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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

RETA FINAL DO FUTEBOL INTEREMPRESAS NA AABB ITABUNA

Itabuna e Buerarema fazem as semifinais do Citadino da AABB

Aragão Plásticos, Clínica COTEF e Drogarias Velanes, de Itabuna, mais Thumy Gás, de Buerarema, são as quatro equipes semifinalistas do XII Campeonato Citadino de Futebol MiniCampo da AABB Itabuna. Os jogos de ida são neste sábado (29) à tarde, com os seguintes encontros:
15h00 – Clínica COTEF x Drogarias Velanes
16h10 – Aragão Plásticos x Thumy Gás
Os jogos de volta, exatamente com os mesmos times e na mesma ordem, acontecem no sábado seguinte (05/11). Sempre nos campos de grama natural e grama sintética da AABB.
De acordo com o regulamento, não existe vantagem prévia (resultados iguais) para nenhum dos quatro times. Vale a soma dos resultados dos dois jogos. Persistindo o empate, não haverá prorrogação: a disputa vai direto para a cobrança de pênaltis, decidindo-se assim quem serão os finalistas. 
O Citadino é o maior campeonato entre empresas do sul da Bahia. Conta com jogadores que já disputaram vários campeonatos pelo País, inclusive por clubes da Série A (1ª Divisão) do Campeonato Brasileiro.
No horário dos jogos, a entrada e o estacionamento dentro do clube estão liberados. A AABB disponibiliza serviços de lanchonete e bar ao lado do campo, além de oferecer parque infantil e áreas verdes para as crianças brincarem enquanto os pais assistem aos jogos.

Foto:
João e Rodrigo Xavier, mais Marcos Lima (dir. p/ esq.), são os organizadores.
Contatos (DDD 73) – João Xavier: 9.9138-3444 (Tim), Rodrigo Xavier: 9.8853-4607 (Oi) e Marcos Lima: 9.9152-6360 (Tim).
Assessoria de Imprensa – Carlos Malluta: (DDD 73) 9.8877-7701 (Oi) / 9.9133-4523 (Tim)

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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

LEMBRANÇAS DOS MEUS AVÓS PATERNOS – Eglê S Machado

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Lembranças dos meus avós paternos

