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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

ITABUNA – Gabriel Nascif

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ITABUNA


MINHA ITABUNA,
cidade recém-nascida
dos conflitos coronelísticos
e das brigas pelas arrobas
de cacau...

MINHA ITABUNA,
tu és como uma criança
de olhar silencioso,
crescendo despercebida
com esse teu aroma
cacauicultado,
varrendo
a solidão
do RIO CACHOEIRA.

MINHA ITABUNA,
lâmpada do Sul do Estado
que irradia um fogo como fogazal
em forma geométrica
para ILHÉUS e ITAJUÍPE
que têm o mesmo metabolismo,
o  mesmo cacau, o mesmo pau d’arco,
o mesmo vinhático, um pouco
de seringa cristalina e, ainda,
a eternidade dos versos
de Firmino Rocha. 
Gabriel Nascif
                 (O SOPRO DO CACHOEIRA) 
---

Telmo Padilha, autor de Girassol do
espanto, Ementário, Onde tombam os
pássaros, Pássaro/Noite, Canto rouco,
Voo absoluto e Poesia moderna da
região do cacau, assim se expressou
sobre este livro de Gabriel Nascif
Souza:
         
Gabriel Nascif  não é mais um poeta que surge na Região do Cacau, mas um que vem para ficar e que por certo ficará. Ficará porque possui aquelas qualidades que indicam o verdadeiro poeta, o que tem um recado a dar e sabe como fazê-lo. O SOPRO DO CACHOEIRA, que li nos originais, marca sua estreia em livro.

TELMO PADILHA

* * *

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O VOO DE TELMO PADILHA - Cyro de Mattos

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Cyro de Mattos com a esposa Mariza  e o poeta Telmo Padilha, no Grapiúna Tênis Clube, em tempo de carnaval.


O Voo de Telmo Padilha
           Cyro de Mattos

            O romancista Jorge Amado nasceu em Ferradas, lugarejo que naquele tempo da conquista da terra era um  distrito do município de Itabuna, no Sul da Bahia.  Lá, naquele pedaço das terras do sem fim,  também nasceu  Telmo Padilha ( 1930-1977), poeta das questões profundas, que morreu  em acidente automobilístico. O poeta compadre de Jorge Amado está presente em antologias no Brasil e no exterior. Tem livros de poesia publicados na Inglaterra, Japão, Itália, Suíça e Uruguai. Ganhou prêmios literários importantes.

            De sua poesia, disse Manuel Bandeira que “é rica de símbolos e metáforas”, enquanto Carlos Drummond de Andrade observou que  “ se faz sentir e amar pela concentração e o poder de síntese.”  Adonias Filho destaca que “os valores constantes são humanos e, em consequência, universais e eternos: a morte, o medo, o tempo, o nada, a memória. Circunscrita a esses valores, invulnerável a qualquer exterioridade, a poesia de Telmo Padilha pode converter-se  em um marco que congregue  toda a sua geração.”

            Encontra-se nessa poesia  a constituição de um discurso reflexivo, que informa  proposições doloridas na clave das indagações existenciais.  Perguntas sem resposta que se manifestam sobre essa difícil e enigmática travessia do viver, exposta aos olhos como difícil de aceitar, com sua problemática impregnada da vida, morte, solidão,  incomunicabilidade e  infância sem retorno. Essa poesia de aparência fácil  resiste dentro de muros em que a criatura  humana se vê cercada de angústia em função de circunstâncias matizadas pela  fugacidade do tempo. Nessa  travessia que  aloja nos ouvidos  cantos roucos ritmados  de absurdos,  o poeta procura sempre se mover dentro de atitudes críticas. Dessa atmosfera vertiginosa,   na aventura que comporta  abismos e enigmas, pobreza, sofrimento, insônia, apresenta-se com esse poder  de tocar nos seres e coisas com profundidades e larguras. Retira sensibilidades e reflexões entre cortinas espessas da existência, densidade na insensatez  do mundo,  riqueza na   metáfora dolorida sempre hóspede de assombro,  que faz de Telmo Padilha   um  poeta   com todas as essencialidades de que são dotados os bons poetas.    Não preciso mais dizer que é um dos poetas de minha predileção.
  
