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segunda-feira, 24 de junho de 2019

CRESCE O CÍRCULO DE INFLUÊNCIA DA CONTRA-REVOLUÇÃO – Paulo Henrique Américo de Araújo


23 de junho de 2019
Lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, 
ocorrido no Congresso Nacional em 2 de abril de 2019 
[Fotos: Cleia Viana / Câmara dos Deputados]


Paulo Henrique Américo de Araújo

O auditório encontrava-se lotado. Todos os presentes pareciam muito à vontade, quase como se estivessem em casa. Homens, mulheres, casais jovens; e para completar, muitas crianças corriam e brincavam entre as poltronas, através dos corredores, deixando-se filmar e fotografar. Mas o leitor se enganaria, julgando tratar-se de festa de aniversário ou reunião de pouca importância. Não! Lá estavam vários deputados federais, jornalistas aglomerados; e na tribuna, uma Ministra de Estado.

Um menino mais ousado subiu correndo até a área das autoridades, e se escondeu sob a mesa junto da qual se achava a Ministra. A mãe, em estado avançado de gravidez, rapidamente alcançou o pequeno atrevido, e após pequena luta conseguiu retirá-lo daquele lugar inapropriado. Todos os que presenciaram a cena, inclusive a Ministra, sorriam e achavam graça.

A descrição que acabo de fazer é fidedigna. Eu mesmo a acompanhei, e seria facilmente confirmada por todos os presentes no lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, ocorrido no Congresso Nacional em 2 de abril de 2019.1 A alegria distendida da cena pode surpreender o leitor, e foi certamente sentida pelos frequentadores dos carrancudos ambientes parlamentares de Brasília, assim amenizado pela presença incomum de tantas crianças em evento que dizia respeito a elas.

 As crianças amenizaram com sua presença o importante evento

Defender os filhos da corrupção moral

Por cima do debate sobre o ensino domiciliar (home schooling), durante aquela sessão as atitudes, o convívio, as maneiras de ser revelavam algo de profundamente distendido, gentil, suave, algo autenticamente brasileiro. Bem o oposto do que se costuma ver no Congresso: carrancas, manifestações furiosas, gestos histéricos, violentos até.

Como argumento mais recorrente a favor do ensino domiciliar, os deputados integrantes da Frente Parlamentar apontavam sobretudo a defesa da família, sob os aplausos entusiasmados da audiência. A Ministra Damares Alves foi especialmente ovacionada quando afirmou: “O Estado é laico, mas nós somos cristãos”.

Poderia haver nos presentes algumas discrepâncias de métodos, mas um princípio era compartilhado por todos: a educação das crianças cabe primeiro aos pais. Ao Estado cabe apenas a função supletiva, acessória. Os pais têm o direito e o dever de defender seus filhos, especialmente quando se sabe que o ambiente escolar está impregnado de doutrinação marxista e degradação moral. Assim, a bandeira do home schooling adquire, em linhas gerais, um inegável caráter contra-revolucionário.

Algumas ponderações e distinções se impõem. Em seu depoimento aos participantes, uma mãe de dois filhos com problemas mentais indicou que o home schooling não é para todos, mas sim para os pais que desejarem e tiverem condições para tanto. Para os militantes da esquerda, contrários à educação dos filhos em casa, deixou este recado, sob aplausos do auditório: “Nós não somos extra-terrestres!”.

Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Fracos argumentos contra o ensino em casa

A argumentação contrária ao home schooling alega que a educação cabe primeiro ao Estado, e secundariamente à família. Num evidente embaralhamento de conceitos, exemplifica com crianças hipotéticas, que fora das escolas públicas não teriam oportunidade de interação, convívio com pessoas diferentes (na verdade, recorrem a termos tendenciosamente manipulados, como “diversidade”, “socialização”, “preconceitos”, etc). Os pais que negam isso aos filhos são pejorativamente tachados de retrógrados, conservadores obtusos, religiosos fanáticos.

