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domingo, 11 de julho de 2021

PALAVRA DA SALVAÇÃO (236)



15º Domingo do Tempo Comum – 11/07/2021

Anúncio do Evangelho (Mc 6,7-13)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros.

Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas.

E Jesus disse ainda: “Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!”

Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

http://liturgia.cancaonova.com/pb/

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:


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O discernimento de espíritos: problema da vida espiritual pessoal

Imagem: pexels.com

Falar em discernimento de espíritos é afirmar a possibilidade do Criador e criatura de se comunicarem e se compreenderem verdadeiramente. Existe uma linguagem que eles empregam quando se comunicam. Como compreender tal linguagem? Como podemos reconhecer a voz de Deus que nos é dirigida e responder a ela livremente? Existe um espaço de autonomia para o ser humano ao interno do grande desígnio divino?

Para os mestres da vida espiritual, tais perguntas soariam estranhas. Para estes, não há sentido em querer separar essas duas realidades. A relação entre Deus e o homem/mulher se realiza no Espírito Santo, a Pessoa Divina que os torna partícipes do amor do Pai pelo Filho. Esta participação, isto é, a presença do amor divino em nós, torna possível nosso acesso a Deus (1). Entre a pessoa humana e o seu Senhor existe uma verdadeira comunicação que, para ter a garantia da liberdade, se vale, com frequência, dos nossos pensamentos e dos sentimentos.

O discernimento faz parte da relação vivida entre Deus e o homem/mulher; mais ainda, é o espaço próprio onde podemos experimentar tal relação com Deus como uma experiência de liberdade, como uma possibilidade de uma criação continuada. Nesse ato, a criatura experimenta ser chamada a participar como cocriadora responsável pela própria existência. Experimenta a si como chamado/a a desvelar a si mesmo/a na criatividade da História que ele cria criando a si mesmo/a.

O discernimento é uma realidade relacional, tal como a fé. A fé cristã se funda em um encontro pessoal, pois o Deus que se revela se comunica como amor, e o amor pressupõe sempre o reconhecimento de um “tu”. Deus é amor porque é comunicação absoluta, capacidade de ser em relação eterna, seja no ato primordial do amor recíproco das três Pessoas divinas, seja na Criação. Por isso, a experiência da relação livre que experimentamos no discernimento não é nunca somente uma relação vertical entre nós e Deus, mas inclui também a relação com os outros e ainda a relação com a criação, a partir do momento em que entrar em uma relação autêntica com Deus significa entrar naquela ótica de amor que é uma relação vivificante com tudo o que existe.

O discernimento é a arte de compreender a si mesmo tendo em conta esta estrutura de conjunto, olhando-se a si na unidade porque se vê com o olho de Deus que enxerga a unidade de vida. É expressão de uma inteligência contemplativa, é uma arte que pressupõe o saber contemplar, ver a Deus.

Existimos porque Deus nos dirigiu a palavra, chamando-nos à existência para sermos seus interlocutores. A vocação nada mais é do que a Palavra pessoal que Deus dirige ao homem, imprimindo nele um caráter dialogal. A vocação é a plena realização do homem no amor, ao interno do princípio dialógico em que foi criado, tendo Deus como principal interlocutor.

O discernimento nada mais é do que a arte por meio da qual o homem aprende a compreender a palavra que lhe foi dirigida, palavra que abre diante dele um caminho a ser percorrido, para poder responder à Palavra (2). A vocação não é um fato automático, mas implica um processo de amadurecimento das relações, a partir daquela relação fundamental com Deus. É um progressivo ver a si mesmo e ver a História e perguntar-se como eu posso me dispor a me tornar parte da humanidade que Cristo assume, e através da qual assume também a criação toda, para entregar tudo ao Pai. Nesta descoberta progressiva do caminho a ser seguido, é relativamente fácil distinguir entre o que é injusto daquilo que não o é. Mas quando nos encontramos diante de possibilidades ambas boas, com que critério eu posso escolher aquela que se revela como a melhor? Isto é sem dúvida muito mais difícil! “Devo rezar mais ou devo trabalhar mais?” “O que eu devo me tornar na vida?”.

De onde vem a dificuldade? Poderíamos responder lembrando o provérbio popular que afirma que “nem tudo o que é bom para um é necessariamente bom para os outros”. Não existe uma santidade genérica. Cada um deverá buscar a sua própria estrada. A razão disso é porque Deus chama cada um pessoalmente. Claro que existem preceitos gerais que todos nós devemos viver, mas tais regras gerais serão colocadas em prática por cada um de um modo diverso. O plano de Deus contém para cada pessoa um projeto de vida pessoal (3).