Ou:  “Oh! Que saudade que tenho da aurora da minha vida...” *
             Emocionantes! São minhas lembranças relacionadas aos meus avós paternos José Pedro e Hercília Melgaço, essas duas criaturas que me tocaram o coração, e levam-me a sentir como se ainda hoje estivesse vivendo  o passado, anos atrás.
             Ela, a ternura em pessoa, abençoava os netos um a um, quando entrávamos na sua casa sempre asseada e aconchegante, todos nós carregando feixes de lenha para abastecer sua cozinha. Ele, olhar sério e firme, mas demonstrando muita bondade e paz. Éramos oito netos, às vezes mais um ou dois amiguinhos que iam conosco. A diferença de idade era sempre entre 1 a 2 anos de um para outro.
             Passávamos por um pequeno corredor entre a sala de visitas e a copa (chamada sala de janta). No meio desse corredor um quarto sempre aberto porque não havia uma porta para fechá-lo, onde o vovô ficava deitado ou sentado na cama. Um por um, entrávamos na sala de visitas que era mantida aberta o dia todo, passávamos pelo tal corredor  em fila indiana forçada porque o espaço era bem estreito, dávamos uma leve  paradinha em frente do quarto, saudávamos  o vovô dizendo: bença vovô?  Ele respondia: çoe!... Um por um: Bença vovô? – çoe!... Bença vovô? – çoe!... Bença vovô? –Çoe!...
             Chegávamos à sala de jantar e logo adentrávamos a cozinha: Bença vovó? – Deus abençoe!... Um por um: Bença vovó? – Deus abençoe!... Bença vovó? - Deus abençoe!...
            A vovó Hercília sorria para nós, terna e carinhosamente. Inesquecíveis aqueles cabelos branquinhos, o vestido de fustão justo na cintura,  com a saia franzida... Tão limpinho... Justamente o oposto das nossas vestes cheias de nódoas de bananas e amarrotadas por causa das nossas estripulias.
            No grande fogão a lenha o café fumegava perfumado, seu feijão  tinha um aroma sem igual.            
            Passávamos da cozinha para uma pequena área e ali  jogávamos os feixes de lenha ( bráááááh), no  canto da parede abaixo de uma janela que trazia iluminação solar  para  a sala de refeições e para o corredor; essa parede era toda descascada e esburacada de tanto receber lenha. Nessa mesma área, mais perto do degrau que descia para o quintal havia um banquinho baixo onde o vovô sentava-se quando não estava no quarto. Aí ele tocava sua viola, interrompendo apenas quando a vovó lhe servia uma fumegante xícara de café. Eu sempre ficava impressionada com o vovô Zé Pedro por dois fatos infalíveis: se estava tomando café, ao final emborcava a xícara no pires; se tocava viola, era sempre a mesma canção formada por nove notas, repetindo-as sempre no mesmo tom. Sua música não tinha letra, não tinha fim... Nunca o ouvi cantar, só tocar... Tocar... Tocar... O vovô falava tão pouco com a gente!... Mas tocava viola e para mim até hoje sua voz era o som da viola.
            Também me impressionavam as camisas do vovô: tecido claro listradinho, com gola de padre, todas parecidas.
            Vovô José Pedro e vovó Hercília moraram por alguns anos, na Fazenda Poço Fundo que era administrada pelo papai; acho que de três a quatro anos. À época eu teria talvez sete ou oito anos e já observava  tratar-se de um acordo, uma espécie de rodízio entre papai e seus irmãos que também administravam fazendas; os vovós ficavam por um tempo com um dos filhos, iam para outro, até completar  a estadia com os oito filhos. Aí começava tudo de novo. E eles, os vovós eram felizes. E eles nos faziam felizes!
             Era uma festa quando os irmãos se reuniam em casa de um deles. Reuniam-se sempre na mesma fazenda em que vovó e vovô se encontravam.  Era fascinante vê-los chegando pouco a pouco, como heróis nas suas elegantes e  lustrosas montarias. Trajavam uma vestimenta para montaria que se chamava “culote”, botas e chapéus de qualidade. Acompanhava-os suas esposas e um ou dois dos filhos mais velhos. Era uma felicidade para os vovós e uma grande farra para as crianças. Após o jantar cujo prato principal era sempre galinha ao molho pardo, ou pato, se recolhia os pratos e a toalha da mesa e  seguiam as conversas e risadas animadas até altas horas. Até a hora de irem para a cama, as crianças participavam de tudo, sentadas no chão da grande sala, quietas e admiradas da sabedoria dos adultos. As visitas duravam quase sempre da sexta feira até o amanhecer da segunda feira.
            E eles partiam  deixando nos corações aquela saudade feliz. Antes da partida já se planejava para quando e onde seria o próximo encontro. Ao se despedirem os tios ofereciam algumas moedas para as crianças, as tias afagavam-lhes os cabelos. Tios e tias, um por um tomavam-lhes a mão direita, as abençoavam e delas se despediam com grande afeto.
            Voltava-se à normalidade,  se é que se pode chamar de normal a vida maravilhosa e sempre cheia de  novidades sem fim que se levava na fazenda, à atenção responsável dos nossos pais e, principalmente à terna benevolência de vovô José Pedro e vovó Hercília, a luta dos dois para  serem felizes e praticarem esta arte a cada dia. Ao recordá-los, após tantos anos revivo emocionada a companhia doce e fortalecedora dos meus avós e os classifico como “os raros santos da terra, que até hoje me levam a cultivar a felicidade, a despeito dos contratempos da vida”.

