Nosso Senhor Jesus Cristo disse a uma alma privilegiada: “Se
sou bom para todos, sou muito bom para os que confiam em Mim. Sabes quais são
as almas que mais aproveitam de minha bondade? As que mais esperam. As almas
confiantes roubam as minhas graças!”
(Pe. Thomas de Saint Laurent)
Aquele que se interessa pela salvação de uma alma tem
fundadas esperanças de salvar a própria.
(São João Bosco)
Deus depositou a plenitude de todo o bem em Maria
Santíssima, para que nisso conhecêssemos que tudo o que temos de esperança,
graça e salvação, d’Ela deriva até nós.
(São Pio de Pietrelcina)
Há esperança de salvação, quando a vergonha censura o homem.
(Publílio Siro)
A esperança torna o homem diligente, inteligente e cortês.
Quando cantava com meus alunos de catecismo, após o término
das aulas, estava muito convencida de que sabia rezar.
Aquelas criancinhas, não. Elas só podiam cantar afirmando “eu
não sei rezar”.
Eu porém, era diferente, sabia um montão de oração, rezava: ofícios
de Nossa Senhora, terços, ladainhas, etc.
Só depois de muitos anos percebi que eu também não sabia
rezar.
Rezar não é só repetir fórmulas.
Pode ser que estas fórmulas nos levem até Deus, mas podemos
correr o risco de transformá-las em hábito, cair na rotina.
Quantas vezes disse eu ouvi dizer: “graças a Deus, já rezei
tudo.” Era maia uma obrigação a ser feita.
“Só sei repetir que sei te amar”.
E só amamos Maria se amarmos seu filho Jesus. Através dela nós chegaremos a Ele. Mas não
podemos parar em Maria, aproveitamos de sua acolhida, de seus ensinamentos e seguiremos
em frente.
“Mãezinha do Céu
Mãe do puro amor
Jesus é teu filho
E eu também o sou”.
Eu cantava com aquelas criancinhas, mas não me aprofundava
naquilo que cantava.
“Jesus é teu filho
E eu também o sou”.
Maravilhoso este mistério de amor!
Jesus é meu irmão - Como é bom ter jesus como irmão! Mas Jesus
não é só meu irmão. É irmão também de todos os homens.
Preciso ter bem presente, que Jesus é meu irmão, à proporção
que me faço irmão do meu próximo.
Jesus está presente naquele próximo muitas vezes desfigurado,
amargurado, injustiçado.
Preciso descobrir o Jesus dele e procurar amá-lo.
“Azul é teu manto
Branco é teu véu
Mãezinha querida
Me leva pro céu”.
E com entusiasmo cada vez maior continuava cantando com as
criancinhas. “Mãezinha querida me leva para o Céu”.
Penso que era naquela época, a melhor oração que eu fazia.
Na minha insensatez eu não sabia que através daquelas
criancinhas estava fazendo uma grande prece.
Nossa senhora que é minha mãe e que me quer bem, conduziu-me
por toda a vida, não deixou que eu me afastasse do caminho celeste. Tenho
certeza, não por merecimento, mas por misericórdia de Deus, que alcançarei o Céu,
pois aqui e já tenho experimentado migalhas deste Céu.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo
João.
— Glória a vós, Senhor.
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando
fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se
encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja
convosco”. Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os
discípulos se alegraram por verem o Senhor. Novamente, Jesus disse: “A paz
esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E, depois de
ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. A
quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os
perdoardes, eles lhes serão retidos”.
– Palavra da salvação.
- Glória a Vós, Senhor!
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Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Paulo
Ricardo:
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Pentecostes: de portas abertas
“...estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos
se encontravam, por medo dos judeus...”
Lembremo-nos que, no domingo passado, após a Ascensão, os
discípulos retornaram ao Templo de Jerusalém: “E estavam sempre no Templo,
bendizendo a Deus” (Lc 24, 53). Isso quer dizer que eles ainda não estavam em
movimento; eles não tinham tomado consciência de que eram habitados pelo Espírito
Santo e que deviam sair do Templo para partir em missão. No entanto, em
Pentecostes eles se deram conta de que deviam sair do Templo para transmitir o
Sopro de vida (vento), para reunir no Amor todos os povos (fogo) e para
comunicar a todos o Amor universal (línguas). A presença do Espírito rompeu os
espaços atrofiados e os fez viver de portas abertas. Esta é a missão do
Espírito Santo.
