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sexta-feira, 17 de maio de 2024

QUE O SOL RENASÇA

Sione Porto



 MEU AMOR ESPERE UM POUCO,

QUE A CHUVA PASSE

EM NOSSOS SENTIMENTOS

E TRAGA A LUZ E O SOL RENASÇA.

 

ACABE POR INTEIRO NOSSOS CHOROS

NOS ABRACE COM MÚLTIPLOS BEIJOS,

E NA ALCOVA, ANTES APENAS LEMBRANÇAS,

RETORNE-NOS A VIDA, SEM EMBARAÇOS.

 

QUE O SOL RENASÇA

TRAZENDO A LUZ QUE SE PERDEU

E NOS TEUS ABRAÇOS

 

O AMOR VIVA ETERNEMENTE

APAGANDO OS REMORSOS,

NESTE LEITO SUBLIME, TU E EU...

 

Sione Maria Porto de Oliveira, poetisa.

Membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita)


* * *

quarta-feira, 20 de março de 2024

 

SALVE SÃO JOSÉ

Por Sione Porto



JOSÉ DE NAZARÉ,

DESCENDENTE DA CASA DE DAVI,

VENERADO COMO PADROEIRO UNIVERSAL,

COMO POR ENCANTO SE APAIXONOU POR MARIA,

MAS, FOI IMPEDIDO POR DEUS, POR UM SENÃO,

NÃO PODIA FAZÊ-LA MULHER,

DEVIDO A UMA CONDIÇÃO,

PODIA ATÉ ESPOSÁ-LA MAS,

SEM COMUNHÃO.

MARIA FORA ESCOLHIDA POR DEUS,

PARA SER MÃE DO ESPÍRITO SANTO JESUS,

DEUS HUMANADO A SER COROADO

COMO REI DOS JUDEUS, O MESSIAS.

MARIA MENINA BELA,

PURA E VIRGEM COMO UMA FLOR,

AOS CATORZE ANOS, LOGO ACEITOU SEM SABER O VALOR,

DE SER A ESCOLHIDA PELO DEUS DE AMOR,

APENAS DISSE AO SER ABENÇOADA

PELO ARCANJO GABRIEL:

HOMEM DE DEUS DAS REVELAÇÕES

“FAÇA-SE EM MIM A TUA PALAVRA”.

COMO SERVA FIEL: AJOELHOU E OROU!

E FOI TOMADO TEU VENTRE PELO ESPÍRITO SANTO.

DE PRONTO GEROU E CRIOU

AQUELE QUE SERIA NOSSO REI, PAI,

SENHOR E SALVADOR

CRISTO JESUS, FILHO DE DEUS!

O CRISTO REDENTOU NASCEU EM BELÉM,

NUMA SIMPLES MANJEDOURA,

NÃO HAVIA VAGA NA HOSPEDARIA,

 

MAS FOI REVERENCIADO PELOS REIS MAGOS DO ORIENTE,

COM O PAI ADOTIVO, JOSÉ DE NZARÉ CRISTO CRESCEU

NA MARCENARIA, APRENDEU O OFÍCIO DE CARPINTEIRO,

ENTRETANTO, TUA MISSÃO SANTA ERA OUTRA,

SER REDENTOR DO MUNDO!

EM TODAS PARTES DA TERRA,

JESUS NASCIDO FEITO HOMEM,

JÁ TINHA HISTÓRIA E PASSADO

EM TEU DESTINO SANTO TRAÇADO.

TERIA QUE MORRER, APÓS SER TRAÍDO

POR JUDAS, APÓSTOLO MUITO ESTIMADO.

ASSIM, NA SEXTA-FEIRA SANTA,

ANTES DE SER CRUCIFICADO, POR NOSSOS PECADOS,

NOS DEUS MARIA COMO MÃE,

RAINHA DOS CÉUS, ESPOSA DE JOSÉ.

NESTA ROMARIA DE 19 DE MARÇO,

CANTEMOS E OREMOS COM FERVOR,

PELO DIA SAGRADO AO SANTO JOSÉ.

PAI ADOTIVO DO CRISTO REDENTOR

SALVADOR DA TERRA, A QUEM CRIOU

E MUITO AMOU... SALVE SÃO JOSÉ!

