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terça-feira, 14 de novembro de 2017

UM COMOVENTE DEPOIMENTO DO CINEGRAFISTA QUE TRABALHOU ANOS COM WILLIAM WAACK.

O velho Waack


“Eu sou preto.

Já trabalhei com ele na França, em Portugal, na Espanha, na Índia e em São Paulo.

Nesta caminhada de 30 anos, fazendo imagens e contando histórias, poucos colegas foram tão solidários quanto o velho Waack. Ele faz parte dos pouquíssimos globais que carregam o tripé para o repórter cinematográfico preto ou branco. Na verdade, não me lembro de ninguém na Globo que o faça. O velho sabe para que serve cada botão da câmera e o peso do tripé.

Quando um preto sugere um restaurante mais simples, ele não dá atenção porque paga a conta dos colegas que ganham menos no restaurante melhor.

Como ele fez piada idiota de preto, ele faz dele próprio, suas olheiras, velhice etc.

O que a Globo mais tem são mocinhos e mocinhas de cabelos arrumadinhos, vindos da PUC ou da USP, que são moldados ao jeito da casa.

Posso dar o exemplo de quando estávamos gravando uma passagem no meio da rua, onde havia um acidente, e sugeri a uma patricinha repórter que prendesse o cabelo devido ao vento. Ela o fez. Gravamos na correria porque estávamos a duas horas do RJ. No dia seguinte, na redação, que aparece no cenário do JN, ela comenta:

— Você viu a matéria ontem?

— Não.

— Sobrou uma ponta do cabelo, fiquei parecendo uma empregada doméstica.

Ao que respondi:

— Eu sou repórter cinematográfico, cabeleireiro não havia na equipe.

Posso lembrar-me de muitas coisas como, quando fazíamos uma matéria para o Fantástico, uma mesa de discussão, e, ao ouvido, ouço o repórter falar.

— Põe aquela pretinha mais para trás.

Isto faz parte do cotidiano. Os verdadeiros racistas estão por todas as partes, mas são discretos.

Também tem a famosa, que chegou ao prédio onde vive, e uma moradora (namorada de um amigo) segurou o elevador.

A famosa negra não agradeceu, e ficou de braços cruzados. O elevador começou a subir.

Jornalista Famosa:

— Você não sabe qual é o meu andar?

— Sei, mas não sou sua empregada.

No vídeo, ela é uma “querida”, jamais trata mal o entrevistado, se estiver gravando…

Voltando ao "racista" William Waack:

Quando íamos para a Índia — eu vivia em Lisboa — fui três dias antes para Londres, de onde partiríamos para Dheli.

Eu ia ficar em um hotel, mas o racista que havia trabalhado comigo até então somente uma vez em Cannes convidou-me para ficar em sua casa, onde vivia com esposa e dois filhos, esposa essa a quem ele, 'preconceituosamente', chamava de “flaca” devido à sua magreza. Eu via como uma forma de carinho.Comemos, bebemos bom vinho e, em nenhum momento, alguém quis se mostrar mais erudito que eu, nem mais racista.”

Gil Moura


Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

SANTA MÃE DA PIEDADE – Ruth Caldas

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original

Santa Mãe da Piedade

Aqui é a Casa de Deus,
Aqui é a Porta do Céu,
Aqui também é a casa
Da nossa Mãe Piedade.
Viemos aqui agradecer
Por sua intercessão
Pedindo a seu filho Jesus
Ajudai-nos a sermos irmãos;
Missionária e servidora no reino de Jesus
Intercedei mesmo nas dores
Dos seus filhos pecadores
Santa Mãe da Piedade rogai por nós,
Queremos te venerar
Com dedicação e amor;
Viemos aqui na Casa de Deus
Te louvar e agradecer
Oh Mãe da Piedade!


Ruth Caldas
Paróquia Nossa Senhora da Piedade
Comunidade Nossa Senhora Aparecida
Bairro Maria Pinheiro
ITABUNA/BA.