Nesse sentido, é reveladora a declaração de Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional da Unicamp: “Se a família tem visões racistas ou preconceituosas, a escola tem que transformar esses valores em socialmente desejáveis. Cada família vai estar centrada nos seus valores e achar que são únicos, só que a gente tem que pensar que educa as pessoas para uma sociedade democrática, plural”.2

A mensagem da professora não poderia ser mais tendenciosa: deve-se corrigir as famílias de seus “racismos” e “preconceitos”, quer dizer, de seu posicionamento contra o homossexualismo ou contra a ideologia de gênero, por exemplo. E a escola se apresenta como o lugar ideal para libertar as crianças de tais ideias religiosas “radicais” e “discriminatórias” vindas dos pais…

Ainda mais ostensivamente contrária é a opinião da jornalista Renata Cafardo, num pequeno artigo para “O Estado de S. Paulo”: “Com 45 milhões de estudantes nas escolas brasileiras, o governo de Jair Bolsonaro escolheu priorizar em seus primeiros cem dias o ensino em casa, praticado por cerca de 7 mil famílias”.3 Note-se que o vozerio altissonante da esquerda em favor das minorias (sobretudo a autointitulada LGBT) aplaude qualquer iniciativa governamental que as favoreça, mas isso não vale para as minorias do home schooling, nas quais não reconhece o direito de existir.

Com esta comparação se percebe como a iniciativa da educação em casa tem causado dores de cabeça aos revolucionários de nossos dias.

A reação anticomunista se fortalece

Após a referida reunião no Congresso Nacional, em 12 de abril o Governo Federal apresentou projeto de lei para regulamentação do ensino domiciliar.4 É claro que os contrários esperam barrar essa iniciativa, para manterem como obrigatória para todas as crianças a escola que no entanto qualificam como “plural”, “diversa” e “cidadã”. Os campos estão bem delimitados, nessa batalha que não deve terminar tão cedo.

O ambiente distendido e alegre no Congresso Nacional, por ocasião do lançamento da Frente Parlamentar do Ensino Domiciliar, em nada diferia das multidões pacíficas, tipicamente brasileiras, que se aglomeraram nas principais cidades do País a partir de 2013. Pois os pais que se preocupam com os perigos da doutrinação esquerdista e a degradação moral nas escolas acompanham e apoiam também as incontáveis outras reações sadias da opinião pública nos últimos anos — manifestações firmes, serenas, contra o socialismo e a imoralidade, sem nada de agressões nem agitações.

Esse panorama trouxe-me a recordação de uma entrevista concedida por Plinio Corrêa de Oliveira ao Prof. Marcelo Lúcio Ottoni de Castro, na ocasião em que este preparava sua dissertação de mestrado em História.5 Quando o diálogo tratava do desequilíbrio de forças da Revolução e da Contra-Revolução, especificamente entre as décadas de 60 e 90 do século XX, o entrevistado deixou claro o que pensava:

“No desequilíbrio de forças, a da Contra-Revolução aumentou mais. Por quê? Porque a Revolução se tornou mais radical. E tornando-se mais radical, muita gente que era da chamada ‘terra de ninguém’, entre Revolução e Contra-Revolução, se assustou e voltou para trás. São os ‘agredidos pela realidade’. Esses voltaram e acrescentaram em algo o círculo de influência da Contra-Revolução. Não ficaram propriamente contra-revolucionários, mas ampliou-se o círculo de influência da Contra-Revolução”.

A constatação acima se apresenta ainda mais verdadeira ao analisar os fenômenos de opinião pública ocorridos no Brasil recente. Nos 13 anos dos governos Lula-Dilma, aguçou-se uma reação veemente de grande parte dos brasileiros contra a cavalgata esquerdista. E aí está o fenômeno do “ensino domiciliar”, a comprovar o fato. Assim cresce o círculo de influência da Contra-Revolução.

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Notas


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PAU QUE DEU EM CHICO NÃO DÁ EM FRANCISCO - Por Patrícia Moraes Carvalho


Dois pesos e duas medidas …


Qual é o problema com o alto escalão do Judiciário brasileiro?

