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domingo, 26 de dezembro de 2021

BOA PAZ COM BOA GUERRA, QUANDO NECESSÁRIA



A verdadeira paz não é a paz que reina nos cemitérios, onde não há vida. Só há boa paz em função de Deus e para tal é preciso estar preparado para a boa guerra, que consiste na batalha em Sua defesa; é preciso lutar pela paz. Nesse sentido seguem alguns pensamentos para refletirmos neste final de ano.

 


“QUERER PAZ SEM DEUS É ABSURDO. ONDE NÃO HÁ DEUS, NÃO HÁ JUSTIÇA. ONDE NÃO HÁ JUSTIÇA, EM VÃO NUTRE-SE A ESPERANÇA DE PAZ.” 
(São Pio X) 


“LEMBRA-TE QUE NESTE MUNDO NÃO TEMOS TEMPO DE PAZ, MAS DE CONTÍNUA GUERRA. TEREMOS UM DIA A VERDADEIRA PAZ, SE COMBATERMOS NA TERRA.” 
(São João Bosco) 


“A PAZ DE NOSSO SENHOR SÓ SE CONQUISTA NA GUERRA.” 
(Santa Joana D’arc) 


“NÃO HÁ PAZ PARA OS MAUS.” 
(Isaías 48, 22) 


“DEIXO-VOS A PAZ, DOU-VOS A MINHA PAZ. NÃO VO-LA DOU COMO O MUNDO A DÁ. NÃO SE PERTURBE O VOSSO CORAÇÃO, NEM SE ATEMORIZE.” 

(São João, 14, 27) 


“ESTAR PREPARADO PARA A GUERRA É UM DOS MEIOS MAIS EFICAZES DE PRESERVAR A PAZ.” 
(George Washington) 


“EM ÉPOCA DE PAZ OS FILHOS ENTERRAM OS PAIS, ENQUANTO EM ÉPOCAS DE GUERRA SÃO OS PAIS QUE ENTERRAM OS FILHOS.” 
(Heródoto) 


“O PRINCIPAL OBJETIVO DA GUERRA É A PAZ.” 
(Sun Tzu)

 

https://www.abim.inf.br/boa-paz-com-boa-guerra-quando-necessaria/

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sábado, 18 de dezembro de 2021

NATAL E O BOM COMBATE COMO CONDIÇÃO PARA UMA AUTÊNTICA PAZ NA TERRA


A guerra contra o demônio e seus sequazes daqueles que desejam o estabelecimento da autêntica paz entre os homens

Fonte: Editorial da Revista Catolicismo, Nº 852, Dezembro/2022

É uma tradição da revista Catolicismo publicar na sua edição de dezembro matérias concernentes ao Santo Natal do Menino Jesus, que constitui com a Páscoa as duas maiores festas da Cristandade.

Neste ano reproduzimos um artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, publicado no mensário em dezembro 1963, no qual ele chama a atenção para o fato de que a imensa maioria das pessoas não atenta para o verdadeiro sentido da expressão “Paz na Terra”, contida na citação de São Lucas “Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”.

Dr. Plinio mostra que não pode haver “Paz na Terra aos homens de boa vontade” (nem aos de má vontade…) se a humanidade não estiver voltada para a “Glória de Deus”. Como nos ensinou o Divino Mestre, “buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6, 33). Só assim teremos a “Paz na Terra”; se esquecermo-nos de Deus, não teremos o seu Reino e nem o acréscimo. Não teremos a verdadeira paz!

Em nossa época narcotizada pelo desejo de paz a qualquer preço — mesmo à custa da renúncia aos ideais católicos —, convém ter bem presente o que disse Santo Agostinho: “A paz é a tranquilidade da ordem de todas as coisas”. Segundo esta definição, paz não é apenas um período de tranquilidade, mas de “ordem de todas as coisas”; e tudo estará desordenado se os mandamentos de Deus forem transgredidos.

Outro aspecto importante dessa temática é que a “Paz na Terra — como consta no artigo em pauta — inclui a cessação de todas as lutas, exceto a incessante e gloriosa guerra contra o demônio e seus aliados, isto é, o mundo e a carne”. Aliados que atuam para tentar apagar da memória a lembrança de Deus. Daí os Natais secularizados de nosso século, parecidos com festas do comércio. Não se conseguiu eliminar inteiramente a lembrança do Natal, mas se conspira para que um dia isso aconteça.


Além do artigo de Plinio Corrêa de Oliveira, duas outras matérias o complementam. Seus autores, Luís Dufaur e Paulo Américo de Araújo, acrescentam fatos e comentários evocativos do Santo Natal, quando há 2021 anos nascia em Belém o Príncipe da Paz, o Deus que faz guerra aos sequazes de Lúcifer e apresenta a única solução para as desordens que abalam o mundo e geram conflitos.

Um Santo e Feliz Natal a todos os diletos leitores de Catolicismo, com os nossos melhores votos de um Ano Novo repleto das mais seletas graças e bênçãos do Menino Jesus e de sua Mãe Santíssima.

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Para assinar a revista Catolicismo envie um e-mail para catolicismo@terra.com.br

https://www.abim.inf.br/natal-e-o-bom-combate-como-condicao-para-uma-autentica-paz-na-terra/

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

O QUE O ÍCONE DE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO TEM A VER COM O NATAL?


Tom Hoopes publicado em 28/12/20

O ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro não é associado ao Natal, mas deveria

Depois de anos sem prestar muita atenção a ele, o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro se tornou minha imagem favorita de Natal neste Advento.

A imagem é, de fato, um ícone bizantino do século 13, que atualmente instalado na Igreja de Santo Afonso em Roma. Ele retrata a A Virgem Maria e o Menino Jesus ao centro, além dos arcanjos Miguel e Gabriel em cada lado.