 


Sione Porto - Advogada e membro da Academia de Letras de Itabuna-BA

* * *

 

sexta-feira, 8 de março de 2024

8 de Março – Dia Internacional da Mulher


Sione Porto

Advogada e membro da Academia de Letras de Itabuna-BA

 

A comemoração da data destaca a importância das mulheres na sociedade e a história da luta pelos seus direitos: como combate ao preconceito, à desvalorização e ao desrespeito, exigindo-se, ainda, igualdade de condições de trabalho e liberdade.

Esta data importante de 8 de março não foi aleatoriamente escolhida, haja vista ser uma homenagem às operárias grevistas de uma fábrica têxtil na cidade de Nova Iorque, as quais reivindicavam carga horária de 10 horas de trabalho, das 16 trabalhadas. Nessa ocupação, a fábrica foi fechada e 130 grevistas teriam morrido carbonizadas no ano de 1857.

Temos outras datas significativas pleiteadas pelas mulheres, por exemplo, em 1691, mulheres do estado de Massachussetts também fizeram suas reivindicações por direitos iguais, como o voto, inobstante, em 1789, venham a perdê-lo.

Em 1788, o político, filósofo e revolucionário francês Jean Antoine Nicolas de Caritat, marquês de Condorcet, reclamou para as mulheres os direitos à educação e participação na vida política, além do acesso ao emprego. Quatro anos depois, em 1792, no Reino Unido, a feminista inglesa Mary Wollstonecraft publicou um texto a respeito das desigualdades femininas: “Direito das Mulheres, injustiças dos Homens”.

Poderíamos citar inúmeros artigos pela luta das mulheres e sua pressão espalhada pelo mundo reivindicando direitos e liberdade. O Dia Internacional da Mulher, em 8 de março e em todos outros dias, deveu-se, como comprovou a história, ao fato das desigualdades femininas em relação aos homens, que se julgavam superiores, seja no setor político, direito de votar, empregos e salários.

No ano de 1840, nos Estados Unidos, Lucretia Mott lança os alicerces da Equal Rights Association, igualmente pleiteando direitos iguais para mulheres e negros.

Na América do Sul, Brasil e Argentina se movimentaram no combate às desigualdades contra as mulheres, posto que, através dos séculos, as mulheres eram vistas como um ser inferior, consideradas mera reprodutoras pelos maridos para lhes permitirem somente o prazer. Porém, com a evolução dos tempos e denúncias, a igualdade foi em parte alcançada.

Em 1908, operárias americanas de Nova Iorque, que trabalhavam na fábrica de camisas Triangle Shirtwaist, também reivindicaram seus direitos e redução de carga horária.

Três anos depois, em 1911, cerca de 145 trabalhadores (mulheres em sua maioria) morreram num incêndio ocorrido numa fábrica de tecidos novaiorquina.

No ano de 8 de março de 1917, após o fim da Primeira Guerra Mundial, 90 operárias russas promoveram um protesto por melhorias de trabalho e contra as ações do Czar Nicolau II, que ficou conhecido como Pão e Paz.

Na II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, ocorrida na Dinamarca em 1910, Clara Zetkin, marxista alemã, propôs a criação de um dia para as mulheres, levando em consideração o evento russo de 8 de março de 1917. Porém, somente em 1975, a ONU instituiu o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.

Ilustres mulheres feministas se posicionaram a favor dos direitos e igualdades das mulheres, como a já citada escritora, filósofa e defensora dos diretos das mulheres Mary Wollstonecraft; a escritora francesa Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, mais conhecida como Simone de Beauvoir; as brasileiras Maria Guilhermina Loureiro de Andrade, educadora e intelectual, a feminista, escritora e abolicionista Nísia Floresta, a cientista Bertha Lutz e a ativista Maria da Penha Maia Fernandes, que deu nome à Lei 1.340/06 – Lei Maria da Penha, que veio proteger as mulheres contra qualquer tipo de violência, física, moral, patrimonial e psicológica contra ela.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Salve Yemanjá!

Sione Porto

 


Celebrado no dia 2 de fevereiro dia de nossa Senhora dos Navegantes, Yemanjá rainha do mar generosa protetora dos pescadores e da fertilidade, recebe vários nomes, como : Janaína, Dandalunda, Princesa do mar e sereia, dentre outros nomes. 

