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quinta-feira, 15 de julho de 2021

SÃO ROQUE - PATRONO CONTRA EPIDEMIAS E DOENÇAS CONTAGIOSAS - Plinio Maria Solimeo



Modelo de caridade e confiança, o santo muito auxiliou e operou milagres junto a pessoas infectadas durante uma epidemia na época medieval.

Plinio Maria Solimeo


          No final do século XIII e início do XIV a cidade de Montpellier, hoje francesa, pertencia ao reino de Mallorca, da casa real de Aragão. O governador da cidade, João, cuja esposa Libéria era também de ilustre família, gozava de todo o prestígio do cargo e de boa fortuna. Mas não tinham filhos. Com muita fé, importunaram os Céus para obtê-los, e foram ouvidos. Roque, o menino que lhes nasceu, trazia impressa no peito uma cruz vermelha, sinal de sua predestinação.

Busca da perfeição

         Herdeiro de uma família que dera ao conselho da cidade vários membros, Roque era de natural bondoso, afável e cordato, conquistando facilmente os corações. Amando a Deus sobre todas as coisas, é natural que tivesse também caridade extrema para com o próximo, e os pobres eram seus preferidos. Socorrê-los, ampará-los, fazer-lhes bem era sua maior alegria, pois neles via o Divino Salvador.

          Roque perdeu o pai aos 19 anos, e a mãe quase em seguida. Único herdeiro da considerável fortuna da família, herdava também o cargo de governador da cidade. Entretanto, de há muito vinha meditando o conselho evangélico: “Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres, e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-me” (Mt 19, 21). E ele queria ser perfeito, por isso vendeu tudo o que conseguiu e distribuiu o produto aos pobres. Deixou a seu tio paterno a administração do que restou, cedendo-lhe também o direito de sucessão.

Atendendo as vítimas


         Com traje de peregrino e um bastão na mão, Roque partiu com destino a Roma, para visitar os lugares santos e decidir seu futuro.

          Andando sempre a pé, e alimentando-se com o que recebia de esmola, chegou a Aquapendente, nos Estados Pontifícios. Ali grassava a peste, causando grandes danos especialmente entre os pobres. Inspirado por Deus, deteve-se na cidade com o desejo de assistir os empestados. Para isso dirigiu-se ao hospital local. O administrador, vendo-o tão jovem e delicado, mostrou-lhe os inconvenientes do ofício, inclusive a probabilidade de contágio. Roque insistiu, acabando por ser aceito.

          Percorrendo as salas onde estavam os empestados, lavava-lhes as feridas, fazia-lhes o leito e prestava-lhes os serviços mais repugnantes. Suas palavras tinham a virtude de inundar de alegria aquelas almas tão provadas, devolvendo-lhes a esperança da salvação neste mundo e principalmente no outro. Fazia sobre as chagas o sinal da cruz, curando milagrosamente a muitos.

          Visitava as casas onde havia pessoas atingidas pela peste, e ali desempenhava o mesmo papel, com igual sucesso. Logo correu pela cidade a notícia de que um “anjo” tinha descido do Céu para socorrer os flagelados pela epidemia. Todos queriam vê-lo, tocá-lo, ter alguma coisa sua.

         Não procurando sua glória, mas a de Deus, Roque fugiu dessa popularidade, abandonando furtivamente a cidade.

Na Cidade Eterna

Parte do bastão de São Roque

         Dirigiu-se então para Cesena, na Lombardia, ao saber que a cidade fora também atingida pela peste. Prodigalizando aos flagelados os mesmos cuidados, conseguiu debelar a peste. Um afresco na catedral local registra essa benéfica passagem do apóstolo da caridade.

         Chegando a Roma, constatou que a epidemia a atingira da maneira mais inexorável. A cidade parecia deserta, todos temendo sair às ruas devido ao risco do contágio. O medo e o egoísmo endureciam os corações, e apenas alguns generosos cidadãos e magistrados dedicavam-se a atender os atingidos pelo peste. Os doentes em estado terminal eram postos nas ruas pelos próprios parentes, e não havia quem deles cuidasse.

