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sábado, 18 de novembro de 2023

Consciência Negra e a Luta pela Igualdade Racial 

Sione Porto

 


O importante Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, em homenagem à morte do lendário Negro Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, teve como fato impulsionador o resgate à memória dos tempos de luta incansável do povo negro pelas igualdade e liberdade raciais.

O Quilombo de Palmares surgiu no final do século XVI e se situava na Serra da Barriga, Capitania de Pernambuco, atualmente território do município de União dos Palmares, a 80 km de Maceió, capital de Alagoas.

Dele, destacou-se o Negro Zumbi, entregue ainda criança pelos portugueses ao padre Antônio Melo, que lhe ensinou os Primeiros Sacramentos e o batizou com o nome cristão Francisco, mas que retornaria ao quilombo para se tornar um grande guerreiro e um dos maiores representantes da resistência negra contra a escravidão que vigorava no Brasil Colônia, razão pela qual nada mais justo do que esse resgate que o Dia da Consciência Negra proporciona em sua memória.

Lutando bravamente por seus ideais de igualdade e de liberdade, Zumbi, casado com Dandara, resistiu à pesada artilharia dos portugueses em campanhas contra o Quilombo dos Palmares de 1680 a 1694. Entretanto, em 20 de novembro de 1695, ao ser traído por um dos seus comandantes, Antônio Soares, Zumbi foi morto, sendo seu corpo esquartejado e exposto em praça pública de Olinda. Essa data viria a ser instituída em 2003, por um lei federal, como o Dia da Consciência Negra.

O preservado Sítio Histórico dos Palmares, onde Zumbi viveu, foi reconhecido pelo governo federal em 1980 e até hoje nos premia com a beleza singular do local, onde, além do Observatório, temos um magnífico viveiro e trilhas exuberantes. Ali, cerca de 20 mil habitantes viveram, amaram, ensinaram as suas crenças, a sua cultura, e resistiram contra a escravidão, mesmo sofrendo cruéis e trágicas retaliações.

O certo é que o alijamento da escravidão no Brasil e no mundo repercutiu por séculos, envolvendo os interesses da monarquia, elites aristocráticas e senhores de engenho de açúcar e café, principais recursos da época, mas até hoje persistem os resquícios dessa tragédia em forma de racismo, preconceito e intolerância que a sociedade brasileira e a mundial precisam enfrentar.

Racismo é um câncer que deve ser extirpado da nação brasileira. Infelizmente, vê-se em todos os setores da atividade humana, como no esporte, educação, saúde, jornalismo, trabalho, arte, cultura, cargos de poder e gestão pública e privada, enfim, na vida em sociedade.

Ainda assim, temos corajosas figuras que se destacam ou se destacaram por seu talento e combatividade, como o jogador Vinícius Júnior, os cantores Gilberto Gil e Seu Jorge, o escritor


Machado de As
sis, o advogado e escritor Luís Gama, o professor e geógrafo Mílton Santos, o ex-lutador Anderson Silva, o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, a jornalista Glória Maria, a professora e escritora Conceição Evaristo, entre tantas personalidades negras da nossa história. 

O Dia da Consciência Negra é oficialmente no dia 20 de novembro, mas a luta é diária e ao longo de todo o ano. É uma luta não só do povo negro, mas de toda a sociedade brasileira, linda, alegre, trabalhadora e miscigenada

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Sione Porto é membro da Academia de Letras de Itabuna (Alita)

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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

20/11 - DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

O Dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro em todo o país. 

A data homenageia o Zumbi, um escravo que foi líder do Quilombo dos Palmares. Zumbi morreu em 20 de novembro de 1695.

O objetivo do Dia da Consciência Negra é fazer uma reflexão sobre a importância do povo e da cultura africana, assim como o impacto que tiveram no desenvolvimento da identidade da cultura brasileira.

A sociologia, a política, a religião e a gastronomia entre várias outras áreas foram profundamente influenciadas pela cultura negra. Este é um dia de comemorar e mostrar profundo apreço pela cultura afro-brasileira.

Origem do Dia Nacional da Consciência Negra

O Dia da Consciência Negra foi estabelecido pelo projeto Lei nº 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. No entanto, apenas em 2011 a presidente Dilma Roussef sancionou a Lei 12.519/2011 que cria a data, sem obrigatoriedade de feriado.

No entanto, atualmente, o Dia Nacional da Consciência Negra é considerado feriado em mais de mil municípios.

História de Zumbi

No período do Brasil colonial, Zumbi simbolizou a luta do negro contra a escravidão que sofriam os brasileiros de etnia negra. Zumbi morreu enquanto defendia a sua comunidade e lutava pelos direitos do seu povo.

Os quilombos, liderados por Zumbi, formavam a resistência ao sistema escravocrata que vigorava, e eram os principais responsáveis pela preservação da cultura africana no Brasil.


Zumbi lutou até a morte contra a escravidão, que só viria acabar em 1888, com a abolição oficial da escravatura no Brasil, cerca de 193 anos após sua morte.

