Total de visualizações de página

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA: UM SONETO - Reflexões – Ariston Caldas

REFLEXÕES


Eu quisera ser poeta de verdade,
minha musa é somente fantasia,
se fico triste invento uma saudade
de coisa que por mim passara um dia.

Falo de estrelas às vezes sem vontade,
comparando-as aos olhos de Maria,
procuro rimas, perco a liberdade
e não encontro a estrada que eu queria.

Contenta-me, porém, a natureza,
olhando um rio, um pássaro, a beleza
de nuvens róseas pelos horizontes.

As palavras me fogem como vento,
mas ganho a tela azul do firmamento
e as flores como festa pelos montes.

(OBRA REUNIDA)
Ariston Caldas
.......

"Recebi o Livro Obra Reunida, de Ariston Caldas, através do seu sobrinho Fernando Caldas. Li os seus versos do primeiro ao último. Honram a poesia baiana, a FICC, aliás, não lhe fez senão justiça e não precisaria fazer, porque as antenas da minha emotividade seriam suficientes para me por em contato com a realidade de sua arte mágica. 

Poesia bonita, leve, agradável. 

Privei da amizade do saudoso poeta. Conversávamos muito sobre todos os assuntos. Às vezes, quando eu passava defronte à sua residência encontrava-o na janela, como se já estivesse me esperando. 

Humanista e preocupado com o social, Ariston usava a sua intuição anímica para fazer versos num estilo primoroso e brilhante que os grandes artistas da palavra conseguem criar, nessa expressão peculiar do seu espírito, onde as coisas têm aspecto diverso, que não se assemelha ao da vida corrente.

Ninguém mais do que Ariston Caldas merece um lugar de destaque na história poética da região cacaueira. Fiel ao seu ideal jamais renegado.

Foi assim, durante toda a sua existência."
-------------
(Artigo publicado no Jornal AGORA)


Antônio José de Souza Baracho, membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL, ocupante da cadeira nº 11, Patronesse Amélia Tavares Amado.

* * *

AMERICANO VENCE PRÊMIO NOBEL DE ECONOMIA

Richard H. Thaler levou a honraria por suas contribuições ao estudo da economia comportamental

09/10/2017  
ESTOCOLMO - O americano Richard H. Thaler foi anunciado, nesta segunda-feira, como vencedor do prêmio Nobel de Economia. Ele foi um dos fundadores do campo das finanças comportamentais, que estuda como as limitações cognitivas influenciam os mercados financeiros. As contribuições do laureado relacionaram a economia às análises psicológicas das decisões individuais. Suas descobertas empíricas e teóricas serviram como instrumentos para expandir o campo da economia comportamental, que teve profundo impacto em muitas áreas da pesquisa econômica.

Formado pela Universidade de Chicago, Thaler incorporou suposições psicológicas realísticas em análises econômicas sobre tomadas de decisão e mostrou como os humanos sistematicamente afetam decisões individuais, assim como resultados do mercado, por meio do estudo das consequências de racionalidade limitada, preferências sociais e falta de autocontrole.

A teoria da contabilidade mental desenvolvida por ele explica como as pessoas simplificam a tomada de decisões financeiras quando criam contas separadas em suas mentes, enfocando o impacto estreito de cada decisão individual, e não o seu efeito geral. O vencedor do Nobel também mostrou como a aversão às perdas pode explicar por que as pessoas valorizam mais um mesmo item quando o detém, um fenômeno chamado "efeito doação".

Thaler mostrou ainda como as preocupações dos consumidores podem impedir as empresas de aumentar os preços em períodos de alta demanda, mas não em tempos de custos crescentes. Ele e seus colegas criaram o jogo do ditador, uma ferramenta experimental que tem sido utilizada em numerosos estudos para medir as atitudes em relação à justiça em diferentes grupos ao redor do mundo.

