Em um dos mais exaustivos estudos sobre os efeitos das redes
sociais, as universidades de Stanford e Nova York concluíram que fazer menos
uso das redes melhora a saúde mental, a sociabilidade e o ânimo das pessoas.
O estudo acompanhou mais de 2.800 voluntários que se
submeteram a diversos testes, e revelou que “a desconexão melhorou a
sensação de felicidade e satisfação, reduziu os níveis de ansiedade e
depressão”.
Os que suspenderam o uso dedicaram mais tempo aos amigos e
aos familiares. Voltando à normalidade depois dos testes, os usuários
diminuíram espontaneamente, em 23%, o tempo que dedicavam à rede social.
Solenidade da Santíssima Trindade – Domingo, 16/06/2019
Evangelho (João 16: 12-15)
- O Senhor esteja com você.
- E com o seu espírito.
- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + de acordo com
São João.
Glória a vós, Senhor.
Ainda tenho muito a dizer para você, mas agora você não pode
fazer isso.
Quando ele vier, o Espírito da verdade vos guiará à plena verdade; porque
ele não falará por si mesmo, mas falará o que ouvir, e anunciará a você o que
está para vir. Ele me dará glória, porque receberá o que é meu e o
anunciará a você. Tudo o que o Pai tem é meu. É por isso que eu
disse: Ele receberá o que é meu e o anunciará a você.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger
Araújo:
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A Trindade marca encontro
com a humanidade
“Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à
plena verdade” (Jo 16,13)
Uma das expressões mais constantes nos discursos e na
prática do Papa Francisco é o apelo a viver a “cultura do encontro”, inspirado
na comunhão intra-trinitária: “Vivei a mística do encontro: a capacidade de
ouvir atentamente as outras pessoas; a capacidade de procurar juntos o caminho,
o método, deixando-vos iluminar pelo relacionamento de amor que se verifica
entre as três Pessoas divinas e tomando-o como modelo de toda a relação
interpessoal”.
Na contemplação da Encarnação dos Exercícios Espirituais, S.
Inácio nos convida a imaginar a Trindade que, com seu olhar compassivo, acolhe
“a grande extensão e a curvatura do mundo” com um abraço apertado e decidido,
de tal maneira que nada do que é do mundo é deixado para trás, evitado ou
negado.
O que aconteceu no mistério da Encarnação é algo
surpreendente e cheio de novidade. A decisão da “humanização” de Jesus brota
das entranhas do Deus Comunidade de amor: “ver e considerar as Três Pessoas
divinas...”. Ao se revelar Manancial e Fonte de nossa humanidade, não é mais
possível crer que o Deus Uno e Trino seja nosso rival, mas amigo; não é
possível mais aceitar que Ele seja insensível, mas providente; que seja nossa
ameaça, mas alívio; que seja nossa diminuição, mas plenitude; Ele não é o “juiz
distante” mas o “Deus encontro”, fonte de nossa liberdade...
Inspirados na linguagem da “Contemplação da Encarnação”,
contemplamos, com o olhar da Trindade, nosso mundo fragmentado, vendo as
diversidades em conflito que geram o sofrimento, a exclusão, a morte e os
infernos... E esses espaços e fronteiras são cada vez mais extensos e
problemáticos; mas, nas profundezas de todos esses “mundos que nos são
estranhos” se revela a presença do Filho de Deus “novamente encarnado” (EE.
109). Pois tudo foi alcançado e redimido pelo amor encarnado de Deus.
O mistério da Trindade Amorosa nos conduz à contemplação da
realidade na qual vivemos e nos inspira a uma proximidade e um conhecimento
mais profundo do “mundo” para o qual somos enviados.
O mais importante nesta festa que estamos celebrando, seria
purificar nossa ideia do Deus-Comunhão-de-Pessoas e ajustá-la cada vez mais à
realidade que d’Ele Jesus nos quis transmitir. Jesus nos ensinou que, para
fazer uma verdadeira experiência de Deus, o ser humano precisa aprender a olhar
dentro de si mesmo (Espírito), olhar os outros (Filho) e olhar o transcendente
(Pai). Jesus não pregou a Trindade, mas abriu o caminho que conduz ao Pai e nos
legou seu Espírito.
