Total de visualizações de página

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

ESCRITORES BRASILEIROS DO SÉCULO XX - Cyro de Mattos

 


     Escritores Brasileiros do Século XX               Cyro de Mattos            

              

            Em sua contribuição enciclopédica e analítica da literatura, Nelly Novaes Coelho, intelectual rara, desincumbe-se da jornada literária com erudição, consciência crítica e uma santa paciência de pesquisadora. Ela sempre está surpreendendo. Depois de enriquecer o corpo das letras brasileiras com volumes importantes, como Literatura e Linguagem, Literatura Infantil, Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras, Dicionário Crítico de Literatura Infantil e Juvenil Brasileira, Panorama Histórico da Literatura Infantil/Juvenil, na idade em que muitos já aposentaram suas ferramentas, eis que ela pra lá dos oitenta anos comparece com ensaios fecundos para brindar seu público leitor com a obra Escritores Brasileiros do Século XX, publicado pela Editora Letra Selvagem.

           Monumental testemunho crítico, o alentado volume é resultado de cinquenta anos de pesquisas, leituras e releituras de obras apresentadas em cursos universitários, congressos, seminários, colóquios, no Brasil, Portugal e Estados Unidos da América. São oitenta e um escritores analisados neste precioso e extenso livro. Dos mais conhecidos, como Jorge Amado, Graciliano Ramos. Guimarães Rosa, Mário de Andrade e João Ubaldo Ribeiro, passando por nomes expressivos que ficaram esquecidos pela crítica e do mercado editorial, como Cornélio Pena, Gustavo Corção, Adonias Filho e Murilo Rubião.       

         E ainda outros que precisam de divulgação para que melhor sejam conhecidos:   Ricardo Guilherme Dicke, Mora Fuentes, Samuel Rawet e Nicodemos Sena. Todos esses autores, elencados nessa obra de natureza o  enciclopédica, dão voo à razão e à emoção quando abordam a problemática existencial do ser humano e a crise de uma sociedade exaurida de valores e sentidos. Dão imaginação e transcendência ao mundo.
         A ensaísta admirável revela:

        - Foi a “Sorte ou o Acaso” que puseram em meu caminho os oitenta e um escritores reunidos e analisados neste meu último livro.

        A generosidade, a humildade e a solidariedade são marcas da alma dessa enorme ensaísta.   Os autores no extenso volume analisados tiveram, sim, a sorte ou o acaso,  posto em seus caminhos para a leitura crítica dessa valorosa analista literária.

        Ela disse:

        - Um autor para ser instituído como cânone precisa de um crítico dotado  de instrumental teórico suficiente que  chame atenção para as questões estéticas, seja capaz de revelar os elementos estruturantes que entraram  na composição da  forma e conteúdo da sua obra.
         No meu caso,  de autor baiano insulado na cidade natal, no sul da Bahia, distante do eixo Rio e São Paulo,  que ainda hoje  funciona como tambor cultural desse país inculto e enorme, por mais que o mundo de uns tempos para cá tenha se tornado uma aldeia globalizada, nem sei como agradecer nossa inclusão  na relação desses escritores conceituados, selecionados e reunidos  no testemunho crítico da professora doutora Nelly Novaes Coelho.
         Vale a pena repetir o que certa vez ela disse sobre a literatura:

      - Sem leitura e escrita a vida não tem emoção. 

         Essa Nelly Coelho Novais, que viveu para amar a literatura e que, com uma vocação valorosa, na passagem dos anos, tanto demonstrou quanto a amava.

 -------------------

Cyro de Mattos, poeta, ficcionista, cronista, ensaísta e autor de literatura infantojuvenil. Publica quinzenalmente uma crônica na revista digital RUBEM.