Adam Jan Figiel | Shutterstock


Os anjos e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

O ícone me fez lembrar que as coisas que me desencorajaram no passado são o que me atraem agora, revelando todo o significado do Natal.  Os anjos, portanto, são lembretes do verdadeiro poder do Natal. Os dessa imagem sempre me lembravam insetos incomodando a Mãe Santíssima. Mas é claro que não são. Ao contrário: eles são mensageiros de Deus carregando uma cruz e pregos.

Além disso, Eles são lembretes de que Jesus nasceu em Belém para morrer por nós no Calvário. E sua morte não foi uma coisa fácil, porque ele era, de fato, Deus. Foi, portanto, uma coisa dolorosa que o assustou porque ele também era homem. E, como um verdadeiro homem, precisava de apoio e encorajamento. Ele herdou isso de sua mãe, e nós também podemos herdar.

Jesus

Jesus se parece com uma criança e com uma pessoa mais velha ao mesmo tempo, lembrando-nos que o Natal é para todos. No ícone, seguindo os costumes das Igrejas Orientais, não parece infantil. Este é um bom lembrete de duas coisas. Primeiro, que mesmo quando adulto, seu relacionamento com a mãe perdurou. Segundo: ele nos convida a esse relacionamento com ela, não importa nossa idade.

Da mesma forma, o filme A Paixão de Cristo expressa a mesma ideia quando a presença de Maria dá a Jesus a força para enfrentar a Paixão. Isso está especificamente em uma cena em que Maria o confortou quando criança.

No ícone ele segura a mão dela assustado com os sinais de sua Paixão, um hábito que teria começado na primeira noite de Natal – e um hábito que pode começar para nós agora mesmo.

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Neste ícone, a imagem séria de Maria nos lembra que o Natal é mais profundo do que a superficialidade com que o vestimos.

Eu já vi, entretanto, versões do ícone em que os artistas colocam um sorriso no rosto de Maria. Eu entendo por que eles fazem isso. Seu rosto parece duro e desagradável para nós, pessoas do século 21, acostumadas a celebridades sorridentes e fotos de perfil selecionadas.

Mas as pessoas da maioria dos tempos e lugares do mundo reconheceriam esse olhar: é a expressão de uma mulher que sabe que a vida é difícil e que o futuro trará mais dificuldades. Entretanto, ela olha para o céu em busca de esperança – e sabe que ela virá.

As sandálias

A sandália caindo do pé de Jesus me lembra que há Alguém maior do que João Batista aqui. Além disso, o fato de a sandália estar caindo pode significar que Ele não esta amarrado a esta terra, pois ele também é divino.

Para mim, esta cena sempre me faz pensar em João Batista, que repetiu notoriamente durante o Advento que não era digno de amarrar as sandálias de Jesus. Gosto de lembrar que Maria, sim, era digna de fazer isso.

Enfim, no Natal, esse ícone me lembra que, embora o presente mais importante que recebemos seja um salvador glorioso, o presente secundário que recebemos é uma ótima mãe.

O Natal, portanto, é o tempo perfeito para nos consagrarmos a ela!

 

https://pt.aleteia.org/2020/12/28/o-que-o-icone-de-nossa-senhora-do-perpetuo-socorro-tem-a-ver-com-o-natal/?

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

O SALVADOR DESCEU DO CÉU PARA TE PROCURAR

 24 de dezembro de 2020


Nesta véspera do Natal do Divino Infante, seguem alguns pensamentos para meditarmos sobre o magno acontecimento da Cristandade


 “Tendo, pois, nascido Jesus em Belém de Judá, nos dias do rei Herodes, eis que uns magos vieram do Oriente a Jerusalém, dizendo: ‘Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Porque nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo’”.

(São Mateus, 21-12)

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 “Aquele que só pertencia a si mesmo, quis nascer para nós e dar-se a nós”.

(São Bernardo)

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 “Que queres mais, ó homem? Que esperas ainda para te dares sem reserva a teu Deus? Considera as penas que Jesus sofre por ti. Vê com que amor esse terno Salvador desceu do Céu para te procurar. Não ouves os seus gritos, os seus vagidos infantis? Apenas nascido, dirige-se a ti; escuta como ele te chama com seus vagidos. Parece dizer-te: ‘Ó alma a quem amo, eu te procuro; é por amor de ti, para obter o teu amor, que vim do Céu à Terra’”.

(São Bernardino de Sena)

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 “Não tendes razão de vos afligirdes por causa da sentença de morte pronunciada contra vós, pois hoje nasceu-vos Aquele que vos traz a vida”.

(São Leão)

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 “Para que o servo se tornasse Senhor, Deus quis fazer-se servo”.

(Santo Agostinho)

 

https://www.abim.inf.br/o-salvador-desceu-do-ceu-para-te-procurar/

 

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

O HOMEM EGOCÊNTRICO E O PRESENTE DE NATAL, por Paulo Henrique Américo de Araújo

23 de dezembro de 2020


Paulo Henrique Américo de Araújo

 

Quando o solitário dono da casa se levantou da cama, em decorrência da insônia, o fogo da lareira ainda persistia aceso, apesar da hora avançada naquela noite fria. A cabeça dele doía, ao aproximar-se das últimas brasas fumegantes. Algumas pressões no fole bastariam, para manter o calor por mais alguns minutos; e o sono voltaria logo — pensou ele. E sentou-se na poltrona da sala.


Aquele homem de meia idade costumava sentar-se na macia poltrona da sala, durante a noite, e entregar-se aos seus pensamentos. Realmente entretinha-se enquanto pensava, sobretudo porque o objeto de suas intermináveis reflexões era… ele mesmo! Aliás, nada fazia na vida, além dessa atividade: pensar em si.