Na realidade, a experiência dos primeiros cristãos é que a
Trindade podia ser, ao mesmo tempo e sem contradição: Deus que é origem,
princípio, fonte de tudo (Pai); Deus que se faz um de nós (Filho); Deus que se
identifica com cada um de nós (Espírito). Estão nos falando da Trindade que não
se fecha em si mesma, mas pura relação que transborda e se visibiliza na
criação inteira, fazendo de cada ser humano sua morada. Deus é sempre Trindade,
comunhão de Três Pessoas divinas, pelas quais circula toda a torrente de Vida
Eterna.
Também S. Agostinho assim sintetizou esse mistério
trinitário: “Aqui temos três coisas: o Amante, o Amado e o Amor”; um Pai
Amante, um Filho amado e o vínculo que mantém unidos os dois, o Espírito de
Amor. Sendo presença visível desta Comunidade de Amor, Jesus quer que entremos
nesse mesmo fluxo do Amor, expansivo e vital.
A festa do Deus-Trindade, do Deus dos encontros, é
especialmente significativo para a o contexto atual, carregado de desencontros,
de rupturas e profundas divisões; para quem crê na Trindade, os vínculos, a
comunicação e a partilha são especialmente significativos; quem se deixa habitar
pela Trindade, acolhe a diversidade e a reciprocidade como nutriente de sua
maneira de estar e de viver no mundo; entrar no fluxo de vida da Trindade
significa comprometer-se com a vida e não com a cultura de morte; trabalhar com
a Trindade implica viver em rede humanizadora, valorizando a solidariedade, a
colaboração e a interdependência. Todos esses valores, com suas luzes e
sombras, são uma boa porta de entrada para iniciar-nos no conhecimento do
mistério do Deus-Trindade anunciado por Jesus.
O Deus comunhão, que se revelou em Jesus, fundamenta e
ilumina a dignidade e liberdade do ser humano, e o capacita a viver relações e
interações transformadoras na vida social e na igreja. O Deus dos encontros
suscita práticas de diálogo e de reciprocidade no amor, na acolhida e na
potenciação da diversidade como riqueza.
Na contemplação do Pai, do Filho e do Espírito, aprende-se a
amar, a relacionar-se, a sentir-se família com todos. Como Pai Bom que, no
regresso do filho, o abraça com ternura, o cobre de beijos e lhe oferece o
perdão gratuitamente. Como o Filho que se inclina para lavar e beijar os pés de
cada ser humano, e se entrega como serviço. Como o Espírito que incita e
sustenta com seu amor o ser humano, que é vínculo de união, criação e
dinamismo, liberdade, fonte do maior consolo, luz na obscuridade, bálsamo para
as feridas, criatividade e audácia na missão.
Portanto, a contemplação do mistério do Deus Trindade ativa
em nós uma “maneira trinitária de ser e de estar” no mundo; nossa presença e
nossa missão fazem do mundo em que vivemos um lugar transparente, santo e
luminoso em Deus. A Trindade nos expande e nos lança em direção ao mundo, à
humanidade, nos faz mais universais e nos capacita para sermos “contemplativos
nos encontros”.
Na espiritualidade cristã, quem experimenta o encontro com a
Trindade, Fonte de vida e amor, começa a “ver” os homens e as mulheres no mundo
como a Trindade mesma os vê. Precisamente por ter-se encontrado com a
Trindade-Comunhão, a pessoa torna-se mais “encarnada” na realidade e mais
comprometida com os irmãos e irmãs no mundo, sobretudo com os mais pobres, os
mais sofridos e excluídos; é aquela que mais se compromete com a justiça e é a
que mais desenvolve uma criatividade eficaz na história, com obras que nos
surpreendem.
Desde o princípio, fomos criados para o encontro; somos
seres comunitários: vivemos com os outros, estamos com os outros, somos para os
outros... Somos filhos(as) do encontro e do diálogo e realizamo-nos quando
permanecemos em comunhão uns com os outros, na medida em que nos encontramos e
nos amamos. “Ser” significa “ser com”, ser com os outros; existir significa
coexistir. Nessa coexistência buscamos ansiosamente e descobrimos a nossa
identidade.