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sábado, 19 de novembro de 2016

CONSCIÊNCIA NEGRA E A LUTA PELA IGUALDADE RACIAL – Sione Porto

Consciência Negra e a luta pela igualdade racial 



O importante dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, em homenagem à morte de Zumbi, o lendário líder negro do Quilombo dos Palmares, teve como fato impulsor o resgate pela Igualdade e Liberdade Racial.

A escravidão no Brasil e no mundo teve alijamento que repercutiu por séculos, envolvendo os interesses da monarquia, elites aristocráticas e senhores dos engenhos de açúcar e café, principais recursos da época.

De um modo geral, a história transmitiu os horrores da época escravocrata, mas, muitas vezes, são escassas as informações, inclusive por culpa de quem sofreu preconceito, racismo e intolerância, já que tem vergonha de declarar e romper com o imobilismo, numa demonstração de maturidade social, preço do grande erro da sociedade, um câncer que já deveria ser extirpado da nação humana.

O racismo se destaca em todos os seguimentos: futebol, jornalismo, modelos, cantores, atores, esportistas, escritores, poetas, presidente e ministros. Corajosos denunciantes, como Roberto Carlos, campeão da Seleção Brasileira, chamado de macaco; a apresentadora Oprah Winfrey; a jornalista Glória Maria; a atriz Thalma de Freitas; o cantor Seu Jorge, assim como Preta Gil, Rihanna, Anderson Silva, MMA, Machado de Assis (“mulato de alma branca”), João da Cruz e Souza, Barack Obama (EUA), ministra Cristiana Taubira (França) e o ministro Joaquim Barbosa (Brasil).

O movimento social que resgatou o antirracismo surgiu em 1971, por iniciativa do Grupo Palmares de Porto Alegre (RS), e foi assimilado em 1978, durante o Congresso do Movimento Negro Unificado Contra A Discriminação Racial, hoje denominado Movimento Negro Unificado – MNU.

Essa menção ao dia da Consciência Negra, prestada ao negro Zumbi, nativo do Quilombo dos Palmares, engrandece pela sua trajetória, luta incansável pelos anseios de liberdade. Aos seis anos de idade, ele foi entregue pelos holandeses ao Padre Antonio Melo, que ensinou os primeiros Sacramentos e o batizou com o nome de Francisco.

Nada mais justo que esse resgate, à promoção pela luta contra o racismo, discriminação vivida pelos negros e afrodescendentes, que deve fortalecer todos os movimentos nacionais internacionais.

O preservado Sítio Histórico dos Palmares, onde viveu Zumbi, foi reconhecido pelo Governo Federal em 1980. Premia-nos com a beleza singular do local, onde, além do Observatório, temos um magnífico viveiro, trilhas exuberantes, universo que banha parte de nossa história afro-brasileira. Diz ainda a lenda, que vinte mil quilombolas ali viveram, amaram, ensinaram suas crenças e sua cultura.

Temos histórias também tristes e cruéis contra os negros fujões dos Palmares, que sofriam pesados castigos dos líderes impiedosos, sendo torturados e, muitas vezes, executados, no chamado Palco da Justiça Severa.

O fenômeno Zumbi, como herói, é contestado, coroando-se Ganga-Zumba como o verdadeiro herói dos Palmares (José Murilo Carvalho, Cidadania no Brasil).

A data 20 de Novembro é também intitulada Semana da Consciência Negra, comemorada em todo o Brasil, mas centrada nos moinhos da negritude brasileira e coincide com a data de morte de Zumbi dos Palmares, que teria sido em 20/11/1695, segundo historiadores.

Após ter lutado bravamente pelos seus ideais de igualdade e liberdade, Zumbi, casado com Dandara, resistiu à pesada artilharia do bandeirante paulista Domingo Jorge Velho, que não conseguiu capturá-lo em 1694.

Em 1695, entretanto, traído por Antonio Soares e surpreendido pelo capitão Furtado de Mendonça, tornou-se Zumbi um mártir, ao ser preso e degolado, cuja cabeça foi exposta na cidade do Recife, após ser apresentada ao governador de Pernambuco Melo e Castro.


Sione Porto
Membro da Academia de Letras de Itabuna-ALITA

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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

20 DE NOVEMBRO: DIA NACIONAL DE ZUMBI E DA CONSCIÊNCIA NEGRA NO BRASIL

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra no Brasil reafirma o primeiro local de liberdade dos negros nas Américas

            O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, resultado de mais de quarenta anos de luta do movimento negro brasileiro, comemorado no dia 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff. A data, em sua ideia original, significa a afirmação da história povo negro no Brasil, especialmente porque reafirma, coloca como um marco histórico a morte de Zumbi, em 1695. Ele era então o líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na região Nordeste do Brasil.
            Por Davi Nunes

            O Quilombo dos Palmares pode ser considerado o primeiro local, nas Américas, onde os negros da diáspora africana conseguiram a liberdade. Foram quase cem anos de existência no período da era colonial portuguesa no Brasil. Ele surgiu no final do século XVI e teve o seu apogeu na segunda metade do século XVII. Todo esse tempo de resistência à ordem escravocrata vigente, só foi possível devido à capacidade de organização: o quilombo era todo cercado por uma alta cerca de pau-a-pique, além da imensidade de palmeiras que o escondia, tinha três entradas protegidas por duzentos guerreiros, possuíam armas e munições, conseguiram derrotar várias vezes às expedições do governo colonial, que visavam estabelecer a sua destruição – tinham uma organização politica e social sofisticada que o fez ficar conhecido como a República dos Palmares.

