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domingo, 12 de dezembro de 2021

AMOR MATERNO – Eduardo Chaves



Amor Materno

Eduardo Chaves

 

Ele passava as noites na taverna,

Tonto de vinho, tonto de fumaça,

E pelo leito da mulher devassa

Trocara a santa habitação materna.

 

Desde que moço se fizera, eterna

Angústia aquela que o gerou traspassa.

Enfurecia quando às vezes terna

Apontava-lhe a mãe sua desgraça.

 

Morre... O povo da aldeia reunido

Discute a sua vida. “Era um perdido”

Quando este exclama; aquele “um maltrapilho,

 

Um jogador, repete” ... A mãe, no entanto,

Ante o esquife soluça toda em pranto:

“Filho! Meu filho! Meu querido filho!”

 

...............

Eduardo da Silva Chaves, apreciado poeta paulista, nascido em Bananal em 09/11/1863 e falecido na capital paulistana em 16/01/1899. Editou grande parte de suas poesias em jornais e revistas.

* * *

domingo, 9 de maio de 2021

MÃE – Cláudio Zumaeta

 




Mãe

 

Subitamente vi-me sufocado

Imerso numa Pandemia 

Que insistia e ainda insiste      

Em me isolar, acuar

Como se a vida 

Não mais valesse a pena

 

Aturdido, angustiado, ferido

Perguntei aos Céus: e agora    

Quem pode, quem poderá nos salvar?

E na escuridão do tempo entorpecido

Senti meu peito vazio distante  

Cabisbaixo entristecido

 

Então outra vez 

Na angustia daquela hora

Voltei a perguntar: e agora, e agora

Quem nos poderá salvar 

                          desta maldita sombra?                            

De repente, ante o silêncio 

Que decaiu em volta 

Ouvi a resposta:

 

Recolhe-te ao colo de sua Mãe, e acalma-te... 

Pois nenhuma escuridão resiste à Luz sublime 

do coração de uma Mãe!                   

 

Abra teus braços e se abrace com ela

E não esqueça: a Mãe, nossa Mãe

É ela, será sempre ela, a grande Estrela 

Que nos guiará para fora das tristezas 

E para dentro de renovadas belezas! 

      

                  [Zumaeta]

 


Cláudio Zumaeta
- Historiador graduado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC, Ilhéus – BA) Administrador de Empresas graduado pela Universidade Católica de Salvador (UCSAL, Salvador-BA. Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL

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domingo, 12 de maio de 2019

MÃE - Cyro de Mattos


Mãe
Cyro de Mattos

        
            A mãe era afeto, dedicação, bons conselhos. Apressada dizia: “Menino, já para dentro,  que  vem o vento ventoso   levado, levando cisco!   Menino, já para  dentro!” Alertava: “ Boa romaria faz  quem em sua casa está em  paz.” Gostava de fazer adivinhas.  Sobre o sol:  “ O que é,  o que é, o ano todo no deserto o mais quente é?”  Para estimular na resposta correta, ela recomendava: “Responda certo como um menino esperto.” De pura carícia era a adivinha sobre a própria mãe.  “O que é,  o que é, o beijo da noite, de dia a melhor sombra é?” Para facilitar na resposta dizia  que todos os dias essa pessoa acompanhava de coração  o filho onde ele estivesse.
 
           A casa era pequena, mas os dias tinham sempre as  mãos zelosas da mãe. Colocavam nos vasos aquelas  rosas,  como sonho deixavam a manhã rosada e perfumada. Esbanjavam pelos ares só ternura. Davam vida à máquina de costura as suas pernas ativas. Os bordados, como beleza tecida por mãos até certo ponto divinas, ganhavam admiração de quem fizesse a encomenda e fosse recebê-la pronta.   Como o mundo de Deus era grandão. Os  doces que a mãe fazia   cativavam com açúcar.

          Uma mãe  é para cem filhos, mas cem filhos não são para uma mãe, ela  disse. Só depois como homem crescido,  o filho saberia o sentido justo do que  ela quis dizer com isso. Conheceria então   nos dias quanta falta suas mãos faziam, pois já não mais  cuidavam, não limpavam os caminhos do filho na lei da vida, agora teria  de ser sem ela   a  travessia.