Fomos criados “à imagem e semelhança” do Deus Trindade,
comunhão de Pessoas (Pai-Filho-Espírito Santo). Quanto mais unidos somos, por
causa do amor que circula entre nós, mais nos parecemos com o Deus
Trindade. “Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu Amor em
nós é perfeito” (1Jo. 4,12). Deus colocou em nossos corações impulsos naturais
que nos levam em direção ao convívio, à cooperação, à acolhida, à
solidariedade...
Neste novo tempo, a Trindade Santa chama cada um de nós a
uma maneira mais aberta e livre de nos relacionar com todos aqueles que são os
“outros”. Afinal “somos pessoas para os outros e com os outros”.
A cultura do mundo no qual agora vivemos requer outro tipo
de ascética: uma ascética de encontros.
Construir a cultura do encontro passa pelo esforço e
aprendizado de sair de si para entrar em relação com a diversidade. Ante um
mundo global, diverso, multicultural, qualquer tentativa de homogeneização e
uniformidade está fadada ao fracasso. Descobrir que a riqueza está na
diversidade é a base sobre a qual se parte para a destruição dos muros e a
construção de pontes que facilitem o encontro. Isso não significa perder os
próprios valores e a identidade cultural; pelo contrário, quando somos
conscientes de nossa própria identidade é quando nos tornamos capazes de entrar
em relação com o outro que pensa, sente e ama de maneira diferente. Afinal, “só
corações solidários adoram um Deus Trinitário”.
Textos bíblicos: Jo 16,12-15
Na oração:
“Trindade Santa, para descobrir tua proposta original,
ensina-nos a contemplar o mundo inteiro com o teu próprio olhar, respeitoso e
fiel à nossa realidade”
(Benjamin Buelta).
- Sentir-se olhado pela Trindade (impacto na própria
interioridade, como Maria);
- Olhar o mundo com o olhar da Trindade (universalidade);
- Evangelizar os sentidos, muitas vezes atrofiados e
limitados, para que eles sejam mediação para viver encontros verdadeiramente
humanizadores.
Salvador Dalí i Domènech foi um importante pintor catalão,
mundialmente conhecido pelo seu trabalho surrealista. Nas combinações de
imagens bizarras, oníricas sempre estavam presentes a excelente qualidade
plástica. Dali nasceu (11Mai1904) e morreu (23Jan1989) numa mesma cidade
espanhola (Figueres).
Às vezes pego-me pensando se ele tivesse vivido no Brasil se
fartaria-se pela matéria prima ou se seria apenas mais um, imerso em tantas
situações surreais que enfrentamos diariamente nas diversas áreas, que vão
desde do campo jurídico passando pela imprensa, política, etc.
A Esquerda moveu de tal maneira a Janela de Overton de forma
que temos a sensação que o rabo tem o direito de abanar o cachorro e não o
contrário! A naturalidade dessa gente para comportamentos inadequados para a
sociedade é inacreditável.
A Esquerda promove bagunça por onde passa e sabemos que o
objetivo é colocar em prática o método gramscista.
Observem como os ataques vêm em diversas frentes:
Facilitam a dissolução de famílias através de simples pedido
feito num cartório, fragilizando a instituição do casamento. Não são raros os
casos onde chantagens emocionais utilizadas, fundamentadas nessa facilidade. Se
não o fosse, a tolerância entre as pessoas seria maior.
A família sempre foi o maior obstáculo para o projeto
socialista, não é difícil de entender o motivo de ser tão atacada. Não é à toa
que pregam casamentos abertos, liberação sexual, etc.
Certa vez tive o desprazer de ouvir uma psicóloga defender a
tese que os pais não devem permitir que “meninos brinquem de super herói e
meninas de casinha” devido ao fato de se fortalecerem estereótipos de homens
protetores e mulheres donas de casa. Olha a que ponto que a insanidade dessas
pessoas chegam!
As mídias e produções artísticas tratam o consumo de drogas
de forma natural, como se nunca tê-las provado é que fosse anormal.
A arrogância feminista implode a autoridade paternal, tão
necessária para a formação de uma criança quanto o carinho maternal que a
maioria de nós traz no coração com lembranças de ternura. O resultado é a
indisciplina que muitas vezes vemos refletida através da violência nas escolas
(contra colegas, professores e funcionários) e os absurdos das balbúridas nas
universidades federais (plantações de maconha, rifles, produção de drogas
químicas, etc).
