Saiba, Você nasceu neste tempo, neste lugar, para uma
grandiosa missão. Esta missão é para trazê-lo à verdade de quem você é, a
grandiosa verdade acerca da espécie humana. Você é semente das estrelas, você
sabe. Sua espécie veio de civilizações muito além deste lugar, eons anterior ao
tempo. Você veio de um lugar de grande conhecimento, e por eons você participou
de um jogo chamado “Eu me esqueci de quem eu sou realmente”.
Então quem é você? Bem, a verdade é que você é poderoso, ser
espiritual multidimensional, vindo existência após existência, participar de um
jogo espiritual chamado “a vida humana agora”. E você está vindo para uma
grandiosa mudança: O fim de um ciclo muito extenso que tem 52.000 de seus anos,
e o término, também, de um ciclo particular de 25.000 anos com os quais você
está muito envolvido nesta consciência, e o início de um novo ciclo. O novo
ciclo é a aceleração da freqüência vibracional que compreende o seu ser
molecular, emocional e espiritual. Isto afetará não somente os humanos, mas
também a própria Terra. Você e ela co-existem; vocês são interdependentes e
parte de uma grandiosa consciência.
De fato, a verdade é que nada está separado. Você não está
separado da Terra. Você não está separado de qualquer coisa, nem mesmo do que
você considera ser artificial. Então você é, na verdade, poderoso ser
espiritual, mesmo que você não sinta isto, você veio para fazer uma grande
descoberta conhecer cada célula e cada fibra do seu ser, a verdade grandiosa.
Você poderia chamar de mudança, iluminação ou superconsciência. Tudo
isto significa que você estará vibrando a um índice mais rápido. Também
significa que você conhecerá a sua própria verdade.
Naturalmente, seria motivo de muita felicidade se você
lançasse a palavra “iluminação” ou “superconsciência” pela janela. Iluminação é
simplesmente o resultado natural de amar absolutamente cada faceta sua. Tudo o
que você se esforça muito para ser mais “espiritual”, para estar mais no
caminho da iluminação, tudo isto pressupõe-se que você já não é
totalidade.
Mas, entenda, a verdade é que você é o todo. Você é o que
você esforça-se para se tornar. Está dentro de você. É parte da estrutura do
seu ser, porque a mais grandiosa verdade é que você é, em cada momento do
Agora, uma expressão perfeita, eterna da Fonte. Esta é a sua verdade. Você pode
dizer: "Se esta é a verdade, como não me sinto desta forma?” “Como eu não
sou um manifestante magnífico?” “Por que é que há um padrão recorrente de
sabotagem, de mágoa, de carência em minha vida?” “Como é que eu não sinto esta
verdade?”
Bem, você se programou para acreditar que você
não era adequado. Você se programou para existir na carência. Você se programou
para não conhecer o amor e certamente não amar quem você é. As verdades básicas
acerca da sua realidade é que você cria a sua própria realidade, absolutamente.
Não há exceções. Não há tal coisa como coincidência. Não há tais coisas como
acidentais. A algum nível, você cria isto tudo. Até que você absorva este
conhecimento, você fica preso, sendo uma das vítimas da vida.
Assim como você se imagina uma vítima do destino,
do carma, da circunstância, do caos ao acaso, você é ineficiente. A partir do
momento que você se levanta e diz: "Eu sou responsável!” “Eu posso criar o
que quiser com minha mente!” você pode transcender para um lugar de poder e de
absoluta realização. Então, isto lhe deu algo sobre o que pensar, hein?
Talvez você ande horrorizada (o) com os últimos
acontecimentos políticos do Brasil. Talvez esteja achando que nasceu no país
errado, ou até pensando em se mudar para Portugal ou para a Cochinchina. No
entanto, como este almanaque dominical pretende trazer alegria ao coração das
leitoras e dos leitores, afirmo que os males que nos afligem poderiam ser
piores. Duvida? Pois vou lhe contar uma pequena fábula.
Certa vez, estava eu na casa de meu amigo João Ubaldo
Ribeiro e, numa pausa entre nossos afazeres profissionais, decidimos, por
distração, escalar a Seleção do Mal.
No gol, escalamos Torquemada, o Grande Inquisidor espanhol,
terror de judeus e muçulmanos. Dizem que, na dúvida, torturava e queimava
também cristãos, na certeza de que Deus, lá em cima, havia de fazer a triagem.
