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segunda-feira, 17 de abril de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA PELA SUA SAÚDE: Alho e vinagre de maçã

Uma combinação que aumenta a imunidade e combate muitas doenças!


Muita gente não gosta do sabor forte do alho.
E até dá para entender isso, pois de fato não é muito agradável ficar com hálito com cheiro de alho.
A conserva de alho, porém, não tem esse problema.
Graças ao processo de fermentação, ela tem um sabor muito suave.

Por isso esta conserva é uma das melhores opções para quem quer se beneficiar das propriedades medicinais do alho - que são muitas - sem ficar com nenhum aroma ruim na boca.

E, por falar das propriedades medicinais do alho, que tal relembrá-las?
Para começar, o alho é um potente antibiótico natural.
Ele é rico em vitaminas do complexo B e sais minerais antioxidantes, como zinco e selênio e, por isso, é um excelente remédio para gripes e resfriados.
O alho ainda regula a pressão arterial e reduz o nível de colesterol no sangue, prevenindo aterosclerose e doenças cardiovasculares.

E tem mais: o alho...

- ...estimula a secreção de insulina pelo pâncreas, reduzindo a glicose no sangue;
- ...é um forte antioxidante, o que o torna um alimento anticâncer;
- ...reduz o risco de infarto e doenças do coração;
- ...combate bactérias e vírus;
- ...elimina vermes e parasitas;
- ...fortalece a imunidade.

A conserva de alho é uma receita muito simples.
Aprenda agora a fazê-la:

INGREDIENTES
Meio quilo de alho descascado
Meio copo (americano) de vinho branco seco
Meio copo (americano) de água
Meio litro de vinagre de maçã
2 folhas de louro
1 colher (sopa) de orégano
2 colheres (sopa) de azeite de oliva
6 grãos de pimenta-do-reino
1 colher (sopa) de sal

MODO DE PREPARO
Comece levando ao fogo o vinho, a água, o azeite, o orégano, o sal, as folhas de louro e os grãos de pimenta-do-reino.
Deixe cozinhar até levantar fervura.
Acrescente o alho descascado.
(Para descascar o alho com mais facilidade, deixe-o de molho em água fria por uma hora.)
Cozinhe por mais três minutos.
Desligue o fogo e deixe esfriar.

Coloque em vidros de conserva bem esterilizados.
Adicione o vinagre de maçã.
Agite os vidros e guarde-os na geladeira.
Depois de cinco dias, a conserva estará pronta para consumo.

Sugestão de consumo: em saladas, sanduíches, como um aperitivo ou como sua imaginação mandar.



* * *

VELHO BRAGA, CAÇADOR DE MELANCOLIAS - Hélio Pólvora


Velho Braga, caçador de melancolias 



Diziam os antigos autores de máximas que quem semeia ventos colhe tempestades. O cronista Rubem Braga, o velho Braga de Cachoeiro do Itapemirim, saiu à cata de ventos e recolheu melancolias, conforme está numa de suas crônicas e Carlos Ribeiro utiliza como título de sua tese de mestrado em Teoria da Literatura (Ufba).
  
A julgar apenas por essa atitude, Rubem não foi tão contemplativo quanto faz crer. Também se pôs em campo. Saiu, em outro exemplo, com a Força Expedicionária Brasileira para narrar-lhe os feitos na campanha da Itália - missão jornalística cumprida à risca. Homem de jornal, desde a adolescência, quando colaborou numa folha de menor importância e dela saltou para o Diário de Minas, Rubem jamais se desligaria das redações. No jornal, escrevendo crônicas e reportagens, forjou a sua identidade profissional. No jornal permaneceu até à véspera da morte, sempre escrevendo, quase sempre cronista. Mesmo na condição de colaborador, o jornal era-lhe uma segunda natureza, o prolongamento da casa - e talvez a própria casa.