A desconexão com a verdade e a realidade é outra marca
registrada. Transformam simples palmadas educativas em sinônimos de
espancamentos. O resultado já estamos vendo na Educação.
Assim vão explorando as vulnerabilidades de forma magistral,
maquiavélica, diabólica. Acusam vítimas de crimes (um exemplo recente é o caso
do Ministro da Justiça Sergio Moro) de criminosos e não fazem questão alguma de
disfarçar a estratégia de acusar os adversários daquilo que são.
Todos nós sabemos quem é o Rei da Mentira e esse é só um
aperitivo do que ele é capaz. Por isso que devemos, além das ferramentas de
“César” também entrarmos nessa batalha de joelhos,
pois essa luta não é apenas política.
O disparate chega a nos revoltar de forma indescritível como
quando, essa semana um Ministro do STF, que foi flagrado em conversas nada
nobres com um réu, dizer que a conversa de Moro com Dalagnol foi grave ao ponto
de aquela casa marcar uma reunião extraordinária para tratar da prisão do
criminoso responsável pelo maior crime de corrupção da história da humanidade
(desafio a qualquer um encontrar um volume de dinheiro maior do que o
movimentado por ele).
Será que só nós conseguimos perceber que nosso Ministro da
Justiça teve o celular hackeado e isso é crime segundo o art. 5º, Parágrafo
XII, da Constituição Federal que positiva a inviolabilidade do sigilo da
correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações
telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial?
Um detalhe nessa história me incomoda: Moro pode ser julgado
por suspeição por provas obtidas de forma ilegal? As leis só funcionam para
proteger bandidos? Cidadãos honestos, não?
Essa história lembra-me o punguista, que na saída do estádio
de futebol, furtado a carteira e saiu correndo gritando “pega ladrão”.
Como bem observou a dra. Cynthia Santana Nogueira, será que
ninguém acha estranho que um Ministro da Justiça tenha o celular hackeado e o
jornal do “marido” do Deputado Federal que foi indiciado por espionagem publica
matéria com conteúdo privado e o assunto é tratado como furo jornalístico?
Ah… se fôssemos um país de fato…
E sabe por que fazem isso? Porque podem, porque outorgamos
poderes praticamente ilimitados a eles (STF equipara “homofobia” a “racismo”,
Congresso Nacional age como se estivéssemos em um regime parlamentarista,
obstrui todas as propostas governamentais, etc.). Infelizmente não vejo as
pessoas se mobilizando para que o Recall Anual de Políticos (não o desenterrado por
Anastasia, claro!) seja implementado!
Ao observar os fatos diários, percebemos facilmente como
funciona o protocolo adotado pela Esquerda:
1.Criam uma mentira (ou factóide);
2. As milícias midiáticas (grandes mídias do establishment) publicam;
3. Desmentimos com fatos, números, comparações, lógica, etc.;
4. As milícias midiáticas ignoram;
5. Fica registrado para a história a versão mentirosa.
São verdadeiros Jobs Tupiniquins: têm seu próprio campo de
distorção da realidade…
Continuaremos assistindo a esses recorrentes escárnios e
ataques aos nossos valores (verdade, honestidade, etc.) até quando?
E quando os desmascarados nós é que somos rotulados de paranoicos!
A comprovação pelas investigações da Policia Federal de que
o episódio da captação ilegal dos diálogos do então juiz Sergio Moro com o
chefe dos Procuradores de Curitiba Deltan Dallagnolé apenas parte de uma ação
coordenada contra a Lava Jato, atingindo membros do Poder Judiciário em
diversos graus, deu nova conotação política ao episódio.
Silvio Meira, um dos maiores especialistas em tecnologia da
informação e professor emérito da Universidade Federal de Pernambuco, diz que
“ninguém fez isso sozinho, não aconteceu por acaso, tem um desenho por trás.
Havia gente que estava explicitamente dedicada, gastando imaginação,
competência técnica, tempo e dinheiro para chegar a essa informação”.
Abel Gomes, desembargador do TRF-2 que julgou casos da
Lava-Jato no Rio, colocou o dedo na ferida: “Por que os hackers têm mirado
apenas autoridades que deram decisões desfavoráveis aos investigados da
Lava-Jato?”.
