A política se metia em tudo. O chefe político de Ilhéus, que estava mandando, Domingos Adami, era contra Firmino Alves; perseguia Firmino Alves e os seus amigos, que se encontravam na oposição ao lado do Coronel Antônio Pessoa da Costa e Silva. Naquele tempo, política era política, mandava quem estava de cima, submetia-se quem estava debaixo e os que se encontravam na oposição não recebiam, nem queriam, um mínimo favor dos governantes.
Por isso mesmo o caso do atentado do Alferes Cupertino Santos rendia, se desdobrava e a “Gazeta de Ilhéus” do Coronel Pessoa não parava de escrever contra os bandidos da situação que enxovalhavam a civilização agredindo, ferindo, matando os adversários, que eram amigos de Firmino Alves, não respeitando sequer as autoridades policiais. E citava num artigo de fundo a série de crimes terríveis, a hecatombe de Mucuri; as mortes do Engenheiro Agenor Portela Póvoas, de Leôncio Lima, no dia de N. S. da Conceição, na Passagem do Gentio; de José Domingues de Oliveira, de Antônio Gomes dos Santos. Aquele José de Aguiar mandava e desmandava, prendia, soltava, matava, esfolava, esbulhava, comandava uma verdadeira tropa de jagunços, nas barbas das autoridades. E terminava o jornal repetindo as palavras de uma carta recebida de um correligionário do terceiro distrito, que era Tabocas: “quando o voto se transformar numa verdade, aqui um tenente não mandará mais como um rei prepotente, nem fará mais eleições, nem tão pouco escorchará o povo nos impostos e não explorará vergonhosamente o jogo”.
Quando o caso do alferes prometia multiplicar-se em outros acontecimentos sanguinários, surgiu uma notícia que absorveu e abalou a atenção do povoado. Antônio José da Silva Leça tinha enlouquecido. E um vizinho, narrava a outro, a ocorrência, com olhos arregalados, temeroso até ao repetir a triste e terrível história do castigo que caíra sobre Antônio José da Silva Leça, contada pela “Gazeta de Ilhéus”, com os respectivos detalhes. Um tropeiro tinha trazido o jornal que estava nas mãos do comissário de polícia. Pobre do Antônio Leça, um homem bom e duramente castigado. Encontrava-se na cadeia de Ilhéus, amarrado, urrando, parecia ter virado bicho. E depois de toda essa lengalenga vinha a história: - Antônio Leça assistiu às pregações de um protestante e se convertera ao credo de Lutero. Logo chegou em casa agarrou os santos, N. S. da Conceição, São José, Santo Antônio e os lançou ao fogo, destruindo-os completamente. Depois de jantar saiu para visitar um amigo, à Rua da Taboquinha e ao regressar para casa, tarde da noite, notou que os santos que ele havia queimado se encontravam perfeitos no mesmo local da sua veneração. Desconfiou da coisa e pensou que a sua família os substituíra na sua ausência, cumprindo-se assim a palavra de sua mulher que lhe dissera na cara: “Fico sem homem em casa, menos sem os meus santos.” Para não ter mais conversa olhou raivoso para as imagens e se deitou calmamente. Uma hora depois de estar deitado e sem sono e, logo depois de ter o galo cantado meia-noite, ouviu pisadas de um cavalo ferrado. Prestou atenção e convenceu-se de que o cavalo estava dentro de sua própria casa. Permaneceu quieta na cama, observando, e qual não foi a sua surpresa ao ver o cavalo penetrar no seu quarto, através da porta fechada.
O cavalo aproximou-se da cama e estendeu o pescoço em sua direção. Pelos olhos e pelas narinas saíam fogo. Olhou para o corpo do cavalo e verificou que só possuía a parte dianteira do corpo. Nessa altura deu um grito terrível, pulou da cama, abriu a janela, saltou na rua e correu sem parar até a casa de um amigo ao qual contou a história e caiu desmaiado. Quando acordou estava doido, urrando, escoiceando.
Pobre do Antônio Leça, desgraçado do Antônio Leça. Também esse infeliz não sabia que Lutero, chefe do protestantismo, foi um frade excomungado, que roubou uma freira, renegou a Deus e entregou-se ao diabo? Por que foi seguir semelhante crença, que renega Nossa Senhora, Santo Antônio, São José?
Crença do diabo, como bem dizia o padre Liberato Bittencourt, crença dos renegados, dos excomungados e amaldiçoados. Em Tabocas se matava até gente de Deus e perdoava alguns matadores arrependidos. Nunca esses protestantes, esses hereges queimadores de santos. E um fazendeiro perguntava ao outro: Veja se Firmino Alves, se Militão Oliveira, se Henrique Alves são protestantes.
Ao contrário, são da igreja da Mãe de Deus, na qual nascemos, nos batizamos e haveremos de morrer.
Ninguém mais falou no pobre alferes baleado na barriga, nem na história que a fiscalização realizou com escândalo no açougue de Jorge Grego, que vendia carne podre salgada ao povo.