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DESCRÉDITO NAS SENTENÇAS DO STF PÕE EM RISCO A SEGURANÇA JURÍDICA, DIZEM MILITARES

13/11/2017
O Clube Militar, em texto assinado por seu Editor de Opinião, General Clovis Purper Bandeira, chama a atenção para a deterioração das relações entre os poderes da República e,
particularmente, do Judiciário. O general questiona, por exemplo, por que o STF analisou os casos da extradição de um terrorista e do afastamento de político, se as decisões do Supremo não tiveram nenhum efeito: “Ambos os casos foram enviados ao STF para quê? Para saber seu palpite?”. E critica o aparelhamento da Corte: “essa divisão do Supremo – em STF e STF do B – provoca o descrédito na firmeza e na imparcialidade das sentenças, pondo em risco a segurança jurídica”

Leia abaixo o texto do Clube Militar:

“É uma experiência que se repete eternamente que todo homem que tenha o poder é levado a dele abusar, avançando até encontrar limites… Para que não possa abusar do poder, é preciso que, por disposições constitucionais, o poder freie o poder… O legislador não pode ao mesmo tempo ser juiz… 
Tudo estaria perdido se o mesmo grupo de pessoas exercesse o poder de fazer leis e também o de julgar delitos…”

Também me ensinaram que decisões da Justiça são para ser cumpridas, não discutidas.
Nos últimos tempos, não sinto tanta firmeza nos antigos adágios.

Os limites entre as atribuições e prerrogativas dos poderes constitucionais tornam-se cada vez menos claros: casos idênticos têm sentenças distintas, o Legislativo julga, o Judiciário
legisla, o Executivo compra votos e sentenças dos outros poderes.

Há mais de duzentos e cinquenta anos Montesquieu já alertava contra os perigos dessa prática. Sua advertência nos deveria fazer pensar Tudo passa, nos confusos tempos que vivemos, a ser relativo e discutível.

O STF julga que um terrorista internacional deve ser extraditado para o país onde foi condenado. Mas devolve ao Executivo a responsabilidade de executar ou não a decisão, e o Presidente resolve não a cumprir. 

O STF decide cassar o mandato de um político, devolve
o processo à casa legislativa, e esta reintegra o condenado. Ambos os casos foram enviados ao STF para quê? Para saber seu palpite?

Se não cabe ao Judiciário a última palavra num processo, é o caso de remetê-lo ao STF?

Quanto à nossa corte suprema, é nítida sua divisão ideológica. Alguns ministros, gratos ao partido que os nomeou, abrem mão de sua independência funcional e profissional, votando sempre de acordo com os interesses políticos de seus mentores. Não é raro, também, ministros votarem de maneira contraditória no julgamento de dois casos praticamente iguais.

As duas turmas de ministros atuam como dois tribunais, muitas vezes antagônicos. Os acusados esforçam-se para serem julgados pela turma que, muito provavelmente, lhes será favorável.

A decisão por 6×5, uma raridade histórica, tem sido cada vez mais comum. A Presidente da casa tem que dar o voto decisivo, o de Minerva, após empate por 5×5 no plenário.

Essa divisão do Supremo – em STF e STF do B – provoca o descrédito na firmeza e na imparcialidade das sentenças, pondo em risco a segurança jurídica, um dos fundamentos do estado democrático de direito, tão cantado em prosa e verso.



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LANÇAMENTO: Renato de Oliveira Prata - Pequena Antologia Poética

C O N V I T E
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Renato Prata


Renato de Oliveira Prata é natural de Itabuna – Bahia. Graduou-se em Direito pela faculdade de Direito. Exerceu profissionalmente a função de Auditor Fiscal do Ministério da Fazenda.

Apesar de ter produzido desde a sua juventude, apenas após a aposentadoria é que Renato passa a dedicar-se exclusivamente à literatura. Participou das antologias “Poetas da Bahia II” (Expogeo, 2002) e “Poetas da Bahia III” (Expogeo, 2015). Foi vencedor do Prêmio Brasken de Cultura e Arte, na categoria poesia em 2003 e teve publicada pela Fundação Casa de Jorge Amado a sua obra “Sob o cerco de Muros e Pássaros”. Publicou ainda dois outros livros de poesia: “A quinta estação” (Edição do autor, 2009) e “A pulseira do tempo” (Mondrongo, 2012).

Em 2014 foi selecionado como vencedor na categoria poesia da primeira edição do selo João Ubaldo Ribeiro, com sua obra “Mar interior”, participando da publicação da primeira coleção em fevereiro de 2016. Renato é membro da Academia de Letras de Itabuna-ALITA, onde ocupa a cadeira de nº 20.
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Contato



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domingo, 12 de novembro de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA UM POEMA: Amar – Carlos Drummond de Andrade

Amar – Carlos Drummond de Andrade
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Por Fabio Rocha, para A Magia da Poesia.