         À vista desse lúgubre espetáculo, Roque pôs-se imediatamente ao trabalho, determinado a morrer, se necessário fosse. Sua caridade heroica não recuava diante de nenhum obstáculo ou perigo, por mais terrível que fosse. O mal diminuía por toda parte onde atuava, o contágio desaparecia. Viam-se doentes no estado mais desesperador voltar à vida, tão logo ele lhes fazia o sinal da cruz.

         Os empestados arrastavam-se até os locais onde o santo iria passar, para vê-lo, tocá-lo e receber a cura prodigiosa que se obtinha com sua presença. Os próprios cardeais da Santa Madre Igreja procuravam-no para que, traçando sobre eles o sinal da nossa salvação, fossem preservados do contágio da temível epidemia.

         Passado o surto da doença, permaneceu ele ainda em Roma durante três anos, pedindo esmolas nas portas dos palácios para levá-las aos tugúrios, visitando as basílicas e indo de hospital em hospital para levar o alívio a todos os contagiados que gemiam no leito de dor.

         Percorreu depois as cidades atingidas pela epidemia na campanha romana, prodigalizando os mesmos cuidados e operando os mesmos prodígios.

Vítima da caridade

         Chegando a Placência, foi logo ao hospital, onde atendeu os doentes. Mas teve que ir para o leito. Em sonho aparecera-lhe um anjo do Senhor, que lhe disse: “Servo bom e fiel, até agora suportaste grandes trabalhos por amor do Deus todo poderoso. É agora necessário que sofras também os mesmos males, para que padeças um pouco o muito que [Jesus] sofreu por ti”. Roque acordou ardendo em febre, sentindo na coxa esquerda uma dor tão violenta que era quase insuportável: fora atingido pela peste!

         Sofria tanto, que gritava de dor. Para não atrapalhar os outros doentes, arrastou-se até uma floresta vizinha, apoiado num bastão. Além da febre altíssima, devorava-o uma sede insaciável, o que o fez suplicar a Deus o socorro naquele transe. No mesmo instante surgiu uma fonte, quase a seus pés, na qual ele pôde saciar a sede, lavar suas feridas e refrescar-se.


Cachorro levava pão para São Roque doente

          Faltava-lhe o que comer, mas a Providência velava por ele. Havia perto do local umas casas de campo, nas quais se haviam refugiado habitantes da cidade para escapar do contágio que os flagelava. Numa delas, no momento em que o proprietário se punha à mesa, um de seus cães de caça pegou um pão na boca e saiu em disparada. Isso ocorreu nos dias seguintes. Intrigado, o seu dono Gotardo seguiu-o, descobrindo Roque (a quem o cão levava o alimento) estendido no solo, numa cabana abandonada. O santo pediu-lhe que permanecesse longe, para não ser contagiado.

          Gotardo voltou para casa, mas a sucessão de fatos não lhe saía da cabeça. Chegou à conclusão de que seu cão era mais caridoso que ele, pois socorria o doente, enquanto ele nada fazia. Iluminado pela graça, voltou à cabana, dizendo a Roque que estava determinado a ficar ali e a dele cuidar até que sarasse ou morresse. Vendo nisso a mão de Deus, o santo assentiu.

         Entretanto o cão não mais voltou, e agora eram duas bocas a alimentar, pois Gotardo estava determinado a não voltar para casa. O que fazer? Roque sugeriu-lhe então um ato heróico: pegasse seu manto de peregrino e fosse à cidade pedir pão de esmola para a sobrevivência de ambos, mostrando-lhe o valor que isso teria aos olhos de Deus. Resolvido a vencer-se a si mesmo, Gotardo aceitou jubiloso o conselho.