A Magnifica senhora das águas, mar, rios e lagoas em todo o Estado da Bahia e capital tem a maior festa popular comemorada em 2 de fevereiro. 

Temos no Rio de Janeiro, sua maior comemoração na passagem do ano.

Citada como vaidosa a deusa do mar recebe muitas oferendas, como flores, joias preciosas, perfumes, sabonetes, bijuteria, bonecas e até comida, cuja grande comemoração em Salvador ocorre no largo do Rio Vermelho. 

Além desta comemoração do dia 2 de fevereiro, comemora-se também em 8 de dezembro, 31 de dezembro e 15 de agosto. 

Diz ainda a lenda que Yemanjá filha de Olokum, soberano dos mares recebeu uma porção mágica do pai para fugir dos perigos.

Se casou várias vezes, o primeiro marido Orumilá era conhecido como orixás dos segredos não teve filhos. 

Casando com Olofim – Oduduá teve 10 filhos que se tornaram Orixás.

Salve Yemanjá e sua prole! 

Devido após os partos, ter ficado com os seios grandes, foi caçoada  por Olofim, assim fugiu  e veio a se apaixonar pelo Rei Okerê.

Okerê, da mesma forma que Olofim veio a caçoar dos seios grandes de Yemanjá, então novamente ela fugiu usando a porção que o pai lhe dera. 

Com medo de perder Yemanjá Okerê se transformou em uma grande montanha para impedir que ela conseguisse fugir. 

A magnifica Yemanjá com ajuda do filho Xangô, encontrou o oceano e se tornou Rainha do mar. 

Salve Sereia das Águas e do mar – Mãe dos Orixás. 

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Sione Maria Porto de Oliveira.

Membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita)


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sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

IRONIA

Sione Porto

 


Espaço

...disperso em espaçosos

Contatos... se aviva

Numa sombra doída...

Verdade refletida

...hesita

Num deserto de saudade.

- Pausa

Pensamentos.

- Vida vivida

Tormentos...

Que poemática

...flutua na tua carne

Que cansaço se esquiva

...sobre o teu seio

Onde estão nossos anseios?

Que ironia

...dentro desta tristeza

Que nem mansa nem rebelde

...o caso supõe

mas não consegue

...transformá-la livre...

 

Sione Maria Porto de Oliveira, poetisa.

Membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita)


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domingo, 17 de dezembro de 2023

PERDÃO!

Sione Porto





Nesta noite que abraça

O universo imenso

Aquela magoa chorosa

Vem invadir meu peito.

Amargo e triste destino

Que ainda me assombra

Se põe entre o céu e a terra

Com marcas de desespero.

São imagens que persistem

Pelo que te fiz sofrer,

Consumindo os meus dias,

Sem dar trégua ao meu viver.

Diz-me o que devo fazer

Para reverter esse mal

De forma definitiva

E acalmar meu coração.

Errei e sei que fui cega,

Mas, hoje, tudo conspira.

Para alívio de minha culpa,

Vim pedir o teu perdão!

 

Sione Maria Porto de Oliveira, poetisa.

Membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita)

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sábado, 18 de novembro de 2023

Consciência Negra e a Luta pela Igualdade Racial 

Sione Porto

 


O importante Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, em homenagem à morte do lendário Negro Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, teve como fato impulsionador o resgate à memória dos tempos de luta incansável do povo negro pelas igualdade e liberdade raciais.

O Quilombo de Palmares surgiu no final do século XVI e se situava na Serra da Barriga, Capitania de Pernambuco, atualmente território do município de União dos Palmares, a 80 km de Maceió, capital de Alagoas.

Dele, destacou-se o Negro Zumbi, entregue ainda criança pelos portugueses ao padre Antônio Melo, que lhe ensinou os Primeiros Sacramentos e o batizou com o nome cristão Francisco, mas que retornaria ao quilombo para se tornar um grande guerreiro e um dos maiores representantes da resistência negra contra a escravidão que vigorava no Brasil Colônia, razão pela qual nada mais justo do que esse resgate que o Dia da Consciência Negra proporciona em sua memória.