Eglê S Machado
Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


*Casimiro de Abreu

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JOÃO UBALDO RIBEIRO: UMA REFERÊNCIA – Sione Porto

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João Ubaldo Ribeiro: Uma referência

Não somos brancos, negros ou índios; somos baianos. Não pertencemos, no maior rigor da palavra, a nenhuma religião, nem mesmo somos ateus; somos baianos. Não pretendemos ser melhores que ninguém. Mas somos baianos. (Trecho do discurso de posse na Academia Baiana de Letras).
À exceção de Nélson Rodrigues, Fernando Sabino e Millôr Fernandes, o escritor e jornalista João Ubaldo Ribeiro foi um dos maiores cronistas, crítico/sátiro, da literatura brasileira.
Não queria ser lembrado com um mito, e sim companheiro de pessoas comuns e humildes, a exemplo dos velhos conhecidos com que se encontrava nas manhãs ensolaradas e nas tardes amenas na Ilha de Itaparica, Bahia, onde nasceu em 23 de janeiro de 1941, local em que se refugiava nas férias de janeiro e ali escreveu boa parte de uma das mais importantes obras: Viva o povo brasileiro (1984), considerada obra máxima, um clássico da literatura, romance histórico, conteúdo da ocupação portuguesa – Estado Novo e a Ditadura, trama passada também em outros cenários como o Rio de Janeiro, São Paulo e Lisboa, no período de 1647 a 1977.
Era comum ver o mago literário João Ubaldo Ribeiro no bar e restaurante Tio Sam, no Leblon, tomando o seu chope em tulipa, onde jogava fora conversa fiada e distraída, com velhos conhecidos daquele bairro carioca, onde residia, e seus admiradores, sempre solícito, com seu vasto bigode já grisalho e sorriso largo, idêntico ao seu pai, o ilustre professor Manoel Ribeiro, sempre aos sábados, domingos e feriados.
A influência do cotidiano brasileiro e do sociopolítico foi retratada em toda sua vasta produção literária, deixando um legado inexorável para os amantes da literatura e estudantes que tentam ingressar nas universidades brasileiras – uma referência.
O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro revolucionou a literatura, com seu jeito crítico, sátiro, espirituoso, social e jornalístico.
O seu grande saber jurídico foi adquirido através do incentivo do seu pai Manoel Ribeiro, o qual era advogado, professor, jurista, político (deputado estadual em Sergipe, vereador e procurador de Salvador), além de ter feito parte da cúpula da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado baiano.
Não obstante bacharel em Direito, João Ubaldo lecionou Ciências Políticas em Salvador (BA), mas não quis seguir carreira de advogado, como o pai e o irmão Manoel Ribeiro Filho, renunciando a tudo para se tornar um escritor.
Multifacetado, amante da liberdade e das coisas simples, obteve sucesso, tornando-se um grande romancista, além de escrever livros infantis, com sabedoria e ironia, estilo singular, encontrando também em sua obra o lado lírico, telúrico e pornográfico, como no romance A casa dos budas ditosos, publicado em 1999, que inclusive foi proibido em alguns estabelecimentos.
Conheci indiretamente João Ubaldo Ribeiro através de seu pai Manoel Ribeiro, quando tive a honra de ser sua aluna, em 1980, no curso de Direito Administrativo da UCSAL (Universidade Católica de Salvador). Embora mestre rígido, exigente e sério, apresentava um humor inigualável, causando uma empatia mútua entre professor e aluna.
Criado esse elo carinhoso com o mestre Manoel Ribeiro, fumante inveterado e apreciador de um bom uísque, passamos a manter conversas sobre literatura, filosofia, economia e história, daí o seu desejo que eu viesse a conhecer o filho João Ubaldo, o qual teria afirmado o desejo de conhecer esta então estudante, a quem seu pai dedicara um carinho diferenciado, em razão de, com membro do Diretório Acadêmico da UCSAL, em 1979, termos lançado a coletânea de poema Poejusto, como também de lhe ter ofertado o meu primeiro livro editado, Mulher: poesias inéditas (1979), cujo prefácio foi do professor de Direito Internacional Público, seu conterrâneo Jayme Messeder de Suárez, exemplar esse que vi carregando várias vezes e ter me dito, pessoalmente, que o poema de folhas 29, tinha muita identificação com o seu pensamento, o que me deixou muito feliz e lisonjeada, com a certeza que está bem guardada em sua biblioteca.
Nas conversas entre aulas, aconselhava-me a seguir na carreira literária e me orientava ao hábito da leitura como aprendizado.
O desejo de Manoel Ribeiro em que eu conhecesse seu filho não foi realizado por outras circunstâncias, além de o mesmo morar em outro estado, com várias viagens pelo mundo afora. Todavia, como o destino tem os seus desígnios, através do encontro de Tadeu Ribeiro, sobrinho de João Ubaldo, com meu filho Maurício Pimenta, no Colégio Anchieta, pude manter contato com a família Ribeiro.
Traduzir João Ubaldo Ribeiro como cidadão comum é muito simples. Trabalhou na Prefeitura de Salvador como office-boy, até chegar à vaga da cadeira 34 na Academia Brasileira de Letras (ABL), antes ocupada por Carlos Alberto Castelo Branco.
Do mesmo modo, citar suas obras é perda de tempo, porque todos as conhecem. Mas vale destacar que muitas delas inspiraram outras artes como o cinema (Sargento Getúlio, 1983; Tieta do Agreste, 1996; Deus é brasileiro, 2003), a televisão (O sorriso do lagarto, 1991).
Todas e quaisquer homenagens ao grande escritor são justas, como as feitas no carnaval carioca, pela escola de samba Império da Tijuca, no desfile do ano de 1987, e o Bloco Areia, ano passado, além de lhe ser concedidos prêmios de tamanha importância, como o Prêmio Camões, em 2008.
Por tudo isso, Viva o povo brasileiro na pessoa de João Ubaldo Ribeiro, o grande, senão o maior brasileiro em seu gênero.