Felizmente, não me lembro quem era o lateral direito, mas sei que, para a
lateral esquerda, Ubaldo sugeriu Mao Tsé Tung. Discordei: “Mas o Mao é nosso!”
O João, peremptório, argumentou: “Dezenas de milhões de mortos.” E
restabeleceu-se a concórdia: Mao tornou-se titular absoluto.
No meio de campo, só escalamos volantes botinudos: Bokassa,
Pol Pot e Idi Amin Dada, todos genocidas. E, para completar o time, armamos o
ataque com Josef Stálin na esquerda, Calígula no meio, e Adolf Hitler na
ponta-direita. Só faltava o número 10, o gênio, o Zinedine Zidane, que fosse o
cérebro do time. Não me lembro qual de nós dois sugeriu o nome terrível: o
Marquês de Sade.
Quando acabamos de escalar a Seleção do Mal, trememos nas
bases, assombrados com o poder de fogo dessa reunião de criaturas malévolas.
Nossa sorte foi a chegada da dona da casa, Berenice Batella Ribeiro, musa e
patroa do João Ubaldo. Ao nos ver com a aparência lamentável que ostentávamos,
ela nos perguntou: “Que cara é essa, meninos?” Explicamos que havíamos acabado
de escalar a Seleção do Mal.
E ela, com a sabedoria que lhe é peculiar, recomendou: “Pois
escalem a Seleção do Bem.”
Esperançosos, escalamos Jesus Cristo no gol, de braços
abertos. São Francisco de Assis na lateral direita, Buda na lateral esquerda,
tirando proveito de seu porte físico para barrar os atacantes do Mal.
Não me lembro qual era o meio de campo, mas tinha craques
como José de Anchieta, volante moderno, capaz de catequizar, apoiar o ataque e
ainda marcar gol. Se não me falha a memória, o time tinha Gandhi, Zoroastro e
Tomás de Aquino. Só faltava o gênio, o camisa 10. Quando nos ocorreu o nome de
William Shakespeare, ficamos aliviados. Aleluia.
Moral da fábula: apesar das vicissitudes do presente,
podemos nos consolar com a ideia de que nossos vilões, graças aos céus, são de
terceira categoria. Não servem nem para a reserva da Seleção do Mal. Em breve
ficaremos livres deles. Ou será que me engano?
Geraldo Carneiro - Sexto ocupante da Cadeira 24 da ABL,
eleito em 27 de outubro de 2016, na sucessão de Sábato Magaldi e recebido em 31
de março de 2017 pelo Acadêmico Antonio Carlos Secchin.
34º Domingo - Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei
do Universo
Assentar-se-á em seu trono glorioso
e separará uns dos outros.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
25,31-46
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
Quando o Filho do Homem vier em sua glória, acompanhado de todos os anjos, então se assentará em seu trono glorioso.
Todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
E colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda.
Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: `Vinde benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo!
Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar'.
Então os justos lhe perguntarão:
`Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Com sede e te demos de beber?
Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos?
Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?'
Então o Rei lhes responderá:
`Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos,
foi a mim que o fizestes!'
Depois o Rei dirá aos que estiverem à sua esquerda: `Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos.
Pois eu estava com fome e não me destes de comer; eu estava com sede e não me destes de beber;
eu era estrangeiro e não me recebestes em casa; eu estava nu e não me vestistes;
eu estava doente e na prisão e não fostes me visitar'.
E responderão também eles:
`Senhor, quando foi que te vimos com fome, ou com sede, como estrangeiro, ou nu, doente ou preso,
e não te servimos?'
Então o Rei lhes responderá:
`Em verdade eu vos digo, todas as vezes que não fizestes isso
a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes!'
Portanto, estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna'.
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger
Araújo:
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Realeza que se revela no serviço
“...todas as vezes que fizestes isso a um dos menores
de meus irmãos, foi a mim que o fizestes”
Rei, título inapropriado para Aquele que tocou leprosos, que
preferiu a companhia dos excluídos e não dos poderosos do povo, que lavou os
pés dos seus discípulos, que não tinha riqueza nem poder... O senhorio de Jesus
foi a do amor incondicional, do compromisso com os mais pobres e sofredores, da
liberdade e da justiça, da solidariedade e da misericórdia... Com sua palavra e
sua vida Ele afirmou que “não veio para ser servido, mas para servir”. Por
isso, assumiu uma posição crítica frente a todo poder desumanizador.
