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quinta-feira, 23 de junho de 2022

ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: Pássaro Gentil, por Paulo Bezerra



PÁSSARO GENTIL

Paulo Bezerra

 

 

Pássaro gentil

alegre e buliçoso

a ânsia da vida te trouxe

pra dentro de minha varanda.


Voas e voas e pousas

brindando as samambaias

beijando os antúrios

e me alegrando a vida.

 

Chegaste como um sopro

um alento, um recado da vida

 dizendo que está aí

e precisa ser vivida. Revivo.

 

Encheste meu peito de paz.

Trouxeste a esperança que alenta,

espalhada sobre as asas.

Lembro que amo, e amo, e amo

 e me alegro muito.

 

Voas e vais.

 

Meu bem ficou aqui,

dormindo entre as plantas.

O peito, agora, é fonte e jorra

embalado pelo tenor de Pavarotti.

 

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PAULO BEZERRA – Juiz do Trabalho da 19ª Região – AL

Presidente da JCJ de União dos Palmares – AL

Poemas escritos em União dos Palmares

Dedicatória:

A meu filho Moacir, pedaço maior de minha sensibilidade.

A todos aqueles que têm, como eu, no peito, um pouco de sentir.

* * *


 

quinta-feira, 10 de março de 2022

RUMO E FASES - Paulo Bezerra

 


Rumo e Fases

 

 

Quando eu tinha dez anos

sentava-me na pedra e olhava o mar.

Via navios iluminados

e sonhava com um mundo lá de fora.

E já tinha tanto, no peito, pra dizer.

 

Quando eu tinha quinze anos

sentava-me na pedra e olhava o mar.

Não via mais os navios,

mas sonhava com um mundo lá de fora

e tinha mais coisas, no peito, pra dizer.

 

Quando eu tinha vinte e cinco anos

sentava-me na pedra e olhava o mar.

Não via mais os navios iluminados,

nem sonhava com um mundo lá de fora,

mas tinha, ainda, coisas, no peito, pra dizer.

 

Quando eu tinha trinta e cinco anos

não sentava mais na pedra nem olhava o mar.

Não via os navios iluminados,

nem sonhava com um mundo lá de fora.

Mas já gritava o que tinha, no peito, pra dizer.

 

Às vésperas dos quarenta e cinco anos

não sento na pedra, nem olho o mar.

Não vejo os navios iluminados,

não sonho com um mundo lá de fora,

nem uso palavras pra dizer o que tenho pra dizer.

Apenas vivo, e digo, assim, sem ter palavras,

tudo o que tinha e tenho pra dizer.

 

Paulo Bezerra – Juiz do Trabalho da 19ª Região – AL

(Poema escrito em União dos Palmares)

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O ESTRO QUE ILUMINA O SER – 1ª EDIÇÃO

Paulo Bezerra

* * *

domingo, 11 de julho de 2021

ITABUNA CENTENÁRIA, UM POEMA: Como Pássaro, fugi - Paulo Bezerra

 


Como Pássaro, Fugi

Paulo Bezerra

 

Como pássaro, fugi para a montanha,

fugi das ciladas, busquei esconderijos,

esqueci, cobri o rosto, da estranha

força que mantém os nervos rijos.

 

Atiram flechas, esticam arco e cordas

para tentar, em vão, reter-me o passo.

Rodeia-me, espreita-me a horda

que prepara, em cada trilha, a mim, seu laço.

 

Mas, como pássaro fugi, esguio e firme

trouxe, nas asas, teu ser e o pus a salvo

para que tudo que disse se confirme

e o teu corpo não seja mais o alvo.

 

Da blasfêmia, do ódio e do inimigo,

te escondi, junto a mim, em meu recanto.

Tendo você, a salvo, aqui comigo,

pra te curar a dor, secar teu pranto.

 

(somos, assim, feitos um pro outro)

 

 

(O ESTRO QUE ILUMINA O SER)

Paulo Bezerra

.................


PREFÁCIO 

 

            "Conheci Paulo, advogado, quando da realização  do primeiro Concurso para Juiz do Trabalho realizado pelo TRT de Alagoas, em 1992. Ansioso, esperançoso, nervoso, como todo candidato. Vinha da Bahia – terra de Carlos Coqueijo Costa, Orlando Gomes, J.J. Calmon de passos e José Augusto Rodrigues Pinto, trazendo, na bagagem, ao invés de roupas, livros, em busca de um ideal: ser juiz.

            Conheci Paulo, juiz, já em 1993. Vitorioso, realizado, feliz, pois como ele mesmo diria mais tarde, chegou a esta terra 'trazendo uma mala de esperança, de alegria e de luta'.

            De luta, porque estressado de uma maratona de 10 horas de estudos, durante dois anos inteiros.