Lutando bravamente por seus ideais de igualdade e de liberdade, Zumbi, casado com Dandara, resistiu à pesada artilharia dos portugueses em campanhas contra o Quilombo dos Palmares de 1680 a 1694. Entretanto, em 20 de novembro de 1695, ao ser traído por um dos seus comandantes, Antônio Soares, Zumbi foi morto, sendo seu corpo esquartejado e exposto em praça pública de Olinda. Essa data viria a ser instituída em 2003, por um lei federal, como o Dia da Consciência Negra.

O preservado Sítio Histórico dos Palmares, onde Zumbi viveu, foi reconhecido pelo governo federal em 1980 e até hoje nos premia com a beleza singular do local, onde, além do Observatório, temos um magnífico viveiro e trilhas exuberantes. Ali, cerca de 20 mil habitantes viveram, amaram, ensinaram as suas crenças, a sua cultura, e resistiram contra a escravidão, mesmo sofrendo cruéis e trágicas retaliações.

O certo é que o alijamento da escravidão no Brasil e no mundo repercutiu por séculos, envolvendo os interesses da monarquia, elites aristocráticas e senhores de engenho de açúcar e café, principais recursos da época, mas até hoje persistem os resquícios dessa tragédia em forma de racismo, preconceito e intolerância que a sociedade brasileira e a mundial precisam enfrentar.

Racismo é um câncer que deve ser extirpado da nação brasileira. Infelizmente, vê-se em todos os setores da atividade humana, como no esporte, educação, saúde, jornalismo, trabalho, arte, cultura, cargos de poder e gestão pública e privada, enfim, na vida em sociedade.

Ainda assim, temos corajosas figuras que se destacam ou se destacaram por seu talento e combatividade, como o jogador Vinícius Júnior, os cantores Gilberto Gil e Seu Jorge, o escritor


Machado de As
sis, o advogado e escritor Luís Gama, o professor e geógrafo Mílton Santos, o ex-lutador Anderson Silva, o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, a jornalista Glória Maria, a professora e escritora Conceição Evaristo, entre tantas personalidades negras da nossa história. 

O Dia da Consciência Negra é oficialmente no dia 20 de novembro, mas a luta é diária e ao longo de todo o ano. É uma luta não só do povo negro, mas de toda a sociedade brasileira, linda, alegre, trabalhadora e miscigenada

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Sione Porto é membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita)

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terça-feira, 4 de julho de 2023

As mulheres merecem e devem ser respeitadas!

Sione porto 


 

Em nome das marias, quitérias, da penha silva 

Empoderadas, revolucionárias 

Ativistas, deixem nossas meninas serem super heroínas! 

Pra que nasça uma joana d'arc por dia! 

Como diria frida: "eu não me kahlo!” 

Junto com o bonde saio pra luta e não me abalo 

O grito antes preso na garganta já não me consome 

É pra acabar com o machismo 

E não pra aniquilar os homens 

Quero andar sozinha porque a escolha é minha 

Sem ser desrespeitada e assediada a cada esquina.” 

 

As crescentes discussões sobre direitos, garantias e representatividade das minorias sociais revelam novos conceitos e denominações, que surgiram com o intuito de explicar as origens do tratamento desigual que certos indivíduos recebem. No que tange às questões de gênero, a misoginia é um termo oriundo da Grécia antiga que voltou à luz para conceituar as relações nocivas que ocorrem entre homens e mulheres. 

Em uma breve análise do material artístico e intelectual produzido ao longo dos anos, é possível observar a forte influência dos traços culturais misóginos, machistas e sexistas na civilização ocidental. Conforme pontuado pelo historiador e professor Leandro Karnal, durante uma palestra realizada em 2017 pela comemoração ao dia da mulher, as estatuetas de Vênus de Willendorf e Vênus de Milo ou a pintura Vênus e Marte de Botticelli demonstram que os artistas supervalorizavam o corpo e a estética feminina, uma ideia que foi construída durante a antiguidade. 

As bases sociais, políticas e econômicas ocidentais foram estabelecidas na Grécia antiga, cujo sistema sócio-político delegava à mulher uma posição secundária. No período Homérico, a unidade básica da sociedade grega era o genos, um sistema familiar que se caracterizava pela máxima autoridade concedida ao pater (patriarca) da família, que ao falecer, tinha seus poderes político, social, religioso e econômico transmitidos ao filho mais velho.

