Depois da crucifixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo,
para redimir o pecado dos homens e reabrir as portas do Céu, toda a Terra foi
coberta por densas trevas, a tristeza e a desolação contagiaram os povos,
liquidando com tudo o que restava de ordem. É o que poderíamos esperar depois
da ignominiosa morte do Homem-Deus.
Do Santo Sepulcro ressurge a primeira claridade de
esperança. As almas fiéis que o rodeavam para prestar as últimas homenagens a
Nosso Senhor, pressentiam que algo de maravilhoso estava para acontecer. Junto
àquela tumba, que aparentemente havia selado a derrota do Divino Redentor, eles
presenciaram a glória triunfadora de Sua ressurreição.
Com efeito, como diz São Paulo, se Ele não tivesse
ressuscitado, a nossa fé seria vã. Os anjos cantaram “glória a Deus nas
alturas”. As trevas se dissiparam. A natureza inteira se rejubilou com a luz
emanada daquele Corpo glorioso. Jesus Cristo realmente ressuscitou como
triunfador da morte e do pecado. Tendo cumprido a vontade de Deus Pai, reabriu
as portas dos céus aos justos.
Apesar de a notícia do enorme prodígio ter corrido como um
raio, muitos discípulos ainda andavam tristes com a morte de Cristo — após ter
sido entregue à soldadesca romana pelos magistrados e sacerdotes judeus —, pois
a alegria da Sua ressurreição não havia ainda inundado os seus corações.
Tinham uma fé incompleta e não conheciam verdadeiramente
quem era Jesus. Uns achavam que fosse um profeta com grande poder, que
restauraria o reino temporal de Israel. Outros, confusos e perplexos, prestavam
atenção nos acontecimentos sem entender o que se passava.
Foi necessário que Cristo morresse e ressuscitasse dos
mortos para manifestar que Ele era Deus. Sendo já o terceiro dia de sua morte
na Cruz, não havia mais razão para que não se conhecesse tudo o que havia se
passado em Jerusalém com o Filho de Deus desde a traição do infame Judas
Iscariotes.
Quando as santas mulheres chegaram pela manhã de domingo,
não encontraram mais o corpo de Jesus na sepultura. Seguiu-se o anúncio do anjo
de que Ele não se encontrava mais lá, mas havia ressuscitado dentre os mortos.
O que parecia uma derrota, foi a confirmação na fé dos discípulos — a vitória
de Cristo sobre seus inimigos —, e todos creram n’Ele depois de manifestar
assim a Sua divindade.
É uma prefigura da paixão que nestes dias de trevas sofre a
Santa Igreja, corpo místico de Cristo, contra a qual todos os agentes infernais
conspiram e desferem golpes, mas Ela segue com vida plena nos fiéis que
depositam suas certezas em Jesus Cristo vencedor e triunfador.
Poucos são os que realmente amam a Santa Igreja e estão
dispostos a tudo suportar e resistir em sua honrosa defesa, bem como de tomar a
iniciativa da luta a fim de que Ela seja restaurada de modo ainda mais
excelente do que foi outrora, sempre segundo a lei e a doutrina de Nosso Senhor
Jesus Cristo. Mas aqueles que têm verdadeira devoção a Nossa Senhora recebem
d’Ela o inestimável dom da fé, da pureza, e da bravura para lutar. Deus lhes
dará a vitória.
Se correspondermos a esse dom, estaremos juntos daquelas
almas privilegiadas que viram, testemunharam e registraram para os pósteros
aquele momento, talvez o maior acontecimento da História: Jesus Cristo saindo
vitorioso de seu sepulcro. Assim como Nossa Senhora nos deu o exemplo de nunca
duvidar, Ela nos ensina e alenta a nunca desanimar nas vias da confiança.
Devemos, portanto, confiar contra todas as aparências em
sentido contrário, de que junto d’Ela haveremos de encontrar forças e adquirir
a certeza de que o bem não está sepultado para sempre, mas que residuum
revertetur — o resto voltará, segundo Isaías. Dos escombros e das
cinzas da civilização atual surgirá o Reino de Maria, com o fulgor de Cristo no
momento de Sua ressurreição.
Espero que todos os fiéis e leitores tenham uma Santa e
feliz Páscoa, na alegria de saber e confiar, com uma confiança sem limites, na
promessa de que as portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja.