            De alegria, porque finalmente, o filho de um caminhoneiro e de uma nordestina Severina, anualmente buchuda e doce por toda a vida, era Juiz. Esse nordestino também tão Severino.

            De esperança, porque todos os que se lançam em busca de algo e conseguem, se enchem de esperança para novos rumos.

            Conheci Paulo, poeta, em 1994, quando, ao receber o título de cidadão palmarino, deixou transparecer em seu discurso, inserido ao final  deste livro, o estro que lhe ia n’alma.

            Não é de admirar que um filho da terra de Castro Alves, Dorival Caymmi, Jorge Amado, Caetano Veloso e Dias Gomes, tenha percebido a poesia no ar, à sua volta, e dela sorvido.

          Um advogado, forma-se. Um juiz, instrui-se.

            Mas um poeta, nasce. Porque o poeta já trás no sangue, nos gens, a sensibilidade, a poesia.

           O poeta já nasce com olhos de poeta, com ouvidos de poeta, com alma de poeta.

            Paulo, poeta, certamente, herdou do seu pai, caminhoneiro, a beleza absorvida por este, nas muitas horas de solidão, quando vagava pelas paisagens das estradas.

          Paulo, poeta certamente herdou de sua mãe, doce por toda a vida, os cantos e encantos das muitas horas de suave colóquio, dela com o ser que lhe crescia no ventre.

          Não me cabem méritos nem reconhecimento público, para ser escolhido para prefaciar esta obra, a não ser o respeito e a admiração por esta mesma obra.

 

            É bom saber que, em tempos em que os homens andam cada vez mais esquecidos dos sentimentos, revela-se um novo poeta.

            É bom saber que, da mesma pena de onde brotam sentenças de direito trabalhista, brotam também poesias. Porque isto dá ao poeta a qualidade da poesia que não é mero sonho, mas traz a marca da experiência de vida.

            Dá ao juiz a qualidade de decidir, sem esquecer os valores mais sutis do sentimento, as questões mais humanas do ser humano. E dá ao leitor a oportunidade de ótimos momentos de reflexão, de devaneios, de divagação, enfim, da melhor poesia".

 

José Antônio Esteves Nunes


* * *

domingo, 1 de julho de 2018

ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: Ata, em teu coração, os meus ais – Paulo Bezerra


Ata, em teu Coração, os meus Ais

Ata, em teu coração,
Meus ais enormes.
Caminha, e serei, para ti
a mão que ampara.
Deita, e guardarei teu ser
enquanto dormes.
Dorme, e velarei teu sono
que espia.

Canta, e te porei na boca
o doce canto.
Luta, e guardarei, por ti
as armas tuas.
Chora, e secarei de ti
o denso pranto.
Fala, e colherei de ti
verdades nuas.

Fica, e estarei sentado
ao lado teu.
Vence, e terei teus louros
em minhas mãos.
Vive, e cada instante findo
será meu.
Planta, e colherei pra ti
frutos e grãos.

(O ESTRO QUE ILUMINA O SER)
Paulo Bezerra
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Paulo Bezerra – Juiz do Trabalho da 19ª Região – AL
Presidente da Vara de União dos Palmares - AL


* * *

sábado, 14 de outubro de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA: UM POEMA - O Pão e o preço - Paulo Bezerra

O pão e o preço


Ando pelas ruas.
Passam caminhões enfeitados de gente
de gente sem enfeites
que segue pro trabalho.
Pessoas que gritam, riem e se espremem
sentadas no lastro do caminhão.

Penso nos dragões rabugentos
que os esperam, no campo
com o tridente na mão.
Penso no salário do dia
e lembro do pão e do seu preço.

Acenam para mim
- Vamos! que jeito?
e eu os vejo assim
Como remadores das galés d’outrora.
E sei que tornarei a vê-los
quando, após a colheita,
em minha mesa despejarem suas dores.

(e fico olhando para eles
com o coração na mão
e a lágrima retida no canto dos olhos)


(O ESTRO QUE ILUMINA O SER)
Paulo Bezerra

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PAULO BEZERRA – Juiz do Trabalho da 19ª Região – AL
Presidente da JCJ de União dos Palmares – AL
Poema escrito em União dos Palmares
Dedicatória:
A meu filho Moacir, pedaço maior de minha sensibilidade.
A todos aqueles que têm, como eu, no peito, um pouco de sentir.

* * *

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA: UM POEMA - A dor de existir, por Paulo Bezerra

A Dor de Existir


Eu não quero escrever poesia
mas... sobre poesia.
Sobre este instante mágico,
Sublime, maior e calmo, de criar.

Eu não quero descrever o tempo
mas... dizer de minha forma de deixá-lo passar
E observar-lhe as nuances.

