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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

CRISTOFOBIA SIM, HOMOFOBIA NÃO! – Marcos Luiz Garcia


25 de fevereiro de 2020

Marcos Luiz Garcia


          O ano de 2020 vai fazendo o seu curso. Indômitos na luta cada vez mais alarmante no que se refere à única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, podemos exclamar: Felizes os que se mantêm firmes e unidos nessa verdadeira Via Sacra da Igreja e dos católicos fiéis!

         Nestes dias, Deus é gravemente ofendido com o festejo imoral do carnaval. Outrora tal festa era uma comemoração popular, alegre e ainda familiar, ao som das modinhas.

         Aos poucos e de modo muito subtil, à maneira de um regente de orquestra, o carnaval foi mudando e arrastando o povo pela batuta um tanto mágica do maestro para a imoralidade e o nudismo.

         Com efeito, nos carnavais de hoje grassa o nudismo mais desavergonhado, sem que se ouça uma palavra sequer de advertência de autoridades religiosas. Parecem cúmplices do mal indo de encontro ao povo desprevenido que acaba por regozijar-se da conivência.

          Além de todas as libertinagens, o carnaval deste ano se apresenta incomparavelmente pior, pois os donos das suas batutas se julgaram no direito de transpor a barreira da blasfêmia a fim de desferir mais um golpe contra a catolicidade de nosso povo.

          Mangueira criou um samba-enredo gravemente blasfemo que apresentou um “cristo”, que na pena de um comentarista, “mais potente, mais subversivo, cartão de Natal das populações vulnerabilizadas, voz dos povos subalternizados (indígenas, negros, mulheres, homossexuais, trans etc.)”. Um “cristo” até “com corpo de mulher”, representando várias bandeiras da esquerda ideológica.

         O compositor do samba afirmou cinicamente que não aceitar sua criação é não entender a Bíblia. Até lá vai a petulância! O mais grave de tudo é ele saber de antemão que pode dizer isso sem receio de ser contestado, pois autoridade eclesiástica alguma irá dizer nada.

          Por quê? — Em razão de uma baldeação ideológica, para essas autoridades vale mais “amar” os pobres que defender a Deus. Serão ainda católicos? O alarmante é que isto faz parte de um novo passo rumo ao caos nos meios católicos, criado pelo Sínodo da Amazônia.

          Temos, pois, diante de nós uma alarmante partitura: cabeças esvaziadas; desejos desenfreados de prazeres que a natureza não consegue propiciar; sentido religioso da Igreja completamente deturpado pelo progressismo.

          O maestro levanta a batuta em riste, sinal de que chegou o momento ápice da farândola, isto é, zombar do próprio Deus, ato sacrílego e blasfemo. Aliás, não é a primeira vez que isso ocorre em dias de carnaval, mas é a mais grave ofensa jamais feita a Ele até agora.

         Repito. Além da lama moral na qual chafurdam essas pessoas, infelizmente, os que atacam a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo contam com um grande aliado, ou seja, a escandalosa omissão daqueles que deveriam ser os primeiros a defender as verdades da Fé.

         Omitem-se, acumpliciam-se em velado apoio a tais desmandos, deixando claramente à mostra a maneira relativista com que eles próprios encaram a Fé e suas verdades supremas. Esquecem-se eles, porventura, de que os envolvidos direta ou indiretamente em tão grande pecado pagarão por isto diante de Deus?

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         Outro fato de si escandaloso, mas realizado quase na surdina. Dias atrás, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, sancionou lei draconiana que punirá pessoas físicas e empresas que cometam atos ditos “discriminatórios” ao grupo LGBT, incluindo comentários nas redes sociais.

         Isto envolve uma pergunta para os católicos, pois em certas situações, temos obrigação de defender a família. E nessas ocasiões, deveremos cumprir a Lei de Deus ou a lei do Sr. Covas? — Se cumprirmos a Lei de Deus seremos punidos pelos covistas, se cumprirmos a lei de Covas, seremos castigados por Deus…

         Afinal, onde se encontra o respaldo da autoridade eclesiástica a favor da Lei de Deus?! — Cristofobia pode, homofobia não pode!? Preparemo-nos para dias ainda mais difíceis quando passaremos pela fortíssima impressão de que a Igreja de Jesus Cristo deixou de existir.

          Saibamos reagir e afirmar que não poderemos ceder no que se refere à verdade. Nem um ‘jota’ sequer! Que o Imaculado Coração de Maria triunfe e venha o Reino de Maria!



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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

ALEGRIA POR DECRETO – Plinio Corrêa de Oliveira


23 de fevereiro de 2020


Neste artigo, o autor censurou severamente as farândolas carnavalescas de 1935. O que diria ele dos carnavais de hoje?