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*Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria –
Cardoso Moreira (RJ).
Depois de uma vivencia profunda do Mistério da Salvação
durante a Semana Santa e principalmente do Tríduo Santo, estamos na Páscoa.
Ecoa em todos os recantos do orbe o desejo: FELIZ PÁSCOA.
Páscoa é a maior festa para o cristão, a comemoração da
Ressurreição do Cristo e a nossa.
Porque a comemoração da Páscoa não tem a data
fixa, como por exemplo, o Natal?
Antes de os cristãos comemorassem a Pascoa, faziam-no os judeus. Eles comemoravam a saída
da escravidão do Egito, que coincidiu com a primavera no mês judaico
nissan, que corresponde no nosso calendário entre o fim de março a meados de
abril.
Os Cristãos dando o outro sentido a Páscoa, mas seguindo a data, fixaram-na para o 1º domingo depois da
primavera no hemisfério norte, ou outono no hemisfério sul, que cai entre 22 de
março a 25 de abril. Por isso a Páscoa não tem a data fixa no calendário nosso.
Que Cristo Ressuscitado ilumine a sua e a minha vida. Uma
excelente noite. Com a benção e oração.
Dom Ceslau
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04/04/2018
O Magistério da Igreja
Depois da Semana Santa voltamos ao nosso estudo sobre o
magistério da Igreja. O Magistério da Igreja pode ser (como já vimos) ordinário
e extraordinário. O extraordinário se desenvolve por meio dos Concílios
Ecumênicos e as nossas Conferências Latino Americanas, às quais dedicamos
bastante tempo, principalmente para Aparecida.
O Papa no seu Magistério Ordinário se serve de muitas
formas. Além das suas homilias, reflexões semanais nas audiências gerais ensina ainda por meio de: Encíclicas,
Exortações Apostólicas, Cartas Apostólicas, Bulas etc. Cada um destes
documentos tem o seu valor e peso doutrinário variado, mas todos são um
ensinamento ordinário do Papa. Lembro: o Magistério da Igreja não trata das
ciências humanas, mas da transmissão autentica da Palavra de Deus para
fortalecer a nossa fé.
Com a minha oração e benção, uma noite tranquila e de muita
paz.
Dom Ceslau.
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05/04/2018
Encíclica
Encíclica (vem da palavra latina encyclicus,a,um - que significa circular, que circula).
É uma comunicação escrita papal, um documento pontifício,
dirigido aos bispos de todo o mundo e, por meio deles, a todos os fiéis.
O termo ‘Encíclica’ foi introduzido pelo Papa Bento XIV
(1740-1758).
A encíclica é usada pelo Papa para exercer o seu magistério
ordinário.
Geralmente as encíclicas se dirigem Arcebispos, Bispos,
Presbíteros, e fiéis, mas pode estender-se, como o fazem os últimos papas
desde o João Paulo II, a todo o "homem de boa vontade"
A Encíclica trata de matéria doutrinária em variados campos:
fé, costumes, culto, ecologia, doutrina social, etc.
Com a benção e oração, uma repousante noite. Que os Anjos
velem sobre o seu sono.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor.
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de
Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha
sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão
Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o
Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao
túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa
que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas
de linho no chão, mas não entrou.
Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e
entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que
tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num
lugar à parte.
Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado
primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.
De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura,
segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
Ligue o vídeo abaixo e assista a música “Porque Ele vive”
cantada por Natan, Mary, Carol e Caio:
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Travessia
para a Galileia: mulheres portadora de perfumes
“Maria Madalena e Maria, a mãe de Tiago e Salomé, compraram
perfumes para ungir o corpo de Jesus.
E bem cedo, no primeiro dia da semana, ao nascer do sol,
elas foram ao túmulo” (Mc 16,1-2)
As mulheres revelaram uma presença fundamental nos relatos
da Páscoa. Elas seguiram e serviram a Jesus com seus bens pelos caminhos da
Galileia (Lc 8,1-3) e permaneceram fiéis até o final, até a Cruz. São
testemunhas, como tantas mulheres de hoje, da fidelidade nas situações limite,
onde o que lhes toca fazer é estar e acompanhar, na sua impotência e luto, até
que emerja o inédito. São testemunhas da semente do amor entregue, que, embora
invisível no ventre da terra, vai pouco a pouco abrindo caminho para a luz,
afastando pedras e abrindo sepulcros, dando à luz o novo, porque o Deus de
Jesus não é um Deus de mortos, mas de vivos. Frente à traição e a ausência dos
discípulos, as mulheres foram significativas por sua lealdade. Enquanto o grupo
de homens se trancou na passividade covarde, elas optaram pelo enfrentamento da
realidade, vencendo o medo, colocando-se a caminho.
