O Dia da Consciência Negra é comemorado em 20
de novembro em todo o país.
A data homenageia o Zumbi, um escravo que
foi líder do Quilombo dos Palmares. Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695.
O objetivo do Dia da Consciência Negra é fazer uma reflexão
sobre a importância do povo e da cultura africana, assim como o impacto que
tiveram no desenvolvimento da identidade da cultura brasileira.
A sociologia, a política, a religião e a gastronomia entre
várias outras áreas foram profundamente influenciadas pela cultura negra. Este
é um dia de comemorar e mostrar profundo apreço pela cultura afro-brasileira.
Origem do Dia Nacional da Consciência Negra
O Dia da Consciência Negra foi estabelecido pelo
projeto Lei nº 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. No entanto, apenas em
2011 a presidente Dilma Roussef sancionou a Lei 12.519/2011 que cria
a data, sem obrigatoriedade de feriado.
No entanto, atualmente, o Dia Nacional da Consciência Negra
é considerado feriado em mais de mil municípios.
História de Zumbi
No período do Brasil colonial, Zumbi simbolizou a luta do
negro contra a escravidão que sofriam os brasileiros de etnia negra. Zumbi
morreu enquanto defendia a sua comunidade e lutava pelos direitos do seu povo.
Os quilombos, liderados por Zumbi, formavam a resistência ao
sistema escravocrata que vigorava, e eram os principais responsáveis pela
preservação da cultura africana no Brasil.
Zumbi lutou até a morte contra a escravidão, que só viria acabar em
1888, com a abolição oficial da escravatura no Brasil, cerca de 193 anos após
sua morte.
Sou licenciando em filosofia, especialista em ética
e bacharel em teologia. Mestre em educação pela UEPG, e pela mesma
universidade, sou atualmente doutorando (bolsista CAPES/Fundação Araucária).
Gosto muito de estudar filosofia contemporânea com ênfase em ética. Acredito
que a existência é única e necessita ser refletida para encontrarmos o sentido
para a nossa vida.
Defendo o respeito à dignidade da pessoa humana como um
valor ético fundamental. Sou organizador de alguns livros pela Editora
Multifoco. Entre outros, relaciono: Diálogos Contemporâneos entre
Filosofia e Educação (2017); Ensaios entre Filosofia e Educação (2016); Educação
Contemporânea em Perspectiva (2015).
“O objetivo é divulgar uma perspectiva de entendimento do
ensino de filosofia que entende a filosofia como meio para a criação de
conceitos.”
Boa leitura!
Escritor Fábio Antonio Gabriel, é um prazer contarmos com a
sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que diferencia um
pensamento filosófico de um pensamento comum?
Fábio Gabriel - Parto da ideia de Gramsci de que todos
os homens são filósofos. Acredito que todas as pessoas estão a filosofar, mesmo
que não saibam a razão desse pensar; o que nos diferencia dos outros animais é
justamente a capacidade de pensar e, consequentemente, de filosofar. Por outro
lado, baseio-me no filósofo Deleuze para dizer que a filosofia é a arte de
criar conceitos. Então responderei esta questão dizendo que um pensamento
filosófico tem como especificidade ser um pensamento conceitual. Ao longo do
livro “A aula de Filosofia enquanto experiência filosófica” procuro destacar
que é importante que a aula de filosofia não seja algo distante da própria
existência.
Em que momento pensou em escrever “A aula de Filosofia
enquanto experiência filosófica”?
Fábio Gabriel - Na verdade, trata-se da minha pesquisa
de mestrado sobre ensino de filosofia que acabou se transformando em um livro.
Transformei-a em livro para poder socializar os resultados da pesquisa de
doutorado.
Quais os principais objetivos a serem alcançados por meio do
conteúdo apresentado nesta obra?
Fábio Gabriel - O objetivo é divulgar uma perspectiva
de entendimento do ensino de filosofia que entende a filosofia como meio para a
criação de conceitos.
