Total de visualizações de página

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

20/11 - DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro em todo o país. 

A data homenageia o Zumbi, um escravo que foi líder do Quilombo dos Palmares. Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695.

O objetivo do Dia da Consciência Negra é fazer uma reflexão sobre a importância do povo e da cultura africana, assim como o impacto que tiveram no desenvolvimento da identidade da cultura brasileira.

A sociologia, a política, a religião e a gastronomia entre várias outras áreas foram profundamente influenciadas pela cultura negra. Este é um dia de comemorar e mostrar profundo apreço pela cultura afro-brasileira.

Origem do Dia Nacional da Consciência Negra

O Dia da Consciência Negra foi estabelecido pelo projeto Lei nº 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. No entanto, apenas em 2011 a presidente Dilma Roussef sancionou a Lei 12.519/2011 que cria a data, sem obrigatoriedade de feriado.

No entanto, atualmente, o Dia Nacional da Consciência Negra é considerado feriado em mais de mil municípios.

História de Zumbi

No período do Brasil colonial, Zumbi simbolizou a luta do negro contra a escravidão que sofriam os brasileiros de etnia negra. Zumbi morreu enquanto defendia a sua comunidade e lutava pelos direitos do seu povo.

Os quilombos, liderados por Zumbi, formavam a resistência ao sistema escravocrata que vigorava, e eram os principais responsáveis pela preservação da cultura africana no Brasil.


Zumbi lutou até a morte contra a escravidão, que só viria acabar em 1888, com a abolição oficial da escravatura no Brasil, cerca de 193 anos após sua morte.

* * *

domingo, 19 de novembro de 2017

A AULA DE FILOSOFIA ENQUANTO EXPERIENCIA FILOSÓFICA É APRESENTADA PELO AUTOR FÁBIO ANTONIO GABRIEL

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Sou licenciando em filosofia, especialista em ética e bacharel em teologia. Mestre em educação pela UEPG, e pela mesma universidade, sou atualmente doutorando (bolsista CAPES/Fundação Araucária). Gosto muito de estudar filosofia contemporânea com ênfase em ética. Acredito que a existência é única e necessita ser refletida para encontrarmos o sentido para a nossa vida.
Defendo o respeito à dignidade da pessoa humana como um valor ético fundamental. Sou organizador de alguns livros pela Editora Multifoco. Entre outros, relaciono: Diálogos Contemporâneos entre Filosofia e Educação (2017); Ensaios entre Filosofia e Educação (2016); Educação Contemporânea em Perspectiva (2015).
“O objetivo é divulgar uma perspectiva de entendimento do ensino de filosofia que entende a filosofia como meio para a criação de conceitos.
Boa leitura!

Escritor Fábio Antonio Gabriel, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que diferencia um pensamento filosófico de um pensamento comum?

Fábio Gabriel - Parto da ideia de Gramsci de que todos os homens são filósofos. Acredito que todas as pessoas estão a filosofar, mesmo que não saibam a razão desse pensar; o que nos diferencia dos outros animais é justamente a capacidade de pensar e, consequentemente, de filosofar. Por outro lado, baseio-me no filósofo Deleuze para dizer que a filosofia é a arte de criar conceitos. Então responderei esta questão dizendo que um pensamento filosófico tem como especificidade ser um pensamento conceitual. Ao longo do livro “A aula de Filosofia enquanto experiência filosófica” procuro destacar que é importante que a aula de filosofia não seja algo distante da própria existência.

Em que momento pensou em escrever “A aula de Filosofia enquanto experiência filosófica”?

Fábio Gabriel - Na verdade, trata-se da minha pesquisa de mestrado sobre ensino de filosofia que acabou se transformando em um livro. Transformei-a em livro para poder socializar os resultados da pesquisa de doutorado.

Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio do conteúdo apresentado nesta obra?

Fábio Gabriel - O objetivo é divulgar uma perspectiva de entendimento do ensino de filosofia que entende a filosofia como meio para a criação de conceitos.