A festa de “Cristo Rei”, que encerra o Ano Litúrgico, pode
ser ocasião propícia para “transgredir” nossa concepção de “rei” e “reinado”, e
evitar um triunfalismo religioso, pura imitação dos reis deste mundo que vivem
às custas da exploração dos seus súditos.
Jesus nunca se proclamou rei; o que Ele fez foi colocar-se a
serviço total do Reino, de forma que este foi o centro mesmo de sua pregação e
de sua vida, a Causa pela qual estava apaixonado e pela qual deu sua vida.
Importa, pois, honrar a verdadeira identidade de Jesus: Ele não foi rei, nem
quis ser nunca, por mais que alguns cristãos creem que chamando-o assim
prestam-lhe as devidas honras. A melhor honra que devemos prestar a Jesus é
prolongar seu modo de ser e de viver. É preciso voltar a Jesus e sua Causa.
Se Jesus não foi rei historicamente, nem se chamou rei, nem
deixou que lhe chamasse assim, recusou e se retirou quando queriam fazê-lo rei,
tem sentido que nós o aclamemos com esse título? Por quê?
Jesus é Rei porque deixa transparecer sua “realeza”: o que é
mais real, mais humano e divino, a sua verdade, seu ser verdadeiro... no mais
profundo de si mesmo. Realeza que se visibilizava no encontro com o outro. A
partir de seu ser verdadeiro, Jesus destravava e ativava a realeza escondida em
cada um.
Este é o sentido profundo do título: ser Rei sem tomar o
poder, sem exercê-lo com a força das armas, sem a pressão da justiça legal, sem
prestígio, sem riqueza... Esta é a tarefa da nova humanidade, a promessa de um
Reino do conhecimento verdadeiro, da igualdade e da justiça, da fraternidade e
não violência..., para que todos sejam reis, no sentido radical da palavra.
Segundo o relato de Mateus, quando chegar o momento supremo,
a hora da verdade definitiva, a única coisa que ficará de pé, o que somente
será levado em conta como critério de salvação ou perdição, não vai ser nem a
piedade, nem a religiosidade, nem as práticas espirituais, nem a fé, nem mesmo
o que cada pessoa tiver feito ou deixado de fazer para com Deus; o que vai ser
considerado é apenas uma coisa, a saber: o que cada um tiver feito ou deixado
de fazer para com os seres humanos.
A fundamentação está no fato de que Jesus se identifica com
cada ser humano, de maneira especial com aquele que mais sofre, vítima da
violência, da exclusão, da pobreza, da humilhação... Essa identificação e essa
fusão de Jesus com os humanos (“foi a mim que o fizestes”) é tão forte e tão
decisiva que, no momento do encontro definitivo com Ele, o critério para entrar
no Reino não é o que cada pessoa fez ou deixou de fazer “para” Deus, mas o que
ela fez ou deixou de fazer “para” os seus semelhantes que cruzaram o seu
caminho e que clamaram por uma presença solidária e compassiva.
Na parábola do “juízo final” não é casual que os casos ali
mencionados são as situações mais baixas, mais humilhantes e as que mais
detestamos, de acordo com o que neste mundo se considera necessário para ser
uma pessoa de sucesso e que goza de uma vida cômoda e digna: a comida, o vestuário,
a saúde, a liberdade e a legalidade de quem não é um estrangeiro ou um
imigrante “sem documentos”. Essa lista de situações extremas refere-se à
realidade de sofrimento e exclusão. E Jesus assume como sua a dor de cada ser
humano, pois, mediante sua Encarnação, Ele se identificou e se fundiu com o
mais basicamente humano, com aquilo que é comum a todos os seres humanos, sem
nenhuma distinção.
Toda parábola desperta ressonância e causa impacto no nosso
ser profundo; não é um relato periférico e neutro; escutar ou ler uma parábola
é sentir-se implicado nela ou, em outras palavras, toda parábola deixa
transparecer nossa real identidade; por isso, a parábola do “juízo final” pode
também ser lida em “chave de interioridade”: o que em mim está excluído, faminto,
desamparado, exilado, preso... e que precisa ser integrado e iluminado?