Plinio Corrêa de Oliveira

Aonde foi parar o velho carnaval paulista, todo feito para alegrar as pessoas? Cedeu seu lugar a um carnaval exclusivamente sensual, em que a alegria dos espíritos não é mais uma inocente hilaridade, como a de nossos avós, mas a festa dos sentidos superexcitados. Nos três dias de carnaval, as autoridades se acumpliciam com os inimigos da ordem, agindo contra os interesses gerais da população.

Se fôssemos contar o número de pequenas economias domésticas que se desequilibram definitivamente por ocasião do carnaval, poderíamos ver até que ponto os festejos de Momo são uma bomba aspirante, que suga os tostões das classes pobres e os conduz para os bolsos entumecidos dos exploradores do carnaval.

Se fôssemos fazer a conta das doenças que os desmandos carnavalescos provocam direta ou indiretamente, veríamos que elas superam o número de pessoas curadas nos estabelecimentos de caridade, erguidos com grande sacrifício público.

Se fôssemos tomar em conta o acréscimo de criminalidade de todos os gêneros, provocada pelo carnaval, veríamos que ele rouba à virtude muito mais pessoas honestas do que a polícia, por ação preventiva, consegue roubar ao crime.

No entanto, uma inexplicável incoerência é que as autoridades dão mão forte ao carnaval. O que pode haver de sincero e espontâneo nessa alegria fictícia, estabelecida por decreto municipal, divulgada por cartazes nas ruas e fomentada por um colossal derrame do dinheiro público?

Alguém poderia considerar absurdo a prefeitura decretar aos cidadãos sua permanência em casa, chorando, durante três dias do ano. E se perguntaria qual a utilidade de tal tristeza, se o pranto é coisa que não se encomenda. Ri ou chora cada um segundo lhe correm o êxito ou as vicissitudes da sua vida particular.

Capa da primeira edição de Pagliacci (Palhaços), 
Milão, 1892.
Mas se reconhecemos como absurda essa hipotética tristeza por decreto, por que não reconhecer também como artificial e absurda essa alegria promulgada por uma portaria? Por que não impugnar como desprovida de sinceridade essa alegria que estoura por toda a parte? Bem ao contrário da alegria sincera e despreocupada, que há muito tempo desapareceu do coração dos homens, o rito artificial e satânico do carnaval representa uma revolta contra as dificuldades da vida de cada dia, substituindo-a por folguedos que não podem proporcionar verdadeira alegria.

Fazendo rir o povo num momento tão carregado como o do mundo atual, os promotores do carnaval fazem lembrar Pagliacci [Palhaços], a ópera de Leoncavallo. Se uma estátua do Rei Momo tivesse voz, que nos ordenaria ela senão o triste ridi pagliacci [riam, palhaços] da ópera?
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Excertos do artigo “Alegria por decreto”, de Plinio Corrêa de Oliveira, publicado em “O Legionário” de 17 de fevereiro de 1935.



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CARNAVAL — Algumas frases para reflexão


24 de fevereiro de 2020


“Ao mesmo tempo em que os pecadores, nestes dias [de carnaval] mais do que em outros, renovam todos os ultrajes descritos no Evangelho, quer a Igreja que roguemos pela conversão de tantos infelizes, nossos irmãos. Acaso não temos motivos suficientes para isso?”
Santo Afonso Maria de Ligório


“Nestes dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror; e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me de Deus permitir que a humanidade exista”.
Santa Faustina Kowalska
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“Ai do mundo por causa dos escândalos […], mas ai do homem que os causa”.
São Mateus – 18, 7



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domingo, 23 de fevereiro de 2020

UMA DECLARAÇÃO EPISCOPAL DIGNA DE REPÚDIO - José Antonio Ureta


21 de fevereiro de 2020

Bispos da CNBB norte 1 manifestam repúdio ao projeto de lei do presidente Jair Bolsonaro que estabelece mineração em terras indígenas

José Antonio Ureta

A tinta utilizada na Querida Amazônia – nome da exortação pós-sinodal do Papa Francisco – ainda não havia secado e os prelados da Regional Norte 1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) já publicavam, com base nela, uma nota de repúdio a um projeto de lei do governo Bolsonaro [nota abaixo] viabilizando a exploração de recursos minerais e a geração de energia elétrica em terras indígenas. A referida nota foi pressurosamente noticiada pelo Vatican News, órgão central da rede de mídia da Santa Sé. Clique aqui para ampliar a nota de repúdio da CNBB norte 1

Os bispos citam em seu apoio o n° 14 da referida exortação, segundo o qual as operações econômicas que danificarem a Amazônia e não respeitarem os direitos dos povos originários deveriam ser rotuladas de “injustiça e crime”. O condicional, assaz retórico, é da própria exortação.

Seria o Projeto de Lei 191/20 injusto e criminoso, danificaria a Amazônia e não respeitaria os direitos dos índios?