Entretanto, no fim deste período, a população cresceu e a economia, essencialmente agrícola, decaiu. Houve, assim, a desintegração das comunidades gentílicas e o surgimento das cidades-Estados (ou pólis gregas), onde foi reiterada a ideia da soberania masculina. 

Neste contexto, surge o termo que definiria a base psicológica dos comportamentos masculinos nocivos em relação às mulheres. Oriunda da união entre os termos gregos "miseo" e "gyne", cujos significados são respectivamente ódio e mulheres, a palavra misoginia é usada para definir sentimentos de aversão, repulsa ou desprezo pelas mulheres e valores femininos. 

A misoginia é um sentimento de aversão patológico pelo feminino, que se traduz em uma prática comportamental machista, cujas opiniões e opiniões e atitudes visam 0 estabelecimento e a manutenção das desigualdades e da hierarquia entre os gêneros, corroborando a crença de que os homens são superiores. 

O constante estímulo de comportamentos estereotipados impacta ambos os gêneros, visto que exige amostras de uma cruel virilidade no homem e total subserviência na mulher. Quando a expectativa comportamental não ocorre, a violência eclode em uma escala ascendente de gravidade, iniciando com as piadas depreciativas, assédios, abusos, estupros e culmina com o feminicídio. 

As bases misóginas do pensamento ocidental geram a banalização da violência ao feminino que se estende pelos vários aspectos da vida da mulher, como o social, o psicológico, econômico e político, tornando difícil identificar os traços nocivos mais sutis. Desta forma, homens e mulheres reproduzem atos e expressões machistas quase que de forma inconsciente, com a mulher adotando, muitas vezes, como mecanismo de sobrevivência na cultura opressora, uma aparente passividade que não deve ser entendida como a aceitação das situações que lhe ferem a dignidade, mas sim como um mecanismo de defesa e sobrevivência. 

Por um acaso você já ouviu falar que "em briga de marido e mulher não se mete a colher"? Pois essa é uma frase que explicita um dos traços da cultura brasileira, a banalização da violência de gênero.

Surgiram obras como o Segundo Sexo e Mística Feminina, respectivamente, de Simone de Beauvoir e Betty Friedan, que impulsionaram a criação de um movimento liderado por mulheres que buscava problematizar as colocações femininas na sociedade. Assim, tem-se início a luta pela emancipação, autonomia e liberdade da mulher diante das construções idealizadas da figura feminina e de feminilidade, por direitos e igualdades políticas, sociais e econômicas através do empoderamento. 

Segundo Juliana Faria, jornalista e criadora do site Think Olga: "Uma mulher empoderada é uma mulher bem informada. Ela sabe dos seus direitos, entende o que é opressão e busca soluções para isso". Desta forma, as mulheres que defendem o movimento feminista buscam a disseminação de ideais empoderadores por todas as camadas sociais, com o acolhimento das individualidades de cada mulher e estabelecendo a união entre as diferentes correntes do movimento para seguir promovendo transformações profundas na mentalidade misógina da coletividade. 

Tivemos notícia que na Câmara de Vereadores de Itabuna, no âmbito legislativo, no exercício do mandato, um dos nossos vereadores foi deselegante e agressivo contra a Primeira-Dama do nosso município. 

No local onde ele deveria levantar a bandeira contra a misoginia, contra o racismo e contra a homofobia, ele fez o contrário, infringindo a Lei e a Ética do seu Mandato conferido pelo voto popular. 

O termo misoginia é utilizado para se referir a expressões e comportamentos que sinalizam desprezo, repulsa, desrespeito ou ódio às mulheres. 

A expressão machista utilizada fere a mulher no tocante ao gênero protegido pela lei Maria da Penha e a dignidade da pessoa humana prevista no art 140 do CPB. 

Recentemente tivemos uma exemplar atitude da Câmara de vereadores da cidade gaúcha de Montenegro no Vale do Caí. 

Pela primeira vez em sua história, a cidade gaúcha de Montenegro (Vale do Caí) tem um vereador cassado. Trata-se da vereadora Camila Oliveira (Republicanos), julgada pelos colegas com um placar de nove votos a zero. Motivo: em um vídeo gravado em seu gabinete na Câmara e divulgado nas redes sociais, ela chama de "cadelas" as mulheres com orientação política de esquerda.

