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sábado, 17 de dezembro de 2016

O PMDB É AUTÊNTICO TESTE DE STRESS DA DEMOCRACIA BRASILEIRA

O PMDB é autêntico teste de stress da democracia brasileira

16 de Dezembro de 2016
Por Mario Sabino*

Hoje o meu filho caçula completa onze anos. A data familiar me remete a uma data nacional: em maio de 2005, eclodiu o mensalão. Lá se vão mais de onze anos, portanto, que enfrentamos a organização criminosa que se instalou no poder. E não é verdade que ninguém podia imaginar que ela andava fazendo coisa ainda pior. Tudo estava na nossa frente — o petrolão, o eletrolão e outros esquemas coligados que o PT e os seus cúmplices engendraram para roubar o país do seu passado, presente e futuro.

Tudo estava na nossa frente, mas a esmagadora maioria de nós se recusava a ver. Seja porque a economia, dopada pelo crédito abundante, parecia ir bem, seja porque havia a crença de que um governo do PT, esquerdista, era necessariamente uma etapa a ser vencida para a consolidação da democracia brasileira.

Tal crença encontrou solo fértil na sociologia tucana. O raciocínio era de que Lula, em especial, significava o teste de stress ideológico que a democracia não havia conseguido superar em 1964, com João Goulart. Quando estourou o mensalão, não foram poucos os tucanos que viram "golpismo" na forma como a imprensa tratou o escândalo. Como se a roubalheira provada e mensurada fosse um exagero das mesmas forças que impediram que o país ultrapassasse o teste de 1964. Essa mentira apregoada pelo petismo (e repetida no petrolão) florescia como verdade ainda que relativa nas cabecinhas sociológicas tucanas. Sim, roubaram, fizeram, está certo, porém a direita é demasiado moralista e…

… Onze anos mais tarde, estamos aqui, não mais com o PT, ainda bem, mas ainda com o PMDB. Esse PMDB que, desde os anos 90, cresceu à sombra da sociologia tucana e floresceu sob o manto da ideologia petista.

O PMDB, eu já disse, é endógeno ao país. O espetáculo repugnante que ele nos proporciona é mais brasileiro do que os dos partidos que o alimentaram. O PMDB existe desde antes da sua fundação. Os seus efeitos deletérios foram descritos pelo escritor Lúcio Cardoso, em 1949: “Não sei que caos é este a que se referem nossos articulistas políticos, e que, segundo eles, já se aproxima. Engano: há muito estamos nele. O Brasil é um prodigioso produto do caos, uma rosa parda de insolvência e de confusão. A verdade é que já nos acostumamos com isso, não dói mais, como certas doenças malignas.”

O PMDB é um tumor maligno que precisa nos causar dor, para que possamos vencê-lo. O PMDB é o autêntico teste de stress da democracia brasileira.


*Mario Sabino acaba de lançar o livro "Cartas de um antagonista — Jornalismo na selva selvagem brasileira", que reúne artigos inéditos e textos publicados nesta newsletter.
Para comprar o livro, clique em Cartas de um antagonista



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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

NOITE DE DEVANEIO - Oscar Benício dos Santos

Noite de devaneio


Numa noite indormida
que não me deixou sonhar,
em vigília adormecida
pus-me ébrio a divagar.


Entre sua imagem sumida 
divaguei a procurar,
um sentido à minha vida
mas, sem nunca o encontrar.


Se o não achar nesta existência,
vou procura-lo na ausência , 
desta, onde é certo encontra-lo.


Pois, se em vida não o encontrei,
após a morte o acharei
mas, não me traz mais regalo.



Oscar Benício Dos Santos
Salvador, 16/12/16


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CORPO DO JORNALISTA VILLAS-BÔAS CÔRREA SERÁ CREMADO, NESTE SÁBADO, NO RIO

Villas-Bôas Corrêa é o mais antigo jornalista político do país e morreu na noite desta quinta-feira (15) por falência múltipla de órgãos.

Por G1 Rio
16/12/2016

O corpo do jornalista Luiz Antônio Villas Bôas Corrêa, de 93 anos, vai ser velado neste sábado (17), no Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária do Rio. O velório começa às 10h e o corpo do jornalista vai ser cremado às 13 horas.
Villas-Bôas Corrêa é o mais antigo jornalista político do país e morreu na noite desta quinta-feira (15) por falência múltipla de órgãos. Ele estava internado havia uma semana no hospital São Lucas, em Copacabana, no Rio, com problemas respiratórios. As informações foram confirmadas por uma amiga da família.

