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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

FELIZ NATAL – Dom Ceslau Stanula

Feliz Natal

“Onde está a fila para ver Jesus, pergunta a criança a uma moça no shopping – se no Natal celebramos o seu Nascimento, Ele está na loja aqui? Porque não o vemos mais? Ele nasceu para mim. Papai Noel traz presentes, mas Jesus deu a vida por mim”. (Canto circulando na rede há poucos dias).  Fiquei pensativo e também me perguntando: “onde está a fila para ver Jesus?”. Na realidade Ele não está nas filas das lojas dos shoppings, não está nas ruas coloridas, nos palácios dos homens públicos.

Ele está nas filas do INSS, nas filas para marcar uma consulta nos vazios postos de saúde, ele está nos corredores entupidos de macas com os doentes nos hospitais, Ele está nas filas dos desempregados, está na fila dos pobres empurrados para a rua pela corrupção reinante em todos os escalões. (Mt.25,40)

“Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens” (Lc 2,14), que o encontraram e levaram consigo para o Presépio do seu coração com carinho, amor e esperança. 

Feliz Natal e Abençoado Ano Novo.

São os votos do amigo e irmão

Dom Ceslau Stanula, CSsR

Bispo Emérito de Itabuna.

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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

CÉLULA DE LUZ - Dassigny


Célula de Luz

Como Célula de Luz
Libere sua energia ao redor
Ilumine quem estiver por perto.
Seja a LUZ na vida de alguém
Seja Célula de Luz agora
Você é! Você sabe!
Você sente o Fogo da Luz em você.
ILUMINE. BRILHE. LUZ INTENSA!

Na luz do dia, Em plena Luz do dia
Lembre-se da Luz que você é!
Lembre-se da consciência que você é!
Lembre-se da Luz divina que você é!

Lembre-se dessa Luz
Que vestiu um corpo humano
Para respirar a brisa
Que vem do mar ou da mata
Respirar a brisa
Carregada de aromas vegetais!

Para admirar a beleza do pôr do Sol
Respirar o luar
Nadar no mar
Andar ao luar
Para compartilhar da Grande Aventura!
Compartilhar da Permanente
Criação do Universo!

Assim, nesse estado de graça
Nesse estado de felicidade
De realidade plena
Com carinho, Lembre-se
De um momento de plenitude!

Lembre-se desse dia quando você
Estava ao melhor da sua vitalidade!
Você estava passeando
na beira mar ou na mata.

Deixe seu corpo lembrar-se!
Lembrar-se dessa sensação
de Paraíso Terrestre!
Seu corpo lembrar-se dessa leveza
Dessa força tranquila
Dessa vitalidade encantada!
Você admirava a beleza de uma árvore
As ondas do mar na praia
Com seu corpo admirava
A beleza natural do lugar.

E você sabe, seu corpo sabe!
Assim fazendo, você está falando
Com uma tremenda inteligência
Com a inteligência orgânica em você.
Assim fazendo
Essa inteligência orgânica em você
Lembra-se como manter uma saúde plena
Uma saúde de Paraíso Terrestre
Em alegria com a Natureza
Com a Vida.

Com seu corpo inteiro sentindo
Lembrando-se desse passeio
em plena felicidade
Deixando o passeio de novo
Encantar seu corpo
Alegrar-se no seu corpo
Deliciar-se!

E enquanto seu corpo memoriza
Esse bem estar em plenitude
Você continua lembrar-se
E deixa nascer Em você
Uma canção
Como uma respiração!
Como a respiração que vem da terra
Vem do mais profundo
Vem das raízes das plantas
Da terra, da Terra Divina

A canção natural
Das árvores
Das plantas
A canção da seiva e da primavera
Subindo da terra
Subindo no seu corpo
O cantar dos pássaros
A beleza do levantar do Sol
Massageando seu corpo
Deliciando-se no seu corpo!


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Enviado por: " Gotas de Crystal" <gotasdecrystal@gmail..com>

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RIO DE JANEIRO ANTES E DEPOIS, de CYRO DE MATTOS

A primeira vez que vi o Rio de Janeiro foi pela janelinha do avião. Perde-se na memória dos anos quando isso aconteceu. Por ter sido aprovado no exame do vestibular do curso de Direito, em Salvador, recebi como presente do pai uma viagem para conhecer o Rio de Janeiro onde permaneceria durante trinta dias, divertindo-me e conhecendo os lugares pitorescos da cidade cantada como maravilhosa em nosso cancioneiro.
  