Sione Maria Porto de Oliveira, poetisa.

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

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terça-feira, 25 de outubro de 2016

FARÓIS DE LUZ - José Carlos Palermo

Faróis de Luz

Ao invés de determinarmos o que queremos, pois é assim que age um Filho de Deus Perfeito, ainda nos sentamos perante a nosso Pai e dizemos: Estou cansado desta vida!... Deus, tu pareces não saber os problemas que tenho!... Por que me abandonaste?... Preciso disso ou preciso daquilo!... 
Está na hora de pararmos de pedir, entendendo que quando pedimos, o fazemos por não nos sentirmos merecedores. É isso o que o nosso mental passa ao nosso racional dessa forma. 
Ao contrário de pedir, temos de começar a agradecer pelo que temos, e determinarmos a mudança que almejamos em nossa vida, nos dispondo de imediato à mudar. Mudar tudo em nossa vida, se necessário for. 
Cada um de nós tem aquilo que merece e esse merecimento vem de dentro de cada um de nós, não de um ser elevado. É uma questão de entendimento apenas. 
Reconheçamos de uma vez por todas aquilo que nossos Mestres nos vêm dizendo ao longo da nossa história, ou seja, que cada um de nós tem o poder de saber quem é, que cada um de nós tem a capacidade de saber que é mais do que parece ser. 
Aí está a questão: precisamos entender e, isso tem de ser agora, que somos nós os emissores de luz, que Jamais encontraremos solução em local algum, por melhor que seja, que não seja dentro de nós mesmos. Somos nós quem devemos levar a luz aos lugares escuros, mas ao invés disso, nos postamos de joelhos, pedindo a Deus que nos livre dessa carga! Fazendo isso, não vivenciamos o Deus que há em nós, e nos perdemos em nossa própria escuridão. 
Cada um de nós está no lugar certo e na hora certa, mas tem de acreditar nisso, do contrário, além de não ajudar no processo, será mais um a necessitar da ajuda dos que forem mais fortes e determinados. Permitamos nesse instante, que o amor de Deus que habita dentro de nós, nos inunde e nos preencha! Isso é o que chamamos de intenção, uma das energias mais fortes da Humanidade. 
É essa a sabedoria que faz com que ocorram as curas. E a cura de todas as doenças está ligada às mudanças em nosso DNA, que acontece na medida em que comecemos a ampliar nosso autoconhecimento. 
As situações em nossa vida podem ser simples ou complexas, dependendo apenas de como tratemos nossos pensamentos e sentimentos. 
De todas as guerras que possamos vivenciar, a maior delas é a que acontece nesse momento, entre a velha e a nova energia e, estamos agora, bem no meio dela. Notamos já muitos de nossos irmãos em desespero. Estamos todos no meio dessa guerra entre o velho e novo. 
Precisamos ter em nós a consciência latente, que somos eternos, pois essa é a condição necessária para a ampliação de nosso autoconhecimento. 
Sempre fomos e sempre seremos eternos! Esta vida atual é uma de muitas e nós escolhemos vir, quando a Terra tinha uma profecia de destruição. 
Não somos então, como dizem as tradições, pequenos e pecadores, somos sim co-criadores da vida com nosso Pai Maior. 
Somos nós os Faróis de Luz. 
Somos nós hoje, os mesmos seres que aqui vieram a muitos milhões de anos para evitar a destruição desse lindo planeta pelos nossos irmãos trevosos do passado, somos nós os habitantes de Mu, de Lemúria e de Atlântida. 
Já vivemos isso antes e tenhamos a consciência que podemos mudar a Terra completamente. Arregacemos as mangas e façamos o que nos propusemos antes de aqui voltarmos, que é levar a nossa Luz onde houver escuridão e, não nos desesperemos com o que passemos a ver à vossa volta, entendendo que não vivenciamos simplesmente uma guerra entre a escuridão e a luz! Mas sim, a luta do velho contra o novo! 
É uma luta entre os velhos paradigmas do planeta, contra o novo despertar da mestria que envolve a cada um de nós! 
Somos Faróis de Luz. 
Somos Filhos de Deus. 
Somos o Poder do Infinito aqui e agora. 
Luz em sua vida!

