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domingo, 21 de janeiro de 2018

PAI NOSSO... - Jorge Luiz Santos

Pai Nosso...

O colégio do professor Chalup, onde estudei, ficava na Praça Adami, em Itabuna, nas imediações entre o Banco Santo André e as Casas Maia. A área construída era muito grande; no centro, havia um salão, onde ele ministrava as suas aulas e mais quatro salas, nas quais trabalhavam outros professores, dentre estes, a sua esposa, professora Mariazinha.

O professor Chalup era de estatura mediana, branco, gordo, careca e asmático; a sua esposa, professora Mariazinha, menor que ele, também era obesa, mas de cor parda.

Todos os dias de aula formava-se aquela fila quilométrica, composta por alunos relapsos, que não queriam nada com a “voz do Brasil¨. No começo da fila, estava o professor Chalup, distribuindo bolos de palmatória àquele ¨alunos¨, que os recebiam nas mãos, com muita dor e lágrimas. Dentro daquela fila, dificilmente eu não me encontrava, seguindo depois para ficar ajoelhado sobre os caroços de milho, até o encerramento das aulas.

Aquele castigo só era interrompido, quando tínhamos que voltar para casa. Mas quem não quisesse voltar para ele, no outro dia, tinha que fazer, do punho próprio, mais de cem copias do texto que o professor Chalup determinava.

Numa dessas vezes, passei a me sentir mal. A professora Mariazinha, preocupada comigo, pôs as mãos sobre o meu peito e começou a orar:

-Pai Nosso que estais nos Céus...

A dor que estava sentindo, transferiu-se de mim para ela. Desse dia em diante, mesmo sem fazer um exame comprobatório, passei a ser tido como portador de alguma deficiência cardiovascular.

Para quem não queria nada, aquele sintoma foi muito oportuno. Toda a vez que entrava naquela fila, deparando-me com o professor Chalup, ele me olhava com fraternidade nos olhos, dispensando da pena que me seria aplicada.

Foi só assim que deixei de tomar aqueles indesejáveis bolos, até que um dia tive que me contrapor a uma ordem do professor Chalup.

Ele havia mandado quatro leões de chácara pegar o meu irmão Bento Rocha (também era seu aluno), lá na nossa casa, para reconduzi-lo àquele lugar de cativeiro.

Fiquei tão indignado que reagi, defendendo Bento verbal e fisicamente daqueles asseclas, passando desse dia em diante, a ser massacrado pelo professor Chalup, todas as vezes que retornava àquela fila quilométrica, do único bolo indesejável: o bolo de palmatória.
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Jorge Luiz Santos.
Advogado e cronista. Itabuna - Bahia
E-mail: advjls13@hotmail.com

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Fonte: JORNAL DIREITOS

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (62)

3º Domingo do Tempo Comum – 21/01/2018

Anúncio do Evangelho (Mc 1,14-20)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!”
E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.
Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”.
E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus.
Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão de Dom Alberto Taveira Corrêa:

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O horizonte alternativo do Reino
“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15)

Apagaram-se as luzes do Natal; os Magos voltaram a seus países; Jesus foi revelado como o “Filho amado” no Batismo. Agora começa o tempo do “chamado”; agora começa o tempo do “fazer caminho com Jesus”; agora começa o “tempo do seguimento”.

Podemos dizer que Jesus irrompe na nossa Galileia cotidiana como um chamado a viver de maneira alternativa, fazendo a experiência de Deus, Mistério último da vida, como uma Força que nos atrai para construir um mundo mais humano e ditoso.

Jesus não começa sua vida pública com ameaças, nem com anúncios de castigos. Começa proclamando a Boa Notícia de Deus; este anúncio original sintetiza toda sua missão: não é em vão que Marcos coloca na boca de Jesus estas primeiras palavras: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo”. Trata-se da Boa Nova, ou seja, tudo aquilo que “buscamos”, na realidade, já está próximo. E para acolher esta Boa Nova faz-se necessária uma profunda conversão. O termo “conversão”, traduzido do grego “metanoia” (mais além da mente), nos convida a “outro modo de pensar, de ver, de agir...” Trata-se de sair da perspectiva mental atrofiada para entrar em sintonia com aquela Presença que expande a nossa vida para além de nossos estreitos modos de viver, tanto na perspectiva pessoal quanto social.

Propriamente falando, Jesus não deixou como herança uma nova doutrina religiosa da qual se pode extrair alguns princípios que logo são aplicados à vida. O que Ele nos traz, a partir de sua experiência profética, é um novo horizonte para assumirmos a história, um novo paradigma para humanizar a vida, um marco para construir um mundo mais digno, justo e ditoso, a partir da confiança e da responsabilidade.