        - Você quer ser peixe ou ser gente? – preocupada,  a mãe perguntou. - Primeiro a obrigação, depois a diversão, você só anda agora nadando e pescando no rio com o bando de amigos.  Finalizou e se dirigiu  calada para a cozinha.

          Com os queridos amigos, o filho nadava, mergulhava e pescava no rio,  que descia sereno com as águas de fontes puríssimas, dividindo a cidade em duas partes. Ultrapassava os seus limites na aventura da vida e alcançava as linhas do horizonte.  A mãe comungava com o desejo do pai. Sonhava com o filho formado  na profissão de advogado. Ao lado do marido,  não poupava esforços para que isso acontecesse um dia. O filho foi estudar interno no Colégio Irmãos Maristas,  em Salvador. Foi quando o tempo cor de sombras hospedou-se no corpo da  mãe com a doença traiçoeira. Não sabia  como,  em Salvador, conseguia estudar à noite no quarto enquanto ouvia no outro os gemidos da mãe. Doíam, como doíam. Das noites sem madrugada não houve nela revolta enquanto perdurou a agonia. Sem abraçar o rancor, escondia o choro no travesseiro.

          Sem esquecê-la, anos depois, andou solitário nas terras longes. Certo dia,  entre medos e sombras,   pressentiu  que as horas ultimavam  a vez de a mãe ser do vento memória. Chorou. Teve  saudades de si. Procurou  razões que explicassem essa hora do inevitável,  a mais certa de nossos momentos.  Nada, nada achou  nessa noite que se cobre com um sossegado manto eterno.   O que é, o que é, viver para morrer? Eis a questão, ser ou não ser. Quem é o mais sábio dos humanos que já achou a  resposta certa dessa adivinha? Cada um no seu canto, nesse  vale de lágrimas,  sofre o seu tanto, dissera a mãe.


Cyro de Mattos é escritor e poeta. Da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.

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domingo, 13 de maio de 2018

MÃE – Luiz Gonzaga Dias


Mãe

(No Dia das Mães, para D. Aristoteline dos Anjos Dias)


Alma vibrando em hinos de ternura,
De maternal carinho envolto em brilhos,
A mágoa ou o prazer a transfigura,
Vivendo da existência dos seus filhos.

Removendo distâncias, empecilhos,
Indiferente à morte ou à tortura,
Tem na boca os mais ternos estribilhos,
Da canção para o filho ter ventura.

Divino coração onde se abriga,
A essência do amor e da bondade,
A devoção que ao bem a vida instiga.

Guia sublime, redentora e nobre,
Que é feliz, quando a felicidade,
Dos céus descendo todo o filho encobre.


(IMAGENS MUTILADAS - 1963)
Luiz Gonzaga Dias

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EM LUGAR DE PREFÁCIO

            Como um derivativo à luta diária, neste século agitado, nesta época de progresso vertiginoso , aqui estão alguns versos reunidos neste volume, poesias na sua maior parte, dispersas nas publicações brasileiras.

            Sentencia o Evangelho, que nem só de pão vive o homem, sendo portanto estes versos, assim como um oásis, no deserto febril da civilização, da política, da atividade multifária dos seres, na era do avião a jato, dos inventos nucleares e do perene choque de interesse dos homens.

            Um momento de arte e descanso, não faz mal ao corpo ou ao espírito exausto.

            Se o leitor não acha que ler poesia é perder tempo, leia um pouco estes versos.

            Ao contrário, desculpe e passe adiante.

            De qualquer modo, queira aceitar os agradecimentos do autor.


São Felix, Estado da Bahia, Julho de 1962

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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

ITABUNA CENTENÁRIA REFLETINDO: Pausar a vida pelos filhos

Pausar a vida pelos filhos

Hoje tomei meu chá com lágrimas e na minha boca amargava a saudade que sinto da minha mãe. Fiquei pensando em quantas vezes, desde que me tornei mãe, já escutei a frase “não pause sua vida pelos filhos, pois eles um dia crescem”, como uma forma disfarçada de menosprezar a dedicação materna.

Cria-se o filho para o mundo, todo mundo diz.

As asas, as benditas asas. Eu sei, você sabe.

Não pausar a vida. Ideia curiosa essa já que ser mãe é viver eternamente de pausas.

