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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

DENUNCIA DOS LOBOS DISSIMULADOS EM PELES DE CORDEIROS - Paulo Corrêa de Brito Filho


18 de setembro de 2018

O sacerdote subversivo Joseph Comblin, ao lado de Dom Helder Câmara, cognominado “Arcebispo Vermelho”
  
Uma verdadeira revolução comuno-progressista estava em curso, com o objetivo de implantar no Brasil um regime como o que Fidel Castro e seus sequazes impuseram a Cuba

♦  Paulo Corrêa de Brito Filho
Diretor da revista Catolicismo


Uma das principais bandeiras da revista Catolicismo sempre foi a de denunciar o movimento progressista e premunir contra ele os fiéis católicos, para não serem embaídos e levados, por vezes inadvertidamente, a engrossar suas fileiras. Por isso nossa revista é considerada a mais antiprogressista e anticomunista do País. Não é uma missão fácil nem agradável. Nossa vida seria muito mais tranquila se combatêssemos apenas os inimigos externos, distantes, sem atingir os que penetram e atuam no interior da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Mas é imperativo de nossa consciência, como filhos da Igreja, lutar em sua defesa e denunciar os lobos dissimulados em peles de cordeiros, que nela se infiltram com o objetivo de desfigurá-la. No fiel desempenho dessa missão, a história de Catolicismo é marcada por uma grande campanha contra a infiltração comunista nos meios católicos, a qual está completando exatos 50 anos. Essa epopeia é narrada na matéria de capa da edição deste mês. Ela encontra-se disponível no site:



Em 1968, uma verdadeira revolução comuno-progressista estava em curso, com o objetivo de implantar no Brasil um regime como o que Fidel Castro e seus sequazes impuseram a Cuba. Um dos principais impulsionadores desse projeto da “esquerda católica” era o sacerdote belga Joseph Comblin, abrigado no Recife por Dom Helder Câmara. Em um relatório ele expôs os métodos ditatoriais e sangrentos para alcançarem esse objetivo. Era destinado a divulgação restrita, no entanto vazou para a imprensa, e dele o Brasil inteiro tomou conhecimento.

A subversão infiltrada na Igreja era conhecida e temida por grande número de católicos. Perplexos e chocados, acompanhavam o trabalho que o clero progressista empreendia para abolir antigas tradições e promover inovações brotadas depois do Concílio Vaticano II. O documento comprometedor do Pe. Comblin não deixava margem a dúvidas, e deu ensejo a uma atitude corajosa do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP brasileira. Numa Reverente e filial mensagem, apresentou a Paulo VI suas graves apreensões, seguindo-se um pedido de medidas a fim de impedir tais desvios, pois minavam a Igreja e levavam muitos fiéis a se afastarem dela ou a se engajarem em movimentos marxistas.

A TFP aderiu a essa mensagem e a esse pedido, e se empenhou em ampla coleta nacional de assinaturas num abaixo-assinado, conseguindo a adesão de 1.600.368 brasileiros. As listas contendo as assinaturas foram entregues no Vaticano sob a forma de microfilmes.

Qual foi a resposta da Santa Sé a esse SOS? O completo silêncio! No entanto, transcorridos alguns meses da campanha, Paulo VI se referiu a um processo de “autodemolição” da Igreja; e mais tarde, em 1972, afirmou ter a sensação de que “por alguma fissura tenha entrado a fumaça de Satanás no templo de Deus”. Palavras que confirmaram a grave denúncia da TFP, ecoada por nossa revista em todo o território nacional.


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terça-feira, 18 de setembro de 2018

O QUE VERDADEIRAMENTE ESTÁ POR TRAZ DO ATENTADO... Paulo Emendabili


"Déjà vu 

por Paulo Emendabili Souza Barros De Carvalhosa


Acredito que Jair Bolsonaro não somente sobreviva ao martírio a que está sendo submetido, bem como vença as eleições de 2018 à presidência da República.

Acredito também, e isto escrevo com a experiência de quem passou por quatro vezes por situações similares, que Bolsonaro sairá de sua internação outra pessoa, bem mais espiritualizado, reflexivo, ciente que tocou a morte com os dedos e com sua alma.

O mesmo não posso escrever de quem atentou à sua vida.

Não foram Adélio Bispo, Lula, José Dirceu, Boulos, Freixo, Stedile, FHC, Maria do Rosário, PT, PSOL, MST, PSDB, os verdadeiros mandantes e executores do atentado a Bolsonaro.