Tempos atrás, a revista Crusoé publicou um artigo dizendo que o nome do ministro Dias Toffoli foi citado durante uma troca de e-mails entre executivos da Odebrecht.

Toffoli se irritou e acionou o ministro Alexandre de Moraes … A partir daí, iniciou-se uma caçada contra a revista, que foi censurada, processada, multada, enfim, até a PF foi acionada para cumprir mandatos de busca e apreensão.

Ressaltando que a Crusoé não agiu de forma ilegal … Não obteve documentos de maneira criminosa.

Pois bem …

Há cerca de duas semanas, o site The IntercePT tem provocado uma anarquia generalizada no país fazendo uma espécie de chantagem ao reter mensagens e áudios obtidos ilegalmente através do hackeamento de celulares de agentes públicos (juízes, promotores, políticos e sabe-se lá mais quem).

Se a intenção do jornalista fosse realmente ajudar o país ou ‘fazer justiça’, o mesmo já teria procurado a PF e o Ministério Público e entregado uma cópia dessas supostas provas (*** obtidas de maneira ilegal ***)

Mas não …O ativista, travestido de jornalista, está fazendo todo um país refém de algo que ‘supostamente teria ocorrido’ … Em outras palavras, Greenwald está conspirando contra uma Nação.

Agora a(s) pergunta(s):

“Por que é que o STF, especificamente os ministros Toffoli e Moraes, não agem da mesma maneira que agiram com a Revista Crusoé?”

“Por de que é que esses ministros não abrem um inquérito e colocam a PF para ‘chutar as portas’, como foi feito com a Crusoé?”

“Por que é que os ministros não censuram as matérias do site The IntercePT?”

“Por que é que o jornalista Glen Greenwald não foi conduzido ‘sob vara’ para depor sobre o caso?”




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‘O LUGAR DA LITERATURA NA IMPRENSA HOJE’ É O TEMA DO MÊS DE JUNHO DO SEMINÁRIO ‘BRASIL, BRASIS’


A Academia Brasileira de Letras dá continuidade à sua série de Seminários “Brasil, brasis” de 2019 com o tema O lugar da literatura na imprensa hoje, sob coordenação geral do Acadêmico, professor, escritor e poeta Domício Proença Filho (quinto ocupante da Cadeira 28, eleito em 23 de março de 2006), e coordenação do Acadêmico e romancista Antônio Torres (Oitavo ocupante da Cadeira 23, eleito em 7 de novembro de 2013). Participante convidado: jornalista e escritor Rogério Pereira. O seminário está programado para o dia 25 de junho, terça-feira, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr, Avenida Presidente Wilson, 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

O Seminário Brasil, brasis, com entrada franca e transmissão ao vivo pelo Portal da ABL, tem patrocínio do Bradesco.

O CONVIDADO

Rogério Pereira nasceu em Galvão (SC), em 1973. É jornalista, editor e escritor. Em 2000, fundou em Curitiba o jornal de literatura Rascunho. De janeiro de 2011 a abril de 2019, foi diretor da Biblioteca Pública do Paraná. Entre as curadorias realizadas, destacam-se as bienais do livro do Paraná, Manaus e Minas. Em 2006, criou o projeto Paiol Literário, do qual participaram cerca de 70 escritores. Tem contos publicados no Brasil, Alemanha, França e Finlândia. É autor do romance Na escuridão, amanhã, finalista do prêmio São Paulo de Literatura, menção honrosa no Prêmio Casa de Las Américas (Cuba), e traduzido na Colômbia.

17/06/2019


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domingo, 23 de junho de 2019

COTAS? É DISCRIMINAÇÃO! - Antonio Nunes de Souza

Em outra oportunidade, há bastante tempo, cheguei a falar sobre esse fato observando alguns pontos de vista, naturalmente indo de encontro de muitas pessoas, inclusive as orientações governamentais e seus decretos, para mim, impensados!

