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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

UMA BRASILEIRA DE RORAIMA DIZ A VERDADE QUE A IMPRENSA AÉTICA E SEM NOÇÃO ESCONDE – Daniele Custódio


20/08/2018 
Uma brasileira de Roraima

Como me enoja ver gente de outros estados cobrando de nós roraimenses a caridade que por três anos jorramos em cima dos venezuelanos que fugiram do Socialismo.

Quando alguém de fora de Roraima nos chamar de xenófobos, vamos lembrar que semana passada venezuelanos mataram um homem à pauladas para roubar os tênis dele e também venezuelanos montaram uma emboscada para matar um senhor, roubar seu carro e vender as peças na Guyana.
Quando disserem que somos cruéis vamos lembrar que três semanas atrás venezuelanos agrediram as ÚNICAS médicas plantonistas da única maternidade de Boa Vista, fazendo assim com que elas saíssem assustadas para fazer um B.O e resultando em bebês mortos no ventre de suas mães.

Quando disserem que somos desumanos vamos lembrar das vezes que as marmitas entregues em TODOS os abrigos, muitas vezes, foram parar no lixo porque os venezuelanos diziam que frango e peixe eram comida pra cachorro, eles queriam carne vermelha. Cavalo dado não se olha os dentes? Esse ditado só existe pra gente.

Quando nos chamarem de covardes vamos lembrar que no HGR nós não temos preferência e que se eu estiver grávida e chegar num posto da prefeitura só vou conseguir uma consulta pra dali uns dois meses, ao passo que a venezuelana que atravessou a fronteira com um filho doente em cada braço e mais um na barriga consegue uma consulta pro outro dia. Ainda falando em grávidas venezuelanas, vamos lembrar que 40% dos partos na maternidade são de bebês filhos de imigrantes.

Quando disserem que somos bárbaros vamos nos recordar do casal de idosos que foi morto à pauladas (impressionante como eles adoram matar roraimense à paulada) por um casal de venezuelanos que tinham conseguido emprego de caseiros no sítio do casal, lembremos do senhor de Mucajaí, seu Japão, que numa festa da cidade foi também foi morto à pauladas por um venezuelano, o que foi a gota d'água para os moradores de lá, que fizeram a mesma coisa que os moradores de Pacaraima.

Quando nos chamarem de egoístas vamos lembrar que há duas semanas  um moleque venezuelano de 17 anos matriculado em escola estadual, tendo moradia, família e recebendo auxílio do governo, resolveu entrar em uma facção criminosa que atua no país todo e foi morto e decapitado por uma facção rival que também atua no país todo. Vamos lembrar dos venezuelanos que bateram num militar do EB porque este disse que eles não poderiam entrar bêbados no abrigo e o que fizeram? Tiraram o militar de lá, colocaram outro e deixaram os venezuelanos bêbados entrarem.

Quando falarem que somos insensíveis vamos lembrar dos moradores do bairro Caimbé que vendem suas casas à preço de banana, pois o bairro inteiro virou ponto de prostituição das "oitchenta", venda de drogas e está entregue aos arrombamentos. Meninas de 15/16 anos saem para comprar pão e são assediadas por quem passa por lá e acha que elas são prostitutas ou que entregam drogas. Já pensou você sequer poder pintar seu muro, pois de noite ele já vai tá pichado com o preço dos programas, que aliás, subiu, não é mais 80; é 100.

Quando falarem que somos irracionais vamos lembrar da dona do restaurante da Ataúde Teive que oferecendo água e comida para dois venezuelanos que apareceram chorando na porta dela quase foi morta à pauladas por eles (adoram bater na gente usando pau, impressionante).

Eu mudo de nome se aparecer alguma mulher que já foi assediada por um haitiano ou por um guyanense, e também mudo de nome se não aparecer uma roraimense que já não ouviu "gostôsssa" "delíssia" "chupa mi verga mi amor" de algum venezuelano na rua. Aliás, quem é de fora não tem a pífia noção do respeito que temos pelos haitianos e eles por nós.