Essa gente, seus partidos, suas organizações de esquerda, são financiados por alguém infinitamente mais poderoso, alguém que integra um clube seleto de financistas e banqueiros que controlam o parlamento europeu, vários governos espalhados pelo mundo, bancos centrais, e toda a mídia ocidental, e também pelo mundo inteiro.

Do alto dos seus 25 bilhões de dólares norte-americanos líquidos, George Soros entregou nada menos que U$ 19 bilhões para fundar e fazer funcionar a sua organização conhecida como ‘Open Society’ ou, ‘Sociedade Aberta’.

Todos os princípios, ideias, bandeiras, encampadas pelas esquerdas, pelas ONGs, saíram da ‘Open Society’ e foram e vem sendo promovidos por ela.

Todos os partidos de esquerda, seus braços paramilitares, como as FARC, e ONGs, no mundo inteiro, são financiados pela ‘Open Society’, enquanto todo o sistema financeiro e bancos centrais são controlado pela Casa Rothschild, a qual, por sua vez, controla as agências de risco, como a JP Morgan, por exemplo.

Soros, por sua vez, é controlado pelo sistema financeiro internacional, tendo sido ele que, em 1998, traçou uma estratégia de ataque financeiro e monetário ao Brasil, que sofreu uma grande evasão de capitais, provocando o colapso de seu regime cambial, fazendo com que o real perdesse dois terços do seu valor em menos de dois meses, plano este urdido após a moratória russa, fazendo com que, pelo pânico generalizado, investidores resgatassem às pressas seus títulos, sobretudo brasileiros, causando aqui o caos econômico.

Sobre Soros e sua personalidade, além de livros vários, o YOUTUBE traz uma infinidade de vídeos capazes de esclarecer, a quem se interessar, a natureza deste indivíduo vil.

Porém, sobre Soros basta dizer que em sendo judeu húngaro de nascimento, embora se declare ateu, foi ele o braço informativo dos nazistas na Hungria ocupada, então com 14 anos de idade, apontando em quais casas judias havia prataria, ouro, diamantes, obras de arte, dinheiro, tudo o que fosse de interesse econômico para os nazistas, e de quebra, a identidade judaica dos proprietários, propiciando seus envios para Treblinka e Aushwitz...

Indagado pelo ’60 minutes’, em 2007, se não se arrependia de ter feito isso, Soros não somente confessou publicamente que fez sim esta traição com seu próprio povo, bem como justificou-se dizendo que “alguém teria de fazer” e que “não deveria prestar contas a D’us porque não acreditava nele”.

É de um homem assim, poderosíssimo, cruel, frio, traiçoeiro, bilionário, canalha, que estou falando e escrevendo.

Recentemente, Soros determinou ao parlamento europeu que criasse leis que limitassem e fiscalizassem conteúdos publicados nas redes sociais e na WEB em geral, dado o avanço de governos nacionalistas na Europa e no mundo, absolutamente contrários aos seus anseios globalistas de derrubada total dos Estados Nacionais e implantação de um governo de pensamento único universal, exercendo poder absoluto unipolar.

A vitória de Trump nos EUA e seu apoio a Israel, neste momento, é a grande pedra no sapato de Soros e companhia bela, impedindo a implementação global de seu projeto hegemônico, causando nele estertores e exercício de pressão continuada sobre a mídia norte-americana e Congresso, para que o derrubem, via impeachment.

O mesmo está acontecendo com governos nacionalistas que ganharam as eleições na Europa, caso de Salvini, na Itália; de Orban, na Hungria (que aprovou uma lei declarando Soros persona non grata naquele país); além dos governos da Áustria, Polônia e o avanço da direita nacionalista na França (Macron é o bambino d’oro de Soros) e recentemente na Suécia.

Como todos estes seguem a linha de Trump, demonizado pela mídia, caso não consiga, tenham certeza que Trump será alvo dos sicários de Soros, que tentarão matá-lo.

Por aqui, dada a fragilidade do Brasil, informado da inexorabilidade da vitória de Jair Bolsonaro para as presidenciais, sendo ele comparado ao ‘Trump brasileiro’, com a derrota da mídia em conseguir refrear, pela calúnia, pela mentira, pela manipulação popular, a candidatura, de certo determinou aos seus financiados brasileiros, especialmente a classe dirigente do PT, e das esquerdas, de executarem o atentado que, por muito pouco, não teve êxito.

Não à toa Bolsonaro foi internado no Hospital Israelita Albert Einstein, de notória capacidade médica.