Imagino que seria muito mais justo e correto, oportunizar com igualdades de condições os negros, pardos e índios, dando para eles as mesmas condições de escolas qualificadas, creches, auxílios financeiros e assistência médica, pois, com essas proteções, temos certeza que serão melhorados os níveis de intelectualidades, tornando as oportunidades iguais para todos!

Por que razão instituir “cotas” para os negros, mestiços e índios?

Será que eles são menos inteligentes?

Com certeza absoluta são tão inteligentes como qualquer outra etnia, ou raça como comumente se diz. Apenas são completamente esquecidos, mal assistidos, enfrentam discriminações sociais, moram e se alimentam pessimamente e, pela pobreza e falta dos itens citados, aqueles que conseguem estudar, tornam-se péssimos alunos porque passam o dia trabalhando para ajudar a manutenção da família. Aí entra a desproposita “cota”, colocando nas universidades alunos sem as qualificações necessárias, somente porque são negros, mestiços ou índios. Isso é uma incoerência absurda! E o que ocorre normalmente é que essas pessoas “cotistas” não conseguem acompanhar o seguimento das aulas e, infelizmente, desistem antes de terminar as suas formações!

Discriminar dando “cotas” é uma demonstração de que essas pessoas são uns coitadinhos e merecem benevolências! Creio ser isso um absurdo e falta de um critério justo e sensato!

Tenho convicção que não estou sozinho nessa opinião, uma vez que muitas associações já se rebelaram e são completamente contra essa atitude insólita de com uma forma paliativa, agradar uma fatia dessa perseguida e desprezadas de pessoas!



Antonio Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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PALAVRA DA SALVAÇÃO (136)

12º Domingo do Tempo Comum, 23/06/2019


Anúncio do Evangelho (Lc 9,18-24)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Certo dia, Jesus estava rezando num lugar retirado, e os discípulos estavam com ele. Então Jesus perguntou-lhes: “Quem diz o povo que eu sou?”
Eles responderam: “Uns dizem que és João Batista; outros, que és Elias; mas outros acham que és algum dos antigos profetas que ressuscitou”.
Mas Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”.
Mas Jesus proibiu-lhes severamente que contassem isso a alguém. E acrescentou: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia”.
Depois Jesus disse a todos: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:

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“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo...” (lc 9,23) 

Depois do longo e intenso percurso pascal, retomamos o tempo litúrgico conhecimento como “Tempo Comum”, seguindo o evangelista Lucas (Ano C). 

A cena do evangelho deste domingo é muito conhecida, pois ela é relatada nos três evangelhos sinóticos, embora com grandes diferenças. Os discípulos já levam um bom tempo acompanhando Jesus. Por que o seguem? Jesus quer saber qual é a motivação presente no interior de cada um deles. Por isso, dirige uma pergunta ao grupo: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 

Esta é a pergunta que também deve ter ressonância em nosso interior; afinal, dizemos ser seguidores(as) de Jesus. Seguimos, de fato, uma pessoa ou seguimos uma doutrina, uma religião, uma moral...? Não é suficiente repetir fórmulas aprendidas na catequese. Aqui trata-se de expressar uma identificação profunda com a vida e com o modo de ser do Profeta da Galileia. Por que o seguimos? Não basta afirmar que Ele é o “Messias de Deus”; é preciso dar passos no caminho aberto por Ele, acender também hoje o fogo que Ele quis espalhar no mundo. Como podemos falar tanto dele sem sentir sua sede de justiça, seu desejo de solidariedade, sua vontade de paz?

Na experiência humana ressoa, desde sempre, a marca ou o chamado a transcender-se, a ir além de si mesmo. O seguimento de Jesus pressupõe a pessoa capaz de sair de si mesma, de descentrar-se. Deixar ressoar a voz do chamado no próprio interior implica um investimento de toda a pessoa. O ouvido se abre, o olhar se aclara, a mente se expande, o coração compreende, o corpo se ergue e a vida se reinicia. Vida aberta e sempre em movimento, pronta para acolher e viver as surpresas. 