Apresente-nos a obra

Fábio Gabriel – O livro“A aula de filosofia enquanto experiência filosófica” destaca-se como uma obra que evidencia as pesquisas do professor de filosofia Fábio Antonio Gabriel. Neste trabalho, o autor problematiza a possibilidade de um ensino de filosofia que não esteja centrado no enciclopedismo, mas no conhecimento de filósofos, propondo um ensino de filosofia que se relacione com a existência dos próprios interlocutores. O subtítulo:“Possibilitar ao estudante de filosofia criar conceitos e avaliar o valor dos valores” descortina um entendimento das contribuições teóricas de Deleuze e de Nietzsche apresentadas no livro. A obra revela a pesquisa de mestrado sobre ensino de filosofia, realizada na Universidade Estadual de Ponta Grossa.

A orientadora, Profa. Dra. Ana Lúcia Pereira, assim afirma no prefácio: “A pesquisa de Fábio Antonio Gabriel vem ao encontro de estudos que revelam que quando a aula de Filosofia permite ao estudante criar conceitos e ou avaliar o valor dos valores está se permitindo realizar uma experiência filosófica muito além do enciclopedismo. O autor destaca ainda que essas atividades (criar conceitos e avaliar o valor dos valores) relacionam-se intimamente, na medida em que, ao criar conceitos, o estudante estará repensando seus valores e avaliando os valores vigentes na sociedade contemporânea, na sociedade em que se insere, da mesma forma que, ao avaliar o valor dos valores, o estudante também estará recriando conceitos e criando novos conceitos”.

Como seria uma aula de Filosofia enquanto experiência filosófica?

Fábio Gabriel - Uma aula de filosofia enquanto experiência filosófica é uma aula que relaciona os teóricos da filosofia com a vida. O enciclopedismo tende apenas a transmitir os conhecimentos filosóficos sem relacioná-los com a existência, e isso acaba limitando o âmbito da filosofia. Acredito que a filosofia deve estar relacionada com a própria existência das pessoas e, assim, penso que a filosofia deva contribuir para uma existência mais significativa de quem tem contato com ela.

Onde podemos comprar o seu livro?

Fábio Gabriel - O livro está disponível no site da Editora Multifoco – no link - https://editoramultifoco.com.br/loja/product/a-aula-de-filosofia-enquanto-experiencia-filosofica/ e também pode ser localizado pelo meu site www.fabioantoniogabriel.com

Quais os seus principais objetivos como escritor?

Fábio Gabriel - Não me vejo exatamente como um escritor, mas como alguém que tem desejo de pesquisar sobre o ensino de filosofia e acaba registrando e socializando seus resultados de pesquisa.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor o escritor Fábio Antonio Gabriel. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Fábio Gabriel - Termino com uma frase de Sócrates: “Uma vida que não é examinada não vale a pena ser vivida”. Nesse sentido, acredito que a filosofia pode nos auxiliar a pensar nossa própria existência e dar sentido a ela. Quando damos sentido para nossa vida até mesmo o sofrimento passa a contribuir para nosso crescimento pessoal e profissional.

No meu site você poderá conhecer mais sobre meu trabalho como professor de filosofia e organizador de livros: www.fabioantoniogabriel.com

Divulga Escritor, unindo você ao mundo através da Literatura



* * *

19/11 – DIA DA BANDEIRA: Hino à Bandeira – Olavo Bilac

Clique sobre a foto, para vê-la no tamanho original
Hino à Bandeira


Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

Refrão: Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

(Refrão)

Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amado,
poderoso e feliz há de ser!
 

(Refrão)

Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!

Refrão:Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

                                           (Poesias infantis, 1904)

 ============


Olavo Bilac (Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac), jornalista, poeta, inspetor de ensino, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16 de dezembro de 1865, e faleceu, na mesma cidade, em 28 de dezembro de 1918. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, criou a cadeira nº. 15, que tem como patrono Gonçalves Dias.