Sobre a falta de autocontrole, o economista analisou os motivos para as resoluções de Ano Novo serem difíceis de se manterem. De acordo com ele, a tentação a curto prazo é uma razão importante pela qual os planos de economizar para a velhice, ou fazer escolhas de estilo de vida mais saudáveis, muitas vezes, falham. Em seu trabalho, ele buscou mostrar de que forma essas dificuldades podem ser contornadas.

O Nobel de Economia foi premiado pela primeira vez em 1969 para festejar os 300 anos do Banco Central da Suécia. Desde então, foram 49 premiações para 79 condecorados. Em 2009, Elinor Ostrom foi a primeira mulher a ser laureada na categoria.

No ano passado, a honraria foi concedida ao britânico-americano Oliver Hart e o finlandês Bengt Holmström por seus trabalhos sobre a teoria do contrato. Hart é professor de Economia da Universidade de Harvard, enquanto Holmström leciona Economia e Administração no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês).

Em 2015, o vencedor foi Angus Deaton, também britânico-americano, por sua análise dos padrões do consumo, da pobreza e do bem-estar, e sua demonstração de que o acúmulo de riqueza não é necessariamente paralelo à melhora do bem-estar.

O Nobel de Economia foi o sexto prêmio anunciado pela academia neste ano, que já divulgou os vencedores de Medicina, Física, Química, Literatura e Paz.



* * *

domingo, 8 de outubro de 2017

PRESENÇA DIABÓLICA NO MUNDO DE HOJE - Paulo Corrêa de Brito Filho

Presença diabólica no mundo de hoje

5 de outubro de 2017
   Paulo Corrêa de Brito Filho 

       A influência demoníaca na história humana sempre foi constante e intensa. É a tentativa satânica de levar os homens para a perdição, como ocorreu com os nossos primeiros pais nos primórdios da humanidade, quando em forma de serpente o demônio os tentou, sugerindo-lhes que se comessem o “fruto proibido” seriam “como deuses”.

         Adão e Eva caíram na tentação, cometeram o pecado original e perderam o estado de inocência. Toda a sua descendência sofreu a consequência de tal pecado, tornando-se doravante sujeita à ação do demônio, que procura levar os homens para o inferno.

         A ação diabólica apresenta-se de modo cada vez mais avassalador nos diversos setores da sociedade neopagã em que vivemos, sendo numerosas as práticas incentivadas pelos demônios para se apossarem das pessoas.

        O Pe. Luis Escobar, exorcista da Diocese de Rancágua (Chile), diz que a maioria daqueles que o procuram por se suporem vítimas de alguma ação preternatural teve contato com questões do ocultismo em algum momento da vida.

        O rock satânico é outro meio pelo qual o demônio se apodera das almas, segundo a opinião de vários exorcistas. Também a prática do aborto atrai demônios, pois estes desejam a destruição da criação, especialmente do gênero humano. Dentre as várias manifestações diabólicas de que trata o artigo, a possessão é a mais visível.

A TFP norte-americana em campanha contra missa negra no Oklahoma City Civic Center

        A par do notável avanço de atos satânicos, existem também vigorosas reações, especialmente nos Estados Unidos, onde a TFP norte-americana tem se destacado em campanhas de combate ao satanismo.

        Em face desse quadro terrível, a matéria de capa da revista Catolicismo (edição de setembro último [foto no topo]) apresenta vários exemplos de meios utilizados pelo Maligno — como o denominado “tabuleiro Ouija” — para levar as pessoas a cair nas redes do espiritismo e iniciarem-se assim em práticas ocultistas.

        Na matéria, com o título em epígrafe, o autor recomenda manter distância de superstições e coisas esotéricas, procurar os cuidados da Igreja e, sobretudo, recorrer à Santíssima Virgem, invocada como “Terror dos demônios”. Ela nos protegerá nesta época de tribulações, como ensina o Apóstolo São Paulo, “contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares” (Ef 6, 12).

