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quinta-feira, 15 de julho de 2021

SÃO ROQUE - PATRONO CONTRA EPIDEMIAS E DOENÇAS CONTAGIOSAS - Plinio Maria Solimeo



Modelo de caridade e confiança, o santo muito auxiliou e operou milagres junto a pessoas infectadas durante uma epidemia na época medieval.

Plinio Maria Solimeo


          No final do século XIII e início do XIV a cidade de Montpellier, hoje francesa, pertencia ao reino de Mallorca, da casa real de Aragão. O governador da cidade, João, cuja esposa Libéria era também de ilustre família, gozava de todo o prestígio do cargo e de boa fortuna. Mas não tinham filhos. Com muita fé, importunaram os Céus para obtê-los, e foram ouvidos. Roque, o menino que lhes nasceu, trazia impressa no peito uma cruz vermelha, sinal de sua predestinação.

Busca da perfeição

         Herdeiro de uma família que dera ao conselho da cidade vários membros, Roque era de natural bondoso, afável e cordato, conquistando facilmente os corações. Amando a Deus sobre todas as coisas, é natural que tivesse também caridade extrema para com o próximo, e os pobres eram seus preferidos. Socorrê-los, ampará-los, fazer-lhes bem era sua maior alegria, pois neles via o Divino Salvador.

          Roque perdeu o pai aos 19 anos, e a mãe quase em seguida. Único herdeiro da considerável fortuna da família, herdava também o cargo de governador da cidade. Entretanto, de há muito vinha meditando o conselho evangélico: “Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres, e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-me” (Mt 19, 21). E ele queria ser perfeito, por isso vendeu tudo o que conseguiu e distribuiu o produto aos pobres. Deixou a seu tio paterno a administração do que restou, cedendo-lhe também o direito de sucessão.

Atendendo as vítimas


         Com traje de peregrino e um bastão na mão, Roque partiu com destino a Roma, para visitar os lugares santos e decidir seu futuro.

          Andando sempre a pé, e alimentando-se com o que recebia de esmola, chegou a Aquapendente, nos Estados Pontifícios. Ali grassava a peste, causando grandes danos especialmente entre os pobres. Inspirado por Deus, deteve-se na cidade com o desejo de assistir os empestados. Para isso dirigiu-se ao hospital local. O administrador, vendo-o tão jovem e delicado, mostrou-lhe os inconvenientes do ofício, inclusive a probabilidade de contágio. Roque insistiu, acabando por ser aceito.

          Percorrendo as salas onde estavam os empestados, lavava-lhes as feridas, fazia-lhes o leito e prestava-lhes os serviços mais repugnantes. Suas palavras tinham a virtude de inundar de alegria aquelas almas tão provadas, devolvendo-lhes a esperança da salvação neste mundo e principalmente no outro. Fazia sobre as chagas o sinal da cruz, curando milagrosamente a muitos.

          Visitava as casas onde havia pessoas atingidas pela peste, e ali desempenhava o mesmo papel, com igual sucesso. Logo correu pela cidade a notícia de que um “anjo” tinha descido do Céu para socorrer os flagelados pela epidemia. Todos queriam vê-lo, tocá-lo, ter alguma coisa sua.

         Não procurando sua glória, mas a de Deus, Roque fugiu dessa popularidade, abandonando furtivamente a cidade.

Na Cidade Eterna

Parte do bastão de São Roque

         Dirigiu-se então para Cesena, na Lombardia, ao saber que a cidade fora também atingida pela peste. Prodigalizando aos flagelados os mesmos cuidados, conseguiu debelar a peste. Um afresco na catedral local registra essa benéfica passagem do apóstolo da caridade.

         Chegando a Roma, constatou que a epidemia a atingira da maneira mais inexorável. A cidade parecia deserta, todos temendo sair às ruas devido ao risco do contágio. O medo e o egoísmo endureciam os corações, e apenas alguns generosos cidadãos e magistrados dedicavam-se a atender os atingidos pelo peste. Os doentes em estado terminal eram postos nas ruas pelos próprios parentes, e não havia quem deles cuidasse.

         À vista desse lúgubre espetáculo, Roque pôs-se imediatamente ao trabalho, determinado a morrer, se necessário fosse. Sua caridade heroica não recuava diante de nenhum obstáculo ou perigo, por mais terrível que fosse. O mal diminuía por toda parte onde atuava, o contágio desaparecia. Viam-se doentes no estado mais desesperador voltar à vida, tão logo ele lhes fazia o sinal da cruz.

         Os empestados arrastavam-se até os locais onde o santo iria passar, para vê-lo, tocá-lo e receber a cura prodigiosa que se obtinha com sua presença. Os próprios cardeais da Santa Madre Igreja procuravam-no para que, traçando sobre eles o sinal da nossa salvação, fossem preservados do contágio da temível epidemia.