* * *

PALAVRA DA SALVAÇÃO (53)

33º Domingo do Tempo Comum
19 de Novembro de 2017

Como foste fiel na administração de tão
pouco, vem participar de minha alegria.


+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 25,14-30
- Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos:
Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens.
A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou.
O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles, e lucrou outros cinco.
Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois.
Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra,
e escondeu o dinheiro do seu patrão.
Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados.
O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo:
`Senhor, tu me entregaste cinco talentos.
Aqui estão mais cinco que lucrei'.
O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais.
Vem participar da minha alegria!'
Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse:
`Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei'.
O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais.
Vem participar da minha alegria!'
Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: `Senhor, sei que és um homem severo,
pois colhes onde não plantaste
e ceifas onde não semeaste. Por isso fiquei com medo
e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence'.
O patrão lhe respondeu: `Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e que ceifo onde não semeei? Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence.'
Em seguida, o patrão ordenou: `Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez!
Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado.
Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e ranger de dentes!'

Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.


--- 
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger Araújo: 

---
Quem tem medo do Deus de Jesus?
“Fiquei com medo e enterrei o teu talento no chão” (Mt 25,25)

A liturgia deste domingo (33º Dom TC) nos propõe uma parábola que pode ser facilmente mal interpretada; ou pior ainda, fomentar a auto-autocobrança e o perfeccionismo. E, como consequência, os sentimentos de culpa, de impotência, de fracasso...

No campo específico da espiritualidade cristã, uma leitura deturpada da parábola dos “talentos” pode conduzir a uma religiosidade perigosa por vários motivos: supõe a imagem de um Deus como um patrão que exige um cumprimento das suas ordens até os mínimos detalhes, sem admitir nenhum fracasso; fomenta a ideia do mérito e, com isso, uma religião mercantilista; alimenta um perfeccionismo – busca de um “ideal de perfeição” -, que gera muito sofrimento e farisaísmo; estimula a competitividade para ver quem consegue um “prêmio maior”... Em definitiva, aqui nos encontramos diante de uma parábola potencialmente perigosa.
       
Todos nós temos uma tendência a alimentar o perfeccionismo e a leitura da parábola dos talentos só viria confirmar essa tendência. De fato, o conceito de perfeição cristaliza-se em nós desde a infância, a partir de experiências não integradas, de sentimentos de culpabilidade, e que acabam nos identificando, no plano pessoal, como não ter defeitos, não ter fragilidades, não ter nenhuma falha ou pecado. Trata-se de um modo fechado de viver dentro do próprio eu orgulhoso, que exige o máximo esforço para não falhar em ponto algum, uma vez que o “perfeccionista” está convencido de que somente será amado por Deus e pelos outros se for perfeito. A grave consequência disso é que estaríamos pervertendo a mensagem de Jesus, centrada radicalmente na gratuidade, na compaixão e no amor.

Custa-nos reconhecer Jesus como autor da “parábola dos talentos. Mas, em todo caso, não podemos perder de vista que se trata de uma parábola, e que a leitura tampouco pode ser literal. Como ler esta parábola para poder recuperar sua mensagem genuína e, ao mesmo tempo, evitar os riscos que o próprio relato deixa transparecer?

Em primeiro lugar, coerente com a própria mensagem evangélica, só nos cabe ler a parábola como palavra de sabedoria e não como código moral; deve ser entendida a partir da gratuidade e não a partir da ideia do mérito e da recompensa. Tudo é dom e somos felizes na medida em que permitimos que esse dom se manifeste em e através de nós.

