado pelos seus


Relíquia do santo

         Quando Roque chegou a Montpellier, a cidade estava em guerra. Vestido pobremente como estava, e não querendo informar quem realmente era, foi tido como espião. Por ordem do governador da cidade — seu próprio tio, que não o reconheceu, tão mudado estava pela doença e privações — foi condenado à prisão perpétua. Permaneceu numa enxovia por cinco anos, acrescentando aos naturais sofrimentos outros que a penitência e a piedade lhe sugeriam. No fim desse tempo, entregou a Deus sua bela alma, purificada e embelezada pela caridade, no dia 16 de agosto de 1327, com apenas 32 anos de idade.

         Ao removerem seus restos mortais, os carcereiros descobriram a cruz em seu peito, por meio da qual foi revelada sua identidade. Foi extremo o pesar do governador, ao saber que daquele modo tão ignominioso morrera quem tinha o seu mesmo sangue, e que tão generosamente lhe dera o cargo que ocupava. Preparou-lhe os mais honrosos funerais.

         A fama das virtudes desse santo singular ultrapassaram as fronteiras da França, espalhando-se por toda a Europa. Passou a ser invocado como o patrono contra a peste e as feridas incuráveis.

         Narra-se que durante o Concílio de Constança (novembro de 1414 a abril de 1418, na Alemanha) uma terrível epidemia ameaçava interromper os trabalhos da magna assembléia. Por sugestão de um de seus membros, que deu como exemplo o que se fazia na França, foram prescritas rogativas e jejuns em honra do então venerável Roque. Uma imagem sua percorreu as ruas da cidade, e quase imediatamente cessou a epidemia.

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Fonte : Revista Catolicismo, Agosto/2010.

Obras Consultadas:

● Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo IX, pp. 645 ss.

● Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, tomo III, Ediciones Fax, Madri, 1945, pp. 369 ss.

● Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, Saragoça, 1948, tomo IV, pp. 473 ss.

● Gregory Clearly, Saint Roch, The Catholic Encyclopedia, Online version, www.newadvent.com.

https://www.abim.inf.br/sao-roque-patrono-contra-epidemias-e-doencas-contagiosas/

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sábado, 22 de maio de 2021

VIRGEM MILAGROSA INABALÁVEL EM FURACÃO COLOMBIANO

 


No arquipélago colombiano de San Andrés, no Caribe, o furacão Iota, de máximo furor, arrasou 98% das casas no final do ano passado. Só resistiu uma imagem de Nossa Senhora das Graças [fotos], de 1,80m, montada sobre um alto pedestal, num relevo junto ao mar de onde veio o furacão.

O presidente da Colômbia, Iván Duque, visitou o local e falou na TV: “É impactante que, após a passagem de um furacão de categoria 5, ela ficasse de pé. […] O certo é que essa imagem é poderosa”.

O Pe. Alexander García, do vicariato de San Andrés, afirmou que “a imagem em pé da Virgem Maria é um sinal da presença de Deus. […] Em horas amargas e dolorosas a fé nos conforta e nos encoraja a seguir em frente. É a presença da Mãe que cuida de seus filhos nos momentos de dificuldade”.







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quarta-feira, 5 de maio de 2021

NA COVA DA IRIA, A FONTE DE ÁGUAS MILAGROSAS QUE FOI ESQUECIDA


O antigo fontanário de Fátima foi um manancial de incontáveis graças e milagres, de benefícios físicos e conversões até de pecadores empedernidos, a tal ponto que foi considerada como sendo a “Lourdes portuguesa”. Por que se ocultou essa abençoada fonte que fascinava todas as almas, cativava todos os corações?

Transcrição do editorial da revista Catolicismo*, Nº 845, maio/2021

 

Um enorme e dolorido calo no ombro, criado pelas cestas de peixe, depois de algum tempo se ulcerou e tornou-se canceroso. Era esta uma grave enfermidade para o peixeiro lisboeta Joaquim Neto. Contudo, não era o pior. Sua doença mais grave era moral: vivia com uma mulher com quem não era casado, tiveram três filhas, e para nenhuma delas pedira o batismo.

Apesar de tudo, Maria Filomena Macieira, a mulher, residente na Avenida 5 de Outubro, n° 201 (Lisboa), era devota de Nossa Senhora. Compadecida das dores de Joaquim, recebeu uma inspiração sobrenatural e aplicou em seu ombro canceroso algumas gotas da ‘água da fonte de Fátima’, rezando por sua cura.