O fato que determinou a família Bolsonaro a preferir o Einstein está umbilicalmente ligado a atuação de pelo menos 30 quadrilhas criminosas que fazem da Tríplice Fronteira, região em que o Brasil faz divisa com a Argentina e o Paraguai, um território dominado pelo crime organizado internacional.

A organização libanesa Hezbollah, cujo nome significa “Partido de Deus”, financiada por Soros, atua na Tríplice Fronteira em parceria estreita com o Primeiro Comando da Capital (PCC), contrabandeando drogas e, sobretudo, armas, desde 2006.

O crime organizado formado pelo PCC e pelo Hezbollah vem gerando prejuízos para o Brasil que superam a casa dos R$ 500 bilhões nos últimos anos.

Márcio Sérgio Christino, procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo e um dos principais investigadores do PCC no Brasil, afirma que além do tráfico de drogas produzidas em países sul-americanos, como Paraguai e Colômbia, a aliança do PCC com o Hezbollah domina o contrabando de cigarros para o Brasil e de armas para o tráfico interno e para o exterior.

A vitória de Bolsonaro é uma temeridade para essa gente, que o quer simplesmente morto, dado que empenhará toda a força do Estado para desmantelar o PCC e desarticular sua parceria com o Hezbollah, expulsando-o do Brasil com a ajuda de Israel.

Por isso o Mossad, neste momento, em colaboração com a PF, está monitorando atividades que visem atentar contra a vida de Bolsonaro, visto o fracasso do atentado e a sua manutenção na liderança das pesquisas.

Portanto, tenho comigo a certeza que Bolsonaro, vencendo as eleições e superando as sequelas deste atentado urdido dentro e fora do Brasil contra ele, nunca mais poderá dar as costas para o inimigo, porque não pararão de buscar atingir o alvo.

Deverá ele, pois, bem como todos os líderes políticos nacionalistas que citei, tomar todos os cuidados doravante, pois que se tem a certeza que suas vidas estarão em risco continuado enquanto exercerem poder.

Prudência e canja de galinha, nunca fizeram mal a ninguém, já dizia minha avó...

Paulo Emendabili Souza Barros De Carvalhosa – 13 de setembro de 2018."
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Paulo Emendabili Souza Barros De Carvalhosa

Cirurgião-Dentista graduado como Clínico Geral pela atual Universidade Metodista de São Bernardo do Campo em 1987 - CRO/SP 36.941
Atuou na área de Cirurgia Oral de Urgência na Rede Pública Municipal de Saúde nos Prontos-Socorros e Hospitais do Município de São Paulo,  a partir de 1988
Pós-graduando na I Turma de Harmonização Facial do IBOP - Instituto Braga de Odontologia e Pesquisa - São Paulo - Capital


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BÊNÇÃO DAS LÁGRIMAS – Rubens Romanelli



Bendita a lágrima em que se cristaliza o acervo atroz de nossas dores e se dilui o negro fel de nossas mágoas. Bendita a lágrima a cuja tona flutuam farrapos sombrios de sonhos dourados e em cujo fundo vagueiam espectros tristonhos de esperanças mortas.

Bendita a lágrima dos que carpem a desdita de nascerem sem teto e choram a desgraça de viverem sem pão. Bendita a lágrima dos que jamais conheceram um afeto de mãe e nunca provaram um carinho de esposa. Bendita a lágrima, desafogo amigo dos que são sós e consolo ardente dos que são tristes. Bendita a lágrima em que se cristaliza o acervo atroz de nossas dores e se dilui o negro fel de nossas mágoas.

Bendita a lágrima a cuja tona flutuam farrapos sombrios de sonhos dourados e em cujo fundo vagueiam espectros tristonhos de esperanças mortas. Bendita a lágrima dos que carpem a desdita de nascerem sem teto   e choram a desgraça de viverem sem pão. Bendita a lágrima dos que jamais conheceram um afeto de mãe e nunca provaram um carinho de esposa. Bendita a lágrima, desafogo amigo dos que são sós e consolo ardente dos que são tristes.

Bendita a lágrima dos que põem sobre os ombros  a cruz de seu próximo e o ajudam a escalar o calvário da existência. Bendita a lágrima dos que buscam, errantes, o calor de um afeto e somente encontram o frio do desprezo. Bendita a lágrima dos que sofrem injustiças pelos ideais que defendem e só colhem ingratidões pelo bem que semeiam.