Sua mensagem não provém do interior do sistema imperial nem da instituição do Templo. Pelo contrário, desmascara a iniquidade do Império e a conivência do Templo, sacudindo a indiferença de muitos e redefinindo as expectativas de outros.

Jesus não é um escriba judeu, nem um sacerdote do templo de Jerusalém, nem um asceta do deserto. O específico seu não é ensinar uma nova doutrina religiosa, nem explicar a Lei de Deus, nem assegurar o culto de Israel. Jesus é um profeta itinerante, um homem a caminho, aberto às surpresas de Deus. Caminhava pela Galileia, anunciando um acontecimento, algo que já está ocorrendo e que pede ser escutado e atendido, pois pode mudar tudo. Ele desencadeia um novo movimento humanizador, que coloca o ser humano no centro de sua missão. Ele já está experimentando isso e convida a todos a compartilhar esta experiência: Deus está comprometido com a história humana. É preciso mudar e viver tudo de maneira diferente.

Começa um tempo novo, uma história nova. Deus não nos deixa sozinhos frente aos nossos conflitos, sofrimentos e desafios. Quer construir, conosco e junto a nós, uma vida mais humana. Para isso, é preciso mudar a maneira de pensar e de agir; é preciso aprender a viver crendo nesta Boa Notícia.
Isto que Jesus chama “Reino de Deus” não é uma religião. É muito mais. Vai mais além das crenças, preceitos e ritos de qualquer religião. É uma experiência fundante de Deus que resignifica tudo de maneira nova. “Reino de Deus” é o coração de sua mensagem e a paixão que animou toda sua vida

O surpreendente é que Jesus nunca define o que é o Reino de Deus. Ele o encarna em suas palavras e em sua vida; é algo que irrompe, de maneira surpreendente. Podemos dizer que “Reino de Deus” é a vida, tal como Deus deseja que a vivamos.
Se queremos saber o que é o Reino, também nós devemos nos colocar a caminho com Jesus: Ele é o Reino. Ele foi o homem que se definiu, que tinha claro qual era sua missão; por isso, nos apresenta uma causa muito nobre e, com seu chamado, rompe nosso estreito mundo e desperta em nós ricas possibilidades, reacendendo o que de mais nobre há em cada um e ampliando nosso horizonte de vida.

Para Jesus, a vida de uma pessoa vale pela causa à qual se entrega. Por isso, ao anunciar a presença do Reino do Pai, Ele desperta nas pessoas uma garra, uma vibração e um entusiasmo por esta causa tão nobre. Escutar e acolher a proclamação do Reino é uma prova de audácia e coragem, uma provocação à generosidade de cada um.

É preciso sonhar alto, ter ideais, ser uma pessoa corajosa e marcada pela esperança para poder “escutar” o apelo de Jesus; é preciso ser apaixonado(a), deixar-se empolgar, aceitar correr riscos na vida para saber o que significa “estar e fazer caminho com Ele”; é indispensável uma enorme generosidade para se dedicar incondicionalmente a uma grande causa; é preciso forte dose de ousadia e coragem para transcender-se, ir além de si mesmo...

Jesus não só se deixou mobilizar pelo “sonho do Reino”, mas foi também capaz de seduzir e mover outras pessoas a participarem desse mesmo sonho; sua presença inspiradora era capaz de despertar nos outros o melhor de si mesmos e de mobilizá-los. Por isso, os primeiros discípulos deixaram-se impactar pela força do seu chamado e foram capazes de dar uma nova direção às suas vidas.

Não sabemos se o chamado ao seguimento foi assim tão rápido, como relata Marcos; mas, provavelmente, a forma um tanto mecânica em que ele se expressa, é uma maneira de destacar a força mobilizadora da presença e do chamado de Jesus. Todas as narrativas acerca do chamado conservam a marca intencional de um encontro surpreendente, inesperado e expansivo: deixar a vida estreita do lago de Genezaré para entrar no vasto oceano de vida proposto por Jesus.

Há um dado, um tanto quanto estranho no chamado de Jesus: parece ser um chamado que quase não tem programa. Ele afirma simplesmente: “sereis pescadores de homens”. O que isto quer dizer?
Esta frase deve ser lida não no sentido quantitativo, típico dos proselitismos e da mentalidade moderna, mas num sentido mais qualitativo: “pescar homens” é extrair o melhor, a melhor versão humana de cada um, fazer emergir a autêntica qualidade humana desse mar turvo de inumanidade que somos todos.