* * *

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

RETUMBANTE CONVERSÃO DE UM JUDEU – Plinio Corrêa de Oliveira

 


REPRESENTAÇÃO DA APARIÇÃO DE

NOSSA SENHORA A ALPHONSE

RATISBONNE

No dia 20 de janeiro de 1842, há exatamente 180 anos, o judeu Alphonse Ratisbonne se converteu milagrosamente ao catolicismo, por intervenção direta de Nossa Senhora

Plinio Corrêa de Oliveira

De família muito rica de banqueiros de Estrasburgo (Alemanha), o jovem judeu Alphonse Tobias Ratisbonne (1814-1884) percorria vários países. Após uma viagem ao Oriente, em 1842 passou uma temporada em Roma, onde se encontrou com um antigo colega, Gustavo de Bussières, de religião protestante. Na residência deste, conheceu seu irmão, o Barão Teodoro de Bussières, que havia se convertido ao catolicismo.

Naqueles dias falecera em Roma um grande amigo do Barão, o Conde de La Ferronays (1777-1842), ex-embaixador da França junto à Santa Sé.

Assim, Bussières convidou Ratisbonne para acompanhá-lo à igreja de Sant’Andrea delle Fratte a fim de tratar de uma cerimônia fúnebre pelo falecido. Concordou de mau grado, pois o judeu detestava a religião católica, mas como turista iria para apreciar as obras de arte daquela igreja romana.

Após tratar do assunto da cerimônia, o Barão de Bussières voltou para o centro da igreja e se deparou com uma grande surpresa: Ratisbonne ajoelhado em frente ao altar lateral de São Miguel Arcanjo! O judeu rezando fervorosamente, extasiado, maravilhado.

Banhado em lágrimas, disse ao amigo que tinha visto Nossa Senhora numa aparição sobre o altar. Pela descrição que fez, tratava-se de Nossa Senhora das Graças, como aparece na Medalha Milagrosa [foto ao lado].

Ratisbonne achava-se completamente mudado, estava convertido, e queria mudar de vida. Ele se fez batizar. Alguns até consideram que ele tenha morrido em odor de santidade.

Naquele altar da aparição foi introduzido um quadro que representa Nossa Senhora segundo as descrições de Ratisbonne. Ela é chamada de Madonna del Miracolo (Nossa Senhora do Milagre).

_____________

Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio

Corrêa de Oliveira em 20 de janeiro de 1973. Esta

 transcrição não passou pela revisão do autor. Fonte:

Revista Catolicismo, Nº 853, Janeiro/2022.

https://www.abim.inf.br/retumbante-conversao-de-um-judeu/

* * *

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

TRÊS POEMAS DA LUA - Cyro de Mattos

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original


Três Poemas da Lua

Cyro de Mattos

 

Moça bela

 

Em luares de relva

Na rede embala-me

Nudez tão pura.

Bafeja meu rosto,

Veste-me de sonho.

Para o céu me leva

No colo que flutua

 Lua, ó lua,

Moça bela,

Toda nua.


 * * *

O menino e a lua

 

O menino sonha com a lua

acima da nuvem escura

fazendo descer para o rio

uma comprida luaranha.

 

O menino sonha com a lua

no céu de estrelas, cintilante,

aquele pedaço da frente

ele abocanhou na crescente.

 

O menino sonha com a lua

chamando-o pra brincar no areal

deixado pela grande enchente.

 

Lá ele cata muita prata,

depois é levado pro céu

no colo da lua risonha.


 * * *

 A cidade e a lua

 

Toda ela iluminada

flutua no colo da lua

que lhe trouxe rosas.

 

Ó encantos! Ó perfeições!

Carícia e frêmito de sonho.

Suspiros de ternura.

 

Brilha cantiga da beleza,

a cidade no eterno pervaga,

perfumes a noite exala.

 

 Cyro de Mattos, poeta, ficcionista, cronista, ensaísta e autor de literatura infantojuvenil. Publica quinzenalmente uma crônica na revista digital RUBEM.