Na minha terra natal, no interior da Bahia, e em Salvador, onde fui estudar o curso clássico, ouvia ser chamada de maravilhosa a cidade que seduzia os brasileiros e gente que vinha do estrangeiro para conhecê-la de perto, com o seu jeito mestiço e alegre. Uma canção dizia que Copacabana era a princesinha do mar, não existia praia mais bela cheia de luz, nas suas areias desfilavam sereias.

O Maracanã tinha jogos empolgantes, entre as principais equipes cariocas, era uma festa de bandeiras, erguidas por torcedores vibrantes, a cada lance empolgante da partida jogada no tapete verde. De qualquer lugar você via o Cristo abençoar a cidade, os generosos braços abertos ao abraço imenso. O bondinho do Pão de Açúcar transportava gente brasileira e do estrangeiro para lá em cima do morro percorrer os olhos deslumbrados pela paisagem da cidade embaixo, cercada de morros e favelas, povoada de edifícios como espigões que furavam o céu.

Do Pão de Açúcar você tinha a cidade a seus pés, pressentindo-a com o seu ritmo por dentro, na alegria que irrompia do futebol no Maracanã e nas escolas de samba quando chegava o Carnaval. Havia, nesse tempo bom para ser vivido, sempre um sorriso na passagem da vida, embora as favelas fossem se expandindo por vielas e becos, intimidando lá do morro com as quadrilhas disputando o poder no tráfico de drogas. Gente perigosa descia a ladeira e no asfalto investia contra a cidade, tendo no rosto o espanto do assalto acompanhado da morte.

A cidade ainda não ultrapassava os limites sem fim do seu galope amarelo. Na Rua do Catete, por exemplo, com sua gente nas esquinas, discutia-se futebol e política, as luzes dos postes iluminavam à noite os ônibus e carros que passavam, alguns gatos fugiam dos velhos casarões e vinham caminhar nos passeios. O bairro do Flamengo era povoado de bares, lojas e pensões, o vento trazido do mar despejava o cheiro de maresia nos ares em silêncio.

Durante o dia, no centro, a cidade acontecia com um povo afobado, andando com pressa, a subir nos ônibus, a encher os cafés e as lojas, a entupir os passeios, a zumbir como abelhas nos ruídos de uma colmeia gigantesca. O barulhão dos motores e das buzinas, o fumaceiro dos ônibus, os sacos de lixo nas calçadas, fregueses comprando jornal ou revista nas bancas do passeio e das galerias, tudo isso enchia de prognósticos a vida diária, que a cada dia aumentava com sua gente, entre o alegre e o triste, pressentida do prognóstico que iria extraviar-se por várias direções.
  
A cidade ainda era cantada em prosa e verso como a que tinha encanto de sobra, chegando a causar arrepio. Naqueles idos de 1968, depois da refeição do jantar, ia com a esposa fazer o percurso entre a Rua Correia Dutra e o Largo do Machado. Era bom caminhar despreocupado. Sentir o movimento da cidade que passava segura, sem muita pressa. Voltávamos de mãos dadas, sem ter medo de nada, pois aquele vento bom, que vinha do mar, dava-nos a certeza de que viver naquela cidade grande valia a pena, chegando a ser um privilégio.

Depois de transcorridos alguns anos na cidade grande, voltei a residir em minha terra natal, no interior baiano. Os três filhos, já criados e casados, deram-me seis netos. Quanta generosidade da vida! Se me perguntassem se gostaria de morar hoje no Rio de Janeiro, seria difícil dizer sim. Nem sempre é fácil um homem do interior acostumar-se a morar numa cidade imensa, com ritmo veloz e intenso nos tempos de hoje, de disputa exacerbada pelo espaço, para não se falar do medo que ultrapassou os limites de seu galope amarelo.