Também é importante que levemos em conta a situação concreta em que Jesus vivia quando falava em parábolas. Ele viveu situações muito conflitivas e de enfrentamento com os fariseus, os sumos sacerdotes, os mestres da lei. Mateus coloca esta parábola dos talentos em um momento de máxima tensão e enfrentamento de Jesus com os fariseus; concretamente, com o “Deus” dos fariseus, que era um Deus terrível, ameaçante e justiceiro. Aqui, nesta instigante parábola, Jesus desmascara a falsa imagem de Deus dos fariseus, que torna a vida pesada e marcada pelo medo. É como se Ele dissesse: “Meu Pai não é assim; Ele é fonte de amor, de misericórdia e só deseja que as pessoas vivam felizes, sem medo”.

Nesse sentido, é sumamente útil aprofundar e conhecer o verdadeiro sentido da parábola dos talentos. Normalmente, costuma-se explicar esta parábola dizendo que Deus dá a cada pessoa uma quantidade determinada de talentos, divinos e humanos, dos quais terá de prestar contas a Ele, até o último centavo, no dia do Juízo Final. Quando se interpreta a parábola dessa maneira, o Deus que aí aparece é uma ameaça insuportável; ao considerar a parábola como uma exortação à uma “vida perfeita”, falsifica-se o sentido autêntico da mesma. O que está em questão aqui é a “imagem” de Deus que todos trazemos.

O indivíduo que recebeu um só talento está convencido de que o “senhor”, ou seja, Deus, é “duro”, pois “colhe onde não semeou e ajunta onde não espalhou”. Esse indivíduo tem uma ideia terrível de Deus. E por isso, como é natural, “tem medo”; e o medo o leva a “esconder o talento debaixo da terra”. Isso, precisamente, foi sua perdição. O medo paralisa, ou seja, torna as pessoas estéreis. No fundo, Jesus está dizendo o seguinte: “o Deus que ameaça com a exigência da prestação de contas até o último centavo, é um Deus que bloqueia e anula as pessoas, os grupos, as comunidades”. Por isso, é urgente acabar com a imagem do Deus que ameaça, que não liberta nem cura, que nos amarra e não nos deixa viver.

De fato, a presença de Deus na vida e na história de muitas pessoas é vivida secretamente sob as vestes do temor e do medo. Um “Deus” que a todos nós pedirá contas no juízo, onde teremos de responder pelo mau uso de nossos dons; um “Deus” que nos castiga com desgraças, por causa de nossos fracassos; um “Deus” interesseiro, um senhor severo que impõe obrigações duras e dificulta nossa entrada no banquete; um “deus-patrão” que nos prende com contratos e cobranças; um “Deus” que é um constante perigo, causador do Grande Medo que nos paralisa.

Crer em um Deus que pede conta até o último centavo é o mesmo que crer em um juiz justiceiro que torna a vida amarga e pesada. Sem a superação cotidiana dos medos, nossa experiência de Deus estará comprometida, perderá sua força inovadora e nos fará menos humanos.

Para relacionar-nos humanamente com o Deus que Jesus nos revelou, o mais urgente que devemos fazer é quebrar as “falsas imagens” d’Ele que carregamos em nossas consciências, em nossa intimidade mais secreta. E a primeira e principal imagem falsa é que Deus é uma ameaça da qual devemos nos proteger.

Deus é fonte da Vida, ou melhor, o próprio Dom, o “talento” que se dá generosamente em tudo. Ao conectar com nossa verdadeira identidade, nós nos descobrimos n’Ele, não como uma presença separada, mas como nosso núcleo mais íntimo e profundo.

Essa descoberta é a fonte de nossa ação; estamos permitindo que o “talento” – o Dom, a Graça, Deus..., possa viver em nós; deixar “Deus ser Deus em nossa vida”. Tal vivência sempre dará fruto abundante. Mas o fruto não é algo conquistado, que antes nos faltara e nos é dado agora em forma de prêmio ou recompensa – para engordar o ego -; o “prêmio” não é outro que a descoberta daquilo que somos e o prazer de viver isso. O “talento” que nos é presenteado é a descoberta da plenitude que sempre fomos.