Estamos inseridos numa cultura onde as entregas são vividas pela metade, as opções são de fôlego curto e os projetos não tem consistência. Vivemos a chamada “cultura líquida” onde tudo parece que nos escapa das mãos. Não há solidez nas decisões pois elas são apressadas e superficiais, porque o horizonte está obscuro.

Jesus não impõe nenhuma condição, não quer gente que busque carreiras ilustres, riquezas, prestígio.... Quer pessoas que sejam capazes de descentrar-se, de renunciar ao próprio ego, de desapegar-se daquilo que as atrofia e as limita, para investir numa proposta de vida que dê direção e sentido à própria existência. Este é o lema de Jesus: “renunciar a si mesmo, tomar a cruz cada dia e segui-Lo”. O que significa “renunciar a si mesmo”? Significa sair da visão egocentrada, nascida da crença errônea de que somos o ego. Talvez pudesse ser expresso desta forma: “Deixa de crer que és o eu separado e descobrirás a riqueza de tua verdadeira identidade; nem sequer vê a tua vida a partir do ego, porque sofrerás e farás sofrer; contempla-a a partir de tua verdadeira identidade, onde há uma unidade profunda, mas sem apego nem comparações”. 

Não é a renúncia o que nos salva, mas o desenvolvimento e a expansão da vida em direção à plenitude. A renúncia é sempre lícita e aconselhável quando fazemos por algo melhor. O apego a nós mesmo, às coisas ou às pessoas, impede-nos de mover com facilidade. Perdemos o fluxo da vida e o impulso do movimento, a suavidade do “deslizar pela existência”. 

Na vida cristã, o seguimento é questão de sedução, de paixão, de atração, de coração...; isso significa que Jesus Cristo é de fato o “amor primeiro”, aquele que antecede a qualquer outro, de maneira especial o amor a si mesmo. Daí nasce a harmonia interior. Quando o seguimento se torna o eixo central, todos os elementos da vida, todas as afeições, todas as potencialidades do espírito, encontram-se em “seus lugares”, estabelecendo uma deliciosa experiência de paz. Os afetos “orientados” e “ordenados” à pessoa de Jesus, cria um novo referencial, um novo centro afetivo.

Se queremos fazer caminho com Jesus temos de acolher suas condições e entendê-las como Ele as entende. “Renunciar a si mesmo” é descentrar-se, não ser já o centro de seu próprio projeto. É pôr a vida inteira a serviço do outro, neste caso o projeto de Jesus. A isto Jesus chama “perder a vida por sua casa”. E quem assim fizer, “ganhará”, salvará sua vida. A condição que Jesus propõe para segui-lo não pretende negar nossa autonomia, mas orientar nossas energias e valores para a construção do Reino que Ele iniciou, renunciando, também Ele, a si mesmo, para cumprir em tudo a vontade do Pai. Na medida em que nos desprendemos de todo apego, incluído o apego à vida, a favor dos outros, estaremos amando de verdade e, portanto, crescendo como ser humano. Nossa Vida com maiúscula se potenciará, e a vida com minúscula, adquirirá, então, todo seu sentido.

A resposta à pergunta de Jesus (“e vós, quem dizeis que eu sou?”) implica adesão à pessoa d’Ele e ao seu projeto, o Reino; significa fazer o caminho com Ele, colocar-se onde sempre se colocou, na margem, na periferia... Isso acarreta oposição, perseguição, cruz.

Em quê consiste “carregar a Cruz?” É acaso suportar tudo sem reclamar como se toda contrariedade nos é mandada pelo Deus mesmo? É submeter-se à dor pela dor, como se a dor fosse um valor em si mesmo? Algo ou muito disto temos entendido assim e não tem nada a ver com a condição que Jesus propõe para que sigamos seus passos. Ele quer dizer que todos devem estar dispostos a viver da mesma maneira que Ele viveu, embora sabendo que este estilo de vida pode acarretar a perseguição e talvez a morte. Tomar a Cruz significa prontidão, estar preparado, mobilizado... Essa é a cruz de Jesus e também deve ser a nossa. Não inventemos cruzes sob medida, não coloquemos cruzes sobre nós ou sobre os outros. Sigamos os passos de Jesus, assumindo seu estilo de vida! 