         Passado o surto da doença, permaneceu ele ainda em Roma durante três anos, pedindo esmolas nas portas dos palácios para levá-las aos tugúrios, visitando as basílicas e indo de hospital em hospital para levar o alívio a todos os contagiados que gemiam no leito de dor.

         Percorreu depois as cidades atingidas pela epidemia na campanha romana, prodigalizando os mesmos cuidados e operando os mesmos prodígios.

Vítima da caridade

         Chegando a Placência, foi logo ao hospital, onde atendeu os doentes. Mas teve que ir para o leito. Em sonho aparecera-lhe um anjo do Senhor, que lhe disse: “Servo bom e fiel, até agora suportaste grandes trabalhos por amor do Deus todo poderoso. É agora necessário que sofras também os mesmos males, para que padeças um pouco o muito que [Jesus] sofreu por ti”. Roque acordou ardendo em febre, sentindo na coxa esquerda uma dor tão violenta que era quase insuportável: fora atingido pela peste!

         Sofria tanto, que gritava de dor. Para não atrapalhar os outros doentes, arrastou-se até uma floresta vizinha, apoiado num bastão. Além da febre altíssima, devorava-o uma sede insaciável, o que o fez suplicar a Deus o socorro naquele transe. No mesmo instante surgiu uma fonte, quase a seus pés, na qual ele pôde saciar a sede, lavar suas feridas e refrescar-se.


Cachorro levava pão para São Roque doente

          Faltava-lhe o que comer, mas a Providência velava por ele. Havia perto do local umas casas de campo, nas quais se haviam refugiado habitantes da cidade para escapar do contágio que os flagelava. Numa delas, no momento em que o proprietário se punha à mesa, um de seus cães de caça pegou um pão na boca e saiu em disparada. Isso ocorreu nos dias seguintes. Intrigado, o seu dono Gotardo seguiu-o, descobrindo Roque (a quem o cão levava o alimento) estendido no solo, numa cabana abandonada. O santo pediu-lhe que permanecesse longe, para não ser contagiado.

          Gotardo voltou para casa, mas a sucessão de fatos não lhe saía da cabeça. Chegou à conclusão de que seu cão era mais caridoso que ele, pois socorria o doente, enquanto ele nada fazia. Iluminado pela graça, voltou à cabana, dizendo a Roque que estava determinado a ficar ali e a dele cuidar até que sarasse ou morresse. Vendo nisso a mão de Deus, o santo assentiu.

         Entretanto o cão não mais voltou, e agora eram duas bocas a alimentar, pois Gotardo estava determinado a não voltar para casa. O que fazer? Roque sugeriu-lhe então um ato heróico: pegasse seu manto de peregrino e fosse à cidade pedir pão de esmola para a sobrevivência de ambos, mostrando-lhe o valor que isso teria aos olhos de Deus. Resolvido a vencer-se a si mesmo, Gotardo aceitou jubiloso o conselho.

         Quando os conhecidos de Gotardo o viram na cidade vestido daquele modo e pedindo esmola, ficaram estupefatos. Uns riam-lhe na cara, outros lhe viravam o rosto, de modo que no fim da jornada só tinha conseguido de esmola dois pãezinhos. E assim foi até que Deus, nos seus desígnios insondáveis, curou o santo, inspirando-lhe também o desejo de voltar para sua cidade natal. Partiu depois de ver Gotardo instalado numa cabana como eremita. Ele também vendera todos os seus bens e distribuíra o produto aos pobres, determinado a procurar a perfeição. A respeito desse Gotardo tão generoso, muitos afirmam que morreu também em odor de santidade, embora se ignore a data de sua morte.

Rejeitado pelos seus


Relíquia do santo

         Quando Roque chegou a Montpellier, a cidade estava em guerra. Vestido pobremente como estava, e não querendo informar quem realmente era, foi tido como espião. Por ordem do governador da cidade — seu próprio tio, que não o reconheceu, tão mudado estava pela doença e privações — foi condenado à prisão perpétua. Permaneceu numa enxovia por cinco anos, acrescentando aos naturais sofrimentos outros que a penitência e a piedade lhe sugeriam. No fim desse tempo, entregou a Deus sua bela alma, purificada e embelezada pela caridade, no dia 16 de agosto de 1327, com apenas 32 anos de idade.

         Ao removerem seus restos mortais, os carcereiros descobriram a cruz em seu peito, por meio da qual foi revelada sua identidade. Foi extremo o pesar do governador, ao saber que daquele modo tão ignominioso morrera quem tinha o seu mesmo sangue, e que tão generosamente lhe dera o cargo que ocupava. Preparou-lhe os mais honrosos funerais.