Não trabalhava, pois as magras rendas herdadas do pai proporcionavam-lhe alimento suficiente e teto. Servia-lhe muito bem a casa pequena, porém confortável. Desde muito jovem havia rejeitado a ideia de constituir família. Quantas preocupações isso lhe traria… Mudara-se para uma cidadezinha do interior — a menor da região — precisamente para fugir dos vizinhos barulhentos, pedintes e vendedores, que enxameavam na capital. Mas nos últimos dias, uma movimentação anormal nas ruas causava-lhe alguns incômodos de cidade grande, dos quais fugira.

Entretanto, uma vida tão medíocre e vazia não o deixava tranquilo, pois tinha uma ambição intimamente ligada à atração por pensar em si: “Como sair deste apagamento? Como quebrar este anonimato letárgico e me tornar importante, famoso, alguém conhecido no mundo inteiro? Como fazer com que meu nome se torne célebre?” Seus devaneios conduziam-no sempre ao mesmo impasse, todas as noites, durante suas insônias, pois esse vazio lhe causava remorsos.

Havia um paradoxo intrigante entre seu modo de vida, feito de inação preguiçosa, e seus pensamentos dominados por ânsias egocêntricas. Seus sonhos voavam longe nas noites mal dormidas: a fama mundial poderia iluminá-lo depois de um grande feito de armas, ou talvez uma expressiva obra artística ou intelectual… mas não dispunha de talentos para tanto. Chegou mesmo ao delírio de planejar o assassinato de um governante qualquer, mas repelia-o a ideia de entrar para a história como um criminoso. Não queria chegar a tais extremos, e até a preguiça contribuía para não enveredar por aí. Difícil de explicar, mas assim são as paranóias das mentalidades incoerentes.

O homem remoía-se nessas cogitações, quando ouviu batidas na porta. Fingiu que não as escutava, e pensou indignado: Quem poderá ser a esta hora? Como pode alguém me atormentar tão tarde da noite?

As batidas se repetiram. Enraivecido, ergueu-se da poltrona, dirigiu-se à porta, e após destrancá-la abriu-a bruscamente:

— Que é?! — perguntou ao homem parado à entrada. Este, surpreso, explicou-se:

— Desculpe o incômodo, senhor. Vi a luz acesa, e venho lhe pedir ajuda.



“Temos viajado durante dias, minha esposa e eu. Chegamos tarde à vila, e não há hospedaria disponível onde possamos passar a noite”.

— Ajuda?! Sabe que horas são? Está me interrompendo num assunto muito importante, no qual tenho despendido muito tempo.

O homem à porta era um viajante. Pobre, mas digno e alinhado em seu porte; roupas simples, mas limpas. E insistiu:

— Peço perdão, mais uma vez. Temos viajado durante dias, minha esposa e eu. Chegamos tarde à vila, e não há hospedaria disponível onde possamos passar a noite.

Enquanto o viajante falava, o homem apertava os olhos para enxergar através da escuridão. Vendo mais atrás a jovem esposa do viajante, discerniu nela a apreensão no semblante. Tudo nela refletia delicadeza e respeito, e uma luz fugidia revelou sua gestação em estado avançado.

Um movimento de compaixão perpassou a alma daquele homem: esses não são andarilhos inconsequentes. Parece apenas boa gente em dificuldades.

Infelizmente, anos inteiros vivendo sob o jugo da autocontemplação e do ‘voltar-se para si mesmo’ bloqueavam nele a compaixão devida ao desafortunado casal. A gestação da jovem contribuía para a percepção de mais um fardo que lhe cairia nos ombros. Disse então asperamente:

— Irresponsável! Viajar assim com sua mulher gestante, sem previdência alguma! Tenho que resolver um problema, e não posso lhes dar atenção.

— Mas, senhor, apenas por esta noite… — insistiu o viajante, antes de ser interrompido pelo dono da casa.

— É minha última palavra. Se quiserem, procurem uma gruta ali mais adiante. Podem se alojar junto com os animais presos lá. Mas não digam a ninguém que lhes indiquei o local. Não quero me envolver em assuntos dos outros, os meus já me tomam muito tempo.

Vendo aquela resolução impiedosa, o viajante fez um gesto de despedida e caminhou em direção à esposa. Desatou seu burrinho de carga, que estava atrás de alguns arbustos, e caminharam em direção à gruta indicada pelo homem.

O infeliz egoísta fechou-se novamente em sua casa, sentou-se na poltrona, diante da lareira, e voltou à sua obsessão: tornar-se famoso em todo mundo.1

Mal sabia ele que ali perto, na pobre gruta que indicou, ocorreria o fato mais extraordinário de toda a História: o nascimento de Jesus Cristo Nosso Senhor. Quanta glória para esse homem, se ele tivesse recebido São José e a Santíssima Virgem em sua casa. Hoje seria reverenciado em todo o mundo nas festividades do Natal. Seu nome estaria gravado na eternidade, vinculado ao de quem recebeu em sua casa o Menino Deus que iria nascer.


Adoração dos Pastores – Philippe de Champaigne, 1640. The Portland Art Museum.

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira comentou, durante as festividades de um Natal, como Nosso Senhor procura atrair os homens para si nesse período abençoado: “Ele vai atrás de todos, meninos ou velhos, grandes ou pequenos, sábios ou ignorantes. Seja quem for, Ele vai atrás de todos. Pecadores, e às vezes pecadores imundos, Ele vai atrás deles e toca-lhes o coração, dizendo: ‘Meu filho, não queres vir a Mim? Nem agora queres vir a Mim? Pelo menos desta vez, pelo menos neste instante, deixa-te comover um pouco. Aqui estou Eu à tua procura, no interior de tua alma’”.2

Não sejamos como o egocêntrico do conto, que rejeitou o maior dos presentes de Natal. Abramos a morada de nosso coração ao Menino Jesus e à sua Mãe. Sobretudo, evitemos o pecado e estejamos atentos ao triste abandono por que passa a Santa Igreja Católica em nossos dias. Eis um símbolo cogente do abandono sofrido pela Sagrada Família.