Discernir pouco a pouco o plano de vida pessoal que Deus tem por mim, eis a finalidade dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio! Trata-se de buscar a mesma atitude que Cristo adotou com relação ao seu Pai: “Que seja feita a tua vontade!”. Atitude que Ele nos ensinou quando nos ensinou a rezar o Pai-Nosso (Lc 22,42; Mt 6,10).

Tarefa difícil, se quisermos impor limites ao nosso querer desde o início. Assim que pertence ao discernimento dos espíritos o romper, antes de mais nada, com todo apego à vontade própria, libertar-nos de tudo o que nós queremos por nós mesmos a fim de que nos tornemos livres para poder dizer com o Cristo: “Não seja feito o que eu quero, mas o que tu desejas!” (Mc 14,36). A este ponto é preciso ser livres interiormente para poder abraçar a vontade do Pai.

Mas mesmo depois de encontrada, esta vontade do Pai deve continuar a determinar a nossa vida para sempre. Em circunstâncias que serão mutáveis e de acordo com uma evolução pessoal, deveremos vigiar para que a decisão tomada permaneça sempre fiel e seja ainda expressão da vontade de Deus. A escolha que foi abraçada de acordo com Deus não deve somente trabalhar a nossa vida como um simples resultado ao qual se chega, mas como se fosse um programa de vida, ela deve agir, em primeiro lugar, como uma disposição de espírito, uma atitude de liberdade interior orientada para Deus, numa disponibilidade sempre renovada de dobrar-se à vontade do Pai. Poderíamos nos perguntar: como descobrir positivamente o que o Pai quer? É aqui que mergulhamos em cheio naquilo que Inácio insiste tanto ao longo dos seus Exercícios Espirituais: através de um conhecimento interno de Cristo! É Nele que o Pai se tornou visível: “Quem me vê, vê o Pai!” (Jo 14,9).

Por essa razão, quem quer fazer uma escolha de vida, guiado por Inácio, precisará empenhar-se em uma sequência de contemplações onde só uma coisa importa: conformar-se com Cristo. Trata-se de saborear internamente as coisas em Cristo (cf. EE 2). Considerando o Cristo em cada contemplação, somos chamados a tomar do mesmo alimento do Filho, isto é, “fazer a vontade do Pai, que me enviou, e cumprir a sua obra” (Jo 4,34).

Para nossa consideração: Como temos vivido nossa relação dialogal com o Senhor? Como podemos avançar na conformação de nossas existências à vida de Cristo? Peçamos ao Senhor a graça de uma maior liberdade interior nas nossas escolhas!

 


Alfredo Sampaio Costa SJ é professor e pesquisador no departamento de Teologia da FAJE

 

In: site da FAJE 

 https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/2365-o-discernimento-de-espiritos-problema-da-vida-espiritual-pessoal

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sexta-feira, 9 de julho de 2021

PEDAÇOS DE VIDA JAMAIS DESVENDADOS - Ignácio de Loyola Brandão

 


No final dos anos 1950, em Araraquara, Mister Pimenta, professor de inglês, teve um gesto generoso. Toda terça-feira à noite, ele dava uma aula gratuita de reforço de inglês. Classe lotada. Por semanas, lá estive, por interesse na língua e em uma loirinha, a Gilda. O ritual da paquera, na época chamado flerte, era longo, exigia paciência. Em geral, começava no footing, com as mulheres caminhando na calçada entre os dois cinemas e os homens parados no meio-fio. Olha que olha, olha que olha, até que o olhar era correspondido. O footing acontecia aos sábados e domingos. Primeira semana, segunda, terceira, um encontro era marcado e aí dependia de você. As aulas de terça-feira acabavam funcionando como um dia a mais para nos favorecer. Uma noite, consegui descer a escada ao lado de Gilda. Emocionado, sabia que aquela era a chance. Conversamos um pouco, elas tinham horário para regressar à casa, 10 da noite. A certa altura, consegui encaixar a frase, “gostaria de namorar contigo, parece que a gente vem se entendendo”. Ela pareceu constrangida: “Tem um problema, meu pai acha que é cedo para eu ter namorado. Também acho. Além disso, meu irmão disse que só vou namorar quem ele aprovar. Não me leve a mal”. Insisti – só eu sei o quanto me custou – e ela ficou firme: “Não”.