Apresente-nos a obra
Fábio Gabriel – O livro“A aula de filosofia enquanto
experiência filosófica” destaca-se como uma obra que evidencia as pesquisas do
professor de filosofia Fábio Antonio Gabriel. Neste trabalho, o autor
problematiza a possibilidade de um ensino de filosofia que não esteja centrado
no enciclopedismo, mas no conhecimento de filósofos, propondo um ensino de
filosofia que se relacione com a existência dos próprios interlocutores. O
subtítulo:“Possibilitar ao estudante de filosofia criar conceitos e avaliar o
valor dos valores” descortina um entendimento das contribuições teóricas
de Deleuze e de Nietzsche apresentadas no livro. A obra revela a pesquisa de
mestrado sobre ensino de filosofia, realizada na Universidade Estadual de Ponta
Grossa.
A orientadora, Profa. Dra. Ana Lúcia Pereira, assim afirma
no prefácio: “A pesquisa de Fábio Antonio Gabriel vem ao encontro de estudos
que revelam que quando a aula de Filosofia permite ao estudante criar conceitos
e ou avaliar o valor dos valores está se permitindo realizar uma experiência
filosófica muito além do enciclopedismo. O autor destaca ainda que essas
atividades (criar conceitos e avaliar o valor dos valores) relacionam-se intimamente,
na medida em que, ao criar conceitos, o estudante estará repensando seus valores
e avaliando os valores vigentes na sociedade contemporânea, na sociedade em que
se insere, da mesma forma que, ao avaliar o valor dos valores, o estudante
também estará recriando conceitos e criando novos conceitos”.
Como seria uma aula de Filosofia enquanto experiência
filosófica?
Fábio Gabriel - Uma aula de filosofia enquanto
experiência filosófica é uma aula que relaciona os teóricos da filosofia com a
vida. O enciclopedismo tende apenas a transmitir os conhecimentos filosóficos
sem relacioná-los com a existência, e isso acaba limitando o âmbito da
filosofia. Acredito que a filosofia deve estar relacionada com a própria
existência das pessoas e, assim, penso que a filosofia deva contribuir para uma
existência mais significativa de quem tem contato com ela.
Fábio Gabriel - Não me vejo exatamente como um
escritor, mas como alguém que tem desejo de pesquisar sobre o ensino de
filosofia e acaba registrando e socializando seus resultados de pesquisa.
Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom
conhecer melhor o escritor Fábio Antonio Gabriel. Agradecemos sua participação
na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?
Fábio Gabriel - Termino com uma frase de Sócrates: “Uma
vida que não é examinada não vale a pena ser vivida”. Nesse sentido, acredito
que a filosofia pode nos auxiliar a pensar nossa própria existência e dar
sentido a ela. Quando damos sentido para nossa vida até mesmo o sofrimento
passa a contribuir para nosso crescimento pessoal e profissional.
No meu site você poderá conhecer mais sobre meu
trabalho como professor de filosofia e organizador de livros: www.fabioantoniogabriel.com
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Hino à Bandeira
Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.
Refrão:Recebe o afeto que se encerra
em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.
(Refrão)
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever,
E o Brasil por seus filhos amado,
poderoso e feliz há de ser!
(Refrão)
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre sagrada bandeira
Pavilhão da justiça e do amor!
Refrão:Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!
(Poesias infantis, 1904)
============
Olavo Bilac (Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac),
jornalista, poeta, inspetor de ensino, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16 de
dezembro de 1865, e faleceu, na mesma cidade, em 28 de dezembro de 1918. Um dos
fundadores da Academia Brasileira de Letras, criou a cadeira nº. 15, que tem
como patrono Gonçalves Dias.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
25,14-30
- Glória a vós, Senhor!
Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos:
Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou
seus bens.
A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de
acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou.
O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com
eles, e lucrou outros cinco.
Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois.
Mas aquele que havia recebido um só, saiu, cavou um buraco na terra,
e escondeu o dinheiro do seu patrão.
Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados.
O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo:
`Senhor, tu me entregaste cinco talentos.
Aqui estão mais cinco que lucrei'.
O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na
administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais.
Vem participar da minha alegria!'
Chegou também o que havia recebido dois talentos, e disse:
`Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei'.
O patrão lhe disse: `Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na
administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais.
Vem participar da minha alegria!'
Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento, e disse: `Senhor, sei que
és um homem severo,
pois colhes onde não plantaste
e ceifas onde não semeaste. Por isso fiquei com medo
e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence'.
O patrão lhe respondeu: `Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde
não plantei e que ceifo onde não semeei? Então devias ter depositado meu
dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me
pertence.'
Em seguida, o patrão ordenou: `Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez!
Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele
que não tem, até o que tem lhe será tirado.
Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Ali haverá choro e
ranger de dentes!'
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Pe. Roger
Araújo:
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Quem tem medo do Deus de Jesus?
“Fiquei com medo e enterrei o teu talento no chão” (Mt
25,25)
A liturgia deste domingo (33º Dom TC) nos propõe uma
parábola que pode ser facilmente mal interpretada; ou pior ainda, fomentar a
auto-autocobrança e o perfeccionismo. E, como consequência, os sentimentos de
culpa, de impotência, de fracasso...
No campo específico da espiritualidade cristã, uma leitura
deturpada da parábola dos “talentos” pode conduzir a uma religiosidade perigosa
por vários motivos: supõe a imagem de um Deus como um patrão que exige um
cumprimento das suas ordens até os mínimos detalhes, sem admitir nenhum
fracasso; fomenta a ideia do mérito e, com isso, uma religião mercantilista;
alimenta um perfeccionismo – busca de um “ideal de perfeição” -, que gera muito
sofrimento e farisaísmo; estimula a competitividade para ver quem consegue um
“prêmio maior”... Em definitiva, aqui nos encontramos diante de uma parábola
potencialmente perigosa.
Todos nós temos uma tendência a alimentar o perfeccionismo e
a leitura da parábola dos talentos só viria confirmar essa tendência. De fato,
o conceito de perfeição cristaliza-se em nós desde a infância, a partir de
experiências não integradas, de sentimentos de culpabilidade, e que acabam nos
identificando, no plano pessoal, como não ter defeitos, não ter fragilidades,
não ter nenhuma falha ou pecado. Trata-se de um modo fechado de viver dentro do
próprio eu orgulhoso, que exige o máximo esforço para não falhar em ponto
algum, uma vez que o “perfeccionista” está convencido de que somente será amado
por Deus e pelos outros se for perfeito. A grave consequência disso é que
estaríamos pervertendo a mensagem de Jesus, centrada radicalmente na
gratuidade, na compaixão e no amor.
Custa-nos reconhecer Jesus como autor da “parábola dos
talentos. Mas, em todo caso, não podemos perder de vista que se trata de uma
parábola, e que a leitura tampouco pode ser literal. Como ler esta parábola
para poder recuperar sua mensagem genuína e, ao mesmo tempo, evitar os riscos
que o próprio relato deixa transparecer?
Em primeiro lugar, coerente com a própria mensagem
evangélica, só nos cabe ler a parábola como palavra de sabedoria e não como
código moral; deve ser entendida a partir da gratuidade e não a partir da ideia
do mérito e da recompensa. Tudo é dom e somos felizes na medida em que
permitimos que esse dom se manifeste em e através de nós.
Também é importante que levemos em conta a situação concreta
em que Jesus vivia quando falava em parábolas. Ele viveu situações muito
conflitivas e de enfrentamento com os fariseus, os sumos sacerdotes, os mestres
da lei. Mateus coloca esta parábola dos talentos em um momento de máxima tensão
e enfrentamento de Jesus com os fariseus; concretamente, com o “Deus” dos
fariseus, que era um Deus terrível, ameaçante e justiceiro. Aqui, nesta
instigante parábola, Jesus desmascara a falsa imagem de Deus dos fariseus, que
torna a vida pesada e marcada pelo medo. É como se Ele dissesse: “Meu Pai não é
assim; Ele é fonte de amor, de misericórdia e só deseja que as pessoas vivam
felizes, sem medo”.