Isso é “pescar o humano” que todos carregamos dentro. No contexto atual, essa expressão tem uma enorme importância: porque é verdade que nem todos os homens desejam ser cristãos, mas, seguramente, continua sendo verdade que Deus deseja que cada um extraia de si a melhor versão possível.

O convite para “pescar homens”, que pode parecer uma expressão estranha, evoca a imagem de sair de um meio aquático e começar a respirar. Não poderíamos ver aí a possibilidade de ajudar outros em um novo nascimento, de uma saída das águas amnióticas para começar a respirar a vida do Espírito?

O chamado de Jesus, portanto, nos individualiza e nos personaliza de modo irrepetível e inconfundível, confere um sentido completamente novo ao nosso próprio nome. Jesus toma em suas mãos o futuro daqueles(as) que o acompanham: junto d’Ele vão adquirindo nova personalidade, definida pela referência a outros. Responder ao chamado de Jesus inaugura uma nova relação com os(as) seus(suas) seguidores(as): Ele adiante, nós atrás. O encontro com Ele atinge o núcleo de nossa própria autonomia e de nossa consistência pessoal, de nossa vida profissional, familiar e relacional. Há um deslocamento de nossos estreitos mares da vida e passamos a respirar a imensidão de outro oceano.

 Texto bíblico: Mc 1,14-20
Na oração: Encontrar-se com Jesus é encontrar-se com o Reino de Deus. Jesus se põe totalmente a serviço da “causa” de Deus; Ele é inseparável de sua obra: o Reino que anuncia e que Ele faz presente.
Somos impulsionados a ser protagonistas de uma história mais di
tosa; somos movidos a atrever a pensar e agir “fora do sistema” para entrar na lógica e na dinâmica do Reino de Deus. O Reino condensa e leva à plenitude todas as aspirações humanas.
- Que sonhos você carrega em seu coração?
- Sua vida tem a dimensão do “mar da Galileia” ou do Oceano de vida de Jesus?


Pe. Adroaldo Palaoro sj


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sábado, 20 de janeiro de 2018

DOM CESLAU STANULA - Do laicato e dos leigos (5)

15/01/2018

Continuando as nossas reflexões sobre o Ano do Laicato, devemos passar da teoria para os casos concretos, como o leigo deve agir para cumprir a sua missão sacerdotal no meio das realidades temporais.

O ponto de partida é o nosso batismo, que é, como vimos, o comum denominador de todos os cristãos. O Batismo não é só uma cerimônia, uma simples celebração, mas é o compromisso assumido com Cristo Jesus na sua Igreja. “Viver como Jesus viveu, sonhar como Jesus sonhou, agir como Jesus agiu”. O Batismo é que nos qualifica de ser sacerdócio régio de Cristo. Este, não exige nada além de que sincronizar os nossos pensamentos e ações com os de Cristo Jesus e motivar estes, com a sua inspiração dentro da sua lei. (Por isso a pergunta constante que devemos nos colocar é: como Jesus agiria, se estivesse no meu lugar neste concreto momento?).

O professor que ensina é verdadeiro sacerdote para com o seu aluno tirando-o da ignorância e transportando para o mudo do saber (que no fim das contas é Deus).

O médico é verdadeiro sacerdote que cuida e defende a vida. Deus criou mais lindo e completo mecanismo que existe no planeta, que é a pessoa, mas “não nos deu manual de instrução”. São os médicos, a medicina, os pesquisadores da saúde, que agora escrevem este manual, prolongando a qualidade da nossa vida. Que lindo e nobre é este  sacerdócio comum dos médicos,  fiéis leigos.... (Continua)

Com a benção e minha oração.
Dom Ceslau
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16/01/2018

O advogado que defende a verdade e luta pela verdade sem se deixar corromper com o lucro fácil da corrupção, é o sacerdote leigo que sofre, faz sacrifício, mas continua mantendo a sua dignidade e dos outros. 

O Político, que no mundo corrupto de hoje se mantem incólume, é o sacerdote que sofre pressão, e toda classe de tentações para se desviar do caminho, mas resiste ouvindo a voz de Deus, eis a sua grandeza.

O artista, poeta, ator ou escritor, que na sua maneira própria apresenta a realidade concreta e anuncia ou denuncia o que destoa da beleza do plano de Deus para com a sociedade é o sacerdote importantíssimo na sociedade. Só é precisa ser ouvido e entendido.
O Papa São João Paulo II foi mais temido pelos comunistas não por causa dos seus sermões contrários ao comunismo, mas pelo contato cotidiano com a juventude com a qual se reunia fazendo teatros, noites literárias e poéticas etc. (Famoso teatro rapsódia em Cracóvia por ele criado).