Nós nem sabíamos mais o que era sarampo e, nossos muros passaram a ser adesivados com "esta casa está imunizada" para que agentes de endemias que passassem soubessem que todos ali já foram vacinados. Sem mencionar as vezes que os agentes de saúde do bairro pediam 'por favor' para nós vacinarmos. Eu me senti no Antigo Egito com o sangue do cordeiro no batente da minha porta para espantar o Anjo da Morte na hora que vi aquele adesivo no muro da casa da minha mãe. Mas eu não estava no Antigo Egito, estava num estado com 500 mil habitantes que por conta da imigração desenfreada viu em 2018 sua população atingir o número de habitantes esperado para 2040. Eu estava num estado onde vi o número de furtos, roubos, assassinatos e estupros subir de um jeito a ponto de eu deixar de amar um pouco a terra onde nasceram meus ancestrais maternos. Eu tenho medo de morar em Roraima, eu tenho medo de sair de casa depois das 21:00 ainda que seja pra ir a duas esquinas de casa comprar espetinho com farofa.

Não nos importemos com a opinião de quem não sabe nada de nós ou dos males da imigração sem freios, deixem que os grandes jornais com jornalistas safados redigindo matérias mentirosas digam que somos ímpios, enquanto eles não têm coragem de dizer que é o Socialismo de Chavez e Maduro apoiado pelo preso que eles querem como presidente que trouxe isso aos venezuelanos, e agora, os males disso aterrorizam até a nós.

Nós sabemos o que é ter um terreno invadido enquanto um socialista membro de ONG ensina os venezuelanos a dizerem ao dono do terreno que só sairão de lá com mandado. Nós sabemos o que é passar a noite inteira com dor e não ir ao HGR por medo da meningite bacteriana que isolou áreas inteiras. Nós conhecemos a impotência em vermos venezuelanos criando associação para lutar pelos seus direitos no Brasil (?) enquanto a nós, aparentemente, nos resta o medo. Nós sabemos que o número de venezuelanos é tão grande, mas tão grande que, se eles pudessem votar e algum candidato fizesse campanha SÓ para eles, ele seria eleito e entre os primeiros.

Roraima foi povoado por gente que viu no nosso pedaço de chão uma esperança para um futuro que não existia mais em sua terra natal. Roraima sempre abrigou quem veio trabalhar ainda que não tivesse onde dormir no fim do dia. Nunca iríamos negar aos venezuelanos as oportunidades que demos aos haitianos e os brasileiros de outros estados. Meu pai saiu de São Paulo e em 1981 chegou em Roraima, casou com uma Makuxi e foi pai de duas índias. Roraima tem mais gente de fora que do próprio estado, com que direito esses apedeutas dizem que somos xenófobos se somos filhos de imigrantes que desbravaram essa terra quando tudo era só mato? Sempre acolhemos todo mundo. E por três anos, três longos anos ajudamos do jeito que podíamos. Há um ditado que diz que toda caridade deve ser anônima, do contrário, é vaidade. E nada do que fizemos por eles foi por vaidade, sempre fomos um povo generoso, sempre acolhemos quem veio sem nada, sozinho, assustado. A nobreza em se pôr no lugar do venezuelano, que tanto nos cobram, nós já tivemos antes mesmo das pessoas que nos xingam conseguirem apontar Roraima no mapa do Brasil.

Não se preocupem em explicar porque não ajudamos, quando nós sabemos que ajudamos até demais, além das nossas forças. Eu lembro de matéria da TV Roraima de uma senhora no Paraviana que abrigou venezuelanos dentro de casa e o marido a chamou de louca. Também lembro que Pacaraima não tinha um homicídio há três anos e numa tarde teve dois assassinatos em plena luz do dia no meio do comércio. Quem nos julga não sabe que venezuelanos em massa já conhecem audiência de custódia, já falam que somos nós que temos que aprender espanhol e não eles o Português, e não é que estavam certos? Afinal, no edital PCRR estão pedindo espanhol para os candidatos que querem ser policiais.