Um católico deve avaliar o respeito à justiça – ou a violação criminosa da mesma – primeiramente com base na doutrina social católica e, logo depois, em função da legislação do país concernido.

O que ensina a doutrina social católica a respeito da utilização dos recursos naturais de um país? O Compêndio da doutrina social da Igreja, publicado pelo Pontifício Conselho “Justiça e Paz” no pontificado de João Paulo II, nos fornece alguns elementos básicos.

O primeiro desses elementos é que “o bem comum empenha todos os membros da sociedade” e “exige ser servido plenamente, não segundo visões redutivas subordinadas às vantagens de parte que se podem tirar” (n° 167). Esse princípio aplica-se não somente à maioria da população urbanizada, mas também às populações que habitam em terras indígenas.

Por causa dessa validez universal, “a responsabilidade de perseguir o bem comum compete, não só às pessoas consideradas individualmente, mas também ao Estado, pois que o bem comum é a razão de ser da autoridade política” (n° 168), para o que “o governo de cada País tem a tarefa específica de harmonizar com justiça os diversos interesses setoriais” (n° 169). No caso em apreço, trata-se da harmonização dos interesses nacionais com os interesses das populações indígenas.

O segundo elemento importante a ser considerado é o princípio da destinação universal dos bens (n° 171), que não significa “que tudo esteja à disposição de cada um ou de todos, e nem mesmo que a mesma coisa sirva ou pertença a cada um ou a todos” (n° 173), posto que a propriedade privada é um elemento essencial ao desenvolvimento individual, ao bom uso dos bens e a uma reta ordem social (n° 176). Mas a destinação universal dos bens faz com que o direito à propriedade privada não seja considerado como um direito absoluto e intocável, mas esteja subordinado ao bem comum (n° 177). Também isso é válido para o direito dos índios sobre suas reservas.

Por esse motivo, há de se reconhecer que toda forma de posse privada tem uma função social em relação “às exigências imprescindíveis do bem comum”. Daí decorre “o dever dos proprietários de não manter ociosos os bens possuídos e de destiná-los à atividade produtiva, confiando-os também a quem tem desejo e capacidade de levá-los a produzir” (n° 178). Como é óbvio, esse dever grava não somente o direito dos produtores privados na exploração das suas propriedades, mas também o direito dos povos indígenas enquanto proprietários das suas reservas.

O terceiro elemento a se ter em vista é o princípio de subsidiariedade, o qual impede privar os indivíduos ou as sociedades intermediárias daquilo que eles podem realizar por força e indústria próprias a fim de confiá-lo à comunidade nacional (n° 186), mas que, em sentido contrário, pode aconselhar o Estado a exercer uma função supletiva nas situações em que os primeiros não sejam capazes de assumir autonomamente uma iniciativa necessária ao bem comum (n° 188). É o caso, por exemplo, dos empreendimentos hidroelétricos ou de gás, que exigem grandes investimentos.

De fato, “uma das questões prioritárias na economia é o emprego dos recursos”, para o que cada sociedade deve “empregá-los do modo mais racional possível, seguindo a lógica ditada pelo princípio de economia” (n° 346). Por isso, “a tarefa fundamental do Estado no âmbito econômico é a de definir um quadro jurídico apto a regular as relações econômicas”, salvaguardando as condições primárias de uma economia livre (n° 352).

Uma vez definido esse marco jurídico, “deve-se sempre perseguir com constante determinação o objetivo de um justo equilíbrio entre liberdade privada e ação pública”, o qual deve ater-se a “critérios de equidade, racionalidade e eficiência”, tendo sempre em vista o bem comum (n° 354). O emprego racional dos recursos é uma exigência válida para todo o território de um país, incluída a Amazônia, que não merece ser transformada numa favela verde.

No que se refere ao respeito à natureza, a doutrina social da Igreja também fornece alguns princípios importantes, válidos para a imensa região em questão.

O primeiro deles é que “os resultados da ciência e da técnica são, em si mesmos, positivos”, pelo que “o Magistério tem repetidas vezes sublinhado que a Igreja católica não se opõe de modo algum ao progresso” (n° 457) e suas considerações “valem também para a sua aplicação ao ambiente natural e à agricultura” (n° 458). É o que pensa não somente a imensa maioria da população amazônica, mas também a maioria dos índios, que não querem viver de programas de assistência social, mas de seu próprio trabalho e engenho.

De fato, uma correta concepção do meio ambiente não pode absolutizar a natureza a ponto de divinizá-la, “como se pode facilmente divisar em alguns movimentos ecologistas”, razão pela qual o Magistério tem manifestado sua oposição “e sua contrariedade a uma concepção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo” (n° 463). É precisamente essa sacralização da Amazônia que leva as ONGs ambientalistas e os neomissionários adeptos da Teologia da Libertação a se oporem a qualquer projeto de desenvolvimento econômico na Amazônia.