Villas- Bôas tinha 93 anos, era viúvo e deixa dois filhos, três netos e três bisnetos. Ele será cremado, mas ainda não há informações sobre o dia.

Villas-Bôas Corrêa nasceu em 2 de dezembro de 1923, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Sua trajetória começou em 1948, no extinto jornal A Notícia, escrevendo pequenas notas. Ao lado do fotógrafo José Rodrigues, naquela época, Villas-Bôas cobria diversas pautas por dia, inclusive policiais. Villas-Bôas também trabalhou no Diário de Notícias, jornal O Dia, Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo – onde passou 23 anos na sucursal do Rio de Janeiro –, Rádio Nacional. Villas-Bôas trabalhou boa parte de sua vida no Jornal do Brasil, foram 30 anos dedicados ao jornal. A última coluna dele no Jornal Brasil foi em agosto de 2011, a Coisas de Política.

O jornalista também foi comentarista político da TV Bandeirantes e da extinta TV Manchete. Um comentarista de estilo elegante, sofisticado e profundo. Ao longo de todos estes anos, ele acompanhou de perto os principais fatos políticos do país, como a transferência da capital para Brasília, o golpe de 1964, a ditadura militar, a anistia, as Diretas Já. Um analista privilegiado de momentos marcantes da história do país.

Aos 85 anos, o analista político se autodefiniu como o “último sobrevivente da geração que cunhou o modelo de reportagem política que ainda hoje se pratica”.

O jornalista tem dois livros de memórias publicados: "Casos da fazenda do Retiro (2001)" e "Conversa com a Memória: a História de meio século de jornalismo público (2002)", a autobiografia de um repórter político.

Villas-Bôas Corrêa entrou na Faculdade Nacional de Direito em 1943, onde presidiu o centro acadêmico. Foi na faculdade que desenvolveu seu perfil de analista político, o mais antigo do país. Se formou em 1947, quando já era funcionário público do Serviço de Alimentação da Previdência Social (Saps).

"Meu segundo filho nasceu de cesariana e eu não tinha como pagar os 13 contos de réis das despesas com o hospital. Na verdade, só tinha 5 ou 6 contos de réis para o parto normal. Com o salário de funcionário público, jamais conseguiria saldar a dívida. Então, tive a ideia de tentar um emprego na imprensa junto ao meu sogro, o jornalista Bittencourt de Sá, na época aposentado. Ele me orientou a procurar o colega Silva Ramos, homem forte do jornal A Notícia, de propriedade de Cândido de Campos", contou Villas-Bôas Corrêa em entrevista à Associação Brasileira de Imprensa.


SAIBA MAIS



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AMIGO SECRETO, AMIGO OCULTO - O VERSO E O REVERSO DA MOEDA – João de Paula

Amigo secreto, amigo oculto 

 É tempo novo! Vamos rir mais.


É tempo de esperança e renovação...
Tempo de ficar ao lado de quem amamos e gostamos,
Tempo de trocas de mensagens e presentes,
De largar e ficar longe daquilo que gera sofrimento,
É tempo de sorrir e de saltar de felicidade!

Vamos rir mais, gargalhar...
Vamos dar boas risadas, presentear nossos amigos e amigas,
Abraçar firmes e fortes, espalhar nosso aroma de perfume bom.

É tempo de festa,
Tempo de confraternização,
De abraços e boas vindas,
Tempo presente... De trocar presentes!

Renovar os votos de feliz ano novo,
Votos de tudo de bom,  de felicitações...
Vamos comemorar sim, brindar o novo!

O dia de hoje e o dia de amanhã são dias de bênçãos...
Vamos agradecer ao Supremo Racional,
Brindar a esperança, a boa amizade,
Dias melhores que virão...

É tempo de Natal, tempo de Boas festas,
Tempo de Reveillon, apertos de mãos sinceros
E de abraços fraternais ...

É tempo de amigos secretos, tempo de amigos ocultos,
Tempo de compartilhar o amor,
De deixar a emoção florir, manifestar nossa gratidão,
Mostrar nossa sinceridade e dedicação...

É tempo de deixar de lado o fingimento e a falsidade,
Comemorar a boa educação, as boas maneiras,
O amor à vida, vamos celebrar a vida!


Celebrar o amor, celebrar a sinceridade,
Celebrar a verdade, a alegria de viver,
Sorrir e gargalhar muito mais...

Vamos viver o hoje, ser feliz,
Fazer feliz nossos irmãos,
É tempo de fazer alguém feliz,
Servir espontaneamente,
Gerar felicidade e despertar nas pessoas a gratidão!

