Total de visualizações de página
sexta-feira, 29 de maio de 2020
PACHAMAMA, PAPA FRANCISCO E PANDEMIA - Luiz Sérgio Solimeo
quinta-feira, 28 de maio de 2020
MORRE NO RIO DE JANEIRO, AOS 91 ANOS, O ACADÊMICO MURILO MELO FILHO
“Murilo Melo Filho foi um dos grandes jornalistas brasileiros da segunda metade do século XX. Acompanhou de perto a política nacional, a construção de Brasília e a guerra do Vietnã. Conheceu inúmeros chefes de Estado, a quem dedicou páginas antológicas, dos mais variados espectros políticos. Foi também um acadêmico exemplar, assíduo, com a disposição de emprestar seu talento aos mais diversos cargos e serviços na Academia. Guardo a imagem de um homem bom, de uma alta sensibilidade humana, voltada sobretudo para os mais vulneráveis e desprovidos. Um momento de tristeza.”, afirmou o Presidente da ABL, Acadêmico Marco Lucchesi
“Murilo sempre foi aquele homem de caráter primoroso, amigo de seus amigos. Chamava aqueles que trabalhavam com eles de "coleguinhas", e assim ele era correspondido, sempre com muita admiração e sempre com muito carinho. Ele entrou para a Academia Brasileira de Letras na Cadeira nº20 e eu tive o privilégio de saudá-lo. Isso foi para mim uma das honras maiores da minha vida acadêmica. Murilo partiu, mas deixou uma obra extraordinária; na minha opinião foi o maior repórter político do Brasil durante todos os anos em que trabalhou ativamente na imprensa. Ele deixou um estilo cristalino, um estilo direto, formidável. Esse é o Murilo que nós saudamos.”, comentou Arnaldo Niskier, acadêmico ocupante da Cadeira nº18.
"Foi um jornalista atento, incansável, tinha fontes excelentes entre os políticos, era absolutamente sério na sua produção e fez escola no jornalismo político com o seu estilo sintético, informativo e analítico. Como companheiro na Academia Brasileira foi também sempre presente e ativo. Não havia livro de confrades ou confreiras lançados que ele não tivesse a oportunidade de dissertar. Foi uma presença ativa na Academia, foi diretor da Biblioteca, jamais faltou a uma sessão enquanto pôde. infelizmente, passou por uma fase muito dificil da doença e agora perdemos um companheiro, vamos lamentar muito e vai nos deixar muitas saudades”, declarou o Acadêmico Cicero Sandroni.
“Eu sempre fui amigo dele e de sua adorável mulher companheira, colaboradora, e que deve estar começando a sentir profundas saudades dele. E eu a entendo. Murilo vai fazer falta para nós. Ele ficou me devendo uma informação: Desapareceu da casa do embaixador brasileiro em Cuba, numa visita de Fidel Castro, o revólver do Fidel. Ele tirou e o botou em cima da mesa. Ele [Murilo] me prometeu que um dia diria, nunca disse quem roubou, mas agora que não vou saber. Saudades de Murilinho, como a gente chamava.” lembrou o Acadêmico Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça.
O Acadêmico
Sexto ocupante da Cadeira nº 20, foi eleito em 25 de março
de 1999, na sucessão de Aurélio de Lyra Tavares e recebido em 7 de junho de
1999 pelo Acadêmico Arnaldo Niskier.
Murilo Melo Filho nasceu em Natal no dia 13 de outubro de 1928. Filho de Murilo Melo e de Hermínia de Freitas Melo, é o mais velho de uma irmandade de sete. Fez o curso primário no Colégio Marista e o colegial no Ateneu Norte-Riograndense. Aos 12 anos, ainda de calças curtas, começou a trabalhar no Diário de Natal, com Djalma Maranhão, escrevendo um comentário esportivo e ganhando o salário de 50 mil réis por mês.
Trabalhou, a seguir, em A Ordem, com Otto Guerra, Ulysses de Góes e José Nazareno de Aguiar, e em A República, com Valdemar de Araújo, Rivaldo Pinheiro, Aderbal de França, Luís Maranhão e Luís da Câmara Cascudo; na Rádio Educadora de Natal, com Carlos Lamas, Carlos Farache e Genar Wanderley; e na Rádio Poti, com Edilson Varela e Meira Filho.
Aos 18 anos, veio para o Rio, onde estudou no Colégio Melo e Souza e foi aprovado em concursos públicos para datilógrafo do IBGE e do Ministério da Marinha, ingressando a seguir no Correio da Noite, como repórter de polícia.
Trabalhou seguidamente na Tribuna da Imprensa, com Carlos Lacerda; no Jornal do Commercio, com Elmano Cardim, San Thiago Dantas e Assis Chateaubriand; no Estado de S. Paulo, com Júlio de Mesquita Filho e Prudente de Moraes Neto; e na Manchete, com Adolpho Bloch.
Estudou na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e na Universidade do Rio de Janeiro, pela qual se formou em Direito. Chegou a advogar durante sete anos. Costumava dizer que quem se forma em Direito pode até advogar.
Como repórter free-lancer, entrou para a Manchete, criando a seção "Posto de Escuta", que escreveu durante 40 anos. Nessa mesma época, dirigiu e apresentou na TV-Rio, com Bony, Walter Clark e Péricles do Amaral, o programa político Congresso em Revista, que ficou no ar ininterruptamente durante sete anos, sendo a princípio produzido e apresentado no Rio e, depois, em Brasília.