Durante a noite sombria deste nosso século, temos obrigação, como católicos, de fazer atos de reparação e amor à Esposa Mística de Cristo — a Santa Igreja. Não deixemos que um exagerado ‘voltarmo-nos para nós mesmos’ provoque eventualmente nossa rejeição a Jesus, Maria e José, que batem à nossa porta.

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Notas

1.Anos atrás, o autor deste artigo ouviu este conto de um professor durante uma aula na faculdade. A história foi ligeiramente adaptada.

2.Trecho de conferência em 22 de dezembro de 1984. Sem revisão do autor.

3.Fonte: Revista Catolicismo, Nº 840, Dezembro/2020.

 

https://www.abim.inf.br/o-homem-egocentrico-e-o-presente-de-natal/

 

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terça-feira, 22 de dezembro de 2020

JESUS CRISTO NO PRESÉPIO E NO SACRÁRIO

22 de dezembro de 2020



Padre David Francisquini *

 

            Cristo foi envolto em panos e reclinado numa manjedoura forrada com palhas, que se tornaram ornamentos do desejado das nações, do Menino-Rei cheio de aromas e encantos que nasce numa gruta em Belém.

            Um anjo do Céu anunciou a grande notícia para alegria dos pastores e regozijo de toda a corte celeste. Seu anúncio ecoou em todos os lares de aldeias, cidades e campinas, até no mais humilde casebre, pois Cristo nasceu como Salvador e Rei de todos os povos.

            O júbilo impera nos corações com as palavras proclamadas pelo Anjo: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade. A gruta nos faz lembrar o sacrário, pois como nela se encontrava o Deus vivo e verdadeiro, assim Ele quis ficar nos sacrários de todas as igrejas sob a forma da Hóstia consagrada.

            Jesus quis nascer numa manjedoura onde comiam os animais para compreendermos que Ele não nascera apenas como Salvador, mas também como nosso alimento. A representação de Jesus Cristo na História está posta diante de nossos olhos no Santo Presépio de Belém, enquanto no sacrário está representada como objeto de nossa fé, pois Ele vive conosco, pronto para nos receber e alimentar.



            Ao ser consagrado no altar durante a Santa Missa, o pão se transforma em corpo, sangue, alma e divindade do próprio Cristo que nos é dado como alimento, permanecendo conosco nesse peregrinar pela terra. O altar é o presépio em que Cristo está de braços abertos para nos saciar com sua carne divina e seu sangue precioso, pois Ele é o nosso celeste pelicano.

            Como Pai, pensa nos filhos mais que em Si, não mede sacrifício algum que possa beneficiar os filhos, pois lhes quer todo o bem. No altar do Sacrifício é o próprio Jesus Cristo que se imola dia e noite de braços abertos para não nos deixar desamparados nessa peregrinação. A fé nos ensina que o Divino Redentor que nasceu Menino está vivo no sacrário.

            A pequenez das crianças constitui grande atrativo para os nossos corações. Imaginemos Aquele mesmo a Quem os céus não puderam conter, exatamente por ser imenso e infinito, apresentar-se a nós como uma criança pequenina e frágil, para ter certa proporcionalidade conosco e assim Se fazer mais próximo de nós.

            Guiados por essa mesma Fé, o gemido de Jesus Cristo no desconforto físico daquela noite fria e das asperezas das palhas da manjedoura de Belém nos conduz a pensar no mais alto dos panoramas, ou seja, a contemplá-Lo e adorá-Lo. Da mesma forma deveremos fazê-lo sob as espécies eucarísticas.

            Essa criança plena de inocência e pureza, por ser Filho do Padre Eterno e de Maria Santíssima, bendita entre todas as mulheres, quis Se tornar homem e Deus para resgatar a humanidade do pecado de nossos primeiros pais por sua vida, paixão e morte. Ele mesmo quis ficar envolto nos véus eucarísticos, ao alcance de todos nós.

            O Infante Jesus, segunda Pessoa da Santíssima Trindade, encarnou-se no seio puríssimo de Maria para nos salvar com sua morte no madeiro da Cruz. Daí a nossa confiança n’Ele, pois veio para reinar nos corações, concedendo-nos graças nas trilhas do heroísmo e da luta. A fé nos guia na trajetória da vida presente para a futura. O Natal é o marco da História, cheio de esperança e certeza.

            O mundo pagão se desfez com o nascimento de Cristo para dar lugar a uma era cheia de luz que iluminou o mundo, a civilização e a cultura cristãs. Hoje, com o novo paganismo, vivemos o mesmo pesadelo de outrora, se não pior, quando o mundo se debatia e se contorcia sem esperança.

            Nos estertores dessa civilização agonizante, com todos os problemas que a afligem, é o mesmo Jesus Cristo e sua Mãe Santíssima que batem nas portas de nossos corações. Por que Maria, a Mãe admirável de Deus Filho? Porque tendo sido Ela quem nos trouxe Jesus, também será Ela quem O fará reinar sobre toda a Terra.

            Aquela mesma que ofereceu a Jesus o seu sangue virginal pelo seu coração materno, tornando-se o sacrário da divindade, a arca da aliança, será Ela quem fará Jesus reinar sobre as nações e os povos. Não podemos encontrar Jesus sem Maria e nem Maria sem Jesus.

            Se o laço que une um ao outro é tão íntimo, a história da salvação não está desligada deles. As virtudes trazidas por Jesus na gruta de Belém serão disseminadas por todos os cantos do orbe por Maria, quando Ela passar a reinar nos corações.