Nada há, portanto, na doutrina social da Igreja Católica, que se oponha em princípio a uma exploração dos recursos da Amazônia existentes no solo das reservas indígenas, se tal exploração for requerida pelo bem comum do País. Obviamente, a limitação dos direitos de uso e usufruto, bem como os eventuais prejuízos que dita exploração vier a acarretar para as respectivas populações devem ser compensados, como tem sido feito em projetos prévios em outras áreas não indígenas.

Se não há um impedimento moral, haverá pelo menos algum empecilho legal?

Dois artigos da Constituição Federal do Brasil justificam o projeto de exploração introduzido pelo governo Bolsonaro no Legislativo.

O art. 176 estipula que as jazidas e demais recursos minerais, assim como os potenciais de energia hidráulica “constituem propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou aproveitamento, e pertencem à União, garantida ao concessionário a propriedade do produto da lavra”.

Por sua vez, o inciso 3º do art. 231 declara que o aproveitamento dos recursos hídricos e das riquezas minerais em terras indígenas “só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei”.

Presidente Jair Bolsonaro com lideres indígenas

Foto: Carolina Antunes / Presidência da República


É precisamente isto que o projeto de lei 191/20 regulamenta. A justificação do mesmo – inteiramente coerente com o ensino da doutrina social da Igreja acima resumida – foi feita repetidas vezes pelo presidente Jair Bolsonaro, que desde a sua posse defende o aproveitamento econômico de territórios indígenas:

“Em Roraima há R$ 3 trilhões embaixo da terra. E o índio tem o direito de explorar isso de forma racional, obviamente. O índio não pode continuar sendo pobre em cima de terra rica”, declarou o mandatário em abril de 2019, com o caloroso aplauso de representantes de várias etnias que reivindicam o direito de explorar as reservas tradicionais.

Em concordância com o princípio de justiça enunciado pela moral social católica, o texto do Executivo garante uma indenização às comunidades afetadas por um projeto ao verem restringido seu direito ao usufruto dessa área de suas terras. Tal indenização deverá levar em conta o grau de restrição imposto pelo respectivo empreendimento.

Respeitando o teor do art. 231 da Constituição, além da justa indenização, o projeto reserva às comunidades indígenas cujas áreas sejam utilizadas para a exploração econômica o direito de receber quantias volumosas a título de participação nos resultados:  0,7% do valor da energia elétrica produzida; entre 0,5% e 1% do valor da produção de petróleo ou gás natural; e 50% da compensação financeira pela exploração de recursos minerais. Calculados per capita, esses valores serão muito altos, porquanto se sabe que as populações das reservas indígenas são muito pouco numerosas em proporção com o tamanho dos respectivos territórios.

Para garantir os direitos dos nativos e respeitar o princípio de subsidiariedade, o texto prevê ainda a criação de conselhos curadores, de natureza privada, que serão compostos por indígenas e por responsáveis pela gestão dos recursos financeiros. Os pagamentos deverão ser depositados pelos empreendedores privados, por meio de transferência bancária, na conta do conselho curador. E, na distribuição desses recursos, os conselhos curadores deverão respeitar a autonomia dos povos envolvidos, o respeito aos seus modos tradicionais de organização e a legitimidade das associações representativas das comunidades indígenas afetadas.

Finalmente, qualquer projeto de exploração de recursos deverá ser antecedido por estudos técnicos acerca de sua factibilidade e caberá ao órgão ou entidade responsável pelo estudo prévio solicitar à Fundação Nacional do Índio (FUNAI) um diálogo com as comunidades indígenas, para que sejam respeitados usos, costumes e tradições dos povos envolvidos.

Aplicando-se o princípio segundo o qual o bem comum prevalece sobre o bem individual e considerando que a propriedade privada não é um direito absoluto, se dita interlocução não for possível ou a se autorização para ingresso na terra indígena não for obtida, o estudo técnico poderá ser elaborado com dados e elementos disponíveis.

Após a conclusão do estudo prévio, o governo federal definirá quais áreas poderão ser exploradas. No caso de minérios, as áreas autorizadas pelo Congresso Nacional para a realização de pesquisa e lavra serão licitadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM), mas, no caso específico da lavra garimpeira, as comunidades indígenas concernidas terão o direito de decidir realizá-la diretamente ou em parceria com não indígenas, o que importa num direito de veto.

De todo o anterior se deduz que não há nenhum óbice moral ou legal à aprovação do projeto de lei do governo brasileiro que viabiliza a exploração de recursos minerais e a geração de energia elétrica em terras indígenas.