Todo roraimense já sustentou a frase "mas nem todos" e todo roraimense sabe que isso não se aplica mais ao que vivemos. Já se foi o tempo que podíamos separar o ruim, doente e ilegal daqueles poucos que vieram trabalhar. E que diga-se de passagem nem estão mais em Roraima. São Paulo, Mato Grosso e Rio de Janeiro já receberam venezuelanos com nível superior, solteiros, sem filhos, sem passagens pela polícia, com cartão de vacina em dia e passaporte em mãos. O que sobrou para nós? Os doentes, os que furtam, roubam, assediam, entram no crime e, ainda há os que defendem Chavez. Eu não vi brasileiros xenofóbos em Pacaraima, eu vi pessoas cansadas, com medo, abandonadas pelo Governo Federal enquanto assistem a construção de mais um abrigo no estado ao passo que comerciantes de lá tem que dormir nos seus mercados para impedir que estes sejam arrombados.

Não demos explicações a ninguém. Ninguém sabe quantos roraimenses estão neste momento com medo, ou mutilados, ou internados depois de espancamento, ou quantos estão de LUTO por causa da imigração.

Quem é de fora e nos critica não tem envergadura moral para falar nada, nem a mais rasa e respeitosa crítica, pois nenhuma dessas pessoas teve culhão ou grelo duro (como dizem as feministas apoiadores do Lula) para apontar o nome do sistema que levou os venezuelanos à ruína ou se fez de cego e surdo quando começamos a dizer que vivíamos à beira de uma tragédia anunciada.

Nós não devemos explicações a quem fechou os olhos para os nossos males e só os abriu agora que estamos cansados. A essa gente que nos critica, mas não tece(u) nenhum comentário sobre Chavez, Maduro ou o Socialismo covarde que destruiu o país vizinho nos limitemos a dizer "vão à merda".

(Texto de Daniele Custódio, de Roraima)

da Redação


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ITABUNA CENTENÁRIA SORRINDO: E se os candidatos à presidência fossem carros?


Se os candidatos fossem carros...


Cabo Daciolo: Opala de arrancadão - só faz barulho, mas não serve pro dia a dia!

Ciro Gomes: Ambulância - ajuda, mas ninguém quer andar com ela!

Bolsonaro: Jeep - Foi feito para o Exército, mas impõe respeito na cidade!

Henrique Meirelles: Landau 1979 - Todos admiramos, mas ninguém confia para uma viagem longa!

Marina: Carro no GNV - faz bem pra natureza, mas quando precisa de força não tem!

Alckmin: Rolls-Royce - Um clássico, mas custa muito caro manter!

Álvaro Dias: Carro Tunado - Só de olhar pra lata você vê que foi alterado!

Amoedo: Tesla - moderno e tecnológico, mas todo mundo tem medo de deixar a direção com ele! 

Boulos: Saveiro rebaixada de escape aberto - ninguém sabe pra que serve essa merda mas tem quem gosta!

Lula: Veículo com a documentação irregular. Tá apreendido!!!


(Autor Desconhecido)

Recebi via WhatsApp

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MELHOR CARREIRA PARA O FUTURO? SABER PENSAR - Nikola Krestonosich


Jul 29, 2018


Inteligência artificial e a relevância renovada da filosofia no mercado de trabalho


Desde seus primeiros dias na costa leste do Mediterrâneo, mais especificamente na costa do que hoje é a Turquia, a filosofia teve que enfrentar a acusação de ser inútil. Repetidamente, os filósofos tiveram que se defender contra a acusação de não contribuir com nada para a sociedade como um todo. E desde a história de Thales de Mileto de cair num poço enquanto olhava para as estrelas, nunca faltaram histórias de filósofos desajeitados, e eles quase constituem todo um gênero literário dentro da história da filosofia.

Mas, apesar dessa representação usual, a filosofia tem sido um fator-chave na formação da história. Não apenas no sentido de que os filósofos tiveram um papel ativo em momentos importantes (apenas temos que pensar em Brutus e Cássio tramando contra CésarJohn Locke participando da fundação do partido inglês Whig ou John Stuart Mill como um oficial administrativo da Companhia Britânica das Índias Orientais), mas também no sentido de que os trabalhos dos filósofos na verdade moldaram as ideias da sociedade ocidental. As pessoas tendem a esquecer, mas a verdade é que o que hoje entendemos por pesquisa científica, economia e até política, só para citar as primeiras coisas que vêm à mente, são o produto final de um processo de pensamento que foi iniciado por filósofos.