Mas a luz da parábola desvela nosso eu interior e deixa
transparecer também nossos pontos nutrientes, iluminantes... que serão fonte de
salvação para as dimensões do nosso ser profundo que ainda permanecem na sombra
da não aceitação.
Por outro lado, precisamos deixar ressoar em nosso “eu
profundo” as palavras duras do Rei Eterno: “Afastai-vos de mim, malditos! Ide
para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. Centrados em nós
mesmos e separados dos outros, vamos alimentando uma espécie de ego (força
diabólica: força que divide). Todo “ego” é possessivo e manifesta-se como
um desejo insaciável de acumular, possuir, não compartilhar... O ego exacerbado
quer controlar o seu mundo: pessoas, acontecimentos e natureza. Ele compara-se
com os outros e compete pelos elogios e pelos privilégios, pelo amor, pelo
poder e pela riqueza. É isso que nos torna invejosos, ciumentos e ressentidos
em relação aos outros. Também é isso que nos torna hipócritas, dominados pela
duplicidade e pela desonestidade.
Esse ego centrado em si próprio não confia em ninguém a não
ser em si mesmo; ele não ama ninguém e quando “ama” é para atender apenas às
suas próprias necessidades e à sua própria gratificação. Sofrendo de uma falta
total de compaixão ou empatia, ele pode ser extraordinariamente cruel para com
os outros, vivendo uma situação infernal.
Como evitar que o nosso ego nos domine e determine nossa
vida?
O primeiro passo será desvelar e desmascará-lo com todas as
suas maquinações e duplicidades. Só uma pessoa esvaziada de seu ego pode
transformar-se e transformar a realidade. O nosso verdadeiro eu está enterrado
por baixo do nosso ego ou falso eu. Segundo a parábola deste domingo, a pessoa
“torna-se bendita de meu Pai” na entrega e no descentramento. Porque só assim
deixa transparecer a realeza original, aquela que se identifica com a realeza
d’Aquele que viveu para servir.
Só nos fazemos conscientes de nossa realeza quando
compreendemos nossa verdade mais profunda. Até que isso não ocorra, viveremos
como mendigos, tratando de apropriar-nos e de identificar-nos com tudo aquilo
que possa conferir uma certa sensação de identidade e de segurança. No entanto,
ao compreender o que somos, tudo se ilumina: o suposto “mendigo” se descobre
“rei”. Só na medida em que nos esvaziamos de nossos impulsos egóicos,
fazemo-nos solidários com a fragilidade e, o que é mais profundo, nos fundimos
com a fragilidade dos outros.
A salvação da humanidade está, pois, em ajudar aos excluídos
do mundo a viver uma vida mais humana e digna. A perdição, pelo contrário, está
na indiferença diante do sofrimento. Este é o grito de Jesus a toda a
humanidade.
Texto bíblico: Mt. 25,31-46
Na oração: O Reino de Deus foi o centro da pregação de
Jesus, o motivo de seus milagres, a razão de ser de sua fidelidade até a morte,
a coroa de sua ressurreição. Quê é para mim o Reino de Deus? Está também no
centro de minha vida? É “minha Causa” como foi a de Jesus?
Clique sobre a foto para vê-la no tamanho original
A Academia Brasileira de Letras dá continuidade à sua série
de Seminários “Brasil, brasis” de 2017 com o tema Crise e metamorfose da
democracia, sob coordenação da Acadêmica e escritora Rosiska Darcy de
Oliveira (sexta ocupante da cadeira 10, eleita em 11 de abril de 2013) e
as participações do professor Eduardo Giannetti e do jurista Carlos
Ayres Britto, ex-Presidente do STF. O coordenador-geral dos Seminários “Brasil,
brasis” de 2017 é o Presidente da ABL, Acadêmico e professor Domício
Proença Filho.
O seminário está programado para o dia 30 de novembro,
quinta-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente
Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro.
Saiba mais
OS CONVIDADOS
Carlos Ayres Britto é formado pela Faculdade de Direito
da Universidade Federal de Sergipe, fez curso de pós-graduação (especialização)
em Direito Público e Privado nessa mesma faculdade, Mestrado em Direito do Estado
e Doutorado em Direito Constitucional, ambos pela PUC-SP.