Ainda ressentido por ter sido demitido como prefeito
da Doutrina da Fé, Gerhard Müller vai por todos os lados. O cardeal
ultraconservador desafiou o Papa Francisco a um debate teológico
formal sobre o conteúdo de Amoris Laetitia, em uma tentativa de aproveitar uma
hipotética fragilidade do Pontífice, após a “correção filial” a seu
magistério, que se tornou pública neste final de semana.
A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital,
26-09-2017. A tradução é do Cepat.
O purpurado alemão divulgou seu plano, nesta terça-feira, ao vaticanista
do National Catholic Register, Edward Pentin. Em essência, a proposta
de Müller pretende colocar fim à “situação séria” que foi criada após
a publicação dos dubia dos quatro cardeais e as acusações de
“heresias” desta meia centena de teólogos e acadêmicos.
Para conseguir seu objetivo, o cardeal gostaria que o Papa Francisco nomeasse
um grupo de cardeais para defender sua postura, ao vivo, diante dos argumentos
de seus detratores, em uma espécie de debate formal, conhecido na Idade
Média como uma “disputa teológica” (disputatio).
O debate, sugeriu Müller, poderia ser feito com “alguns representantes
proeminentes” dos dubia ou da “correção filial”, ou com os dois. O
debate seria regido pelas normas estabelecidas há séculos para tais tipos de
discussões acadêmicas, e teria como finalidade a descoberta das supostas
verdades teológicas, mediante uma análise pormenorizada das Escrituras, da
lei canônica e de outras fontes dos dogmas católicos. No centro estariam “as
diferentes e, às vezes, controvertidas interpretações de algumas declarações no
capítulo 8 de Amoris Laetitia”, nas palavras do próprio Müller.
Segundo o que revelou a Pentin, Müller está convencido de que,
ainda que o Papamereça “um pleno respeito”, os críticos “honestos” também
“merecem uma resposta convincente”. O purpurado acredita que o debate formal
pode ser uma maneira de promover o que a Igreja realmente necessita
nesta conjuntura, ou seja, “mais diálogo e confiança recíproca”, ao invés de
“polarização e polêmica”.
“Temos que evitar um novo cisma e separações da única Igreja católica,
cujo princípio permanente e cuja fundação de sua unidade e comunhão em Jesus
Cristo é o Papa atual, Francisco, e todos os bispos em comunhão com
ele”, finalizou Müller.
Não há quem
ignore o velho prolóquio popular: “Nem todas as verdades se dizem”. Isto significa
que há muitas coisas que a gente não tem necessidade nem conveniência de dizer.
Mas mesmo as coisas que precisam ser ditas devem sê-lo com habilidade, a fim de
não vexarem nem irritarem quem as ouve. O seguinte caso servirá de exemplo.
Uma vez um
rei sonhou que todos os seus dentes lhe foram caindo da boca, um após outro,
até não ficar nenhum. Era no tempo em que havia magos e adivinhos. O rei mandou
chamar um deles, referiu-lhe o sonho e pediu-lhe que o decifrasse. O adivinho
levou a mão à testa, pensou, pensou, consultou a sua ciência e disse:
“Saiba vossa
majestade que a significação do seu sonho é a seguinte: está para lhe suceder uma
grande infelicidade. Todos os seus parentes, a rainha, os seus filhos, netos,
irmãos, todos vão morrer sem ficar um só ante os olhos de vossa majestade.”
O rei entrou
em cólera, ficou muito irritado, e chamando os guardas do palácio, mandou
decepar a cabeça do adivinho que lhe profetizara coisas tão tristes.
Estava o rei muito acabrunhado com o
vaticínio, quando se aproximou um cortesão e lhe aconselhou que consultasse
outro adivinho, porque a interpretação do primeiro podia estar errada e não
devia sua majestade de se afligir em vão.
O rei adotou
o conselho, mandou chamar outro mago e lhe narrou o mesmo sonho, pedindo que o
decifrasse.
O adivinho
levou a mão à testa, pensou, pensou, consultou sua ciência e disse:
“Saiba vossa
majestade que o seu sonho significa o seguinte: Vossa majestade terá muitos
anos de vida. Nenhum dos seus parentes lhe sobreviverá. Nem mesmo o mais moço e
mais forte deles terá o desgosto de chorar a perda de vossa majestade.”
O rei muito
satisfeito, mandou encher o adivinho de presentes, deu-lhe muitas moedas de
ouro, muitos diamantes, roupas de seda bordada e um palácio para morar,
nomeando-o adivinho oficial do reino.
No entanto,
o segundo mago, que recebeu tais prêmios, disse a mesmo coisa que o primeiro,
que foi degolado. A única diferença foi a linguagem que ele empregou. Esta fez
que ele recebesse prêmio em vez de castigo
A lenda dos
adivinhos mostra aos meninos indiscretos e faladores que, nas coisas mais
simples que se têm que dizer, é necessário escolher as palavras.