É natural, porque, sendo ele essencialmente cronista, o jornal haveria de ser o seu manancial. Carlos Ribeiro comprova, neste Caçador de Ventos e Melancolias, que a crônica advém do folhetim (este, por sua vez, um derivado do feuilleton), em meados do século XIX, estampados todos eles em jornal. O advento da sociedade industrial, lembra ele, criou necessidades de comunicação e leitura, além de formar um público pequeno-burguês que dispunha de vagares e ócios. O que eram tais folhetins, nos quais afadigaram-se autores de porte, como o nosso Machado de Assis, o romancista Balzac narra em Les Illusions perdues.
  
A crônica, tal como a conhecemos e praticamos hoje (registro de estados de ânimo, comentários sobre fatos do cotidiano, banal matéria biográfica ou densa página de cunho existencial), advém dos faits divers, aquelas colunas de prosa leve e solta, tantas vezes leviana, do jornalismo diário ou semanal. Nasce para morrer logo, como as cigarras, atiçada pelos estios que a condenam ao efêmero - mas, se suplanta as circunstâncias, conduzida por um cronista-escritor, vinga como gênero literário.
  
Sei que alguns críticos negam-lhe o status de gênero, aferrados que estão a uma teoria de gêneros literários que a fusão atual dos gêneros já mandou para as urtigas. Felizmente, ao escrever não pensamos nos críticos, nem a eles nos dirigimos. O conto literário, que gozou, como a crônica, das oportunidades da leitura breve e rápida, graças à difusão dos rodapés e das revistas (na Europa, uma affluent society expandiu as oportunidades de ensino), passou por evolução assemelhada, mas ainda é olhado de banda, principalmente por editores.

O velho Braga foi cronista, de ponta a ponta do seu leque, tal como Dalton Trevisan foi contista. Dois casos singulares. Tal exercício contínuo fez com que se ouvisse a crônica e o conto com maior atenção e lhe dedicassem espaço nos jornais. Se não fixou o gênero, porque, entre nós, tem antecessores ilustres, como João do Rio, Medeiros e Albuquerque, Olavo Bilac, Humberto de Campos e, naturalmente, Machado, o cronista do Cachoeiro reforçou-lhe o alento. Já por isso mereceria homenagens.

Mas talvez Rubem, cronista visceral, estivesse esquecido, ainda que passados somente uns dez anos do seu falecimento, não fossem circunstâncias de meio e de época. Cada vez que utilizamos esses termos, os formalistas da obra pela obra, inimigos da historicidade e, provavelmente, saudosistas da turris eburnea, se eriçam. Mas não haveria escritor, por mais talentoso, que se desse ao luxo de menosprezar a conspiração dos fados. São esses fados, as circunstâncias históricas, que os situam na esquina adequada. Há que estar na esquina certa, na rua certa e no tempo exato, e com vontade de abrir portas. José Lins do Rego, cujo centenário de nascimento transcorreu há pouco, escreveria hoje o Ciclo da Cana-de-Açúcar?

Rubem Braga pertenceu a uma geração de esperançados que não tardaram a se desiludir. Considero esta geração atual mais vulnerável, porque, perdida a esperança, e toda a esperança, restou-lhe o medo. Ainda podia apanhar, o Rubem, nos seus campos de centeio, algumas alegrias, alguns lampejos de beleza fugaz. Hoje, recolhemos melancolias fundas e também corpos inanimados. Hoje, Rubem teria motivos dobrados para ser o que dele diz Carlos Ribeiro - “melancólico e envelhecido, inadequado ao seu tempo e lugar”.
  
Mas, se o poeta é fingidor, o cronista também finge. Há nas atitudes sombrias dos cronistas, e nas suas “filosofias pardas” (a expressão é de Benito Perez Galdós), uma certa pose. Uma espécie de simulação irônica que não escapa à análise de Carlos Ribeiro, quando menciona, em Rubem, “a ironia manejada contra si mesmo” - atitude herdada de outros cronistas e que, por conseguinte, parece fazer parte da poética do gênero. De qualquer modo, a moldura de época foi favorável ao velho Braga, que contou com a conjuração da amizade. Carlos Ribeiro enumera alguns de seus muitos amigos, como Bandeira, Drummond, Otto Lara Resende, Houaiss, Portela, Antônio Cândido, José Paulo Paes. Deles partiu a crítica de boca que teceu em torno da obra de Rubem o acolhimento unânime. E Ribeiro atesta que ele é pouco estudado, mas seus livros retornam em novas edições.