Nesse sentido, é sumamente útil aprofundar e conhecer o
verdadeiro sentido da parábola dos talentos. Normalmente, costuma-se explicar
esta parábola dizendo que Deus dá a cada pessoa uma quantidade determinada de
talentos, divinos e humanos, dos quais terá de prestar contas a Ele, até o
último centavo, no dia do Juízo Final. Quando se interpreta a parábola dessa
maneira, o Deus que aí aparece é uma ameaça insuportável; ao considerar a
parábola como uma exortação à uma “vida perfeita”, falsifica-se o sentido
autêntico da mesma. O que está em questão aqui é a “imagem” de Deus que todos
trazemos.
O indivíduo que recebeu um só talento está convencido de que
o “senhor”, ou seja, Deus, é “duro”, pois “colhe onde não semeou e ajunta onde
não espalhou”. Esse indivíduo tem uma ideia terrível de Deus. E por isso, como
é natural, “tem medo”; e o medo o leva a “esconder o talento debaixo da terra”.
Isso, precisamente, foi sua perdição. O medo paralisa, ou seja, torna as
pessoas estéreis. No fundo, Jesus está dizendo o seguinte: “o Deus que ameaça
com a exigência da prestação de contas até o último centavo, é um Deus que
bloqueia e anula as pessoas, os grupos, as comunidades”. Por isso, é urgente
acabar com a imagem do Deus que ameaça, que não liberta nem cura, que nos
amarra e não nos deixa viver.
De fato, a presença de Deus na vida e na história de muitas
pessoas é vivida secretamente sob as vestes do temor e do medo. Um “Deus” que a
todos nós pedirá contas no juízo, onde teremos de responder pelo mau uso de
nossos dons; um “Deus” que nos castiga com desgraças, por causa de nossos
fracassos; um “Deus” interesseiro, um senhor severo que impõe obrigações duras
e dificulta nossa entrada no banquete; um “deus-patrão” que nos prende com
contratos e cobranças; um “Deus” que é um constante perigo, causador do Grande
Medo que nos paralisa.
Crer em um Deus que pede conta até o último centavo é o
mesmo que crer em um juiz justiceiro que torna a vida amarga e pesada. Sem a
superação cotidiana dos medos, nossa experiência de Deus estará comprometida,
perderá sua força inovadora e nos fará menos humanos.
Para relacionar-nos humanamente com o Deus que Jesus nos
revelou, o mais urgente que devemos fazer é quebrar as “falsas imagens” d’Ele
que carregamos em nossas consciências, em nossa intimidade mais secreta. E a
primeira e principal imagem falsa é que Deus é uma ameaça da qual devemos nos
proteger.
Deus é fonte da Vida, ou melhor, o próprio Dom, o “talento”
que se dá generosamente em tudo. Ao conectar com nossa verdadeira identidade,
nós nos descobrimos n’Ele, não como uma presença separada, mas como nosso
núcleo mais íntimo e profundo.
Essa descoberta é a fonte de nossa ação; estamos permitindo
que o “talento” – o Dom, a Graça, Deus..., possa viver em nós; deixar “Deus ser
Deus em nossa vida”. Tal vivência sempre dará fruto abundante. Mas o fruto não
é algo conquistado, que antes nos faltara e nos é dado agora em forma de prêmio
ou recompensa – para engordar o ego -; o “prêmio” não é outro que a descoberta
daquilo que somos e o prazer de viver isso. O “talento” que nos é presenteado é
a descoberta da plenitude que sempre fomos.