A Academia Brasileira de Letras dá continuidade à sua série
“Música de Câmara na ABL” de 2017, sob coordenação do Acadêmico Marco Lucchesi,
com o concerto Trio Op. 97,“Arquiduque”, do compositor alemão-austríaco
Ludwig Van Beethoven. Os intérpretes convidados são Theodora Geraets (violino), Matias
de Oliveira Pinto (violoncelo) e Viviane Taliberti (piano).
O espetáculo está programado para o dia 5 de outubro,
quinta-feira, às 12h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., na Avenida Presidente
Wilson 203. Entrada franca.
A Música é uma peça única, de cerca de 40 minutos, dividida
em quatro movimentos: Allegro moderato; Scherzo – Allegro; Andante
cantábile, ma pero com moto; e Allegro moderato. De acordo com Marco
Lucchesi, trata-se de uma “composição pouco tocada no Brasil, e a rara
apresentação merece ser ouvida, não somente por sua beleza poética, como também
pela qualidade dos intérpretes”.
Acadêmico Marco Lucchesi convida para a Música de Câmara na
ABL "Trio Op. 97, “Arquiduque”
Saiba mais
Theodora Geraets é uma das violinistas holandesas mais
importantes da atualidade. Estudou com Davina van Wely em Amsterdam, Rosa Fain
em Düsseldorf, Kyung-Wha-Chung em Londres e Dorothy DeLay em Nova York. Ganhou
concursos como o Oscar Back Competition na Holanda, o Bartók Violin Competition
nos Estados Unidos (onde realizou concertos com Leonard Slatkin), e ganhou o
The Dutch Music Prize, fazendo dela a única holandesa a ganhar o prêmio máximo.
Realizou concertos por toda Ásia, EUA, Europa e América
Latina. Theodora Geraets também apresenta-se, regularmente, no Dutch
Radio na TV. Atualmente, é Professora no Royal Conservatory em Haia.
Já se apresentou no Queen Elisabeth Hall, em Londres, no
Alte Oper”, em Frankfurt, Theatro Colón, em Buenos Aires, e no Concertgebouw,
em Amsterdam. Theodora Geraets gravou diversos CDs, pela Sony
Classical, com a The London Symphony Orchestra.
Natural de São Paulo, Matias de Oliveira Pinto torna-se
professor de violoncelo da Escola de Musica e Belas Artes do Paraná aos 18 anos
de idade, 1979, ano em que fez sua primeira turnê por várias cidades
brasileiras. Vive em Berlim (Alemanha) desde 1980, quando venceu concurso para
bolsista da Fundação Herbert von Karajan. Na Europa, estudou na Escola Superior
de Música de Berlim (HdK) e na Academia Franz Liszt de Budapeste.
Extensas turnês o levaram aos Estados Unidos, América do
Sul, em quase toda a Europa, Japão, Coréia, Nova Zelândia e Austrália,
apresentando-se em inúmeros festivais, concertos com orquestra e recitais. Em
Berlim, onde vive hoje, participou de concertos nas principais salas da cidade,
como Philharmonie (série oficial de música de câmara da Orquestra Filarmônica
de Berlim), Konzerthaus e Apollo-Saal der Staatsoper, entre outras. Muitos
compositores da atualidade lhe dedicaram suas obras. Pedagogo, solicitado em
vários países, ensina na Universidade das Artes de Berlim e na Universidade de
Muenster. Gravou CDs para os selos europeus Academy, Kreuzberg Records, Bella
Musica, Hungaroto Classics e Cello Colors.
Viviane Taliberti nasceu em Curitiba, onde iniciou seus
estudos de piano aos cinco anos de idade. No Brasil, Luis Thomaszeck e Gilberto
Tinetti foram os professores que marcaram sua formação pianistica. Aos 19 anos,
após participar de diversos cursos internacionais na Europa com os pianistas
Hans Leygraf, Helena Costa e Pnina Salzman, realizou sua primeira tournée
internacional em 15 cidades da Alemanha, a convite de entidades culturais
daquele País.
Foi selecionada para fazer o curso de mestrado em
Performance Pianística na Faculdade de Música de Colônia, departamento de
Aachen, Alemanha, diplomando-se com nota máxima com distinção. Em 2015, concluiu
o doutorado na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.
Além de apresentar-se regularmente como solista e camerista
em diversas cidades do Brasil e em países da América do Sul e Europa, com
destacados músicos brasileiros e estrangeiros, é convidada anualmente para
ministrar aulas e se apresentar como pianista em Festivais Internacionais de
Música.
Desde 2002, através de concurso público, é professora
efetiva do Departamento de Música do Instituto de Artes da Universidade Federal
de Uberlândia. A partir de 2004, tornou-se proponente e diretora artística do
projeto “Concertos Tribanco Uberlândia”.