Na manhã seguinte Joaquim estava completamente curado; e, carregando ao ombro o cesto de peixe, disse à mulher: “Estou doido de alegria. Desde que me pôs a água, não mais senti dores”. Derramando copiosas lágrimas, ambos ficaram sem saber como agradecer o milagre operado pela ‘água de Nossa Senhora’. A Sabedoria divina os iluminou, e decidiram realizar logo o matrimônio religioso segundo a Lei de Deus e batizar as três meninas. O que ocorreu no dia 9 de janeiro de 1927, festa da Sagrada Família.

Neste caso, foram dois os milagres — um físico e outro espiritual — sendo o mais prodigioso a conversão a Deus. A matéria de capa desta edição reproduz outros milagres ocorridos ao se fazer uso das águas da fonte de Fátima — a ‘Lourdes de Portugal’.


Milhares de milagres como este, todos comprovados, aconteceram pelo simples fato de os doentes beberem das ‘águas de Fátima’ ou nelas se molharem. Só o boletim Voz da Fátima (que já em 1937 contava com a excepcional tiragem de 380 mil exemplares) registrou mais de mil curas prodigiosas, que surpreenderam médicos e cientistas.

Cabe aqui uma pergunta: quem ouviu falar ou tem algum conhecimento desses milagres, muitos deles comprovados por médicos e autoridades? Tão geral desconhecimento faz pensar em um ‘tema proibido’. Por que ocultar tanta bondade maternal de Nossa Senhora, manifestada também desse modo a seus devotos em Fátima? Por que foram soterradas as abençoadas fontes?

De posse de documentos idôneos, a revista Catolicismo deste mês [capa acima] expõe pela primeira vez a seus leitores a história das ‘fontes de Fátima’. Uma história comovedora e maravilhosa de curas corpóreas, mas sobretudo de graças espirituais e curas morais, como a de empedernidos pecadores e libertinos que inesperadamente se converteram, fazendo uso das águas da Cova da Iria.

Supliquemos à Senhora de Fátima, Salus Infirmorum, que opere o grande milagre universal da conversão de toda a humanidade neopagã, mesmo que se tenha de passar antes pelos merecidos castigos. E também, como outra graça prometida por Ela, o advento de seu reinado na Terra.


* Para fazer uma assinatura da revista Catolicismo envie um e-mail para catolicismo@terra.com.br

 

https://www.abim.inf.br/na-cova-da-iria-a-fonte-de-aguas-milagrosas-que-foi-esquecida/

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

LOURDES – NECESSÁRIA, MAIS QUE NUNCA, NESTE ANO PANDÊMICO



Fonte: Revista Catolicismo, Nº 842, Fevereiro/2021

Muito lamentavelmente, o santuário de Nossa Senhora de Lourdes, nos Pirineus franceses, permaneceu fechado durante quase todos os meses do ano passado. Em muitos outros locais e ocasiões de devoção, também não foram devidamente celebradas as tradicionais festas religiosas nesse ano catastrófico da pandemia — Fátima, Aparecida, Círio de Nazaré, Corpus Christi, nem mesmo a Semana Santa e o Santo Natal.

No que se refere a Lourdes, os fiéis e peregrinos ficaram privados das graças e curas, dos milagres grandes e pequenos que desde 1858 se operam na gruta de Massabielle, naqueles abençoados lugares às margens do rio Gave. Não puderam beneficiar-se das águas da fonte milagrosa nem das piscinas, onde tantos peregrinos procuram cura espiritual e física, como registram milhares de documentos.

            O pretexto da pandemia para esse fechamento é injustificável, pois exatamente em ocasiões como essa as pessoas mais precisam pedir a cura e graças, concedidas abundantemente em Lourdes por Aquela que ali afirmou: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

            Para a festividade litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, fixada no dia 11 de fevereiro, a equipe de Catolicismo pesquisou conferências, artigos e comentários do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre esta devoção mariana. Do amplo e rico material encontrado, selecionamos alguns trechos cuja transcrição oferecemos a seguir. [A ABIM, ao longo desta semana, reproduzirá em capítulos essas matérias concernentes a Lourdes].

            Ajudados por esses comentários, os leitores poderão se dirigir espiritualmente a Lourdes, para pedir à Imaculada Conceição a nossa cura, a de nossos parentes e conhecidos, e sobretudo a ‘cura’ da Santa Igreja, mergulhada na pior crise de sua história bimilenar.