            Sendo Ela o elo entre Deus e os homens, será Ela quem ligará a Terra a Deus. Que neste Natal envolto em borrascas que nos enche de apreensões, ilumine-se em nós uma lâmpada inextinguível, uma confiança plena de que Cristo reinará no mundo por meio de Maria.

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* Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ).

https://www.abim.inf.br/jesus-cristo-no-presepio-e-no-sacrario/


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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

NATAL – Cyro de Mattos

 



                                                  Natal

Cyro e Mattos

 

Que o Menino Jesus com suas luzes
nesse Natal faça desaparecer o mal

desses tempos tristes. Para que a vida

seja sempre verde como na campina.

Seja sempre mansa como na colina.

Como a desse menino dormindo

no presépio seja sempre amiga

e em nossos caminhos cresça.

 

Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

 

domingo, 13 de dezembro de 2020

VARIEDADE E UNIDADE NAS CANÇÕES DE NATAL – Plinio Corrêa de Oliveira

13 de dezembro de 2020


Por meio de seus cantos natalinos, cada povo glorifica a seu modo o Menino Jesus

Plinio Corrêa de Oliveira

 

Nas diversas nações, os cânticos de Natal variam de acordo com a índole nacional, mas em todos estão sempre presentes as mesmas notas apropriadas à Noite Santa. Há canções natalinas norte-americanas, brasileiras, italianas, alemãs, francesas, espanholas etc. São bem diferentes umas das outras, entretanto manifestam-se em todas os mesmos sentimentos despertados pelo Menino Jesus, por Nossa Senhora, por São José, pelo presépio. Quais são esses sentimentos?

O primeiro é a inocência. Os vários povos souberam compor verdadeiramente hinos de entusiasmo à inocência do Menino Jesus, que repercutem sob a forma de acordes a inocência de cada um ao glorificá-Lo. O entusiasmo que cada povo manifesta pela inocência do Divino Menino reflete um elemento de inocência que há em nós. Se não tivéssemos inocência alguma, não nos interessaríamos por Ele. Há quem não se interesse por Ele, ou aparenta interesse por pura formalidade. Como há em nós uma inocência, nos interessamos e cantamos a inocência presente n’Ele.

Está presente também o sentimento de ternura, pelo fato de o Menino Jesus ser tão frágil e pequeno, sendo ao mesmo tempo Deus. Há uma espécie de ternura, de compaixão, pois Ele é o Homem Deus — tão grande, entretanto contido naquela Criancinha. Disso decorre a vontade de proteger o Menino Jesus contra qualquer fator agressivo. Assim, algumas canções de Natal sugerem uma nota de defesa do Divino Infante.


As canções natalinas dos diversos países apresentam certa analogia com o sol, cuja luz tem a mesma cor; porém, quando ela atravessa um vitral, seus raios tomam coloridos diferentes, mas harmoniosos. A luz do sol que incide sobre o vitral projeta belezas como a de pedras preciosas.

Da mesma forma, o Menino Jesus é um só. Mas, quando cantado pela alma anglo-saxônica, notamos certo tipo de beleza; pela alma germânica, outro aspecto do belo; pela alma latina, brasileira, hispano-americana, surgem outras belezas. Já ouvi canções eslavas, inclusive russas; muito bonitas, mas com outras notas. Todas essas canções formam como que um vitral do Menino Jesus.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 30 de dezembro de 1988. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

https://www.abim.inf.br/variedade-e-unidade-nas-cancoes-de-natal/

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

NATAL - Helena Borborema



            O Natal da menina começava uma semana ou mais antes da data marcada no calendário. Uma alegria íntima, cheia de expectativas, tomava conta do seu espírito, dias e dias antes da festa. A data do nascimento de Cristo não era tão comercial como nos dias atuais, embora não faltasse espírito mercantil entre os adultos. Era uma festa na qual predominava um sentimento de espiritualidade. Não havia ainda a força dominante da mídia para induzir somente ao material, eliminando toda a pureza do sentimento da grande festa cristã. Era esta uma festa de fraternidade, isso se evidenciava no costume de se presentear amigos e vizinhos. Nunca faltavam os cartões de Boas Festas, mesmo para os mais distantes, que não podiam ser esquecidos.

            As casas comerciais, lojas, açougues, farmácias, padarias, armazéns, todos tinham por cortesia distribuir bonitos calendários com os fregueses. As farmácias ainda distribuíam com os compradores os almanaques “Cabeça de Leão”, “Capivarol”, “Saúde da Mulher” e “Biotônico Fontoura”. Entre os vizinhos havia a troca de bolos e compotas caseiros, enviados com o maior esmero. Para os mais chegados, ia o queijo de cuia ou uma garrafa de bom vinho. Dos compadres ou clientes das roças, chegavam gordos perus e leitoas. Enfim, todos tinham alguma coisa para dar e receber, num intercâmbio fraternal.

            Na rua do comércio, isto é, no Buri (Sete de Setembro) e na Praça Adami, o Natal era de muita festa ao ar livre, jogos e quermesses.

            Numa dessas festas, na década de trinta, a Praça Adami foi cenário de dois fatos que causaram alegria às crianças: a instalação do primeiro parque de diversões com sua roda gigante - uma sensação na cidade -, e uma máquina de fazer pipocas - uma novidade. As gambiarras aumentavam o ar de festividade. Semanas antes do Natal, as lojas se enchiam de brinquedos. Nos lares, era uma azáfama com os preparativos da limpeza de assoalhos, pintura de paredes, confecção de arranjos e enfeites. Era tempo de engorda dos Perus cevados especialmente para a ceia, do bolo inglês, dos sequilhos. Mas para a menina, a alegria culminava com a elaboração do presépio que o pai fazia para ela e os irmãos. Deixando de lado qualquer compromisso, ele tirava o domingo mais próximo do Natal para armar com os filhos, embora crianças, o esperando presépio. Era uma festa. Todos colaboravam na confecção, com trabalho e ideias, colocando as inúmeros figurinhas conforme o gosto e a imaginação de cada um. Um bonito painel mandado pintar com cenário da cidade de Belém servia de fundo. Grãos de arroz e milho plantados com antecedência, em latinhas, formavam a grama que dava o verde nas planícies bíblicas. Areia fina trazida da praia, e conchinhas contornavam lagos de espelho. Rebanhos de ovelhas de celuloide ou cerâmica eram espalhados sobre montes feitos de papel amassado pintado de roxo-terra e pastagens.  