Finalmente, aquele que não faz frutificar o talento fala
também de nós mesmos, quando permanecemos na ignorância de quem somos e, desse
modo, “perdemos” a vida, fechados – o talento enterrado – em nossa pequena
couraça narcisista. Isso significa não deixar o talento expandir e
permaneceremos nas trevas de nós mesmos, perdidos na confusão e no sofrimento.
Mais uma vez, não se trata de uma ameaça e, menos ainda, de
um castigo: é um apelo que nos chama a despertar, para que saiamos das crenças
tóxicas que envenenam a mente e o coração, não nos deixam amadurecer no nível
humano e espiritual e nos privam do prazer de viver o Dom (Talento) que nos habita.
Texto bíblico: Mt 25,14-30
Na oração: No interior de cada um, Deus está chamando, está
convidando a que ponha em movimento toda a capacidade de admiração e quer
ensinar a ler e interpretar Sua presença em todas as coisas.
- pedir para experimentar, desde já, a presença do Senhor
tal como Ele é, evitando todas as suas falsas imagens; diante de sua
presença cada um deve sentir-se acolhido, desafiado e com uma nobre missão a
realizar.
Tudo pronto para mais um “desjulgamento”. Graças à ministra
Cármen Lúcia, família Picciani nada tem a temer.
Por Lillian Witte Fibe
access_time16 nov 2017
O presidente do Senado e a presidente do Supremo.
(Reprodução/Reprodução)
Pois é, ministra Cármen Lúcia, políticos presos seguem sendo
libertados em todo o Brasil graças a seu voto de minerva.
Em nome do que, mesmo? Da segurança institucional?
Ora bolas, conta outra.
Quando a presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, se reuniu com o
presidente do Congresso, Eunício Oliveira, às vésperas da histórica decisão
sobre o recolhimento noturno do senador Aécio Neves, minhas antenas
jornalísticas me alertaram.
Mas não deu pra imaginar que as consequências seriam tão graves. Tão tristes
para uma sociedade que clama pelo combate à corrupção endêmica.
Pelo fim dos bancos paralelos, das planilhas de propinas, pelo fim dos carros
fortes transportando as nossas cédulas por ordem dos chefões das organizações
criminosas.
A presidente do Supremo, tão experiente também em política, pois não há novatos
nem ingênuos na corte, recuou num momento chave.
Poderia ter optado pela tolerância zero à corrupção, que até então parecia lhe
pautar a vida. Os senadores ameaçaram desacatar o Supremo, que tremeu. Ela se
reuniu com Eunício, e, em seguida, convocou o plenário. Quando deixou de lado a
tolerância zero, optando pela negociação. E desempatou uma votação: cabe aos
“legislativos” (câmaras municipais, assembleias estaduais, além do próprio
Congresso) a última palavra sobre a punição a seus pares, a despeito do que diz
a lei sobre o assalto contínuo que nos vitima a todos, o crime de roubo.
Em outras palavras: os juízes julgam, mas parlamentares… pensando bem, a única
palavra que me ocorre é uma inexistente: “desjulgam”.
Parlamentares “desjulgam”.
Não há na língua portuguesa outro verbo para isso.
Aécio, foro privilegiado, foi penalizado pelo Supremo e “despunido” pelo
Senado.
Daí em diante, a febre de soltura de outros corruptos reverberou pelo Brasil.
E os “legislativos”, imbuídos da autoridade que lhes foi concedida pelo mesmo
Supremo, não demoraram a agir:
Portanto, a família Picciani, alvo, como sabemos, de uma das mais recentes e
maiores operações da Polícia Federal, nada tem a temer.
Independente do que desembargadores decidirem hoje sobre os pedidos de prisão
do Ministério Público, está tudo pronto na Assembleia para manter em liberdade
seu líder máximo.
Que vem a ser pai do ministro do Esporte de Temer, Leonardo Picciani,
mencionado em delação premiada.
O outono é
muito gostoso. Não tem o calor agressivo do verão, nem o frio triste do
inverno.