        À vista dessa aterradora questão que infesta o mundo, e com o propósito de auxiliar a todos a se livrarem de qualquer ação de tais “espíritos malignos”, recomendo a leitura dessa transcendental matéria publicada em Catolicismo. Ela encontra-se disponível no seguinte link: http://catolicismo.com.br/



* * *

‘NÃO ME ESQUECI DE VOCÊ’ - Geraldo Carneiro

‘Não me esqueci de você’


Meu amigo João Ubaldo Ribeiro era das pessoas mais generosas do mundo — ou pelo menos do balneário do Rio de Janeiro.

Meu escritório é cheio de lembranças dele. Não me refiro só a livros, que estão em toda a parte, mas a presentes que ele comprava na esquina ou trazia de viagens, entre os quais uma lamparina made in Bahia, um canivete suíço, comprado na livraria Letras & Expressões, e uma caneta Lamy, modelo standard, que veio da Alemanha e se tornou meu talismã.

O problema é que Ubaldo cobrava sempre o uso do presente. Certa vez me deu um par de binóculos. No dia seguinte, telefonou: “Já usou o binóculo que eu lhe dei?” Eu, que moro na selva do Jardim Botânico, diante de uma pedreira, não sabia onde usá-lo. Ubaldo telefonou de novo, insistindo, e me vi obrigado a ir até a rua para acompanhar, de binóculos, um ciclista, que ficou preocupadíssimo: desconfiou que eu era detetive particular.

Ubaldo me confessou que cultivava uma prática que aprendera com Dorival Caymmi: o “não me esqueci de você”. Explico: sempre que voltava de viagem, Caymmi trazia uma caixa cheia de bugigangas, caixa essa que era uma espécie de baú da felicidade. Quando um amigo chegava de surpresa, Caymmi abria a caixa, pescava algum objeto dentro dela — um brinquedo, um chaveirinho, a réplica de um monumento — e dava-o ao visitante, acompanhado da frase-chave: “Não me esqueci de você.” O visitante ficava encantado.

Um dia Ubaldo voltou da Europa. Assim que fui visitá-lo, ele desobedeceu a receita de Caymmi e abriu diante de mim a caixa do “não me esqueci de você”. Por preguiça de distribuir presentes, pediu que eu escolhesse mais de uma lembrança. Hesitei. Então ele me entregou, mais ou menos ao acaso, os que lhe pareceram mais extravagantes: uns óculos de leitura vermelhos; uma pequena escultura que reproduzia um casal de namorados; um preservativo alemão feito de material triplamente resistente. Por quê? Não sei.

Cheguei em casa e espalhei os mimos pelos cômodos: o preservativo na mesa de cabeceira, o casal de namorados num armário perto da cozinha, os óculos vermelhos na escrivaninha.
Esqueci de dizer que minha musa estava fora da cidade e, quando chegou, ao se deparar com tais objetos, supôs que uma sirigaita — como se dizia em séculos passados — teria se introduzido no outrora sacrossanto recesso do lar.

Imagino que ela deve ter feito fantasias sanguinárias a meu respeito. Mas quando se deparou com o suposto criminoso — isto é, eu —, com a cara mais inocente do mundo, ela percebeu que não precisava levar adiante o inquérito. Só perguntou: “De onde surgiram esses objetos?” Respondi: “Foi o João Ubaldo que trouxe.
Já ouviu falar no ‘não me esqueci de você’?” Ela sorriu, cúmplice, e vivemos felizes para sempre.

O Globo, 01/10/2017



Geraldo Carneiro - Sexto ocupante da Cadeira 24 da ABL, eleito em 27 de outubro de 2016, na sucessão de Sábato Magaldi e recebido em 31 de março de 2017 pelo Acadêmico Antonio Carlos Secchin.

* * *

PALAVRA DA SALVAÇÃO (47)

27º Domingo do Tempo Comum – 08/10/2017

Anúncio do Evangelho (Mt 21,33-43)
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, Jesus disse aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo: “Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas, e construiu uma torre de guarda. Depois, arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro.
Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram.
O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma.
Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’.
Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram.
Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?”
Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”.
Então Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?’
Por isso, eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

---
Ligue o vídeo abaixo e acompanhe a reflexão do Padre Roger Araújo:

 ---
Há uma vinha plantada dentro de nós

“Certo proprietário plantou uma vinha...” (Mt 21,33)

Segundo o relato da Criação, nós viemos da argila, do húmus... Por isso, carregamos em nosso corpo os mesmos elementos físico químicos da natureza: minerais, plantas, animais...