E todos os sinais atuais apontam para uma época em que a filosofia voltará a ser crucial na formação da opinião pública. Os desenvolvimentos em inteligência artificial (IA) são de tal magnitude e estão ocorrendo em ritmo tão rápido que eles estão pressionando por uma reavaliação de conceitos fundamentais, e é o filósofo, e seus colegas humanistas, que estão em uma posição melhor para fazer, ou pelo menos iniciar este processo de reavaliação.

Todas as empresas de tecnologia que trabalham no campo parecem entender isso. Elas estão contratando dramaturgos, poetas e até mesmo comediantes para ajudá-las a melhorar seus assistentes pessoais baseados em inteligência artificial, e estão cortejando filósofos para ajudá-las a entender a natureza dessas invenções.

É em conexão com esses desenvolvimentos que o bilionário e empreendedor de tecnologia Mark Cuban tem afirmado ultimamente que, em um futuro próximo, a graduação em filosofia será mais valiosa do que uma graduação em ciência da computação ou engenharia:

“Eu vou fazer uma previsão; em 10 anos, um diploma de artes liberais em filosofia valerá mais do que uma graduação tradicional de programação… O que está acontecendo agora com a inteligência artificial é que começaremos a automatizar a automação. A inteligência artificial não precisará de você ou de mim para fazer isso, ela será capaz de descobrir como automatizar as tarefas nos próximos 10, 15 anos. Agora, a parte difícil não é se mudará ou não a natureza da força de trabalho. A questão é, durante o período em que isso acontece, quem será deslocado?

Os analistas veem o mercado de trabalho como algo que mudará radicalmente nos próximos anos e até mesmo afirma que os empregos que são mais lucrativos agora (contabilidade e programação de computadores, por exemplo) estarão sujeitos aos poderes da automação. Para se manter competitivo, ele aconselha os jovens a se formarem em cursos que ensinam a pensar de uma maneira geral, como filosofia:

“Saber como pensar criticamente e avaliar a partir de uma perspectiva global, eu acho, será mais valioso do que o que vemos como carreiras do momento, como a programação”.


Nikola Krestonosich

Professor Nikola Krestonosich has taught in the areas of philosophy of language, history of modern philosophy, political philosophy and philosophy of history. He is currently pursuing a PhD in philosophy from the Catholic University of Louvain, Belgium. 



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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

QUERO VOLTAR A CONFIAR! - Arnaldo Jabor


Quero voltar a confiar!

Ligue o vídeo abaixo:

Fui criado com princípios morais comuns: Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos, eram autoridades dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades…

Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade… Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror…

Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos.

Por tudo o que meus netos um dia enfrentarão. Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos.

Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos. Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. Pagar dívidas em dia é ser tonto… Anistia para corruptos e sonegadores…

O que aconteceu conosco? Professores maltratados nas salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas.

Que valores são esses?

Automóveis que valem mais que abraços, filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano. Celulares nas mochilas de crianças.

O que vais querer em troca de um abraço?

 A diversão vale mais que um diploma. Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa. Mais vale uma maquiagem que um sorvete. Mais vale parecer do que ser…

Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo?

Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores!

Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão!

Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a vergonha na cara e a solidariedade. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho. Quero a esperança, a alegria, a confiança!

Quero calar a boca de quem diz: “temos que estar ao nível de…”, ao falar de uma pessoa. Abaixo o “TER”, viva o “SER”. E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como um céu de primavera, leve como a brisa da manhã! E definitivamente bela, como cada amanhecer.

Quero ter de volta o meu mundo simples e comum. Onde exista amor, solidariedade e fraternidade como bases. Vamos voltar a ser “gente”. Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas.

Utopia? Quem sabe?...