Bendita a lágrima que aflora, escaldante, nas noites do sofrimento e esplende como um sol nas manhãs da redenção. Bendita, enfim, a lágrima, gota de luz das auroras celestes e síntese terrena do orvalho divino.


 "Gotas de Crystal 20" <uchacrystal@yahoo.com.br>


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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

MULHER, A POESIA DA FORÇA HUMANA



Que um dia, nós saibamos brindar a existência desse ser que luta, inspira o mundo, é foda demais, é a força, o suor, o trabalho, o descanso, é a beleza universal de coragem, é quem vai mesmo quando todo mundo acha que ela não vai dar em nada, é ela que se ama em primeiro lugar, acredita em seus sonhos e bota a cara para que o mundo seja mais bonito, mais humano, mais igual.



Mulher. A feminilidade se expande há uma roupa bonita, uma maquiagem bem feita, uma estética. O ser mulher tem uma raiz que é o maior atributo e a maior beleza dessa divindade humana. É a força, a mulher luta como ninguém para ser quem ela é e buscar o espaço que merece na sociedade. É sangue no mesmo olhar que transpassa amor. É persistência, luta, verdade, sororidade.

Quantas mulheres nos enchem os olhos por ser de uma autenticidade gigante? De uma beleza interna que só nos resta admirar, de uma disposição para correr atrás dos sonhos e que nos inspira, faça chuva ou faça sol, elas estarão lá lutando com uma coragem e dizendo eu posso sim, se tem uma coisa que eu posso é isso.

A alma feminina não é só delicadeza, docilidade, afago. É uma alma que acredita nos seus desejos e nutre a liberdade de ser quem ela quiser ser. Sabe aquela mulher que você enxerga de forma estereotipada como um anjo frágil? Vou te contar um segredo, ela não tem nada de frágil. Não há conheça por um estereótipo. Mulher é muito mais que isso. Todos nós somos. Por exemplo, você já se sentiu intimidado por uma mulher? Pensou “como ela pode ser tudo isso?” ou “ela é demais, eu não quero estar com alguém que é tanto”. São muitas as barreiras que o ser mulher tem que enfrentar, cada dia é um novo estereótipo, um novo julgamento, e é preciso persistir para obter a visibilidade que a mulher merece, o respeito que merece, pra quem sabe um dia também receber o amor que também merece.

Cada uma tem as suas qualidades, os seus defeitos, as suas peculiaridades. E cada uma deve ter a liberdade de escolher o que quer ser, como quer viver. Cada um tem a sua vida, então se você acha bom viver de tal forma, vive a sua vida assim, e não a do outro, essa quem tem que saber como quer viver é ele, não você. Não é difícil entender, né?

É incrível a diversidade de personalidade que temos no mundo, e se possível, admirar cada uma, cada singularidade. Enxergar o outro com os olhos de quem quer ver, e não com os olhos de quem quer julgar. Mulheres é preciso sororidade. Não tem competição nesse mundo não, tem a autenticidade de ser aquilo que você é e então ser verdadeiro consigo pra poder ser verdadeiro com o mundo.

Torço para chegar o dia em que as mulheres sejam vistas como merecem, e que a sociedade aos poucos deixe de estereotipar, que a gente saiba reconhecer o outro e respeitar. Que um dia, nós saibamos brindar a existência desse ser que luta, inspira o mundo, é foda demais, é a força, o suor, o trabalho, o descanso, é a beleza universal de coragem, é quem vai mesmo quando todo mundo acha que ela não vai dar em nada, é ela que se ama em primeiro lugar, acredita em seus sonhos e bota a cara para que o mundo seja mais bonito, mais humano, mais igual.

Mulheres, vocês são o auge, a fortaleza, o horizonte. Vocês podem, e ainda mais juntas. Lutem!



Um ser humano aprendiz da vida, do mundo, das sensações, um ponto sem fim regido pela arte...

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ESCRITORA E DRAMATURGA MARIA ADELAIDE AMARAL FAZ PALESTRA NA ABL SOBRE ‘LITERATURA E TELEDRAMATURGIA: DIFERENÇAS E CONFLUÊNCIAS’


A Academia Brasileira de Letras dá continuidade a seu ciclo de conferências do mês de setembro de 2018, intitulado Cinema e Literatura, com palestra da escritora e dramaturga Maria Adelaide Amaral. A coordenação será do Acadêmico e poeta Geraldo Carneiro, e o tema escolhido foi “Literatura e teledramaturgia: diferenças e confluências”. O evento está programado para o dia 20 de setembro, às 17p0min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A Acadêmica Ana Maria Machado é a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2018.