         A fama das virtudes desse santo singular ultrapassaram as fronteiras da França, espalhando-se por toda a Europa. Passou a ser invocado como o patrono contra a peste e as feridas incuráveis.

         Narra-se que durante o Concílio de Constança (novembro de 1414 a abril de 1418, na Alemanha) uma terrível epidemia ameaçava interromper os trabalhos da magna assembléia. Por sugestão de um de seus membros, que deu como exemplo o que se fazia na França, foram prescritas rogativas e jejuns em honra do então venerável Roque. Uma imagem sua percorreu as ruas da cidade, e quase imediatamente cessou a epidemia.

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Fonte : Revista Catolicismo, Agosto/2010.

Obras Consultadas:

● Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo IX, pp. 645 ss.

● Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, tomo III, Ediciones Fax, Madri, 1945, pp. 369 ss.

● Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, Saragoça, 1948, tomo IV, pp. 473 ss.

● Gregory Clearly, Saint Roch, The Catholic Encyclopedia, Online version, www.newadvent.com.

https://www.abim.inf.br/sao-roque-patrono-contra-epidemias-e-doencas-contagiosas/

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terça-feira, 13 de julho de 2021

ELEVAÇÃO A CIDADE – Carlos Pereira Filho


Elevação a cidade

 

          Comércio, lavoura, desdobravam-se numa progressão vertiginosa, fazendo convergir para o município as atividades produtoras da vizinhança pois já naquele tempo, a cidade itabunense se esboçava como o centro do movimento da região cacaueira.

          Uma festa extraordinária se realizou com a elevação de Itabuna à categoria de cidade. Deixou de ser Tabocas para ser vila de Itabuna e passava de vila para cidade pela Lei número 807, de 28 de julho de 1910, graças à iniciativa dos senadores Arlindo Leone, Batista de Oliveira e da assinatura do Governador João Ferreira de Araújo Pinho.

          Rezam as crônicas que a sessão do conselho municipal para instalação se efetuou no dia 21 de agosto de 1910, com a presença dos conselheiros Tertuliano Guedes de Pinho, Antonio Gonçalves Brandão, Adolfo Maron e Américo Primitivo dos Santos. Falaram muitos oradores, depois que o presidente do conselho leu a lei e deu por instalada a cidade. Discursaram José Veríssimo da Silva Júnior, Filadelfo Almeida, Artur Nilo de Santana e dr. João Batista Soares Lopes.

          Mais de uma dezena de senhoras assistiu ao ato solene da instalação. Na rua, o povo vibrava, bebia e gritava, tendo um cidadão, de apelido “Cambucá”, cantando o Hino Nacional e dançando quadrilha à frente das filarmônicas. As filarmônicas tocaram seus dobrados e andaram em tréguas, em homenagem à grande data municipal.

          Os jornais “Correio de Itabuna”,  “A Brasa”, “O Itabuna” comemoraram o feito com artigos de fundo.

          “A Brasa”, de Genolino Amado, aproveitou a oportunidade para dizer que “aquela obra não era dos trânsfugas, dos traidores, dos hereges, dos ingratos. Aquela obra pertencia aos homens esclarecidos, que pensavam no bem público, na grandeza da terra, na independência de Itabuna”.

          O pior sucedeu lá para os lados das “Bananeiras”, rio acima. Um protegido da situação provocou um barulho e matou um empregado do Coronel Henrique Félix. Matou-o estupidamente com um tiro na cabeça e deu um viva a Itabuna.

          Dentro da vida acidentada, de intranquilidade pública, da falta de meios de comunicações, dentro de todas essas dificuldades, o município desenvolveu-se, levado, ajudado pelos seus trabalhadores, que eram os proprietários das suas terras plantadas de cacau.

          Não há na história do Estado o exemplo de um povo mais afeiçoado ao progresso. Para o itabunense não existia o perigo das doenças, dos homicídios, dos assaltos, das feras, das serpentes. Para ele só havia um objetivo: o trabalho criador da riqueza, as matas que derrubava e plantava cacau, os terrenos que coivarava e semeava o cereal, a execução, enfim, de um plano elaborado, riscado na consciência de cada cidadão que transformava a floresta infernal do cacau no paraíso das suas ambições. Assim é que o itabunense fez a riqueza da sua terra, a grandeza do seu município, lutando, desbravando, resistindo e insistindo até a vitória final. Quantos deles não morreram nessa imensa empreitada, quantos deles não sucumbiram nessa tarefa ciclópica de criar e organizar um dos mais importantes núcleos de produção e de renda do País?