 

Sione Porto, membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher CONSEMI 

 

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Sione Porto, ex-delegada titular da DEAM de Itabuna/BA, escritora, membro da Academia de Letras de Itabuna (ALITA)

sábado, 18 de junho de 2022

POBRE RIO CACHOEIRA, Por Sione Porto

 


Pobre Rio Cachoeira

Sione Porto

 

Menina, vi o Rio Cachoeira,
Belo e veloz, descer
Em busca do mar,
Com seu verde e ondas vertiginosas,
Brilhar perto das margens,
Nos fazendo encantar!

Então, comigo pensava,
Quão magnífico, ó Rio Cachoeira,
Cheio de vida e amplexos,
Trazendo cardumes nas redes
Peixes a se multiplicar,
Para os pobres alimentar!

Menina, vi o Rio Cachoeira
Banhando as lavadeiras,
Que após lavar roupas tão alvas,
Entoando sonoros cantos ribeirinhos,
Saíam com suas trouxas na cabeça,
Nos fazendo sonhar e sonhar!

Hoje, procuro o Rio Cachoeira,
De tanta beleza de outrora,
Mas apenas vejo sujeira,
dentro e nos seus arredores,
povoado de garças sorrateiras,
Que triste é o Rio Cachoeira!

Será que ninguém ver o seu penar?
Antes tão absoluto e majestoso,
A deslizar nas ondas fortes
Na sólida terra grapiúna,
Que hoje geme e sangra,
Querendo se recuperar?

Bravo Rio Cachoeira,
Estrela brilhante,
Daqueles que o amam,
Certamente uma voz,
Falará mais alto para o salvar,
E, como aquele que não foge à luta, sobreviverá!

 

Sione Maria Porto de Oliveira, poetisa.

Membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita)

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sábado, 19 de novembro de 2016

CONSCIÊNCIA NEGRA E A LUTA PELA IGUALDADE RACIAL – Sione Porto

Consciência Negra e a luta pela igualdade racial 



O importante dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, em homenagem à morte de Zumbi, o lendário líder negro do Quilombo dos Palmares, teve como fato impulsor o resgate pela Igualdade e Liberdade Racial.

A escravidão no Brasil e no mundo teve alijamento que repercutiu por séculos, envolvendo os interesses da monarquia, elites aristocráticas e senhores dos engenhos de açúcar e café, principais recursos da época.

De um modo geral, a história transmitiu os horrores da época escravocrata, mas, muitas vezes, são escassas as informações, inclusive por culpa de quem sofreu preconceito, racismo e intolerância, já que tem vergonha de declarar e romper com o imobilismo, numa demonstração de maturidade social, preço do grande erro da sociedade, um câncer que já deveria ser extirpado da nação humana.

O racismo se destaca em todos os seguimentos: futebol, jornalismo, modelos, cantores, atores, esportistas, escritores, poetas, presidente e ministros. Corajosos denunciantes, como Roberto Carlos, campeão da Seleção Brasileira, chamado de macaco; a apresentadora Oprah Winfrey; a jornalista Glória Maria; a atriz Thalma de Freitas; o cantor Seu Jorge, assim como Preta Gil, Rihanna, Anderson Silva, MMA, Machado de Assis (“mulato de alma branca”), João da Cruz e Souza, Barack Obama (EUA), ministra Cristiana Taubira (França) e o ministro Joaquim Barbosa (Brasil).

O movimento social que resgatou o antirracismo surgiu em 1971, por iniciativa do Grupo Palmares de Porto Alegre (RS), e foi assimilado em 1978, durante o Congresso do Movimento Negro Unificado Contra A Discriminação Racial, hoje denominado Movimento Negro Unificado – MNU.

Essa menção ao dia da Consciência Negra, prestada ao negro Zumbi, nativo do Quilombo dos Palmares, engrandece pela sua trajetória, luta incansável pelos anseios de liberdade. Aos seis anos de idade, ele foi entregue pelos holandeses ao Padre Antonio Melo, que ensinou os primeiros Sacramentos e o batizou com o nome de Francisco.

Nada mais justo que esse resgate, à promoção pela luta contra o racismo, discriminação vivida pelos negros e afrodescendentes, que deve fortalecer todos os movimentos nacionais internacionais.