            Pronto o presépio, achado bonito, tudo no devido lugar,  o Deus-Menino com os pais na manjedoura, os patinhos na Lagoa, os Reis Magos com seus camelos, pastores, rebanhos, tudo enfim, estava instalada a grande alegria do Natal. Agora era só esperar os presentes e aí vinha a expectativa. No dia previsto, os meninos procuravam acordar bem cedo para pegar Papai Noel em flagrante, mas o velhinho nunca foi “pego” como se diz hoje. Entrava na casa para deixar os presentes junto ao presépio, e saía sem nunca ter sido visto pelas crianças. Este era um mistério que fazia um dos encantos do dia de Natal e motivo de muitas cogitações.

            Fazendo parte dos festejos, estava a visita a outros presépios que muitas famílias armavam e toda criança gostava de ver. O da Igreja era bonito, mas um tanto solene para a menina. As figuras sagradas, os Magos e os animais, uns na manjedoura, outros trilhando uma estrada, guiados por uma grande estrela brilhante, eram admirados com todo respeito, em silêncio. Outros presépios eram também visitados, grandes e bonitos como o de dona América Freire, na Rua Duque de Caxias, e o de dona Gabriela, que ocupavam metade da sala, mas o que mais empolgava a menina era o de dona Chiquinha, na rua Paulino Vieira. Este era a grande atração, não só pelo tamanho, mas pela curiosidade que despertava. Além das tradicionais figuras, havia uma estrada de ferro com a locomotiva, um enorme dragão se balançando de uma árvore, aviões pendurados por finos arames, dinossauros, baleias nadando no lago, um exército de soldadinhos de chumbo com metralhadoras, até um arranha-céu se destacava no meio do modesto casario da cidade de Belém. Aquela profusão de figuras fazia a alegria da menina que não se fartava de buscar com os olhos as coisas e seres exóticos do presépio de dona Chiquinha. Esse presépio, para o espírito de uma criança, era tão bonito que nunca foi esquecido.

            Tempos bons os daqueles Natais de Itabuna! O Natal da Missa do Galo , na porta da igreja de São José , na Praça Olinto Leone, à qual todos podiam ir sem medo, alegres, rezando sob a luz das estrelas, na missa campal, despreocupados porque voltariam incólumes para casa; da troca de presentes que todos podiam dar, das festas de rua de que todos participavam e se divertiam em família, das quermesses, das casas cheirando a folhas de pitangueira, dos presépios armados com  tanta pureza de espírito, com tanto amor e singeleza de coração que tudo se tornava possível, até mesmo a capacidade de deixar uma lembrança que foi guardada como uma das mais lindas recordações de uma menina.


(RETALHOS)
Helena Borborema

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Helena Borborema - Nasceu em Itabuna. Professora de Geografia lecionou muitos anos no Colégio Divina Providência, na Ação Fraternal e no Colégio Estadual de Itabuna. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia de Itabuna. Exerceu o cargo de Secretária de Educação e Cultura do Município. (A autora)

“Filha do Dr. Lafayette Borborema, o primeiro advogado de Itabuna. É autora de ‘Terras do Sul’, livro em que documento, memória e imaginação se unem num discurso despretensioso para testemunhar o quadro social e humano daqueles idos de Tabocas. Para a professora universitária Margarida Fahel, ‘Terras do Sul’ são estórias simples, plenas de ‘emoção e humanidade, querendo inscrever no tempo a história de uma gente, o caminho de um rio, a esperança de uma professora que crê no homem e na terra’” (Cyro de Mattos)










quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

NATAL — AOS PROPRIETÁRIOS DE ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS


1 de dezembro de 2019

Iniciando o mês natalino, vem a propósito a reprodução de uma carta muita antiga, mas de suma importância para os presentes dias. A missiva é datada de quase 80 anos atrás. Ela foi endereçada por Plinio Corrêa de Oliveira aos comerciantes a fim de incentivá-los a, no mês de dezembro, aproveitar suas vitrines para prestar homenagem — assim como uma manifestação de gratidão — ao Menino-Deus que veio à Terra para salvar o gênero humano. Sugestão que vale, evidentemente, para todos os pais e mães fazerem o mesmo em seus lares.


São Paulo, 5 de Dezembro de 1940
Prezado Sr.,

Aproximando-se agora as festas de Natal e de Ano Bom, todos os estabelecimentos comerciais da Cidade se aprestam a ampliar seus estoques, suas instalações e aperfeiçoar as exposições em suas vitrines, a fim de atender à imensa quantidade dos compradores que, por ocasião da festa do Menino Deus, querem proporcionar ao ambiente doméstico aquela fartura, aquela alegria e aquela serenidade própria das reuniões familiares felizes.

Entre estas famílias, que contam assim passar aos pés do Salvador algumas horas de tranquila satisfação, está certamente a sua. Para todos, a vida traz, ao par de alegrias reais, também incontestáveis dissabores. Não há uma única família que, fazendo junto à arvore de Natal ou ao Presépio a recordação dos fatos ocorridos durante o ano, não tenha a registrar satisfações verdadeiras e tristezas incontestáveis. E não há uma família que não se lembre de agradecer ao Menino Jesus os favores recebidos e de Lhe pedir a conservação das graças obtidas e a mitigação das dores e dos revezes ocorridos.