O universo inteiro mora, adormecido, dentro de nossos corpos. Cada ser humano carrega latente em seu íntimo toda a sabedoria do universo. O poeta americano Walt Whitman nos legou uma frase maravilhosa e emblemática sobre este tema: "Eu sou contraditório, eu sou imenso. Há multidões dentro de mim".

Há multidões dentro de nós, não só de animais, plantas, pássaros, peixes, minerais... como também de homens e mulheres de todas as etnias, os jardineiros da criação divina. Há um universo inteiro dentro do corpo, universo mais fantástico, mais colorido,  mais belo que o universo que existe do lado de fora. E o maior desafio é, justamente, a convivência e a harmonia com todo o universo que carregamos em nosso próprio interior.

Partindo do evangelho de hoje (27º Dom TC), podemos dizer que há uma vinha em nosso interior, plantada com todo cuidado. A vinha interior é plantada por Deus em função da vida; por isso ela é sagrada e é lugar de contemplação e encontro íntimo com o Criador; ela é o teatro da glória de Deus, isto é, da manifestação da presença divina. Ela deve ser o lugar da fecundidade, da convivência e da celebração.

A vinha interior é o “mundo” de nossa psique, de nossos afetos, de nossas energias, de nossa espiritualidade, de nossos sentimentos e desejos, de nossas relações básicas, quer conosco mesmos e com os outros, quer com as criaturas e com Deus. Quando todos estes dinamismos estão pacificados e integrados, cria-se um “cosmos” interior, expressão da “vinha secreta” que todos carregamos.

Esta vinha é expansiva, acolhedora, aberta a todos, compartilhando seus frutos abundantes. Ela é lugar de movimento, de encontro, de desafio, lugar provocativo e criativo..., enfim, lugar carregado de presenças. Somos a verdadeira vinha a partir da qual Deus nos encontra e se dá a conhecer; cada um de nós é autêntica vinha da eterna presença de Deus.

Na perspectiva bíblica, a imagem da vinha nos fala de convivência, harmonia, alegria, de acolhida e da gratuidade, por ela ser dada em herança. Os homens e as mulheres de todos os tempos e lugares trazem, como que enraizados nas fendas mais profundas de sua interioridade, sonhos de rara beleza. São desejos de convívio, de superação da dor e da solidão, sonhos de fraternidade e da harmonia... O “eu interior” é uma vinha que se desvela e se revela aos olhos encantados. Toda pessoa possui, nas profundezas de si mesma, um lugar misterioso onde a vinha se esconde, muitas vezes em meio a entulhos de feridas, traumas, rejeições.... Ela deve reencontrar a “vinha perdida”, não fora mas nas profundezas de si mesma. Há dentro dela uma vinha secreta, fechada, que precisa ser aberta.

Caminhar pelo vinha interior é uma aventura, um desafio... Essa é a peregrinação interior: ampliar o espaço da vinha para que ela seja sempre lugar da acolhida e da festa. É nesta direção que a imagem bíblica da vinha também aponta: torná-la uma fonte de bênçãos, de comunhão com as outras pessoas e estreitamento de relações com o próprio Criador. A vinha é o lugar no qual não só existimos e revelamos nossa verdadeira identidade, mas onde somos chamados a uma plenitude de vida, em aliança e comunhão com Deus e com todos.

No entanto, há sempre em nós uma tendência a delimitar, defender e fechar-nos em nossa própria vinha. Isso fazemos de maneira tão zelosa que nem vemos aquilo que está para além da nossa vinha. São grandes os riscos de vivermos em horizontes tão estreitos. Tal estreiteza atrofia a solidariedade e dá margem à indiferença, à insensibilidade social, à falta de compromisso com as mudanças que se fazem urgentes. A própria vinha se torna uma “bolha de proteção” e o sentido do serviço some do horizonte inspirador de tudo aquilo que fazemos.
Contemplando o cenário do nosso interior vamos também tomando consciência que perdemos o sentido da corrente da vida e de sua imensa diversidade. Esquecemos a teia das interdependências e da comunhão de todos com a Fonte originária de tudo.