O preservado Sítio Histórico dos Palmares, onde viveu Zumbi, foi reconhecido pelo Governo Federal em 1980. Premia-nos com a beleza singular do local, onde, além do Observatório, temos um magnífico viveiro, trilhas exuberantes, universo que banha parte de nossa história afro-brasileira. Diz ainda a lenda, que vinte mil quilombolas ali viveram, amaram, ensinaram suas crenças e sua cultura.

Temos histórias também tristes e cruéis contra os negros fujões dos Palmares, que sofriam pesados castigos dos líderes impiedosos, sendo torturados e, muitas vezes, executados, no chamado Palco da Justiça Severa.

O fenômeno Zumbi, como herói, é contestado, coroando-se Ganga-Zumba como o verdadeiro herói dos Palmares (José Murilo Carvalho, Cidadania no Brasil).

A data 20 de Novembro é também intitulada Semana da Consciência Negra, comemorada em todo o Brasil, mas centrada nos moinhos da negritude brasileira e coincide com a data de morte de Zumbi dos Palmares, que teria sido em 20/11/1695, segundo historiadores.

Após ter lutado bravamente pelos seus ideais de igualdade e liberdade, Zumbi, casado com Dandara, resistiu à pesada artilharia do bandeirante paulista Domingo Jorge Velho, que não conseguiu capturá-lo em 1694.

Em 1695, entretanto, traído por Antonio Soares e surpreendido pelo capitão Furtado de Mendonça, tornou-se Zumbi um mártir, ao ser preso e degolado, cuja cabeça foi exposta na cidade do Recife, após ser apresentada ao governador de Pernambuco Melo e Castro.


Sione Porto
Membro da Academia de Letras de Itabuna-ALITA

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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