* * *

PRINCIPAL CAUSA DA CONFUSÃO MENTAL NO IDOSO - Arnaldo Lichtenstein

Arnaldo Lichtenstein

Sempre que dou aula de clínica médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta:

– Quais as causas que mais fazem o vovô ou a vovó terem confusão mental?
Alguns arriscam:   Tumor na cabeça.
Eu digo: Não.
Outros apostam: Mal de Alzheimer
Respondo, novamente: Não.

A cada negativa a turma se espanta…. E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns:
– diabetes descontrolado;
– infecção urinária;
– a família passou um dia inteiro no shopping, enquanto os idosos ficaram em casa.

Parece brincadeira, mas não é. Constantemente vovô e vovó, sem sentir sede, deixam de tomar líquidos.
Quando falta gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez.

A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar confusão mental abrupta, queda de pressão arterial, aumento dos batimentos cardíacos (batedeira), angina (dor no peito), coma e até morte..
Insisto: não é brincadeira.

Na melhor idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento.
Portanto, os idosos têm menor reserva hídrica.

Mas há outro complicador: mesmo desidratados, eles não sentem vontade de tomar água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

Conclusão:

Idosos desidratam-se facilmente não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água em seu corpo. Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

Por isso, aqui vão dois alertas:

1 – O primeiro é para vovós e vovôs: tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sucos, chás, água-de-coco, leite, sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, abacaxi, laranja e tangerina, também funcionam. O importante é, a cada duas horas, botar algum líquido para dentro. Lembrem-se disso!

2 – Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam constantemente líquidos aos idosos. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que estão rejeitando líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, fora do ar, atenção. É quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação.

Líquido neles e rápido para um serviço médico.


*Arnaldo Lichtenstein, médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

* * *

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

ITABUNA CENTENÁRIA UM SONETO: AS POMBAS – Raimundo Correia



As Pombas

Raimundo Correia

 

Vai-se a primeira pomba despertada,

Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas

De pombas vão-se dos pombais, apenas

Raia sanguínea e fresca a madrugada.

 

E à tarde, quando a rígida nortada

Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,

Ruflando as asas, sacudindo as penas,

Voltam todas em bando e em revoada.

 

Também os corações onde abotoam,

Os sonhos, um por um, céleres voam,

Como voam as pombas dos pombais;

 

No azul da adolescência as asas soltam,

Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,

E eles aos corações não voltam mais!

 

------------

Raimundo da Mota Azevedo Correia, o mais célebre dos parnasianos brasileiros, foi autor de famosos sonetos e de famosas poesias que podem ser consideradas das melhores da língua. Nasceu a bordo de um navio surto num porto do Maranhão em 13/05/1860 e faleceu em Paris em 13/09/1911. Na vida civil foi professor de Direito, magistrado e diplomata. Publicou: “Primeiros Sonhos” (1879), “Sinfonias” (1882), “Versos e Versões” (1886), “Aleluias” (1890). Em 1898 coligiu suas principais produções poéticas num volume a que deu o título “Poesias”; 2ª Edição1906; 3ª Edição 1910; 4ª Edição 1922. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira nº 5, que tem por patrono Bernardo Guimarães e onde teve por sucessores Osvaldo Cruz e Aloísio de Castro. Suas “Poesias Completas”, a cargo de Múcio Leão, foram editadas em dois volumes em São Paulo em 1948.

* * *

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

CAPITAL DO URUGUAI EM BAIXO D'ÁGUA. IMAGENS DA ENCHENTE DEVASTADORA QUE ...

A PRECE – Gibran Khalil Gibran


A Prece

 

Então uma sacerdotisa disse: “Fala-nos da Prece”.

E ele respondeu dizendo:

“Vós rezais nas vossas aflições e necessidades; pudésseis também rezar na plenitude de vossa alegria e nos dias de abundância.

Pois que é a oração senão a expansão de vosso ser para o éter vivente?

            E se constitui conforto exalar vossas trevas no espaço, maior conforto sentireis quando exalardes a aurora de vosso coração.

            E se não podeis reter vossas lágrimas quando vossa alma vos chama para orar, ela vos deveria esporear repetidamente, embora chorando, até que aprendêsseis a orar com alegria.