Por nove meses, pausa o vinho.

Por aproximadamente 40 dias se pausa a vida sexual.

Por muitas e muitas noites pausa o sono, pausa a reunião de trabalho, a ligação importante, a oportunidade profissional. Pausa a poupança, porque juntar dinheiro fica difícil.

A gente pausa as refeições e os banhos. Pausa os planos de viagens, as saídas com as amigas, as idas ao cabeleireiro.

A gente pausa o coração na preocupação e pausa a própria vida pra respirar a deles.

Criar para o mundo. O que isso seria?

Suponho que minha mãe me criou “para o mundo”, sempre me dando asas. Fui conquistar esse mundão para o qual a minha mãe me criou.

Mas a verdade é que eu nunca deixei de ser dela. Um pedaço dela. Um produto dela.

Então eu penso, enquanto tomo meu chá com lágrimas e amargo as saudades que sinto da minha mãe, que filhos não são do mundo. Nossos filhos são nossos! Eles vieram da gente e voltam pra gente de novo e de novo.

Mesmo estando longe, eles são nossos. Nossos pedaços. Nossos produtos. Os produtos de todas as nossas pausas. Porque é na pausa que fortalecemos o vínculo, é na pausa que construímos as memórias.

É no pausar da vida, nesse incessante viver pelo outro, em meio às dores e sacrifícios que, como mulheres, muitas vezes nos vemos plenas; e mais do que isso, nos vemos mães.

(Autor não mencionado)
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Enviado do meu smartphone Samsung Galaxy.

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domingo, 14 de maio de 2017

MÃE - Antonio Nunes de Souza

Mãe

Não existe pessoa mais dengosa
Com uma paixão primorosa
Revelando somente amor.
Com grande apego constante
Um amor mais que flamejante
Adorando seus filhos com ardor!

É o único dos amores verdadeiros
Sem nenhuma dúvida para terceiros
Desempenhado com grande carinho.
Protege mais que a sua vida
Nunca sua missão será cumprida
Fora ou dentro do seu ninho!

Todos os dias da sua vida
Ela sempre será querida
E amada com muita paixão.
Ela é mais que imprescindível
Pelo seu amor incrível
Que carrega dentro do coração!


Antonio  Nunes de Souza, escritor
Membro da Academia Grapiúna de Letras-AGRAL


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sexta-feira, 12 de maio de 2017

DIA DAS MÃES: QUANDO UM FILHO DIZ NÃO TE METAS NA MINHA VIDA...

Quando o teu (tua) filho (a) disser: pai, mãe não se metam na minha vida!

(Texto criado por um sacerdote)


Hoje que estou aprofundando meus estudos teológicos na Família, seus valores, seus princípios, suas riquezas, seus conflitos, recordo-me de uma ocasião em que escutei um jovem gritar para seu pai: Não te metas na minha vida!

Essa frase tocou-me profundamente. Tanto que, frequentemente, a  recordo e comento nas minhas conferências com pais e filhos. Se, em vez de sacerdote, tivesse optado por ser pai de família, o que diria ante essa exclamação impertinente de meu (minha) filho (a)?

Esta poderia ser a minha resposta : Filho, um momento, não sou eu que me meto na tua vida, foste tu que te meteste na minha!

Faz muitos anos, graças a Deus, e pelo amor que tua mãe e eu sentimos, chegaste às nossas vidas e ocupaste todo nosso tempo. Ainda antes de nasceres, tua mamãe sentia-se mal, não conseguia comer, tudo o que comia, vomitava. E tinha que ficar de repouso.   Tive que me dividir entre as tarefas do meu trabalho e as da casa para ajudá-la. Nos últimos meses, antes que chegasses, tua mãe não dormia e não me deixava dormir. 

Os gastos aumentaram incrivelmente, tanto que grande parte do que ganhava era gasto contigo, para pagar um bom médico que atendesse tua mamãe e a ajudasse a ter uma gravidez saudável, em medicamentos, na maternidade, em comprar-te todo um guarda-roupa etc. Tua mãe não podia ver nada de bebê, que não o quisesse para ti, compramos tudo o que podíamos, contando que tu estivesses bem e tivesses o melhor possível.

Não meter-me na tua vida?!