A confraria de espírito já não funciona com a naturalidade daqueles tempos. Poetas, cronistas, contistas e romancistas travam hoje a sua guerrinha de Brancaleone. É mais difícil, certo, mas nem por isso deixa de chover poesia, em lufadas ou aguaceiros, deixa de cair em pancadas a chuva de contos e crônicas. Regurgita o nosso lirismo nas canaletas, e nem sempre há ouvidos disponíveis.

Dois aspectos neste correto estudo sobre Rubem Braga merecem atenção: o leve tratamento do aparato teórico que, em teses universitárias, costuma enfastiar; o empenho de Ribeiro em acompanhar a história. Ele sabe que o texto não brota por geração espontânea, e então, para fazê-lo mais expressivo, vai fincando marcos econômicos, políticos e sociais. Nesse balizamento que tanto ajuda a emoldurar o velho Braga, vemos que a lírica bracarense está atrelada a um tempo e suas circunstâncias, há nela um “compromisso visceral com a realidade social do tempo em que viveu”.

A verdade que Rubem Braga buscou extrapola do texto jornalístico, é a verdade ficcional do instante revelador. Assim entende o ensaísta, assim entendemos nós. Ele é um transfigurador da realidade, não para deformá-la sectariamente, nem substituí-la, senão para recriá-la.
Crônicas que a alguns desavisados poderiam parecer contos, como “Lição de Inglês”, “A Borboleta Amarela”, “Eu e Bebu na Hora Neutra da Madrugada” e “Um Pé de Milho”, em que o cronista dialoga com o seu risonho demônio, atestam a sua necessidade de trabalhar uma composição em circuito fechado para melhor refletir o que Virginia Woolf chamava de “estados de consciência”. Braga não praticou a escrita artística, como o seu conterrâneo José Carlos Oliveira (o Carlinhos de Oliveira citado pelo ensaísta), que sob este aspecto lhe foi superior. Não quis escrever bem e bonito, com uma densidade intencional; desejou apenas tocar no nervo.

Carlos Ribeiro formula votos para que o seu livro estimule “a pesquisa de outros escritores que exerceram e exercem a crônica no Brasil”. Faz ele bem. Após os nomes dito nacionais, estão alinhados os da Bahia, entre os quais me vejo incluído. Só não julgo pertinente a distinção, que também foi feita por Aramis Ribeiro Costa em recente resenha na revista Iararana, ainda mais quando eu e outros, confessadamente baianos, publicamos livros de crônicas no eixo Rio-São Paulo. Iniciei-me como cronista em 1962, com A Mulher na Janela, editado no Rio de Janeiro, onde assinei crônicas no Shopping News (tiragem dominical de cem mil exemplares), em revistas, no Correio da Manhã, Jornal do Brasil e Diário Carioca. No mais, é louvar também o aspecto gráfico e a revisão de Caçador de Ventos e Melancolias, devidos aos cuidados de Flávia di Garcia Rosa, da Edufba, e desejar que o velho Braga de Cachoeiro do Itapemirim continue a chamar os ventos.

 
( Fonte : Jornal de Poesiawww.revista.agulha.nom.br)

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Conquistou prêmios literários de nomeada, entre os quais os da Bienal Nestlé de Literatura, anos 1982 e 1986, para contos (1.º lugar), e mais os prêmios da Fundação Castro Maya, para o livro Estranhos e Assustados, e Jornal do Commercio, para Os Galos da Aurora. Assina cerca de oitenta traduções de livros (ficção romances, contos e ensaios). Visitou a ColômbiaEstados Unidos e Alemanha, a convite oficial, e conhece bem, além do Brasil, a Europa Ocidental.
Membro da cadeira 29, da Academia de Letras da Bahia, membro também da Academia de Letras do Brasil, ocupou a cadeira 13, tendo como patrono Graciliano Ramos, e membro da Academia de Letras de Ilhéus. 