A Igreja, como povo de Deus, cheia de graça e de verdade,
hoje se veste de festa porque está celebrando seu nascimento. Ela finca suas
raízes no acontecimento de Pentecostes quando o Pai, por seu Filho, envia o
Espírito da verdade e da vida à humanidade. Os discípulos receberam a força do
Espírito em um contexto de debilidade e de medo. As portas estavam fechadas, no
meio do mundo, por temor. E é no meio desse mundo desafiador e do medo
paralisante que o Espírito rompe as portas e destranca as janelas; o que era
realidade fechada e assustada se converte em comunidade “em saída”, apostólica,
missionária.
O Ressuscitado cumpre a promessa definitiva: envia seu
Espírito. Espírito de vida e confiança, de fortaleza e verdade, de amor e
graça. É o Espírito da liberdade, que arranca as portas dos temores e das
seguranças e abre as janelas para deixar entrar o vento que faz viver o risco
no amor comprometido; é o Espírito do fogo que aviva a luta pela dignidade e a
possibilidade da reconciliação do ser humano ferido com o Deus providente e
curador, que se revela como compaixão e misericórdia; é o Espírito que torna
possível outro mundo, que ativa o cuidado para com a natureza: a ecologia que
se faz comunhão e se humaniza, frente ao medo da destruição do universo e
daqueles que o habitam.
Com sua presença rompedora, o Espírito enche a casa onde os
discípulos estavam juntos. Ele não se deixa sequestrar em certos lugares que
dizemos “sagrados”. Agora “sagrada” torna-se a casa: a minha, a tua e todas as
casas são o espaço privilegiado da ação Espírito. Ele vem de imprevisto, e nos
apanha de surpresa, pois nem sempre estamos preparados para deixar-nos conduzir
por Ele. O Espírito não suporta esquemas, rompe o que está programado, é um
vento de liberdade, fonte de vida expansiva.
Um vento que sacode nossa casa, que a enche de luz e segue
adiante, que traz pólens de primavera e dispersa a poeira, que traz fecundidade
e dinamismo para o interior de cada um, «esse vento que faz nascer os
garimpeiros de ouro» (G. Vannucci).
Vivemos um permanente Pentecostes. Quando sentimos medo é
porque nos centramos em nós mesmos, nos auto-referenciamos, e a realidade nos
força a buscar refúgio e proteção. Nossa fragilidade e a violência do mundo nos
alarmam e buscamos segurança e conservação. Mas isso dificulta anunciar o
evangelho, levar a boa notícia ao mundo e impede nossa própria realização como
cristãos, pois apaga nossa criatividade e esvazia nossa presença inspiradora.
Celebrar Pentecostes é acreditar que “outra igreja é possível”, que temos de
superar nossos medos para construir e ser a comunidade da confiança, aquela que
se arrisca na missão e no exercício da misericórdia, aquela que se descobre
como fermento no meio da massa e leva a alegria do evangelho.
O medo, a obscuridade e o fechamento da “casa interior” se
transformam, agora com a presença do Espírito, em paz, alegria e envio
missionário. São sinais palpáveis da ação misteriosa e transformante do
Espírito no interior de cada um e da comunidade.
Na vida cristã, ser espiritual faz referência ao Espírito de
Deus. “Espirituais”, de algum modo, somos todos, mas a chave para deixar que
essa dimensão da vida cresça está em facilitar que, dentro de nós, o Espírito
de Deus tenha espaço para mover-se, ressoar e suscitar inquietações. Não se
trata de que, ao habitar-nos, o Espírito nos invada. Antes, trata-se de uma
convivência que potencia o melhor de nós mesmos, que faz que a solidão seja
habitada e mantém os sentidos muito mais alerta.
O Espírito ressoa na oração, na atividade, ao ver o
noticiário, ao dar um abraço, ao ler um livro, em uma canção, ao contemplar um
quadro, fazendo um passeio, escutando alguém que nos fala de sua vida... Ressoa
na história e na imaginação que nos convida a sonhar um futuro melhor. Ressoa
no encontro humano. E, sob seu impulso, amadurecem em cada um de nós aquelas
atitudes que nos levam a viver com mais plenitude: compaixão, justiça, verdade,
amor...