Quanta esperança não brilha com luz mais viva, diante da lembrança desse Salvador benigno e misericordioso, vindo ao mundo para redimir os homens! Quanta lágrima não se suaviza diante da convicção de que um Deus Bom, que governa todos os acontecimentos, sabe tirar o bem do mal e transformar em alegrias terrenas ou eternas os sofrimentos que são inseparáveis de toda a existência humana!

Tudo isto, o Sr. recebe de Deus, ou espera de Deus.

Mas… o que faz o Sr. por Deus?

Aproxima-se o Santo Natal. Todos se preparam para a grande festa da Catolicidade. Qual o concurso que o Sr. vai dar a essa festa? Permitirá que seus empregados lhe arranjem vitrines que, aos inúmeros transeuntes, não deem uma única ideia de Deus? Permitirá que, sob o pretexto de lucros mais fáceis do que lícitos, suas vitrines exibam modelos que constituem um repudio de todos os princípios que a festa de Natal santifica?

Porque, em lugar de vitrines que nada tem a ver com o Natal, e que traduzem apenas o desejo de vender, não organiza o Sr., além de vitrines que exponham artigos lícitos, também uma vitrine com um belo presépio, ou com qualquer disposição que lembre o Santo Natal? Porque não prestar em sua própria casa de comércio, que é o campo de sua atividade, o terreno de uma grande luta, o meio de sustento de sua família, uma homenagem a Quem deu aos homens, fazendo-se Homem, uma prova suprema de Seu amor?
Preste a Deus esta homenagem: exclua de suas vitrines todos os objetos ou artigos contrários aos princípios cristãos, e coloque em alguma delas uma bela homenagem ao Menino Deus.
Será, antes de tudo e sobretudo, um preito de adoração a Deus. Mas será também, para si, para sua família, para seus trabalhos, uma benção que frutificará neste mundo, para a eternidade.

Ação Católica Brasileira
Junta Arquidiocesana de São Paulo
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Obs.: Esta missiva é do período em que o Prof. Plinio desempenhava o cargo de Presidente da Junta Arquidiocesana da Ação Católica de São Paulo, cfr. Minha vida pública, Parte V, Cap. I, item 3.

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No vídeo, um presépio montado na vitrine de um estabelecimento público na pitoresca cidade italiana de Genazzano — rica em tradições, essa cidade medieval (cerca de 45 kms de Roma) teve a honra de receber a milagrosa pintura de Nossa Senhora do Bom Conselho (1467).




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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

NATAL - Cyro de Mattos


Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original

Natal 

Tudo é canto pelos ares, chão e mares.
Todas as manhãs acesas, o mundo esplende de paz.
Luz nunca vista ilumina seres e coisas.
Põe amor nas vistas, de tão pura, no mesmo chão
por onde os bichos andam.
O menino pergunta:
- Por que tanta luz?
O pai responde:
- Em Belém nasceu Jesus.

Cyro de Mattos é escritor e poeta. Membro Titular da Academia de Letras da Bahia e do Pen Clube do Brasil. Primeiro Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

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terça-feira, 28 de novembro de 2017

ESTÁ CHEGANDO A HORA! - Antonio Nunes de Souza

Está chegando a hora!


Conto nos dedos os dias que faltam para a comemoração do Natal! Pareço mais uma criança, que um experiente e vivedor de “natais” por quase uma centena de anos!

Mas, para pessoas sensíveis, solidárias, fraternais e com determinada dose de religiosidade, esse maravilhoso evento tem um significado bem maior que dar e receber presentes. Embora essa parte seja bonita, festiva, alegre e atraente, não existem músicas que mais toquem o nosso coração que as antigas sempre atuais, dedilhadas em harpas paraguaias, ou cantadas pelos nossos gabaritados cantores. E, se são executadas por corais, tornam-se verdadeiras doses de impacto emocional, fazendo as lágrimas chegarem aos nossos olhos!

Pode-se dizer que, por menos sensíveis que sejamos, jamais deixaremos de fazer um parêntese nessa ocasião e, cheio de felicidades e encantos miraculosos, entrar de “sola” na onda do papai Noel. Tudo é de um encantamento sublime, os enfeites nas cidades, com luminosidade ultra colorida, velhinhos artificiais nas portas das lojas, árvores de Natal nas praças, jardins, vitrines, sendo que, no shopping são as maiores e mais preciosas!

Certamente, alguém vai dizer que apelei para o saudosismo. Mas, é uma pura verdade, pois, desde criança que essa época me fascina, logicamente, me lembrar dela com docilidade e carinho, passou a ser mais que uma obrigação. Uma doce e meiga adoração e devoção!

Vamos todos explodir de bondades e solidariedades, lembrar, principalmente, que a comemoração é do aniversário de Jesus e, rememorando o que Ele nos ensinou, “amarmos uns aos outros como se fosse a nós mesmos”!

Está chegando a hora, então... Dê um bom lustro no seu sapatinho para colocar na janela, com o bilhetinho pedindo seu presente. E, se por acaso não for agraciado, simplesmente é porque não está ainda na hora que Papai Noel acha que você está merecendo!

Mas, espero que todos tenham uma NOITE FELIZ!

Antonio Nunes de Souza 
Escritor-Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

NATAIS DE MINHA INFÂNCIA - Plinio Maria Solimeo

Natais de minha infância
11 de janeiro de 2017
Plinio Maria Solimeo


         Quem não viveu por volta dos anos 40 ou 50 do século passado, dificilmente poderá imaginar como eram os Natais naqueles idos tempos, e o que eles significavam para as crianças.

Lembro-me, com saudades, dos Natais de minha infância, na minha querida e pequenina cidade de Duartina natal (SP), onde passei os mais belos anos de minha meninice.