O varredor de rua, que com carinho recolhe a sujeira que nós deixamos, limpa o ambiente para nós, é o sacerdote do asseio, do mundo limpo, com Deus o criou para nós.

O agricultor que lavra a terra e com consciência procura ao máximo evitar a contaminação da sua produção rural com os toxico, que aparentemente aumentariam a produção, mas arruinariam a vida dos irmãos, é o sacerdote consciente da Casa Comum que é o mundo.  E assim por diante.

Cada um que se localize na sua área do ambiente em que vive e trabalha e descubra sua função sacerdotal para o sérvio comum de todos.  Para isto nos capacita o nosso batismo, e nos inclua ao grande Organismo místico que é a Igreja de Jesus, e nos torna seus sacerdotes. (Continua)

Com a benção de Deus e a minha oração.
Dom Ceslau.

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17/01/2010

Ainda, continuando os casos práticos sobre o sacerdócio comum dos leigos, temos o trecho da Sagrada Bíblia muito claro, lindo e atual para os nossos tempos. O trecho é do Livro do Deuteronômio do Antigo Testamento, referente aos juízes e julgamentos. O Moisés recebe a orientação de Deus para conduzir bem o seu povo: “Ordenei aos vossos juízes: ouvireis vossos irmãos para fazerdes justiça entre um homem e seu irmão ou o estrangeiro que mora com ele. Não façais acepção de pessoas no julgamento: ouvireis igual modo o pequeno e o grande. A ninguém temais, porque a justiça é de Deus”. (Deut. 1, 16-17).

Hoje, pela complexidade das questões, infinidade das leis, as vezes até contrarias às leis naturais, leis de Deus, a tarefa do juiz se torna muito difícil. Caminha entre duas pressões: de um lado a pressão das potências econômicas, midiáticas e políticas e, de outro lado a consciência bem formada na lei natural e divina, e o seu juramento de honestidade. Precisa muita força e fé em Deus para seguir incólume entre todas as pressões, tentações e conveniências. Feliz quando não se deixa corromper, abalar e vencer, e segue a sua consciência, para o bem da sociedade, consciente que a justiça é de Deus e que age em determinado momento, em seu nome (em nome de Deus). É também o ministério do sacerdócio comum a serviço do bem comum.

Uma benção especial de Deus e a minha humilde oração. Uma repousante noite.
Dom Ceslau.

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18/01/2018

O Ano do laicato reanima os fieis leigos

Os leigos estão na linha mais avançada na vida da Igreja. Eles têm como vocação própria,  procurar construir o Reino de Deus, exercendo funções do mundo, trabalhando entre as realidades temporais, reatando as relações interpessoais, agindo na arena política etc. Para isto os chama, os habilita o batismo que receberam. Todos, mas principalmente os leigos devem ser “sal da terra e luz do mundo (Mt,5 13.14).  Levar a luz de Cristo onde o ministro ordenado não pode chegar. No mundo vivem o seu sacerdócio comum.

Para melhor desempenhar o sacerdócio comum os fiéis, contam com a ajuda o sacerdócio ministerial com quem estão ligados intimamente.  O sacerdócio ministerial, tem a missão, além daquela que vem do batismo, ainda por uma consagração especial que recebem pela ordenação sacerdotal, explicar aos fiéis a vontade de Deus no dia a dia, evangelizar, celebrar Eucaristia, e confortar-nos com os sacramentos. Assim juntos prestar o louvor eterno de Deus.

Neste sentido a Igreja por meio do Pontifício Conselho “Justiça e Paz” elaborou o Compendio da Doutrina Social da Igreja, (no Brasil a edição Paulinas, 2005) que é o guia para o cristão seguir, semeando o bem e testemunhando a Cristo, no meio das realidades temporais neste mundo.

Um grande abraço com a minha benção e oração para que eu possa ser bem entendido e você enriquecido com estas reflexões.
Dom Ceslau.

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Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna-BA, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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EM JOÃO PESSOA ‘A MEMÓRIA É UMA ESPÉCIE DE CRAVO FERRANDO A ESTRANHEZA DAS COISAS’

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Lau Siqueira nasceu em Jaguarão (RS), mas atualmente reside na Paraíba. Siqueira publicou 7 livros, quais sejam: “O Comício das Veias”, Editora Ideia, 1993; “O Guardador de Sorrisos”, Editora Trema, 1998; “Sem Meias Palavras”, Editora Ideia, 2002 e “Texto Sentido”, Editora Bagaço, 2007, todos esgotados.