O repúdio dos bispos da Regional Norte 1 ao referido projeto, sob o pretexto de que ele  danificará a Amazônia e não respeitará os direitos dos índios, é motivado pelos preconceitos ideológicos das ONGs ambientalistas, da moribunda Teologia da Libertação e de seu filhote, o Partido dos Trabalhadores.

Ainda mais absurdo é o repúdio dos Senhores Bispos da região amazônica, o qual figura na mesma declaração, às iniciativas do governo brasileiro no sentido de dar assistência aos povos indígenas isolados, sob o pretexto de que ditas iniciativas ameaçam “o direito de existência livre desses povos, com seus usos, costumes, crenças e tradições”. É o isolamento a principal ameaça à existência desses povos.

Crime seria não lhes estender a mão e recusar-lhes saúde, educação e melhores condições de vida. Pior crime, sobretudo, seria não procurá-los no seu isolamento para lhes fazer chegar a Boa-Nova da Redenção e a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo!



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PALAVRA DA SALVAÇÃO (171)


7º Domingo do Tempo Comum 23/02/2020

Anúncio do Evangelho (Mt 5,38-48)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda!
Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto!
Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele!
Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado.
Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’
Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos.
Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa?
E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito!”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo:

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O labirinto do perfeccionismo



“Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48)


O evangelho deste domingo é continuação do discurso de Jesus sobre o Monte, onde apresenta o modo original de ser e de viver dos seus seguidores; trata-se da nova justiça do Reino, onde Jesus vai até às raízes mais profundas de nosso ser para ativar o amor ali presente; este amor, aberto, oblativo, gratuito..., é capaz de uma nova relação até com os inimigos, em profunda sintonia com o modo de agir do Pai, que ama a todos, bons e maus, pois todos são seus filhos e filhas.

Mas, quando Jesus fala em amar os inimigos, não se refere somente àqueles inimigos externos. Suas palavras se referem também a um acontecimento interior. Quando o inimigo é uma força externa nem sempre há motivos para assumirmos a culpa. Mas quando o inimigo se encontra no nosso interior e nós não conseguimos entrar em acordo com ele, os responsáveis somos nós mesmos; precisamos saber lidar com nossas sombras e fragilidades e, assim, reconciliar-nos com o inimigo interno que rejeitamos.

Reconciliar-nos com nossas fraquezas e nossos lados sombrios é um processo doloroso, mas, quando tentamos evitar essa dor e ignoramos o nosso adversário interior, acabamos gastando muita energia na ilusão de mantê-lo afastado. Se não chegarmos a um acordo com o inimigo em nosso interior, ele se transformará em um tirano que nos dominará; aquilo que rejeitamos em nós se transforma em juiz interior e esse nos manterá confinados na prisão do nosso próprio medo e da auto-rejeição. 

A cura significa também reconciliação; nosso inimigo interior só se transformará em nosso amigo e ajudante no nosso caminho de vida se nos reconciliarmos com ele. Ao oferecer-nos um gesto de perdão em vez de um gesto de repulsão ou de condenação, tornamo-nos mais humanos.  Demonstramo-nos humanos com quem mais precisa de humanidade: nós mesmos.

É o momento da compaixão para conosco mesmo. 

Diante da necessidade de reconciliação com nossas sombras, limites, fragilidades e fracassos..., pode parecer estranho a afirmação final, no evangelho de hoje: “Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”. Lucas, no entanto, modifica as palavras de Jesus para escrever: “Sede misericordiosos, como vosso Pai é misericordioso”. Sem dúvida, esta expressão parece mais ajustada, inclusive por todo o contexto. E tem razão, porque não se pode exigir que o ser humano seja “perfeito”; não só não está ao seu alcance, mas essa demanda pode conduzi-lo a um perfeccionismo estéril e esgotador.

Foi assim que, ao longo da história, surgiu uma cultura da perfeição; por séculos, a perfeição seduziu, modelou, dominou e controlou a existência de comunidades e sociedades inteiras. A nossa cultura é controlada pela ideia de que o ser humano pode e deve ser “perfeito”. Desde a nossa infância fomos impelidos a procurar a perfeição.

Anos e anos, essa ideia de “perfeição” foi modelando nossa mente e petrificando nosso coração. Também na vida cristã, inúmeras pessoas e grupos religiosos nasceram e cresceram seguindo as pautas de formação do chamado “ideal de perfeição”, gerando muita rigidez, moralismos, culpabilidades, escrúpulos... e farisaísmo. O seguimento da pessoa de Jesus foi se esvaziando, dando lugar a um voluntarismo centrado na prática minuciosa de leis e normas (legalismo).

Esse conceito assumiu um valor central na compreensão e na orientação da nossa vida espiritual, reforçando-se a ideia de que tudo aquilo que diz respeito a Deus deve ser perfeito. E a santidade passou a ser considerada como sinônimo de perfeição. No entanto, transitar pelo labirinto da perfeição é desumano. Caminhar por ele é uma luta árdua e solitária, pois torna-se difícil pedir ajuda e arriscar-se a que as próprias imperfeições sejam expostas aos outros.