O outono
este ano veio pra valer, tomou realmente o seu lugar no dia exato, 22 de março.
Hoje,
acordei com a música da Campanha da Fraternidade em minha mente. Parecia ouvir
cantar. Mas era a música que estava dentro de mim. E graças a isto, venci a
preguiça e parti para o meu passeio matinal e para curtir o outono.
Como foi
agradável! Lá revi os meus companheiros que só conheço superficialmente.
Ninguém se cumprimenta. Isto só acontece na roça. Também se houvesse saudações,
não faríamos outra coisa.
A praia é
o lugar onde mais se sente a vida. Todos, ali, lutam por uma vida melhor. É uma
festa! Homens, mulheres, crianças, velhos, moços, todos dançam ao som do
barulho do mar. Quem vem lá? Revejo
aquele casal de velhos que há muito tempo não aparecia. Como é bonito
vê-los assim, passeando de mãos dadas! Não têm pressa. Não conversam também,
apenas se namoram, um olha para o outro. Senti a falta deles e até comentei com
minha companheira Maria Giovannina: “Será
que um deles morreu?” Ela, mais otimista, respondeu: “Não, foram dar um
passeio na Europa.” Na certa foi isso que aconteceu. Lá estão eles, agora mais
dispostos, mais alegres.
Vejo
aquele senhor hemiplégico que, há dois anos tenta recuperar os seus movimentos.
Carrega um peso com uma das mãos e, com muito esforço, tenta andar. Sinto que,
aos poucos, está melhorando. Já há mais movimento em sua perna esquerda. Em sua
fisionomia há esperança. Belo exemplo nos dá este senhor!
Lá em cima
do Posto 11 está o salva-vidas, atento, olhando o mar que hoje não está calmo.
Agora vejo
um casal que não era meu conhecido. Chamou-me a atenção porque estavam
abraçados. Um abraço tão apertado que pareciam uma só pessoa. Olhei
disfarçadamente e só pude ver a moça que estava de frente para mim. Ela estava
triste, parecia chorar. Ele, com muita ternura, afagava-lhe os cabelos. Era um
abraço de despedida. Ele ia partir. Não sei o nome da moça, mas vou chamá-la de
Julieta. “Julieta, não fique triste que o seu Romeu não vai ser igual ao Romeu de Shakespeare.
Vai ser um final feliz. Não cante a Valsa da Despedida, cante sim: ‘não se diz
adeus, só se diz até logo, meu bem’.”
Fui até o
final do Leblon. Na volta revi outras pessoas, parei para conversar com aquelas
que eu já conhecia de outros lugares. A música da Campanha da Fraternidade
tornava a voltar aos meus ouvidos: “Eu vim para que todos tenham vida.”
É isso aí.
Jesus veio para que todos tivéssemos
vida. Mas se não desfrutamos da vida, não vivemos. Somos sonâmbulos. Vaquinhas
de presépio. Uma das características de quem está vivo, é a luta. Só é capaz de lutar a pessoa que
ama. São João diz: “aquele eu não ama permanece morto.” ((Jo, VI, 51-52).
O
salva-vidas pode salvar a nossa vida física, mas a nossa vida espiritual só a
teremos se estivermos unidos a Jesus Cristo. E esta vida poderá ser iniciada
aqui, não é preciso morrer para tê-la, só é preciso caminhar com Cristo, desde
já. “A sinfonia da vida é uma sinfonia eternamente inacabada”. (H.Rohden).
(ARCO-ÍRIS)
Marília Benício dos
Santos
............
DEDICATÓRIA
O “Arco-Íris” nasceu para comemorar o centenário de
nascimento do meu querido pai. Ele é, portanto, o grande homenageado. Mas desta
homenagem quero que participem meus irmãos e amigos, que tanto me ajudaram a
descobrir neste mundo, vale de lágrimas, vale de alegrias.