Precisamos tentar…

Quem sabe comecemos a caminhar transmitindo essa mensagem…

Nossos filhos merecem e nossos netos certamente nos agradecerão!


Arnaldo Jabor


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RELATO DE EXPERIÊNCIA, BIENAL DO LIVRO 2018, por Heloísa Prazeres


Desde sempre prestigiei a Bienal do livro, como visitante — este evento cinquentenário, que a cidade de São Paulo promove. Neste ano, de 03 a 12 de agosto, presenciei o encontro das principais editoras, livrarias e distribuidoras do país por um lado novo e diferenciado, ou seja, lá estive como autora, credenciada, levando na lapela um botão de prestígio. Passei de uma para outra margem.

Assisti à adesão de muitos, que me cercam, e apoiam a atividade em torno do livro e da poesia.

O Casa onde habitamos, SP: Scortecci, 2016, publicado em janeiro de 2017, e agora relançado na Bienal, aborda a incomunicabilidade, o luto moral e as relações possíveis no mundo contemporâneo. Seu conteúdo resulta de vivências sociais e intelectuais, e a metáfora ‘casa’ surge como imagem feminina, da qual me aproprio, ampliando-a para o elemento Terra. O livro destina-se a público cuja insatisfação com a realidade leve a buscas complementares. Creio que leitoras, principalmente, se beneficiarão, pois há um forte apelo a imagens femininas.

Outro livro, do qual participei, como coautora, também veio a público durante a Bienal; trata-se do sugestivo título O silêncio das palavras. SP, Scortecci, 2018, uma Antologia que reúne vozes de todas as regiões do país. Sei que me encontro naturalmente ligada à área de Letras e lido profissionalmente com a literatura. Aliás, sempre privilegiei a leitura e a escrita como meios complementares de aperfeiçoamento; a escrita me completa e traduz anseios de comunicação subjetiva e intelectual. Defendo que quem lê, gosta de si, e privilegia o tempo dedicado ao desejável objeto livro. Acredito, por isso mesmo, no trabalho contínuo de conquista de leitores, acolhendo a poesia com amorosidade e esperança.

O livro que me levou à Bienal é a minha segunda coletânea de poesia. A primeira, ensaios, data do início dos anos 2000; o segundo, poemas, Pequena história (PRAZERES, 2014), o mais recente Arcos de sentidos, literatura, tradução e memória cultural (2018), venho, pois, lidando com temas como solidão/comunhão/tempo e espaço, que resultam de experiências subjetivas e profissionais.

Faço este relato por sugestão da cara amiga, Eglê Machado, porque, ao ocupar, como disse, um novo lugar, no imenso pavilhão que abrigou expositores, levei comigo a multidão que me traduz; além de que, essa vivência iniciou-se a 03/8, dia dos anos do meu pai, a quem homenageio e reverencio sua memória. Vida e poesia.

.....

Heloísa Prazeres é natural de Itabuna, BA. Citada no Dicionário de autores baianos. Salvador: Secult, 2006, e no Dicionário de escritores contemporâneos da Bahia, Cepa, 2015. Medalha de Bronze do I Concurso Literário da AECALB, Rio de Janeiro, 2016. Publicou, em livro, Temas e teimas em narrativas baianas do Centro-Sul. Fcja; Unifacs; Secult, 2000; Pequena história, poemas selecionados. Salvador: Quarteto, 2014; Casa onde habitamos. Poesia. SP: Scortecci, 2016. Arcos de sentidos, literatura, tradução e memória cultural. Itabuna: Mondrongo, 2018. Participou das Antologias Outros riscos do Prêmio Damário DaCruz de Poesia. Salvador: FPC/ Secult, BA e Quarteto, 2013; Poetas da Bahia, III. Salvador: Expogeo, 2015, Antologia 5º Prêmio Literário de Poesia, Portal Amigos do Livro, São Paulo: Scortecci, 2015, O silêncio das palavras, São Paulo: Scortecci, 2018. 
Bacharel e Mestre em Letras pela UFBA. Cumpriu doutorado em Literatura na University of Cincinnati, Oh. EUA. Professora adjunta, aposentada do IL da UFBA. Foi titular na Universidade Salvador, Unifacs. Coordenou o Núcleo de Referência Cultural da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