Maria Adelaide Amaral fez um resumo sucinto de sua conferência: “O máximo que posso dizer é que vou falar sobre A Muralha, Os Maias, A casa das sete mulheres e Queridos amigos”.

Cinema e literatura terá mais uma palestra, na quinta-feira, dia 27, no mesmo local e horário, com o cineasta Cacá Diegues (Acadêmico eleito), que falará sobre o tema Letras e Imagens: a literatura no cinema.


A CONFERENCISTA

Escritora e dramaturga, Maria Adelaide Amaral nasceu em Portugal e chegou ao Brasil em 1954. Cursou Jornalismo na Fundação Cásper Líbero, concluindo em 1978.

Em 1975, escreveu seu primeiro texto dramatúrgico, A Resistência, mas o primeiro a ser encenado, no entanto, foi Bodas de Papel, escrito em 1976 e montado em 1978, em São Paulo.

Seu primeiro livro, Luisa, quase uma história de amor, publicado em 1986 pela Editora Nova Fronteira, ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance daquele ano e deu origem à peça teatral De Braços Abertos, com Irene Ravache, Juca de Oliveira e direção de José Possi Neto.

Foi para a TV a convite de Cassiano Gabus Mendes, em 1990, para escrever com ele a novela Meu Bem, Meu Mal. Após trabalhar como colaboradora em diversas novelas, em 1997 escreveu, como autora principal, o remake da novela Anjo Mau, do mesmo autor. Continua trabalhando ativamente desde então.

14/09/2018


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ENTREVISTA COM O FICCIONISTA E POETA CYRO DE MATTOS


Autor de diversas títulos pela Editus, editora da Universidade Estadual de Santa  Cruz, Cyro fala sobre uma de suas últimas antologias que organizou,  premiações literárias e a projeção global que elas oferecem para o conteúdo de suas obras.


Cyro de Mattos é contista, romancista, poeta, cronista, ensaísta, organizador de antologia e coletânea,  e também autor de livros infantis. Já publicou mais de 44 livros no Brasil e 13  no exterior, sendo 9 deles com o selo editorial da Editus - Editora da UESC. Em setembro de 2017, o escritor foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela UESC. Em sua trajetória, ele já recebeu mais de 40 prêmios literários, entre eles o Prêmio Vânia Souto Carvalho, concedido pela Academia Pernambucana de Letras, com o livro “Berro de Fogo e outras histórias”, que em 2013 ganhou nova edição pela Editora da UESC, o Prêmio Afonso Arinos da Academia Brasileira de Letras, o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Artes, o Prêmio Pen Clube do Brasil, o Segundo Prêmio Internacional de literatura Marengo d’Oro, em Genova, Itália, duas vezes,   e, recentemente, o Prêmio Literário Nacional Cidade de Manaus. . Seu livro “Vinte Poemas do Rio”, português-inglês, foi indicado para o vestibular da Universidade Estadual de Santa Cruz, durante três anos, como também “O Conto em Vinte e Cinco Baianos”, antologia que ele organizou.

Recebeu ainda Menção Honrosa no Prêmio Jabuti e Menção entre os quatro finalistas no Concurso Internacional da Revista Plural, México, concorrendo com mais de 600 autores. Algumas de suas obras destacam a civilização cacaueira baiana como um dos espaços do seu imaginário fecundo, no qual retrata a paisagem, personagens, lugares, hábitos e histórias. Dois outros grandes acontecimentos marcaram a vida do escritor.  Foi eleito para a cadeira nº 22 da Academia de Letras da Bahia, que tem como fundador Rui Barbosa, e o seu livro, “Histórias dos Mares da Bahia”, foi lançado na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no estande da Associação Brasileira de Editoras do Nordeste - ABEU. A obra faz parte da Coleção Nordestina, projeto editorial que reúne livros produzidos pelas editoras da ABEU Nordeste.  Essa coletânea reúne dezesseis escritores baianos, e, entre eles, João Ubaldo Ribeiro, Hélio Pólvora, Ruy Espinheira Filho, Guido Guerra, Gláucia Lemos e Aramis Ribeiro Costa. Alguns anos atrás, seu livro "Cancioneiro do Cacau", Prêmio Nacional Ribeiro Couto da União Brasileira de Escritores (Rio) e Segundo Prêmio Internacional Maestrale Marengo d’Oro, Gênova, Itália, foi lançado na Bienal Internacional do Livro do Rio, em segunda edição, pela Editus...