(Wikipédia)

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ITABUNA ONTEM: O PRIMEIRO CINEMA

Foto: camilomarcelino.com

O Primeiro Cinema


O primeiro cinema de Itabuna surgiu em 1915, quando Omar Cana Brasil trouxe um aparelho projetor marca “Pathê-Fraire”, instalando-o num armazém situado na Trav. Osvaldo Cruz. O cinema não era totalmente mudo, porque o barulho do projetor quebrava a monotonia do ambiente, e, também, às vezes, alguns assistentes conversavam com os artistas na tela. De quando em quando, um gaiato procurava prevenir o artista, quando este estava para cair numa cilada, gritando:

- Cuidado! Não entre, tem bandido atrás da porta...

Também, quando o artista principal do filme entrava em cena, batiam palmas, aplaudindo-o.

Aos domingos, as funções eram animadas por uma orquestra, a princípio, composta de violão, pandeiro e cavaquinho, sendo substituída depois por um trio formado pelos melhores músicos da cidade: Agenor Gomes, Rosemiro Pereira e Paulo Quirino.
Os bancos de madeira, soltos, às vezes viravam ou quebravam, jogando os assistentes ao chão, provocando tumulto e interrupção da projeção.


(DOCUMENTÁRIO HISTÓRICO ILUSTRADO DE ITABUNA)
José Dantas de Andrade

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domingo, 16 de abril de 2017

LAVA JATO: CONTA 'AMIGO'? PAGAMENTO EM DINHEIRO

Brasil 12.04.17


Marcelo Odebrecht contou à PGR que uma vez disponibilizado "o valor global" solicitado por Antonio Palocci, ele "não questionava os usos" do dinheiro.

"Ele (Palocci) me dizia assim: 'Ó, Marcelo, o Juscelino Dourado ou o Brani (que sucedeu JD) vai procurar seu pessoal e acertar uns pagamentos'."

MO reforçou que a maior parte dos valores descontados da conta "Amigo" eram pagos em dinheiro.
Veja um trecho do depoimento de MO:







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PÁSCOA - Cyro de Mattos


Páscoa
                       
Cyro de Mattos*

           
Pai salvador,
Misericordioso,
Toca no meu peito
O sofrimento teu.
           
Fadiga, sede, fome.
Cuspe, espinho, sangue,
Chicotada, prego, 
Madeira feita cruz.

Meu Pai,  perdoai
Os pecados meus. 
Não sei o que faço
Com tanta rejeição.

Vinde clarear  
Meus cegos passos
Amarrados sempre
Nesses ímpios nós. 

Sei que não mereço
Um grão dessa luz
Que ilumina o perdão
Do filho de Deus.

Ainda assim dizei
Apenas  uma palavra
Que serei um pássaro
Solto da garganta.

O bico desfiando
A divina experiência
Sem os cravos da dor
Que Te  ofendeu.

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*Cyro de Mattos é escritor e poeta,  Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Autor premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.

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A LAVA JATO TAMBÉM PEGARÁ O JUDICIÁRIO, DIZ EX-MINISTRA DO STJ

Zanone Fraissat/Folhapress
A ex-ministra do STJ Eliana Calmon, em foto de 2012
FREDERICO VASCONCELOS
DE SÃO PAULO
16/04/2017 

"A Lava Jato pegará o Poder Judiciário num segundo momento. O Judiciário está sendo preservado, como estratégia para não enfraquecer a investigação."

A previsão é de Eliana Calmon, ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça, ex-corregedora nacional de Justiça. "Muita coisa virá à tona", diz.

Ela foi alvo de duras críticas ao afirmar, em 2011, que havia bandidos escondidos atrás da toga. "Do tempo em que eu fui corregedora para cá, as coisas não melhoraram", diz.

Para a ministra, alegar que a Lava Jato criminaliza os partidos e a atividade política é uma forma de inibir as investigações. "Os políticos corruptos nunca temeram a Justiça e o Ministério Público. O que eles temem é a opinião pública e a mídia", afirma.

A entrevista foi concedida por telefone, nesta quinta-feira (13).
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Folha - Como a senhora avalia a lista dos investigados a partir das delações?
Eliana Calmon - Eu não fiquei surpresa. Pelo que já estava sendo divulgado, praticamente todos os grandes políticos estariam envolvidos, em razão do sistema político brasileiro que está apodrecido.