Eu não quero o fenômeno descrito
mas... o fenômeno revelado e terno
E a exposição explícita do meu sentir.

Eu não quero dizer de meu amor,
de como ele é, como nasceu.
mas... de como ele se vai
de como está e caminha a cada dia.

Eu não quero dizer que ouço estrelas
mas... de como elas se dão para mim
da contemplação de suas rotas certas.

Eu quero ser apenas um repórter dos meus ais!


(O ESTRO QUE ILUMINA O SER)
Paulo Bezerra
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PAULO BEZERRA – Juiz do Trabalho da 19ª Região – AL
Presidente da JCJ de União dos Palmares – AL
Poemas escritos em União dos Palmares
Dedicatória:
A meu filho Moacir, pedaço maior de minha sensibilidade.

A todos aqueles que têm, como eu, no peito, um pouco de sentir.

* * *

domingo, 7 de maio de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA: UM POEMA - Paulo Bezerra

O Estro que Ilumina o Ser


O estro que ilumina o ser,
No lume da existência vã,
Anuncia um breve amanhecer
E dança no colo da manhã.

A sonoridade explêndida que vai
No ar, no ar, no ar, a se perder,
Nos assegura que tudo o que se esvai,
A eterna mão não cansa de suster.

Estro, dança, música infinda
Que as cordas do banjo mandam para o ar,
A atmosfera que estrelada está, ainda,
Saúda o dia que acaba de chegar.

Música envolvente, que nos enche a alma,
Mexendo nos recantos do aberto peito
E, no instante penetrante desta calma,
Nos levanta, para o dia, já refeitos.


(O ESTRO QUE ILUMINA O SER - 1ª Edição)
Paulo Bezerra

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PREFÁCIO 


            "Conheci Paulo, advogado, quando da realização  do primeiro Concurso para Juiz do Trabalho realizado pelo TRT de Alagoas, em 1992. Ansioso, esperançoso, nervoso, como todo candidato. Vinha da Bahia – terra de Carlos Coqueijo Costa, Orlando Gomes, J.J. Calmon de passos e José Augusto Rodrigues Pinto, trazendo, na bagagem, ao invés de roupas, livros, em busca de um ideal: ser juiz.

            Conheci Paulo, juiz, já em 1993. Vitorioso, realizado, feliz, pois como ele mesmo diria mais tarde, chegou a esta terra 'trazendo uma mala de esperança, de alegria e de luta'.

            De luta, porque estressado de uma maratona de 10 horas de estudos, durante dois anos inteiros.

            De alegria, porque finalmente, o filho de um caminhoneiro e de uma nordestina Severina, anualmente buchuda e doce por toda a vida, era Juiz. Esse nordestino também tão Severino.

            De esperança, porque todos os que se lançam em busca de algo e conseguem, se enchem de esperança para novos rumos.

            Conheci Paulo, poeta, em 1994, quando, ao receber o título de cidadão palmarino, deixou transparecer em seu discurso, inserido ao final  deste livro, o estro que lhe ia n’alma.

            Não é de admirar que um filho da terra de Castro Alves, Dorival Caymmi, Jorge Amado, Caetano Veloso e Dias Gomes, tenha percebido a poesia no ar, à sua volta, e dela sorvido.

            Um advogado, forma-se. Um juiz, instrui-se.

            Mas um poeta, nasce. Porque o poeta já trás no sangue, nos gens, a sensibilidade, a poesia.

            O poeta já nasce com olhos de poeta, com ouvidos de poeta, com alma de poeta.

            Paulo, poeta, certamente, herdou do seu pai, caminhoneiro, a beleza absorvida por este, nas muitas horas de solidão, quando vagava pelas paisagens das estradas.

            Paulo, poeta certamente herdou de sua mãe, doce por toda a vida, os cantos e encantos das muitas horas de suave colóquio, dela com o ser que lhe crescia no ventre.

            Não me cabem méritos nem reconhecimento público, para ser escolhido para prefaciar esta obra, a não ser o respeito e a admiração por esta mesma obra.

            É bom saber que, em tempos onde os homens andam cada vez mais esquecidos dos sentimentos, revela-se um novo poeta.

            É bom saber que, da mesma pena de onde brotam sentenças de direito trabalhista, brotam também poesias. Porque isto dá ao poeta a qualidade da poesia que não é mero sonho, mas trás a marca da experiência de vida.

            Dá ao juiz a qualidade de decidir, sem esquecer os valores mais sutis do sentimento, as questões mais humanas do ser humano. E dá ao leitor a oportunidade de ótimos momentos de reflexão, de devaneios, de divagação, enfim, da melhor poesia".

José Antônio Esteves Nunes

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