A violência, a injustiça, a intolerância e o preconceito em
todos as instâncias da sociedade atual nos enchem de medo, desalento e
desesperança. Não vemos saída e preferimos fechar-nos em nós mesmos, em nossos
ambientes mofados e práticas religiosas alienadas, esquecendo-nos do grande
movimento de vida desencadeado por Jesus, conduzido pelo Espírito de vida. É
este mesmo Espírito que irrompe em nosso interior, transpassa as portas do
coração e ilumina o entendimento para que compreendamos a novidade do Evangelho
e tenhamos presença diferenciada no contexto em que vivemos.
Deixar-nos habitar pelo Espírito implica romper a bolha que
asfixia nossa vida e derrubar os muros que cercam nosso coração e atrofia nossa
própria existência. A mudança de mente, de coração, de esperança, de
paradigmas... exige que todos, em tempos de Pentecostes, revisemos nossas
vidas, conservando umas coisas, alterando outras, derrubando ideias fixas,
convicções absolutas, modos fechados de viver... que impedem a
entrada do ar para arejar o próprio interior.
Nada mais contrário ao espírito de Pentecostes que uma vida
instalada e uma existência estabilizada de uma vez para sempre, tendo pontos de
referência fixos, definitivos, tranquilizadores... Numa vida assim faltaria por
completo o princípio da criatividade, a capacidade de questionar-se, a audácia
de arriscar, a coragem de fazer caminho aberto à aventura.
Há em todo ser humano uma tendência a cercar-se de muros, a
encastelar-se, a criar uma rede de proteção. Também os cristãos não estão
imunes a esta tentação. A cultura da indiferença edifica uma barreira
intransponível entre nós e os outros. Tornamo-nos uma ilha sem vida e triste,
negamos a condição criatural de vivermos ao lado dos diferentes, nossos semelhantes.
Em nós, a indiferença, a intolerância e a violência são sintomas de
desumanização. E essa desumanização é tanto prejudicial a nós quanto às outras
pessoas. Todo mundo perde. Aos poucos, nos recolhemos em nossos medos, em
nossas inseguranças e começamos a acreditar que os diferentes são nossos
inimigos. A partir de nossa reclusão religiosa, social, política..., passamos a
divulgar discursos fascistas, alimentar práticas fundamentalistas de
segregação, apoiar-nos em moralismos estéreis...
O Espírito de Pentecostes nos desarma e nos capacita a viver
a cultura do encontro; isso significa desenvolver a própria capacidade de
contemplação, de compaixão, de assombro, escuta das mensagens e dos valores
presentes no mundo à nossa volta. Ela ativa uma relação sadia com todos; o
centro se expande em direção aos outros e à criação, fazendo-nos viver uma
conexão livre com toda a realidade, através da íntima solidariedade e do
compromisso ativo.
Texto bíblico: Jo 20,19-23
Na oração: Quê sinais da presença dinamizadora do
Espírito de Deus você pode perceber em sua vida pessoal, familiar e
comunitária?
Você conhece pessoas que atuam sob a ação do Espírito? Por
quê? Quê você pode fazer para descobrir e potenciar os dons e ministérios que o
Espírito continua suscitando nas pessoas e comunidades?
- Faça um tempo de oração mais profunda, procurando escutar
as moções que o Espírito suscita em seu interior e que talvez não tenha
condições de escutar na pressa diária.
- Que portas você mantém fechadas? Que portas continuam
fechadas nas igrejas? São portas, ou se converteram em fronteiras? Por medo de
quê? De quem?
Ao receber
dos Editores o livro de poesias “Imagens Mutiladas”, de Luiz Gonzaga Dias,
poeta baiano, para algumas palavras de apresentação, após leitura demorada,
penso que qualquer cousa que se diga, sempre será muito pouco. Quando se fala
da Bahia, aqui no Sul, temos a impressão de pauperismo. Entretanto, a terra do
autor é uma dessas aldeias que me acostumei a ver no Nordeste, quando fui
lecionar em Pernambuco. Ao olhar as fotografias de São Felix, temos a vaga
ideia de uma cidade perdida nas suas tradições.
Terminada
a leitura, temos a impressão de angústia e de que o atavismo do destino tenha
perseguido o autor. Mas a finalidade de seus versos se evidencia pelo cunho
religioso, como em “Temor”, ora pende para o amargo travo da existência como em
“Dualismo”, aparecendo o filósofo perdido no cosmos.
Se existe
beleza em poesia, podemos tomar como exemplo, certamente, os sonetos “Natal dos
corações bons” (E mensagens de amor pelos caminhos), ou então o soneto “Verão”
(E sorrisos de luz pelos caminhos).