Na quinta-feira, fui ao cinema, já tinha começado a fazer crítica no jornal. Sentei-me atrás de três amigas de Gilda. Elas conversavam e então uma delas chamada Elide disse uma coisa tenebrosa. Nunca mais esqueci esse nome, Elide. Ela se virou para as amigas: “Sabem que o Ignácio quis namorar a Gilda? E ela disse ‘não, você é muito feio’. Disse na cara dele. E ela tem razão: quem vai namorá-lo?”. Não ouvi mais nada. Ser feio era estigma. Tempos difíceis, moralismo, severidade, pegava-se na mão depois de dois meses de namoro. Aliás, para terem ideia de como este país era, na década de 1970, quando fui à Primeira Feira Literária de Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, fiquei surpreso com o número de garotas que circulavam à noite. Um sucesso. Os livros eram atraentes? “Não”, me disse uma delas, “é que, com a Feira, nossos pais e irmãos nos deixam sair durante a semana”.

Voltando à Gilda, traumatizado, porque aos 16 anos tudo é drama, me recolhi, nunca mais me aproximei de nenhuma jovem. Amei várias, jamais souberam. Enfiei-me nos livros, no jornal, no cinema, queria ir embora, não ficar mais ali. Vim, fiz minha vida, esqueci. Contei rapidamente este episódio na Aula Magna que dei em minha cidade há duas semanas. A imagem de Gilda tinha voltado num repente. Indaguei da plateia (online): e se ela tivesse dito sim, eu estaria aqui, como estou, a dar esta aula como Doutor Honoris Causa pela Unesp, ou estaria a assistir à aula de um outro? O ‘se’ não existe, mas a fantasia sim, afinal sou ficcionista. A esta Gilda que me disse não, dediquei um livro, Dentes ao Sol. Não sei se ela viu, ficou sabendo. Teria ela dito este ‘não’ arrasador? Nem sei se está viva, sabe quem sou, o que faço. Será que se lembra do ‘não’?

Por que há de se lembrar? O assunto nada significava para ela. Doce e instigante mistério. Fui mais longe: e se ela estiver aqui neste auditório, viva, ou em casa me assistindo digamos, ao lado da filha? E esta se vira para a mãe e pergunta: “Veja só! Quem terá sido essa mulher que o rejeitou? E se tivesse sido você, mãe? Teria dito sim? Tivesse dito, ele hoje seria meu pai?”. Fascinantes estes rápidos recortes da vida jamais desvendados. Literatura funciona assim. Ou imaginei este ‘não’ e o incluí como realidade? A memória tem sua ironia, uma certa dose de crueldade, diz meu primo José Castelli, filósofo certeiro em tardes invernais.

O Estado de S. Paulo, 02/07/2021

 

https://www.academia.org.br/artigos/pedacos-de-vida-jamais-desvendados

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Ignácio de Loyola Brandão - Décimo ocupante da Cadeira 11 da ABL, eleito em 14 de março de 2019 na sucessão do Acadêmico Helio Jaguaribe.

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quinta-feira, 8 de julho de 2021

O CONHECIMENTO DE SI PRÓPRIO – Gibran Khalil Gibran


                     O conhecimento de si próprio

 

          E um homem disse: “Fala-nos do Conhecimento de Si Próprio”.

          E ele respondeu, dizendo:

          “Vosso coração conhece em silêncio os segredos dos dias e das noites.

          Mas vossos ouvidos anseiam por ouvir o que vosso coração sabe.

          Desejais conhecer em palavras aquilo que sempre conhecestes em pensamento.

          Quereis tocar com os dedos o corpo nu de vossos sonhos.

          E é bom que o desejeis.

          A fonte secreta de vossa alma precisa brotar e correr, murmurando, para o mar;

          E o tesouro de vossas profundezas ilimitadas precisa revelar-se a vossos olhos.

          Mas não useis balanças para pesar vossos tesouros desconhecidos;

          E não procureis explorar as profundidades de vosso conhecimento com uma vara ou uma sonda.

          Porque o Eu é um mar sem limites e sem medidas.

 

          Não digais: ‘Encontrei a verdade’. Dizei de preferência: ‘Encontrei uma verdade’.

          Não digais: ‘Encontrei o caminho da alma’. Dizei de preferência: ‘Encontrei a alma andando em meu caminho’.

          Porque a alma anda por todos os caminhos.