Desde 1999, este projeto divulga poemas de grandes poetas sem erros ou falsas autorias. Hoje temos uma média de 5 mil visitantes por dia, muitos desses sendo estudantes e professores.
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Ligue o vídeo abaixo:

Amar

Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o cru,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, 
e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, 
e na secura nossa,
amar a água implícita, e o beijo tácito, 
e a sede infinita.



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A TELEVISÃO ME DEIXOU BURRO, MUITO BURRO DEMAIS!

10 abril 2011


Não, eu não vou escrever contra a televisão. Não é este meu propósito quando sentei aqui para redigir este texto.

Esta semana falou-se muito sobre terrorismo, sobre demências, psicopatas e principalmente sobre a violência. Quem toma sempre a frente para discutir assuntos dessa estirpe é a mídia. Não vou fazer uma apologia anti-mídia, pois seria hipócrita e desnecessário, mas queria expor alguns pontos que noto de incoerência e sensacionalismo.

Um garoto de 23 anos invade uma escola carioca armado com muita munição, dispara e mata onze crianças, deixa outras tantas feridas e depois de ser atingido por um disparo de um policial, ele supostamente se mata na escadaria da escola.

Pessoas se desesperam com a cena. É trágico, é triste e acima de tudo é novo! Não é comum neste país tropical abençoado por Deus, fatos como este. Isso é coisa de gringo, aqui a gente tem CPI de tudo quanto é coisa, aqui a gente tem dinheiro na cueca, morro que desaba, guerra civil do tráfico de drogas e armas (ainda voltamos a este assunto), contudo não estamos acostumados a noticiar transtornos sociais que resultam em assassinatos em massa.

Ouvi muita m.... essa semana, muitos entendidos de segurança pública, muitos mímicos do Freud, muitos alarmistas, enfim, todos precisam entender ou tentar explicar algo que por si só já é claro o suficiente. O garoto chegou ao limite dele e surtou, se está certo ou não como podemos saber? Os assassinatos são crimes, isso é fato, é o que a lei nos diz, os crimes devem ser julgados e sentenciados. Todavia tantos julgamentos já foram feitos, inclusive por pessoas públicas formadoras de opinião e muitos nomes já foram atribuídos ao jovem sem ao menos tentar entender todo o cenário deste drama com final trágico!

Naquela manhã eu confesso que estava tomando café e assistindo (a aspirante a Ophra do Brasil) Ana Maria Braga. Mais uma vez ela estava falando de Bullying para a dona de casa entender. Eu pensei: - Porra, essa m.... de novo, parece que ela quer é promover o bullying e não tentar entendê-lo e discutir sobre.

O pensamento mal acabou de ser formulado e já entra uma repórter desesperada salivando o acontecimento na escola. Ela estava com várias notícias desencontradas, no começo era o pai de um aluno que estava armado, depois disse ser traficante, depois um ex-namorado. Foi um tiroteio de informações e dali por diante se você quisesse ver televisão aberta nacional, estava condenado ao vômito de informações não depuradas, a jornalistas histéricos, a plantões segundo a segundo cheios de pleonasmos e redundâncias.

Eu fiquei mal com as primeiras reportagens, mas depois comecei a prestar atenção no desenho que se fazia ali. Eles estavam se alimentando do caso, não informando. Chegou ao cúmulo de uma tia da prima do vizinho de alguma das crianças vítimas do atentado, dar entrevista. E eu vou querer saber o que a tia da prima do vizinho tem a dizer? Fui saindo do estado de telespectador para estado de observadora do trabalho midiático.

Dois dias após o acontecimento, até o carteiro que passava na rua após o incidente era entrevistado:

- Ficou triste agora de entregar cartas, né? Você conhecia as crianças?

Deprimente!

Hoje domingo, vejo um programa desses que não tem formato definido e no meio de tudo que empurram goela abaixo do pobre telespectador, eles querem ser agente de notícias também. Ora, entre mulheres seminuas e provas com torta na cara, há sempre espaço para a seriedade do jornalismo, não é mesmo?!

A âncora (ou apresentador ou macaco de auditório, como preferir) dizia que se as crianças notassem comportamentos estranhos dos “coleguinhas” que deveriam denunciar, pois ele pode estar escondendo um transtorno psicológico ou algo do tipo. Eu assistia com a minha mãe que é uma vítima perfeita dessa mídia maldita e afetada e soltei um puta que pariu bem sonoro, ela se virou e me perguntou o porquê da blasfêmia, daí começou o interesse em escrever e desabafar minha angustia e minha tristeza para com essa fanfarra que fazem em cima das tragédias.