Da redação de Catolicismo


Doentes diante da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes

Em Lourdes, curas milagrosas e resignação no sofrimento

Nossa Senhora revela sua bondade, mostra que é nossa Mãe, que tem pena de nós e pratica maravilhas por seus devotos; mas tem também desígnios bondosos quando não atende nossos pedidos

Os acontecimentos de Lourdes são muito ricos em ensinamentos, um dos quais é sobre o sofrimento. Vemos naquela cidade, abençoada pelas aparições de Nossa Senhora a Santa Bernadette Soubirous, duas atitudes da Providência diante do sofrimento humano. Ambas têm sua razão de ser, dentro da perfeição dos planos divinos, apesar de parecerem até contraditórias.

De um lado, o que mais chama atenção em Lourdes é Nossa Senhora ter pena dos que sofrem, atender seus rogos e praticar milagres para livrá-los das dores que os atormentam. Pela bondade que Ela manifesta em Lourdes, mostra que é nossa Mãe, tem pena de nós, quer e pode praticar maravilhas por nós. Ela tem também pena das almas, e para provar que a Fé Católica é a única verdadeira, opera milagres para obter conversões.

Mas outro aspecto do sofrimento, que notamos em Lourdes, são os inúmeros doentes que peregrinam à abençoada cidade francesa e voltam sem obter a cura desejada. A maior parte dos peregrinos volta sem o milagre da recuperação na saúde. Por que Nossa Senhora opera a cura de alguns e não de todos? Facilmente compreendemos a bondade pela qual alguns são curados, mas qual a razão pela qual outros não o são? O motivo é que Nossa Senhora nos revela assim outro grande ensinamento.

Ação da Providência no milagre e na ausência do milagre

Eu creio que a razão mais profunda desse fato é um dos mais estupendos milagres de Lourdes. Para a grande maioria das almas, o sofrimento é necessário para acrisolamento das virtudes e para a santificação. Sofrimentos como as doenças são necessários para a salvação das almas. Por meio das enfermidades e das provações espirituais, aceitando o sacrifício, a pessoa se santifica. Não compreende o amor de Deus e a regeneração espiritual quem não compreende o papel do sofrimento para obter das almas o desapego. São Francisco de Sales chegou a afirmar que o sofrimento é de tal maneira indispensável, que pode ser considerado verdadeiramente um 8º sacramento.1


Cardeal Pedro Segura y Sáenz

O Cardeal Segura y Saenz,2 com quem eu estive numa viagem à Espanha, contou-me o diálogo que teve com Pio XI. Este Papa se gabava, diante do Cardeal, de nunca ter estado doente. O Cardeal Segura sorriu, e disse: “Então Vossa Santidade não tem o sinal de predestinado. Não há predestinado que não adoeça, e gravemente; que não sofra muito, pelo menos em determinado período de sua vida. Se Vossa Santidade nunca teve nada afetando a saúde, não tem o sinal da predestinação”.

Pio XI aceitou como verdadeira a categórica afirmação do Cardeal espanhol, e alguns dias depois teve um enfarte. Então escreveu um bilhetinho ao Cardeal: “Eminência, já tenho o sinal de predestinado”. Como outros tipos de sofrimento físico, moral etc., realmente a doença é sinal dos predestinados; ou seja, dos eleitos que Deus põe à prova para merecerem a bem-aventurança eterna no Céu.

Nossa Senhora agiria contra o interesse da salvação das almas, se eliminasse todas as doenças que grassam pelo mundo. Para certas almas, para certos efeitos, de algum modo convém retirar o sofrimento, mas normalmente não convém. Por essa razão, muitas pessoas vão a Lourdes e voltam sem terem sido curadas. Isto comprova quanto a Virgem Santíssima, tão misericordiosa, julga indispensável o sofrimento para a salvação de seus filhos.

O maior milagre de Lourdes é a resignação e a aceitação do sofrimento

Em Lourdes, quando não se opera a cura, Nossa Senhora dá aos enfermos tal conformidade com a doença, que eles não se revoltam. Pelo contrário, voltam para suas casas resignados, satisfeitos de terem visitado e rezado na gruta. Viram pessoas serem curadas, mas eles próprios não o foram. Há casos de pessoas que chegam de longe — da Índia, da América etc. — e vendo ao seu lado outros enfermos em estado mais grave que o delas, mudam o seu pedido a Nossa Senhora: que eu não seja curado, conquanto que esse ou aquele doente mais necessitado obtenha a sua cura.