1. As suas obras expressam muito da cultura do sul da Bahia, com destaque especial para a civilização nascida ao longo do tempo pela implantação da lavra cacaueira. Essas representações ganharam projeções internacionais e também importantes premiações no cenário nacional. Como é ver o local de suas criações ganhar uma projeção global? Como o senhor avalia pessoal e profissionalmente essas importantes premiações? 

Canta a tua aldeia e serás universal, disse o russo Tolstoi. Para Fernando Pessoa, o genial poeta português, o melhor rio não era o Tejo, mas o rio que passava ao pé de sua aldeia, porque era o rio de sua aldeia. Houve quem observasse que o homem faz o lugar e não o contrário. E o lugar é onde se registra a memória. O lugar tem sido motivação e símbolo para algumas de minhas criações. Minhas origens e vivências locais têm sido uma das vertentes de minhas produções em prosa e verso. Isso acontece quando às vezes, das germinações à execução da ideia, tomo como ponto de partida minhas vivências na infância, em outras vou buscar ou imaginar o assunto no cerne da história, aproveitando o que vi, colhi nos mais velhos ou até pesquisei.  Pode até mesmo acontecer que imagine um espaço sem localização geográfica, identificável com alguma parte do sul da Bahia, como no romance “Os Ventos Gemedores”, no qual criei o condado de Japará para desenvolver a trama, auscultar os personagens através de conflitos no drama.  Assim, desde que meu texto leve aos outros uma nova forma de conhecimento da vida, através da linguagem que poetiza a vida, situações e gente com nervos e sentimentos, tendo como resultado um alcance universal e reconhecimento, aqui na região e fora de nossas fronteiras, fico contente, torno-me menos incompleto na existência, que para nós humanos é falha, limitada, precária, vulnerável, não basta. É gratificante, um verdadeiro prêmio que é dado ao autor esse tipo de reconhecimento. Acho sensato ser reconhecido em vida pelo meu trabalho, depois de morto só serve para o orador, que passa como herói, ao ressaltar no sepultamento as qualidade de quem se foi para sempre, não está mais neste mundo, ficou submetido ao inexorável.

2. O senhor foi eleito para ocupar a cadeira 22 da Academia de Letras da Bahia e recebeu o primeiro título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz pela sua contribuição à literatura e à cultura.  O que significam esses novos reconhecimentos na sua carreira literária?

São qualificações de meu trabalho no mais alto nível. Sinto-me honrado, fortalecido, incentivado para continuar a jornada nessa estrada solitária, a essa altura comprida.  Nela, paro às vezes, olho para trás, vejo à direita e à esquerda, sigo em frente com tantas vozes no peito, dos outros, mas que no fundo são também minhas. Vou formando com elas e a minha voz o diálogo necessário, o disfarce múltiplo que desfaz o real e projeta outra realidade com novos sentidos, externa outra linguagem através dos sinais visíveis da escrita, com seu poder metafórico intenso e de proliferação, que me ajuda a sobreviver e a conhecer um tanto mais do que sou, entre o alegre e o triste, o transitório e o permanente, o belo e o feio. Vou cumprindo uma missão, usando as palavras para explicar o inexplicável, mas que é belo, com suas verdades retiradas da vida, a ela devolvidas com razão e emoção, porque assim deve ser.

3. O seu último livro, “História dos Mares da Bahia”, foi lançado na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no estande coletivo da ABEU pela Editus. A publicação traz 16 contos de importantes escritores baianos, que revelam um cenário de muitas histórias. Por que o mar como fonte de inspiração e ambientação? Como foi a escolha dos autores?

Como se vê sem esforço, trata-se de antologia temática. As histórias têm como foco o mar da Bahia, que entra como o cenário, ora interferindo no destino dos personagens, ora como elemento de composição da paisagem humana. O mar é assim a fonte de inspiração e ambientação de cada história. O mar sempre exerceu uma sedução e atração aos seres humanos. E, como temos ficcionistas na Bahia da melhor qualidade, que souberam focar o mar como fonte de suas criações, resolvi fazer uma antologia com o tema e com esses autores expressivos. O critério da escolha dos contistas se deu em função da qualidade do texto. Convenhamos que, como em toda a antologia, ocorre a omissão, mas os autores selecionados para a coletânea “Histórias dos Mares da Bahia” são os mais representativos do gênero na Bahia. Eu diria sem hesitar que são contistas brasileiros da Bahia, fortes no discurso coeso.  Com seus projetos estéticos e resultados positivos, todos eles vêm contribuindo para que as letras brasileiras operem como meio eficaz de comunicação humana em sua função social.