          A alma não marcha numa linha reta nem cresce como um caniço.

          A alma desabrocha, tal um lótus de inúmeras pétalas.”

 

(O PROFETA)

Gibran Khalil Gibran

 

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VIDA E OBRA DE GIBRAN (7)


          1931- Gibran morre em 10 de abril, no Hospital São Vicente, em Nova Iorque. Ele, que escrevera tantas páginas profundas sobre a vida e a morte, agoniza entre gemidos confusos, no decorrer de uma crise pulmonar que o deixara inconsciente.

          O adeus que lhe proporcionaram os Estados Unidos foi grandioso e comovente, e em 21 de agosto de 1931, os restos mortais do maior e mais célebre escritor e pintor do Mundo Árabe contemporâneo, chegaram a Beirute, e foram recebidos e acompanhados até Bicharre com manifestações oficiais e populares de proporções inusitadas.

          Foi enterrado na vertente de uma colina de silêncio e de beleza, num velho convento cavado na rocha, onde Gibran sonhava ir viver como anacoreta seus últimos anos.

          Seu túmulo transformou-se num lugar de peregrinação. Ao lado, o Comitê Nacional de Gibran edificou um museu onde são expostos algumas das suas belas telas e os seus livros em todas as línguas. Em cima do túmulo, esta simples inscrição: “Aqui entre nós, dorme Gibran”.

          Mas lá, na verdade, dorme somente seu corpo. Sua alma, difundida nos seus livros, serve de guia a milhões de leitores na mais fascinante de todas as viagens: a que leva o homem das trevas do egoísmo e da cegueira ao esplendor do dom de si e da compreensão.

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JAQUELINE - Cyro de Mattos

 


                                                Jaqueline

 Cyro de Mattos

  

A princesa e o príncipe Alfredo,

O homem e a mulher tantas vezes,

A amiga e o amigo nas vestes do dia,

A mãe e o pai desse filho, ó flor,

Abençoada no ventre do eterno.

O olho dela na imagem dele,

A foto do beijo mais completo.

E a chegada desse perfume

No lado de lá, agora no jardim

Do nosso bem-amado Galileu 

Para trescalar no ar sublime, 

Que me sabe como estou,

O coração a bater em saudade.

Custa-me dizer como prossigo

Dentro dessa hora inevitável,

Que me acena na distância

E quer fazer meu peito triste.  

 

(Dedico o poema Jaqueline ao poeta

 amigo Alfredo Pérez Alencart.

 Itabuna, Bahia-Brasil, 4.6.2021)

 

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Cyro de Mattos -Escritor e poeta. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Autor premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.

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terça-feira, 6 de julho de 2021

QUEM SUBSISTIRÁ AO DIA DA IRA? - Padre David Francisquini


Quem Subsistirá Ao Dia da Ira?

 Padre David Francisquini*


Tratei recentemente da escalada de corrupção moral envolvendo crianças, tendo prometido voltar ao assunto, tamanha a sua gravidade. Infelizmente, se na estrutura familiar ainda perduram alguns valores morais, estes não remontam aos princípios, mas a meros atavismos, muito mais fáceis de serem tragados pela maré montante da Revolução gnóstica e igualitária.

Tornou-se rotina, por exemplo, pessoas provenientes de casamentos desfeitos realizarem uma ou mais uniões, agravando ainda mais a precariedade da estrutura que muitos ainda teimam em chamar de “familiar”, na medida em que trazem filhos de uma união para conviver com outros que não são seus genitores ou irmãos.

Como não perceber que esse arranjo dito familiar resulta da falta de princípios e de convicções religiosas que constituíam até um tempo não muito remoto a salvaguarda do casamento, mas igualmente da instituição da família? 

A união entre um homem e uma mulher que desejassem constituir família se dava num Cartório de Registro Civil (não havia ainda a lei do divórcio), mas era, sobretudo, sacramentado no Altar, onde os nubentes juravam diante de Deus fidelidade mútua — até que a morte os separasse — e a educação da prole. 

O casamento indissolúvel, consubstanciado num Sacramento da Santa Igreja, redunda no bem dos cônjuges, dos filhos e da sociedade. Foi ensinado nos santos evangelhos com validade para todos os tempos e lugares, não devendo o homem separar aquilo que Deus uniu.  Este é um arcabouço sólido para se edificar a união entre o homem e a mulher.