Nesse sentido, a cruz de Jesus não é um “peso morto”; ela tem sentido porque é consequência de uma opção radical em favor do Reino. A Cruz não significa passividade e resignação; ela nasce de sua vida plena e transbordante; ela resume, concentra, radicaliza, condensa o significado de uma vida vivida na fidelidade ao Pai, que quer que todos vivam intensamente.

“Jesus morreu de vida”: de bondade e de esperança lúcida, de solidariedade alegre, de compaixão ousada, de liberdade arriscada, de proximidade curadora. Aquele que acompanha Jesus vai também tomando consciência que a opção pela vida pode conduzi-lo à Cruz. Mas não basta carregar a Cruz; a novidade cristã é carregá-la como Jesus. Essa é a nova maneira de carregar a Cruz que Jesus nos ensina: transformá-la em sinal e fonte de amor e de entrega.

A palavra “cruz” – em grego “staurós” – vem do verbo “ficar em pé”. “Tomar sua Cruz” não é, portanto, suportar passivamente sua vida, tornar-se escravo de um destino tirânico; significa prontidão, estado de vigilância... para passar de uma vida suportada para uma vida escolhida.
  
Texto bíblico:  Lc 9,18-24

Na oração: “Quem é Jesus para mim?” Pergunta instigante que nos ajuda a captar a originalidade de Sua vida, a escutar a novidade de Seu chamado, a deixar-nos atrair pelo Seu projeto, contagiar-nos por Sua liberdade, empenharmos por viver seu caminho.

- Cada um de nós deve se colocar diante de Jesus, deixar-se olhar diretamente por Ele e escutar, a partir do mais profundo de si mesmo, Sua pergunta: “Quem sou Eu realmente para você?”

- A esta pergunta responde-se mais com a vida que com palavras sublimes. 

Pe. Adroaldo Palaoro sj
https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/1744-pesos-mortos-que-travam-o-seguimento-2

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sábado, 22 de junho de 2019

INTOLERÂNCIA POLÍTICA - Merval Pereira


O presidente Jair Bolsonaro deu várias mostras nos últimos dias daquilo que já havia sido evidenciado desde o início do governo: o que considera lealdade é mais importante para ele do que competência. E de que não admite diversidade de pensamentos em qualquer instância do governo.

O que ele fez com o presidente do BNDES, Joaquim Levy, foi demiti-lo publicamente ontem, ao anunciar que ele está “com a cabeça a prêmio” há muito tempo, e que já está “por aqui” com ele, que não estaria cumprindo o que combinara ao ser nomeado.

Isso porque Levy indicou para uma diretoria do BNDES Marcos Pinto, que trabalhou na gestão de Lula como chefe de gabinete de Demian Fiocca na Presidência do BNDES, de quem era assessor quando Fiocca foi vice-presidente.

Fiocca encaminhou a indicação de Marcos Pinto para a diretoria da CVM em 2012, na gestão de Guido Mantega. Essa relação de Marcos Pinto com a gestão petista irritou Bolsonaro, que exigiu publicamente sua demissão, ameaçando demitir Levy amanhã se não cumprisse sua ordem.

Por trás da confusão com Marcos Pinto está a irritação de Bolsonaro com o próprio Levy, a quem aceitou no BNDES por insistência do ministro da Economia Paulo Guedes. A desconfiança do presidente recai até sobre pessoas que o auxiliaram muito de perto, como os ex-ministros Gustavo Bebiano e o general Santos Cruz, de quem era amigo há 40 anos. Faz jus a um conselho que recebeu de seu pai, que dizia para confiar apenas nele e na sua mãe.  Foram vítimas de intrigas do mesmo grupo, comandado pelo filho Carlos e pelo guru esotérico Olavo de Carvalho.