Finalmente, aquele que não faz frutificar o talento fala também de nós mesmos, quando permanecemos na ignorância de quem somos e, desse modo, “perdemos” a vida, fechados – o talento enterrado – em nossa pequena couraça narcisista. Isso significa não deixar o talento expandir e permaneceremos nas trevas de nós mesmos, perdidos na confusão e no sofrimento.

Mais uma vez, não se trata de uma ameaça e, menos ainda, de um castigo: é um apelo que nos chama a despertar, para que saiamos das crenças tóxicas que envenenam a mente e o coração, não nos deixam amadurecer no nível humano e espiritual e nos privam do prazer de viver o Dom (Talento) que nos habita.

Texto bíblico:  Mt 25,14-30

Na oração: No interior de cada um, Deus está chamando, está convidando a que ponha em movimento toda a capacidade de admiração e quer ensinar a ler e interpretar Sua presença em todas as coisas.
- pedir para experimentar, desde já, a presença do Senhor tal como Ele é, evitando todas as suas falsas imagens; diante de sua presença cada um deve sentir-se acolhido, desafiado e com uma nobre missão a realizar. 

Pe. Adroaldo Palaoro sj


* * *

sábado, 18 de novembro de 2017

VALEU, EXCELÊNCIA - Lillian Witte Fibe

Tudo pronto para mais um “desjulgamento”. Graças à ministra Cármen Lúcia, família Picciani nada tem a temer.

Por Lillian Witte Fibe
access_time16 nov 2017
O presidente do Senado e a presidente do Supremo. (Reprodução/Reprodução)

Pois é, ministra Cármen Lúcia, políticos presos seguem sendo libertados em todo o Brasil graças a seu voto de minerva.

Em nome do que, mesmo? Da segurança institucional?

Ora bolas, conta outra.

Quando a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, se reuniu com o presidente do Congresso, Eunício Oliveira, às vésperas da histórica decisão sobre o recolhimento noturno do senador Aécio Neves, minhas antenas jornalísticas me alertaram.

Mas não deu pra imaginar que as consequências seriam tão graves. Tão tristes para uma sociedade que clama pelo combate à corrupção endêmica.

Pelo fim dos bancos paralelos, das planilhas de propinas, pelo fim dos carros fortes transportando as nossas cédulas por ordem dos chefões das organizações criminosas.

A presidente do Supremo, tão experiente também em política, pois não há novatos nem ingênuos na corte, recuou num momento chave.

Poderia ter optado pela tolerância zero à corrupção, que até então parecia lhe pautar a vida. Os senadores ameaçaram desacatar o Supremo, que tremeu. Ela se reuniu com Eunício, e, em seguida, convocou o plenário. Quando deixou de lado a tolerância zero, optando pela negociação. E desempatou uma votação: cabe aos “legislativos” (câmaras municipais, assembleias estaduais, além do próprio Congresso) a última palavra sobre a punição a seus pares, a despeito do que diz a lei sobre o assalto contínuo que nos vitima a todos, o crime de roubo.

Em outras palavras: os juízes julgam, mas parlamentares… pensando bem, a única palavra que me ocorre é uma inexistente: “desjulgam”.

Parlamentares “desjulgam”.

Não há na língua portuguesa outro verbo para isso.

Aécio, foro privilegiado, foi penalizado pelo Supremo e “despunido” pelo Senado.

Daí em diante, a febre de soltura de outros corruptos reverberou pelo Brasil.

E os “legislativos”, imbuídos da autoridade que lhes foi concedida pelo mesmo Supremo, não demoraram a agir:

Portanto, a família Picciani, alvo, como sabemos, de uma das mais recentes e maiores operações da Polícia Federal, nada tem a temer.

Independente do que desembargadores decidirem hoje sobre os pedidos de prisão do Ministério Público, está tudo pronto na Assembleia para manter em liberdade seu líder máximo.

Que vem a ser pai do ministro do Esporte de Temer, Leonardo Picciani, mencionado em delação premiada.

Que pena, ministra Cármen Lúcia. Que pena.