Algum nome incluído na lista a surpreendeu?
José Serra (senador do PSDB-SP) e Aloysio Nunes Ferreira (senado licenciado, ministro das Relações Exteriores, também do PSDB-SP).

A Lava Jato poderá alcançar membros do Poder Judiciário?
No meu entendimento, a Lava Jato tomou uma posição política. É minha opinião pessoal. Ou seja, pegou o Executivo, o Legislativo e o poder econômico, preservando o Judiciário, para não enfraquecer esse Poder. Entendo que a Lava Jato pegará o Judiciário, mas só numa fase posterior, porque muita coisa virá à tona. Inclusive, essa falta tem levado a muita corrupção mesmo. Tem muita coisa no meio do caminho. Mas por uma questão estratégica, vão deixar para depois.

Como a senhora avalia essa estratégia?
Acho que está correta. Do tempo em que eu fui corregedora para cá, as coisas não melhoraram. Há aquela ideia de que não se deve punir o Poder Judiciário. Nas entrevistas, Noronha [o atual corregedor nacional, ministro João Otávio de Noronha] está mais preocupado em blindar os juízes. Ele diz que é preciso dar mais autoridade aos juízes, para que se sintam mais seguros. Caminha no sentido bem diferente do que caminharam os demais corregedores.

Como a Lava Jato impacta o Judiciário? O que deve ser aperfeiçoado?
Tudo (risos). Nós temos a legislação mais moderna para punir a corrupção. O Brasil foi obrigado a aprovar algumas leis por exigência internacional em razão do combate ao terrorismo. Essas leis foram aprovadas pelo Congresso Nacional, tão apodrecido, porque eles entendiam que elas não iam "pegar" aqueles que têm bons advogados, que têm foro especial. Foram aprovadas também porque precisavam dar uma satisfação à sociedade depois das manifestações populares em junho de 2013.

Os tribunais superiores têm condições de instaurar e concluir todos esses inquéritos?
O STJ vem se preocupando admitir juízes instrutores que possam desenvolver mais rapidamente os processos. Embora a legislação seja conivente com a impunidade, é possível o Poder Judiciário punir a corrupção com vontade política. É difícil, porque tudo depende de colegiado. Muitas vezes alguém pede vista e "perde de vista", não devolve o processo. Precisamos mudar a legislação e tornar menos burocrática a tramitação dos processos. Hoje, o Judiciário está convicto de que precisa funcionar para punir. Essa foi a grande contribuição que o juiz Sergio Moro deu para o Brasil. Eu acredito que as coisas vão funcionar melhor, mas ainda com grande dificuldade.

Como deverá ser a atuação do Judiciário nos Estados com os acusados sem foro especial?
Hoje, o Judiciário mudou inteiramente. Todo mundo quer acompanhar o sucesso de Sergio Moro. Os ventos começam a soprar do outro lado. Antigamente, o juiz que fosse austero, que quisesse punir, fazer valer a legislação era considerado um radical, um justiceiro, como se diz. Agora, não. Quem não age dessa forma está fora da moda. Está na moda juiz aplicar a lei com severidade.

Como o STF deverá conduzir o julgamento dos réus da Lava Jato?
Eles vão ter que mudar para haver a aceleração. Acho um absurdo o ministro Edson Fachin, com esse trabalho imenso nessas investigações da Lava Jato, ter a distribuição de processos igual à de todos os demais ministros. Isso precisa mudar.

Como avalia o desempenho da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia?
O presidente de um tribunal como o Supremo tem um papel relevantíssimo. Costumo dizer que o grande protagonista do mensalão não foi apenas o ministro Joaquim Barbosa. Foi Ayres Britto. Na presidência, ele colocou os processos em pauta. Conduziu as sessões, interceptou as intervenções procrastinatórias dos advogados. Ele era muito suave, fazia de forma quase imperceptível. A ministra Cármen Lúcia demonstra grande vontade de realizar esse trabalho. Mas vai precisar de muito jogo de cintura, da aceitação dos colegas. O colegiado é muito complicado, muito ensimesmado. Os ministros são muito poderosos. Há muita vaidade.