Vamos sorrir muito mais,
Porque você existe, você é um presente de Deus.
Sorria meu bem, vamos sorrir,
Com ou sem dentes,
porque nossa alegria e beleza vêm de Deus.  
É tempo de Deus Amor! 


João Batista de Paula

Escritor e Jornalista

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PAPAI NOEL OU SÃO NICOLAU?

Papai Noel ou São Nicolau?
15 de dezembro de 2016
Plinio Maria Solimeo

         Aproxima-se o Natal. Desde os mais sofisticados Shoppings Centers até as lojas mais humildes esmeram-se na decoração natalina. Em praticamente todas elas ocupa lugar de realce o obeso Papai Noel, que nesta nossa época tão materializada se tornou o símbolo do Natal.

Como surgiu esse personagem, que tomou o lugar do próprio Menino Jesus nas comemorações natalinas? Segundo fontes autorizadas, em 1821 foi publicado em Nova York um livro de litografias para o público infantil intitulado Santa Claus, o amigo das crianças, o qual alcançou muita popularidade. Pelo que tudo indica, “Santa Claus” é uma deturpação fonética do “Sankt Niklaus” alemão, ou seja, de São Nicolau de Bari.

Vindo do Norte, esse personagem chegava num trenó puxado por uma rena voadora, e aparecia não mais no dia 6 de dezembro, festa do Santo, mas na véspera de Natal.

“Segundo peritos do St. Nicholas Center, foi uma elite de Nova York que conseguiu nacionalizar a Natividade [de Jesus] através de Santa Claus, com o apoio de artistas e literatos como Washington Irving, John Pintard e Clement Clarke Moore”.

Mas foi só em 1863, durante a Guerra Civil dos EUA, que o caricaturista político Thomas Nast começou a desenhar o Santa Claus — ou Papai Noel, para nós —, como aparece agora, com o gorro vermelho, abundante barba branca e avantajado ventre.

Essa versão, no entanto, foi popularizada pela indigesta Coca-Cola, que o representou pela primeira vez num anúncio em 1920. E como essa rejeitável bebida difundiu-se por todo o mundo como símbolo da modernidade e da mentalidade hollywoodiana, também o Papai Noel se espalhou por toda a Terra[i].

Quem era São Nicolau

Nas épocas de fé, em que o espírito religioso ainda impregnava as festas natalinas, o nascimento de Cristo era precedido pela festa de São Nicolau de Mira, ou de Bari, no dia 6 de dezembro. Era nesse dia que o santo bispo dava presentes às crianças.

Na vida desse santo tão popular, é difícil saber o que é realidade e o que é legenda. Pois são tantos os fatos tão extraordinários que se contam a seu respeito, que, em alguns casos, se torna quase impossível separar o real do fantasioso.

Esse santo do século IV foi um dos mais venerados do Oriente, antes de o ser do Ocidente. E as legendas narrando maravilhas a seu respeito se difundiram por todo o mundo.
Nicolau nasceu por volta do ano 270 em Patara, opulenta capital da Lícia, na atual Turquia. Seus pais eram nobres, ricos e, sobretudo, piedosos.

O menino recebeu apurada educação religiosa e cívica. Na escola, evitava a companhia dos colegas perniciosos, só travando amizade com os bons e virtuosos. Crescendo, evitava os espetáculos perigosos, e domava seu corpo com vigílias, cilícios e jejuns.

Quando seus pais faleceram, Nicolau herdou uma grande fortuna. Mas considerou-se apenas administrador desses bens, cujos reais senhores se tornaram os pobres e os necessitados.

Bispo de Mira

Faleceu então o arcebispo de Mira. Os prelados da província e o clero elevavam fervorosas preces aos Céus, pedindo luzes para encontrar um digno sucessor. Como não chegavam a um acordo sobre a pessoa a escolher, por inspiração do alto, combinaram então que elegeriam bispo o primeiro cristão que entrasse na igreja no dia seguinte.

Ora, Nicolau tinha então se mudado de Patara para essa cidade, a fim de viver mais obscuramente. E pensou logo em visitar a igreja local. Assim, ignorando em absoluto o que fora combinado, franqueou bem de manhãzinha o umbral do templo, e foi logo apanhado e aclamado bispo. Embora resistisse, foi preciso ceder à vontade de Deus.