          Firmino Alves estava pensando justamente no heroísmo da sua terra e do seu povo, quando recebeu de Ilhéus uma carta de Rodolfo de Melo Vieira, na qual avisava que havia chegado uma leva de sergipanos, e que, no dia seguinte a embarcaria para Itabuna. Rodolfo de Melo Vieira, comerciante conceituado no município ilheuense, era o agente consignatário de Firmino Alves na importação que fazia de sergipanos. Acabou de ler a carta e sorriu. Diante de si passavam muitos cavaleiros, montados em bons e tratados cavalos esquipando rio abaixo e rio acima, em comemoração àquele dia festivo.

          Olhou e sorriu. Entre os cavaleiros estavam Ramiro, João e Antonio, sergipanos que tinham chegado com os sacos às costas em 1904, para Tabocas. Para entrarem nas matas ele os havia suprido de carne, farinha, feijão, um machado, e um facão.

          Estavam agora afazendados, possuíam cavalos, corriam para baixo e para cima, com pose de coronéis fazendeiros, diferentes daquelas pálidas criaturas que saltaram dos barcos, amarelos e enjoados, com olhares humildes e interrogativos, em busca de trabalho e de pão, numa terra desconhecida.

 

 (TERRAS DE ITABUNA Capítulo XII)

Carlos Pereira Filho

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segunda-feira, 12 de julho de 2021

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS LANÇA SEGUNDO EPISÓDIO DO CICLO DE PODCASTS INTITULADO "LITERATURA BRASILEIRA NO MUNDO"


A Academia Brasileira de Letras prossegue com o ciclo de podcasts "Literatura Brasileira no Mundo". A emissão traz a visão dos Sócios Correspondentes da ABL sobre a presença da literatura brasileira em diferentes países do mundo. O segundo episódio, que será disponibilizado ao público no dia 14 de julho, a partir das 16h, foi gravado pelo Sócio Correspondente Leslie Bethell. A apresentação do episódio e a coordenação do ciclo são feitas pelo Acadêmico Antônio Torres.

Leslie Bethell, historiador inglês, é atualmente diretor do Centre for Brazilian Studies da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Antes, foi diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos, da Universidade de Londres. Seu principal trabalho, como acadêmico, foi a coordenação e edição da monumental Cambridge History of Latin America, com 11 volumes publicados desde 1984, e um grande número de publicações derivadas. Além de editar a obra, o prof. Bethell é autor e co-autor de inúmeros capítulos que fazem parte dela. Como as outras histórias de países com o selo da Cambridge University Press, esta obra tornou-se a principal referência internacional para a história da América Latina. Pela cuidadosa pesquisa, o livro sobre a ação britânica na abolição do tráfico de escravos para o Brasil tornou-se um marco historiográfico, tanto no que se refere ao tráfico como às relações entre o Brasil e a Grã-Bretanha. Em toda sua carreira, o professor Bethell manteve estreito contato com o Brasil. O Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford, que o prof. Bethell dirige, é um importante ponto de referência, contato e intercâmbio entre especialistas brasileiros, ingleses, e de outros países, em diversas áreas do conhecimento – economia, história, educação, ciência política, artes -, sendo responsável também pela realização de eventos acadêmicos, científicos e culturais que ajudam a promover a cultura e a ciência brasileira no Reino Unido.

Todos os podcasts gravados ficarão disponíveis no site da Academia, assim como nas plataformas de streaming Spotify, Apple Podcasts, Deezer e Castbox.

12/07/21

https://www.academia.org.br/noticias/academia-brasileira-de-letras-lanca-segundo-episodio-do-ciclo-de-podcasts-intitulado-0

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EMENDA PIOR QUE O SONETO - Major-Brigadeiro Jaime Rodrigues Sanchez


Senhor Omar Aziz. Assisti atentamente sua entrevista na CNN Brasil, onde o senhor buscou com seu linguajar dúbio e vulgar tapar o sol com a peneira, depois de tentar enxovalhar a imagem das Forças Armadas, uma instituição que desde o início da sua existência dedica-se exclusivamente a servir à Pátria e aos cidadãos brasileiros.

Justamente o senhor, membro de uma instituição que tem uma reprovação quase unânime da sociedade, se arvora de apedrejador esquecendo-se do seu teto de cristal.

Esqueceu-se também de que enquanto o senhor tomava whiskies e vinhos importados e selecionados com caviar, os heróis das três Forças (como disse o senhor mesmo nessa entrevista, tentando amenizar sua ofensa) dedicavam sua juventude e de suas famílias a arriscar suas vidas enfrentando todos os perigos que oferecem as peculiaridades da região amazônica, principalmente a malária e outras doenças tropicais, contra as quais tomavam Ivermectina, Cloroquina e todos os tratamentos preventivos e precoces que hoje Vossas Excelências demonizam para tentar atingir indiretamente o Presidente da República.