            Com a tristeza que molha meus olhos agora,  tento quebrar a saudade, conversando e cantando com o poeta e amigo:
   
             -  Ah, Telmo Padilha/ Fale-me que sem a poesia/ o sol não pinta os desertos/ Com as cores da manhã./ O dia não entardece/ Nos braços do ocaso./ Com a razão e a emoção/ Não se estende a palavra/ Pelo vazio do vasto mundo./ A vida é mais pobre/ Sem esse canto agudo/ que em ti é feito exausto/ Como vamos perceber/ Teus passos de agonia, / que ao vento estremecem/ e te escutas nos desvãos?/ Ah, Telmo Padilha/ Fale-me de tua cidade, / A nossa querida Itabuna,/ De todos nós em teu grito,/ De Hélio, Valdelice,/ Firmino, Florisvaldo, / Cada um no seu canto/ Remoendo o seu tanto/  Fale-me dessas ruas,/ De fato não são ruas, /É uma mesma rua /Que começa solitária/ E termina solitária /  Nas vestes de teu ódio,/ Medos e incertezas/  Conquanto seja abrigo,/ Música cortante  da paixão./ No teu dia cor de sombras/ Só podemos amar com dor,/ na forma autêntica da dor/ Onde há setembros/ Que vêm e somem/ Sem saber para onde vão./ Fale-me de teu voo/ Nessa viagem duvidosa/ Que nos oprime de aflição.


Cyro de Mattos é escritor e poeta. Vários livros publicados no exterior. Doutor Honoris Causa da Universidade  Estadual de Santa Cruz.

* * *


sexta-feira, 28 de julho de 2017

ITABUNA DE TELMO PADILHA – Itabuna

ITABUNA


Se não há montanhas,
como escalá-las? 
Se não há florestas,
Com embrenhar-me
em sombras
que não estas?
Se não há o mar,
como falar de águas
e horizontes?

Sou o cantor
desta planície
e me abismo 
em mim,
e desço aos outros
de mim,
e sofro os outros
de mim.


 ..........
TELMO PADILHA - Itabuna 
* 5 de maio de 1930
+ 16 de julho de 1997
Jornalista, membro da Academia de Letras de Ilhéus. Poeta de reflexões existenciais, que constantemente indaga-se, questiona-se, numa linguagem repleta de sutilezas. Inquieto, reafirma uma poética cuja temática indaga de forma intimista o viver, o morrer, a infância, a solidão e, ainda, sua relação com a realidade da sua terra, da cultura do cacau e do tempo que estabelece esta história que se escoa pelas frestas cotidianas. Sua poesia reside numa lírica lucidez, num abismo interior, entre a febre e insônia, expressa num processo criativo maduro e num estilo impecável.

Publicou os livros: "Girassol do Espanto"(1956); "Ementário"(1974); "Onde tombam os pássaros"(1974); "Pássaro da Noite" (1977); "Canto Rouco"(1977); "O Rio"(1977); "Vôo Absoluto" (1977); "Poesia Encontrada"(1978); "Travessia"(1979); "Punhal no Escuro"(1980) e "Noite contra Noite" (1980), todos no melhor gênero da poesia.

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sábado, 17 de junho de 2017

CONTRACAPA DO LIVRO "LAFAYETTE DE BORBOREMA - UMA VIDA, UM IDEAL", DE HELENA BORBOREMA - Por Telmo Padilha

          
Contracapa do livro Lafayette de Borborema - uma vida, um ideal

No tempo de Lafayette de Borborema existiam em Itabuna uma biblioteca pública, um piano para concertos, um grêmio Literário, o teatro era feito em residências, os saraus varavam a noite. Quem conta isso é Helena Borborema. Seu livro é um belo inventário escrito com amor. A gente fica com uma inveja danada daquele tempo, quando as pessoas, ditas ignorantes, sabiam no entanto ser dignas e inteligentes. Não eram nem brutas nem desalmadas.

            Na vila não existiam carros, mas as ruas eram limpas e as fachadas das casas recebiam tinta nova todos os anos. Não se poluía o Cachoeira. Matava-se , é verdade, por ambição ou paixão, ignorância ou orgulho, mas a verminose e a subnutrição não imolavam crianças indefesas como agora. Cinco, em média, por dia. Quem não ganhava para comer não morria de fome. A caridade era um dever. O amor à terra um sentimento generalizado.

            Ao falar de seu pai com a modéstia que dele herdou, ressaltando-lhe as virtudes que justificariam o livro que sobre ele escreveu. Helena Borborema só não é ela mesma quando se detém na descrição de ambientes e paisagens: aí sua imaginação se solta, é minuciosa e pródiga, nada lhe escapa. É uma escritora. Mesmo descrevendo, seleciona, e selecionando, julga. Não reproduz apenas: traduz. E, traduzindo, participa-nos e participa da História.