José Carlos Palermo

Enviado por: "Ucha Crystal" <uchacrystal@yahoo.com.br>

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HABEAS PINHO – Ronaldo Cunha Lima

Ronaldo Cunha Lima

Em Campina Grande, na Paraíba, em 1955, um grupo de boêmios fazia serenata numa madrugada do mês de junho, quando a polícia chegou e apreendeu o violão.
Decepcionado, o grupo recorreu aos serviços do advogado Ronaldo Cunha Lima, recentemente saído da faculdade e que também apreciava uma boa seresta. Ele peticionou em Juízo, para que fosse liberado o violão.
Esse petitório ficou conhecido como “Habeas Pinho” e enfeita as paredes de escritórios de muitos advogados e bares em praias do Nordeste.
Mais tarde, Ronaldo Cunha Lima foi eleito deputado estadual, prefeito de Campina Grande (cassado pela Revolução), senador da República, governador do Estado e deputado federal.
Vejamos a famosa petição:

 Habeas Pinho

“Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 2ª Vara desta Comarca:


O instrumento do crime que se arrola
Neste processo de contravenção
Não é faca, revólver nem pistola.
É simplesmente, doutor, um violão.

Um violão, doutor, que na verdade
Não matou nem feriu um cidadão.
Feriu, sim, a sensibilidade.
De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade.
Ao crime ele nunca se mistura.
Inexiste entre eles afinidade.

O violão é próprio dos cantores,
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam as mágoas e que povoam a vida
Sufocando suas próprias dores.

O violão é música e é canção,
É sentimento de vida e alegria,
É pureza e néctar que extasia,
É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório,
Porém seu destino se perpetua.
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.

Mande soltá-lo pelo Amor da noite
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno açoite
De suas cordas leves e sonoras.

Libere o violão, Dr. Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito.
É crime, porventura, o infeliz,
cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

Será crime, e afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
perambular na rua um desgraçado
derramando na rua as suas dores?

É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento.
Juntando esta petição aos autos,
nós pedimos também DEFERIMENTO.

Ronaldo Cunha Lima, advogado.”

O juiz Artur Moura sem perder o ponto deu a sentença no mesmo tom:


“Recebo a petição escrita em verso
E, despachando-a sem autuação,
Verbero o ato vil, rude e perverso,
Que prende, no Cartório, um violão.


Emudecer a prima e o bordão,
Nos confins de um arquivo, em sombra imerso,
É desumana e vil destruição
De tudo que há de belo no universo.