O senhor atacou SIM a honra de todos os militares vivos, da ativa e da reserva, ao completar seu raciocínio com a comparação de que os Presidentes Geisel e Figueiredo morrerem pobres.

Os militares, considerando genericamente o nosso universo, não obrigatoriamente morrem pobres, mas, seguramente, os que atingem melhores condições de vida o fazem com o fruto do seu suor e planejamento de vida, diferentemente da classe que o senhor representa.

Sabemos que temos ovelhas negras, mas em quantidades desproporcionalmente pequenas que não significam desgaste na credibilidade da instituição.

Como disse o Comandante da Força Aérea Brasileira em sua entrevista ao jornal O Globo, como resposta às suas infames declarações, “nós não somos lenientes com desvios”. Ele próprio exemplificou que foram expulsos sete oficiais por envolvimento em atividades ilícitas.

Essa conduta institucional é alicerçada em uma doutrina inarredável dos princípios calcados no juramento inicial do militar ao ingressar na Força e num Código de Honra que se define pelo lema da CORAGEM, LEALDADE, HONRA, DEVER E PÁTRIA.

Infelizmente, a prática dessas cinco palavras, que em diversos países representam um exercício natural de cidadania, são aqui diariamente vilipendiados pelas mais altas autoridades da República, que seriam os responsáveis por legalizar, implementar e zelar pela sua adoção.

A despeito dos muitos anos de ausência de confrontos armados e da pequena probabilidade de envolvimento brasileiro em conflitos internacionais, exceto em missões de paz da ONU, o prestígio das FFAA permanece inabalável, refletindo a excelência da sua formação ética e profissional, e graças aos relevantes serviços prestados à sociedade, em todos os momentos críticos onde sua intervenção é requerida, tornando inócuas tentativas como as suas para denegrir esse conceito.

O DATAFOLHA, aquele mesmo instituto que distorcia as pesquisas na eleição passada e retoma agora a mesma linha de conduta, tentando derrubar a candidatura Bolsonaro, afirmou em junho de 2018: “as Forças Armadas foram avaliadas como a instituição mais confiável. Nove em cada dez (78%) declararam confiar nas Forças Armadas”.

Enquanto isso, senhor Aziz, mais eloquente do que os baixos índices revelados pelos mesmos institutos de pesquisa para a coletividade que o senhor representa é a forma como são referidos nas manifestações populares e o entusiasmo como são saudados em aparições públicas.

Lembrem-se: aquele que semeia pouco, também colherá pouco, e aquele que semeia com fartura, também colherá fartamente. (2 Coríntios 9:6)

 

BRASIL ACIMA DE TUDO, DEUS ACIMA DE TODOS


Major-Brigadeiro Jaime Rodrigues Sanchez

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domingo, 11 de julho de 2021

ITABUNA CENTENÁRIA, UM POEMA: Como Pássaro, fugi - Paulo Bezerra

 


Como Pássaro, Fugi

Paulo Bezerra

 

Como pássaro, fugi para a montanha,

fugi das ciladas, busquei esconderijos,

esqueci, cobri o rosto, da estranha

força que mantém os nervos rijos.

 

Atiram flechas, esticam arco e cordas

para tentar, em vão, reter-me o passo.

Rodeia-me, espreita-me a horda

que prepara, em cada trilha, a mim, seu laço.

 

Mas, como pássaro fugi, esguio e firme

trouxe, nas asas, teu ser e o pus a salvo

para que tudo que disse se confirme

e o teu corpo não seja mais o alvo.

 

Da blasfêmia, do ódio e do inimigo,

te escondi, junto a mim, em meu recanto.

Tendo você, a salvo, aqui comigo,

pra te curar a dor, secar teu pranto.

 

(somos, assim, feitos um pro outro)

 

 

(O ESTRO QUE ILUMINA O SER)

Paulo Bezerra

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PREFÁCIO 

 

            "Conheci Paulo, advogado, quando da realização  do primeiro Concurso para Juiz do Trabalho realizado pelo TRT de Alagoas, em 1992. Ansioso, esperançoso, nervoso, como todo candidato. Vinha da Bahia – terra de Carlos Coqueijo Costa, Orlando Gomes, J.J. Calmon de passos e José Augusto Rodrigues Pinto, trazendo, na bagagem, ao invés de roupas, livros, em busca de um ideal: ser juiz.

            Conheci Paulo, juiz, já em 1993. Vitorioso, realizado, feliz, pois como ele mesmo diria mais tarde, chegou a esta terra 'trazendo uma mala de esperança, de alegria e de luta'.