Também a juíza Grabriela Hardt, substituta de Moro durante
um período, foi hackeada e denunciou que essa manobra ilegal contra membros do
Judiciário é um atentado à segurança do Estado brasileiro.
Para Silvo Meira, o Telegram, que passou a ser muito usado
no Brasil depois que o WhattsApp ficou fora do ar por questões judiciais, pode
ser seguro se as mensagens são criptografadas, “mas o usuário tem que habilitar
seu celular para isso. Se não o fizer, as mensagens ficam abertas e,
consequentemente, fáceis de serem lidas”.
Também a origem da empresa é um mistério. Telegram é o nome
de uma empresa russa dos irmãos Durov, os criadores do Facebook russo, o
VKontacte, conhecido como VK. Numa operação que até hoje não foi explicada em
detalhes, venderam ou foram forçados a vender o VK a outro grupo digital russa.
Saíram da Rússia logo depois, foram para Berlim, de onde também saíram
reclamando que as autoridades alemãs não deram visto de trabalho para seu time.
Time que hoje ninguém sabe exatamente onde está. A empresa é
tocada a partir de Dubai, e os demais funcionários estariam espalhados pelo
mundo. A infraestrutura da companhia não se sabe onde está”.
O STF deve julgar no plenário um pedido de suspensão do
ex-juiz Sergio Moro, por parcialidade arguida pela defesa de Lula. Oficialmente,
as conversas não estarão no julgamento, a não ser que a defesa possa pedir para
incluí-las. Mas, que vão interferir, isso é claro.
Não creio que, se for para o plenário, seja aprovada a tese
da anulação da condenação. Mesmo na Segunda Turma acho que haverá maioria para
derrotar os prováveis votos dos ministros Gilmar Mendes e Lewandowski. O
ex-presidente foi condenado em três instâncias, portanto, não há razão para
anular todos os julgamentos em todas as instâncias.
Para o especialista em tecnologia de informação Silvio
Meira, essa crise atual chama a atenção para um problema brasileiro: o de que
as autoridades não têm um sistema de troca de mensagens ou telefone protegido
de invasões desse tipo.
Como já escrevi aqui, utilização do twitter para suas mensagens
é um hábito que Bolsonaro copia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
seu grande ídolo. Mas Trump só usa o Twitter oficial quando trata de ações do
governo.
Nos Estados Unidos, a utilização de meios particulares para
atividade oficial já deu muita dor de cabeça a Hillary Clinton que, quando
Secretária de Estado no governo Obama, dispensou o e-mail oficial(@state.gov)
para usar seu email privado mesmo para assuntos de Estado.
O caso provocou o temor de informações sigilosas do
Departamento de Estado circularem em redes de caráter privado, ou estarem
expostas a ataques de hackers. Parte do conteúdo era classificado como
supersecreto, ou o foi mais tarde. Coube a Hillary um pedido de desculpas: “Foi
um erro. Sinto e assumo a responsabilidade”.
Legislações sobre esse tipo de utilização garantem nos
Estados Unidos que não haja violação de normas de segurança
institucional..Aquim houve um ataque em massa a diversos membros da Lava Jato
em vários Estados, notadamente Paraná e Rio. Está sendo revelado que houve uma
verdadeira conspiração contra a Lava Jato e o Judiciário. Os diálogos que já
foram revelados e os ainda a revelar podem provar - o que na minha opinião
ainda não aconteceu irregularidades praticadas dentro da Operação Lava Jato.
Mas não há mais dúvidas de que esse ataque cibernético foi orquestrado
justamente com o objetivo de acabar com a Lava Jato.
Mas, como diz o ministro do Supremo Edson Facchin,
a Lava-Jato é uma realidade que mudou a estrutura do combate à corrupção no
Brasil.
Merval Pereira - Oitavo ocupante da cadeira nº 31 da ABL,
eleito em 2 de junho de 2011, na sucessão de Moacyr Scliar, falecido em 27 de
fevereiro de 2011, foi recebido em 23 de setembro de 2011, pelo Acadêmico
Eduardo Portella.
Inácio Mendonça
chegara para fixar residência no arraial: era um cidadão muito gentil, e de
repente passaria a conquistar a amizade de todos. Figura por demais simpática,
apesar de ser um sexagenário notava-se que era um homem saudável, e com muita
disposição para o trabalho.