Segundo a imagem bíblica da Vinha, quando rompemos a aliança com Deus e nos afastamos d’Ele, ela fica estéril. Por nossa atitude de arrogância e de autossuficiência, nós nos fazemos centro e vamos deixando que nossos instintos de poder, vaidade, prestígio... ocupem o espaço da vinha interior. Este autocentramento se revela como uma força de desintegração de nós mesmos com nossa fonte Original, como força de autodestruição e, por fim, como ruptura de comunhão com o Todo.

A “centração em nós mesmos”, sem levar em conta a rede de relações que nos envolve, provoca a quebra da “religação” com tudo e com todos. Este é o veneno que nos corrói por dentro: a petrificação de nossa interioridade, o embrutecimento de nossa sensibilidade, a perda do gosto pela verdade, pelo bem e pelo belo, o extravio da ternura e da transcendência, a atrofia da comunhão com todos... E nossa vinha interior deixa de ser fecunda e oblativa.

Deus investiu pesado no plantio e no cuidado desta vinha interior, esperando frutos saborosos. Uma leitura honesta do texto do evangelho de hoje nos move a fazer-nos graves perguntas: Estamos produzindo em nossos tempos os frutos que Deus espera de sua vinha: justiça para com os excluídos, solidariedade, compaixão para com quem sofre, a vivência do perdão...? No entanto, quê coisas horríveis fizemos com a vinha interior!

Ferir nossa vinha é ferir o próprio Criador, é atrofiar a vida e suas possibilidades. Quando observamos esta vinha outra verdejante, lugar da criatividade, da relação, da comunhão... e agora entulhada de lixo, de contaminação... uma sensação de violação, de sacrilégio, se manifesta em nosso interior. E uma voz ecoa das profundezas de nosso ser: “Que fizestes de minha vinha!”.

Deus não tem por que abençoar uma vinha estéril da qual não recebe os frutos que espera. Não tem porque identificar-se com nossa mediocridade, nossas incoerências, desvios e pouca fidelidade. Se não respondemos às suas expectativas, Deus continuará abrindo caminhos novos para seu projeto de salvação com outras pessoas que produzam frutos de justiça.

Ampliar a vinha do coração implica agilidade, flexibilidade, criatividade, solidariedade e abertura às mudan-ças e às novas descobertas. Algumas fortalezas e seguranças pessoais caem quando a “vinha interior”, abrasada e iluminada pela força do Espírito, começa a romper as paredes de proteção e se conecta com a grande “vinha exterior”: lugar da missão, do compromisso, do empenho em favor do Reino.

Não tem sentido ampliar a “vinha externa” se nossa mente permanece estreita, se nosso coração continua insensível, se nossas mãos estão atrofiadas, se nossa criatividade sente-se bloqueada... Vinha ampla é convite a sonhar alto, a pensar grande..., ousar ir além, rompendo o modo rotineiro de viver. Por isso, nós e o universo só seremos felizes quando todos formos uma grande vinha, por onde o Senhor passeia, à hora da brisa fresca da tarde (Gen 3,8) . A vinha é a face graciosa que Deus oferece à humanidade. Na vinha, Deus realiza seu sonho. E fica feliz.

Texto bíblico:  Mt 21,33-43

Na oração: deixe o Espírito transitar pela sua vinha interior, para que aí Ele estabeleça o “cosmos” (harmonia e beleza”) e crie um coração novo, de onde brotarão frutos de refinado sabor.
- Dê nomes aos “frutos” de sua vinha interior.