Em Sergipe, exerceu os cargos de Procurador do Tribunal de
Contas, Consultor-Geral do Estado e Procurador-Geral de Justiça, além de
professor de direito administrativo e constitucional da Faculdade de Direito da
Universidade Federal de Sergipe e advogado militante. Integrou o Conselho
Federal da OAB, sendo membro da Comissão de Constituição e Justiça do órgão por
dois períodos.
Nomeado Ministro do Supremo Tribunal Federal no ano de 2003
e Presidente dessa Corte e do Conselho Nacional de Justiça no período de 19 de
abril a 16 de novembro de 2012, Ayres Britto foi, ainda, Presidente
do Tribunal Superior Eleitoral, de 6 de maio de 2008 a 22 de abril de 2010, e
escolhido como um dos cem brasileiros mais influentes pela revista Época,
nos anos de 2008, 2010 e 2012.
No STF, foi relator de importantes ações, tais como a aquela
que reconheceu o direito de igualdade entre pares homossexuais e casais
heterossexuais, liberação das células-tronco embrionárias para fins de pesquisa
científica em terapia humana, proibição do nepotismo em todas as esferas do
poder público, questão indígena “Raposa Serra do Sol”, que reconheceu o direito
dos índios ao formato demarcatório contínuo de suas terras, constitucionalidade
da lei da Ficha Limpa, das Cotas Raciais e Sociais, liberação da “Marcha da
Maconha”, Liberdade de Imprensa e o humor na televisão.
Publicou as seguintes obras jurídicas: Jurisprudência Administrativa e Judicial em Matéria de Servidor; Interpretação e Aplicabilidade
das Normas Constitucionais, em parceria com Celso Ribeiro Bastos; O Perfil
Constitucional da Licitação, Teoria da Constituição; e O Humanismo como
Categoria Constitucional, além de seis livros de poemas.
Atualmente, é Presidente do Conselho Superior do Instituto
Innovare, Membro Consultivo do Instituto Palavra Aberta, colunista do
jornal O Estado de S. Paulo, professor dos cursos de mestrado e doutorado
do UniCeub – Centro Universitário de Brasília, Presidente do Centro Brasileiro
de Estudos Constitucionais – CBEC, Presidente da Comissão de Defesa da
Liberdade de Expressão da OAB – Federal, conferencista, consultor jurídico e
advogado.
Eduardo Giannetti é graduado em Economia e em Ciências
Sociais pela USP e PhD em Economia pela Universidade de Cambridge, Inglaterra.
Lecionou naquela Universidade (1984-87), onde permanece como professor
convidado. Foi professor na FEA/USP (1988-2000), tendo sido eleito pelos
alunos, melhor professor da Faculdade de Economia.
Tomando como ponto de partida a filosofia econômica, Giannetti vem
fazendo contribuições importantes ao pensamento econômico brasileiro. Seus
livros repercutem muito além dos círculos acadêmicos ou simplesmente
econômicos. Ganhador de dois Prêmios Jabuti: em 1994, com o livro Vícios
privados, benefícios públicos? (1993) e As partes & o todo (Siciliano,
1995).
O livro O Autoengano(1998), também premiado,
consagrou Giannetti não apenas como um economista destacado, mas
também um importante pensador. Além desses, publicou Beliefs in
action (Cambridge University Press, 1991); Felicidade (2002), O
mercado das Crenças (2003), O Valor do Amanhã (2005), O
Livro das Citações – Um breviário de ideias replicantes (2008) e,
recentemente, o Trópicos Utópicos (2016), além de diversos outros e
artigos nacionais e internacionais.
Em suas exposições, aborda, além do macrocenário econômico,
temas como ética e as consequências sociais das transformações econômicas.
O primeiro
adventista do sétimo dia a pisar em Itabuna foi um colportor! A palavra
colportor tem origem no idioma francês colporteur, que significa vendedor
ambulante, aquele indivíduo que negocia de porta em porta, através de cidades
diversas. O colportor bíblico, portanto, é aquela pessoa que vende ou distribui
literatura de origem sagrada. No período da disseminação inicial do Adventismo,
o Brasil era uma nação quase totalmente rural ou composta de cidades diminutas
que não possuíam livrarias e com agências de correios precárias. Adquirir uma
literatura não católica ou mesmo uma Bíblia fora das capitais era tarefa
praticamente impossível. Estava criado, portanto, um campo de atuação perfeito
para os colportores. As primeiras igrejas protestantes deles se utilizaram
largamente para produzir a difusão da fé cristã.