Éramos então seis filhos, todos eles homens, em escadinha. Meu pai trabalhava duro para sustentar a família, e minha mãe desdobrava-se no serviço da casa, cuidando de toda a filharada, cozinhando, limpando, e mesmo costurando nossas roupas, pois naquele tempo as lojas de roupa feita nas cidades do interior eram muito raras. Além disso, o orçamento de meu pai não permitia comprar nessas lojas.

Apesar de todas essas limitações, nossa infância era feliz, a família era muito unida, educada no temor de Deus e no cumprimento dos deveres religiosos.

Como acontecia com todas as crianças naquela época, o Natal era para nós a grande festa do ano! E o esperávamos com sofreguidão. Não porque iríamos ganhar presentes, pois sabíamos que nossos pais não poderiam comprá-los. Entretanto, isso não nos preocupava, pois fôramos educados numa disciplina espartana, e sabíamos compreender a situação.

Aliás, sendo tantos, não nos faltavam ocasiões de entretenimento, pois jogávamos bola ou brincávamos de esconde-esconde na rua, que ainda era de terra, íamos nadar no rio Serrote, e frequentemente comprávamos frutas numa chácara, onde nós mesmos tínhamos que subir nas árvores para apanhá-las, pois comprávamos por cento. Quando brincávamos na rua, um assobio nos dava a entender que a hora de parar chegara. E que cada novo assobio significaria uma palmada. Não adiantava dizer “eu não ouvi”. Era disciplina militar!

Uma das coisas que mais nos encantava no Natal era o clima de alegria e de festa. Principalmente o da vigília pascal. Havia uma bênção no ar, um imponderável qualquer no ambiente, que tornava tudo atraente, diríamos santo, e que nos atraía. E o ponto culminante era a “Missa do Galo”, sem a qual não havia Natal. Isso perdurou mesmo com a calamidade da II Guerra Mundial.

Nesse dia tínhamos que nos deitar mais cedo, para acordarmos às 23,30 horas, a fim de nos prepararmos para a Missa. Evidentemente, tínhamos receio de não acordar e perder assim a Missa. — “Mamãe, a senhora me acorda?”, era a nossa súplica antes de nos deitarmos. — “Sim, meu filho, não se preocupe”. — “A senhora não se esquece?”. — “Não, pode dormir”. Insistíamos, e só depois de muitas promessas íamos dormir.

Quando ela nos acordava, que alegria! Vestíamos logo nossa melhor roupa e, sôfregos, atravessávamos a praça onde ficava nossa casa, correndo para a igreja.


Nesse dia a nossa humilde igreja, dedicada a Santa Luzia, parecia transfigurada com luzes e flores! Tudo parecia mais belo! Tudo nos fazia lembrar o Céu! Todos estavam alegres e de bom humor. Até o Pe. Jorge, nosso pároco, parecia mais ameno, mais cordato, e nos fazia esquecer os pitos que nos dava na hora da confissão. Revestido dos paramentos dourados para a Missa solene, ele se nos afigurava um Bispo!

O Santo Sacrifício da Missa nos agradava de modo especial, e não tínhamos tanta pressa em sair da igreja. Cantava-se o “Noite Feliz”, o “Adeste Fidelis”, e outras músicas natalinas que nos enchiam de alegria, apesar do nosso pequeno coro paroquial estivesse longe de ser um coro profissional.

Nossa alegria era ainda maior se tivéssemos sido escalados para ajudar na Missa como coroinhas. Com uma pequena batina preta e sobrepeliz branca, corríamos até o Hotel Santos, na esquina da praça, a fim de pegar brasas para o turíbulo a ser usado durante o Santo Sacrifício. A cozinheira, negra retinta, gorda e sorridente, escolhia para nós as melhores brasas. Saltitando, corríamos para a igreja, balançando nosso turíbulo, com medo de os carvões se apagarem, chegando ofegantes à sacristia, bem no início da Missa.

Quando, durante a cerimônia, o sacerdote colocava o incenso sobre as brasas do turíbulo, nós o balançávamos com força, para que as lufadas de fumaça azulada e cheirosa se espalhassem pela igreja.

À saída da Missa havia os cumprimentos, dos quais nos desvencilhávamos logo que podíamos para correr para casa, pois sabíamos que lá alguma surpresa nos aguardava.

Com efeito, minha mãe, com os parcos recursos de que dispunha, sempre preparava alguma coisa especial, ora algum bolo diferente, ora biscoitinhos, e sempre uma xícara de chocolate quente. Punha na mesa a melhor toalha e também algumas flores, sempre que possível. Os seis irmãos nos regalávamos com tudo, como se tratasse de um banquete de reis, em meio a grandes exclamações e muita algazarra, até nossos olhinhos começarem a se fechar de sono. Íamos então para a cama. Mas a festa não terminava aí.

No dia 25, após o café da manhã, corríamos para a praça onde ficava o jardim público, pois nesse dia as crianças das famílias mais abastadas iam ostentar seus ricos presentes. Nós nos deleitávamos em vê-los, sem inveja, alegrando-nos com os que estavam alegres. E voltávamos para o almoço, sabendo que teríamos um franguinho assado, criado no nosso quintal.

Nosso módico presente geralmente consistia em uma moeda de mil réis para cada um, que utilizávamos para ir à matinée nesse dia, ou para gastar comprando bombons ou sorvetes. Isso representava para nós uma fortuna, e ficávamos tanto ou mais felizes do que as crianças receberam regalos muito mais valiosos. Tratava-se da “felicidade de situação”, na qual nos contentávamos com o que tínhamos, sem invejar o que não tínhamos.

Isso tudo era possível porque naquele tempo, muito antes do Concílio Vaticano II, tinha-se muito mais fé e espírito sobrenatural do que agora, em que o materialismo desfigurou tanto as festas cristãs, como o Natal, que se tornaram ocasiões apenas para incrementar o comércio.



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