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terça-feira, 21 de agosto de 2018

ESCRITORA LORENA ZAGO APRESENTA 'O ACAMPAMENTO'


Publicado: 20 Agosto 2018
Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Margarida Lorena Zago (Lorena Zago) é pedagoga pela FUBR (Fundação Universidade Regional de Blumenau – SC); pós-graduada em Psicomotricidade e em Psicopedagogia pela UNIDAVI (Universidade Para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí – SC); mestranda em Educação pela UPAP (Universidade Politécnica e Artística Del Paraguay – PY);

parapsicóloga pelo Instituto de Parapsicologia e Ciências Mentais de Joinville, SC; presidente da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina em Presidente Getúlio; membro do Conselho Estadual da Academia de Letras do Brasil Santa Catarina e membro do Conselho Superior Brasileiro da Academia de Letras do Brasil. Zago foi Secretária Municipal de Educação e Cultura no município de Presidente Getúlio por dez anos. É casada e tem três filhas e quatro netos.

“O objetivo principal deste conto tem como alicerce belíssimas lições de vida de um menino da cidade, contracenando com as belezas naturais de uma floresta que lhe é apresentada pelo avô, em um acampamento durante um fim de semana.”
Boa leitura!

Escritora Lorena Zago, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a escrever “O Acampamento”?

Lorena Zago - Os personagens do conto “O Acampamento” são assíduos leitores dos contos que eu havia escrito anteriormente. Imbuídos em contribuir com as histórias infantis e deixando uma mensagem de fantasia mediada com a realidade aos leitores e a literatura infanto-juvenil, empenharam-se os meus personagens em contribuir com uma aventura de um fim de semana em busca de conhecimento no meio de uma floresta.

O que mais a atrai nos contos?

 Lorena Zago - O que mais me atrai nos contos infantis, infanto-juvenis e adultos é a possibilidade de viajar no fantasioso universo imaginário, deleitando-me com os cenários e personagens. Coloco-me em suas aventuras, sonhos e realidades. Sinto-os um a um e fico maravilhada com suas conquistas, aprendizagens, vivências, respeito, amor, carinho, amizades, diálogos e muito mais…

Vislumbro um universo familiar que aponta para a importância da união e desvelo entre os seres que compõem o seio familiar, tão importante para a formação dos cidadãos.

Apresente-nos “O Acampamento”.

Lorena Zago – “O Acampamento” é um conto que apresenta uma experiência fantástica de um avô e seu neto em busca de conhecimento em uma floresta. O objetivo principal deste conto tem como alicerce belíssimas lições de vida de um menino da cidade, contracenando com as belezas naturais de uma floresta que lhe é apresentada pelo avô, em um acampamento durante um fim de semana. Uma história que poderá ser lida por pessoas de oito a oitenta anos, servindo de lição para inúmeras famílias, primando por aprendizagens múltiplas no seio familiar.

Qual a mensagem que deseja transmitir ao leitor por meio da leitura desta obra literária?

Lorena Zago - O objetivo maior ao escrever contos infantis ou infanto-juvenis é a valorização das vivências saudáveis no seio familiar. Entendo ser este o núcleo mais efetivo e de suma importância para a constituição e contribuição na formação dos cidadãos e de suas personalidades. Os momentos saudáveis vivenciados com avós, pais, tios, professores e amigos ficarão registrados eternamente no baú da memória. Haveremos de dar o devido valor aos seres em construção e em evolução.

Qual o momento, enquanto escrevia “O Acampamento”, que mais chamou sua atenção?

Lorena Zago - Ao escrever “O Acampamento” inseri-me em cada momento vivenciado por seus pares. Senti-lhes a alegria desde a preparação dos pertences na noite anterior ao passeio, a felicidade de Marcos ao acordar na manhã seguinte, a chegada à casa do vovô José e finalmente a realização do grande sonho de um avô e de seu neto em busca do desconhecido em meio a uma floresta.