Tinha por
companheira dona Laura, uma senhora muito bonita, ainda no esplendor da sua
juventude. Em companhia do casal, moravam duas lindas mocinhas: a mais nova
chamava-se Ana e era filha do casal; Ângela, a mais velha, embora gozasse do
mesmo carinho de Inácio, viera para sua companhia, ainda pequena. Ao chegar ao
arraial, ele solicitou de Antônio de Arcanjo, um terreno para construir uma
casa, no que foi prontamente atendido, pois o caboclo jamais negara um pedaço
de terra alguém.
Num curto
espaço de tempo, construiu uma casa tipo chalé, onde passou a viver, na mais
absoluta tranquilidade, com a sua família. Mais tarde, vendo que a tendência
natural da fazenda era tornar-se um povoado, sentiu a necessidade de implantar
um armazém de secos e molhados, que atenderia aos moradores do lugar, tirando-os
do incômodo de terem que fazer as compras em Ilhéus ou Itabuna. Inácio logo
modificou o aspecto da sua casa: abriu trêsportas de frente, e fez dali um
grande ponto comercial. A partir daquele
instante, estava surgindo a primeira casa de negócios na Fazenda Boa Vista,
realmente uma grande iniciativa.
Havíamos chegado
naquela localidade, não fazia muito tempo. O meu pai logo tornou-se um dos seus
assíduos fregueses, ganhou a credibilidade de Inácio, e passou a comprar fiado
no seu armazém. Confesso, saudoso, que eu era fã incondicional do negociante:
aos sábados íamos fazer as compras. Eu fazia questão de acompanhar o meu irmão
mais velho, porque na verdade eu gostava do seu jeito simples e prestativo;
admirava-o pelo zelo com que ele tratava os seus clientes. Havia outro detalhe
que me empolgava: era quando ele pegava a sua pena para fazer as devidas
anotações. Cidadão assaz instruído, sabia contar e escrever muito bem, o que me
deixava boquiaberto pela habilidade com que o fazia, mergulhando
intermitentemente a velha pena no tinteiro.
Tenho certeza
de que Inácio também gostava de mim, e digo isso porque, quando eu ia a sua
venda, saía de lá com os bolsos cheios de caramelos. Inácio jamais mereceu ser
traído, no entanto, qualquer descuido era fatal: eu roubava-lhe as bananas,
para comê-las com farinha no caminho de casa, e por sorte minha ele nunca
desconfiou. Se porventura ele descobrisse as minhas artimanhas, a nossa amizade
estaria rompida para sempre. Seria uma calamidade.
Vale
registrar aqui um episódio, que, se não tem algo de fascinante, no entanto
marcou bastante a vida pura e imaculada do arraial, porque esse fato, - para
muitos desagradável, - envolveu a família de Inácio Mendonça.
Lá prás bandas do Japu, - distrito
de Ilhéus, - havia um pequeno fazendeiro por nome de José Laudelino. Um jovem
simpático, bastante educado, e de família tradicional que, a exemplo de outros
posseiros daquela região, escoava o produto da sua fazenda no lombo dos
animais, passando pelo arraial da Fazenda Boa Vista. Na época das “cheias”, a coisa
tornava-se mais difícil e penosa, poiso o Rio Cachoeira dificultava o comércio
dos fazendeiros, e, consequentemente, afetava diretamente os moradores do Salobrinho,
que ficavam impedidos de usarem a farinha de mandioca e congêneres. Inácio
comprava a farinha e o cacau de José Laudelino, e foi através das negociações,
que se tornaram grandes amigos. Tamanhas eram as afinidades, que o rapaz de já
tinha acesso livre à sua residência e paralelamente gozava do prestígio e
confiança da família. A cada dia que passava, o relacionamento aumentava: eis
que num lampejo, o jovem percebera que estava apaixonado pela mulher do amigo e,
para maior ilusão, viu também que estava sendo correspondido na sua paixão
desenfreada.
Os dias
passavam, e Inácio continuava indiferente àquele romance, porque sempre
acreditou na fidelidade da sua mulher e jamais passaria por sua cabeça que a
companheira de tantos anos lhe trocasse por outro homem de uma hora para outra.