Que seja Sol, ainda que a desoras,
E volte á rua, em vida transviada,
Num esbanjar de lágrimas sonoras.


Se grato for, acaso ao que lhe fiz,
Noite de luz, plena madrugada,
Venha tocar à porta do Juiz.”

Ronaldo Cunha Lima
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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

A LUZ NÃO TEM SOMBRA – João de Paula

A Luz não tem sombra

E viva a luz que não se apaga... E viva, Deus!

Viva a luz que não se apaga!
Viva a grande luz!
Viva a luz de Deus!
Viva, Deus,
Viva a luz divina,
Viva você!
Sejamos um farol de luz a iluminar a vida das outras pessoas, por onde andamos, por onde  passamos e caminhamos, nesta realidade tal como ela é.
Sejamos luzes de verdade, bem e belo!
É muito bom a gente viver na luz e iluminados; ser bacana, pacato, amigo e cortês; poder colocar a cara no sol e se sentir bem com a luz divina e do astral.
Viva a Era da Luz! Nada ficará camuflado, nada ficará escondido, não adianta colocar a sujeira para debaixo do tapete, porque tudo será exposto à luz da verdade.
Coitado do mentiroso!
Coitado daquele que age na calada da noite e na escuridão.
A pessoa que é iluminada e benquista é sempre bem-vinda onde estiver ou chegar, porque é uma pessoa abençoada, da alegria, positiva e apaixonante; é do bem e da paz, seja qual for a ocasião e a situação.
Faça parte dos iluminados de Deus, porque a luz não tem sombra, a luz é o nosso porto seguro.
Você é um ser de luz com amor, com a beleza, com a boa ação, com a solidariedade, com atuação em defesa de um mundo melhor e mais feliz para todos.
Seja um ser de Luz,
Uma estrela,
Um ponto,
Um ser,
Uma voz,
Um corpo,
Um Céu!
Porque o iluminado afasta as trevas e os inimigos de Deus.
Viva a era da Luz! O Encantamento será a razão e a razão será a verdade.
É um coração amoroso, uma atitude positiva,
Um abraço de paz, um apoio, um bom amigo,
Um bom marido, uma boa esposa, um bom filho,
Um pensamento positivo é um sentimento nobre que nos torna iluminados,
Vistos e benquistos, com nossos pensamentos, palavras e obras.
Tudo se faz quando almejamos o bem e testemunhamos
A beleza que vem de Deus.
Quem não gosta de luz é o inimigo...
Quem não gosta da verdade é o falsário e trapaceador...
Viva a luz divina! Luz que ilumina nossa mente e nosso coração!
A luz não se apaga para quem anda em comunhão com a bondade, com a verdade,
Com o amor e a gratidão, com a criação e a beleza dos céus!
A luz não tem sombra;
A sombra é a mácula das vezes que omitimos o bem.
Sejamos da luz, sejamos da verdade e do bem!
Sejamos um farol a iluminar a vida das pessoas que nos cercam, porque a luz atrai,
A luz da verdade revela o que somos e o que fomos,
O que é bom e o que é ruim.
Viva, Deus, a Grande LUZ!

João Batista de Paula

Escritor e Jornalista

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OS FARISEUS E OS SADUCEUS DO NOSSO TEMPO


“O tributo a César”, quadro de James Tissot.
Os fariseus tentam fazer com que Jesus Cristo caia em contradição.
16 de novembro de 2015 

A crítica aos “fariseus” é recorrente nas palavras do Papa Francisco. Em numerosos discursos entre 2013 e 2015, ele falou sobre a“doença dos fariseus” (7 de setembro de 2013), “que acusam Jesus de não respeitar o sábado” (1° de abril de 2014); sobre a “tentação da suficiência e do clericalismo, que codificam a crença em normas e instruções, como faziam os escribas, os fariseus e os doutores da lei do tempo de Jesus” (19 de setembro de 2014).