Pela Editora Casa Verde, de Porto Alegre, publicou “Poesia Sem Pele”, 2011, “Livro Arbítrio”, 2015 e “A memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas”, lançado em dezembro de 2017 em Jaguarão e Porto Alegre (RS). Teve poemas incluídos em importantes antologias no Brasil, Portugal, Argentina e Moçambique. Tem poemas traduzidos para outros idiomas e escreve para jornais, blogs, portais e revistas.

“Em João Pessoa será no dia 2 de fevereiro, a partir das 19 horas, na Budega Arte Café, um lugar onde tem acontecido muita coisa importante na arte contemporânea da Paraíba.”

Boa Leitura!

Escritor Lau Siqueira, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que mais o encanta na arte poética?

Lau Siqueira - Definitivamente, são os estranhamentos. As provocações que muitas vezes encontramos num único verso. Muitas vezes, até mesmo o que eu não entendo direito e de certa forma nem sei como me ganhou,provoca um imenso prazer estético. A emoção inesperada é indescritível para um leitor. Um prazer sem parâmetros fora da leitura. Tem texto que desafia o leitor, e isso é o que mais me interessa na poesia. Isso não significa que esse encantamento venha de uma imensa complexidade.
Algumas vezes vem da simplicidade, ainda que a simplicidade seja exatamente o que há de mais complexo. Mas, observe por exemplo esses dois versos de James Joyce: “O vento indomável que passa não vai mais/ Voltar, não vai voltar.” Há um tipo de deslumbramento aí que leva você a pensar que ele não está falando exatamente do vento. E realmente não está. O vento é só o motivo. Esses versos estão como epígrafe no meu livro.

Apresente-nos o processo para seleção dos textos que compõem o seu livro “A memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas”.

Lau Siqueira - Na verdade nunca levo muito a sério qualquer critério para a seleção dos textos nos meus livros. Escrevo de forma quase compulsiva com silêncios absurdos, às vezes. Quando escrevo um poema e sinto que ele não se completou, não tenho o menor pudor em rasgar ou deletar. Trabalho num poema enquanto vejo nele uma possibilidade. Quando não, tanto faz o tempo que tenha investido na criação. Elimino imediatamente. Acredito que em todos os meus livros aconteceu praticamente o mesmo processo. No mais, não tenho compromisso com temáticas e apenas vou escrevendo. O desafio é a linguagem. As domas da palavra. A forma é o conteúdo. É como se eu estivesse escrevendo um único livro publicado em capítulos. Assim, quando vou finalizar o livro me importo menos com isso. É como se cada poema tivesse vida própria. Como se cada poema justificasse o livro. Um processo, aliás, que se dá quase que naturalmente, com poucas intervenções mais objetivas.

Como foi a escolha do título?

Lau Siqueira - Eis a parte mais difícil. Até porque comecei a escrever esse livro com outro propósito. Seria outro livro, bem diferente. Era para atender o convite de outra editora com uma proposta muito específica. No meio do caminho mudei tudo, e o título que eu tinha para o outro livro perdeu o sentido. Então comecei a recompor tudo, escrever outros poemas, até decidir colocar um ponto-final. Mas, e o título? Eu tinha ficado sem perspectiva de título com as mudanças. Essa, talvez, tenha sido a parte mais difícil. Foi então que percebi o quanto a estrofe de um poema completava o meu olhar sobre o conjunto da obra. Daí, resolvi bater o martelo e a editora topou.

Quais temáticas estão sendo abordadas nesta obra literária?

Lau Siqueira - Na verdade, a minha preocupação maior é com a forma. Gosto de desconstruir meus próprios motivos. Os temas abordados são o que menos importa. No entanto, parece que tem sido uma tendência nos meus últimos livros. Vou realizando rupturas sequenciais, mas sempre com um pé na filosofia, no minimalismo, abordando o tempo, a condição humana, a vida contemporânea. Os temas realmente dialogam com o momento vivido. Ah, também, este talvez seja o meu livro com o maior número de poemas eróticos. Ainda escrevo um livro apenas com poemas eróticos ou mesmo pornográficos. Acho desafiador demais. Difícil demais não cair na mesmice e na vulgarização da própria linguagem poética.

Como foi a escolha da imagem para capa?

Lau Siqueira - A Editora Casa Verde cuida muito bem disso para mim, mesmo me consultando sempre. Por isso as escolhas não são difíceis. O projeto gráfico e a capa são assinados pelo poeta Roberto Schmitt-Prym, um dos mais competentes profissionais da área que conheço. Ele convocou a artista plástica Bianca Santini para fazer um desenho abstrato, conforme eu tinha solicitado e, particularmente, adorei o resultado. As três capas dos meus livros pela Casa Verde são excelentes. Criativas, diferenciadas. Portanto, o contato com esses profissionais me tranquiliza. A editora Laís Chaffe cuida de tudo com muito profissionalismo.