O ministro da Justiça Sérgio Moro também passou pelo mesmo problema que atinge agora o ministro da Economia Paulo Guedes. Os dois supostamente tiveram carta branca de Jair Bolsonaro para escolher seus assessores, e foram desautorizados pelo presidente.

O caso de Moro foi menos grave do que o de Guedes agora, mas exemplar de uma intolerância incomum nos governos recentes, com exceção de uma atitude pontual de Michel Temer, que demitiu um garçom nos primeiros dias de presidente por considerá-lo um espião petista.

Moro foi obrigado a cancelar a nomeação da cientista política Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Presidente do Instituto Igarapé que estuda violência urbana e propõe medidas como desarmamento e descriminalização das drogas, a ideia da nomeação era justamente colocar uma voz divergente no Conselho, para que ele exercesse seu papel em plenitude, isto é, debater teses e sugerir opções ao ministro.

Nos governos anteriores, Francisco Weffort, fundador do PT, foi ministro da Cultura de Fernando Henrique por 8 anos; os economistas Marcos Lisboa e Murilo Portugal foram assessores importantes de Palocci quando era ministro, e o próprio Joaquim Levy foi ministro da Fazenda de Dilma.

Os petistas boicotaram os economistas que consideravam tucanos, mas só Levy foi demitido. Dilma era mais próxima de Bolsonaro em termos de intolerância política do que Lula, que sabia aceitar assessores que não fossem petistas de carteirinha.
Com a crescente autonomia do Congresso em relação ao Palácio do Planalto, Bolsonaro parece estar retomando uma política de contato direto com o eleitor, que tentara no início de sua gestão. Radicalizando posições para contentar seu núcleo principal de eleitores.

O próprio ministro Paulo Guedes, que no início do governo disse que daria “uma prensa” no Congresso e teve que recuar, voltou a tentar pressionar os parlamentares com críticas duras contra a proposta da Comissão Especial da Previdência.
O mais provável é que queira passar a ideia de que não gostou da proposta, para que os deputados tenham a sensação de vitória sobre o governo e não façam novas alterações. 
  
Também ontem, Bolsonaro usou o Twitter para pedir que a população pressione os senadores para manterem seu decreto que flexibiliza o porte de armas. 

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado decidiu revogar os decretos que permitem o porte de armas de fogo a cidadãos e colecionadores, atiradores desportivos e caçadores.

O presidente, que já dissera que não acreditava que os senadores fossem votar “contra o povo”, agora pede que os eleitores os pressionem.

O Globo, 16/06/2019

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Merval Pereira - Oitavo ocupante da cadeira nº 31 da ABL, eleito em 2 de junho de 2011, na sucessão de Moacyr Scliar, falecido em 27 de fevereiro de 2011, foi recebido em 23 de setembro de 2011, pelo Acadêmico Eduardo Portella.

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ALIMENTE SUA ALMA - Kate Spreckley


À medida que observamos e nos conectamos conscientemente com os processos evolutivos em andamento, somos capazes de sentir a abundante energia que está disponível para nós agora. Envolver-se com todo o poder dessa energia inflama uma força criativa dentro de nós que podemos utilizar para criar nossa nova realidade.

Quanto mais nos expandimos em nossa essência da alma, mais acesso temos a essa energia e poder criativos. Com mais acesso, podemos direcionar essa força para a manifestação física, criando uma realidade que é dirigida e guiada por nossa alma.

Explore seus pensamentos, seus sentimentos e as novas possibilidades que lhe estão sendo apresentados agora. Esteja atento aos seus pensamentos, suas ações e seus atos. Examine suas atitudes e suas ações. Certifique-se de que tudo o que você diga e tudo o que você faça seja da mais elevada integridade.

Você está procurando manifestar as necessidades e desejos de seu ego, ou as esperanças e sonhos de sua alma? Você é capaz de ser flexível e adaptável, ou está tentando controlar os resultados? Você está sendo influenciado pelos padrões e programação do passado ou está receptivo aos estímulos internos de sua alma? Não deixe o passado retê-lo. Agora é o momento de ser consciente, decidido, corajoso e ousado.



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