BLOG

* * *

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

EU VIM PARA QUE TODOS TENHAM VIDA – Marília Benício dos Santos

Eu vim para que todos tenham vida


            O outono é muito gostoso. Não tem o calor agressivo do verão, nem o frio triste do inverno.

            O outono este ano veio pra valer, tomou realmente o seu lugar no dia exato, 22 de março.

            Hoje, acordei com a música da Campanha da Fraternidade em minha mente. Parecia ouvir cantar. Mas era a música que estava dentro de mim. E graças a isto, venci a preguiça e parti para o meu passeio matinal e para curtir o outono.

            Como foi agradável! Lá revi os meus companheiros que só conheço superficialmente. Ninguém se cumprimenta. Isto só acontece na roça. Também se houvesse saudações, não faríamos outra coisa.

            A praia é o lugar onde mais se sente a vida. Todos, ali, lutam por uma vida melhor. É uma festa! Homens, mulheres, crianças, velhos, moços, todos dançam ao som do barulho do mar. Quem vem lá? Revejo  aquele casal de velhos que há muito tempo não aparecia. Como é bonito vê-los assim, passeando de mãos dadas! Não têm pressa. Não conversam também, apenas se namoram, um olha para o outro. Senti a falta deles e até comentei com minha companheira Maria Giovannina: “Será  que um deles morreu?” Ela, mais otimista, respondeu: “Não, foram dar um passeio na Europa.” Na certa foi isso que aconteceu. Lá estão eles, agora mais dispostos, mais alegres.

            Vejo aquele senhor hemiplégico que, há dois anos tenta recuperar os seus movimentos. Carrega um peso com uma das mãos e, com muito esforço, tenta andar. Sinto que, aos poucos, está melhorando. Já há mais movimento em sua perna esquerda. Em sua fisionomia há esperança. Belo exemplo nos dá este senhor!

            Lá em cima do Posto 11 está o salva-vidas, atento, olhando o mar que hoje não está calmo.

            Agora vejo um casal que não era meu conhecido. Chamou-me a atenção porque estavam abraçados. Um abraço tão apertado que pareciam uma só pessoa. Olhei disfarçadamente e só pude ver a moça que estava de frente para mim. Ela estava triste, parecia chorar. Ele, com muita ternura, afagava-lhe os cabelos. Era um abraço de despedida. Ele ia partir. Não sei o nome da moça, mas vou chamá-la de Julieta. “Julieta, não fique triste que o seu Romeu  não vai ser igual ao Romeu de Shakespeare. Vai ser um final feliz. Não cante a Valsa da Despedida, cante sim: ‘não se diz adeus, só se diz até logo, meu bem’.”

            Fui até o final do Leblon. Na volta revi outras pessoas, parei para conversar com aquelas que eu já conhecia de outros lugares. A música da Campanha da Fraternidade tornava a voltar aos meus ouvidos: “Eu vim para que todos tenham vida.”

            É isso aí. Jesus veio para que todos  tivéssemos vida. Mas se não desfrutamos da vida, não vivemos. Somos sonâmbulos. Vaquinhas de presépio. Uma das características de quem está vivo,  é a luta. Só é capaz de lutar a pessoa que ama. São João diz: “aquele eu não ama permanece morto.” ((Jo, VI, 51-52).

            O salva-vidas pode salvar a nossa vida física, mas a nossa vida espiritual só a teremos se estivermos unidos a Jesus Cristo. E esta vida poderá ser iniciada aqui, não é preciso morrer para tê-la, só é preciso caminhar com Cristo, desde já. “A sinfonia da vida é uma sinfonia eternamente inacabada”. (H.Rohden).