No entanto, na medida em que a Revolução anticristã prossegue seu processo multissecular para implantar todo um estado de coisas avesso à ordem — que é a paz de Cristo no Reino de Cristo —, ela vai derrubando os obstáculos com os quais se depara, sendo o principal deles a família, um dos pilares da civilização cristã.

Aqui no Brasil, a ministra Damares Alves vem denunciando reiteradas vezes o tráfico de crianças para os piores fins, inclusive para serem abusadas sexualmente, com todas as sequelas que tais aberrações acarretam.

Se Deus julga e sentencia quem escandaliza e desvia uma criança que para ele seria melhor uma mó ao pescoço e ser lançado nas profundezas do mar, qual é a ameaça que pesa sobre os articuladores que se utilizam das crianças como instrumentos de seus planos para eliminar a ideia de Deus da face da Terra?

Outro reflexo dos dias tenebrosos em que vivemos é o Projeto de Lei, 3.369/2015, do comunista Orlando Silva (PCdoB), conhecido como Estatuto das Famílias do Século XXI, que na opinião de publicações e pessoas autorizadas visa à legalização do incesto e da união entre duas ou mais pessoas.

Como sacerdote de Nosso Senhor Jesus Cristo, eu tenho o dever de ensinar os fiéis a cuidar de suas almas e a se santificar pela frequência habitual dos sacramentos. O ensinamento de hoje é apontar nas Escrituras Sagradas algumas passagens sobre a ira de Deus e os castigos infligidos por Ele àqueles que violam a sua santa Lei.

Deus fala em deixar a cidade em ruínas, desolada e arrasados os seus santuários, sem ofertas nem sacrifícios, a ponto de deixar as pessoas perplexas quando os inimigos ocuparem seus países e habitações, como aconteceu nas nações dominadas pelos regimes ditatoriais e ateus.

O Senhor fala em propagar entre as nações a espada, a desolação e a ruína de suas cidades. Recairá sobre elas o castigo de repente, como a águia se atira sobre a presa, porque rejeitaram obedecer aos decretos de sua santa Lei:

“Porque é chegado o grande dia de sua ira, e quem subsistirá?” (Ap. 6, 17).

“Da sua boca saía uma espada afiada para com ela ferir as nações; ele as regerá com uma vara de ferro, e ele é o que pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-poderoso” (Ap. 19, 15).

“Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que vos ameaça? Fazei, portanto, frutos dignos de penitência […] porque o machado já está posto à raiz das árvores. Toda árvore que não dá bom fruto, será cortada e lançada ao fogo” (Lc 3. 7 e ss.).

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* Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

https://www.abim.inf.br/quem-subsistira-ao-dia-da-ira/

 

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sábado, 3 de julho de 2021

ITABUNA CENTENÁRIA UM SONETO: Luiz Gonzaga Dias – Serenata

 


Serenata

Luiz Gonzaga Dias

 

Na paz da noite, aos pálidos lampejos,

Da luz é o meu astro um boêmio em farra,

Que põe notas de angústia nos solfejos,

E madrigais nas cordas da guitarra.

 

Em vibração de mágoas e desejos,

Corta o silêncio como cimitarra...

Cantando como uma ave ou a cigarra,

Beijo da lua os luminosos beijos.

 

Tangendo a lira em repetidos trenos,

Canto ao luar em devaneios plenos.

Minha canção apaixonada e mansa.

 

É que a lua foi sempre a minha amiga

Inspiradora e namorada antiga,

Desde os tempos longínquos de criança!

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“Um momento de arte e descanso, não faz mal ao corpo ou ao espírito exausto.

            Se o leitor não acha que ler poesia é perder tempo, leia um pouco estes versos.

            Ao contrário, desculpe, e passe adiante.

            De qualquer modo, queira aceitar os agradecimentos do autor.

 São Felix, Estado da Bahia, Julho de 1962.

Luiz Gonzaga Dias”

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CREIO EM DEUS


Imagem de São Tomé venerada em San

Giovanni di Laterano (Roma). Obra do escultor

francês Pierre Legros (1666 -1719), pertenceu à

escola barroca de escultura [Foto PRC]


O mundo inteiro ficou suspenso ao dedo de São Tomé. Entretanto, muitos em nossos dias veem e não creem. Uma obstinada incredulidade!

 

Neste dia 3 de julho a Santa Igreja celebra o Apóstolo São Tomé. Segundo a tradição, ele pregou o Evangelho na Armênia, na Média, na Pérsia e na Índia, onde foi martirizado. Afirma também que esteve na América, inclusive no Brasil — onde os índios diziam que, antes da chegada dos portugueses, passou por aqui para lhes ensinar a Religião o “Pai Zumé”.