Eu não sou jornalista, alias tenho um respeito enorme pela profissão. Porém acredito que como profissional você TEM que ser imparcial, ou então seria um comentarista, um colunista, qualquer coisa que termine com “ista”, incluindo fascista!

Não vou defender o garoto que entrou atirando na escola. Não preciso defendê-lo, até porque ele já está morto e o pobre coitado corre o risco de ser enterrado como indigente. Muitas pessoas comemoram essa situação, o fato dele não ter ninguém para reconhecê-lo no IML e eu lamento isso percebendo aí o começo de todo o desastre, esse garoto é tão vítima do verdadeiro assassino quanto qualquer criança que tenha morrido através das balas de seu revolver.

As armas que ele tinha em mãos, ele não comprou no supermercado, ele não ganhou do papai-noel. Essas armas são oriundas do trafico e do contrabando, vendo esses apresentadores de TV, gritando aos quatro ventos que o moleque é assassino, covarde e o pior dos seres humanos, indago: será que este cidadão que é uma figura pública lembra-se disso quando acende seu baseado ou encara aquela carreira?

Pura demagogia maldita. No fundo todos sustentam o tráfico e o pior, nós que giramos a manivela que faz a maquina funcionar. Somos todos escravos das coisas que nos falam via televisão, internet e rádio, fora as mídias impressas. O garoto era um garoto qualquer, se ele sofreu abusos psicológicos e físicos, se era gay, se era verde, se roubava, cheirava ou amava, agora não faz mais diferença, pois não irá trazer nem ele e nem as crianças que ele matou de volta. Todos os dias crianças morrem, mas talvez porque sua TV não dê importância para elas, você também não dá.

O que é inaceitável é o estado critico que se forma com relação ao assassino e o perigo da generalização. Uma figura publica dizer que as crianças devem se atentar para comportamentos estranhos dos “coleguinhas” é aterrorizante. Não tem como classificar um comportamento estranho, o que seria este comportamento estranho? Com discursos imbecis só se licita mais a intolerância com o diferente, promove o preconceito (o que é normal para mim pode ser estranho para você) e faz com que andemos para trás.

A mídia vampiresca, esta que está aí, mais interessada em entreter dona de casa do que informar. Esta mídia que julga e joga um jovem como principal culpado de um atentado sem precedentes como este, essa mídia covarde que não assume a sua culpa dentro deste caos, ela sim deveria ser julgada e condenada...

Não quero soar como anti-mídia, mesmo soando, de fato mesmo sendo, não quero cair nessa armadilha que é se posicionar oficialmente contra algo que é elementar para a construção da comunicação social e com o risco claro e certo de ser chamada de hipócrita, este é um pequeno manifesto individual de alguém cansada de ser chamada de burra!
Tenho um compromisso comigo de ser a mudança que eu quero ver, interminavelmente caminhando para atingir uma comunicação plena, sem ruídos, de promover um telespectador mais critico, uma mídia mais responsável e não tão circense.

No momento sinto vergonha e decepção por tudo que leio e assisto, ao me deparar com esta avalanche de bobagem penso que não há espaço para verdade enquanto todos se esconderem da responsabilidade que é ter sua própria opinião, ter realmente uma própria opinião e não uma opinião própria alienada.

Muitas crianças ainda vão morrer se continuarmos focando no problema errado, se não for diagnosticado agora o estado psicológico que estamos vivendo, se não nos atentarmos para as coisas que escutamos e fizermos uma triagem de informações, seremos como gados conduzidos para o abate!

Parafraseando Howard Beale em Network de 1976:
"I am a HUMAN BEING, God damn it! My life has VALUE!"
 O valor da sua vida é você quem determina!