            Um livro despretensioso o seu, inclusive pela avareza do número de páginas. A gente fica esperando que ela diga mais, e ela não diz. Mas diz o suficiente para que saibamos que Lafayette de Borborema era em sociedade o que era em família, e que a terra que escolheu para viver e morrer não era apenas uma terra de brutos e desalmados, porque os brutos a amavam como já não nos esforçamos por amar.

            Para os jovens, ou alguns velhos que não envelheceram completamente, este livro põe por terra o vaticínio ruibarboseano de que um dia o homem teria vergonha de ser honesto. Sob esse aspecto, “Lafayette de Borborema – um ideal, uma vida”, é um livro subversivo, porque nos prova o contrário. Isto é, que a virtude da honestidade é uma coisa que não morre e que produz mais alegrias do que comumente se admite.

TELMO PADILHA
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HELENA BORBOREMA -  Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município. (A autora)


Conhecida professora itabunense, filha do Dr. Lafayette Borborema, o primeiro advogado de Itabuna. É autora de ‘Terras do Sul’, livro em que documento, memória e imaginação se unem num discurso despretensioso para testemunhar o quadro social e humano daqueles idos de Tabocas. Para a professora universitária Margarida Fahel, ‘Terras do Sul’ são estórias simples, plenas de ‘emoção e humanidade, querendo inscrever no tempo a história de uma gente, o caminho de um rio, a esperança de uma professora que crê no homem e na terra’.  (Cyro de Mattos)

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terça-feira, 11 de abril de 2017

FILHOS DE ITABUNA: Telmo Padilha


Telmo Padilha

Nasceu  em Itabuna, a 5 de maio de 1930.

Foi jornalista e Membro da Academia de Letras de Ilhéus, por indicação de Adonias Filho.

 Publicou os seguintes livros: "Girassol do Espanto"(1956); "Ementário"(1974); "Onde tombam os pássaros"(1974); "Pássaro da Noite" (1977); "Canto Rouco"(1977); "O Rio"(1977); "Vôo Absoluto" (1977); "Poesia Encontrada"(1978); "Travessia"(1979); "Punhal no Escuro"(1980) e "Noite contra Noite" (1980), todos no melhor gênero da poesia. Muitas obras de sua autoria foram traduzidas para o italiano, o espanhol, o inglês, o francês, o alemão e o japonês.

Destacou-se como poeta no cenário nacional e foi agraciado com muitos prêmios como "Melhores Livros", da Câmara municipal de Itabuna (1956); "1º Concurso de Poesia - A Tarde"; "Prêmio Nacional de Poesia do Instituto Nacional do Livro" (1975); Prêmio do Concurso Internacional de Poesia San Rocco, Itália (1976); 1º Prêmio do Concurso de Poesia Firmino Rocha, da Prefeitura Municipal de Itabuna (1981); e Prêmio Sosígenes Costa da Prefeitura Municipal de Ilhéus (1981).

Poeta de reflexões existenciais, que constantemente indaga-se, questiona-se, numa linguagem repleta de sutilezas líricas. Inquieto, reafirma uma poética cuja temática indaga de forma intimista o viver, o morrer, a infância, a solidão e, ainda, sua relação com a realidade da sua terra, da cultura do cacau e do tempo que estabelece esta história que se escoa pelas frestas cotidianas. Sua poesia reside numa lírica lucidez, num abismo interior, entre a febre e insônia, expressa num processo criativo maduro e num estilo impecável.

Telmo Padilha faleceu no dia 16 de julho de 1997, quando sofreu um acidente de automóvel.




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É de Telmo Padilha o poema... 


FALE-ME DE ITABUNA


Fale-me sobre Itabuna, ele me disse.

Pássaro noturno escondido em seu ninho,
Pobre de roupas e orgulho eu fui outra vez
O tímido menino ausente de palavras
Para nomear as coisas, poço onde só eu me banhava.
Não era o adulto, ancho de olhos e de cascos,
A longa crina do sexo, a verdejante copa do cacaual,
O orgulho do fruto, 
Largo de gestos e aromas escondendo
Sob a língua o terrível discurso.
Fale-me sobre Itabuna, ele pediu.
Não era como falar de mim, de um tema sobre o qual havia pensado; era algo mais fundo
Como o fundo de um poço, uma nuvem passada, uma árvore inexistente no caminho da infância,
Um salto sobre o abismo
Para outra vez achar-me.



 Telmo Padilha

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