         Quando os conhecidos de Gotardo o viram na cidade vestido daquele modo e pedindo esmola, ficaram estupefatos. Uns riam-lhe na cara, outros lhe viravam o rosto, de modo que no fim da jornada só tinha conseguido de esmola dois pãezinhos. E assim foi até que Deus, nos seus desígnios insondáveis, curou o santo, inspirando-lhe também o desejo de voltar para sua cidade natal. Partiu depois de ver Gotardo instalado numa cabana como eremita. Ele também vendera todos os seus bens e distribuíra o produto aos pobres, determinado a procurar a perfeição. A respeito desse Gotardo tão generoso, muitos afirmam que morreu também em odor de santidade, embora se ignore a data de sua morte.

Rejeitado pelos seus


Relíquia do santo

         Quando Roque chegou a Montpellier, a cidade estava em guerra. Vestido pobremente como estava, e não querendo informar quem realmente era, foi tido como espião. Por ordem do governador da cidade — seu próprio tio, que não o reconheceu, tão mudado estava pela doença e privações — foi condenado à prisão perpétua. Permaneceu numa enxovia por cinco anos, acrescentando aos naturais sofrimentos outros que a penitência e a piedade lhe sugeriam. No fim desse tempo, entregou a Deus sua bela alma, purificada e embelezada pela caridade, no dia 16 de agosto de 1327, com apenas 32 anos de idade.

         Ao removerem seus restos mortais, os carcereiros descobriram a cruz em seu peito, por meio da qual foi revelada sua identidade. Foi extremo o pesar do governador, ao saber que daquele modo tão ignominioso morrera quem tinha o seu mesmo sangue, e que tão generosamente lhe dera o cargo que ocupava. Preparou-lhe os mais honrosos funerais.

         A fama das virtudes desse santo singular ultrapassaram as fronteiras da França, espalhando-se por toda a Europa. Passou a ser invocado como o patrono contra a peste e as feridas incuráveis.

         Narra-se que durante o Concílio de Constança (novembro de 1414 a abril de 1418, na Alemanha) uma terrível epidemia ameaçava interromper os trabalhos da magna assembléia. Por sugestão de um de seus membros, que deu como exemplo o que se fazia na França, foram prescritas rogativas e jejuns em honra do então venerável Roque. Uma imagem sua percorreu as ruas da cidade, e quase imediatamente cessou a epidemia.

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Fonte : Revista Catolicismo, Agosto/2010.

Obras Consultadas:

● Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo IX, pp. 645 ss.

● Fr. Justo Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, tomo III, Ediciones Fax, Madri, 1945, pp. 369 ss.

● Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, Saragoça, 1948, tomo IV, pp. 473 ss.

● Gregory Clearly, Saint Roch, The Catholic Encyclopedia, Online version, www.newadvent.com.

https://www.abim.inf.br/sao-roque-patrono-contra-epidemias-e-doencas-contagiosas/

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terça-feira, 16 de março de 2021

A MAIS EXCELENTE DAS VIRTUDES – Plinio Maria Solimeo

 A mais Excelente das Virtudes – Parte I

13 de março de 2021


Plinio Maria Solimeo

 

Uma expressão muito em voga antigamente, quando se via alguém maltratar outra pessoa ou mesmo um animal, era: “Que falta de caridade!”.

Na maioria das vezes, ao fazer esse comentário, muito pouca gente pensava na virtude da Caridade (com maiúscula), isto é numa das três Virtudes Teologais, assim chamadas porque têm como origem, motivo e objeto imediato o próprio Deus. As outras duas são a Fé e a Esperança. Essas virtudes são os três elementos essenciais da vida cristã e, por isso, São Paulo exorta os Tessalonicenses: “Tomemos por couraça a fé e a caridade, e por capacete a esperança da salvação” (Ts 5, 8).

A mais excelente das virtudes          

A caridade é assim definida: “A virtude teologal pela qual nós amamos a Deus sobre todas as coisas e o nosso próximo como a nós mesmos por amor de Deus”.