Pe. Adroaldo Palaoro sj

* * *

sábado, 7 de outubro de 2017

CAMPANHA INTERNACIONAL PARA A ABOLIÇÃO DAS ARMAS NUCLEARES GANHA NOBEL DA PAZ 2017

Após anúncio da premiação, diretora-executiva da Ican afirmou que Trump e Kim Jong-un devem saber que 'armas nucleares são ilegais' e que 'eles precisam parar'.

Por G1
06/10/2017

Beatrice Fihn, Diretora Executivo da Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican), recebe garrafa de champanhe do marido após anúncio do prêmio Nobel de 2017 (Foto: Denis Balibouse/ Reuters)

A Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican, sua sigla em inglês) ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2017. O anúncio da premiação foi feito na manhã desta sexta-feira (6), em Oslo, na Noruega.

A organização foi premiada por chamar a atenção para as consequências catastróficas do uso de armas nucleares e pelos seus esforços inovadores para conseguir a proibição do uso dessas armas. A Ican reúne mais de 400 entidades e ONGs com representação em mais de 100 nações.

"Nós vivemos em um mundo onde o risco de armas nucleares serem usadas é maior do que tem sido há muito tempo", disse Berit Reiss-Andersen, líder do Comitê Norueguês do Nobel, ao anunciar o ganhador no Nobel da Paz. A premiação ocorre em um momento em que vários países estão modernizando os seus arsenais, como a Coreia do Norte.

A líder da associação, Beatrice Fihn, afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano Kim Jong-Un devem saber que armas nucleares são ilegais. Ao responder ao pedido de dar uma mensagem aos dois líderes, ela foi enfática, segundo a Reuters.

"As armas nucleares são ilegais. A ameaça de usar armas nucleares é ilegal. Ter armas nucleares, desenvolver armas nucleares é ilegal. Eles precisam parar", declarou Fihn.

Campanha internacional para banimento de armas nucleares vence Prêmio Nobel da paz
Ao receber o telefonema que lhe comunicou o prêmio, Beatrice Fihn disse ter ficado "em choque" com a notícia. "É incrível, uma honra", declarou. A ativista é uma das três pessoas que trabalham em um pequeno escritório em Genebra, a sede da Ican. A organização, que começou na Austrália, foi lançada oficialmente em Viena em 2007.

 Na quarta-feira (4), a ativista chamou Trump de idiota no Twitter. Nesta sexta, ela afirmou que estava arrependida, mas fez uma ressalva. “Eu acho que a eleição do presidente Donald Trump fez muitas pessoas ficarem muito desconfortáveis com o fato de ele sozinho poder autorizar o uso de armas nucleares", afirmou, de acordo com a Associated Press.

Daniela Varano, porta-voz da Ican, disse à Reuters que a organização ficou muito entusiasmada por ter ganhado o prêmio. "É um grande reconhecimento para o trabalho que fizeram os ativistas ao longo dos anos e especialmente o Hibakusha (como são chamadas as pessoas afetadas pelas bombas atômicas no Japão). Esse testemunho foi crítico, crucial e para um sucesso tão surpreendente", afirmou.

Diretora Executiva da Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican), Beatrice Fihn, em imagem de arquivo (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

Tratado global
Tratado Global para Proibir as Armas Nucleares foi adotado pela Organização das Nações Unidas (ONU), porém as potências nucleares têm se mantido à margem desse processo, como os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido).

Ele proíbe o desenvolvimento, testes, produção, fabricação, aquisição, posse ou armazenamento de armas nucleares. O tratado foi aberto para assinaturas no dia 20 de setembro e entrará em vigor 90 dias depois que 50 países – dos 122 que votaram – o ratifiquem.

O prêmio é anunciado ainda em um momento em que, além da guerra verbal que Trump trava com a Coreia do Norte, o governo americano ameaça revogar o acordo nuclear com o Irã – a quem Trump acusa de não estar cumprindo os termos do acordo. Em seu discurso de estreia na assembleia-geral da ONU deste ano, o americano classificou o acordo como vergonhoso.