A expressão “atingir a perfeição” revela-se uma imprudência. A procura da perfeição não ajuda a pessoa a viver, a amar, a sonhar, a sorrir, a perdoar, a ser feliz... Nas suas formas mais graves, a busca da perfeição é estressante, conduz ao desprezo de si mesmo, torna insuportável a relação com os outros e pode conduzir à automutilação. 

Quem tem sua vida centrada na busca da perfeição, aceitar o erro é uma tarefa muito humilhante e dificultosa. Longe de ser uma oportunidade, o fato de equivocar-se representa uma ameaça à sua dignidade. Para ele não basta ser bom, é preciso ser perfeito. E, embora, no segredo mais íntimo aceita que jamais será perfeito, pelo menos tenta aparentar isso diante dos outros. Este modo de proceder tem um nome – perfeccionismo – e são muitos os que caminham por seu labirinto.

Isso não é vida. Queremos habitar e transitar por lugares onde a compaixão e o cuidado possam abraçar nossas fragilidades e limites. Devemos passar de um humanismo da “auto-exaltação” para um humanismo da “auto-acolhida”. 

A compaixão afirma o “eu real” contra as pretensões do “eu ideal”.

A compaixão orienta-nos para a realidade profunda da nossa fragilidade; na compaixão alcançamos a nós mesmos; a compaixão nos leva de volta à casa, revestindo-nos de uma atitude amorosa para conosco. 

O tecido da vida cotidiana nos oferece muitas ocasiões para esta prática de bondade para conosco. E a compaixão faz parte da essência de nosso ser. É a mais humana de todas as virtudes humanas. É ela que nos oferece inúmeras ocasiões para tratar-nos como amigos, em vez de nos tratar como estranhos. 

Graças à compaixão, podemos nos levantar depois de cada queda, abrir-nos novamente à presença da Graça de Deus, continuar a amar tudo aquilo que dentro e fora do nosso ser se apresenta sob as vestes do humano. Deste modo, realizamos uma orientação sadia no fundo do nosso ser. Assim, o discípulo de Jesus deve ser perfeito no Amor como o Pai celestial é perfeito no Amor. Ele ama a todos sem distinção, “fazendo nascer o sol e cair a chuva sobre maus e bons, justos e injustos”.

Neste sentido, o chamado do Evangelho a ser “perfeitos como o Pai” está em um contexto do amor incondicional e envolvente de Deus, um amor que faz com que o sol se levante para as pessoas más e boas, e que permite que a chuva caia sobre justos e pecadores. Em outras palavras, a perfeição cristã é o convite a um amor que nunca se esgota; é o convite para aprender a perdoar como Deus perdoa e a amar como Deus ama. 


Alguns exegetas interpretam que, em hebraico, a expressão “perfeito” faz alusão a algo “completo”. Nesse sentido, o apelo a ser “perfeitos” deve ser entendido como um chamado a aceitar-se em toda a sua verdade. Este sentido seria totalmente aceito a partir de uma antropologia humanista, como um princípio básico de unificação e crescimento: “aceita-te com toda tua verdade, com tua luz e tua sombra, teus acertos e erros, tuas qualidades e defeitos...!” 


Somos chamados a ser “completos”, aceitando nossa verdade e abrindo-nos à nossa verdadeira identidade que transcende nosso ego; só assim poderemos viver a misericórdia ou compaixão.

Textos bíblicos:   Mt 5,38-48 
Na oração: A aceitação do limite nos ajuda a celebrar a vida em todas as circunstâncias e a saborear a realidade, cheia de riscos, incerta e insegura para todos, mas, ao mesmo tempo, única e irrepetível para sempre. 
Longe da tirania do perfeccionismo, saberemos conviver com a rica pobreza de nossa condição humana; é a calma e o silêncio da oração que irão nos libertar da banalidade e do perfeccionismo, fazendo-nos reconciliar  com as fragilidades, próprias e alheias.

- Sua vida é regida pela “pauta da perfeição” ou da “misericórdia”?

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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sábado, 22 de fevereiro de 2020

ACONSELHAMENTO DE UM MÉDICO PARA MULHERES EM 2020


Um médico decidiu compartilhar algumas palavras de aconselhamento para as mulheres via WhatsApp.  O conselho é simples e direto:

1. Você não pode terminar todas as tarefas da casa em um dia.  Aquelas que o fizeram estão estressadamente doentes e algumas já estão enterradas...

2. Por favor, crie um tempo para descansar, não é pecado sentar-se, colocar as pernas em cima da mesa e pegar pipoca enquanto assiste TV.