(Autor não mencionado)



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PALAVRA DA SALVAÇÃO (52)

32º Domingo do Tempo Comum - 12 de Novembro de 2017

O noivo está chegando. Ide ao seu encontro.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 25,1-13
-  Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo,
disse Jesus, a seus discípulos, esta parábola:

O Reino dos Céus é como a história das dez jovens que pegaram suas lâmpadas de óleo e saíram ao encontro do noivo.
Cinco delas eram imprevidentes, e as outras cinco eram previdentes.
As imprevidentes pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram óleo consigo.
As previdentes, porém, levaram vasilhas com óleo junto com as lâmpadas.
O noivo estava demorando e todas elas acabaram cochilando e dormindo.
No meio da noite, ouviu-se um grito: O noivo está chegando. Ide ao seu encontro!
Então as dez jovens se levantaram e prepararam as lâmpadas.
As imprevidentes disseram às previdentes: Dai-nos um pouco de óleo, porque nossas lâmpadas estão se apagando.
As previdentes responderam: De modo nenhum, porque o óleo pode ser insuficiente para nós e para vós. É melhor irdes comprar aos vendedores'.
Enquanto elas foram comprar óleo, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento. E a porta se fechou.
Por fim, chegaram também as outras jovens e disseram: Senhor! Senhor! Abre-nos a porta!
Ele, porém, respondeu: Em verdade eu vos digo: Não vos conheço!
Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia, nem a hora.

Palavra da Salvação.
Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão de Dom Alberto Taveira Corrêa:

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O Azeite da vida que se consome iluminando

“As previdentes levaram vasilhas com azeite junto com as lâmpadas” (Mt 25,4)

Os textos destes últimos domingos do ano litúrgico nos convidam a velar, a estar preparados, a viver despertos. Deus não nos espera no final do caminho para nos submeter a um juízo; Ele está dentro de nós todos os instantes de nossa vida, inspirando-nos, para que possamos viver com mais plenitude e sentido. Interpretar a parábola deste domingo(32º Dom TC) no sentido de que devemos estar preparados para o dia da morte é falsificar o evangelho. Esperar passivamente uma vinda futura de Jesus não tem sentido, pois Ele já disse a seus discípulos: “Eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.

A parábola não está centrada no fim, mas na inutilidade de uma espera que não é acompanhada de uma atitude de amor e de serviço. As lâmpadas devem estar sempre acesas; se esperamos para prepará-las no último momento, perderemos a oportunidade de entrar para a festa de casamento.

A ideia que muitas vezes temos de uma vida futura esvazia a vida presente até o ponto de reduzi-la a uma incômoda “sala de espera”. A preocupação pelo “mais além” nos impede assumir com mais intensidade o tempo que nos cabe viver. A vida presente tem pleno sentido por si mesma. O que projetamos para o futuro já está acontecendo aqui e agora, e está ao nosso alcance; aqui e agora podemos viver a eternidade, já que podemos nos conectar com o que há de Deus em nós; aqui e agora podemos alcançar nossa plenitude, porque sendo morada de Deus, temos tudo ao alcance da mão.

A “chave de leitura” da parábola “das dez virgens” está na falta de azeite para que as lâmpadas possam permanecer acesas. O relato é tirado da vida cotidiana. Depois de um ano ou mais de noivado, celebrava-se a festa de casamento, que consistia em conduzir a noiva à casa do noivo, onde acontecia o banquete. Esta cerimônia não tinha um caráter religioso. O noivo, acompanhado de seus amigos e parentes, ia à casa da noiva para buscá-la e conduzi-la à sua própria casa; na casa da noiva, encontravam-se suas amigas que a acompanhariam no trajeto e participariam da festa. Todos estes rituais começavam com o pôr-do-sol e avançavam noite adentro, daí a necessidade das lâmpadas para poder caminhar.

A importância do relato não está no noivo, nem na noiva, nem sequem nas acompanhantes. O que o relato destaca é a luz. A luz é mais importante porque o que determina a entrada no banquete é que as jovens tenham as lâmpadas acesas. Uma acompanhante sem luz não tinha como fazer parte no cortejo nupcial. Pois bem, para que uma lamparina consiga iluminar é preciso ter azeite. Aqui está o ponto chave. O importante é a luz, mas o que é preciso para alimentá-la é o azeite.

Que é o azeite que alimenta a lamparina? São as reservas insondáveis de potencialidades criativas, de recursos inspiradores, de dinamismos vitais, de forças latentes, de energias sadias, de desejos oblativos... presentes nas profundezas do coração humano, e que o impulsionam a viver em sintonia com tudo o que acontece ao seu redor; o azeite é constituído pelas riquezas do próprio ser, as beatitudes originais, as intuições, os valores... que alimentam a autonomia, a autoria, a criatividade, a iniciativa, o espírito de busca, a capacidade de sonhar... Trata-se do “tesouro do ser”, conservado em sua mensagem essencial, e que pode tornar-se a energia que alimenta a luz da vida, a sabedoria da própria existência; o azeite é tudo aquilo que é nutriente, fecundo, iluminante... e que se expressa como contínua fonte de renovação; azeite é vida interior expansiva que se revela e que se consome nos encontros, na interação e na comunhão com os outros...; em resumo, azeite é o que há de mais divino no interior de cada um, que precisa ser descoberto, reconhecido e ativado para tornar-se luz.