Ela é o “um mandamento novo” que Jesus apresentou aos Apóstolos: “Eis meu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como eu vos tenho amado” (Jo 15, 12). “Como o Pai me amou, eu assim vos tenho amado. Permanecei em meu amor” (Jo 15, 9).

Amando-se uns aos outros, Seus discípulos imitam o amor que recebem de Jesus.

Com o fogo que lhe é próprio, o Apóstolo dos Gentios fala aos Coríntios sobre a excelência da virtude da Caridade: “Se eu falar as línguas de homens e de anjos, mas não tiver caridade, sou como bronze que soa ou címbalo que retine. E se possuir o dom de profecia, e conhecer todos os mistérios e toda a ciência, e alcançar tanta fé que chegue a transportar montanhas, mas não tiver caridade, nada sou. E se repartir toda minha fortuna, e entregar meu corpo ao fogo, mas não tiver caridade, isso nada me aproveita […]. Agora permanecem estas três coisas: fé, esperança e caridade. Porém, a mais excelente delas é a caridade” (1Cr 13, 1-4, 13).

Ele descreve ainda, de modo admirável, as características da caridade: “A caridade é paciente, a caridade é benigna; ela não é invejosa, a caridade não é jactanciosa, não se ensoberbece, não é descortês, não é interesseira, não se irrita, não guarda rancor; não se alegra com a injustiça, mas compraz-se na verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo tolera” (1Cr 13, 4-7).

Do mesmo modo, São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, em sua primeira Epístola, fala de um dos frutos da caridade: “Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados” (1 Pe 4,8).

Caridade e amor sensível a Deus

A caridade, como virtude teologal, nos preceitua a amar a Deus acima de todas as coisas porque Ele é Deus, e a amar a nós mesmos e ao próximo por amor de Deus: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças” (Dt 6, 5).

É evidente que amar não significa amá-Lo com um máximo de intensidade, pois isso não é algo que esteja no nosso controle, pois depende da graça. Menos ainda significa a necessidade de sentir um amor a Deus mais sensível que o amor às criaturas. Pois estas, por mais imperfeitas que sejam, são visíveis a nós, e por isso apelam mais à nossa sensibilidade do que Deus, que é invisível: “Quem não ama o seu irmão a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”. (1 Jo 4, 20). 

Segundo alguns exegetas, a expressão acima (“de todo o teu coração” etc.), foi escolhida pelo escritor sacro para elevar a caridade acima do baixo materialismo dos saduceus e do ritualismo formal dos fariseus da época.

Perde-se a caridade pelo pecado

Ao mesmo tempo, “amar a Deus acima de tudo” implica santidade de vida. É verdade que o homem é frágil, inconstante, ferido, obscurecido pelas paixões. Ele peca, e todos os seus pecados são falta de amor a Deus, mesmo quando ele não passa a odiar, em rebelião direta contra Ele com ódio de inimizade. Mas o pecado mortal nos faz perder a caridade e assim, a graça santificante.

Isto não ocorre com as outras duas virtudes teologais, a fé e a esperança, que podem subsistir mesmo depois de pecarmos e levar-nos ao arrependimento e à confissão. Este sacramento, recebido com as devidas disposições, nos permite readquirir a preciosa virtude da caridade.

Caridade e amor natural ao próximo

A própria razão nos diz que devemos amar nossos próximos, visto que são filhos de Deus, nossos irmãos, membros da mesma família humana, que têm a mesma natureza, dignidade, destino e necessidades que nós.

Mas esse amor natural ao próximo não é caridade, pois, conforme São Tomás, “caridade é amor; mas nem todo amor é caridade”.

A virtude da caridade é sempre sobrenatural, pois sempre tem a Deus como fim.

Por exemplo, quando uma pessoa assiste a um necessitado por causa das palavras de Cristo “o que fizerdes a um destes pequeninos, a mim o fazeis” (Mt 10,42; 25,40), está praticando um ato sobrenatural de caridade. Mas se o mesmo ato foi praticado por mera pena do pobre, e não pelo amor de Deus, o ato será de amor natural.