            De luta, porque estressado de uma maratona de 10 horas de estudos, durante dois anos inteiros.

            De alegria, porque finalmente, o filho de um caminhoneiro e de uma nordestina Severina, anualmente buchuda e doce por toda a vida, era Juiz. Esse nordestino também tão Severino.

            De esperança, porque todos os que se lançam em busca de algo e conseguem, se enchem de esperança para novos rumos.

            Conheci Paulo, poeta, em 1994, quando, ao receber o título de cidadão palmarino, deixou transparecer em seu discurso, inserido ao final  deste livro, o estro que lhe ia n’alma.

            Não é de admirar que um filho da terra de Castro Alves, Dorival Caymmi, Jorge Amado, Caetano Veloso e Dias Gomes, tenha percebido a poesia no ar, à sua volta, e dela sorvido.

          Um advogado, forma-se. Um juiz, instrui-se.

            Mas um poeta, nasce. Porque o poeta já trás no sangue, nos gens, a sensibilidade, a poesia.

           O poeta já nasce com olhos de poeta, com ouvidos de poeta, com alma de poeta.

            Paulo, poeta, certamente, herdou do seu pai, caminhoneiro, a beleza absorvida por este, nas muitas horas de solidão, quando vagava pelas paisagens das estradas.

          Paulo, poeta certamente herdou de sua mãe, doce por toda a vida, os cantos e encantos das muitas horas de suave colóquio, dela com o ser que lhe crescia no ventre.

          Não me cabem méritos nem reconhecimento público, para ser escolhido para prefaciar esta obra, a não ser o respeito e a admiração por esta mesma obra.

 

            É bom saber que, em tempos em que os homens andam cada vez mais esquecidos dos sentimentos, revela-se um novo poeta.

            É bom saber que, da mesma pena de onde brotam sentenças de direito trabalhista, brotam também poesias. Porque isto dá ao poeta a qualidade da poesia que não é mero sonho, mas traz a marca da experiência de vida.

            Dá ao juiz a qualidade de decidir, sem esquecer os valores mais sutis do sentimento, as questões mais humanas do ser humano. E dá ao leitor a oportunidade de ótimos momentos de reflexão, de devaneios, de divagação, enfim, da melhor poesia".

 

José Antônio Esteves Nunes


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PALAVRA DA SALVAÇÃO (236)



15º Domingo do Tempo Comum – 11/07/2021

Anúncio do Evangelho (Mc 6,7-13)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros.

Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas.

E Jesus disse ainda: “Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!”

Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

http://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:


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O discernimento de espíritos: problema da vida espiritual pessoal

Imagem: pexels.com

Falar em discernimento de espíritos é afirmar a possibilidade do Criador e criatura de se comunicarem e se compreenderem verdadeiramente. Existe uma linguagem que eles empregam quando se comunicam. Como compreender tal linguagem? Como podemos reconhecer a voz de Deus que nos é dirigida e responder a ela livremente? Existe um espaço de autonomia para o ser humano ao interno do grande desígnio divino?

Para os mestres da vida espiritual, tais perguntas soariam estranhas. Para estes, não há sentido em querer separar essas duas realidades. A relação entre Deus e o homem/mulher se realiza no Espírito Santo, a Pessoa Divina que os torna partícipes do amor do Pai pelo Filho. Esta participação, isto é, a presença do amor divino em nós, torna possível nosso acesso a Deus (1). Entre a pessoa humana e o seu Senhor existe uma verdadeira comunicação que, para ter a garantia da liberdade, se vale, com frequência, dos nossos pensamentos e dos sentimentos.

O discernimento faz parte da relação vivida entre Deus e o homem/mulher; mais ainda, é o espaço próprio onde podemos experimentar tal relação com Deus como uma experiência de liberdade, como uma possibilidade de uma criação continuada. Nesse ato, a criatura experimenta ser chamada a participar como cocriadora responsável pela própria existência. Experimenta a si como chamado/a a desvelar a si mesmo/a na criatividade da História que ele cria criando a si mesmo/a.

O discernimento é uma realidade relacional, tal como a fé. A fé cristã se funda em um encontro pessoal, pois o Deus que se revela se comunica como amor, e o amor pressupõe sempre o reconhecimento de um “tu”. Deus é amor porque é comunicação absoluta, capacidade de ser em relação eterna, seja no ato primordial do amor recíproco das três Pessoas divinas, seja na Criação. Por isso, a experiência da relação livre que experimentamos no discernimento não é nunca somente uma relação vertical entre nós e Deus, mas inclui também a relação com os outros e ainda a relação com a criação, a partir do momento em que entrar em uma relação autêntica com Deus significa entrar naquela ótica de amor que é uma relação vivificante com tudo o que existe.