"O acordo com o Irã é uma das piores transações (...) Francamente, este acordo é uma vergonha para os Estados Unidos." Em 15 de outubro, Trump vai se pronunciar no Congresso americano se ele considera que Teerã respeita seus compromissos, como indicado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Diretora Executivo da Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican), Beatrice Fihn, ao lado do ator Michael Douglas, durante coletiva na sede da ONU, em Genebra, em foto de arquivo (Foto: Denis Balibouse /Reuters)

ONG Campanha Internacional para Abolir Armas Nucleares (Ican) leva Nobel da Paz (Foto: Fabrice Coffrini / AFP Photo)

Veja os vencedores de 2017:

Literatura: escritor Kazuo Ishiguro, de 62 anos.

Química: trio Jacques Dubochet (suíço), Joachim Frank (alemão) e Richard Henderson (escocês) por uma série de melhorias que revolucionaram a observação de biomoléculas.

Física: Rainer Weiss, alemão naturalizado americano, e Barry Barish e Kip S.Thorne, cientistas nascidos nos Estados Unidos, ganharam o prêmio pela observação de ondas gravitacionais previstas por Albert Einstein há mais de 100 anos.

Medicina: os norte-americanos Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young levaram o prêmio por suas descobertas no ritmo circadiano, o relógio biológico interno dos seres vivos.

O prêmio de economia será anunciado na segunda-feira (9).

Presidente do Comitê nobel norueguês, Berit Reiss-Andersen, durante o anúncio do prêmio Nobel da Paz 2017, nesta sexta-feira (6) (Foto: NTB Scanpix / Heiko Junge via Reuters)

Últimos ganhadores do Nobel da Paz

2016: Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, conquistou o prêmio pelo esforço de pacificação do país. Naquele ano, o governo conseguiu fechar um acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) após uma guerra civil que já durava mais de 50 anos.

2015: Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia ganhou o prêmio por sua decisiva contribuição para a construção de uma democracia pluralista no país durante a revolução de 2011.

2014: os vencedores foram o indiano Kailash Satyarthi e a paquistanesa Malala Yousafzay, "pela sua luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação". A estudante do Paquistão se tornou a mais jovem ganhadora do prêmio.

2013: Organização para a Proibição das Armas Químicas, entidade que supervisiona destruição do arsenal químico na Síria em guerra.

2012: União Europeia (UE) ganhou por ter contribuído para pacificar um continente devastado por duas guerras mundiais.

2011: Ellen Johnson Sirleaf, Leymah Gbowee (Libéria) e Tawakkol Karman (Iêmen), por sua luta não violenta em favor da segurança das mulheres e seus direitos a participar dos processos de paz.

2010: Liu Xiaobo (China), dissidente detido, "por seus esforços duradouros e não violentos em favor dos Direitos Humanos na China".

2009: O então presidente americano Barack Obama foi premiado "por seus esforços extraordinários com o objetivo de reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos".

2008: Martti Ahtisaari (Finlândia) foi premiado por suas numerosas mediações de paz em todo o mundo.

2007: Al Gore (Estados Unidos) e o Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU ganharam o prêmio por seus esforços para aumentar o conhecimento sobre as mudanças climáticas.

2006: O prêmio foi para Muhammad Yunus (Bangladesh) e seu banco especializado no microcrédito, o Grameen Bank, porque "uma paz duradoura não pode ser obtida sem que uma parte importante da população encontre a maneira de sair da pobreza".



* * *

CONEXIÓN BRASIL-SALAMANCA: ALENCART TRADUCE Y PROLOGA ‘DONDE ESTOY Y SOY’, DEL BRASILEÑO CYRO DE MATTOS

La antología, editada por Verbum, tiene pintura de portada de Miguel Elías y epílogo del poeta y filólogo Juan Ángel Torres Rechy

Alencart, Cyro de Mattos y Torres Rechy, en Salamanca / Foto de Pablo Rodríguez

La reconocida editorial Verbum, fundada en Madrid por el poeta Pío E. Serrano y dirigida actualmente por Luis Rafael Hernández, acaba de publicar el poemario “Donde estoy y soy”, del brasileño Cyro de Mattos (Itabuna, Bahía, 1939), poeta, narrador, periodista, abogado y  miembro de la Academia de Letras de Bahía, quien ha obtenido varios
galardones,  como el Premio Nacional Ribeiro Couto, el Premio Afonso Arinos, el Premio Centenario Emílio Mora o el Premio Internacional de Literatura Maestrale Marengo D’oro (Génova).
  