Assim o peregrino enfermo aceita o sofrimento em benefício do outro. Essa nobre atitude é um verdadeiro milagre de amor ao próximo por amor de Deus; um milagre moral arrancado ao egoísmo humano, e isso representa um milagre mais estupendo do que uma cura propriamente dita.

Havia em Lourdes algo talvez ainda mais bonito: um convento de Carmelitas contemplativas com o propósito de expiar e sofrer qualquer doença a fim de obter graças para os corpos e as almas das pessoas que vão à bendita gruta pedir benefícios. Elas nunca pediam suas próprias curas, aceitavam todas as doenças em benefício das almas dos que pedem o milagre da cura. Como vítimas expiatórias, sofriam horrores, levando às vezes uma vida inteira de sofrimentos; e às vezes morriam oferecendo a vida em holocausto, com o objetivo especial de fazer bem às outras almas.


Sofrimentos como as doenças são necessários para a salvação das almas. Por meio das enfermidades e das provações espirituais, aceitando o sacrifício, a pessoa se santifica.

Milagres de caráter espiritual que levam almas para o Céu

Prestando-se atenção na natureza humana decaída pelo pecado original, e sabendo que atos de abnegação não são comuns entre os homens e causam ao egoísmo humano tão grande horror, compreende-se que os peregrinos, aceitando resignadamente quando não são curados, isto pode ser considerado milagre maior do que todas as outras curas que ocorrem em Lourdes.

Tudo isso mostra bem que a intenção de Nossa Senhora, nas curas de Lourdes, é produzir esses milagres de caráter espiritual e moral que salvam as almas para o Céu. O amor d’Ela a seus filhos tem como principal objetivo levá-los ao amor de Deus e à glória celestial. Nada de melhor se pode desejar para eles. O que se diria se Ela tivesse aparecido em Lourdes para fazer bem aos corpos perecíveis, e não para as almas que não perecem?

Devemos amar mais a Deus do que aos homens, e assim compreendemos bem o grande ensinamento de Lourdes. Não é o ensinamento apologético, tão grande e tão importante, mas sim o ensinamento da aceitação da dor, do sofrimento, da derrota, do fracasso se preciso for.

Poder-se-ia objetar: ‘É muito difícil aceitar a dor e carregá-la resignadamente’. A resposta, nós a temos ao contemplar a agonia de Nosso Senhor Jesus Cristo no Horto das Oliveiras. Posto diante de todo o sofrimento, Ele disse: “Pater, si possibile est, transeat a me calix iste” (Meu Pai, se é possível, afastai de mim este cálice – Mt 26,39). Mas depois acrescentou: “Faça-se a vossa vontade, e não a minha”.

         Esta exemplar posição do Divino Mestre é a que devemos tomar diante de nossos sofrimentos particulares. Nesses momentos de dor, poderemos repetir: Meu Pai, se é possível, afastai de mim este cálice; porém cumpra-se a vossa vontade, e não a minha.

Naquele momento de agonia no Horto, um Anjo veio consolar Nosso Senhor. A graça nos consolará a nós também, nos sofrimentos que padecemos. Portanto, tenhamos coragem, resolução, energia. Assim compreenderemos o significado do sofrimento, e teremos alegria em sofrer por amor de Deus. Compreenderemos que sofrer é a dádiva dos predestinados; e não sofrer é a parte dos réprobos.

(Excertos da conferência de Plinio Corrêa de Oliveira em 6-2-1965).

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Notas:

Os sete sacramentos são: Batismo, Confirmação (ou crisma), Eucaristia, Reconciliação (ou penitência), Unção dos Enfermos (ou extrema-unção), Ordem (sacerdotal) e Matrimônio.

Dom Pedro Segura y Sáenz. Nascido em Carazo (Burgos, Espanha), em 4 de dezembro de 1880. Ordenado sacerdote em 1906 e sagrado Bispo em 1920. Seis anos mais tarde, Arcebispo de Toledo. Elevado à púrpura cardinalícia no Consistório de 18 de dezembro de 1927. Em 1937 foi designado Cardeal-Arcebispo de Sevilha, cuja sede ocupou até sua morte, em 8 de abril de 1957.

 

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