3. Por favor, durma o tempo necessário para que a dor de cabeça se vá.  Aquelas que se recusam a tirar férias, ou sair, ou descansar, suas famílias estão sentindo falta delas porque foram prematuras ao encontro do Criador.

4. Pare de tomar sedativos para dormir, você está destruindo seu cérebro e órgãos.  Em um ponto, você começará a esquecer as coisas.  Relaxe o cérebro, se preocupe menos, pense menos, ria mais, sorria mais.  Tudo vai passar com o tempo.

5. Às vezes, sente-se do lado de fora em silêncio por conta própria, não diga nada, apenas admire a obra de Deus, respire ar fresco com calma.  Não se apresse.

6. Mantenha seu sorriso no espelho para si mesma, ria, dance e cante, que ativa a  memória positiva ao seu redor para que você possa brilhar.

7. Compre um lanche ou dois e beba um bom suco de uva.
Se cuide, se ame antes de depender do amor de outros.

8. Obtenha os aparelhos domésticos necessários para facilitar o seu trabalho, a fim de evitar o estresse.  O estresse é o maior assassino silencioso de mulheres.

9. Se você não está se sentindo bem, diga algo, faça algo a respeito, vá ao centro de saúde, hospital ou chame uma enfermeira próxima, não fique esperando o marido ou os filhos comprarem remédios.  Eles podem voltar tarde demais, sua vida importa.

10. Verifique de vez em quando a pressão arterial e o nível de açúcar, se você está doente ou não.  Isso salvou muitas mulheres no passado.  Confie em mim nisso.

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Aqui vai um recadinho: 

Antes de tudo, gaste um tempo com Deus. Faça Dele a sua prioridade , se relacione com Ele e Ele te organizará de dentro pra fora e trará sentido a sua caminhada. Nunca se esqueça que Deus tem um propósito para você cumprir na terra.

Cuide-se.


(Recebi via WhatsApp, sem menção de autoria)


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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

COMO CONHECI PADRE JOZEF GRZYWACZ – Eglê S. Machado


Os católicos costumam argumentar sobre as pessoas que, por qualquer motivo se afastam da Igreja: "vamos à Igreja, não pelas pessoas, pelos movimentos, pelas pastorais, pelo padre, mas por Jesus Cristo". 
Eu costumo  retrucar: "claro que vou à Igreja por Jesus Cristo, mas, como me alegra contemplar o rosto humano de Jesus Cristo, na pessoa do Padre"!
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      Meu primeiro contato com o Padre José   foi através da Internet. Ele apareceu pedindo registro no nosso site e foi aprovado. Ao ver sua foto do perfil percebi que aquele rosto alegre e sereno não me era estranho, afirmei comigo mesma, eu conheço este padre... Mas de onde?! Pouco depois o vi na foto de capa da minha página no Facebook, comigo e várias outras pessoas do clero e confrades meus. Fomos fotografados no dia da posse do nosso bispo diocesano Dom Ceslau Stanula, na Academia Grapiúna de Letras (AGRAL).

      Ficamos na amizade virtual por algum tempo. Um dia ele me convidou para visitar o Santuário da Piedade em dia de Romaria e prometi que iria, porém sem vontade alguma de subir a colina já que muitos aqui em baixo diziam que no bairro  imperava a violência, que só doido lá iria. Continuei de longe, acessando o blog da paróquia e me encantando cada vez mais com a simplicidade daquele Missionário Redentorista de sobrenome estrambótico cheio de consoantes, até que decidi enfrentar a ‘bandidagem’. Foi um final de tarde profícuo e delicioso que tive, pois não apareceu bandido algum para me atacar e naquela maravilhosa nave reinava a paz. Não fui reconhecida, não me apresentei, já que sou  tabaroa, mas fui tratada com tanta delicadeza pelo padre e pelos paroquianos, que me apaixonei por tudo aquilo. Um dia ele me cobrou uma visita à Piedade e eu disse-lhe que já estivera lá. Pronto, virei freguesa.
    
      Sempre tratando a todos igualmente, o pároco do Santuário da Piedade, padre José  nunca mudava de humor. Nem mesmo quando doente deixou de ser legal e alegre. Eu percebia que ele não estava bem, não por mudanças de comportamento, mas pelo meu sexto sentido muito aguçado que percebia certa inquietação escondida naquele olhar azul.

      Em dois ‘Caruru da Piedade’ que participei, ele era um dos últimos a se servir, pegava os pratos para nós, fazia-nos companhia à mesa, parecia um menino. E é de fato um menino vivaz e ao mesmo tempo de uma quietude que só existe mesmo na alma criança.