Um dia, porém, desconfiado do tratamento
delicado e excessivo que Laura dedicava José Laudelino, Inácio pôs-se a duvidar
da sua fidelidade. Entre ambos existiria mais do que uma simples amizade,
pensou ...
Assim,
depois de uma meticulosa investigação, usando a todo momento a discrição que lhe
era peculiar, ele chegou à conclusão de que já não mais havia motivos para
duvidar de nada.
Era uma
manhã de sábado. Sob um sol escaldante, José Laudelino chegava do Japu, sem dar
demonstrações, mas cheio de saudade da mulher amada. Estava cansado da longa
viagem. Fatigado do sol verão, apeou do cavalo, e depois de atrelar os animais
ao mourão, subiu célere as escadas do armazém. Sempre sorridente, foi logo
saudando os fregueses que ali estavam, e penetrou no lar de Inácio. Com toda
serenidade disponível, Inácio atendeu tranquilamente aos seus clientes e, em
seguida, foi ter com o “galã”, que àquela altura encontrava-se confortavelmente
sentado na sala de espera conversando com Laura.
Inácio,
calmamente, sentou-se ao lado de José Laudelino, passou a mão ainda suja de pó
de farinha pelos cabelos e, dando um tapinha amistoso na nas costas do mancebo,
disse taxativo: “Zé, sei que estás apaixonado... Farei o teu casamento com Laura”.
Surpreso, ante a atitude inusitada do comerciante, Zé ficou estático, fingindo
não haver entendido nada que ele dissera. Procurou controlar-se, porque devido
ao susto, sentira que havia perdido a fala e, só depois de alguns instantes,
quando reunira condições de se pronunciar, foi aproximando-se da porta que dava
acesso à rua e, um tanto desconcertado, perguntou em tom desesperador:
- O que
está acontecendo, sêo Inácio? Está ficando maluco?
- Calma,
companheiro! - disse Inácio procurando tranquilizá-lo, - não tenha receio, pois
não vejo nisto nenhum absurdo: já estou velho, e seria para mim a maior
felicidade, esta união.
Laudelino,
visivelmente nervoso, respirou mais aliviado, e agora, tentando fugir do
assunto, aproximou-se do balcão e, esboçando um sorriso sem graça, foi
perguntando: quantos sacos de farinha vai querer, ‘sêo’ Inácio? Entendendo o
embaraço do Zé, ante tal situação, o velho resolveu deixá-lo à vontade, porque
tinha a certeza de que aquela história não terminaria ali.
Não
demorou muito para o dia do casamento. O povo do arraial, ao tomar conhecimento
do fato, passou a lançar críticas das mais contundentes em forma de repúdio à atitude
daquele homem, e até teciam comentários sobre o seu excesso de calma, e mormente
a maneira com que aceitava tamanho escândalo. Ninguém aprovou o comportamento
de Inácio, ao entregar, sem nenhuma repulsa, sem qualquer resquício de
violência, a sua mulher a um aventureiro qualquer. Aquele era um caso inédito
na vida pacata do Salobrinho, e representava um desrespeito, um ato sórdido e
covarde para as famílias puritanas dali.
Foi dessa
maneira que Laura deixou a companhia do seu marido, sem constrangimento e sem
remorso de ambas as partes. Ele aceitara tudo aquilo com a maior naturalidade,
e depois de ter participado do casamento da sua própria mulher, passou a viver
sozinho, lutando pela sobrevivência, como se nada tivesse acontecido. Acossado
pela doença, viria a falecer, depois de muitos anos, num dos hospitais de Ilhéus.
De qualquer forma, Inácio foi uma figura importantíssima no desenvolvimento do Salobrinho,
por ter sido um dos seus fundadores. A ele rendamos póstumas homenagens, pelos
relevantes serviços prestados à comunidade. Quanto à José Laudelino e dona Laura,
eles formaram um casal muito feliz, e atualmente residem no mesmo distrito. A
casa que outrora pertenceu a Inácio Mendonça, ainda existe, como reminiscência
de um passado que já vai distante. Ressalte-se que esta casa sofreu grande
reforma e está atualmente transformada numa moderna residência.
(SALOBRINHO – ENCANTOS E DESENCANTOS DE UM POVOADO)
Sherney Pereira
..................