Há a possibilidade de injustiças na divulgação da lista?
Sem dúvida alguma. Todas as vezes que você abre para o público essas delações, algumas injustiças surgem. Essas injustiças pessoais, que podem acontecer ocasionalmente, não são capazes de justificar manter em sigilo toda essa plêiade de pessoas que cometeram irregularidades. Mesmo havendo algumas injustiças, a abertura do sigilo é a melhor forma de chegarmos à verdade dos fatos.

Há risco de um "acordão" para sobrevivência política dos investigados?
Vejo essa possibilidade, sim, pelo número de pessoas envolvidas e pela dificuldade de punição de todas elas. O Congresso Nacional já está tomando as providências para que não haja a punição deles próprios. Eles estão com a faca e o queijo na mão. É óbvio que haverá uma solução política para livrá-los, pelo menos, do pior.

Como vê a crítica de que a lista criminaliza os partidos e a atividade política?
É uma forma de inibir a atividade do Ministério Público e da Justiça. Os políticos corruptos nunca temeram a Justiça. O que eles temem é a opinião pública e a mídia. Eles temem vir à tona tudo aquilo que praticavam. O MP e a Justiça são tão burocratizados que se consegue mais rápido uma punição denunciando, tornando público aquilo que eles pretendem manter na penumbra.

A Lava Jato demorou para alcançar o PSDB, dando a impressão de que os tucanos foram poupados e o alvo principal seria o ex-presidente Lula.
Eles começaram pelo que estava mais presente, em exposição, num volume maior. Toda essa sujeira, essa promiscuidade não foi invenção nem de Lula nem do PT. Já existe há muitos e muitos anos. Só que se fazia com mais discrição, ficava na penumbra. Isso veio à tona a partir do mensalão, e agora com o petrolão. Na medida em que foram ampliando essa investigação vieram os outros partidos. Estavam todos coniventes, no mesmo barco. Aliás, o PT só chegou a fazer o que fez porque teve o beneplácito do PSDB e do PMDB.

A lista pode acelerar a aprovação da lei de abuso de autoridade?
Eu acredito que sim. A instauração dessas investigações era necessária para depurar o sistema. A solução não será a que nós poderíamos esperar, a investigação e depois a punição. Acredito que haverá um "acordão".

Como a nova lei de abuso pode afetar o Ministério Público e o Judiciário?
Haverá uma inibição natural para a atuação do Ministério Público e da própria Justiça. Haverá o receio de uma punição administrativa. Isso inibe um pouco a liberdade da magistratura e, principalmente, dos membros do Ministério Público.

A Lava Jato cometeu excessos?
Houve alguns excessos, porque o âmbito de atuação foi muito grande. Muitas vezes o excesso foi o receio de que a investigação fosse abafada. Acho que esses excessos foram pecados veniais. Como ministra, vi muitas vezes o vazamento de informações saindo da Polícia Federal e nada fiz contra a PF porque entendi qual foi o propósito.
Era tônica da sociedade brasileira ser um pouco benevolente com a corrupção. Em razão de não haver mais a conivência do Ministério Público e da Justiça com a corrupção é que os políticos tomaram a iniciativa de mudar a lei, que existe há muitos anos.

A lista pode abrir espaço para mudar o foro privilegiado?
Nós teremos uma revolução em termos de mudança total do sistema político e do sistema punitivo, depois de tudo que nós estamos vivenciando.

Prevê mudanças na questão da criminalização do caixa dois?
Sem dúvida alguma. Tudo estava preparado na sociedade para a conivência com esses absurdos políticos. Estamos vendo no que resultou a conivência da sociedade e da própria Justiça com essas irregularidades que se transformaram em marginalidade do sistema político.

Acredita que a lista estimulará o chamado "risco Bolsonaro"?
Eu não acredito, porque o povo brasileiro está ficando muito participativo. É outro fenômeno que a Lava Jato provocou. Existe uma camada da nossa população que ainda acredita nesses fenômenos de políticos ultrapassados. Eu acredito que seja fogo de palha.