Viveu na Nova Capital durante o atribulado qüinqüênio de 1960 a 1965, que testemunhou em centenas de reportagens. Construiu ali a sede de Bloch Editores e da Manchete e foi, a convite de Darcy Ribeiro e de Pompeu de Souza, professor de Técnica de Jornalismo na Universidade de Brasília.
Sempre em missões jornalísticas, acompanhou os ex-presidentes Juscelino Kubitschek a Portugal; Jânio Quadros a Cuba; João Goulart aos Estados Unidos, ao México e Chile; Ernesto Geisel à Inglaterra e à França; e José Sarney a Portugal e aos Estados Unidos.
Cobriu a Guerra do Vietnã, com o fotógrafo Gervásio Baptista, em 1967, e foi o primeiro jornalista brasileiro a cobrir a Guerra do Camboja, com o fotógrafo Antônio Rudge, em 1973, tendo chegado a Saigon e Phnom-Penh, via Tóquio.
27/05/2020
* * *
quarta-feira, 27 de maio de 2020
QUANDO UMA CONVERSÃO É PROFUNDA – Plinio Maria Solimeo
27 de maio de 2020
Às vezes vemos notícias sobre conversões ao catolicismo de atletas famosos. O que nos surpreende é a seriedade com que os neo convertidos passam a viver a vida religiosa, sendo comum procurarem a forma antiga da liturgia para as suas devoções. John Scott é um desses exemplos. Nascido no Canadá 37 anos atrás, passou sua vida profissional entre seu país e os EUA, onde se formou em engenharia pela Universidade de Michigan. É casado e pai de cinco filhas, incluindo duas gêmeas.
Scott se
tornou conhecido como jogador da Liga Profissional americana de hóquei sobre
gelo, a qual move milhões naquele país. Esse esporte é tão violento ou mais que
o futebol americano. Por isso, com seus quase dois metros de altura ele se
sobrepunha aos adversários. Sua maior notoriedade ocorreu na temporada 2015-16,
quando foi escolhido pelos fãs como capitão da equipe da Divisão do Pacífico da
Conferência Oeste para o All-Star Game.
Universitário, ele conheceu sua futura esposa, Danielle, uma moça católica cuja fé lhe proporcionou uma base estável de vida. Ele estava de algum modo ‘patinando no gelo fino’, pois não tinha uma explicação geral de como o mundo foi montado ou seu significado. Quando pernoitava na casa de sua namorada, dormia no porão, enquanto ela dormia em seu próprio quarto. Iam juntos à missa com os pais dela.
Quando os dois falaram sobre o casamento, Danielle deixou claro que “se eu quisesse me casar, teria de ser na Igreja Católica, e eu teria que concordar em criar nossos filhos como católicos. Depois nos reunimos com um padre e discutimos o compromisso de toda a vida um com o outro, a procriação e instrução das crianças”. Nessa conversa ficou bem claro que o casamento era para toda a vida, que não fariam controle artificial da natalidade, pois a Igreja o proíbe, e deveriam aceitar todos os filhos que Deus mandasse.
Quando o repórter lhe observa que o tamanho de sua família é maior que o da maioria dos americanos, ele afirma: “É estatisticamente incomum, mas o importante não é ser mediano, mas viver como a Igreja nos ensina a viver, estando abertos à vida”. Ele, com efeito, sabe o que quer e quer o que faz: “Com famílias maiores, há amigos incorporados e oportunidades de abnegação e expansão dos horizontes, há sempre algo para aprender”.
Embora
fosse à Missa com a esposa e seus familiares, John não deu logo o passo
decisivo para se tornar católico. Foi só em 2016, quando se aposentou, que ele
fez o curso completo de catequização, sendo batizado na Páscoa de 2017. Cumpre
salientar que, além de profundos, esses cursos de catequizaçãonos EUA são muito
conservadores do que no Brasil. Para ele, os católicos são obrigados a
compartilhar a fé, mas, ao mesmo tempo, permitir que cada pessoa tome a própria
decisão.
Perguntado
sobre as devoções familiares, Scott diz: “Todos nós temos nossas devoções
individuais. Mas juntos rezamos um Rosário diário em família, que é a coisa
mais importante que todos podemos fazer juntos agora”. Em sua casa foram
entronizados o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria,
praticam a devoção recomendada em Fátima da Primeira Sexta-feira e o Primeiro
Sábado do mês, além das orações da manhã, do Ângelus, e ainda, quando
podem, assistem à Missa durante a semana. Essas devoções lhes dão uma sensação
de estrutura e lhes recorda a necessidade de pedir ajuda para superar as
tentações do mundo e fazer a vontade de Deus.
John Scott
fala sobre a necessidade de se praticar abertamente a fé: “Este é o
momento em que precisamos ouvir mais sobre a grandeza do catolicismo, que
oferece uma alternativa ao que ouvimos e vemos tanto hoje. A felicidade do
mundo é muito superficial, mas a felicidade do catolicismo é profunda”. Para
ele, existem muitos caminhos possíveis para partilhar a fé, mas todos eles são
motivados pelo desejo de ajudar as pessoas a encontrar o caminho para o Céu.
Essa é a luta que importa. A Igreja Católica, com suas devoções e seus
sacramentos, torna isso possível.
John Scott escreveu sua autobiografia [capa acima], com o título: A Guy Like Me: Fighting to Make the Cut (em tradução livre: Um homem como eu: lutando para fazer a diferença).
* * *