Das mulheres que foram ao sepulcro na manhã de Páscoa
levando perfumes podemos aprender sua capacidade de enfrentar os acontecimentos
com sabedoria e audácia. Elas são as mulheres “mirróforas”, ou seja, portadoras
de perfumes, que madrugam para ir ungir o corpo de Jesus. São conscientes do
tamanho da pedra e de sua impossibilidade de removê-la, mas isso não é um
obstáculo em sua determinação de ir ao túmulo para fazer memória d’Aquele que
abriu para elas um horizonte de sentido. A alusão ao “primeiro dia da semana” e
o “nascer do sol” acompanham a entrada delas em cena, na madrugada da Páscoa:
estamos no começo da Nova Criação e a luz da Ressurreição as envolve em seu
resplendor.
Quem busca, encontra; as mulheres foram as primeiras que
viram este instigante sinal: a grande pedra tinha sido removida e o túmulo
estava vazio. E foram as primeiras a “entrar”. Entraram no túmulo: esta foi a
experiência das discípulas de Jesus, ou seja, entraram no mistério que Deus
realizou com sua vigília de amor. Não se pode fazer a experiência da Páscoa sem
“entrar” no mistério.
“Entrar no mistério’ significa capacidade de assombro, de
contemplação; capacidade de escutar o silêncio e sentir o sussurro de fio de
silêncio sonoro no qual Deus nos fala. ‘Entrar no mistério’ requer de nós que
não tenhamos medo da realidade: não nos fechemos em nós mesmos, não fujamos
perante aquilo que não entendemos, não fechemos os olhos diante dos problemas,
não os neguemos, não eliminemos as questões...
‘Entrar no mistério’ significa ir mais além das cômodas
certezas, mais além da preguiça e da indiferença que nos freiam, e pôr-se em
busca da verdade, da beleza e do amor, buscar um sentido não óbvio, uma
resposta não banal às questões que põem em crise nossa fé, nossa fidelidade e
nossa razão.
Para 'entrar no mistério’ é preciso humildade, a humildade
de abaixar-se, de descer do pedestal de nosso eu tão orgulhoso, de nossa
presunção. A humildade para redimensionar a própria estima, reconhecendo o que
realmente somos: criaturas com virtudes e defeitos, pecadores necessitados de
perdão. Para entrar no mistério é preciso este abaixamento que é impotência,
esvaziando-nos das próprias idolatrias, adoração. Sem adorar, não se pode
entrar no mistério” (Papa Francisco – Missa da Vigília Pascal – 2015).
As mulheres buscaram Jesus no lugar equivocado, embora ali
aprenderam uma lição inesquecível: é inútil buscá-lo no lugar da morte. Esse
espaço está desabitado. O jovem de branco associa a ressurreição a uma tumba
vazia: “Ressuscitou, não está aqui” (v.6). O cenário da morte carece de
respostas. A busca deverá ser feita no espaço onde se desenvolve a vida. As
mulheres entendem que corresponde a elas tomar a iniciativa e tirar da covardia
o grupo de discípulos, transmitindo um encargo a todos os que abandonaram Jesus
e, em especial, a quem chegou a renegá-Lo: “...dizei a seus discípulos e a
Pedro...” (v.7).
Agora, finalmente, Marcos cita os discípulos. Através das
mulheres, eles receberão o encargo de Jesus. Elas se converteram em mensageiras
da boa notícia; elas assumiram o protagonismo e relançaram o projeto do Reino a
partir de sua grande intuição: na Galileia começou a história e ali deverá ser
reiniciada. Seguir as pegadas do Galileu confirma que Ele vai adiante guiando
os seus seguidores e seguidoras. Percorrer seus passos garante ao grupo a
experiência de contar com Ele: “Ele irá à vossa frente, na Galileia; lá vós o
vereis, como ele mesmo tinha dito” (v.7).