O que mais o encanta em “A memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas”?

Lau Siqueira - O que mais me encanta é conseguir fazer um livro viável, do ponto de vista do custo da edição.Mesmo estando radicalmente fora dos grandes esquemas de distribuição e das grandes editoras. Mesmo sem grandes atenções da mídia. Temos vendido por e-mail, e sempre existe a possibilidade de um novo lançamento. Essa “sustentabilidade” é desafiadora, mas me encanta. Ou seja: sem patrocínio, meus livros vão sendo pagos pelos leitores e leitoras aos quais sou sempre muito grato.

Sabemos que todos os textos publicados na obra o marcaram de forma peculiar e enigmática. Cada texto é um pedacinho do Lau Siqueira. Apresente-nos um dos textos publicados no livro.

Lau Siqueira - Tem um texto que responde de forma mais objetiva essa questão. É o poema “Sessenta”, um longo poema que escrevi no dia em que completei 60 anos. Mas vou colocar aqui o poema “Tapera”, bem mais curto:

“O tempo é uma casa
desabitada e esquecida
no meio da estrada.

Quem passou por ela
e viu apenas uma
casa, na verdade não
viu nada.”

Comente o momento da criação deste texto.

Lau Siqueira - Eu tenho viajado muito pelo interior da Paraíba a trabalho. Gosto de fotografar e então fotografo muita coisa. Paisagens, pessoas, imagens aleatórias. Muitas dessas fotografias acabam virando poemas. Certa vez, nas minhas “andanças sertânicas”, me deparei com uma casa abandonada. Era tão significativa aquela imagem entre pedras e mandacarus, que eu parei e fui tragado pelo que vi. Depois, já no computador e revendo aquela imagem, comecei a pensar no que representava tudo aquilo. Aquela confluência enorme de linguagens habitando uma imagem de abandono. Comecei a pensar nas pessoas que circularam por ali, suas vidas, suas tragédias, suas vitórias... quem sabe? Assim nasceu esse poema. É um olhar sobre o abandono, o imperceptível.

Após o lançamento do livro no Rio Grande do Sul, teremos lançamento da obra em João Pessoa. Qual o dia, horário e local do evento?

Lau Siqueira - Em João Pessoa será no dia 2 de fevereiro, a partir das 19 horas, na Budega Arte Café, um lugar onde tem acontecido muita coisa importante na arte contemporânea da Paraíba. Em dezembro, fiz dois lançamentos no Sul: em Jaguarão e Porto Alegre. Depois de João Pessoa, vamos ver onde mais é possível. Já existem alguns lançamentos previstos em Natal (RN), Maceió (AL) e Aracaju (SE). Com calma, vamos vendo onde mais poderemos promover o livro.

Por quanto será comercializado o livro no local do evento?

Lau Siqueira - Nos lançamentos têm sido vendidos a R$ 30,00 à vista; no cartão, R$ 32,00.

Quem não puder comparecer, como deve fazer para comprar o livro?

Lau Siqueira - A editora também está recebendo pedidos por e-mail: casaverde@casaverde.art.br ou lchaffe@gmail.com. Aliás, na editora os meus três últimos livros estão disponíveis. Recomendo não apenas por serem meus livros, mas por representarem um tipo de resistência ao mercado formal do livro que tanto tem excluído a literatura brasileira contemporânea.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Lau Siqueira. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Lau Siqueira - Estejam atentos e atentas às ebulições da literatura brasileira. Claro que alguns dos “jovens escritores” já vêm de uma longa estrada, como eu. Mas, uma novíssima geração vem escrevendo com muita qualidade. A novidade é que no mundo machista dos livros nunca vi tanta mulher escrevendo tão bonito. Não deixe de comprar livros. Leia, mas também presenteie amigos e amigas. Surpreender alguém com boa literatura é sempre um tipo de sedução. Que tal começar com meus livros?

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura



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LUZES - Mauricio Pareja

Luzes


As portas agora se abriram. Não há mais resistência, nem gravidade, nem trevas. Você despertou de um sono profundo através dos cristais de luz. Não há mais diferenças, tudo isso já passou.
Você cresceu e já pode desfrutar dos sonhos mais profundos, dos desejos mais puros.

Agora, você está brilhando como se fosse chama da salvação. Não se orgulhe, nem erga seu ego, pois essa luz brilhante é para iluminar o caminho de seus semelhantes. É preciso que você viaje para dentro de si mesmo e lá enxergue a luz divina, a centelha de esperança que o traz à tona para trabalhar como guerreiro do bem, brandindo sua espada de luz, salvando seus irmãos carentes, necessitados e famintos.
Sua luz cura, e muito.