Essas
frases recordam o saudosismo de Vicente de Carvalho, quando descrevia o caminho
feito de espumas, os punhados de claridade esparsos pelas ondas.
Entretanto, a influência ‘bilaqueana’ mostra-se nos sonetos “Almas
Mortas”, “Morreu uma Ilusão”, “Maestro Chiquinho”. Neste último derrama-se
tanto a efêmera banalidade do cotidiano quanto a suprema ventura de ser um mito
ou uma quimera, a dantesca glória de ser um maestro louco, pagando assim um
alto preço à imortalidade.
O autor,
parece-nos também, não fugiu à leitura de Augusto dos Anjos, como por exemplo
nos poemas “Convicção”, “Não gostei não”, “Escrúpulo”, “Antero de Quental” e
tantos outros colhidos ao acaso, dentro desta limitação em que vivemos de tempo
e de vontade afundados no marasmo da vida, sem liames com as cousas do
espírito. Por isso é uma heroica aventura publicar um volume de poesias (tanto
para a editora como para o autor), em um país como este, onde os gestos
fidalgos não têm seguidores a apenas avulta a mediocridade.
A cólera
que sacode o justo, que grita contra esse estado de pauperismo moral (da elite)
e físico (do proletariado), não encontra senão esparsos ecos.
E o
problema do conflito de classes não deixa de ter espaço, principalmente em
“Escrúpulo”, “Causa Antiga”, “Ironia das guerras civis”, mas não é uma
constante no volume, como realmente deveria ser. Porque é através dos poetas
que se faz a preparação para as lutas imortais de todos os povos, para a conquista
da liberdade real, não apenas fictícia.
Mas, como
grandeza perene do livro, resta uma noção de fetichismo, de qualquer cousa de
bem brasileiro, como por exemplo a solidão dos sertões tão à mostra na obra de
Euclides da Cunha.
Ou então aquele atavismo presente em
“Inocência” que nos apresenta alguns dos tipos mais sofredores de toda a nossa
literatura, caminhando passo a passo com os romances de Graciliano Ramos ou as
obras de Jorge Amado, onde a literatura madura chega, para tornar-se daí para a
frente imorredoura. Quando chegará, para o povo, o tempo em que a literatura há
de cantar suas canções?
Qual a
literatura que não ficará eterna, reproduzindo esses anseios?
Estamos na novena preparatória para a vinda do Espírito
Santo. Nós já o recebemos na forma da misericórdia, no nosso Batismo
e o perdão. (Jo.20,21-23). No dia de Pentecostes, O recebemos em plenitude
para a Missão. "Sereis as minhas Testemunhas..." (At. 1,8; Mt
28,19-20).
Abramos o nosso Coração de par em par para o
receber.
................
4/6/2019
Interessante: para o Natal nós nos preparamos
com entusiasmo e investimos para as coisas externas. Para Páscoa nós
nos preparamos mais espiritualmente e menos externamente.
O Pentecostes passa, quase despercebido. Jesus, depois da ressurreição
ensinou com muita ênfase aos apóstolos sobre o Espírito Santo! Entrega a
Igreja, o seu crescimento e direção aos apóstolos, assistidos pelo
Espírito Santo. A vindo do Espírito fez diferença neles. Ele os transformou.
Qual importância damos ao Espírito em nossa vida cotidiana?
...............
5/6/2019
Todos recebemos o dom do Espírito, porém como ensina, São
Basílio Magno, (sec. IV) "não a todos da mesma medida, mas distribuindo os
seus dons em proporções da fé ".
Jesus na despedida dos apóstolos disse: "Ide pelo mundo
e proclamai o Evangelho... quem crer e for batizado será salvo" (Mc.
16,17ss).
O Espírito Santo está em cada um de nós, e nos dá a
totalidade das graças que necessitamos, mas, na medida da nossa fé. Este
é o ensinamento unânime dos padres da Igreja, dos primeiros séculos. A
única condição de receber a plenitude dos dons do Espírito é a fé
................
6/6/2019
É fácil falar do Espírito santo, mas é difícil
compreender a sua ação na Igreja. Não O vemos, mas os efeitos da sua
ação se tornam visivelmente gritantes.