            Zumbi nasceu no quilombo, aproximadamente em 1655. Criança ainda foi raptado por soldados e doado ao Padre Antônio Melo. Ele o batizou com o nome Francisco e lhe ensinou português e latim. No ano de 1670, com apenas quinze anos, fugiu da paróquia e voltou ao quilombo e depois da morte do líder poderoso, Ganga-Zumba, se tornou o chefe absoluto na luta contra a sociedade escravocrata. Ele detinha grande poder espiritual, os ancestrais africanos o protegia, resistiu a várias expedições militares ao ponto do rei de Portugal escreve-lhe uma carta propondo um acordo. Não aceitou ficar sob o julgo da coroa portuguesa, queria a liberdade plena até o fim e em 20 de novembro de 1695, depois de resistir, e lutar contra várias expedições militares, ele foi morto.

            No dia da consciência negra acontecem passeatas por todo Brasil, a depender da região as pautas podem se diferenciar, porém nos últimos anos há uma em comum, o genocídio da juventude negra, impetrada por uma política de estado estruturalmente racista. O mês de novembro, principalmente depois da implantação, em 2003, da lei 10 639 que tornou obrigatório o ensino de história e cultura Africana e Afro-brasileira nas escolas de ensino Fundamental e Médio, acontece muitos eventos relacionados à negritude: palestras, seminários, lançamentos de livros, as escolas organizam gincanas temáticas com os estudantes, porém o grande problema é que isso só ocorre nesse espaço de tempo, determinado oficialmente, pois durante todo o ano a história e cultura negras são negligenciadas, invisibilizadas em um país, que apesar da sua diversidade, apresenta o branco como o padrão universal.

            No entanto, vendo de outra forma também, o dia 20 significa a vitória de uma geração de intelectuais do movimento negro que disputaram a memória histórica e ganharam. Contestaram a historiografia oficial (a versão paternalista da princesa branca que libertou os escravizados por um simples decreto) contada pelos descendentes dos europeus, e ergueram um herói negro para sintetizar a trajetória de luta de mais da metade da população brasileira.
No Brasil, pelo fato da mídia de massa ser o veículo onde a elite branca transpassa as suas ideologias e exercem o controle mental sobre grande parte da população, os lideres negros, os fatos e feitos, como os de Zumbi, que ajudaram a construir o país, são propositalmente negligenciados. O racismo brasileiro trabalha sempre no silenciamento e apagamento de vozes e histórias negras. Por isso ainda boa parte da população se encontra preso aos grilhões psicológicos, mas muitos já se empoderam do conhecimento dos ancestrais, engrossam as passeatas que tomam as ruas e começam a constituir o que pode se chamar de vontade própria para se libertarem das prisões.

            A liberdade a qual se comemora no dia 20 é a da luta constante, àquela que se deposita a vida para se conquistar. E é por esse propósito que as ruas ficam cheias, que as bandeiras são hasteadas, que os tambores são tocados: a força de Zumbi se estende a cada brasileiro que busca lutar por igualdade. A memória se reaviva sobre as batalhas vencidas pelos antepassados e dão alento para, no presente, continuar lutando para alcançar, de fato, a libertação.

            A República dos Palmares, dentro desse contexto, é um signo ancestral importante e simboliza para os afro-brasileiros, como poderá simbolizar para qualquer negro da diáspora africana nas Américas, o lugar onde se foi vencida, já nos séculos iniciais, as primeiras batalhas em busca pela liberdade e igualdade racial no continente. Foi onde se desdobrou, primeiramente, modelos civilizatórios africanos, ou seja, uma organização cultural, político-social para se proteger da máquina escravagista que estava funcionando em pleno vapor. De certa forma, em Palmares, a África se reinventou durante quase um século livre, onde o orgulho não foi suplantado e os guerreiros foram grandes e intrépidos. Palmares é um espirito, o fogo que arde no peito em busca de justiça, sua memória revivida no Dia da Consciência Negra no Brasil, celebra um grande feito e reafirma a luta pela igualdade sociorracial, pela liberdade plena, almejada constantemente pelos negros na África e em todo continente americano.

Davi Nunes, natural de Salvador-Bahia, é um poeta e escritor negro Brasileiro.


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