Para Marcos tudo era novo, e a expectativa o deixava eufórico.

A alegria dos pares, a cada novo movimento vivenciado, era imensurável!

Todos os momentos corroboravam para aprendizagens prazerosas, instigantes, coroados de amor, confiança e infinitos conhecimentos inimagináveis.

Marcos, seu avô José e seu pai, Lauro, viveram uma aventura belíssima em meio à natureza. Fauna e flora eram por demais lindas e contagiantes!

O que a escrita representa para você?

Lorena Zago - A escrita proporciona-me sonhar, viajar a lugares desconhecidos, transpor horizontes e fronteiras. Aguça o meu mundo interior, imaginário, permitindo-me desnudar minha alma, meus anseios, minhas frustrações, alegrias e superações. Dialogo com o desconhecido possibilitando-me o encontro com os leitores, dos quais, inúmeras vezes, recebo mensagens gratificantes. Isso me move a inserir-me cada vez mais na arte da escrita. O diálogo inimaginável é o maior retorno e estímulo que um escritor pode receber. Amo escrever!

Além de “O Acampamento”, você tem outras obras publicadas. Apresente-nos os títulos.

Lorena Zago - Tenho 8 obras publicadas e outras em andamento à espera de publicação, dentre as quais: contos infantis, infanto-juvenis, adultos, poemas, lendas e romances.
Publicadas: “A Borboleta Encantada no Jardim Secreto”, “A Canoa de Coqueiro”, “Tomy e a Princesa do Mar”, “Um Natal de Esplendor”, “Um Segredo Muito Sigiloso”, “O Acampamento”, “Poemas”, “Contos e Encantos I”, “Poemas, Contos e Encantos II”, em português, espanhol e alemão. Participo de inúmeras antologias e coletâneas.

Onde podemos comprar seus livros?

Lorena Zago - Meus livros podem ser adquiridos nas Livrarias Catarinense de Blumenau, Florianópolis, Itajaí, Joinville, Balneário Camboriú; Livrarias Curitiba; e na Central Livros em Rio do Sul, Blulivros em Blumenau, Analú Presentes em Presidente Getúlio e pelo Messenger no Facebook.

Quais os seus principais objetivos como escritora?

Lorena Zago - Como escritora meus principais objetivos estão alicerçados em mensagens de bem-estar, amor ao próximo e à natureza. Também pretendo vislumbrar superações apontando para a evolução dos seres. Meu diálogo pretende transcender o amor em dimensão maior. Sinto que há a necessidade se abrir as portas das memórias e dos corações, emanando ao mundo generosas doses de compreensões, diálogo e reflexões profundas, para amenizar ou até mesmo erradicar a necessidade do Ter pelo Ser. Primo pela mudança saudável e por um mundo mais humano!

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Lorena Zago. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Lorena Zago - Queridos leitores, honro-me com cada Ser que se dispuser a dialogar comigo nas linhas e entrelinhas dos meus escritos. Que as minhas mensagens possam servir para despertar momentos de reflexões, lazer e ações prazerosas a vocês, leitores, refletindo-se às pessoas e contextos de seu entorno. Um forte e carinhoso abraço literário de paz e luz!

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura


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DIÁRIO DE VIAGEM Francisco - Benício dos Santos (12)


BORDO DO Pedro II

31º DIA (Continuação)

Post anterior - clique no link abaixo: 