Eram, em sua
maioria, pessoas sem preparo acadêmico e de origem humilde, porém destemidos e
com bom conhecimento bíblico. Não eram trabalhadores assalariados, sobreviviam
dos ganhos advindos das suas vendas. O lucro acabava sendo pequeno, pois
precisavam arcar com despesas de transporte e hospedagem e, o que sobejava,
desprendiam para o sustento da família, invariavelmente residentes em locais
distantes. O sucesso para eles estava mais diretamente ligado às conversões
resultantes da literatura vendida do que propriamente com a receita obtida.
Durante a
primeira fase da implantação do Adventismo no Brasil, os colportores foram
decisivos, pois eram os principais obreiros, tendo em vista a insuficiência de
pastores ordenados. O termômetro denominacional chamava-se colportagem. Quanto mais
literatura era vendida ou distribuída, a liderança de igreja sabia que estava
ocorrendo um interesse maior na mensagem e um consequente crescimento numérico
de membros. “Entre os líderes adventistas, era considerado praticamente um
axioma que a distribuição de literatura denominacional consistia numa
pré-condição para o crescimento da Igreja”.
Os colportores
vendiam livros, distribuíam folhetos, davam estudos bíblicos, estabeleciam
postos de pregação, faziam conferências bíblicas e formavam congregações. O pastor
Clarence Emerson Rentfro, que passou oito anos no Brasil, tendo sido inclusive
presidente da Missão Minas Gerais, período em que batizou mais de quatrocentas
pessoas, afirmou num Concílio nos Estados Unidos, em 1924, que “os colportores
eram os principais responsáveis pelas
conversões.” No mesmo evento, W. H. Williams (tesoureiro da Divisão Sul
Americana), corroborando a afirmativa, avaliou que, “dois de cada três membros
da União Este Brasileira haviam entrado para a igreja por causa da colportagem”.
O evangelismo por literatura foi um fenômeno importantíssimo para o crescimento
de igreja no Brasil.
Possuíam
um labutar muito difícil. Locomoviam-se das formas mais inusitadas para chegar
ao destino desejado, muitas vezes a pé ou em lombo de mulas ou burros. Às vezes
à noite, sob lama intensa ou por locais ermos. Os livros produziam carregamento de transporte complexo. Eram profundamente
pesados, mas ao mesmo tempo frágeis, os quais deviam chegar ao endereço final
em boas condições. Isso demandava muito esforço físico e responsabilidade
dobrada. Dormiam muitas vezes ao relento, ou em estalagens precárias, não
poucas vezes sujeitos às pulgas, percevejos e ácaros, próprio de lugares com
poeira e humidade. Sem falar na dificuldade em conseguir alimentação saudável e
condizente com os ensinos constantes da literatura que socializavam,
Outro grande
obstáculo, este diretamente ligado ao objeto comercializado, era o
analfabetismo. Como oferecer livros a uma população em que poucos sabiam ler?
F. W. Spies, um dos primeiros missionários a chegar ao Brasil (1896), retrata a
situação com a qual se deparou no final do século XIX: “O povo aqui é
pobremente educado, não mais do que 15 por cento da população é capaz de
compreender o que lê”.
A mensagem
bíblica adventista teve acesso ao Sul da Bahia, mais precisamente a Itabuna,
primeiramente por meio dos colportores evangelistas que passavam rotineiramente
por aqui. Há notícias esparsas disso já no ano de 1905. O crescimento rápido da
população local, o aumento da circulação de dinheiro advindo do plantio e
comercialização do cacau e a proximidade do porto de Ilhéus justificavam a
presença deles. Durante o Juízo Milenar, teremos a oportunidade de folhear o
Livro Memorial e constatarmos boquiabertos o que fizeram por esta região nomes
como Manoel Margarido, Francisco Fernando Lobo Queiroz, Pedro Baptista de
Mello, Camillo José Pereira, Joaquim de Souza Porto, Zacharias Martins
Rodrigues e Generoso de Oliveira.
(A GÊNESE DO ADVENTISMO GRAPIÚNA Cap. 4.1.)
Clóvis Silveira Góis Júnior
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Ao começar a ler este livro, “A Gênese do Adventismo
Grapiúna”, o leitor é levado a entrar em contato com os fatos históricos relacionados
à colonização da região cacaueira e à fundação de Itabuna, para em seguida
conhecer os principais acontecimentos e personagens responsáveis pela
implementação da igreja Adventista do Sétimo Dia na cidade.