Como entender um jovem médico, ou médica, bem sucedidos,
deixar tudo, e por amor a Jesus e o próximo, oferecer-se aos cuidados
"das periferias humanas" no grupo de "abnegados médicos sem
fronteiras"... ou um padre, religiosa ou leigo, motivados também por amor
a Jesus, dedicar toda a sua vida aos moradores de rua... recuperação dos
perdidos... às que a sociedade prostituiu... ou ainda, uma mãe ou pai cuidar
com tanto carinho e amor o seu filho com deficiência, adquirida (por acidentes)
ou nata? Não tenho resposta... Só admiração e o ato de fé: é obra do Espírito
santo...
Ele age em nós e por meio de nós (Fl. 2,13) em infinitas
situações onde se encontra o ser humano.
..................
7/6/2019
O espirito Santo têm a sua morada em nós. São Paulo, na
carta aos Romanos, escreve bem claro: O Espirito Santo habita em nós,
(Rom.8,9). E continua a sua bela explicação: se o Espirito que ressuscitou
Jesus habita em nós, então, assim como ele agiu em Jesus age em nós também.
(Rom.8,11).
Que dignidade têm a pessoa humana! Que respeito deve ter
cada pessoa!
Aí se explicam tantas obras maravilhosas e encantadoras dos
cristãos na Igreja. Porque é o Cristo, por meio do seu Espírito, que as
realiza, servindo-se das pessoas humanas.
..................
8/6/2019
Maria foi primeira a receber o Espírito Santo, porque
já na Anunciação: "concebeu por obra do Espírito Santo" (Lc. 1,3 5).
Logo leva esta alegria a Isabel, que por meio da sua visita também recebe o
Espírito Santo (Lc.1,41).
No dia de Pentecostes, recebe este mesmo Espírito para
confirmar e encorajar os Apóstolos na sua Missão (At. 1,14-15). Que Ela nos
ensine ouvir o Espírito Santo e seguir suas inspirações no dia a dia.
Com Maria, a benção e oração. Dom Ceslau.
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Dom Ceslau Stanula,
Bispo Emérito da Diocese de Itabuna.
Escritor, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL.
Na maioria dos livros e das pregações evangélicas, seus
autores falam mais do Diabo, do que todos os apóstolos disseram sobre ele na
Bíblia Sagrada. O mais pertinente e grave deste detalhe é que, a cada um dos
pormenores, parece até que o Diabo e eles são afins e cúmplices, há muito
tempo.
Há comentários sobre tudo. Fazem uma verdadeira
autobiografia, como se ele fossem. As informações vão desde o seu odor pessoal,
ao seu modo de pensar, de vestir-se, da sua práxis e até dos seus sentimentos
íntimos. Traçam um retrato físico e psicológico perfeito, daquele que se tornou
o ser mais indigno da criação divina.
Desde a época de Lutero, esse quadro vem se desenhando.
Naquele tempo, já se associavam odor de enxofre do pum ao cheiro do diabo.
Tinha-se o hábito de riscar o fósforo para acabar com o fedor, mas esse
reformista recomendava que substituíssem o fosforo pelo pum, soltando-o na cara
do diabo para afastá-lo.
Já imaginaram se todos os fiéis reunidos numa igreja,
decidissem que um irmão estava com o demônio e resolvessem afastá-lo com um pum? A igreja
ficaria com um cheiro insuportável. Os fiéis não assistiriam nem a metade das preleções
evangélicas. O templo teria que ter um teto, com abertura móvel acima da cabeça
de cada fiel, que assistiria o culto sentado, levantando-se para colocar as
narinas do lado de fora, todas as vezes que tivesse uma sessão de cura,
motivada pelo pum coletivo.
A exposição do perfil daquela entidade tornou-se o
fundamento para institucionalizarem a vigília do medo. O conteúdo e a ênfase
que dão ao discurso evangélico, não nos permite outra interpretação. Os fiéis
temem mais ao Diabo do que
tem fé em Deus. Falam
mais do mal e do seu criador do que de Deus e da mensagem divina.
Mas, mesmo assim, devido a quantidade de adeptos e de
templos construídos, sem os fiéis questionarem a qualidade da mensagem proferida,
a religião da tirania psicológica foi legalizada.
O canto agourento
quando canta no galho seco. Cruz-credo, não sossega, com que insistência magoa
o peito. O tempo anuncia com estiagem demorada, canta perto e longe. Céu de
fósforo o amanhecer, forno quente no poente. Bocas na amplidão de fome e sede.