Desde então, “sua solicitude pastoral estendeu-se geralmente a todas as necessidades de seu povo. Cuidava dos pobres, dos doentes, dos prisioneiros, das viúvas e dos órfãos. Quando não podia assisti-los pessoalmente, fazia-os visitar e assistir por pessoas piedosas, a quem encarregava desses cuidados. Sua principal aplicação era conhecer as necessidades espirituais de seus fiéis e levar-lhes os remédios eficazes. [...] Pregava contra todos os vícios, e o fazia com uma eloqüência divina que o tornava vitorioso sobre todos os corações[ii].

“‘Graças aos ensinamentos de Nicolau, a metrópole de Mira foi a única que não se contaminou com a heresia ariana, a qual ele rechaçou firmemente como se fosse um veneno mortal’, dizia São Metódio. O arianismo negava a divindade de Jesus Cristo. Do mesmo modo, São Nicolau combateu incansavelmente o paganismo[iii].

Um biógrafo do santo, o arquimandrita (superior de um mosteiro na Igreja Oriental) Miguel, narra assim sua morte: “Havendo regido a Igreja metropolitana de Mira e embalsamado o país com o perfume de uma santíssima vida sacerdotal, trocou esta vida perecedoura pelo repouso eterno” por volta do ano 341[iv].

Túmulo de São Nicolau
Suas relíquias são preservadas na igreja de São Nicolau, em Bari, na Itália. E até hoje delas emana uma substância oleosa, conhecida como Maná de São Nicolau, que é altamente apreciada por seus poderes medicinais[v].

Com efeito, “em Mira se dizia que o ‘venerável corpo do bispo, embalsamado no azeite da virtude, transudava uma suave mirra que o preservava da corrupção, e curava os enfermos, para glória daquele que havia glorificado a Jesus Cristo, nosso verdadeiro Deus”[vi].

São Nicolau é muito venerado na Grécia e na Rússia, sendo o patrono de Moscou. Seu culto chegou à Itália quando mercadores italianos roubaram suas relíquias e as levaram para Bari em 1087. Daí seu culto chegou à Alemanha durante o reinado de Oton II (955-983), provavelmente porque sua esposa, Teófano, era grega. Nesse tempo, o bispo Reginaldo de Eichstaedt (+ 991) escreveu sua vida, que se tornou muito popular. São Nicolau tornou-se também o patrono de vários países da Europa, como Grécia, Rússia, Reino de Nápoles, Sicília, Lorena, e também de várias cidades da Itália, da Alemanha, da Áustria, da Bélgica, da Holanda e da Suíça.


Na Holanda ele é conhecido como Sinterklaas, sendo representado montado num cavalo branco, mitra sobre a cabeça e empunhando um báculo dourado. Ele cavalga sobre os telhados, acompanhado de seu escudeiro Pikkie, um mouro terrível que coloca num saco os meninos maus. São Nicolau visita as casas, perguntando: “Há aqui algum menino mau?” Todos respondem: “Não, Sinterklaas, aqui todos somos bons”. “Todos?” pergunta o bispo. “Sim, Sinterklaas”. Então o santo distribui bombons a todas as crianças. Quando há alguma que não se comportou bem durante o ano, em vez de bombom o santo dá-lhe um pedaço de carvão. O mesmo sucede no sul da Alemanha, onde ele é conhecido como Sankt Nikolaus.

Reações contra o Papai Noel

O Papai Noel comercializado não tem nada de cristão. Pelo contrário, é inteiramente pagão, tendo por isso se tornado tão popular numa época cada vez mais paganizada como a nossa.

Felizmente está ocorrendo em vários países, principalmente na Alemanha, uma sadia reação contra a intromissão do Papai Noel mercantilista nas festas natalinas, e um ressurgimento da tradição do Sinterklaas, cheia de encanto e inocência.

Esperemos que essa tão necessária reação apague esse clima mercantilista das festas de Natal contemporâneas e as transforme novamente na “noite feliz” em que nasceu o Salvador do Mundo para resgatar o gênero humano.




Notas:
[i] https://www.aciprensa.com/noticias/san-nicolas-o-santa-claus-6-diferencias-entre-el-santo-y-el-personaje-de-ficcion-47672/
[ii] Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, vol. XIV, p. 87.
[iv] Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1949, tomo VI, p. 369.
[v] Cfr. Michael T. Ott, Saint Nicholas of Myra, The Catholic Encyclopedia, CD Rom edition.