Com linguagem simples e acessível, o autor, Clóvis Júnior
nos envolve num roteiro fascinante, fruto de um incansável trabalho de
pesquisa, que nos permite conhecer toda a trajetória de fé e determinação dos
pioneiros, desde o final do século XIX até o ano de 1960, data da inauguração
da atual sede central da igreja em Itabuna.
Graças à iniciativa do autor, a nossa comunidade adventista
dispõe agora deste livro-documento, com registros e fotos do início da história
do Adventismo na região. Ao término da leitura, certamente o leitor irá
compreender porque Itabuna é a cidade do interior com o maior número de
adventistas da região Nordeste do Brasil. (1ª orelha do Livro)
O Amor é a única coisa que cresce à
medida que se reparte.
O amor não consiste em olhar um para o outro, mas sim em
olhar juntos para a mesma direção.
Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante.
Não exijas de ninguém senão aquilo que realmente pode dar.
Em um mundo que se fez deserto, temos sede de encontrar companheiros.
Nunca estamos contentes onde estamos.
Será como a flor. Se tu amas uma flor que se acha numa estrela, é doce, de
noite, olhar o céu.
Todas as estrelas estão floridas.
Para enxergar claro, bastar mudar a direção do olhar.
Só se vê bem com o coração.
O essencial é invisível aos olhos.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de
si, levam um pouco de nós.
O amor verdadeiro não se consome, quanto mais dás, mais te ficas.
Só os caminhos invisíveis do amor libertam os homens.
O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem.
Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões de estrelas,
isso basta para que seja feliz quando a contempla.
Sois belas, mas vazias.
Não se pode morrer por vós.
Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer
pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós
todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus a redoma.
Foi a ela que
abriguei com o para-vento. Foi dela que eu matei as larvas. Foi a ela que eu
escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha
rosa.
A questão é de enorme relevância. E deveria preocupar a
todos. Tomado por suas decisões mais recentes, o Supremo Tribunal Federal tomou
gosto pelo comportamento de alto risco. O pedido de vista do ministro Dias
Toffoli, que interrompeu o julgamento sobre a restrição do foro privilegiado,
confirma uma estonteante tendência para a autodesmoralização.
Muita gente está empenhada em chamar a atenção do Supremo. Foi assim no caso do
afastamento meia-sola de Renan Calheiros da linha sucessória da Presidência da
República. Os alertas soaram também quando o STF lavou as mãos no caso de Aécio
Neves. Mas isso parece agravar a situação. Quanto mais se critica a Suprema
Corte, mais desmoralizada ela se empenha em ficar.
A instância máxima do Judiciário brasileiro demonstra uma
incapacidade atroz de resistir aos impulsos autodestrutivos. Já é possível
concluir, sem qualquer margem para dúvidas, que o Supremo caminha para
igualar-se em desmoralização ao Legislativo e ao Executivo. Com uma diferença:
os políticos foram arrastados para o caldeirão pela Lava Jato. O Supremo pula
no melado ardente voluntariamente.
Por 7 votos a 1, prevaleceu o voto do ministro Luís Roberto Barroso. Por esse
voto, o foro privilegiado valerá apenas para os crimes cometidos durante o
exercício do mandato, se tiverem alguma relação com o exercício da função
pública. Dito de outro modo: o privilégio seria exceção. Como regra geral,
todos seriam igualados perante a lei. Ao pedir vista, sabe-se lá em nome de
quais interesses, Dias Toffoli comportou-se como menino dono da bola que
interrompe uma partida que perdia de goleada.
Aos pouquinhos, vai se solidificando a impressão de que um pedaço do Supremo
opera para oferecer proteção a malfeitores. Foi à lata do lixo todo o prestígio
que a Suprema Corte amealhara no julgamento do mensalão. Mas não se deve dizer
isso em voz alta. Aí mesmo é que o Supremo pode atear fogo às togas. Impossível
prever o comportamento de um suicida.
Josias de Souza é um jornalista brasileiro. Exerce o
jornalismo desde 1984. Atualmente, é comentarista de política na Rede Gazeta.
Trabalha na Folha de S.Paulo desde 1985.Wikipédia