O discernimento é a arte de compreender a si mesmo tendo em conta esta estrutura de conjunto, olhando-se a si na unidade porque se vê com o olho de Deus que enxerga a unidade de vida. É expressão de uma inteligência contemplativa, é uma arte que pressupõe o saber contemplar, ver a Deus.

Existimos porque Deus nos dirigiu a palavra, chamando-nos à existência para sermos seus interlocutores. A vocação nada mais é do que a Palavra pessoal que Deus dirige ao homem, imprimindo nele um caráter dialogal. A vocação é a plena realização do homem no amor, ao interno do princípio dialógico em que foi criado, tendo Deus como principal interlocutor.

O discernimento nada mais é do que a arte por meio da qual o homem aprende a compreender a palavra que lhe foi dirigida, palavra que abre diante dele um caminho a ser percorrido, para poder responder à Palavra (2). A vocação não é um fato automático, mas implica um processo de amadurecimento das relações, a partir daquela relação fundamental com Deus. É um progressivo ver a si mesmo e ver a História e perguntar-se como eu posso me dispor a me tornar parte da humanidade que Cristo assume, e através da qual assume também a criação toda, para entregar tudo ao Pai. Nesta descoberta progressiva do caminho a ser seguido, é relativamente fácil distinguir entre o que é injusto daquilo que não o é. Mas quando nos encontramos diante de possibilidades ambas boas, com que critério eu posso escolher aquela que se revela como a melhor? Isto é sem dúvida muito mais difícil! “Devo rezar mais ou devo trabalhar mais?” “O que eu devo me tornar na vida?”.

De onde vem a dificuldade? Poderíamos responder lembrando o provérbio popular que afirma que “nem tudo o que é bom para um é necessariamente bom para os outros”. Não existe uma santidade genérica. Cada um deverá buscar a sua própria estrada. A razão disso é porque Deus chama cada um pessoalmente. Claro que existem preceitos gerais que todos nós devemos viver, mas tais regras gerais serão colocadas em prática por cada um de um modo diverso. O plano de Deus contém para cada pessoa um projeto de vida pessoal (3).

Discernir pouco a pouco o plano de vida pessoal que Deus tem por mim, eis a finalidade dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio! Trata-se de buscar a mesma atitude que Cristo adotou com relação ao seu Pai: “Que seja feita a tua vontade!”. Atitude que Ele nos ensinou quando nos ensinou a rezar o Pai-Nosso (Lc 22,42; Mt 6,10).

Tarefa difícil, se quisermos impor limites ao nosso querer desde o início. Assim que pertence ao discernimento dos espíritos o romper, antes de mais nada, com todo apego à vontade própria, libertar-nos de tudo o que nós queremos por nós mesmos a fim de que nos tornemos livres para poder dizer com o Cristo: “Não seja feito o que eu quero, mas o que tu desejas!” (Mc 14,36). A este ponto é preciso ser livres interiormente para poder abraçar a vontade do Pai.

Mas mesmo depois de encontrada, esta vontade do Pai deve continuar a determinar a nossa vida para sempre. Em circunstâncias que serão mutáveis e de acordo com uma evolução pessoal, deveremos vigiar para que a decisão tomada permaneça sempre fiel e seja ainda expressão da vontade de Deus. A escolha que foi abraçada de acordo com Deus não deve somente trabalhar a nossa vida como um simples resultado ao qual se chega, mas como se fosse um programa de vida, ela deve agir, em primeiro lugar, como uma disposição de espírito, uma atitude de liberdade interior orientada para Deus, numa disponibilidade sempre renovada de dobrar-se à vontade do Pai. Poderíamos nos perguntar: como descobrir positivamente o que o Pai quer? É aqui que mergulhamos em cheio naquilo que Inácio insiste tanto ao longo dos seus Exercícios Espirituais: através de um conhecimento interno de Cristo! É Nele que o Pai se tornou visível: “Quem me vê, vê o Pai!” (Jo 14,9).

Por essa razão, quem quer fazer uma escolha de vida, guiado por Inácio, precisará empenhar-se em uma sequência de contemplações onde só uma coisa importa: conformar-se com Cristo. Trata-se de saborear internamente as coisas em Cristo (cf. EE 2). Considerando o Cristo em cada contemplação, somos chamados a tomar do mesmo alimento do Filho, isto é, “fazer a vontade do Pai, que me enviou, e cumprir a sua obra” (Jo 4,34).

Para nossa consideração: Como temos vivido nossa relação dialogal com o Senhor? Como podemos avançar na conformação de nossas existências à vida de Cristo? Peçamos ao Senhor a graça de uma maior liberdade interior nas nossas escolhas!