O nome da senhora foi citado numa das delações por ter recebido dinheiro da Odebrecht para sua campanha a senadora, em 2014.
Eu acho foi que foi R$ 200 mil ou R$ 300 mil, não me lembro. Não foi mais do que isso. Mas não foi doação a Eliana Calmon, foi ao partido, ao PSB, que repassou para mim. Esse dinheiro está na minha declaração.

Essa contribuição compromete de alguma forma o seu discurso?
Não, em nada. Inclusive, depois da eleição, um dos empregados graduados da Odebrecht perguntou se eu poderia gravar uma entrevista. Os advogados pediam a pessoas com credibilidade para dar um depoimento a favor da Odebrecht, por tudo que a empresa estava sofrendo. Eu não fiz essa gravação. Porque isso desmancharia tudo que fiz como juíza. E, como juíza, sempre agi como Sergio Moro. 



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PALAVRA DA SALVAÇÃO (23)

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Páscoa do Senhor - Domingo 16/04/2017


Anúncio do Evangelho (Jo 20,1-9)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.

Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.

Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.
Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.

Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.

De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a  reflexão do Padre André Teles:
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RESSURREIÇÃO de JESUS, Ressurreição Cósmica


 “De repente, houve um grande tremor de terra: o anjo do Senhor desceu do céu e, aproximando-se, retirou a pedra e sentou-se nela” (Mt 28,2)


Iniciamos o Tempo Quaresmal sendo convocados a refletir sobre os “biomas brasileiros e defesa da vida”. Tal como Jesus, a natureza é também lugar do padecido, da harmonia quebrada, da bondade violentada, da beleza ferida... “A criação geme em dores de parto” (Rom 8,22). Jesus e a Criação carregam a Cruz às costas até o Gólgota.

Há uma crise ecológica que se alastra rapidamente, quebrando o equilíbrio vital que sustenta a natureza toda. O uso desordenado dos recursos naturais e o “descuido” como modo habitual de viver, faz sofrer tanto o ser humano como a própria natureza.

No entanto, a novidade do universo é expressa pelo Apocalipse: 
“Eis que faço novas todas as coisas”- 21,5).

A Ressurreição de Jesus nos oferece uma perspectiva para ver essa novidade , enquanto a “comunidade de vida” se desenvolve e caminha em direção ao “Grande Mar Cósmico”.

“Na verdade, o ventre da Terra contraiu-se, a natureza gemeu em dores de parto.
 O túmulo rompeu-se e a pedra rolou. De repente a Vida!” (Zé Vicente)

O “mistério pascal” é o salto para a novidade, para a beleza, para a transcendência. Imersos na natureza, a Ressurreição nos faz descobrir a verdadeira extensão da Vida.

A luz da Ressurreição ilumina toda a Criação: a vida de Cristo na vida da Terra nos traz alegria e esperança. O universo inteiro é o “habitat” do Cristo Cósmico. 

A aparição de Jesus Ressuscitado no primeiro dia da semana foi entendida como a aurora do “primeiro dia” da Nova Criação de todas as coisas. À luz deste “novo dia” de Deus, Cristo aparece como o primogênito de toda a Criação, que reconcilia todas as coisas no céu e na terra.

O “primogênito entre os mortos” é também o “primogênito de toda criatura”, por quem todas as coisas foram criadas. A Ressurreição pulsa em nós e na natureza com o coração de Deus.

Em Cristo, todas as criaturas apontam para o Criador. Elas também apontam para além de si mesmas, para o futuro da redenção, para sua forma verdadeira e permanente no Reino de Deus. À luz da Ressurreição compreendemos a Criação como “criação de Deus”, porque confiamos na fidelidade de seu Criador, e percebemos a capacidade que ela tem de se transformar, em vista de sua plenitude.

A Ressurreição é colocada no grande contexto da Criação em que o próprio ser humano participa. A Ressurreição é encontro com a vida plena, em um processo da Criação que chega a seu desfecho. Pela Ressurreição, romperam-se todas as amarras do espaço e do tempo. Cristo ganhou uma dimensão cósmica. A evolução se transformou numa verdadeira revolução.