(ARCO-ÍRIS)
Marília Benício  dos Santos
............
DEDICATÓRIA

O “Arco-Íris” nasceu para comemorar o centenário de nascimento do meu querido pai. Ele é, portanto, o grande homenageado. Mas desta homenagem quero que participem meus irmãos e amigos, que tanto me ajudaram a descobrir neste mundo, vale de lágrimas, vale de alegrias.
(Marília Benício dos Santos)

* * *

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

DOM CESLAU STANULA REFLEXÕES – Verdades escatológicas

08/11/2017

Orar pelos falecidos. 
“A tradição da Igreja exortou sempre a rezar pelos mortos. O fundamento da oração de sufrágio encontra-se na comunhão do Corpo Místico de Cristo” que é a Igreja, dizia o Papa São João Paulo II.

A Bíblia, recomenda: “É coisa santa e salutar lembrar-se de orar pelos defuntos, para que fiquem livres de seus pecados”. (2Mac 12,46).

São Cirilo, bispo de Jerusalém (†386), disse em suas Catequeses: “... rezamos pelos santos padres e bispos e defuntos e por todos em geral que entre nós viveram; crendo que este será o maior auxílio para aquelas almas”

A tradição da Igreja sempre acreditava no auxilio que ela pode oferecer as almas neste seu estado de purificação. A melhor forma de ajudar aos irmãos falecidos é a celebração da Santa Missa.

Reflexão: Lembrando-se dos nossos falecidos hoje, eles também  se lembrarão de nós na hora oportuna, e ainda aqui na terra.

Com a benção e oração. Dom Ceslau.
 =====

12/11/2017
CÉU.
Continuando as reflexões interrompidas por motivo da minha viagem e atividades em Bom Jesus da Lapa, vamos aprofundar a outra verdade eterna da escatologia que é o céu.

O Catecismo da Igreja Católica ensina: “Os que morrem na graça e amizade de Deus e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, porque o vem tal qual Ele é” (1Jo 3,2). “Essa vida perfeita com a Santíssima Trindade, essa comunhão de vida e de amor com ela, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados, é denominada “o céu”. O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas dos homens, o estado de felicidade suprema e definitiva. (CIC 1023 e 1024).

S. Tomás de Aquino disse: O último fim de toda a criatura racional consiste em chegar a glória existente (...) no Reino dos céus”. C.G. I.IV,c.50). Então, o céu é uma plena, total, cabal realização da pessoa humana, que equivale a total felicidade. Isto que aspiramos e temos a certeza de alcançar, porque Jesus nos mereceu e prometeu. (continuaremos).

Reflita: Quem acredita em Jesus e a sua mensagem se cura da depressão, porque Ele nos sustenta na esperança. O céu é para todos.

Uma benção e a minha oração. Durma bem e que a serenidade da esperança te envolve. 
Dom Ceslau.

===
13/11/2017
Continuando, o céu não é um lugar acima das nuvens, mas sim, um estado de total Felicidade capaz de realizar todas as aspirações do ser humano.

No Céu participamos da Vida de Deus. E quanto maior for o amor que a pessoa desenvolveu neste mundo, mais penetrante será a participação na Vida de Deus. Assim, no Céu todos são felizes, mas em graus variados, pois cada um é correspondido na medida exata do seu amor. Deus é Amor, amor que se dá a conhecer a quem ama. Não há monotonia no Céu, mas sim, uma intensa atividade de Conhecer e Amar. (D. Estêvão Bettencourt – Escatologia). 

No céu todos são totalmente realizados e felizes. Santa Terezinha do Menino Deus cita a sua aula da catequese com a sua irmã Celina: para entender que no céu todos estão plenamente felizes da o exemplo de copos com água. No céu todos serão felizes a medida das suas capacidades de receber esta felicidade. Temos três copos de diferente tamanho: um grande cheio de água, outro menor, também cheio e o outro ainda menor, também cheio de água. Em nenhum cabe mais água. Assim nos céus todos serão felizes a medida da sua capacidade de receber.

Reflexão:
Nos céus todos são felizes, não existe rivalidade nem inveja. E entre nós?

Com a benção e oração para que a sua felicidade seja  plena. Boa noite.
Dom Ceslau.