      Na Paróquia Santuário da Piedade rezei as Mil Ave-Marias, participei das carreatas que antecedem a novena da Padroeira,  visitei  as comunidades, me encantei com as crianças coroinhas, tão organizadas e fervorosas, aprendi a rezar a Novena Perpétua e recebi a bênção da Saúde. Ao final da cada peregrinação que acontece sempre no dia 15 de cada mês rezei aos pés de N.S. da Piedade no Momento Mariano e fui aspergida com água benta. Quando da visita do Senhor Bom Jesus da Lapa estive com o povo louvando e rendendo graças. Nos folguedos juninos festejamos o ‘forró da Piedade’. O padre José e seu colega, Pe. Cristóvão Dworak ficaram engraçados vestidos de caipiras.

      Também chorei com o povo do Maria Pinheiro a morte de alguns membros das comunidades.

      A Igreja esteve sempre tão limpa que, se fosse preciso podíamos sentar no chão. No Natal o presépio chamava a atenção, pela simplicidade e bom gosto com que o pessoal o ornamentava orientado pelo pároco. Em todos os momentos fortes a Igreja Santuário primou pelo bom gosto e aconchego.

      Em 2013, durante o Retiro Espiritual da Irmandade, o Pe. José nos falou da entrega do Ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro aos Redentoristas pelo Papa Pio  IX,  enriquecendo a história com  inúmeras fotos. Educador, com muito cuidado para não ferir sensibilidades chamava a atenção dos participantes para conter-se às refeições, ao servir seu prato, e também solicitou de todos, o cuidado com o arvoredo e as flores, para  deixarmos tudo intocado.

      Das suas viagens  coleciona  camisetas com a imagem da Virgem do Perpétuo Socorro, cada uma diferente da outra. Interessei-me por uma bege - achava que era a ‘minha cara’. Quis comprá-la, não estava à venda. Negou-me cortesmente. Tenho quatro outras camisetas, duas das quais levei de graça. Ao saber que mudaria para Salvador, imaginei: quem sabe, agora, aquela camiseta bege...  Pelo Facebook perguntei-lhe se a coleção ficaria ou iria com ele...  Resposta: já foram.........

      Esmerado na missão em Itabuna mereceu o título de Cidadão Itabunense da Câmara Municipal,   criou o CEMI – Centro de Espiritualidade Mariana de Itabuna,  incentivou o “Arte na Periferia” – Concurso de criatividade em várias modalidades, premiando os participantes. Sempre tratou  com educação, carinho e respeito, o povo daquelas comunidades, objeto do seu desvelo. Ele conhecia de perto cada pessoa da paróquia; era capaz de citar cada paroquiano pelo nome.
  
       Afligiu-se com os problemas de cada um, vibrou com as vitórias de muitos, contribuiu com afinco pelo crescimento espiritual de todos. Nas comunidades ninguém se destacava por estar bem ou mal vestido, pois todos usavam uma camiseta da paróquia (quem não podia pagar levava de graça, claro). Esse cidadão do infinito nas horas vagas cultivava uma  horta aos pés da imagem do Cristo Redentor que fez questão de colocá-la de costas para a cidade – quando lhe falei que estranhava a estátua não estar do alto abraçando a cidade de Itabuna respondeu-me que  a imagem abraçaria o povo amado da colina. Depois de tudo acabado tive a grata surpresa de constatar  quão  feliz  foi a sua decisão, pois à frente, à direita e à esquerda do Cristo Redentor no Monte Calvário estava o povo da paróquia e ao fundo o mais belo pedaço de céu de Itabuna com suas mais belas nuvens, suas luzes, seus prédios majestosos, - um encanto! Essa imagem ficou tão impregnada na minha vida que em qualquer lugar que eu esteja, vendo um céu azul coalhado de nuvens, me vem à lembrança aquele lugar.

      O Santuário esteve lotado, no dia 14 de janeiro de 2015. Muitos dos seus colegas de sacerdócio, diáconos permanentes, irmãs consagradas, movimentos, pastorais, grupos, e o povo de Deus da Diocese estiveram representados na concelebração de envio do Padre José, presidida pelo Bispo Diocesano de Itabuna Dom Ceslau Stanula. No final, muitas homenagens, com votos de sucesso, presentes, e manifestações de saudades, sem chororô, sem ninguém  contra sua partida, porque o Padre José soube muito bem transmitir a mensagem de missionário sem apegos. Partiu levando tão somente o que trouxe: um coração voltado para os menos favorecidos e muita, muita paz!

      E o pessoal da Diocese de Itabuna, sente aquela doce saudade. E a Paróquia Santuário da Piedade, depois da sua passagem por aqui ficou mais rica e bem mais feliz! Que as nossas luzes interiores e o estímulo desse Missionário nas nossas vidas nos impulsionem a seguir com um serviço  acolhedor, apesar dos conflitos e medos deste mundo inquieto,  em desarmonia!


Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL
Itabuna (BA), 23/02/2015

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