Não tema as boas novas, nem a elevação do saber. O conhecimento dignifica e amplia sua magnitude. Nada poderá detê-lo quando buscar as chaves do bem, para abrir os portais de luz. Faça com que cada dia seja um dia feliz. Quando disso duvidar, creia nas palavras dos grandes mestres e sábios.
Espelhe-se nas experiências desses seres celestiais e aprenda o caminho a seguir.

Não pense que será coberto de pétalas de flores, nem tampouco sugira a si mesmo que seja ordenado a andar sobre adagas. Lembre-se de que você é humano, portanto, viva como tal, e não perca o passo de sua jornada. Viaje para o interior de seu ser e descubra lugares e situações que você jamais sonhou.
Estando na luz, na sua presença sempre estará o Criador para acalentar-lhe quando necessitar.

Oh, pequena criatura!  Seja como criança, cheia de vida e vontade de crescer, de conhecer, de saber. Não perca essa preciosa chama de luz e de cores que lhe foi oferecida. Sua jornada representa glória a muitos de seus irmãos!

Faca com que sua luz radiante esteja em todo o tempo e lugar, na bem-aventurança de seu ser, que foi criado a imagem e semelhança de Deus...

(Mauricio Pareja)


"Gotas de Crystal" <gotasdecrystal@gmail..com>

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sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

DE ARREPIAR: Mulher Reserva Cadeira Em Seu Casamento Para Seu Falecido Filho E Noivo Faz Surpresa Emocionante

Da Redação 19/01/2018
Uma mulher residente do Estado do Alasca, Becky Turney, (EUA) perdeu seu filho de 19 anos e sofreu muito com a tragédia. Apesar da aflição e o sofrimento que ela estava passando por sua perda, a americana de 40 anos precisava seguir a vida.

Passado dois anos, decidiu se casar com o homem tão sonhado, Kelly Turney. O casamento seria um momento tão especial que ela não poderia esquecer do seu filho. Então Becky  resolveu deixar uma cadeira reservada para o seu querido filho.

“Estou no céu para o teu casamento, então o que devo fazer? Eu vou à terra para passá-lo contigo. Por isso, guarda-me um lugar, só uma cadeira vazia. Podes não me ver, mas eu vou lá estar.” – dizia uma placa na cadeira vazia, mas o que Backy não esperava era a surpresa que seu noivo preparou para esse dia muito especial algo tão lindo que a deixou literalmente sem palavras e muito emocionada.

Pouco  antes da cerimonia começar,havia um rapaz que deveria ser apresentado a noiva. O jovem de 21 anos era Jacob Kilby, ele foi ate a cerimonia de avião apenas para conhecer Becky, o Jacob reside em San Diego. A reação dela ao ver foi emocionante, Becky começou a chorar, pois já sabia do que se tratava.

Há dois anos quando seu filho  veio a falecer, seus órgãos foram doados. Esse gesto lindo que Becky teve ao autorizar a doação, ajudou a salvar pelo menos cinco vidas.  E uma das pessoas era justamente Jacob, que recebeu o coração do seu filho Triston. O plano do noivo foi arquitetado durante meses, pois foi uma maneira de fazer jacob trazer  uma parte de Triston para estar com eles durante a cerimonia.

O encontro foi de arrepiar. Becky podê escutar o coração do seu filho mais uma vez com ajuda de um estetoscópio. Mesmo ele não estando presente fisicamente, seu coração estava ali. Emocionada Becky contou: Eu estava fora de mim. Chorei como uma garotinha, não parava de pular. Foi incrível.
Nunca me surpreenderam assim. Eu sempre abro os presentes de Natal antes da hora certa. Que ele tenha conseguido fazer isso sem que eu soubesse é incrível”.



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O MEU QUARTO E ÚLTIMO EMPREGO – Francisco Benício dos Santos

O meu quarto e último emprego


            Era ao tempo eu que decorreram estes acontecimentos, Cândido Correia da Silva, negociante e possuidor de alguns haveres. Conhecia-me dos tempos de Conceição do Saco, onde tivera ele pequeno negócio.

            Resolveu mudar o seu negócio para a Rua da Lama, hoje, “doutor Seabra”, para a casa em cujo local hoje está a Farmácia Carvalho. Estava a casa pronta, só faltava a pintura. Pedi-lhe o seu consentimento para que trabalhasse como ajudante de pintor. Consentiu.

            Terminada a pintura, convidou-me para ser empregado. Aceito como uma dádiva do céu, o convite. Era seu empregado e gerente, o seu filho Thadeu, já falecido.