======
14/11/2017
O céu é um mistério.  

São Paulo disse: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração não percebeu tudo o que Deus preparou para os que o amam”. (1Cor 2,9). O encontro com Deus transforma a pessoa de felicidade. Temos o exemplo de Moisés, do Livro de Êxodo: A intensidade da felicidade da presença de Deus, mudou o rosto de Moisés que ficou resplandecente, (Ex. 34,35).
Na transfiguração no monte Tabor, quando Jesus abriu um pouco da cortina da sua glória no céu (que vai ser a nossa também), o Pedro saiu de si (endoidou), porque não pôde “suportar” tanta glória e felicidade nesta dimensão de vida (Mt. 16.28). 

Temos inúmeras menções na Sagrada Bíblia sobre a felicidade dos justos no céu. Esta glória Deus preparou para nós desde o início, ao nos criar a sua Imagem e Semelhança (Gen. 1:26-27). Isto é o céu.

Pensamento: o pensamento sobre esta verdade escatológica pode mudar o rumo da nossa vida.

Com a benção e oração. Uma noite tranquila e de paz.

=====
15/11/2017

Tocamos agora a mais assustadora das verdades escatológicas, que é o inferno. (Servir-me-ei das reflexões do grande teólogo, Monge Beneditino D. Estevão Bettencourt). 

Antes do mais, é preciso afastar a ideia de que Deus criou o inferno. Depois, temos que ter presente que o inferno não é um espaço dimensional nem um lugar, mas sim, é um estado de alma, no qual o próprio indivíduo se projeta quando rejeita radicalmente a Deus.  Então não é Deus quem condena ao inferno; ao contrário, o Senhor Deus quer a salvação de todos os homens, como afirma São Paulo em 1Tm 2,4.  É a própria criatura que lavra a sua sentença ou que se condena quando diz um Não total a Deus, que é o Sumo Bem, o único Bem que pode realizar plenamente o ser humano. O inferno é um estado de total infelicidade. É viver eternamente sem Deus, sem amar, sem ser amado. 

Em outras palavras, o inferno é o vazio absoluto, é a suprema frustração. É o não amar, não amar nem a Deus nem ao próximo.  Todo homem foi feito para o Bem Infinito - Deus, como notava S. Agostinho (+ 430): “Senhor, Tu nos fizeste para Ti, e inquieto é o nosso coração enquanto não repousa em Ti” (Confissões I,1). Assim então só pode ir ao inferno quem faz uma recusa a Deus consciente, livre e voluntária.

Reflexão:
Que ama previne também das consequências do mal-uso da plena liberdade que recebemos de Deus. Com a benção e a oração para que o Senhor nos livre de todo o mal da alma e do corpo. Um boa noite.
======
16/11/2017

A Igreja Católica ensina a existência do inferno e a eternidade do inferno. “as almas que morrem em estado do pecado mortal descem imediatamente após da morte aos infernos onde sofrem as penas do inferno, o 'fogo eterno'”.
“A pena principal consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e felicidade para os quais foi criado e às quais suspira” (CIC 1035).

O ensinamento da Igreja Católica se baseia na Revelação de Deus, contida na Sagrada Bíblia e na fé ininterrupta contida na Tradição e o ensino da Igreja. Jesus muitas vezes fala da “genna”(Mt 5,22;29) do “fogo que não se apaga” (Mc.9,43 ss);  Mt. 10,38), Mt. 13, 41-42; Mt. 25, 41) etc.

As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja acerca do Inferno são um chamado à responsabilidade com a qual o homem deve usar de sua liberdade em vista de seu destino eterno. Constituem também um apelo insistente à conversão.: "Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz à perdição” (Mt 7,13). (CIC 1036).

Pensamento:
ouçamos a voz de Deus, para não cair na tentação.
Com a minha benção e oração. Um boa noite.
 Dom Ceslau.


Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.




Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna, escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

* * *