“A tradição da Igreja exortou sempre a
rezar pelos mortos. O fundamento da oração de sufrágio encontra-se na comunhão
do Corpo Místico de Cristo” que é a Igreja, dizia o Papa São João Paulo II.
A Bíblia, recomenda: “É coisa santa e salutar lembrar-se de orar pelos
defuntos, para que fiquem livres de seus pecados”. (2Mac 12,46).
São Cirilo, bispo de Jerusalém (†386), disse em suas Catequeses: “... rezamos
pelos santos padres e bispos e defuntos e por todos em geral que entre nós
viveram; crendo que este será o maior auxílio para aquelas almas”
A tradição da Igreja sempre acreditava no auxilio que ela pode oferecer as
almas neste seu estado de purificação. A melhor forma de ajudar aos irmãos
falecidos é a celebração da Santa Missa.
Reflexão: Lembrando-se dos nossos falecidos hoje, eles também se
lembrarão de nós na hora oportuna, e ainda aqui na terra.
Com a benção e oração. Dom Ceslau. =====
12/11/2017
CÉU.
Continuando as reflexões interrompidas por motivo da minha
viagem e atividades em Bom Jesus da Lapa, vamos aprofundar a outra verdade
eterna da escatologia que é o céu.
O Catecismo da Igreja Católica ensina: “Os que morrem na graça e amizade de
Deus e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para
sempre semelhantes a Deus, porque o vem tal qual Ele é” (1Jo 3,2). “Essa vida
perfeita com a Santíssima Trindade, essa comunhão de vida e de amor com ela,
com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados, é denominada “o céu”.
O Céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas dos homens, o
estado de felicidade suprema e definitiva. (CIC 1023 e 1024).
S. Tomás de Aquino disse: O último fim de toda a criatura racional consiste em
chegar a glória existente (...) no Reino dos céus”. C.G. I.IV,c.50). Então, o
céu é uma plena, total, cabal realização da pessoa humana, que equivale a total
felicidade. Isto que aspiramos e temos a certeza de alcançar, porque Jesus nos
mereceu e prometeu. (continuaremos).
Reflita: Quem acredita em Jesus e a sua mensagem se cura da depressão, porque
Ele nos sustenta na esperança. O céu é para todos.
Uma benção e a minha oração. Durma bem e que a serenidade da esperança te
envolve.
Dom Ceslau.
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13/11/2017
Continuando, o céu não é um lugar acima das
nuvens, mas sim, um estado de total Felicidade capaz de realizar todas as
aspirações do ser humano.
No Céu participamos da Vida de Deus. E quanto maior
for o amor que a pessoa desenvolveu neste mundo, mais penetrante será a
participação na Vida de Deus. Assim, no Céu todos são felizes, mas em graus
variados, pois cada um é correspondido na medida exata do seu amor. Deus é
Amor, amor que se dá a conhecer a quem ama. Não há monotonia no Céu, mas sim,
uma intensa atividade de Conhecer e Amar. (D. Estêvão Bettencourt –
Escatologia).
No céu todos são totalmente realizados e felizes. Santa Terezinha
do Menino Deus cita a sua aula da catequese com a sua irmã Celina: para
entender que no céu todos estão plenamente felizes da o exemplo de copos com
água. No céu todos serão felizes a medida das suas capacidades de receber esta
felicidade. Temos três copos de diferente tamanho: um grande cheio de água,
outro menor, também cheio e o outro ainda menor, também cheio de água. Em nenhum
cabe mais água. Assim nos céus todos serão felizes a medida da sua capacidade
de receber.
Reflexão: Nos céus todos são felizes, não existe rivalidade nem inveja. E entre
nós?
Com a benção e oração para que a sua felicidade seja plena. Boa noite.
Dom Ceslau.
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14/11/2017
O céu é um mistério.