Chegou o dia em que nasceste: Tivemos que comprar algo para dar de recordação aos que te vieram conhecer, Tivemos que adaptar um quarto para você. Desde a primeira noite não dormimos.   A cada três horas, como se fosses um alarme de relógio, despertavas para te darmos de comer. Outras, porque te sentias mal e choravas e choravas, sem que nós soubéssemos o que fazer, pois não sabíamos o que te tinhas, até chorávamos contigo.   

Não meter-me na tua vida?!

Começaste a andar e não sei quando foi que tive que andar mais atrás de ti; se quando começaste a andar ou quando pensaste que já sabias.   Já não podia sentar-me tranquilo lendo jornal, vendo um filme ou o jogo do meu time favorito, porque quando acordavas, te perdias  da minha vista e tinha que sair atrás de ti para evitar que te machucasses.

Não meter-me na tua vida?!

Ainda me lembro do primeiro dia de aula.   Quando tive que telefonar para o serviço e dizer que não podia ir. Já que tu, na porta do colégio, não querias soltar-me a mão e entrar. Choravas e pedias-me que não fosse embora. Tive que entrar contigo na escola, e pedir à professora que me deixasse estar ao teu lado, algum tempo, na sala, para  que te fosses acostumando.   Depois de algumas semanas, já não me pedias que ficasse e até esquecias de se despedir quando saías do carro correndo para te encontrares com os teus amiguinhos.

Não meter-me na tua vida?!

Foste crescendo, já não querias que te levássemos às festas em casa de teus amiguinhos, pedias-nos que parássemos numa rua antes de te deixarmos e que te fôssemos buscar numa rua depois. Porque já eras  top, não querias chegar cedo em casa. Incomodava-te que te impuséssemos regras. Não podíamos fazer comentários sobre os teus amigos, sem que te voltasses contra nós, como se os conhecesses a eles toda a tua vida e nós fôssemos uns perfeitos desconhecidos para ti.

Não meter-me na tua vida?!

Cada vez sei menos de ti por ti mesmo, sei mais pelo que ouço dos demais. Já quase não queres falar comigo, dizes que apenas sei reclamar, e tudo o que faço está mal, ou é razão para que te rias de mim, pergunto: como, com esses defeitos, pude dar-te o que até agora tens tido?  Tua mãe passa noites em claro e, consequentemente, não me deixa dormir dizendo-me que ainda não chegaste e que já é madrugada, que o teu celular está desligado, que já são 3h e não chegas.   Até que, por fim, podemos dormir quando acabas de chegar.   

Não meter-me na tua vida?!

Já quase não falamos, não me contas as tuas coisas, aborrece-te falar com velhos que não entendem o mundo de hoje.   Agora só me procuras quando tens que pagar algo ou necessitas de dinheiro para a universidade, ou para se divertir. Ou pior ainda, procuro-te eu, quando tenho que chamar-te a  atenção.

Não meter-me na tua vida?!

Mas estou seguro que diante destas palavras: não te metas na minha vida, podemos responder juntos: filho (a), não me meto na tua vida, pois foste tu que te meteste na minha. te asseguro que desde o primeiro dia até o dia de hoje, não me arrependo que te  tenhas metido nela e a tenhas transformado para sempre!

Enquanto for vivo, vou meter-me na tua vida, assim como tu te meteste na minha, para ajudar-te, para formar-te, para amar-te e para fazer de ti um homem ou uma mulher de bem!

Só os pais que sabem meter-se na vida de seus filhos conseguem fazer deles, homens e mulheres que triunfam na vida e são capazes de amar!

Pais: muito obrigado!   Por se meterem na vida dos seus filhos. Ah, melhor ainda, corrijo, por terem deixado que os seus filhos se metam nas suas vidas!

E para vocês filhos:   Valorizem seus pais. Não são  perfeitos, mas amam vocês e tudo o que desejam é que vocês sejam  capazes de enfrentar a vida e triunfar como homens de bem!

A vida dá muitas voltas, e, em menos tempo do que vocês imaginam alguém lhes dirá: “NÃO TE METAS NA MINHA VIDA!” A  paternidade não é um capricho ou um acidente, é um dom de Deus, que nasce do Amor! Deus os abençoe! A todos!




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