Fonte: ABEU- Associação Brasileira das Editoras Universitárias

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domingo, 16 de setembro de 2018

PALAVRA DA SALVAÇÃO (96)


24º Domingo do Tempo Comum – 16/09/2018

Anúncio do Evangelho (Mc 8,27-35)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus partiu com seus discípulos para os povoados de Cesaréia de Filipe. No caminho perguntou aos discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas”. Então ele perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Messias”.
Jesus proibiu-lhes severamente de falar a alguém a seu respeito. Em seguida, começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias. Ele dizia isso abertamente. Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo. Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: “Vai para longe de mim, Satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”.
Então chamou a multidão com seus discípulos e disse: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre André Teles:

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Quando perder é ganhar

“Quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la” (Mc 8,35) 

O Seguimento é tema central em todos os evangelhos, ou seja, “fazer o caminho” com Jesus, identificando-se com Ele na entrega aos outros, sem buscar para si poder ou glória. Ao longo de todo seu escrito, Marcos manifesta uma prevenção especial frente a qualquer ideia de um messianismo triunfalista, centrado no poder e na glória. O caminho do Messias – repetirá diversas vezes – passa pela entrega e pela cruz. Os discípulos, pelo contrário, aparecem obcecados, “surdos e cegos”, discutindo habitualmente por questões de poder, de importância e de privilégio, enquanto que Jesus lhes fala de serviço e doação.

Neste sentido, é sumamente significativo o contraste que Marcos apresenta, intencionalmente, entre o caminho de Jesus e o caminho dos discípulos: nos três anúncios da paixão, quando Jesus lhes fala de seu caminho de entrega, eles manifestam uma clara resistência. O choque é grande: Jesus e seus discípulos caminham em direções diametralmente opostas: o caminho serviço X o caminho da ambição. Mas, para Jesus, trata-se de uma questão não negociável: seu caminho reflete o “pensamento de Deus”. A vontade do Pai nunca passará pelo caminho do poder sobre os outros, senão pelo caminho do serviço. 

No evangelho deste domingo, a divergência entre ambos caminhos fica explicitada tanto na reação de Pedro como na resposta dura de Jesus. O caminho dos discípulos reflete os mecanismos próprios do ego, que não busca outra coisa a não ser a autoafirmação a qualquer preço, apegando-se ao ter, ao poder e ao aparentar, ao mesmo tempo que foge de tudo o que soa a desapego e entrega. 

Para o ego, a entrega desinteressada é uma loucura, que é preciso evitar a todo custo. Para Jesus, pelo contrário, o impulso do ego se opõe frontalmente a Deus. A resposta de Jesus a Pedro é a mesma que Ele deu ao diabo nas tentações; nem aos fariseus, nem aos letrados, nem aos sacerdotes dirige Jesus palavras tão duras. Quer com isso indicar que a proposta de Pedro era a grande tentação, também para Jesus. A verdadeira tentação não vem de fora, mas de dentro. O difícil não é vencê-la, mas desmascará-la e tomar consciência de que ela é a que pode arruinar a Vida.

Pedro é “Satanás” na medida em que espera que Jesus siga o caminho do messianismo convencional, glorioso, vencedor dos inimigos do povo, que estabelece seu próprio reinado, e não aceita o caminho que Jesus começa a propor, o do serviço que acaba na cruz.  Mas Jesus não rejeita Pedro e nem pede a ele simplesmente que se vá ou se afaste (costuma-se traduzir por “aparta-te de mim...”). Diz-lhe “põe-te detrás de mim”; a mesma expressão que utiliza no versículo seguinte: “se alguém quiser vir atrás de mim...”. Ou seja, Jesus está repropondo a Pedro e aos discípulos o seguimento e que se ponham atrás d’Ele, agora que o caminho vai passar pela cruz. 

E aqui vem a frase que fecha, como chave de ouro, toda a cena: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. Uma consideração superficial destas palavras deu margem a uma apresentação do cristianismo como a religião que preconizava a dor e a negação da própria vida e da própria identidade. Jesus vive na sabedoria de onde brota a fidelidade. Não vive para o ego, que busca sempre seu interesse e comodidade, mas está ancorado naquela identidade profunda, na qual permite que a Vida flua, numa atitude de serviço ou de entrega sábia.