No entanto, só quem vive a partir das raízes do próprio ser, só quem tem acesso à própria interioridade, descobre a presença do azeite que pode ser ativado para dar um novo significado e sentido à própria vida. É isso que a parábola do evangelho de hoje nos alerta: é preciso estar desperto e sintonizado com o azeite interior para poder alimentar a luz da vida e corresponder às vozes surpreendentes que vão surgindo.
“No meio da noite ouviu-se um grito: eis que chega o noivo! Saí ao seu encontro”.

É uma convocação urgente a sair do sono da distração e da trivialidade que talvez nos tem aprisionado, durante muito tempo, àquilo que é acessório e que nos provoca a viver à espera do essencial, atraídos por um impulso que nos move por dentro, ou seja, o desejo de vida plena.

Com os distraídos não se pode ir muito longe; dizendo melhor; distraídos são que vivem do momento e não pensam no depois. Seduzidos por estímulos ambientais, envolvidos por apelos vindos de fora, cativados pelas luzes artificiais, os distraídos perdem a direção da fonte provedora de azeite em seu interior; dormem e acordam sem luz em suas vidas.. Quem anda distraído, disperso e surfando na superfície de si mesmo, acaba perdendo as grandes oportunidades que a vida lhe oferece. Por isso, ser “sensato” é viver com sentido, atento e desperto às surpresas da vida. Para quem está desperto, sua vida interior torna-se uma fonte inesgotável de energia, de dinamismo e criatividade. Assim se entende porque as jovens prudentes não compartilhem o azeite com as imprudentes. Não se trata de egoísmo: é que a lâmpada não pode arder com o azeite do outro. A chama, à qual se refere a parábola, não pode ser acesa com o azeite comprado ou emprestado.

Sabemos que o azeite só ilumina quando se consome. Nossa vida revela pleno sentido e alcança seu fim quando desaparecemos, consumindo-nos no serviço aos outros. Quando a chama da vida está acesa, cresce em nós a consciência de que somos luz na medida em que nos gastamos na nobre missão de iluminar nosso entorno, até chegarmos a ser cera derretida.

Vivemos imersos num oceano de luz; carregamos dentro a força da luz. Ela sempre está aí, disponível; basta abrir-nos a ela com a disposição de acolhê-la e de fazer as transformações que ela inspira. A Luz é força fecundante, princípio ativo, condição indispensável para que haja vida. Somos luz quando expandimos nosso verdadeiro ser, ou seja, quando transcendemos e vamos mais além, desbloqueando as ricas possibilidades e recursos presentes em nosso interior. O que há de luz em nosso interior pode chegar aos outros através das obras. Toda ação realizada com amor e compaixão, é luz.

Encantam-nos os cristãos antenados que, cada dia, alimentam sua fé, sua esperança com pequenas coisas, com pequenos detalhes e gestos de amor carregados de luz; cada dia, aprofundam um pouco mais na experiência do Evangelho, mantendo sempre suas lâmpadas acesas, atentos à passagem e às pegadas de Deus por suas vidas; e, sobretudo, carregam sempre reservas de azeite para acolher com alegria a chegada surpresa d’Aquele que sempre está vindo ao seu encontro.

Encantam-nos os cristãos comprometidos que sabem que o azeite se consome, a fé se debilita, a esperança se apaga e amor atrofia quando não são alimentados com o azeite sempre novo em reserva nos seus corações.

Texto bíblico:   Mt 25,1-13 

Na oração: Dentro de ti deves descobrir o azeite. Se o descobres, dará luz que alumiará teus passos. Essa chama, se é autêntica, não pode se ocultar, pois iluminará também os outros, ativando neles a luz ainda escondida.
Tens que descobrir teu próprio azeite; ninguém pode te emprestá-lo, porque é tua própria vida.
Toda a vida se move de dentro para fora. Azeite que se consome na nobre missão de iluminar.
- Qual é o “azeite original” de teu interior, que inspira tua vida e te move a ser presença iluminante?

Pe. Adroaldo Palaoro sj

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