Para o evangelista Marcos, voltar à Galileia significa
retomar e prolongar a mensagem e a proposta do Reino de Jesus. Foi ali na
Galileia que Jesus começou sua vida pública e atuou como aquele que veio
aliviar o sofrimento humano, com a certeza de que o Reino tinha chegado e que
Deus faria mudar a forma de vida dos homens, partindo precisamente dos mais
pobres e excluídos. Dessa forma, inicia-se um grande “movimento humanizador”, a
partir de baixo, ou seja, dos últimos e pobres, anunciando e preparando a
chegada do Reino na Galileia.
Esta volta à Galileia tem, portanto, um sentido teológico,
kerigmático e geográfico, marca o começo da nova comunidade dos seguidores e
seguidoras de Jesus. Para Marcos, nesse entorno da Galileia está o futuro do
Evangelho. A partir desse lugar deve iniciar-se o novo caminho do seguimento.
Por isso, os(as) discípulos(as) devem entrar em sintonia com o modo original de
ser e de viver de Jesus na Galileia. É ali que se devem encontrar todos os que
são de Jesus (Pedro, as mulheres, os discípulos de Jerusalém), para também ali
retomar e prolongar o movimento iniciado pelo Mestre de Nazaré.
A partir desse pano de fundo, entende-se a palavra final do
evangelho de hoje: “lá vós o vereis”. Ver a Jesus significa aprender a olhar
como Ele olhava e a viver como Ele vivia, colocando a vida a serviço dos coxos,
mancos, cegos, doentes, expulsos da sociedade... Ver a Jesus significa ver a
partir de Jesus (como Ele faria hoje), nas novas condições pessoais e sociais
de um mundo que parece condenado à morte, como aquele em que Jesus viveu.
Vendo a Jesus poderemos ver tudo de um modo diferente, vendo
o sofrimento das pessoas, ouvindo seus gritos. A missão está aberta. Esse é o
caminho do Evangelho, carregando em nossas pobres mãos, como as mulheres da
Páscoa, o perfume da Nova vida ressuscitada. E assim como o mau odor repele e
afugenta, o bom odor atrai e convida ao seguimento.
Mas é sobretudo através do “modo cristificado de ser e
viver” que os(as) seguidores(as) de Jesus exalam um bom odor, criam uma
atmosfera perfumada ao seu redor. Assim, às vezes nos encontramos com ambientes
que nos cativam e atraem, que desprendem um aroma agradável e prazeroso. São
ambientes nos quais reina a acolhida, a afabilidade, o compromisso, a simplicidade. Sempre agrada ficar por mais tempo. Nossa memória parte dali amavelmente
carregada com energia salutar e nossos pulmões saem repletos de ar purificado,
limpo...
Também existem outros ambientes cujo ar é irrespirável,
fétido, com mau odor. São lugares onde há competições, agressividade e
violência, onde as pessoas são manipuladas as pessoas; são atmosferas
arrogantes, infectadas, orgulhosas, vazias. Saímos dalí meio asfixiados,
desejando não querer voltar mais.
Todos nós cristãos fomos ungidos com o óleo santo no
batismo, fomos besuntados e massageados com um bálsamo cristificante. Por isso
trazemos a força sanadora do perfume de Cristo, para sermos presenças
diferenciadas em lugares que cheiram à morte e poder manifestar a beleza da
vida cristã com a qualidade do nosso aroma.
Somos uma fragrância que é o símbolo da vida, e que,
derramada em favor das pessoas, inunda o mundo, comunicando a salvação.
Páscoa é expandir o perfume da vida que nos envolve.
Desejo uma “Páscoa perfumada” a todos
vocês.
Texto bíblico: Mc 16,1-7
Na oração: Como as mulheres “mirróforas”, tomemos
consciência dos aromas que levamos para perfumar os ambientes com odor de
morte, de rigidez, de indiferença, de medo... para que se transformem em
espaços com cheiro de vida, de liberdade, de ternura e acolhida.
- Quê aromas captamos e reproduzimos em nossas casas, em
nossas comunidades, em nossos contextos...?
*Cyro de Mattos é escritor e poeta, Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual
de Santa Cruz. Membro efetivo da Academia de Letras da Bahia, Pen Clube do
Brasil, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Autor
premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.