[Amanhã publicaremos a parte II deste artigo]

 

https://www.abim.inf.br/a-mais-excelente-das-virtudes-parte-i/

 

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A mais excelente das virtudes–PARTE II

14 de março de 2021



O Bom Samaritano. Xilogravura segundo desenho do pintor alemão Julius Schnorr von Carolsfeld (1794 – 1872).

Plinio Maria Solimeo

 

A obrigação de praticar atos de caridade em relação ao próximo é preceituada pela Revelação. Há vários textos da Sagrada Escritura que no-lo obriga, como as palavras do próprio Cristo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” e “faça aos outros o que quer que lhe façam”.

Da caridade deflui a misericórdia, que nos inclina a ter compaixão das misérias de nosso próximo, considerando-as em certa medida como nossas. Isso de tal modo que, o que lhe causa tristeza, do mesmo modo nos entristece. A misericórdia é assim a virtude por excelência entre todas aquelas que se referem ao nosso próximo. O próprio Deus manifesta misericórdia em um grau extremo tendo compaixão de nós.

Caridade e misericórdia

Daí a necessidade que temos de praticar as obras de misericórdia, que são as que visam o bem espiritual ou corporal do nosso próximo. Elas se dividem em espirituais e corporais.

A maior parte das pessoas se empenham em praticar as obras de misericórdia corporais, levadas por mero sentimentalismo ou por uma pena genuína, mas puramente humana, que sente pelos necessitados. Entretanto, descuidam das obras espirituais, das quais muitas vezes o próximo está mais necessitado delas do que das primeiras.

O Catecismo de São Pio X nos indica quais são elas:

Obras de misericórdia espirituais

dar bom conselho;

ensinar os ignorantes;

corrigir os que erram;

consolar os aflitos;

perdoar as injúrias;

sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo

rogar a Deus por vivos e defuntos.

As sete obras de misericórdia corporais são as que cuidam das necessidades físicas de nosso próximo:

dar de comer a quem tem fome;

dar de beber a quem tem sede;

vestir os nus;

dar pousada aos peregrinos;

assistir aos enfermos;

visitar os presos;

enterrar os mortos.

O óbolo da viúva e o Bom Samaritano


A esmola feita pelo amor de Deus é uma obra tão boa e tão meritória, que atrai o olhar de Deus, como visto na cena do óbolo da viúva 
[quadro ao lado] em São Lucas, (21, 1 a 4): “Os demais deitaram, para as oferendas de Deus, daquilo que lhes sobrava, ao passo que esta, da sua indigência, deitou tudo o que tinha para seu sustento”.

Entretanto, o mais belo exemplo de obra de misericórdia corporal é dado pelo próprio Divino Mestre na parábola do Bom Samaritano [quadro no topo], o quadro mais belo e mais perfeito do amor ao próximo.

Sobre ela diz o ilustre arcebispo de São Paulo D. Duarte Leopoldo e Silva em sua sempre atual Concordância dos Santos Evangelhos:

“O samaritano vê um homem prostrado em terra, mortalmente ferido. Para ter o amor do próximo, para praticar esta virtude, é preciso primeiro ver, e não desviar os olhos da miséria que se nos apresenta. Não basta: é preciso ainda saber ver, deter-se um instante no caminho, considerar e compreender os males alheios, e não fazer como o sacerdote e o levita, que viram e passaram. Depois, é preciso ter dó, mover-se à compaixão, aproximar-se, pelo coração, daqueles que sofrem, não limitar-se a uma compaixão estéril, mas imitar o Samaritano, dar como ele, em favor do próximo, tempo, dinheiro, trabalho, a sua própria pessoa, em uma palavra, dedicar-se”.