O Gólgota remete aos gemidos de parto, e o túmulo vazio representa a concretização do parto. Nova história, nova criação está iniciada. O Cristo cósmico surge então como motor da evolução, como seu libertador e seu plenificador.

A salvação é salvação de toda a Criação e de todas as criaturas, e não pode ficar restrita à “salvação da alma humana” nem à bem-aventurança da existência humana. A “ressurreição dos mortos” ocorre nesta terra e leva os que receberam a vida para uma “nova terra onde mora a justiça, de acordo com sua promessa” (2Pd. 3,13). O Reino de Deus não é um reino “no” céu, mas ele vem “assim na terra como no céu”. Ressurreição e vida eterna são promessas de Deus para os todos os seres desta terra. Por isso, também a ressurreição da natureza há de levar não para o Além, mas para o Aquém da nova criação de todas as coisas. Não é para o céu que Deus salva sua Criação, mas Ele renova a terra.

A terra é o palco da vinda do Reino de Deus, por isso a ressurreição para o Reino de Deus é a esperança desta terra. Sobre esta terra embebida em sangue esteve a Cruz de Cristo, por isso Deus lhe permanece fiel e afastará dela toda dor, sofrimento e morte, para Ele mesmo nela vir morar.
            “O Reino de Deus é o reino da ressurreição na terra” (Bonhoeffer).

Somos já “seres ressuscitados”: sentimos hoje a urgência de seguir os caminhos de uma ética ecológica para que possamos nos situar, na Criação, numa atitude participativa e de cuidado responsável. Cresce um novo modo de pensar e de conceber o universo enquanto “teia de relações”. Isto significa que há uma unidade fundamental e uma vasta rede de inter-relações, conectados a todos os elementos da natureza.

Todos os seres, vivos e não vivos, são parceiros numa verdadeira “dança cósmica”, numa grande comunhão universal. Fazemos parte de uma “rede” de relações múltiplas e recíprocas, nas quais o próprio Cristo Ressuscitado se faz presente, como fonte de vida. Para chegar a viver o Novo Céu e a Nova Terra é preciso renovar radicalmente este céu tantas vezes opaco e esta terra tão violada.

Se não houver uma “salvação da natureza”, também não poderá haver uma salvação definitiva do ser humano, pois os seres humanos são seres da natureza. Isto obriga a todos os que esperam a ressurreição a permanecerem fiéis à terra, a respeitá-la, cuidá-la e amá-la como a si mesmos.

Na perspectiva da natureza, a ressurreição de Cristo significa que com Ele teve início a universal “destruição da morte” (1Cor. 15,26), e que se torna visível o futuro da Nova Criação, quando a morte deixar de existir.

A ressurreição dos mortos, a destruição da morte e a ressurreição da natureza constituem os pressupostos para a eterna Criação que participa da habitação do Deus vivo e eterno.

A Criação “no princípio” está orientada para este fim. De acordo com isto “toda a Criação geme conosco” e esta é a verdadeira ressurreição da natureza.

Este é o lado cósmico da esperança da ressurreição. As forças do pecado e da morte, destrutivas e contrárias a Deus, são expulsas da criação, que é boa, e na presença do Deus vivo esta se transformará em uma criação eternamente viva.

O Deus que ressuscita os mortos é o mesmo Deus que chamou todas as coisas do nada à existência; Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos é o Criador do novo ser de todas as coisas.

Ressurreição e Criação constituem, portanto, uma unidade, pois a ressurreição dos mortos e a destruição da morte são a completude da criação original. 

Texto bíblico:  Mt 28,1-10

Na oração: Fico maravilhado com a nova comunidade universal de vida que emerge da Noite Pascal. A Luz da Ressurreição integra tudo.

Considero como nosso Senhor ressuscitado revela toda a vida futura do universo como uma comunidade em evolução de esplendor e diversidade crescentes. Reflito como Cristo nos leva a evoluir para uma humanidade em plenitude, vivendo uma relação plena com todas as criaturas.
Fraternizo com todas as criaturas e me faço humano em toda minha plenitude.
Páscoa: um salto para a transcendência... para o Novo Céu e Nova terra
Uma inspirada Páscoa a todos(as)

Pe. Adroaldo Palaoro sj



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