Os pais, a mulher, os filhos pequenos, todos ouvindo o canto atanazado, ferindo
os tímpanos. Manhãs e tardes. O pai: Não esmoreça nem desespere. Espereque cante no galho verde. Lembre disso: No
galho seco é do demo. No verde, canto bendito, o melhor tá pracontecer. O céu
junta fiapos de nuvem no começo. Não demora de escurecer o teto. Vem chuvisco
de primeiro, chuva de segundo, no fim aguaceiro. Relâmpago, trovão, temporal.
Vento valente vira vendaval. Terra e água, uma só liga, mundéus. Quando o sol
então abre o olho, a flor brota do chão humoso. Tronco morto vira árvore, o
gavião rei amanhece. Pelos ares circulam cantos, nas folhas o brilho dos
pingos, no seio da natureza generosa tudo é festejo.
Atravessar
males da estiagem, ouvindo o canto agourento, veja que Deus tarda, mas não
falha, eis que um dia vem cantar no galho verde. Bom lembrar que acontecerão as
flores, virão pra compensar os sentimentos esvaídos quando o canto é triste,
repetido. O pai ouviu isso do avô, que ouviu do bisavô, que ouviu do trisavô,
que ouviu do tetravô, que ouviu do tempo infindo.
Crendice
besta de velho sem juízo. Fizera pouco dos ditos, os ouvidos entupidos praquele
tipo de iludição. O que existe mesmo pro pobre é trabalho muito e o pouco
de-comer, vidas secas, destino. Pobre nasceu pra ter na vida só secura, foi o
que se deu com o pai, a mãe, os irmãos pequenos. Como dói olhar as cruzes deles
nas covas junto do lajedo. Lembrar dos corpos com pele e osso. Olhos mortiços.
Agora
enfrenta essa estiagem braba há quase um ano. Nada pode fazer. Como brasa céu e
margem. A história novamente acontece. Canto, encanto, desencanto. Frutos
murchos, folhas mortas, choro oco, grito sem eco. Ele e o deserto, só deserto.
Ares da morte nas pedras, tocos, troncos. Diabo de canto resinguento. E ainda o
coro dos filhos nos pedidos: “Tou com fome, tou com sede.” Surdo ele, muda a
mulher. O coração de cada um doendo, a fome roendo nas tripas.
Quem tem
medo de acauã?
Rumores,
clamores, tremores: humanos anseios. Sonha com a chuva, no íntimo querendo ver
a flor, o fruto, pegar o verde. Inundar o olho alegre pela terra como brasa
verdejante, de tanta beleza e brilho.A-c-a-u-ã, a-c-a-u-ã, a-c-a-u-ã, o canto do Cão no arvoredo seco. Tenso
apalpando, segue ouvindo, desespero no corpo, raiva marca o ritmo da mente.
Mira perfeita, dedo no gatilho, a bala bem no peito.do bicho. Como se saísse
pela goela seca, latejando ódio, vendo o bicho cair junto aos pés. Troço
nojento, tão ruim quanto veneno!
Quem falou
que emudeceu? Na serra, baixada, jaqueira no terreiro. Depois do acontecido,
mais cantou. Que estranha magia rege este canto secreto? Psiu, veja, homem de
Deus, chuvisco, daqui a pouco chuva, em pouco tempo aguaceiro. É mesmo?
De cara
virada para o céu, chumbo, a chuva como chumbo batendo na terra, o pai não
disse? Esqueceu? Por que não quis ouvir o que os mais velhos bem conhecem?
Encharcando-se, sentado no cepo do ipê, lambendo os pingos. Do estômago à boca
há um gosto diferente. Sal de lágrima misturada com a água que cai do céu.
Escorre bendita por entre rachaduras, noites mal-dormidas. Ele todo febrento.
Não é que o bicho cantou no arvoredo verde? Enfim, os olhos com visões alegres:
capim chovido, a natureza toda alaridos.
Solitário,
cabisbaixo, a tristeza de dentro dele quer saber:O que é, o que é, põe o sol como hóspede no
arvoredo seco, esperança no galho verde quando quer?
A noite envolve o
casebre com as paredes de adobe exalando o cheiro de barro molhado. Ferrado no
sono. Decerto um canto propaga-se no sonho, atravessa caminhos sob o silêncio
da noite turva. Preserva o mistério das falas. Sabe o flagelo do sol, o prazer
da chuva.
De jejuns, de água. Desencanto ou encanto. Lá fora quieto.
Por enquanto.