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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

UM MOZART AFÔNICO - Marco Lucchesi

Um Mozart Afônico


Lembro-me do susto e da alegria, da viva emoção na primeira leitura de Poema sujo, adolescente ainda, quando a descoberta do mundo, dentro e fora dos livros, era uma demanda feroz, uma correnteza impiedosa e selvagem. Lembro-me do céu azul, naquela tarde de sábado. Lembro da livraria, em Niterói, da segunda estante do lado esquerdo. E o coração, que batia forte, e do mesmo lado, não me deixava fechar o livro, que continua, desde a década de setenta, vertiginosamente aberto.

Porque se “muitos dias há num dia só”, naquele poema havia uma enormidade de poemas. Foi o “Navio negreiro” de minha geração, o “Y-Juca Pirama” da segunda metade do século XX. Mesmo à vista desarmada, dos meus olhos meninos, não errei. Porque não se tratava apenas de um poema. Era também, sobretudo, uma poética de exílio e rebelião, esperança e enfrentamento, eis o que sentíamos, então, os brasileiros, os que estávamos  do mesmo lado. Mas sem que o laboratório de Gullar perdesse um milímetro de sua dinâmica do espaço, mudanças de escala, dimensões cruzadas entre o corpo e o mundo, a História e a subjetividade.

Como se houvesse uma fina camada, ou película, esticada até o limite, fina e transparente, ao longo de todo Poema sujo, dentro de um lirismo que se revela em alternância: ora explosivo, com força inusitada, generoso, radical; ora discreto, líquido, latente, como um obstinado rumor de fundo. Música sem melodia, sagazmente desafinada. Apenas ritmo, com ampla variação mozartiana. Um Mozart impuro e afônico, revisto por Villa-Lobos, tal como Gullar revisitou a poesia brasileira, de Castro Alves a Drummond, passando pelas ferrovias de Jorge de Lima ou de Manuel Bandeira.

Não se deve perder a cosmologia no Poema sujo, porque ela existe e aclara perfeitamente a densidade das coisas, dos conflitos sociais, do corpo-galáxia, da vida dos insetos, da liquefação dos corpos a céu aberto. Poema longo, que devora a si mesmo e renasce, com a vitória de uma espécie de zangada visibilidade. Tenho uma palavra para traduzir minha ligação com o Poema sujo, e não encontro outra que não seja o de um entusiasmo, como somente as grandes obras são capazes de criar.

Somente agora me dou conta, menos de uma semana depois de sua morte, que Gullar não foi apenas um dos poetas fundamentais do século XX, mas dou quase como certo de que foi, e o confesso com emoção, um dos grandes heróis no cenário de meu quarto adolescente. 

Comunità Italiana , 14/12/2016




Marco Lucchesi - Sétimo ocupante da cadeira nº 15 da ABL, eleito em 3 de março de 2011, na sucessão de Pe. Fernando Bastos de Ávila , foi recebido em 20 de maio de 2011 pelo Acadêmico Tarcísio Padilha.

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BELA MENSAGEM DE NATAL – Papa Francisco

Bela mensagem de NATAL


O Natal costuma ser sempre uma ruidosa festa; entretanto se faz necessário o silêncio, para que se consiga ouvir a voz do Amor.

Natal é você, quando se dispõe, todos os dias, a renascer e deixar que Deus penetre em sua alma.

O pinheiro de Natal é você, quando com sua força, resiste aos ventos e dificuldades da vida.

Você é a decoração de Natal, quando suas virtudes são cores que enfeitam sua vida.

Você é o sino de Natal, quando chama, congrega, reúne.

A luz de Natal é você quando com uma vida de bondade, paciência, alegria e generosidade consegue ser luz a iluminar o caminho dos outros.

Você é o anjo do Natal quando consegue entoar e cantar sua mensagem de paz, justiça e de amor.

A estrela-guia do Natal é você, quando consegue levar alguém, ao encontro do Senhor.

Você será os Reis Magos quando conseguir dar, de presente, o melhor de si, indistintamente a todos.

A música de Natal é você, quando consegue também sua harmonia interior.

O presente de Natal é você, quando consegue comportar-se como verdadeiro amigo e irmão de qualquer ser humano.

O cartão de Natal é você, quando a bondade está escrita no gesto de amor, de suas mãos.

Você será os “votos de Feliz Natal” quando perdoar, restabelecendo de novo, a paz, mesmo a custo de seu próprio sacrifício.

A ceia de Natal é você, quando sacia de pão e esperança, qualquer carente ao seu lado.

Você é a noite de Natal quando consciente, humilde, longe de ruídos e de grandes celebrações, em silêncio recebe o Salvador do Mundo.

Um Feliz Natal a todos que procuram assemelhar-se com esse Natal.



Papa Francisco


Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.