Por seu apostolado e sua morte, confessou a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, da qual duvidara por momentos.

O Apóstolo São Tomé não estava no Cenáculo quando Jesus apareceu aos discípulos. Quando voltou, eles lhe disseram: — Vimos o Mestre! Apareceu aqui e falou conosco.

Tomé sorriu e objetou: — Se eu não vir no seu lado aberto, não acreditarei.

São Tomé não quis crer. Tudo aquilo, em sua opinião, era uma ilusão.

Oito dias depois, os discípulos estavam novamente reunidos no Cenáculo. Tomé achava-se presente. Inesperadamente, envolvido numa luz misteriosa, Jesus apareceu no meio deles, dizendo: — A paz esteja convosco.

Os Apóstolos alegraram-se vendo Jesus. Tomé, pelo contrário, abaixou a cabeça. Jesus aproxima-se dele, dizendo severamente: — Tomé põe o teu dedo nas minhas feridas e coloca a tua mão sobre o meu lado, e não sejas mais incrédulo.

São Tomé, confundido, caiu de joelhos aos pés de Jesus e exclamou, entre lágrimas de comoção: — Senhor meu e meu Deus.

E Jesus erguendo-o disse: — Creste, ó Tomé, porque viste. Bem-aventurados os que não viram e creram.

A respeito desta passagem do Evangelho, Plinio Corrêa de Oliveira comentou em artigo no “O Legionário”, em 25-4-1943:



“Muito se tem falado… e sorrido a respeito da relutância de São Tomé em admitir a Ressurreição. Haverá talvez, nisto, certo exagero. Ou, ao menos, é certo que temos diante dos olhos exemplos de uma incredulidade incomparavelmente mais obstinada do que a do Apóstolo.Com efeito, São Tomé disse que precisaria tocar Nosso Senhor com suas mãos, para n’Ele crer. Mas, vendo-O, creu mesmo antes de O tocar.

Santo Agostinho vê na relutância inicial do Apóstolo uma disposição providencial. Diz o Santo Doutor de Hippona que o mundo inteiro ficou suspenso ao dedo de São Tomé, e que sua grande meticulosidade nos motivos de crer serve de garantia a todas as almas timoratas, em todos os séculos, de que realmente a Ressurreição foi um fato objetivo, e não o produto de imaginações em ebulição. Seja como for, o fato é que São Tomé creu assim que viu. E quantos são, em nossos dias, os que veem e não creem?

Temos um exemplo desta obstinada incredulidade no que diz respeito aos milagres verificados em Lourdes, e também com Teresa Neumann em Ronersreuth, em Fátima. Trata-se de milagres evidentes.

Em Lourdes, há um bureau de constatações médicas, em que só se registram as curas instantâneas de moléstias sem qualquer caráter nervoso, e incapazes de ser curadas por um processo sugestivo; as provas exigidas como autenticidade da moléstia são, em primeiro lugar um exame médico do paciente, feito antes de sua imersão na piscina; em segundo lugar, ainda antes dessa imersão, a apresentação dos documentos médicos referentes ao caso, das radiografias, análises de laboratório etc.

A todo esse processo preliminar podem estar presentes quaisquer médicos de passagem por Lourdes, ficando autorizados a exigir exame pessoal do doente, e das peças radiográficas ou de laboratório que traga consigo; finalmente, verificada a cura, deve esta ser observada pelo mesmo processo por que se verificou a doença, e só é considerada efetivamente miraculosa quando, durante muito tempo, o mal não reaparecer. Aí estão os fatos. Sugestão? Para eliminar qualquer dúvida a este respeito, aponta-se o caso de curas verificadas em crianças sem uso da razão por sua tenríssima idade, e que, por isto, não podem ser sugestionadas. A tudo isto, o que se responde? Quem tem a nobreza de fazer como São Tomé, e, diante da verdade segura, ajoelhar-se e proclamá-la sem rebuços?

Parece que Nosso Senhor multiplica os milagres à medida que cresce a impiedade. O caso de Teresa Neumann, Lourdes, Fátima, o que mais? Quanta gente sabe destes casos? E quem tem a coragem de proceder a um estudo sério, imparcial, seguro, antes de negar esses milagres?”

https://www.abim.inf.br/creio-em-deus/

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