Medo de ir ao supermercado. Medo de andar de ônibus. Medo de sair de casa e não voltar. Medo de ser alcançado pelo tiroteio trocado entre a polícia e os traficantes de droga, em plena luz do dia. Medo de ser atropelado por um ônibus, que subiu desembestado no passeio. Medo de ser morto pela briga das torcidas antes mesmo de o jogo ser iniciado. Medo de ser pisoteado na passeata pela multidão, que de repente confrontou-se com a facção rival. Medo de ser queimado no ônibus. Medo de ser morto por uma bala perdida quando estava rezando na missa.

Meu Rio de Janeiro, apesar de todos os traumas dos tempos atuais, gosto muito de você.

*Baiano de Itabuna, onde reside, Cyro de Mattos é contista, novelista, romancista, cronista, poeta, autor de livros para jovens e crianças, organizador de antologia e coletânea. Já publicou quarenta e três livros pessoais no Brasil e doze no exterior: Portugal, Itália, França, Espanha e Alemanha. É membro efetivo da Ordem do Mérito da Bahia, Pen Clube do Brasil, Academia de Letras da Bahia, Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras de Itabuna. Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Sul da Bahia). Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México.

Posted by Ivo Korytowski at 10:55   
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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

POEMA DE NATAL – Vinícius de Moraes

Poema de Natal


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.


Vinícius de Moraes, Rio de Janeiro, 1946 )
(conferido com o filme Vinícius e no site oficial do poeta)
Enviado por << “A Magia da Poesia” >> Desde 1999, este projeto divulga poemas de grandes poetas sem erros ou falsas autorias.


* * * 

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

ITABUNA – Gabriel Nascif

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
ITABUNA


MINHA ITABUNA,
cidade recém-nascida
dos conflitos coronelísticos
e das brigas pelas arrobas
de cacau...

MINHA ITABUNA,
tu és como uma criança
de olhar silencioso,
crescendo despercebida
com esse teu aroma
cacauicultado,
varrendo
a solidão
do RIO CACHOEIRA.

MINHA ITABUNA,
lâmpada do Sul do Estado
que irradia um fogo como fogazal
em forma geométrica
para ILHÉUS e ITAJUÍPE
que têm o mesmo metabolismo,
o  mesmo cacau, o mesmo pau d’arco,
o mesmo vinhático, um pouco
de seringa cristalina e, ainda,
a eternidade dos versos
de Firmino Rocha. 
Gabriel Nascif
                 (O SOPRO DO CACHOEIRA) 
---

Telmo Padilha, autor de Girassol do
espanto, Ementário, Onde tombam os
pássaros, Pássaro/Noite, Canto rouco,
Voo absoluto e Poesia moderna da
região do cacau, assim se expressou
sobre este livro de Gabriel Nascif
Souza:
         
Gabriel Nascif  não é mais um poeta que surge na Região do Cacau, mas um que vem para ficar e que por certo ficará. Ficará porque possui aquelas qualidades que indicam o verdadeiro poeta, o que tem um recado a dar e sabe como fazê-lo. O SOPRO DO CACHOEIRA, que li nos originais, marca sua estreia em livro.

TELMO PADILHA

* * *

O BRASIL CARCARÁ - Péricles Capanema

18 de dezembro de 2017
Péricles Capanema

Procurava subsídios para artigo e encontrei aos montes o que não esperava. Foi assim. Em vez de fixar a atenção apenas nas colaborações para os sites políticos das mais variadas orientações, voltei-a para a seção de comentários. Deparei-me com o horror. Mares de opiniões pavorosas pela irreflexão, superficialidade, insciência, despropósito, primarismo e boçalidade; aqui e ali, pérolas nos brejos, observações inteligentes.

Aproveitei o embalo e, para verificar se o fenômeno era generalizado, fui espiar por alto repercussões em sites de futebol, mundo do espetáculo e algo mais. Mesma coisa. Propositadamente deixo de lado o enorme monturo da linguagem chula e dos palavrões. Não recomendo a peregrinação deprimente.

Lembrei-me quase automaticamente de desabusadas e já antigas ponderações de Nelson Rodrigues: “Antes, o silêncio era dos imbecis, hoje são os melhores que emudecem. Até o século 19 o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Aquele sujeito que antes limitava-se a babar na gravata passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente. Houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas. Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas, hoje, os idiotas pensam pelos melhores”.