            Não me marcou ordenado, e eu fazia as refeições em casa de sua família. O tempo que ali passei,  não me recordo, não chegou, porém, a um ano.

            Há dias que vinha notando no meu patrão, modos grosseiros comigo, receios e desconfiança.

            Eu morava na república dos pedreiros, onde eles, aos sábados, faziam bailes, para os quais eram convidados as mundanas e rapazes desocupados. Eu também tomava parte nestas festas, pois lá morava.

            Acho e julgo que por esse motivo, gerou-se o espírito do homem, a ideia de que eu estava lhe prejudicando, ou roubando a sua casa, e começou a desconfiar de mim e por à prova a minha honestidade.

            Um dia, pela manhã, ele, acompanhado de diversas pessoas, antes de abrir o comércio, penetrou na república onde eu residia, chamou-me, e, na vista de todos os presentes e dos companheiros de morada, abriu minha velha mala, remexeu a pouca roupa que tinha (molambos e uma coberta de três contos, já usada) sem nada, graças a Deus, encontrar.

            Ficou contrariado por não ter dado resultado satisfatório a sua infeliz diligência e disse-me grosseiramente:

            - Não vá me dar um tiro na tocaia, não.

            Coitado de mim e coitado dele. Sofri imensamente. Sofri amargamente. Não sei como não sucumbi de dor e de vergonha. Santo Jesus! Quanto mais se eu fosse culpado...

            Quedei-me preso de forte depressão nervosa, com vergonha de tudo e de todos. Tinha medo da própria casa. Não podia suportar o olhar de pessoa alguma, parecia que todos me culpavam. Não sei como não tentei contra a existência. Deus é muito bom e não consentiu que eu pensasse em tal.

            Envergonhado, sucumbido, acabrunhado, resolvi ir embora. É verdade que a minha consciência estava livre, e que ninguém encontrou na minha mala nada alheio. Saí-me bem da terrível prova. Porém ficava a desfeita, a vergonha e os comentários gratuitos e levianos. 

            Disposto a ir para São Paulo, saí à noite, às ocultas, com vergonha do mundo e temendo a maldade humana, para Água Branca e para a casa de Domingos Silva, meu amigo e meu inquilino, que me acolheu carinhosamente, dando-me guarida, comida, dormida e conforto moral ao meu sequioso espírito, encorajando-me para a luta e para enfrentar a vida.

            Foi-me um grande consolo e apoio moral.

           Devo aqui consignar que, da casa de palhas, a cozinha já estava coberta de telhas e que Domingos Silva, sócio de José Kruschewsky, nela era estabelecido,  com molhados e compra de cacau.

            Encorajado e resoluto, voltei para Tabocas mais animado.

            O velho Domingos Lopes (cujo nome é dado a uma das ruas de Itabuna), era estabelecido onde está hoje a casa dos meus, com negócios de importação de fumo, toucinho e feijão, de  Teófilo Otoni, Minas. Tendo sabido da injustiça por mim sofrida chamou-me a casa e paternalmente, santamente, disse-me:

            - Coragem, rapaz, calma, e atente bem, com destemor, resignação e economia, vencem-se as maiores dificuldades da vida.

          Isso me disse com um meigo sorriso.

            - Não vá a São Paulo, fique aqui. Venda a sua casinha e bote uma “cachacinha” (um pequeno negócio).

            Fez-me imenso bem o seu conselho, foi como se um bálsamo, ou como um fluido magnético me envolvesse. Tremi, chorei e, confortado, aceitei o seu conselho santo, justo e caridoso.

            Ele fora apenas o portador da mensagem de Jesus e Nossa Senhora do Rosário, e dos meus guias, que me falaram pela boca de Domingos.

            Belo caráter, austero, nobre, justiceiro, probo e, sobretudo bom.

            Deus, lá de cima onde está o velho Lopes, lhe pague o bem que me fez cujos conselhos decidiram, de todo, o meu futuro e a minha existência. Deus ilumine e guie o seu nobre espírito.

            Também agradeço a Deus a dor purificadora, a mágoa que me causou a ignorância do meu patrão. Sem ela, sem o seu estímulo, talvez eu não tivesse despertado para o cumprimento da minha missão aqui na terra.

            Deus é muito bom. Deus lhe perdoe como eu há muito lhe perdoei e do fundo, do íntimo do meu ser, lhe perdoo o mal que me fez que sem ele eu não seria nada na terra; sua maldade é que me despertou para enfrentar a vida, com alegria e coragem.


(MEMÓRIAS DE CHICO BENÍCIO)

Francisco Benício dos Santos

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