No mesmo “Hudson”, o navio que me trouxe de Valparaíso, embarco com destino ao México, via Canal do Panamá. Quito.
O navio demorou poucas horas no porto. Não saltei.
Caracas. Venezuela.
Desembarco.
Percorro a cidade de automóvel e visito os pontos principais.
Palácio Mira Flores, Museu Nacional...
Estamos no Panamá.
O navio é medido e revistado para poder penetrar no canal propriamente dito.
Maravilhosa obra de arte e de engenharia que assombrou o mundo e superou todas as realizações do engenho humano.
Via de comunicação segura entre o Pacífico e o Atlântico, sem os perigos e os riscos da travessia pelo estreito de Magalhães.
O homem aqui venceu a natureza e superou-a.
A língua que se fala e que se ouve é somente a inglesa.
Tudo americanizado.
O dólar é o imperador.
De comporta em comporta, ordens, contraordens, tudo mecanicamente, militarmente disciplinado...
Vamos sulcando as águas protegidas e tranquilas do canal.
Fortificações monstruosas dos Estados Unidos de uma e outra margem do canal.
No Pacífico a frota de guerra americana faz exercício de tiro.
Ondas de aviões passam ensurdecendo tudo com o ruído dos seus possantes motores.
E os tiros espaçados dos couraçados são ouvidos ritmadamente.
É o poderio e a potência da bandeira estrelada.
Cinquenta quilômetros de travessia e o espetáculo solene da entrada do “Hudson” no Oceano Atlântico.
Um apito, um tiro de canhão,  e a marcha livre do transatlântico no leito macio das águas atlânticas.
Rumo ao México, sem escala.
Na costa, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e, no meio do Atlântico, como um oásis de bem-aventurança e fartura – Cuba.
Amanhecemos tendo Vera Cruz em nossa frente.
O sol dardejava latejadas de luz sobre  os metais dos navios, tirando chispas e queimando a epiderme cor de camarão torrado dos marinheiros “ianques”, desnudos, a fazerem a lavagem do tombadilho, metidos em botas de borracha, dorso nu e, na cabeça um minúsculo gorro branco com a aparência  exótica.
Saltamos.
Viagem para o México de automóvel.
Estou instalado na capital da República do México – o término e o ponto final  da minha excursão – viagem-prêmio.

As visitas protocolares de praxe.
Hotel Juarez

Uma surpresa:

Uma carta de Nísia por intermédio da Embaixada do Brasil, avisando-me da próxima chegada da Embaixada que em viagem de retorno, breve estariam nesta capital.
A alegria foi indescritível.
Era o remate final, com chave de ouro.
A terra de Juarez e dos astecas, quíchuas, é verdadeiramente impressionante.
Ruínas e vestígios de um passado importante e de uma civilização maravilhosa observa-se a cada passo.
Templos e escombros de cidades que diziam da magnificência destruída.
Lembranças me vêm à mente, dos morticínios perpetrados por Cortez, cuja cobiça e rapinagem destruíram um povo e uma civilização pacífica e interessante.
Quanto sangue, quanta miséria, quanta destruição perpetradas em nome de uma religião que queria salvar as gentes das garras do paganismo!...
Oh! Espanha criminosa, Espanha inimiga do progresso, ah, Espanha fradesca e inquisitorial.
Tu manchaste a terra com o sangue das vítimas inocentes, imoladas ao altar dos teus inconfessáveis desejos.
Hás de pagar um dia perante a história, as tuas culpas e os teus crimes.
O sangue dos habitantes do México e do Peru clama contra ti e a justiça é tardia, mas um dia chegará.
Maximiliano pagou e era culto e bom.
Os descendentes do intrépido Juarez estão se multiplicando e com eles o grito de vingança e de revolta contra esta Europa cínica e criminosa, egoísta e idólatra.

Chegada da Embaixada acadêmica brasileira.

Faz hoje sessenta dias de viagem, viagem em que estou a fazer um “S” pelas Américas.
O cérebro cheio de emoções e de recordações.
E na tela do pensamento vejo deslizarem as cenas, os cenários, os motivos e as vistas panorâmicas policrômicas que me deixam extasiado com a sua contemplação.
Fecho os olhos e percorro toda a caminhada.
Rio, Santos, Porto Alegre, Montevidéu, Buenos Aires, os Andes, o Pacífico, Santiago, Valparaíso. Calau, Lima, Cuzco, Titicaca, Quito, Caracas, Panamá, o Atlântico, Vera Cruz, México...

Abro-os e digo assim a mim mesmo:
Nada igual ao meu Brasil. (continua na próxima postagem)


(AQUARELAS E RECORDAÇÕES  Capítulo XXII)  continuação...
Francisco Benício dos Santos

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