Aquele que quer salvar seu ego, perde a Vida, porque se fecha numa jaula estreita e se introduz em um labirinto de inevitável sofrimento e, em último termo, de vazio e sem-sentido. Uma existência egocentrada, embora aparentemente satisfatória para o ego, não pode evitar uma sensação de profunda insatisfação. 

Todos os caminhos autênticos de espiritualidade começam por um esvaziamento do ego, uma renúncia de si mesmo, não para negar-se como pessoa, mas, pelo contrário, para crescer ao recuperar sua verdadeira identidade na totalidade. Quando “eu me perco”, então me encontro; quando meu ego diminui, descubro que faço parte de algo maior, que pertenço a Deus. A “renúncia a si mesmo”, que Jesus propõe, não é um exercício de masoquismo, mas uma maneira mais profunda de realização humana.

Portanto, a expressão “renunciar a si mesmo” faz referência ao nosso falso “eu”, aquilo que, iludidos, acreditamos ser: o “eu” que busca poder, prestígio, riqueza... O desapego do falso “eu” é imprescindível para poder entrar no caminho de vida que Jesus propõe.

“Renunciar a si mesmo” é não se reduzir ao eu superficial ou ego. Só quando nos desapegamos do eu, tomamos consciência de nossa identidade mais profunda, a vida que somos.

 Essa é a Vida de que fala o Evangelho, a mesma Vida que Jesus viveu, com a qual Ele estava identificado (“Eu sou a Vida”) e que buscava despertar em todos os seus seguidores(as). O ego compara-se com os outros e compete pelos elogios e pelos privilégios, pelo amor, pelo poder e pelo dinheiro. É isso que nos torna invejosos, ciumentos e ressentidos em relação aos outros. Também é isso que nos torna hipócritas, dominados pela duplicidade e pela desonestidade. 

Aquele que não é capaz de superar o “ego” e nem da centralidade em si mesmo), frustra toda sua existência; mas, aquele que, superando o egocentrismo, descobre seu verdadeiro ser “des-centrado e oblativo”, vivendo em favor dos outros, dará pleno sentido a toda sua vida e alcançará sua verdadeira plenitude humana. Precisamos reconhecer que, aquilo que para nosso ego é “perda” e perigo, para nosso Eu verdadeiro é ganho profundo e libertação.

“Renunciar a nós mesmos” não é cair em um automenosprezo, nem anulação daquilo que somos, mas  descobrir que há valores que estão mais além de nós mesmos. É tomar consciência que há recursos e capacidades superiores pelos quais vale a pena investir a vida, assumindo as consequências.

“Tome sua cruz e me siga”: tampouco Jesus quer apresentar-nos um cristianismo e um seguimento doloroso. A verdadeira cruz do cristão não está no sofrimento, não está na dor de privar-nos de tudo, não está nas penitências e sacrifícios... A verdadeira cruz do seguimento de Jesus é a da fidelidade ao evangelho, ao amor, ao compromisso, à própria vocação de serviço.

A cruz do cristão não pode ser outra que a Cruz do mesmo Jesus. Ele nunca amou a cruz como cruz. Mas tampouco fugiu dela por manter-se fiel ao Reino e ao Evangelho que anunciou. Ele nunca amou a dor pela dor, ao contrário, sempre buscou aliviar a dor dos outros. Mas tampouco fugiu, negando sua própria verdade, sua própria missão e sua própria identidade.

A cruz para todo(a) seguidor(a) nunca pode ser uma meta; ela é sempre uma consequência. A cruz para o cristão não é algo que se busca, mas uma realidade que chega a partir de fora, como consequência da verdade e da autenticidade evangélica.

Texto bíblico:  Mc. 8,27-35 

Na oração: nosso coração se encontra diante da revelação do “eu original”, porque está enraizado na identidade do próprio Jesus (“quem sou eu para vocês?”).

A contemplação de Jesus é também revelação do eu “escondido com Cristo em Deus” (Col. 3), ou seja, revelação da verdade do meu eu profundo, onde descubro os traços de minha própria fisionomia.

Não posso responder a essa pergunta – “Quem é Jesus para mim” – se não me pergunto ao mesmo tempo: “Quem sou eu, diante do Senhor”? Sem identificação não haverá um encontro profundo com o Senhor. O encontro comigo mesmo me aproxima do encontro com o Senhor e o encontro com o Senhor revela minha própria identidade.

- Sua vida cotidiana: descentrada? Oblativa? Aberta ao diferente?... Ou: autocentrada, “buscando o próprio amor, querer e interesse”?

Pe. Adroaldo Palaoro sj


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