De Mattos tiene obra publicada en Alemania, Francia, Portugal, Rusia, Estados Unidos, México, Dinamarca, Suiza y Italia. Entre sus libros de poesía están Vinte Poemas do Rio, Cancioneiro do Cacau, Ecológico, Vinte e Um Poemas de Amor, Devoto do Campo y Oratório de Natal.

Son cincuenta los poemas traducidos al castellano por el poeta Alfredo Pérez Alencart, profesor de la Usal y colaborador de SALAMANCArtv AL DÍA. Los mismos fueron seleccionados de nueve poemarios ya publicados por Cyro de Matos, además de dos textos incluidos en la antología salmantina “Decíamos ayer”, aparecida en 2013 como homenaje a Fray Luis de León. Alencart también firma el prólogo, titulado “Poesía y Vida: Cyro de Mattos”.

En la obra publicada por Verbum, la pintura de portada es del destacado artista Miguel Elías, profesor de la Universidad de Salamanca, mientras que el epílogo lo firma el poeta mexicano, Juan Ángel Torres Rechy, doctor en Filología por la Universidad de Salamanca y actualmente profesor de español en la Universidad de Soochow. Toores Rechy también es colaborador de SALAMANCArtv AL DÍA.

Alencart ha traducido a más de treinta poetas portugueses y brasileños.

----------
TRADUÇÃO:

Alencart traduz e prologa 'Onde eu estou e eu sou', do brasileiro Cyro de Mattos

A antologia, editada pela Verbum, apresenta obras de arte de Miguel Elías e epílogo do poeta e filólogo Juan Ángel Torres Rechy

A reconhecida editora Verbum, fundada em Madrid pelo poeta Pío E. Serrano e atualmente dirigida por Luís Rafael Hernández, acaba de publicar a coleção de poesia "onde estou e sou" do brasileiro Cyro de Mattos (Itabuna, Bahia, 1939), poeta, narrador, jornalista, advogado e membro da Academia de Letras da Bahia, que ganhou vários prêmios, incluindo o Prêmio Nacional Ribeiro Couto, Afonso Arinos o Prêmio Centenário Prêmio Emílio Mora e o Prémio Internacional de Literatura Maestrale Marengo D'oro (Gênova).

De Mattos publicou trabalhos na Alemanha, França, Portugal, Rússia, Estados Unidos, México, Dinamarca, Suíça e Itália. Entre seus livros de poesia estão Vinte Poemas do Rio, Cancioneiro do Cacau, Ecológico, Vinte e um Poemas de Amor, Devoto do Campo e Oratório de Natal.

Há cinquenta poemas traduzidos para o espanhol pelo poeta Alfredo Pérez Alencart, professor do Usal e colaborador do SALAMANCArtv AL DAY. Eles foram selecionados a partir de nove coleções de poemas já publicados por Cyro de Matos, além de dois textos incluídos na antologia salmantina "Nós dissemos ontem," apareceu em 2013 como um tributo a Fray Luis de León. Alencart também assina o prólogo, intitulado "Poesia e Vida: Cyro de Mattos".

No trabalho publicado pela Verbum, a pintura é o artista em destaque Miguel Elías, professor na Universidade de Salamanca, enquanto o epílogo é assinado pelo poeta mexicano Juan Angel Torres Rechy, Doutor em Filologia na Universidade de Salamanca e agora professor de espanhol na Universidade de Soochow. Toores Rechy também é colaborador da SALAMANCArtv THE DAY.

Alencart traduziu mais de trinta poetas portugueses e brasileiros.

* * *