JOÃO UBALDO RIBEIRO: UMA REFERÊNCIA – Sione Porto

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original

João Ubaldo Ribeiro: Uma referência

Não somos brancos, negros ou índios; somos baianos. Não pertencemos, no maior rigor da palavra, a nenhuma religião, nem mesmo somos ateus; somos baianos. Não pretendemos ser melhores que ninguém. Mas somos baianos. (Trecho do discurso de posse na Academia Baiana de Letras).
À exceção de Nélson Rodrigues, Fernando Sabino e Millôr Fernandes, o escritor e jornalista João Ubaldo Ribeiro foi um dos maiores cronistas, crítico/sátiro, da literatura brasileira.
Não queria ser lembrado com um mito, e sim companheiro de pessoas comuns e humildes, a exemplo dos velhos conhecidos com que se encontrava nas manhãs ensolaradas e nas tardes amenas na Ilha de Itaparica, Bahia, onde nasceu em 23 de janeiro de 1941, local em que se refugiava nas férias de janeiro e ali escreveu boa parte de uma das mais importantes obras: Viva o povo brasileiro (1984), considerada obra máxima, um clássico da literatura, romance histórico, conteúdo da ocupação portuguesa – Estado Novo e a Ditadura, trama passada também em outros cenários como o Rio de Janeiro, São Paulo e Lisboa, no período de 1647 a 1977.
Era comum ver o mago literário João Ubaldo Ribeiro no bar e restaurante Tio Sam, no Leblon, tomando o seu chope em tulipa, onde jogava fora conversa fiada e distraída, com velhos conhecidos daquele bairro carioca, onde residia, e seus admiradores, sempre solícito, com seu vasto bigode já grisalho e sorriso largo, idêntico ao seu pai, o ilustre professor Manoel Ribeiro, sempre aos sábados, domingos e feriados.
A influência do cotidiano brasileiro e do sociopolítico foi retratada em toda sua vasta produção literária, deixando um legado inexorável para os amantes da literatura e estudantes que tentam ingressar nas universidades brasileiras – uma referência.
O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro revolucionou a literatura, com seu jeito crítico, sátiro, espirituoso, social e jornalístico.
O seu grande saber jurídico foi adquirido através do incentivo do seu pai Manoel Ribeiro, o qual era advogado, professor, jurista, político (deputado estadual em Sergipe, vereador e procurador de Salvador), além de ter feito parte da cúpula da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado baiano.
Não obstante bacharel em Direito, João Ubaldo lecionou Ciências Políticas em Salvador (BA), mas não quis seguir carreira de advogado, como o pai e o irmão Manoel Ribeiro Filho, renunciando a tudo para se tornar um escritor.
Multifacetado, amante da liberdade e das coisas simples, obteve sucesso, tornando-se um grande romancista, além de escrever livros infantis, com sabedoria e ironia, estilo singular, encontrando também em sua obra o lado lírico, telúrico e pornográfico, como no romance A casa dos budas ditosos, publicado em 1999, que inclusive foi proibido em alguns estabelecimentos.
Conheci indiretamente João Ubaldo Ribeiro através de seu pai Manoel Ribeiro, quando tive a honra de ser sua aluna, em 1980, no curso de Direito Administrativo da UCSAL (Universidade Católica de Salvador). Embora mestre rígido, exigente e sério, apresentava um humor inigualável, causando uma empatia mútua entre professor e aluna.
Criado esse elo carinhoso com o mestre Manoel Ribeiro, fumante inveterado e apreciador de um bom uísque, passamos a manter conversas sobre literatura, filosofia, economia e história, daí o seu desejo que eu viesse a conhecer o filho João Ubaldo, o qual teria afirmado o desejo de conhecer esta então estudante, a quem seu pai dedicara um carinho diferenciado, em razão de, com membro do Diretório Acadêmico da UCSAL, em 1979, termos lançado a coletânea de poema Poejusto, como também de lhe ter ofertado o meu primeiro livro editado, Mulher: poesias inéditas (1979), cujo prefácio foi do professor de Direito Internacional Público, seu conterrâneo Jayme Messeder de Suárez, exemplar esse que vi carregando várias vezes e ter me dito, pessoalmente, que o poema de folhas 29, tinha muita identificação com o seu pensamento, o que me deixou muito feliz e lisonjeada, com a certeza que está bem guardada em sua biblioteca.
Nas conversas entre aulas, aconselhava-me a seguir na carreira literária e me orientava ao hábito da leitura como aprendizado.
O desejo de Manoel Ribeiro em que eu conhecesse seu filho não foi realizado por outras circunstâncias, além de o mesmo morar em outro estado, com várias viagens pelo mundo afora. Todavia, como o destino tem os seus desígnios, através do encontro de Tadeu Ribeiro, sobrinho de João Ubaldo, com meu filho Maurício Pimenta, no Colégio Anchieta, pude manter contato com a família Ribeiro.
Traduzir João Ubaldo Ribeiro como cidadão comum é muito simples. Trabalhou na Prefeitura de Salvador como office-boy, até chegar à vaga da cadeira 34 na Academia Brasileira de Letras (ABL), antes ocupada por Carlos Alberto Castelo Branco.
Do mesmo modo, citar suas obras é perda de tempo, porque todos as conhecem. Mas vale destacar que muitas delas inspiraram outras artes como o cinema (Sargento Getúlio, 1983; Tieta do Agreste, 1996; Deus é brasileiro, 2003), a televisão (O sorriso do lagarto, 1991).
Todas e quaisquer homenagens ao grande escritor são justas, como as feitas no carnaval carioca, pela escola de samba Império da Tijuca, no desfile do ano de 1987, e o Bloco Areia, ano passado, além de lhe ser concedidos prêmios de tamanha importância, como o Prêmio Camões, em 2008.
Por tudo isso, Viva o povo brasileiro na pessoa de João Ubaldo Ribeiro, o grande, senão o maior brasileiro em seu gênero.

Sione Maria Porto de Oliveira, poetisa.

Membro da Academia de Letras de Itabuna - ALITA

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sábado, 22 de outubro de 2016

PORTRAIT, por Sione Porto

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PORTRAIT

Na memória, um rosto,
uma triste meia-lua,
a energia megaton
com tua breve passagem
refletida num "portrait".
Entre todos os pertences
e cansaços do meu rumo,
na cabeceira da cama,
estás num porta-retrato
lembranças de frios risos,
de ausências e descasos.
E para sentir-me livre
alço voo entre os ventos
atropelando paisagens,
para encontrar a brisa
que suaviza meus passos
e açoita longe o passado
de tristes experiências,
nos sinuosos percalços.
Que venha o NOVO com risos
em outro porta-retrato!


Sione Maria Porto de Oliveira, poetisa.
Membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita)
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