            Quando rezais, vos elevais até encontrardes, nas alturas, aqueles que estão orando à mesma hora, e que, fora da oração, talvez nunca encontrásseis.

            Portanto, que a vossa visita a esse templo invisível não tenha nenhuma outra finalidade senão o êxtase e a doce comunhão.

            Pois se penetrardes no templo unicamente para pedir, nada recebereis.

            E se nele entrardes para vos curvar, ninguém vos erguerá.

            E mesmo se aí fordes para mendigar favores para outros, não sereis atendidos.

            Basta-vos entrar no templo invisível.

            Não vos posso ensinar a rezar com palavras.

            Deus não escuta vossas palavras, exceto quando Ele próprio as pronuncia através de vossos lábios.

            E não vos posso ensinar a oração dos mares e das florestas e das montanhas.

            Mas vós que nascestes das montanhas, e das florestas, e dos mares, podeis encontrar suas preces no vosso coração.

            E se somente escutardes na quietude da noite, ouvi-los-ei dizendo em silêncio:

            Deus nosso, que és nosso Eu alado, é Tua vontade em nós que quer.

            É teu desejo em nós que deseja.

            É Teu impulso em nós que pode transformar nossas noites, que Te pertencem, em dias que também Te pertencem.

            Nada Te podemos pedir, pois Tu conheces nossas necessidades antes mesmo que nasçam em nós.

            Tu és nossa necessidade; e dando-nos mais de Ti, Tu nos dás tudo.”

 

(O PROFETA)

Khalil Gibran Khalil

-------------------

Gibran Khalil Gibran - Poeta libanês, viveu na França e nos EUA. Também foi um aclamado pintor. Seus textos apresentam a beleza da alma humana e da Natureza, num estilo belo, místico, conseguindo com simplicidade explicar os segredos da vida, da alegria, da justiça, do amor, da verdade.


                                                ------------

OS DEUSES DA TERRA OU NA FRONTEIRA DO SUPRANATURAL

 

          Este livro constitui uma categoria à parte na obra de Gibran. Pois é o único que tem por heróis deuses – e não homens. Nos outros livros de Gibran, mesmo os heróis dotados de sublime grandeza fazem parte da humanidade. Até Jesus no livro Jesus, o Filho do Homem, é apresentado como homem.

          Em Os Deuses da Terra, os três heróis do livro são deuses, que falam num estilo de apocalíptica majestade. E o livro é, na realidade, um poema épico que parece desenrolar-se num lugar fora ou além desta Terra.

          Começa com os seguintes versos:

          “Quando caiu a noite da

                           duodécima grande era

          E o silêncio, a maré da alta da

                  noite, engoliu as colinas,

          Os três deuses nascidos da terra,

          Os Senhores Titãs a vida,

          Apareceram sobre as montanhas.

          Rios corriam à volta de seus pés;

          A neblina flutuava sobre seus peitos,

          E suas cabeças elevavam-se majestosamente

          Acima do mundo.”

         

          O livro todo se desenvolve na mesma atmosfera, feita de imagens imponentes e de evocações sobre-humanas.

          Barbara Young o considera um dos poemas mais belos de toda literatura anglo-saxônica.

          São três os deuses heróis do livro, e cada um deles representa um dos aspectos da divindade: Força esmagadora e altiva – Providência Compassiva – Amor e Bondade.

          E eles conversam entre si.

          Mas de que conversam os deuses quando conversam? E quando desejam, o que desejam?

          Os homens, mortais, desejam a imortalidade. Mas os deuses, imortais, estão satisfeitos com sua imortalidade?

          E qual é o papel do amor na vida dos deuses?

          As respostas de Gibran levam-nos para um mundo diferente, fora do espaço e do tempo.

          Um livro de inspiração, de iluminação, que faz ressaltar como a vida e o amor dos homens são efêmeros e os torna, assim mesmo, infinitamente mais desejados.

* * *