No Angelus de 30 de agosto, ele disse que, como com os fariseus, “existe também para nós o perigo de nos considerarmos retos, ou, pior, melhor do que os outros, pelo simples fato de observarmos as regras, os costumes, mesmo se não amamos o próximo, se somos duros de coração, se somos soberbos, orgulhosos”. Em 8 de novembro de 2015 ele contrapôs a atitude dos escribas e dos fariseus, fundadas na “exclusão”, à de Jesus, fundada na “inclusão”.

A referência aos fariseus é evidente, finalmente, no discurso com o qual o Papa concluiu em 24 de outubro o XIV Sínodo Ordinário sobre a família. Os outros seriam, com efeito, “os corações fechados que muitas vezes se escondem atrás até mesmo dos ensinamentos da Igreja, ou atrás das boas intenções, para sentar-se na cadeira de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, casos difíceis e famílias feridas” ou “os fariseus, que faziam da religião um conjunto infinito de mandamentos” (26 de junho de 2014)?

Fariseu parece ser quem defende com orgulho obstinado a existência de mandamentos, leis, regras da Igreja absolutas e obrigatórias.
Mas quem eram realmente os fariseus? Quando Jesus começou a sua pregação, o mundo judaico estava dividido em várias correntes, sobre as quais falam os Evangelhos e, entre os historiadores, Flavio Josefo (37-100 d.C.) em suas obras As Antiguidades Judaicas e A guerra judaica.

As principais seitas eram a dos fariseus e a dos saduceus. Os fariseus observavam em todos os seus detalhes as prescrições religiosas, mas tinham perdido o espírito da verdade. Eram homens orgulhosos, que distorciam as profecias sobre o Messias e interpretavam a lei de Deus segundo as próprias opiniões. 
Jesus diante dos fariseus, Jacques Tissot  (1836 – 1902).
Os saduceus ensinavam erros ainda mais graves, colocando em dúvida a imortalidade da alma e rejeitando a maioria dos Livros sagrados. Ambos disputavam o poder no Sinédrio que, quando Jesus foi condenado, era dirigido pelos saduceus.

Os saduceus são mencionados apenas uma vez por São Marcos e três por São Mateus, enquanto os fariseus aparecem repetidamente nos seus Evangelhos. O capítulo 23 de São Mateus, em particular, é uma acusação aberta contra eles:“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, sem contudo deixar o restante.”

Comentando essa passagem de Mateus, São Tomás explica que os fariseus não eram condenados pelo Senhor porque pagavam o dízimo, “mas só por desprezarem preceitos mais importantes, isto é, os de natureza espiritual. Mas a prática em si Ele parece elogiá-la, dizendo: ‘Estas coisas era preciso fazer’ (Haec oportuit facere) nos termos da lei, acrescenta Crisóstomo”(Summa Theologica, II-IIae, q. 87 ad 3).

Referindo-se ao fariseu [que reza no templo], mencionado por São Lucas (18, 10-14), Santo Agostinho diz que ele não é julgado por suas obras, mas por ter-se vangloriado de sua suposta santidade (Carta 121, 1, 3). O mesmo Santo Agostinho, na sua Carta a Casulano, explica que o fariseu não foi condenado porque jejuava (Lc. 18, 11 ss.), mas “porque se zangava, inchado de orgulho, com o publicano” (Carta 36, 4, 7 ).

Na verdade, “jejuar duas vezes por semana é destituído de mérito para uma pessoa como o fariseu, embora seja um ato religioso para uma pessoa humildemente fiel ou fielmente humilde, de tal maneira que o Evangelho não fala de condenação para o fariseu, mas sim de justificação para o publicano” (Carta 36, 4, 7).

A definição mais concisa de fariseu é dada por São Boaventura: “Pharisaeus significat illos qui propter opera exteriora se reputant bonos; et ideo non habent lacrymas compunctionis” (De S. Maria Magdalena Sermo I, in Opera omnia, Ad Claras Aquas, Firenze 2001 vol. IX, col. 556b). “Fariseus significa aqueles que se reputam bons por suas próprias obras exteriores; e, portanto, não têm lágrimas de compunção.”