A lógica empurra o jornalista para a conclusão: “O grande acontecimento do século [20] foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”. Existiriam aos milhares, mas não vou memorar casos engraçados, nem piadas sobre a idiotice. Bastaria empilhar trechos dos improvisos, qualquer deles, da ex-presidente Dilma Rousseff para provar pela evidência como andava certo Nelson Rodrigues.

Um só, em Nova York. Ali, logo depois do discurso inaugural da assembleia da ONU, feito pelo Brasil, achando que dava o grande, disparando conselhos, procurando impressionar públicos de outros países, assim se saiu a nossa então Presidente: “Até agora, até agora, a energia hidroelétrica é a mais barata. Em termos que ela dura, da sua manutenção e também pelo fato da água ser gratuita. E da gente podê estocá. O vento podia ser isso tamém, mais ocê num conseguiu ainda tecnologia pa estocá vento. Então, se a contribuição dos outros países, vamos supor que seja desenvolver uma tecnologia que seja capaz de na eólica estocá, ter uma forma docê estocá, porque o vento, ele é diferente em horas do dia. Então vamos supor que vente mais à noite, cumé que eu faria para estocá isso? Hoje, nós usamos as linhas de transmissão, cê joga de lá pra cá, de lá pra lá pra podê capturá isso”.

A nossa Presidente, em golpe de genialidade, na exposição solicitava aos outros países que desenvolvessem tecnologia para estocar vento.

Repito, não é exceção, é apenas exemplo delirante (nada no trecho tem pé nem cabeça) de fenômeno generalizado. Disparates desse nível intelectual se encontram aos milhões em comentários na rede sobre os mais diversos temas. De fato, lá tem coisa pior. De irmãos nossos, brasileiros, enfim, e até de boa orientação. E, como a ex-presidente, arrogantes, pretensiosos e autoconfiantes.

Assim, não convido para rir, o riso seria — de novo Nelson — o disfarce de mágoa incurável, são retratos de nossa decadência. “Assim é o brasileiro, tem sempre uma piada fulminante, não temos dinheiro, mas temos a anedota”, outra observação do escritor recifense.

Tudo isso está muito entranhado no Brasil, arrancar tais raízes demanda décadas (com otimismo). E será nesse ambiente que se darão as eleições de 2018. Então, com realismo, temos de nos preparar para o pior, fazendo tudo ao nosso alcance para que tal não ocorra.

Só outros hábitos nos tirariam do buraco. Lembro alguns. Observação minuciosa, paciente e aplicada da realidade. E depois, com base no material trabalhado e nas leituras, refletir com humildade, despretensão, serenidade. Opinar? Sim e muito. Mas tão-somente quando tiver alguma coisa de realmente útil para o enriquecimento do debate, mesmo os domésticos. Já seria um começo.

A generalizada atmosfera de excitação, caldo de cultura para opiniões definitivas e bestas, traz logo após o abatimento e a desorientação. Daí escorrega para o irrealismo, a subserviência a clichês ocos e o desastre. Fracasso não só pessoal, já seria lamentável, mas do Brasil. Em especial vale para os jovens, e lá vou eu atrás de outro dito do grande dramaturgo:

“Se o homem de uma maneira geral tem vocação para a escravidão, o jovem tem uma vocação ainda maior. O jovem, justamente por ser mais agressivo e ter uma potencialidade mais generosa é muito suscetível ao totalitarismo. A vocação do jovem para o totalitarismo, para a intolerância, é enorme. Eu recomendo aos jovens, envelheçam depressa.”

Enquanto lia a seção dos leitores de vários sites, irritantemente me voltava à memória o refrão de conhecida música “Carcará, pega, mata e come”. Magro, feioso e voraz, um solidéu de penas pretas na cabeça, o pássaro carniceiro só sabe pegar, matar e devorar. Na paisagem sáfara, lá fica ele no alto, indiferente a tudo, menos às presas. Desce rápido e as estraçalha. Pousa então em galhos das árvores, cabeça alta, bicão tosco levantado. Logo depois volta a fazer o mesmo. É sua existência, bom símbolo de cegueira para a realidade, pensamento mínimo e arrogância.