Inveja: pecado grave contra a caridade

Sendo que a caridade consiste em amar a Deus sobre todas as coisas, o pecado que é diametralmente oposto a ela é o ódio a Deus. Esse ódio, quando chega ao seu auge, leva a pessoa a adorar o próprio Satanás. É o maior pecado que um homem pode cometer. O ódio evidentemente tem graus, que vão se manifestando num ódio sucessivo à Igreja, à Religião, e até aos bons. Quando é dirigido a estes, é um grande pecado que resulta de uma profunda desordem interna.

Mas, na ordem prática, o pior pecado contra o próximo é a inveja, que também é diretamente oposta à caridade cristã. Diz a respeito o grande moralista espanhol, Pe. Antonio Royo Marin O.P.:

“A inveja é oposta à alegria espiritual (que pode existir ao mesmo tempo com a tristeza, porque não gozamos ainda da perfeita posse de Deus, como teremos na visão beatífica) é ocasionada pelo bem do nosso próximo. É um horrível pecado que entristece a alma por causa do bem visto em outrem, não porque esse bem particular nos ameaça, mas porque é visto como algo que diminui nossa própria glória e excelência. De si, é um pecado mortal contra a caridade, que nos ordena regozijar-nos com o bem de nosso próximo […]. Da inveja, como um vício capital, procedem o ódio, a murmuração, difamação, prazer nas adversidades do próximo, e tristeza por sua prosperidade”.

Resumindo, diz o Pe. Royo Marin:

“Devemos amar primeiro Deus, que é a fonte de toda felicidade; depois, nossa própria alma, que participa diretamente da infinita felicidade; em terceiro lugar, nosso próximo, tanto homens quanto anjos, que são companheiros de nossa felicidade; e por último, nossos corpos, sobre os quais redunda a glória da alma, e mesmo coisas irracionais tanto quanto elas possam estar relacionadas com o amor e a glória de Deus. A caridade é a virtude ‘par excellence’ que abraça o Céu e a Terra”.

 

https://www.abim.inf.br/a-mais-excelente-das-virtudes-parte-i-2/

 

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sexta-feira, 5 de abril de 2019

O SANTO REMÉDIO - Sebastião Gonçalves Leite


Em todo processo de enfermidade o doente é sempre o Espírito devedor em tratamento, para a cura da alma. Pois a doença se apresenta no corpo físico devido quase sempre a transgressões das Leis Divina e Natural. Isto ocorre pelo afastamento do Espírito destas leis. Quanto mais o Espírito das Leis Divinas se afasta, mais ele sofre, em decorrência das enfermidades que o atingem.

Neste cenário de dor, surge como esperança maior à cura da alma, como bênção de Deus, para com seus filhos, através do remédio eficaz: a Caridade. Remédio este que renova e tonifica a alma, permite a troca energética do corpo e da alma, no corpo e fora dele. É realmente um Santo Remédio esta substância chamada Caridade. Que está ao alcance de todos – encarnados ou não.

De solução e aplicação fáceis, pode ser administrado em dosagem homeopática ou para os casos mais graves de enfermidade da alma, em tratamento de choque, nos processos acelerados de cura.

Este Santo Remédio traz, ao final do processo de tratamento, a cura da alma e do corpo de forma definitiva para o ser.

Este medicamento é muito requisitado e é encontrado em todos os cantos da Terra. Como também é utilizado como tônico da vida, do corpo e da alma, garantindo a felicidade dos seres.

Dizem os mais entendidos que a composição deste milagroso medicamento é de noventa e nove por cento de Amor e um por cento de ação terapêutica, pela ação dos seres envolvidos em sua aplicação.

Que remédio bom este Santo Remédio! Vale lembrar que não é encontrado em farmácias e drogarias e que também não tem custo para o enfermo nem para o doador.

O laboratório que detém sua patente é o Laboratório Divino, que o libera por ação da Providência Divina.

Cá entre nós, Santo Remédio este chamado Caridade, e é de graça mesmo. Como também não tem contraindicação no tratamento das enfermidades.

Sebastião Gonçalves Leite



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