Jesus condenou os fariseus porque conhecia-lhes o coração: eram pecadores, mas se consideravam santos. O Senhor queria ensinar aos seus discípulos que não basta o cumprimento exterior de boas obras; o que torna boa uma ação não é apenas o seu objeto, mas a intenção.

No entanto, se é verdade que não bastam as boas obras se falta a boa intenção, é igualmente verdade que não basta a boa intenção se faltam as boas obras. O partido dos fariseus, ao qual pertenciam Gamaliel, Nicodemos, José de Arimatéia (Antiguidades judaicas, 20.9.1) e o próprio São Paulo (Atos 23: 6), foi melhor do que o dos saduceus, porque, apesar de sua hipocrisia, seus membros respeitavam as leis, enquanto os
saduceus, que contavam em suas fileiras com os sumos sacerdotes Anás e Caifás (Antiguidades judaicas, 18.35.95), as desprezavam.

Os fariseus eram legalistas orgulhosos, e liberais incrédulos os saduceus, mas ambos estavam unidos pela rejeição da missão divina de Jesus (Mateus 3: 7-10).

Quem são os fariseus e os saduceus do nosso tempo? Podemos dizer com tranquila certeza: são todos aqueles que antes, durante e depois do Sínodo tentaram e tentarão mudar a disciplina da Igreja e, através da disciplina, a sua doutrina sobre a família e o casamento.

Jesus proclamou a indissolubilidade do matrimônio, fundando-a na restauração da lei natural, da qual os judeus haviam se distanciado, e a reforçou pela elevação do vínculo matrimonial a Sacramento. Os fariseus e os saduceus rejeitaram esse ensinamento, negando a palavra divina de Jesus e substituindo-a por sua própria opinião.

Eles se reportavam falsamente a Moisés, como os inovadores de hoje se reportam a uma suposta tradição dos primeiros séculos, falseando a história e a doutrina da Igreja.
São João Batista, San Paolo fuori le Mura, Roma.
Por isso um valoroso defensor da fé ortodoxa, Mons. Athanasius Schneider, fala de uma “prática neomosaica” que ressurge: 

“Os novos discípulos de Moisés e os novos fariseus, durante as duas últimas Assembleias do Sínodo (2014 e 2015), esconderam o fato de terem negado na prática a indissolubilidade do casamento e de terem como que suspendido o Sexto Mandamento na base do ‘caso por caso’, sob um aparente conceito de misericórdia, usando expressões como ‘caminho do discernimento’, ‘acompanhamento’, ‘orientação do Bispo’, ‘diálogo com o sacerdote’, ‘foro interno’, ‘uma integração mais plena na vida da Igreja’, para indicar uma possível eliminação da imputabilidade para os casos de convivência no seio de uniões irregulares(cfr. Relatório Final, números 84-86)”.

Os saduceus são os inovadores que afirmam abertamente a superação da doutrina e da disciplina da Igreja, enquanto os fariseus são os que proclamam com os lábios a indissolubilidade do matrimônio, mas a negam hipocritamente nos fatos, propondo a transgressão “caso por caso” da lei moral

Os verdadeiros seguidores de Jesus Cristo não pertencem nem ao partido dos neofariseus nem ao dos neosaduceus, ambos modernistas, mas seguem a escola de São João Batista, pregando no deserto espiritual de seu tempo.

Quando Batista estigmatizou os fariseus e os saduceus como “raça de víboras” (Mt 2, 7), e quando advertiu Herodes Antipas pelo seu adultério, não era duro de coração, mas foi movido pelo amor de Deus e das almas. 

Hipócritas e de coração duro eram os conselheiros de Herodes, que pretendiam conciliar sua condição de pecador impenitente com o ensinamento das Escrituras. Herodes matou Batista para abafar a voz da verdade, mas a voz do Precursor ainda ressoa depois de vinte séculos. Quem defende publicamente a boa doutrina não segue o exemplo dos fariseus e dos saduceus, mas o de São João Batista e de Nosso Senhor. 

Roberto de Mattei (1948 - ) professor de História, especializado nas ideias religiosas e políticas no pós-Concilio Vaticano II.

Traduzido do original italiano por Hélio Dias Viana



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