 


Alfredo Sampaio Costa SJ é professor e pesquisador no departamento de Teologia da FAJE

 

In: site da FAJE 

 https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2365-o-discernimento-de-espiritos-problema-da-vida-espiritual-pessoal

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sexta-feira, 9 de julho de 2021

PEDAÇOS DE VIDA JAMAIS DESVENDADOS - Ignácio de Loyola Brandão

 


No final dos anos 1950, em Araraquara, Mister Pimenta, professor de inglês, teve um gesto generoso. Toda terça-feira à noite, ele dava uma aula gratuita de reforço de inglês. Classe lotada. Por semanas, lá estive, por interesse na língua e em uma loirinha, a Gilda. O ritual da paquera, na época chamado flerte, era longo, exigia paciência. Em geral, começava no footing, com as mulheres caminhando na calçada entre os dois cinemas e os homens parados no meio-fio. Olha que olha, olha que olha, até que o olhar era correspondido. O footing acontecia aos sábados e domingos. Primeira semana, segunda, terceira, um encontro era marcado e aí dependia de você. As aulas de terça-feira acabavam funcionando como um dia a mais para nos favorecer. Uma noite, consegui descer a escada ao lado de Gilda. Emocionado, sabia que aquela era a chance. Conversamos um pouco, elas tinham horário para regressar à casa, 10 da noite. A certa altura, consegui encaixar a frase, “gostaria de namorar contigo, parece que a gente vem se entendendo”. Ela pareceu constrangida: “Tem um problema, meu pai acha que é cedo para eu ter namorado. Também acho. Além disso, meu irmão disse que só vou namorar quem ele aprovar. Não me leve a mal”. Insisti – só eu sei o quanto me custou – e ela ficou firme: “Não”.

Na quinta-feira, fui ao cinema, já tinha começado a fazer crítica no jornal. Sentei-me atrás de três amigas de Gilda. Elas conversavam e então uma delas chamada Elide disse uma coisa tenebrosa. Nunca mais esqueci esse nome, Elide. Ela se virou para as amigas: “Sabem que o Ignácio quis namorar a Gilda? E ela disse ‘não, você é muito feio’. Disse na cara dele. E ela tem razão: quem vai namorá-lo?”. Não ouvi mais nada. Ser feio era estigma. Tempos difíceis, moralismo, severidade, pegava-se na mão depois de dois meses de namoro. Aliás, para terem ideia de como este país era, na década de 1970, quando fui à Primeira Feira Literária de Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, fiquei surpreso com o número de garotas que circulavam à noite. Um sucesso. Os livros eram atraentes? “Não”, me disse uma delas, “é que, com a Feira, nossos pais e irmãos nos deixam sair durante a semana”.

Voltando à Gilda, traumatizado, porque aos 16 anos tudo é drama, me recolhi, nunca mais me aproximei de nenhuma jovem. Amei várias, jamais souberam. Enfiei-me nos livros, no jornal, no cinema, queria ir embora, não ficar mais ali. Vim, fiz minha vida, esqueci. Contei rapidamente este episódio na Aula Magna que dei em minha cidade há duas semanas. A imagem de Gilda tinha voltado num repente. Indaguei da plateia (online): e se ela tivesse dito sim, eu estaria aqui, como estou, a dar esta aula como Doutor Honoris Causa pela Unesp, ou estaria a assistir à aula de um outro? O ‘se’ não existe, mas a fantasia sim, afinal sou ficcionista. A esta Gilda que me disse não, dediquei um livro, Dentes ao Sol. Não sei se ela viu, ficou sabendo. Teria ela dito este ‘não’ arrasador? Nem sei se está viva, sabe quem sou, o que faço. Será que se lembra do ‘não’?

Por que há de se lembrar? O assunto nada significava para ela. Doce e instigante mistério. Fui mais longe: e se ela estiver aqui neste auditório, viva, ou em casa me assistindo digamos, ao lado da filha? E esta se vira para a mãe e pergunta: “Veja só! Quem terá sido essa mulher que o rejeitou? E se tivesse sido você, mãe? Teria dito sim? Tivesse dito, ele hoje seria meu pai?”. Fascinantes estes rápidos recortes da vida jamais desvendados. Literatura funciona assim. Ou imaginei este ‘não’ e o incluí como realidade? A memória tem sua ironia, uma certa dose de crueldade, diz meu primo José Castelli, filósofo certeiro em tardes invernais.

O Estado de S. Paulo, 02/07/2021

 

https://www.academia.org.br/artigos/pedacos-de-vida-jamais-desvendados

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Ignácio de Loyola Brandão - Décimo ocupante da Cadeira 11 da ABL, eleito em 14 de março de 2019 na sucessão do Acadêmico Helio Jaguaribe.

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