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Sherney de Souza
Pereira nasceu a 11 de outubro de 1948 no eixo Ilhéus/Itabuna, mais
precisamente no município de Ilhéus. É cordelista, com vários trabalhos
publicados e autor do Hino da Universidade de Santa Cruz, premiado em concurso
público por ocasião do 4º aniversário da FESPI.
Profetas do Aleijadinho, em Congonhas do Campo [Foto: L.G.
Arroyave]
Guilherme Félix de Sousa Martins
É possível sentir saudade de uma época na qual não se
viveu?
Talvez os especialistas se aferrem à resposta negativa, mas
certo mal-estar que por vezes tem me assaltado pode muito bem ser decorrente de
saudade como essa. Devo esclarecer que não se trata de um mal-estar qualquer, é
de fato um grande mal-estar. E não é só meu, como já tive oportunidade de
comprovar fartamente, embora eu talvez possa considerar-me um dos poucos que
ousa desabafar. Compartilho o problema com uma vasta multidão contaminada por
verdadeira saudade epidêmica. Uma epidemia salutar — perdoe-me mais este
paradoxo.
A grande mídia não pôde ignorar um brado constante nas
manifestações multitudinárias de anos recentes: “Quero o meu Brasil de
volta!” [foto abaixo] A voz altissonante de uma numerosa ala jovem se
incorporava a esse coro efusivo, em protesto contra um estado de coisas
esclerosado, indesejável, incômodo. No entanto, é bem verdade que a grande
maioria desses jovens viveu boa parte da vida nesse estado de coisas. Põe-se
então a pergunta: Querem a volta de qual Brasil, se não viveram em outro?
Que Brasil é esse que tanta falta lhes faz? Seria o Brasil
dos governos imediatamente anteriores à vitória eleitoral da seita vermelha,
cujos tentáculos o estrangularam até impor o desastre quase completo? Não, não
pode ser aquele Brasil tão próximo do atual, pois durante esse período a hidra
esquerdista parecia controlada, mas nas profundidades já caminhara e se
estabelecera em grande medida.* Não apenas lhe haviam sido abertos os caminhos
da política, mas em profundidade os valores tão caros aos brasileiros
autênticos foram sendo persistentemente cerceados e vitimados por um
constrangimento constante e avassalador.
Permita-me voltar ao meu desabafo. Por mais que me inspire
grande esperança, o rumo novo que vem tomando o País (em boa medida, algo
semelhante ocorre em todo o Ocidente) não tem o condão de me tranquilizar.
Transformações políticas são um bom começo; mas o caminho é longo, e os males a
debelar são de origem muito profunda.
Meu Brasil — o mesmo Brasil que a imensa maioria dos bons
brasileiros deseja — não é o do tecnicismo sem barreiras, despreocupado da
dignidade do próprio homem e destruidor de seus sentimentos. Também não é o
império da extravagância, nem o da imitação de modas alienígenas. Não é de tais
“libertações” que necessito. Meu Brasil não combina também com o gozo
debochado, nem com orgias ostentadoras da luxúria, aliada agora ao satanismo.
De tanto desabafar, parece-me que vou conseguindo explicitar
as causas da minha saudade nostálgica. Não sinto falta de planos econômicos
bem-sucedidos, de sistemas de educação ou saúde eficientes. Necessito de
segurança, é claro, mas não essa de cuja falta tanto se fala. Refiro-me à
segurança trazida pela solidez das instituições, pelas relações humanas bem
estabelecidas, pelo alto padrão da formação psicológica. O pressuposto óbvio, o
elemento fundamental de tudo disso é a Fé — sim, com letra maiúscula, na sua
integridade, sem respeito humano. Refiro-me a essa Fé que nos vem sendo roubada
– por vezes até dentro do templo sagrado, dói dizê-lo – por aqueles que
deveriam ser seus próprios guardiães. Única Fé capaz de moldar ou refundar toda
uma civilização.
Civilização cristã! Palavras sonoras, fecundas, benditas. Só
a conheço pelo estudo atento da História, mas inegavelmente é disso que sinto
saudades… Um passado não vivido por mim, mas que renascerá ainda mais belo no
Brasil do Imaculado Coração de Maria, depois do seu triunfo! O Brasil da Senhora
Aparecida. O Brasil Terra de Santa Cruz!