Termino com bonito, quase tocante, trecho de Nelson Rodrigues: “O ser humano é um caso perdido. E falo isto com a mágoa de quem queria ser um santo. O único ideal que eu teria na vida, se fosse possível realizá-lo, era ser um santo. Eu queria ser um sujeito bom. A única coisa que eu admiro é o bom, fora disto não admiro mais nada”. Programa para cada um, para o Brasil, apropriado especialmente para dias do Natal.



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SINTOMAS DE PSICOSE – J.R. Guzzo

Quanto mais afunda, mais o ex-presidente Lula fica bravo. Pior para todos
Por J.R. Guzzo
Publicado em 18 dez 2017 
O ex-presidente Lula durante discurso após depoimento ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba (Vagner Rosário/VEJA.com)

O ex-presidente Lula vai acabando mal este 2017, o ano em que foi condenado a nove anos e meio de cadeia por corrupção e, com isso, sofreu o pior desastre de toda a sua carreira política. A imagem que deixa aos olhos de todos é a de um rosto irado, chamando o Brasil para a briga a cada vez que abre a boca, numa gritaria permanente contra as leis do país, insultos ao sistema de justiça que o deixou nu e ameaças de se vingar de todos os inimigos imaginários que cria, o tempo todo, para explicar a si mesmo por que despencou de tão alto para tão baixo. Nunca lhe passa ela cabeça que o seu principal inimigo foi ele mesmo, e que seu engano fatal foi deixar-se cegar pela soberba – tomou, sozinho, todas as decisões políticas que arrasaram a sua vida e decidiu, também sozinho, que era um ser divino incapaz de errar.

Lula chegou, agora, a essa caricatura que todo mundo está podendo ver: uma espécie de Mussolini meia-boca, que deixaram solto depois que caiu do governo, tentando chamar de volta as multidões para transformá-lo de novo num homem poderoso e dar-lhe a posição de condutor vitalício do povo brasileiro. Mas a sua demagogia está aguada, muito distante da flama manejada com tanta destreza pelo modelo original. É um Mussolini sem as promessas de um grande futuro e sem a massa lotando as praças. O que diz já foi dito, o que promete é incompreensível (se vai fazer, porque já não fez nos quase catorze anos em que mandou no país?), e a sua praça só tem as camisetas com o vermelho cansado do PT. Virou, pelo visto em suas últimas aparições, um beato que continua anunciando o fim do mundo, ficou repetitivo e está em mau estado de conservação.

Toda a aposta de Lula e seu partido, hoje, se resume numa coisa só: uma virada de mesa, feita pelos poderosos que tanto criticam e com os quais se entendem tão bem, que lhe forneça algum tipo de anistia e lhe permita esconder-se num “foro privilegiado” qualquer. A partir daí, é contar com os institutos de pesquisa e jogar na chance de que a ignorância, a inconsciência e a desinformação continuem influindo nas decisões da maioria do eleitorado. Aí vai valer tudo. As mentiras que Lula tem usado, e que já estão num nível próximo à alucinação, prometem deixar para trás, a cada dia que passar, qualquer volume já anotado na história política do Brasil. Talvez já nem possam mais ser descritas como mentiras. Lula, ultimamente, parece estar regredindo ao “padrão Dilma” de discurso público, no qual é inútil a tentativa de entender alguma coisa – o que se diz simplesmente não tem pé nem cabeça.

Lula passa de 2017 para 2018 como uma ruína. Ninguém entre os 100% de puxa-sacos que o cercam lhe diz isso, é claro. Ele próprio, por sua conta, obviamente nunca tentará se informar.

 Em situações assim, é comum os psiquiatras começarem a notar sintomas de psicose. Mas aí quem paga a conta, sempre, é a população em geral – que terá nas costas, durante pelo menos mais um ano inteiro, um líder neurótico e seu partido fazendo tudo o que podem para prejudicar o país. É a única maneira que veem para sobreviver – e quem sabe, como diz o filósofo paulista Luís Felipe Pondé, criar um dia por aqui a sua “Ditadura dos Ofendidos”.


J.R. GUZZO


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