São Paulo disse: “O que os olhos
não viram, os ouvidos não ouviram e o coração não percebeu tudo o que Deus
preparou para os que o amam”. (1Cor 2,9). O encontro com Deus transforma a
pessoa de felicidade. Temos o exemplo de Moisés, do Livro de Êxodo: A
intensidade da felicidade da presença de Deus, mudou o rosto de Moisés que
ficou resplandecente, (Ex. 34,35).
Na transfiguração no monte Tabor, quando Jesus abriu um pouco da cortina da sua
glória no céu (que vai ser a nossa também), o Pedro saiu de si (endoidou),
porque não pôde “suportar” tanta glória e felicidade nesta dimensão de vida
(Mt. 16.28).
Temos inúmeras menções na Sagrada Bíblia sobre a felicidade dos
justos no céu. Esta glória Deus preparou para nós desde o início, ao nos criar
a sua Imagem e Semelhança (Gen. 1:26-27). Isto é o céu.
Pensamento: o pensamento sobre esta verdade escatológica pode mudar o rumo da
nossa vida.
Com a benção e oração. Uma noite tranquila e de paz.
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15/11/2017
Tocamos agora a mais assustadora das verdades escatológicas,
que é o inferno. (Servir-me-ei das reflexões do grande teólogo, Monge
Beneditino D. Estevão Bettencourt).
Antes do mais, é preciso afastar a
ideia de que Deus criou o inferno. Depois, temos que ter presente que o inferno
não é um espaço dimensional nem um lugar, mas sim, é um estado de alma, no qual
o próprio indivíduo se projeta quando rejeita radicalmente a Deus.
Então não é Deus quem condena ao inferno; ao contrário, o Senhor Deus quer
a salvação de todos os homens, como afirma São Paulo em 1Tm 2,4. É a
própria criatura que lavra a sua sentença ou que se condena quando diz
um Não total a Deus, que é o Sumo Bem, o único Bem que pode realizar
plenamente o ser humano. O inferno é um estado de total infelicidade. É viver
eternamente sem Deus, sem amar, sem ser amado.
Em outras palavras, o
inferno é o vazio absoluto, é a suprema frustração. É o não amar, não amar
nem a Deus nem ao próximo. Todo homem foi feito para o Bem Infinito -
Deus, como notava S. Agostinho (+ 430): “Senhor, Tu nos fizeste para Ti, e
inquieto é o nosso coração enquanto não repousa em Ti” (Confissões I,1). Assim
então só pode ir ao inferno quem faz uma recusa a Deus consciente, livre e
voluntária.
Reflexão: Que ama previne também das consequências do mal-uso da plena
liberdade que recebemos de Deus. Com a benção e a oração para que o Senhor nos
livre de todo o mal da alma e do corpo. Um boa noite.
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16/11/2017
A Igreja Católica ensina a existência do inferno e a eternidade do inferno. “as
almas que morrem em estado do pecado mortal descem imediatamente após da morte
aos infernos onde sofrem as penas do inferno, o 'fogo eterno'”.
“A pena principal consiste na separação eterna de Deus, o
Único em quem o homem pode ter a vida e felicidade para os quais foi criado e
às quais suspira” (CIC 1035).
O ensinamento da Igreja Católica se baseia na Revelação de Deus, contida na
Sagrada Bíblia e na fé ininterrupta contida na Tradição e o ensino da Igreja.
Jesus muitas vezes fala da “genna”(Mt 5,22;29) do “fogo que não se apaga”
(Mc.9,43 ss); Mt. 10,38), Mt. 13, 41-42; Mt. 25, 41) etc.
As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja acerca do
Inferno são um chamado à responsabilidade com a qual o homem deve usar de sua
liberdade em vista de seu destino eterno. Constituem também um apelo insistente
à conversão.: "Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o
caminho que conduz à perdição” (Mt 7,13). (CIC 1036).
Pensamento: ouçamos a voz de Deus, para não cair na tentação.
Com a minha benção e oração. Um boa noite.
Dom Ceslau.
Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.
Dom Ceslau Stanula – Bispo Emérito da Diocese de Itabuna,
escritor, Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL